Recomenda-se:

Netscope

Friday, November 28, 2014

Definição de Purgatório




(...)Da dor mera ficção move tristura
Em quem olha: senti então notando
 Das almas penitentes a postura.

Mais umas, outras menos, se dobrando
Iam, segundo o fardo, que traziam;
E as que eram mais sofridas, pranteando,

Não posso mais! — dizer me pareciam.

Dante Alighieri, A Divina Comédia - Purgatório



Cair no disparate de quebrar a minha jura centros -comerciais- só -a dias -úteis- e -a -horas- mortas, e ter a brilhante ideia de ir procurar um determinado presente num shopping que calhava em caminho - e onde não entrava há anos - depois de terminar os meus afazeres.

 Lembrei-me logo porque é que não punha lá os pés desde o tempo dos afonsinhos. Por mais templos do consumo que acumulem neste país, arranjam sempre modo de os apinhar e é impossível apreciar alguma coisa com tanto povo a mercar ou a pasmar para as montras. Depois o calor, a música aos berros, as pessoas tropeçando nos seus sacos e saquinhos como se fosse o peso dos seus pecados, todo um aparato trazido sem tirar nem pôr da segunda parte da Divina Comédia, e ainda o espalhafato natalício vem longe...que seria se assim não fosse!

  Visitei só uma loja, não aguentei e voltei de mãos a abanar, de cabeça a andar à roda, irritada com aquilo tudo, ansiosa por ar fresco, entre frustrada pelo passeio à Senhora da Asneira e vitoriosa por não deixar o meu rico dinheirinho naquele OVNI gigantesco. Cada vez mais prefiro fazer as minhas compras em lojas calmas, de preferência que fiquem na rua, em mercados (e nesta época há uns quantos, muitos para fins solidários) ou comprar online. Desconfio que este ano vai tudo corrido a encomendas!

 E aqui entre nós que ninguém nos ouve, acho que Dante estava mas era a prever os centros comerciais quando descreveu o Purgatório.
Para penitências já basta o que basta...

1 comment:

Sérgio S said...

Eu nem sempre gosto de ir às zonas de comércio mais tradicional, isto porque muitas dessas zonas estão orientadas a (enganar) estrangeiro, e também porque há sempre aquele pessoal na rua a abordar para pedir (só) uma coisinha.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...