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Saturday, December 20, 2014

Paul Brown dixit: shut up! Ou caluda, que vai dar ao mesmo.



Se calhar corro o risco de me repetir ou auto  plagiar, tantas vezes bato nesta tecla: nada vale tanto (ou é tão raro hoje em dia) como a discrição.

 Imensa gente discordará disto na era dos quinze minutos de fama e das redes sociais (que para muitos gente servem de confessionário, base de dados do FBI, altifalante, terapeuta, assembleia, pódio, campo de batalha e tanque de lavar a roupa). 

Basta ver que alguns dos blogs mais lidos caem no estilo ai que pobrezinha que eu sou mas levo tudo para a frente com muita força (o que se fosse escrito anonimamente, ainda seria  aceitável) e os livros - relato de celebridades (ou ex, ou pseudo celebridades) a contar como venceram esta ou aquela desgraça, ou como foram vítimas disto ou daquilo. Livros esses que são classificados pelo público como "testemunhos de coragem". 

Na minha terra, attention whoring não é coragem: é lançar-se aos leões por trinta dinheiros, vontade de dar nas vistas a qualquer preço, tentativas patéticas de ressuscitar uma carreira, de fazer incidir sobre si os holofotes nem que seja para mostrar feridas. Coragem, minha gente, é sofrer calado, resolver discretamente a situação, não mostrar a cara em público até o problema estar resolvido e depois disso, nunca o mencionar além do estritamente necessário. O resto é querer palmadinhas nas costas. Sensacionalismo. Bisbilhotice. 

O "falem mal, mas falem de mim" deixou de ser uma manobra de defesa contra boatos dos quais não se teve culpa para passar a ser uma estratégia de auto promoção usada a esmo.

 Mas o sensacionalismo também ocorre nas alegrias. A ostentação de qualquer tipo a torto e a direito- da riqueza, das compras, dos sucessos, de cada passo de um relacionamento, das mais ínfimas felicidades domésticas - é tão má como lavar roupa suja. Principalmente quando se trata de algo que ainda está por concluir.

 Não é só o ridículo,  ou o facto de se maçar quem vê com pormenores que só têm graça para o próprio. É uma questão quase supersticiosa. O segredo é a alma do negócio. E as coisas que amamos estão (ou deviam estar) envolvidas num pudor quase sagrado, que não convém profanar. Por cada amigo que se alegra com os nossos pequenos êxitos, há gente mesquinha que não fica tão contente como isso. Ou a possibilidade - batam na madeira - de algo não correr tão bem como se espera.

 Não queiramos pessoas malvadas a rir-se das nossas desditas nem a enraivecer-se com a nossa felicidade (muito menos a conspirar para a destruir).

Somos humanos -  é compreensível um desabafo discreto se estivermos muito tristes ou furiosos, ou a partilha pontual de boas notícias já consumadas -  porque não aguentamos o entusiasmo. Mas a toda a hora e sem filtro? It´s beyond me.

 Ou como dizia a minha sábia avozinha, "devemos guardar sempre o melhor para nós".












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