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Monday, November 17, 2014

I´m afraid of no ghost.

Demónio com cara de parvo, a ver se assusta alguém.

Ontem apanhei por acaso este remake de um clássico dos anos 80 e como apesar dos efeitos especiais modernaços (que estragam sempre tudo) queria saber como aquilo acabava, deixei-me ficar a ver.

 Já disse por aqui que medo é coisa que não me assiste lá muito, para mais quando se trata de ficção - só não gosto de disparates estilo Saw porque torturar seja quem for não é de todo my cup of tea - por isso se estiver a passar um que tenha uma história curiosa, acaba sempre por me prender. Os meus preferidos são os dos anos 70/80 que eram menos espectaculares, mas muito mais sinistros. 

 É que os filmes "novos" caem todos nos mesmos truques: invariavelmente, alguém fica com os olhos completamente pretos (isso não é assustador, é só feio que dói) e aparece um demónio ou monstro que suja tudo com baba preta, ou sangue preto, ou qualquer outra coisa preta e pegajosa que parece alcatrão, e faz uns guinchos terríveis produzidos em computador, seguidos de umas piruetas igualmente computorizadas.

 Palavra de honra que há meses vi um filme de Chupacabras que mais parecia um filme de desenhos animados, e só achei graça à parte em que o chupacabras mais novo ficou fechado no microondas, dando um estouro a seguir.

   De resto, são filmes sem o mesmo ambiente dos antigos, mas com os mesmos clichés:

- Há sempre uma cave escura com imenso espaço e uma data de compartimentos mas que ninguém utiliza e que por isso é arrepiante que se farta, onde invariavelmente mora alguma coisa maligna. Não sei se os americanos têm todos caves ou se não sabem o que fazer com elas, mas está visto que é impossível acontecer-me qualquer coisa digna de filme: tenho sempre tralhas para guardar na cave e volta e meia viro-a do avesso para lá caberem mais algumas, logo nenhum monstro ou força do Mal de juízo se vai esconder em domínios que me pertençam. Privacidade para monstros? Nenhuma.

- Invariavelmente, uma vítima corre para um lugar fechado, isolado, baixo, apertado ou simplesmente desvantajoso para se esconder do monstro/demónio/psicopata, com zero possibilidades de fuga ou contra ataque. Para morrer num filme de terror é preciso ter uma noção nula da lógica. Ou não ter instinto de sobrevivência, de todo.

- O ataque de zombies/demónios/vampiros/medo-que-anda-de-noite-e-ninguém-sabe-o-que é costuma ser desencadeado porque algum chico esperto mexe num artefacto de ar sinistro, ou abre um grimório (para os despistados, um livro de feitiços) de meter medo ao susto e decide lê-lo. Em voz alta. Até aí enfim, eu que não resisto a volumes poeirentos também era capaz de dar uma olhadela, MAS se um livro avisa "atenção que eu espoleto forças malignas que arrancam olhos às pessoas" e nem sequer tenta enganar os incautos prometendo a quem aplicar as suas fórmulas vida eterna, riqueza ou super poderes, é capaz de ser mau negócio brincar com ele. Para quê? Ná, se fosse comigo acabava no caixote do lixo ou quando muito, na feira de velharias mais próxima. Não, pensando bem se fosse mesmo assustador e com ilustrações feias era mesmo capaz de ir parar à lareira.

 Ou os argumentistas destes filmes são gente muito imprudente que coloca as personagens a fazer o que eles próprios fariam, ou julgam que o público não deve muito à inteligência, ou eu dava uma boa Caça Fantasmas.

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