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Saturday, January 11, 2014

As coisas que eu ouço: eu quero o MEU MACACÃO!!!!

Isabel Marant
                                             

Arrisco-me a dizer que qualquer fashionista que se preze gosta (ou tentou gostar) de macacões, aliás, jumpsuits. Pessoalmente - embora fuja das "jardineiras" com alças que dão à mulher mais elegante um aspecto entre Dennis, o Pimentinha e Humpty Dumpty - tenho uma série de jumpsuits - curtos, compridos, de cetim, em denim, de fazenda, vintage, com manga, sem manga, e por aí fora. Não recomendo que se usem  todas as semanas ou coisa parecida mas são práticos, fazem uma toilette em menos de um Credo e com o styling certo, criam uma silhueta longa e sofisticada. 
  
 E esta semana, à procura de um dos uns "macacões" de manga comprida (ou seja, próprios para este tempo) que está desaparecido em combate na minha lavandaria - não há nada como um bom jumpsuit quando temos preguiça de inventar o que vestir no dia seguinte -  lembrei-me de um estribilho que ficou dos meus tempos de liceu e que é citado cá em casa, de cada vez que se pergunta "onde está o meu macacão?" ou de resto, quando se quer muito encontrar alguma coisa que não está à vista.

 A autora da frase com certeza já nem se recorda do episódio, mas é daquelas private jokes que ficam mais na memória de quem ouviu do que de quem as protagonizou.

Ora bem, eu tinha uma colega de turma que era um amor, super educada e espirituosa, mas um bocadinho excêntrica. A típica menina mimada e bem criada que passa por uma fase rebelde. E parte da sua rebeldia incluía vestir-se entre o sem abrigo (em versão limpinha, felizmente) e o Maria-Rapaz. Na maior parte dos dias andava com uma jardineira enorme de ganga, um barrete e uns ténis muito pouco femininos. Só os camisolões mudavam. Era feliz assim e ninguém ligava. Mesmo a família, que era bastante tradicional, levava o caso à paciência: fases.

 Mas há ocasiões para tudo e quando a irmã mais velha se casou a mãe, já para prevenir, fez questão de a levar a todas as lojas para a minha amiga (chamemos-lhe Maria) escolher o que quisesse. Ela lá acedeu, depois de muita luta, e trouxe uma fatiota bourdeaux, romântica, com rendinhas, a puxar para o gótico- da Mango, até me lembro da marca.

 Porém, no dia aprazado, com a noiva atacada dos típicos nervos e toda a casa numa lufa lufa, a boa da Maria entendeu que afinal não queria usar nada daquilo. E em vez de toda a gente apoiar a noiva, toda a casa teve de acudir e esconder a jardineira sebenta porque ela, no seu vozeirão, berrava como uma possessa:


 Argggggh! EU QUERO O MEU MACACÃO!!!!

E a mãe, excelente senhora, a perder a calma "olha que tu levas!". E assim foi, até chegar - já decentemente vestida - à Igreja. Imagino a vergonhaça (ou o pitoresco) que seria olhar hoje para os retratos do casório, se tivesse levado a sua avante...

 Estórias à parte, eu também quero o meu macacão. Tenho mesmo de ver onde arrumei os jumpsuits de Inverno...



Porque é que as mulheres aturam tanto? Eureka, acho que descobri.


Não é que um homem, do alto da sua boa vontade, de coração aberto, não possa 
apaixonar-se por alguém que lhe faça a vida num Inferno. Ou que coisas mais graves como a violência doméstica não tenham mulheres como agressoras e homens como vítimas. Mas perdi a conta às mulheres (e isto, só casos que conheço) que se mantêm ao lado de namorados ou maridos problemáticos - ou conservam relações disfuncionais em on/off, arriscando a sua saúde, a sua auto estima, a sua sanidade mental. Diminuindo-se para agradar, vivendo a 50%, transformadas numa sombra de si mesmas.

