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Sunday, November 30, 2014

Três passos para evitar más relações como um consumidor inteligente.



Mesmo a mulher mais ponderada, que faça uma boa gestão financeira e adquira só aquilo que lhe faz falta (ou o que acrescenta valor ao seu dia a dia) sente-se outra depois de uma boa passeata pelas lojas. Lá dizia Oscar Wilde, as mulheres desengraçadas choram, as outras vão às compras.  A terapia do retalho - ou do e-commerce, ou dos fornecedores por atacado de cada uma -  desde que bem aplicada para não trazer arrependimentos, problemas financeiros ou tralha inútil, é um santo arejador de cabeças. Por isso mesmo, atrevo-mo a dizer, há que aplicá-la com parcimónia se se for um bocadinho cabeça no ar, ou para evitar tornar-se numa.

 Mas depois de anos a desenvolver toda uma teoria do smart shopping - com uma elevada taxa de sucesso no evitar de compras que não prestam - arrisco dizer que é mais fácil ser-se sensata no arriscado quesito do consumo do que noutros aspectos.
   Tendemos a ser mais tolerantes na escolha das pessoas do que nas aquisições que fazemos.

 Aprendemos mais facilmente a evitar maus negócios do que a eliminar (ou corrigir) relações negativas.

E isto, controverso como possa soar, não é muito boa ideia: talvez se deva aplicar a algumas relações humanas a mesma parcimónia que se usa quando se trata de gastar dinheiro.


Aqui ficam os três erros mais comuns:


1- Testado e desaprovado



Só as fashion victims caem no erro de continuar a comprar modelos que não lhes ficam bem. Uma consumidora inteligente e elegante não usa aquilo que lhe fica "mais ou menos" quando pode estar fantástica: conhece de cor o que a favorece e as peças que deve evitar, por isso consegue reduzir os maus investimentos (e as gaffes de estilo) ao mínimo inevitável.

 E como se alcança isso? Com experiência, observação, conhecimento e aprendendo com os erros do passado, sem voltar a cair neles. Se o corte império não lhe cai bem, vai usar um vestido assim num dia importante? É convidar ao fracasso. Com os afectos, tem de acontecer a mesma coisa. Se uma pessoa (ou um padrão de comportamento de uma ou mais pessoas) já lhe trouxe desgostos, vai continuar a permitir que a história se repita só para dizer que tem fulano ou beltrano na sua vida, ou que tem muitos amigos (ainda que de qualidade duvidosa?)? I think not. Tal como no armário, menos é mais - é preferível não ser tão popular nem tão sociável, ou estar sozinha, a deixar que terceiros instalem o caos na sua existência. Fique com aquilo que lhe faz bem e evite a variedade desnecessária.

2- Dor escusada



Se uns sapatos nos magoam e não caem como devem, acabam no fundo do armário a ganhar pó. E se magoam a sério, não devemos permitir que o façam outra vez. Já o disse aqui e aqui, a sensação de desalento que temos quando não podemos confiar nos sapatos é a mesma de não podermos confiar em pessoas chegadas.  

Um bocadinho de incómodo ainda se tolera no calçado de sair, que é de uso breve e ocasional, mas não nos sapatos/botas/sandálias que é suposto manterem-nos de pé um dia inteiro. Se formos consumidoras sensatas, deixaremos de os desculpar com o piso instável ou o dia de estreia e de lhes dar segundas e terceiras oportunidades: libertamo-nos dos pares que não prestam, evitando comprar a mesma marca (ou modelo) de futuro. 

Ora, com as pessoas passa-se o mesmo: algumas desilusões ou incómodos aturam-se nos conhecidos ou colegas com quem raramente temos de lidar, mas são imperdoáveis nas pessoas com quem é suposto contar - amigos íntimos, cara metade e família - principalmente quando esses comportamentos se repetem (e desculpam) uma e outra vez. Talvez se deva perdoar menos. Encontrar as pessoas certas pode ser tão complicado como achar os sapatos certos...mas quando as temos, confiamos nelas de olhos fechados e vamos com elas até à Conchinchina, tal como acontece com os sapatos de confiança.
 Se as pessoas na sua vida são como sapatos de feira e você faz por merecer Gucci, talvez precise de criar espaço na sua existência para um upgrade. Não há lugar para calçado de qualidade enquanto não limpar as prateleiras do que não lhe interessa; nem há espaço para relações de qualidade até que se liberte do que lhe faz mal.


3-Old habits die hard



Se uma marca nos desilude, o mais certo é deixarmos de a utilizar...mesmo que toda a vida a tenhamos visto lá por casa. 

Se mudaram a fórmula, a embalagem e enfim, um produto "já não é o que era" a nossa fidelidade fica comprometida (um exemplo recente é a Herbal Essences, que voltou às embalagens antigas depois de ter feito um reposicionamento para agradar à "geração milénio". Nunca se deve desapontar o consumidor de sempre!). Então por que carga
 d´água mantemos por perto certas pessoas com o velho título que sempre lhe demos, quando há muito deixaram de preencher essa função? Se um "amigo do peito" passou a "conhecido", há que reposicionar essa ligação. E deixar de contar com essa pessoa porque tal como a tralha inútil, pode não servir para nada mas aumenta a factura quando se passa pela caixa. Se uma relação só traz incómodos e nenhuma recompensa, as hipocrisias são escusadas, tal como o champô que não deixamos de comprar por reflexo condicionado.






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