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Saturday, November 29, 2014

Emile Zola dixit: a verdade é um cataclismo



"Quando a verdade é enterrada ela cresce, ela sufoca, ela acumula uma tal força explosiva que, quando irrompe, arrasta tudo com ela". 

Emile Zola , 1898


A verdade é como certas pessoas muito pacientes, muito discretas, que vão tolerando, ignorando, deixando andar, enchendo o saco à espera que as coisas voltem aos eixos...até que percebem que assim não pode ser e quando o saco rebenta, fujam: fica tudo assarapantado, pasmando de como aquela criatura tão doce se torna numa fera.

 Toda a vida ouvi a avó dizer que a verdade anda sempre ao cimo da água (se calhar às vezes não se distingue bem quando as águas estão turvas por muitas mentiras, intrigas e trampolinices, mas está lá). No entanto, Zola também é capaz de ter razão: quando a confusão é muita, a coitadinha da verdade pode ser calafetada num porão qualquer à força das vigarices de vários interessados, cada um com uma agenda mais sinistra do que a outra, e da ingenuidade de quem julga ter tudo sob controlo quando na realidade é o fantoche de toda a gente, o bobo de serviço.

 E do pecado da ingenuidade, quase ninguém se livra: quem nunca esteve no papelão de "menino na mão das bruxas" julgando ser protegido por amigos que, com melhores ou piores intenções, mexiam cordelinhos que não lhes diziam respeito, que atire a primeira pedra.

  Isto acontece muito quando alguém está num lugar de destaque que convém (ou não) a muita gente, ou quando a ligação entre um casal ou uma sociedade incomoda fulano e beltrano - aí os desocupados, os invejosos e os Honestos Iagos da vida tratam de se juntar para cozinhar venenos e urdir a sua intriguinha, a sua conspiraçãozinha, a sua manipulaçãozinha.

 Porém, como o Universo não é menino que goste de estar quieto e não há nada tão bem escondido que fique oculto para sempre, pela ordem natural das coisas um dia os nós desatam-se, o chão move-se e o castelo de cartas desaba. Depois é o bom e o bonito, num infindável destapar de carecas, de abertura de cadeados, de caudas presas, de desenrolar de novelos...e como tudo está ligado descamba com estrondo, para o bem e para o mal. 

  E pouca sorte das pouca sortes, como a Verdade tem muitas faces, ao irromper despedaça muitos espelhos...e são estilhaços que nunca mais acabam. 

 Mas a chuva de vidros brilhantes só incomoda quem gosta de andar às escuras. Todos os que gostam das coisas imaculadas e claras sabem que é preciso desarrumar para limpar alguma coisa, e não se importam nada com isso.

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