Na sua lista de expressões-chatas-como-a potassa-e-que-já-ninguém-consegue-ouvir-sem-irritação, que irá ser votada pelos leitores, a revista TIME teve a coragem de incluir o palavrão F, não sem um pedido de desculpas - porque já se sabe, ninguém pode dizer que não subscreve e aplaude o palavrão sem ser apedrejado. Ficaria muito surpreendida se "feminista" se mantiver a votos, tão delicado o assunto se tornou:
"TIME apologizes for the execution of this poll; the word ‘feminist’ should not have been included in a list of words to ban. While we meant to invite debate about some ways the word was used this year, that nuance was lost (...)".
A justificação da TIME para colocar a palavra F em tão polémica relação de ditos- a- banir -porque-já-ninguém-os-atura é perfeitamente razoável; é, afinal, a mesma que leva meia dúzia de temerários a dizer que estão fartinhos dela: não há celebridade ou artigo que fale sobre qualquer assunto feminino sem que o palavrão tenha de vir à baila:
Declarar-se feminista tornou-se obrigatório (ou pelo menos de rigueur) para homens e mulheres que tenham amor à sua imagem pública - e ai de quem discorde, quanto mais não seja do fanatismo e exagero dos "movimentos" actuais. Ainda que se diga "eu não gosto da palavra porque sou pela igualdade" o Carmo e a Trindade caem na mesma.
![]() |
| Famosas como Gwyneth Paltrow, Sarah Jessica Parker, Susan Sarandon, Demi Moore, Dita Von Teese, Taylor Swift, Salma Hayek, Sofia Vergara ou mesmo Madonna foram criticadas e classificadas de "confusas" por não se identificarem com o rótulo de feministas, apesar da sua imagem de mulheres fortes e independentes. |
O feminismo, ou pelo menos o feminismo dos nossos dias conforme ele se apresenta, afastou-se da única ideia sensata no meio disto tudo (direitos civis e igualdade de oportunidades).
Diz que luta por todas as liberdades das mulheres (mesmo as piores e as que não fazem falta) - menos pela liberdade de discordar do feminismo. Ou de ter opções de vida mais tradicionais, que deviam ser uma liberdade inalienável de cada uma.
Valores como a feminilidade, o decoro, a família e a subtileza (que não prejudicam em nada a independência e inteligência feminina) são condenáveis à luz destes movimentos. Tal como a liberdade de acreditar que homens e mulheres são diferentes, cada um com as suas forças e fraquezas, e que deviam caminhar lado a lado, sabendo jogar com os papéis de género razoáveis que existem desde que o mundo é mundo.
Quanto ao facto de grandes mulheres como Margaret Thatcher não terem precisado de subscrever ideias feministas ou de serem representadas por elas, isso é perfeitamente posto de lado. O que lhes interessa é a revolução e o berreiro - ainda que haja muitas contradições nesse berreiro.
Nem falemos dos exageros e terrorismo de certos grupos (que, defenderão alguns, não são a norma) ao vandalizar lugares sagrados e cometer atentados ao pudor achando que assim trazem "empowerment" (outra palavra irritante) às mulheres. Malucos existem em toda a parte e todos os credos, mas a partir do momento em que todo um movimento permite actos de vandalismo ou olha convenientemente para o outro lado, corre o risco de não ser levado a sério.
Como não gosto de ditaduras de pensamento, aprecio pensar pela minha cabeça e fazer as minhas próprias escolhas, não sou obrigada a ser feminista. ( Veja-se este artigo do Washington Post sobre o assunto...).
Nem qualquer outra coisa.
Se um movimento não compreende esse simples raciocínio ou que a sua liberdade termina onde começa a dos outros (ou das outras) há aqui algo de sinistro... ou de risível.
A TIME não devia pedir desculpa por apontar um facto. Afinal estamos em democracia, ou isso de repente é relativo?