 Os planos feitos em comum (noivado, casa comprada, casamento, filhos, constrangimentos económicos) são a explicação mais pragmática. Depois, o velho quanto mais me bates, mais gosto de ti pode explicar muita coisa - o bad boy dominador, mesmo que seja o cobarde que geralmente é, pode passar à primeira vista pelo macho alfa protector e assertivo, pelo Knight in Shining Armour ao qual, por memória genética, a maioria almeja - e quando se dá pelo engodo, está-se demasiado envolvida para pensar racionalmente.

Mas há algo que só recentemente descobri, depois de ter visto algumas das mais fortes e independentes mulheres que conheço a passar por casos de violência psicológica e não só.  A ideia de que só raparigas ingénuas, com baixa autoconfiança ou vindas de meios desestruturados caem nesse conto não podia estar mais longe da verdade. Mas entre as mulheres fracas e as fortes a única diferença é a capacidade de escapar a tempo - normalmente quando estão quase, quase a tornar-se noutras pessoas (os sinais são bem claros: pisar ovos; um receio inconsciente de desagradar; morder a língua quando isso não é hábito; depressão, etc).

 E porque é que isto acontece? Primeiro, pela mania (também ela, digo eu, genética) de tentar salvar tudo, arranjar tudo. Um parceiro mentalmente instável que coitadinho, não tem culpa e é tão lindo, tão meigo, tão carinhoso quando está normal não pode ser mais comovente, mais romântico, mais apelativo .Espera-se sempre que da próxima vez, da próxima oportunidade, haja maneira de reparar os estragos. Que as palavras amargas e os gestos dolorosos sejam retirados, reparados. Que se agirem assim ou assado as coisas tomem outro rumo.  Poucas mulheres escapam ao complexo de heroína. Está-nos no sangue, nada a fazer. Ou como diziam as meninas casadoiras no tempo da minha avozinha, se estavam interessadas num rapaz com fama de malvado, "pode ser que comigo assim não seja!". Pois.

 Segundo, pela malfadada curiosidade feminina. Perante uma pessoa que se ama, mas que obviamente não está na plena posse das suas faculdades e com isso fere as pessoas de quem gosta (ou simplesmente, é um péssimo namorado ou marido) a mulher entra em modo Freud. Ou Sherlock Holmes. E vai de tentar resolver o puzzle, uma e outra vez. Mas porque será que ele faz isto? Que queria ele dizer? E da próxima vez digo-lhe isto ou aquilo e aqueloutro e ele vai ver, espera por essa, não perdes pela demora. Não, ele é mais maluquinho do que eu julgava. Porque é que não se abre comigo para que eu o possa ajudar? Porque é que não me deixa salvá-lo? E já se sabe, o novelo vai-se embrulhando. O "maluquinho", que à sua maneira lá sabe o que é bom para ele, vai tendo um bombo da festa para descarregar,  e nada de procurar ajuda. Cada vez é pior, cada vez dói mais, esgota e arrasa a relação e quem se encontra nesse infernozinho privado, porque não há resposta por mais que se procure. E quanto mais se tenta encontrar a lógica onde ela não existe, mais a areia movediça arrasta os intervenientes. A não ser, claro, com grandes doses de terapia, medicação e muita reza. Mas isso...


Friday, January 10, 2014

Eu embirro com...a canção "Imagine"


John Lennon escreveu uma das minhas canções preferidas - Jealous Guy (embora eu prefira a versão de Bryan Ferry, que sempre me encantou) mas também foi o autor de uma das minhas embirrações de estimação. I imagine, sem trocadilhos,  que dizer isto não me caia lá muito bem, mas já explico (e assim como assim já embirrei aqui com O Principezinho, por isso vale tudo...perdida por cem, perdida por mil!). Como é que se implica com uma canção queridinha, um monstro sagrado de quem todo o mundo gosta, e que ainda por cima fala da paz e do amor entre os homens?

 Primeiro, porque é demasiado idealista. Já vi o suficiente do mundo para ir pela palavra de Maquiavel: devemos encarar a humanidade como ela é e não como gostaríamos que fosse, porque só podemos melhorar aquilo que é real, actuar perante o que existe. Almejar à perfeição como os hippies só funciona para quem está como eles: numa "viagem" permanente. Leva à constante decepção ou a viver à espera de uma revolução que nunca está feita, como vejo tantos exemplares datados e mofentos a fazer por aí. Get real.



