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Monday, November 17, 2014

O dia dos Infiéis Defuntos


Por vezes há andaços que se propagam com o ar ou não sei: e um não muito frequente, mas que sucede, é os defuntos (leia-se, os ex de cada uma e os ex das amigas) levantarem-se da tumba e darem sinal de si, pelos mais variados motivos e todos ao mesmo tempo, que até parece que está o Apocalipse Zombie para começar.

São os Infiéis Defuntos, mesmo que a infidelidade não fosse o motivo de se finarem simbolicamente. 

Um Infiel Defunto não tem de ter sido coisa séria, e mesmo a rapariga menos namoradeira pode ter um ou dois na sua lista:  pode ser um ex namorado, ex noivo ou ex marido, mas pode também ser simplesmente um ex pretendente. Sim, por vezes até o Gonçalo do liceu, aquele pequeno giríssimo que vos ofereceu um peluche piroso (mas que ainda está guardado!) no Dia de S. Valentim, que nunca passou disso e agora está gorducho e careca, coitado, dá um ar da sua graça.

 É assim um surto colectivo de remorso/culpa/solidão aguda/nostalgia/epifania/etc.

 São os que aparecem com as conversas lamurientas sobre o passado, vulgo "ai, porque é que não resultou? Entre nós é que seria perfeito!"; os que surgem com a mesma conversa mas em modo Mea Culpa, estilo "não funcionou porque eu fui um anormal!" (olha a novidade, amigo). Isto com olhos de Bambi e motivado por a) medo de ficarem para tios b) intenções pouco honestas c) reflexão que resulta em realmente analisarem que só fizeram asneiras, que deram cabo das únicas hipóteses de felicidade, que foram uns parvalhões e vocês eram realmente os amores das vidas deles.

 São os que ou nunca se conformaram e que agem de forma passivo agressiva, fingindo-se muito vossos amigos e dando palpites sobre a vossa vida ou fazendo mexericos que vocês vêm a descobrir through the grapevine. E aqueles trágicos - relacionamentos que acabaram mesmo mal para os dois lados e ainda vão tentando dinamitar tudo à sua volta. Algures entre estes aparecem os que não jogam com o baralho todo ou não têm vida própria, por isso copiam tudo o que vocês fazem, gostam e frequentam, levando ao complexo "esta cidade é pequena demais para nós os dois!".

 O resultado disto tudo é as sobreviventes juntarem-se num bunkerzinho a partilhar os disparates que cada uma viu/soube/ouviu, a analisar o caso e a concluir "não sei o que fiz mal, mas acho que só saí com idiotas".



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