No seguimento do post de ontem, e de outros relacionados com o malfadado #skinnyshaming, acontece isto. Sem querer bater no ceguinho, há que chamar a atenção para o facto de estarmos a assistir a um delírio generalizado.
É que parece que ninguém tem coisas sérias de que se ocupar: nem as mulheres (que supostamente terão mais que fazer) nem os meios de comunicação, senão fazer caça às bruxas.
Resumo da situação ridícula: a Victoria´s Secret lançou um soutien a que chamou Body/Corpo - porque tem "corpo" para segurar tudo no lugar, certo? É um soutienzito, coitado, não um manifesto político.
A Victoria´s Secret, que tem um posicionamento muito vincado, pôs as modelos do costume, os seus "anjos", a publicitar o soutien, MAS - movimento ousado numa época que mais parece uma ditadura - acrescentou o slogan "The Perfect Body" por cima das ditas modelos.
É caso para dizer, como o povo que nunca se engana, ai filha o que tu foste fazer.
As mulheres mais "cheiinhas" zangaram-se imenso e não só andam por aí a protestar em bikini mostrando o que o Senhor lhes deu com cartazes sob o mote #iamperfect, como fizeram circular uma petição que conta com 17 mil assinaturas, exigindo um pedido de desculpas e a alteração da campanha. Já agora...
É curioso que nunca ninguém se zangou com a Victoria´s Secret por mostrar estas manequins nos seus desfiles -a polémica vem apenas de se classificar as mesmas como tendo o corpo "perfeito".
Alguns artigos tentam restaurar o equilíbrio lembrando que nunca, em sociedade alguma, TODA A GENTE foi considerada "linda", que padrões de beleza sempre existiram e que ninguém tem o direito de insultar ninguém, mas a histeria continua.
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| Sim, mostrar o dedo é um verdadeiro manifesto. |
Bom, eu não sei se o corpo de Adriana Lima, Lily Aldrige e companhia será "perfeito", nem interessa. São corpos com tudo no lugar mas para mim o corpo "perfeito" era e será o de Raquel Welch, enquanto para outras pessoas a definição pode ser diferente; em última análise cada mulher pode procurar a perfeição dentro do seu tipo.
Candice Swanepoel é linda, alta e elegante, Scarlett Johansson, dentro de outro tipo físico, é igualmente linda e esguia. Kristina Hendricks, mais "redondinha", é lindíssima.
O que interessa é que uma marca tem o direito de escolher as modelos que achar melhor. Se mostrassem raparigas com ar famélico e doente isso seria mau, mas não é o caso: a VS usa MODELOS, não actrizes nem it girls, nas suas campanhas. E as modelos - fora casos como Kate Upton - não são a comum das mortais.
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| Não, minha querida, a menina não é perfeita: é tola. |
Não são necessariamente mais "bonitas", mas tal como os atletas, a realidade delas não é a de toda a gente. Como os judocas olímpicos, as modelos que já são naturalmente altas e esguias são obrigadas a vigiar o peso e as medidas. É o seu trabalho, simplesmente. Muitas delas, se as virmos na rua, são raparigas altas e magras com uma cara bonitinha, mas não viram cabeças. Têm imperfeições como toda a gente, o resto é ilusão: maquilhagem, cabelos, luzes, edição de imagem...truques.
Então porque é que levam isto tão a sério? Porquê esta raiva, esta inveja? Não só isto diminui todas as mulheres, como dá uma imagem ao mundo de que todas elas são umas fúteis desocupadas com ar e vento na cabeça.
Tanto reclamam que não querem ser valorizadas só pelo corpo, mas depois é o que se vê: não se preocupam com mais nada, e pior: se uma "magra" insulta uma gordinha, cai o Carmo e a Trindade. Se uma "gordinha" insulta uma "magra" está a lutar pela democracia da imagem corporal.
Bonito. Estamos entregues às desmioladas.