 Segundo, porque as utopias me arrepiam: a História provou que é impossível obrigar todas as pessoas a pensar da mesma maneira, a querer o mesmo, a esforçar-se o mesmo, a ter os mesmos ideais. Uns querem ser ascetas, outros são apaixonados, uns são trabalhadores,  para não falar nos "bons" e nos "maus", nos que gostam de alcançar isto e aquilo e nos que se contentam com pouco. Utopias dessas não são (ou não seriam)  menos ditaduras do que aquelas que já por cá passaram.

E terceiro, porque a tomar a cantiga ao pé da letra, o Paraíso de John Lennon não só seria um totalitarismo pegado - onde todos eram obrigados a ser pacíficos, a partilhar tudo e a viver, enfim, como patetas alegres - como me parece uma grandessíssima sensaboria. Ora vejam:

Nada de Religião - é certo que a Religião é a desculpa para muitas coisas menos agradáveis, mas também não é o bode expiatório de todos os males da Humanidade. É fonte de conforto, de força, de esperança. Traz magia e mistério à vida. E ter ou não uma vida espiritual é um direito inalienável de cada um, era só o que faltava. Um mundo onde não posso rezar se me apetecer, onde os míseros humanos dependem de si próprios e onde não há Natal nem Páscoa? Não obrigada.

Nada de propriedades nem de posses: não é que eu seja uma pessoa materialista, pelo contrário. Mas imaginem não terem as vossas próprias casas, as vossas camas, os vossos sapatos, e ter de partilhar uma inexistente privacidade com o vizinho do lado que por acaso, não gosta de tomar banho. Credo.

E ter uma pátria (ou várias) também dá jeito para que haja algum sentido de missão, de identidade.

Nada por que morrer: se não há nada por que se fosse capaz de dar a vida, então não há paixão, não há entusiasmo, tudo fica numa aurea mediocritas insuportável. Há sempre alguma coisa que é vital para cada um. Se nada nos mover, então a vida é um tanto faz danado, um tédio intolerável. Sou toda pelo espírito nonchalant e blasé, mas calma.

 É uma canção do seu tempo, e acho estranho que se veja como um hino universal. Em última análise,se John Lennon não tivesse morrido tragicamente no auge, acredito que  Imagine não teria o mesmo impacto. Não duvido, atenção, de que a intenção fosse boa. É só que o Paraíso de uns pode muito bem ser o Inferno dos outros. Ou como afirma o bom povo, é por coisas destas que o mundo não se tomba.

As pessoas que "não julgam ninguém"...

                          

...conseguem ser ainda piores e mais hipócritas do que os fariseus da vida, que julgam todo o mundo com uma atitude "holier than thou". Julgar constantemente os outros, apontar o cisco no olho alheio sem olhar primeiro para o espelho é pouco saudável. 

Defendo que devemos ser exigentes connosco e indulgentes com o próximo- afinal, ninguém é perfeito.

 Mas quem apregoa "eu cá não julgo" nem que o próximo faça as piores patifarias, quem desculpa comportamentos aberrantes ou imorais como se não se chocasse minimamente ("coitado, faz pela vida...") revela, no mínimo, pouca bússula moral ou uma moral de elástico, um elástico de muitos metros que estica conforme as conveniências mais a casaca que vira para o lado que sopra o vento ou que dá mais jeito. Ou seja, não julga porque faz (ou faria, se pudesse, ou fará, se for necessário) a mesmíssima coisa. Reparar na falta de decência ou integridade alheias seria apontar o dedo a si próprio.

 Quem é bom ou santinho não apregoa o facto aos quatro ventos (assim como quem é inteligente, humilde ou tem estatuto, dinheiro, beleza, não precisa de o afirmar). E os indivíduos que juram "eu dou sempre a outra face", "eu sou amiguinho de toda a gente" são geralmente do piorio, pelo menos para as pessoas próximas. 

