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Monday, December 29, 2014

O maior mentiroso do mundo...ou nem por isso



Este Natal tive finalmente a oportunidade de ver As Aventuras do Barão de Münchhausen. O filme, de 1988, já há anos que me despertava curiosidade, por ter vários elementos dos Monty Phyton, "bonecos" de um animador que trabalhou com Jim Henson (que eu adoro!) Uma Thurman a fazer de Vénus e um cameo de Sting bonito como os amores.



Mas a história, completamente delirante, é baseada numa personagem real: Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen, fidalgo alemão do século XVIII a quem chamaram "o maior mentiroso do mundo" e passou à História como Barão de Münchhausen. A síndroma de Münchhausen - problema que leva as pessoas a "fabricar" doenças para obter atenção ou pena - recebeu o nome dele. Célebre também é o Trilema de 
Münchhausen no campo da Filosofia.


 Münchhausen terá lutado na Rússia contra os turcos e, uma vez regressado a casa, divertia-se a exagerar os relatos das suas aventuras, que incluíam viagens à Lua, voar montado numa bola de canhão e, a mais famosa, salvar-se sozinho de um pântano de areia movediça puxando pelos próprios cabelos - tudo isto sem nunca perder a compostura fleumática que convinha a um Senhor da sua condição...


  As peripécias tornaram-se tão famosas que em 1785, um bibliotecário com aspirações a cientista, Rudolph Raspe, publicou o livro As Loucas Aventuras do Barão de  Münchhausen. Mas como quem conta um conto, acrescenta um ponto, o escritor adicionou episódios de fábulas populares já conhecidas há séculos e outros da sua própria imaginação - "retoques" que curiosamente, o verdadeiro Münchhausen achou um disparate! Também não lhe calhou nada bem que as estorietas que contava entre quatro paredes saltassem para a boca do povo, ganhando-lhe o cognome "Lügenbaron" ("Barão das Mentiras").

A Casa do fidalgo, agora convertida em museu

  É que, segundo a sua biografia, o Barão era um homem honesto, principalmente nos negócios. Não era um aldrabão, não queria realmente  enganar ninguém: apenas tinha uma grande imaginação e gostava de partilhar fiadas de petas para se divertir, contando com a propensão da plateia (basicamente, aristocratas entediados que lhe frequentavam o salão) para a credulidade e com a avidez da mesma pelo maravilhoso, de estranhar em pleno *suposto* Século das Luzes.


 Tenho conhecido algumas pessoas como o Barão de Münchhausen e sinceramente, acho que por causa delas não vem mal ao mundo: sabe-se perfeitamente que dizem essas coisas para se entreter e entreter os outros, e nem sequer pretendem mentir de forma muito convincente.

O mal está em enganar deliberadamente a boa fé alheia, fingindo ou exagerando factos, sentimentos ou intenções e representando um papel em que até o próprio mentiroso acredita. Ou em (sem mentir de propósito mas sabendo de antemão que não se é uma pessoa muito firme) jurar ou  hiperbolizar aos pés juntos factos, sentimentos ou intenções que não se terá constância para levar adiante.

Isso sim é grave. Agora histórias e fábulas, toda a gente gosta delas...







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