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Saturday, January 18, 2014

Ligeiro assomo de feminismo do dia, e duas outras brilhantes conclusões

                                                   
1- Chegar a casa depois da correria diária, ver que o carteiro nos trouxe o par de sapatos italianos perfeito para a colecção e ocorrer-nos a cantiga das Destiny´s Child:


The shoe on my feet, I've bought it

The clothes I'm wearing, I've bought it (...)


The house I live in, I've bought it

The car I'm driving, I've bought it
I depend on me, I depend on me

É que isto de ser uma rapariga tradicional, à moda antiga, é tudo muito bonito, eu até defendo que o feminismo nos trouxe muitos trabalhos dobrados e amargos de boca, mas não há nada como não depender rigorosamente de ninguém (e muito menos, dar contas a ninguém) no que respeita às aquisições que fazemos ou deixamos de fazer .Lá diz o estribilho: uma mulher a sério basta-se a si própria, mas um homem a sério não permite que ela o faça. Certo - mas nunca fiando. Os alfinetes de cada uma são da sua responsabilidade e se uma rapariga tem a sorte de ter ao lado quem acrescente mais alfinetes e não a mace, fantástico. Mas mulheres que esperam quem as carregue para isso...é mau em todos os sentidos.  Sou bota de elástico em quase tudo menos nisso: até porque a grande maioria dos homens percebe pouquíssimo de moda.  É certo, no entanto, que uma mulher elegante e bem arranjada da reputação de boneca, dondoca ou cabeça de vento não se livra, nem que tenha um QI de 150, rendimentos apreciáveis e seja um verdadeiro rato de biblioteca. Os neandertais são como as baratas: hão-de existir sempre.  

2- Isto de fazer compras inteligentes e de acompanhar as tendências  tem os seus quês: sucede-me antecipar que determinada peça vai voltar a ver-se nas lojas e adquiri-la de antemão. Por exemplo, sapatos abertos. E depois passo meses a olhar para eles e a suspirar que venha o sol para os poder usar, como uma criancinha a ansiar pelo Natal. No Verão acontece a mesma coisa, mas com os casacos. E esta chuva a deprimir uma pessoa!

3 - Por vezes os designers tentam, porque tentam, impor ideias estranhas: é o caso das meias curtas com sandálias, sapatos ou peep toes. Usar uns "peúgos" dentro de calçado aberto não é estético, não alonga a figura, fica pateta e há-de ser no mínimo desconfortável. Só parece cool na passerelle. Ora, eu estou cansada de dizer que no que respeita ao styling sou um pouco nunca digas nunca, mas traço uma linha aí. Neste artigo da Elle, por exemplo, eu ficava com os sapatinhos todos, mas os "peúgos"...no thanks.

Friday, January 17, 2014

Vício do mês: why can´t people just think?



Tenho esta mania de apreciar as pessoas um bocadinho excêntricas, com um sentido de humor algo corrosivo e que dizem coisas desconcertantes (geralmente, a primeira que lhes vem à cabeça) sem pensar se o chiste é socialmente correcto ou não, indivíduos um pouco carrancudos mas lá no fundo, com um coração de manteiga. Porque  me agradam as almas espirituosas, com espírito crítico, confiantes o suficiente para se estarem marimbando para a aprovação alheia (ou no mínimo, para a aprovação de quem não conta para coisíssima nenhuma) para não fazerem fretes e para serem fisicamente incapazes de dar ou receber graxa.

 Desde que saibam quando parar, enfant terribles destes são muito mais toleráveis do que aqueles humanos vulgares que não partem um prato, que só lhes saem da boca patacoadas politicamente correctas para ficar bem no retrato, que se fazem muito sensíveis e preocupados mas na hora H é o que se sabe, que vão com os modismos do momento, com a carneirada e com o que convém, e que acima de tudo,carecem de brilhantismo e de imaginação. 

Ser brilhante - como ser bonito, ou poderoso - não desculpa tudo, mas explica e dá lustre a muita coisa. Uma pessoa não se escapa a tudo por ser genial, mas escapa-se com coisas que soariam ridículas no comum dos mortais. É preciso ser especial para se dar ao luxo de ser adoravelmente insuportável. Assim como é preciso ser-se muito bem educado para poder, sem censura, atropelar as regras da etiqueta com a maior desfaçatez. Ou ter um estilo fabuloso para cometer fashion faux pas sem parecer um palhaço. Ou se pode, ou não se pode. Não é para todos.

 Por isso gosto de personagens como Sherlock Holmes (ou Dr. House, que foi inspirado nele).