São os primeiros a vingar-se, a dar tareias na mulher, a conspirar, a urdir intrigas, a ferir os outros, a descer o mais baixo possível para chegar aos seus fins, a ir buscar os argumentos mais mesquinhos - mas pianinho e em privado, não vá  imagem de bondade postiça sair denegrida do ataque de ruindade. 

Tudo é lindo e fofinho - para inglês ver. Casos gravíssimos de pantominice aguda e lá dizia o poeta, não é preciso ir para o Rossio para se ser pantomineiro. Ou como reza o ditado, quem é amigo de todos não é amigo de ninguém. Não julgues para não seres julgado, é certo - mas julguemo-nos a nós próprios e não tomemos os maus exemplos como inofensivos. Há que ter valores, padrões, e não se desviar muito deles. Porque, para citar o outro, para que o mal triunfe basta que os homens de bem não façam nada. Ou não digam nada. Ou não reparem. Afinal, a Bíblia que diz " não julgueis" também recorda o "orar e vigiar". Há o mínimo.

Thursday, January 9, 2014

Assim se estraga uma carteira e uma marca, Moschino‏.

                                 

Não é que seja das minhas Casas preferidas ( tenho uma relação algo desconfiada com ela, tal como com Versace) mas, como qualquer griffe italiana de qualidade, Moschino faz coisas adoráveis quando quer. Peças assim...



 Mas depois sai-se com logomanias horrorosas destas. E eu penso no tipo de pessoa que usa uma carteira tão ostensiva; vêem-me à cabeça os trajes/ preparos/modos dessas pessoas que gostam de exibir monogramas e marcas com ar de falsos (quando não são falsos mesmo) só para se afirmarem junto dos seus pares (as in, seres de background igualmente questionável).  Esse raciocínio tem como resultado eu não me sentir bem em relação à marca. É certo que os públicos mudaram, que consumidores diferentes passaram a ter acesso a certas etiquetas, que Moschino nunca foi o cúmulo da discrição. Mas na minha cabeça, independentemente de uma griffe ter um estilo circunspecto (Lanvin, Bally, Valentino) ou mais, digamos, alegre (Moschino, Versace, Cavalli) luxo está sempre associado a uma certa exclusividade, a algum secretismo. O seu diferencial reside acima de tudo na qualidade que é tangível para o connoiseur, mas pode passar despercebida ao consumidor comum: aquele que só percebe o que tem à frente se lhe puserem, digamos, um grande monograma perante os olhos. E esse é precisamente o busílis: ao apelar a esse tipo de público, não perderá a marca um pouco do seu propósito original? Ao tornar-se desejável para o consumidor óbvio não estará a apelar à temida contrafacção (está pois!) e à banalização? Pergunta retórica.  Ter, por exemplo, uma Birkin da Hermès não é, de perto nem de longe, o acontecimento que era há uns anos atrás. Por muito bonita, durável e luxuosa que a mítica carteira seja, tornou-se óbvia, foi discutida e desejada ad nauseam: todo o mundo sabe o que é uma Birkin. Encontrar uma imitação é a coisa mais fácil do mundo. E notem, a Birkin não tem logótipos, que faria se tivesse.
 Dolce&Gabbanna, Louis Vuitton, Burberry, entre outras, têm percebido a mensagem e recuado. Quando uma peça ou marca se torna alvo do desejo das massas, quando a awareness é muito grande, geralmente há um preço a pagar por isso. O excesso de popularidade não pode ser mais vantajoso para uma Zara, uma Uterque, uma Top Shop - mas quando falamos noutro segmento, sobem os critérios, e ...menos é mais.

Dúvida existencial do dia: afinal quem era a Menina das Tranças Pretas, essa it girl?‏

                                        
Eis um daqueles mistérios das cantigas portuguesas, tão denso como a identidade do Tiroliroliro que estava lá em cima e o Tiroliroló que estava cá em baixo e se juntavam à esquina, ou a localização da célebre lojinha  do Mestre André, ou a vida do Malhão Malhão, esse malandro que não fazia nenhum. Desde a primeira vez que ouvi este fado castiço, fiquei intrigada com essa misteriosa violeteira trend setter que deslumbrava as meninas mais elegantes de Lisboa com o seu penteado enfeitado de flores:


E as raparigas d'alta roda que passavam
Ficavam tristes a pensar no seu cabelo,
Quando ela olhava, com vergonha, disfarçavam
E pouco a pouco todas deixaram crescê-lo.

