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Saturday, November 22, 2014

Quando eles querem impressionar...demasiado.




Há dias apanhei na internet um artigo algo lamechas, mas com muito de verdade,  que lembrava como é que um homem apaixonado deve olhar para a sua amada (e outras coisas também) para que ela sinta que o é.

Olhe para ela com espanto. Olhe para ela com incredulidade.

etc, etc, um pouco como aquela canção do Brian Adams.


Eu não sei se isso é uma coisa que um homem tenha de se lembrar de fazer. Quando um cavalheiro está apaixonado, preso daqueles amores intensos, absorventes e excessivos que são os únicos que valem a pena neste mundo de Deus (desde que não descambem em obsessão que aí estraga-se tudo, convém assinalar) é assim que olha, não há outra maneira. Ainda há dias partilhei convosco o documentário de Roger Scruton em que o filósofo  diz precisamente isso: quando estamos apaixonados, a pessoa amada não nos parece real. Não parece deste mundo. Parece demasiado linda, demasiado perfeita. E queremos olhar para ela como se tivéssemos medo de que se desvaneça.

Ora, é com incredulidade que se olha para o que não nos parece deste mundo, e sempre acreditei nisto:  a mulher que nunca foi olhada assim só pode ter-se contentado com amores da treta, amores de ocasião, estilo amigos-que-resolvem. juntar-os -trapinhos. Se um homem nunca vos olhou assim, estão a fazer alguma coisa mal...levantem-se do sofá e vão em busca do amor verdadeiro, rápido.

  Mas ao ler que isso é uma coisa que um homem tem de se lembrar de fazer, um gesto romântico como dar flores e não um reflexo natural, caí um bocadinho das nuvens. Haverá alguns que o fazem, como fazem outras coisas, no firme propósito de seduzir e impressionar.

Claro que querer seduzir e impressionar é sempre sinal que estão encantados connosco- as intenções podem variar, mas aí já depende de sermos ajuizadas ou não.

 Mas é preciso separar não só as intenções deles (que podem transformar-se em mais honradas do que são inicialmente perante uma mulher que se dá ao respeito, pois eles são um bichinho que gosta de testar os limites) mas também o carácter verdadeiro do falso.


 Um homem que não seja bom, cavalheiro nem generoso por aí além pode fingir essas qualidades quando está deslumbrado com uma mulher. Dependendo dos seus meios e da forma como foi educado, pode fazer TUDO ao seu alcance para mostrar como é bondoso/carinhoso/ mãos largas/rico/poderoso. Se for um rapaz normal com um estilo de vida normal pode ficar-se por insistir em pagar tudo e mais alguma coisa ainda que vocês digam desde o início que não se sentem à vontade com isso, mais flores e o costume; se for assim high profile, vai oferecer presentes caros fora de propósito,  pedir que a secretária vos ligue a confirmar o jantar ou, numa de Mr. Big, mandar o motorista buscar-vos.

Tudo isso, não sendo necessário, é simpático, porque os cavalheiros são raros hoje em dia MAS (sem querer aqui puxar das detestáveis cartadas modernaças)  também pode intimidar (e nos casos mais graves, essa é a ideia); é uma forma de intimidação positiva, do estilo "vou deixá-la tão tonta que vai ficar à minha mercê".


 E quando assim é isso só se revela demasiado tarde, quando a relação chega a outro nível e se vê que a pessoa não é assim tão bondosa nem tão meiga. Nesses casos, Deus nos livre deles, o homem super generoso e super atencioso - principalmente se tiver algum tipo de poder e autoridade - pode mostrar-se tão absorvente e dominador como foi desde o início, mas numa versão pouco agradável.

 É que ele não era bonzinho nem estava a fazer isso só para vos fazer sentir contentes; estava a fazer isso por ele, para se assegurar, por egoísmo. E se por algum motivo uma mulher não corresponder a essas expectativas super idealizadas, é capaz de reagir de forma igualmente hiperbólica. Todo o exagero nasce da insegurança, e de um desejo de superar essa insegurança nem que seja a martelo. Mais ainda: desenganem-se se julgam que um homem bem parecido, com uma posição de destaque e meios não tem como ser inseguro... muitos têm um ego muito frágil. E quando gostam de uma coisa ou de alguém, isso apavora-os. Têm de se assegurar. A bem...ou a mal.

Não quer dizer que o cavalheiro não estivesse apaixonado quando fez isso tudo (e se calhar estava mesmo) MAS pode querer dizer que não leva os sentimentos alheios em consideração e que tendo poder, pode tentar abusar disso.

Como é que então se distinguem os actos de conquista inofensivos dos não tão bem intencionados logo na primeira fase da relação? É preciso ouvir o instinto. Se há demasiados presentes, demasiado cedo e demasiado caros, a pontos de vos fazer sentir desconfortáveis, das duas uma: ou ele não tem intenções sérias ou se as tem, encara as relações de uma forma muito possessiva. Se é demasiado absorvente, convidando-vos a toda a hora para festas ou encontros em locais maravilhosos mesmo quando não vos dá jeito e não respeita a vossa relutância...é certo que quer muito a vossa companhia, mas pode estar a atropelar fases essenciais do amadurecimento da relação e provavelmente, vai agir com o mesmo tipo de exagero quando as coisas não correrem bem. E acreditem, esses exageros não são bonitos.

 Não há nada mais maravilhoso do que um cavalheiro decidido. Porém, se ele é demasiado cavalheiro, demasiado maravilhoso, demasiado decidido, cautela: o mais certo é gostar de drama em tudo, e estar-se nas tintas para a vossa opinião sobre o papel de heroína que vos coube, e o enredo ter um desfecho algo Shakespeariano que não vos convém nada...








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