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Sunday, December 21, 2014

A terrível Princesa Daisy


Por vezes, as raparigas boazinhas não fazem história...mas claro que para passar à posteridade mesmo tendo uma data  de maldades no currículo é preciso ter uma combinação de outras qualidades: ser uma beldade, ou muito carismática, ou muito bem nascida/talentosa/rica...tudo isso acompanhado de muitíssimo carisma.

Daisy Fellowes, ícone de moda da década de 1930, era uma dessas mulheres perturbantes que deixam atrás de si um rastozinho de escândalo sem perder o encanto.



Não seria uma beleza incontestável, mas era elegante e charmosa; de santa não tinha nada, mas o  berço (o seu pai era o 3º Duque Decazes e Glücksberg) a sua impressionante fortuna (era neta do fundador da Singer) e o seu sentido de estilo perdoavam-lhe muitas coisas aos olhos do meio elegante onde se movia.

 Para os seus destemperos, terá contribuído uma infância falta de afecto: a mãe suicidou-se, ficando a jovem Daisy ao cuidado da sua excêntrica tia Winnaretta Singer, Princesa Edmond de Polignac.

 A educação em casa da tia, grande mecenas e amante de música, preparou-a para o estilo de vida que a esperava, mas deixou-a algo vazia de princípios e de coração. Seguindo o exemplo da sua mentora (ela própria casada sucessivamente com dois príncipes quando a sua inclinação era outra) Daisy contraiu matrimónio aos 19 anos com Jean, Príncipe de Broglie.

 Rezavam as más línguas que o noivo era homossexual e que a união arrefeceu de vez quando Daisy o apanhou em flagrante delito com o motorista.  A morte do Príncipe em batalha, em 1918, ficou envolta em mistério: doença ou suicídio por ver o seu segredo exposto?

 Ainda assim, o casal teve três filhas - embora Daisy anunciasse despudoradamente que a mais nova "era o resultado de um homem horrível chamado Lischmann". O marido seguinte foi um primo de Winston Churchill - Daisy terá tentado seduzir o próprio Winston, mas falhou.


Daisy com o segundo marido, Reggie Fellowes

 Ser casada, autora de romances e poemas de considerável sucesso, editora chefe da Harper´s Bazaar francesa (desistiu ao fim de dois anos porque achava o trabalho "maçador") coleccionadora de jóias fabulosas (usava tantas que quase vergava com o peso e dizia-se que só as Jóias da Coroa Inglesa podiam rivalizar com a sua colecção) e uma das impulsionadoras da carreira de Elsa Schiaparelli não a acalmou: a sua lista de amantes era numerosa e punha as mulheres com quem privava, mesmo as melhores amigas, à beira de um ataque de nervos. 



A sua rival Lady Diana Cooper, cujo marido foi amante de Daisy por 17 anos, descreveu-a como " a viva imagem da depravação elegante". Nenhum marido estava seguro com a endiabrada Daisy por perto: as próprias filhas se queixavam de que a mãe lhes roubava os namorados. Voraz e aparentemente sem coração, a dieta de ópio, morfina e cocaína que lhe atribuíam (e que  tentava impingir aos amigos; era famosa por oferecer cocaína como aspirina e colocar "pozinhos mágicos" no chá, divertindo-se com as reacções de quem o bebia) não ajudava decerto ao seu bom comportamento...


Daisy retratada por Cecil Beaton

 Os íntimos depressa lamentavam a sua opulenta hospitalidade: o famoso fotógrafo de sociedade Cecil Beaton, que não seria estranho às travessuras dos ricos e famosos, saltou do yacht de Daisy após alguns dias de tormento no Mediterrâneo: segundo ele, a mimada herdeira divertia-se a fazer bullying aos amigos e a virar as pessoas umas contra as outras. Uma companhia no mínimo estranha...

Acima de tudo, Daisy adorava chocar - fosse com os seus ditos desabridos e picantes (sobre si própria, os outros ou com a descrição da sua colecção de pornografia encadernada) fosse com atitudes ou roupas que dessem nas vistas.

 Elsa Schiaparelli inventou a famosa cor "schocking pink" para ela, e Daisy usava-a como ninguém, em toillettes com pormenores surrealistas que espantavam toda a gente.


Vestido "Schoking Pink" de Elsa Schiaparelli

 No meio de tanta extravagância, nunca foi uma mulher realmente feliz; mas o único desgosto que parece de facto tê-la afectado foi a morte do segundo marido, quando a caprichosa Princesa contava 63 anos. Reggie, que tudo lhe  suportara com paciência, fazia-lhe muita falta. Além disso, o mundo tinha mudado: duas guerras mundiais e as convulsões dos anos 60 não tinham deixado espaço para a elegância decadente do mundo de Daisy.
 Morreu aos 72 anos, em Paris - de causa desconhecida e em relativa obscuridade, depois de várias tentativas de suicídio. 

 Ficou o ícone, e uma colecção de peças de joalharia que continua a fascinar apreciadores por todo o planeta...




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