Passaram dias e as meninas do Chiado
Usavam tranças enfeitadas com violetas,
Todas gostavam do seu novo penteado,
E assim nasceu a moda das tranças pretas.

 Durante anos, pensei que a história retratada pela canção se passava nos anos 20, quando as raparigas sofisticadas começaram a cortar o cabelo à garçonne - sempre imaginei as flappers do Chiado cheias de pena pela sua decisão apressada, em obediência às ditaduras da moda, arrependidas de ter perdido as tranças ao ver a humilde violeteira passar (essa anti fashion victim de estilo próprio) com um soberbo e pesado cabelão à Boticelli. Afinal, usar cabelo curto não é para todas e se eu vivesse nesse tempo, ou não aderia à novidade ou ia com certeza lamentar a impulsiva mudança de visual.
 Mas parece que não- o famoso fado foi escrito por D. Vicente da Câmara nos anos 50, num quarto de hotel, e a não ser que relate um episódio do passado não é nos loucos anos 20 que a história se desenrola. Then again, nos anos 50 os penteados da moda também não eram do mais comprido, por isso talvez o conto seja verdadeiro, quem sabe...
Mas o que sempre me baralhou foi mesmo a cor das tranças. A menina tinha tranças pretas, e lançou a moda das tranças pretas floridas de violetas (se eram caídas, ou enroladas num coque ou à volta da cabeça, não sabemos) mas nem todas as meninas que passeavam no Chiado teriam o cabelo dessa cor. Então quê, houve uma corrida à tinta preta por aquelas bandas? Ou foi só o penteado com flores que ficou na moda?
 Tenho de descobrir isso. Teorias?

Wednesday, January 8, 2014

As coisas que eu ouço: sair do armário é para meninos.

                 

Difícil é entrar nele. Pelo menos foi o que uma certa pessoa cá em casa achou e disse, quando me viu a tentar uma nova habilidade para fazer caber dentro do closet *mais* uma original estante para sapatos, a ver se acomodo a colecção sem riscos de maior.

"Tanta gente a lutar para sair do armário, e tu a matares-te para entrar nele". Que piadinha.


 É que enfim, quem trabalha produz, uma pessoa é uma consumidora sensata que sabe pesquisar o que vale a pena e a "irmandade" vai crescendo. Por estes dias quase assassinei um stiletto insubstituível que ainda nem usei ao tirar uma clutch das prateleiras de cima. Aterrei em pontas e o sapatinho escapou ileso, mas nunca fiando.
 Valha-me a mania das organizações regulares e que entre doações, reciclagem e outras "operações de armário em grande forma" consigo não desperdiçar nem acumular tralha inútil, mas vou ter de contratar um carpinteiro daqueles que inventam armários onde eles não existem mais dia, menos dia. Aceitam-se orçamentos e se o serviço for de qualidade ainda sou capaz de oferecer um vestido de cocktail ou uma carteirita para a sua "senhora", de regalo.

Tuesday, January 7, 2014

Algo de estranho se passa:

Ondas gigantes põem costa portuguesa em alerta vermelho

-Na Alemanha os aviões deixaram de descolar por causa de um OVNI;

- Em Portugal, as ondas estão descontroladas e de um tamanho nunca visto, para mim pelo menos (e o mais trágico- cómico é ver os mirones amontoados junto à costa, com as águas a lembrar as ilustrações do tsunami de 1755, Deus nos livre!).

- Nos Estados Unidos, até os ursos polares se queixam do frio (literalmente!).

