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Thursday, December 18, 2014

Na dúvida, fiquemo-nos pelo intemporal.

Clémence Poésy para a Vogue UK, 2010

Uma das frases mais citadas de Coco Chanel é a moda passa, o estilo permanece

E Karl Lagerfeld avisa que a diferença entre o trendy e o aspecto barato é muito ténue.
 Por muito divertido que seja aderir às tendências de cada estação, ter preocupações de estilo implica considerar o Passado (isto já se usou? Porquê? Como ficava?), o Presente
 ( porque é que esta tendência está de volta? Qual é a sua utilidade? E o seu valor estético?) e o Futuro (continuarei a usar isto mais tarde? Como parecerá daqui a uns anos?).

 Para distinguir um clássico de uma moda passageira, basta observar imagens antigas: as que nos fazem pensar "que bem que as pessoas se apresentavam nesta altura" ou "podia perfeitamente usar isto agora" são intemporais; as que parecem datadas à primeira vista são testemunhos dos exageros da moda.

 Ter esta preocupação em mente é especialmente importante nas ocasiões especiais: bailes formais, casamentos e todas aquelas que não queremos recordar com constrangimento um dia. É possível manter um visual actualizado, de acordo com os tempos, e usufruir das tendências sem cair em exageros - se o equilíbrio, a subtileza e a qualidade do que usamos for sempre a maior prioridade.

Nada como ver alguns exemplos de décadas passadas para ficar com uma ideia:

Anos 1960

Se os retratos dos anos 50 são instantaneamente reconhecíveis mas raramente feios (podemos gostar ou não do estilo, mas quase todas as roupas  passariam despercebidas hoje com o toque certo) nos swinging 60s e mais para o fim da década as coisas começaram a descarrilar um bocadinho, com um certo exagero no volume dos penteados (e nas barbas, para eles) e a introdução de materiais sintéticos, maquilhagem espampanante ou looks futuristas - que embora ficassem bem nas revistas, na vida real não resultavam assim tão bonitos.


Porém, foi uma década glamourosa com a nota certa de equilíbrio: os visuais de Jackie Kennedy, Brigitte Bardot ou Jean Shrimpton podem perfeitamente ser usados agora. Quanto à Burberry, nunca fez roupa feia e esperemos que assim continue.


Anos 1970

Disco music, poliéster, cabelo grande em transição, o nascimento do punk para o bem e para o mal...de tudo isto se compuseram os anos 70, o que levado ao exagero deixou imagens embaraçosas para a posteridade:


Mas os resquícios do look hippie, impondo uma beleza natural e romântica, e o preppy da época salvaram a década. Nota bene os vestidos longos que temos usado nos últimos Verões e o estilo muito Ralph Lauren de Ali MacGraw:


Anos 1980

Não há década que tenha visuais tão datados ou se destaque tão depressa no meio das outras. Dos anos 80 com o seu power dressing, new romantics e glam rock  vieram a maior parte das tendências excessivas que toda a gente jurou enterrar para sempre - embora nos últimos anos algumas tenham regressado - leggings, polainas, ugly sweaters, ou mesmo o cabelo no último anúncio do Opium de Yves Saint Laurent. Diz-vos alguma coisa? Busted!


Mas- pasmem - entre cabeças coroadas, rock stars como Bryan Ferry. modelos e filmes clássicos da época, há muitas coisas que ficariam lindamente hoje. Ralph Lauren não erra, e o understated é tudo:




Anos 1990

Os anos 90 tiveram o minimalismo e o grunge, mas também as boysband, o lip liner castanho, as sombras de olhos brilhantes, o sportswear horroroso, os ganchinhos com borboletas, as gargantilhas de elástico, os penteados de ouriço cacheiro...



Claro que houve sempre quem passasse incólume: basta olhar para Jennifer Aniston em Friends (Ralph Lauren, de novo) para Alicia Silverstone em Clueless (Blair Waldorf não inventou nada) ou para a maravilhosa Carolyn Bessette Kennedy.



Moral da história: moderação, discrição e bom senso salvam a época mais louca...e os álbuns de família!












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