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Tuesday, December 16, 2014

Dúvida existencial do dia: o Baile da Dona Ester



Não sei lá porquê ontem dei por mim a cantarolar a velha cantiga 7 e pico, que me lembro de ouvir por aí em pequena. Sempre achei muita graça à letra, que me intriga como tantas outras músicas do antigamente...


No Baile da Dona Ester

Feito a semana passada,
Foram dar com o Chauffer,
A dançar com a criada.

Depois fiquei cá a pensar que - embora já se saiba que mesmo as festas dadas por gente  do mais respeitável às vezes descambam e se tornam mucho locas, basta ter visto uma ou duas - o Baile da D. Ester só pode ter sido um dos mais épicos, ou dos mais descontrolados, que a boa sociedade cá do burgo já viu.

 É que não basta o pessoal doméstico não estar a ser muito profissional (cá para mim a criada só podia ser a Celestine de Octave Mirbeau, a Juliana d´O Primo Basílio ou a Criada Malcriada e o chauffer era o famoso Ambrósio, numa de vingança por andar sempre à cata de Ferrero Rochers) como falta a luz, os distintos convidados  não têm maneiras e atiram-se à mesa que nem uns alarves, há alguém que escorrega no soalho e vai para o hospital e (aqui é que é pior) uma senhora  bebe além da conta, dá um mau jeito e parte a coluna vertebral. 



É muito escândalo para uma festa só e o mais estranho, tudo num serão antes das dez ...a não ser que (dúvida número 1) o eram p ´raí 7 e picos, 8 e coisa, 9 e tal se refira às horas da manhã. Nesse caso foi regabofe toda a santa noite e aí está explicado.

 Ainda assim, isso não esclarece como é que convidados que a julgar pela descrição já não iam para novos fazem tantos estragos. E aí entra a minha dúvida número 2: alguém minou o beberete com cogumelos mágicos, só pode. Mas quem? O Ambrósio? O filho rebelde da Sra. D. Ester que, obrigado a assistir a um Baile maçador quando queria era estar no Bairro Alto fez isso para se entreter? Ou o mordomo que não entra na canção mas que nestas estórias é sempre o culpado? Podemos ainda lançar a dúvida número 3: alguém queria assassinar um ou mais dos convivas...

 Foi uma pena Hercule Poirot não participar no Baile e deixar-me entregue às minhas teorias...

Moral da história: não dar uma festa desse género sem a presença de um famoso detective.

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