Ora, não sei o que está a acontecer mas garanto que não fui eu, que para começar tenho fobia a UFOS, são das poucas coisas que me arrepiam, tenho estado aqui quietinha, juro. Só espero que nenhum espertinho fã de Lovecraft se tenha lembrado de acordar Cthulhu, esse Titã monstruoso que dorme no fundo do mar à espera do dia de espalhar o caos. Medo e respeitinho, muito, absoluto.



Se este nao é o blazer mais perfeito‏ que eu tenho visto...

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Prabal Gurung
                           

...sem desfazer em alguns Cristian Dior vintage, e nuns quantos Dolce & Gabbanna...anda lá muito perto. É uma daquelas peças de me deixar em modo "segurem-me, segurem-me que eu vou dar uma martelada no porquinho mealheiro". Já viram aquela cinturinha? Aquela modelagem vitoriana? Aquele preto tão rico? 
Juízo, menina, que a wish list funciona por ordem de chegada, há que poupar/ investir sensatamente, e estamos em crise, etc. Já tenho dito que acho que a Rachel Zoe é o Capeta, mas isto confirma tudo. Mandar-me coisas assim antes do nascer do sol é realmente mefistofélico.

Monday, January 6, 2014

Um blog chic a valer: aquela "tia" fofa

                                      
Há mulheres que são como aquela avó, ou tia que nos marcam a meninice com a sua elegância e permanecem uma referência de estilo para a vida toda. Na minha família houve (e há, Deus seja louvado) algumas mulheres assim, inclusive a tia Sofiinha. Não cheguei a conhecê-la, mas tenho muita pena pois parece que além de ter um excelente gosto, tocava lindamente piano.

 Pois hoje, à procura de uma coisa que já nem recordo o que era, deparei-me com um blog de uma senhora assim. Dama dos seus cinquenta e muitos,  com um background do mais high W.A.S.P que pode haver (leia-se, o "blue blood", a elite "old money"  cujos representantes são dos exemplares que mais se assemelham a uma aristocracia americana) e que escreve sobre o seu mundo de velha elegância - algo decadente, por falta de meios, mas nem por isso menos encantadora. 

No seu blog (Amid Privilege, sem complexos) ela debita sobre a sua infância encantada, recorda como foi capaz de fazer face a um "down sizing" no seu estilo de vida depois de uma má gestão da herança sem perder um bocadinho de panache que fosse (é a maçada do dinheiro velho:às vezes desaparece numa só geração e os herdeiros têm de fazer face à genteel poverty com muita habilidade) sobre as pratas, faianças, pérolas e outras delicadezas.

Mias do que outra coisa fala de  moda, sem nunca perder de vista a silhueta refinada e disciplinada que caracteriza as mulheres do seu meio. Cresceu muito preppy, muito New England, muito Ivy League, e embora Lisa, a autora, tenha vivido na Califórnia e acrescente um toque de rebeldia à sua discreta sofisticação (sabem aquelas mulheres com tão bom ar que podem estar despenteadas, ter uma ruga ou outra, mas continuam sempre a parecer senhoras? ) a sua inspiração é inegavelmente racé.

No meio de tudo ainda dá conselhos úteis sobre como, por exemplo, escolher a camisola de caxemira ideal. Alguém que tem tiradas como " I appreciate luxury, but it’s got to invite dignity to the party" merece alguma atenção. Há que aprender com os exemplos de melhores  tempos, com o savoir faire de gerações, com a experiência  Que isto, de senhoras falsas e tias tão falsas como as suas carteiras está o mundo cheio.


Hoje é dia de pedir desejos.


É que Dia de Reis não é  Dia de Reis para mim se eu não agradecer aos Bons Magos os favores do ano anterior e não pedir uns desejos novos. Sempre tive um fraquinho por eles (afinal são Reis, e ainda por cima generosos, vindos lá do Oriente, o que estimula a imaginação; e magos! Querem melhor?). E embora costume fazer pedidos muito gerais, desta feita vou ser extra cuidadosa: entre as toneladas de coisas boas que me deram nos doze meses anteriores, os Santos Reis trouxeram-me uns "embrulhos" que eu devolvia à precedência de boa vontade. Mas essa é a chatice das coisas mágicas: não há reclamações, nem devoluções, é aceitar, agradecer e cara alegre. Your wish is my command (ou um favor, neste caso...) e temos de nos ver sozinhos com o resultado. Mas enfim, há que exercitar a criança interior e como  que las hay, las hay, cá vou eu.

