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Tuesday, November 4, 2014

Limpeza, como dizia a Nana de Zola.



No romance supracitado *que agora está para ali tão bem arrumado que não dou com ele e também consigo encontrar online para vos reproduzir o trecho que eu queria* há uma cena muito gira em que a cocotte Nana se vê numa camisa de onze varas: dois admiradores cruzam-se ao mesmo tempo em sua casa.

  Como a beldade é temperamental e já está pelos cabelos com as tolices de ambos os cavalheiros, trata de os pôr na rua com a ajuda da criada, gritando que a limpeza vai ser completa.


Pois eu acho que toda a gente tem os seus momentos Nana, em que a paciência se gasta e embora arriscando perder algumas coisas boas, mais vale mandar tudo para o espaço.


 Chega-se a uma altura da vida em que já não se tem tolerância a fretes: bem bastam aqueles que por questões de trabalho ou obrigações sociais não se podem de todo evitar; não há necessidade de ser profissional, engolir sapos ou fazer vista grossa em qualquer outra situação.


De igual modo, na dita altura da vida também já não há paciência para ter em casa cacarecos que não servem para nada, roupa de que não se gosta e não favorece no armário, sapatos que magoam os pés, livros que nunca lemos, receitas que nunca experimentámos, maquilhagem que nunca usámos, amigos que não são para as ocasiões (a não ser que a ocasião lhes convenha) conhecidos com quem não se fala desde o tempo dos Afonsinhos, invejosos, ressabiados, números de telefone inúteis, pessoas que sabemos perfeitamente que não são leais e muito menos relações tóxicas


Não importa o motivo porque se eternizaram na nossa vida - cobardia, preguiça, esquecimento, procrastinação, coração mole, medo de ferir sentimentos, receio de melindrar a parente afastada que ofereceu aquele bibelot horroroso: se não ajuda e só complica, good riddance. Ou como diz uma boa amiga minha, quem quiser acompanhar acompanha, quem não quiser que não atrapalhe.





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