Sunday, January 5, 2014

As pessoas "tiras-me do sério"



Há aquelas pessoas que não engolimos nem com molho de tomate: porque nos pregaram alguma partida, porque são más, porque os seus interesses contrariam os nossos e não há maneira de ficarmos ambos felizes ou porque enfim, não são o nosso género de criatura. Quanto a essas, o remédio é agir como se não existissem, evitar qualquer convívio e pronto. Com sorte, as pessoas que não fazem o nosso género dificilmente frequentam os mesmos sítios, gostam das mesmas coisas e - se escolhermos bem as nossas companhias - não terão amigos em comum connosco. É caso para dizer, com essas posso eu bem.

O pior são aquelas de quem gostamos, mas são capazes de despertar o pior que há em nós. Os diamantezinhos em bruto, que seriam perfeitos se não insistissem em meter o pé na poça ou no chinelo. Tiram-nos do sério, e por muito boas intenções que se tenha as coisas que dizem, fazem, gostam, acordam os demónios que há em cada um. Uma pessoa tenta conversar, tenta mostrar o seu melhor lado e ser conciliadora  mas as confusões que arranjam são tantas, os disparates são de tal ordem, que até uma santa se transforma na pior, mais desagradável, mais snob, arrogante e chata serpente à face da terra. Vira-se do avesso, de indignação, exasperação e afins, e diz tudo o que não devia dizer. Usam-se palavras de desprezo e irritação tão escusadinhas. O mundo era bem mais fácil se existissem só dois tipos de pessoas: as que não podemos ver à frente, e as que nos agradam. As áreas cinzentas são uma coisa que nunca havia de existir, but that´s life.



Quando uma figura pública desaparece...

                                

...começam os RIP nas redes sociais e a corridinha ao Like gratuito, à audiência privada, ao share de Facebook ou Twitter. Neste caso, até de pessoas que não gostam de futebol, e que dizem aos quatro ventos não apreciar o desporto rei. Eu não sou apreciadora e digo-o aos quatro ventos, mas não vou agora comentar a biografia do Pantera Negra (nome giro, por acaso..) só porque está na ordem do dia. 

E  a título de curiosidade, até podia fazer o post lacrimoso a recordar o dia em que conheci o senhor em tempos idos, num plateau de um programa de TV qualquer. Cumprimentámo-nos. Foi simpático. Não lhe pedi autógrafos para os meus amigos benfiquistas, apesar de ter alguns ferrenhos. Não é o meu cup of tea. Seria uma audiência tremenda, às tantas até há por aí imagens disso. Mas não faz sentido fazê-lo, sabem porquê? É que sabem, eu não gosto de futebol. Não gosto, não aprecio, não compreendo, é-me perfeitamente indiferente. Chama-se a isto coerência.

 A partida de alguém razoavelmente decente para o outro mundo é sempre de lamentar, mas acrescentar condolências popularuchas que assim como assim ninguém de interesse ou relacionado com a família vai ler é sinal de várias coisas- principalmente quando não se vibra com o trabalho da pessoa visada, ou quando não se é uma autoridade na área em causa. Falta de imaginação, necessidade de aprovação, vontade imperiosa de dizer alguma coisa nem que seja ar e vento e vaidadezinha inútil de ver as luzinhas encarnadas a piscar, em modo "que bom, repararam em mim". Senhor, como me irrita o politicamente correcto e o que é dito da boca para fora, principalmente em casos sérios. Perante a dor da boca para fora há o luto verdadeiro da família, dos amigos, que não merece ser desvirtuado em likes e em shares, Não há paciência para as pessoas a quem (volto a dizer) tanto faz ser a noiva no casório como o morto no enterro, e menos ainda para aquelas a quem até o defunto serve para uns segundos de share, Decência e respeito, por favor. 

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