 Por isso, e porque Sherlock Holmes me faz sentir bem (ou menos mal) com as minhas próprias habilidades de profiler: calha mesmo bem que haja uma personagem de ficção que ficou na moda novamente e que faz deduções (normalmente acertadas) a partir de parvoíces insignificantes vistas num relance: os vincos de uma camisa, a escolha do relógio, dos sapatos. Compartimenta, caricaturiza, se calhar esterotipa para chegar  em duas pinceladas a uma conclusão que se prova correctíssima. Vê quem está diante de si em dois tempos, tem um instinto que nunca o engana. A diferença entre ele, que é ficcional e genial, e uma pessoa real e normalíssima (como a minha pessoa) é que ele não deixa que as emoções contrariem a sua primeira impressão. Age de acordo com os traços gerais, com o retrato robot, não dá segundas nem terceiras oportunidades depois de algo cheirar a esturro, quanto mais depois de ter esturricado, por isso não comete erros.

 Ainda assim, é bom perceber que não sou a única a tirar conclusões rápidas - precipitadas se calhar, mas claras como cristal. Elementar, meu caro.


Frase que muita gente devia colar no frigorífico:


A sério: se parece doentio, obscuro, sobrenatural, preocupante, novelesco e que só atrai problemas, é porque provavelmente é mesmo. 

Thursday, January 16, 2014

Too much love will kill you: duas beldades trágicas.



Isabella Romola de´Medici, filha do Grão-Duque da Toscânia e da sua deslumbrante mulher, Leonora de Toledo, era uma beleza com a refinada educação humanista  comum às mulheres do seu tempo e do seu meio. A sua prima, a linda ruiva Eleonora de Garzia de Toledo, também. As duas eram muito chegadas, ambas fizeram casamentos terrivelmente infelizes e - verdade ou mentira, consoante o lado da História em que nos convém crer - vingavam-se indo a festas e namoriscando. Pelo menos foi essa a versão dos maridos das duas. O que nunca ficou claro foram os dois "infelizes acidentes" que as vitimaram com poucos dias de intervalo em duas casas isoladas da família Medici, apenas com os criados como testemunha. Os excelentíssimos esposos nunca foram julgados pelos crimes. A história há-de ser explorada aqui em mais detalhe, mas a morte de duas brilhantes raparigas (de 34 e 23 anos, respectivamente) assassinadas por dois brutos ciumentos que nunca foram levados à justiça confirma que a velha frase "jealousy is the injured lover´s hell" tem sempre dois lados, e nenhum deles é bonito. Ou mais a propósito, às vezes...

                                 

Habemus Topshop?



Rumor has it que a Topshop vai abrir no nosso país, e eu que não sabia de nada. No Colombo, parece. Bom, já não era sem tempo - embora o caso fosse mais grave quando era difícil encomendar online e os meus gostos estejam actualmente voltados para outras avenidas, há sempre pequenas tentações em mais uma opção de high street fashion (ainda que neste caso a "rua" seja fechada num shopping colossal). Já agora podiam também trazer sei lá... a Dorothy Perkins. É que há certas peças - principalmente vestidos- que as marcas britânicas fazem melhor. 
E a TopShop (quando não se esquece de quem é e não pratica preços daqueles que mais vale juntar uns trocos e ir comprar o mesmo, mas melhor, de uma griffe realmente especial) tem algumas coisas amorosas, com detalhes fofinhos e tamanhos a pensar nos diferentes tipos de corpo. Sempre me agradou o feel da loja, que lembra viagens a Londres ou o velho "já que vais a Londres dá um pulinho pela Topshop e traz-me assim ao assado".
 No entanto, como me recuso a fazer caças aos gambuzinos, quanto mais a ir de propósito ao Colombro para ver uma loja de fast fashion que deve estar apinhada (e mesmo que fosse high end fashion...) não me apanham lá a não ser que eu veja no lookbook uma coisa que eu queira mesmo. 
 Acostumei-me a consultar  os lookbooks das lojas/marcas com regularidade e isso poupa-me tantos passeios à senhora da asneira que não imaginam. É caso para dizer que só opino vendo. Mas acredito que vai fazer a alegria de muitas meninas - e bloggers- por este Portugal fora. It´s a jolly good shop, allright.

Wednesday, January 15, 2014

Conselhos que não são meus, mas podiam ser: compras sim, mas com savoir faire

                       

Há as pessoas que gostam de roupa, as fashion victims e as fashionistas empedernidas. E depois há os consumidores comuns, os que não podem entrar numa loja sem cometer tragédias (geralmente, as fashion victims inserem-se nessa categoria porque compram tudo quanto há) e os compradores de nível profissional: alguns são -no literalmente. É o caso dos personal shoppers/stylists ou  fashion buyers que trabalham para grandes lojas e ganham a vida graças ao seu olho de águia  bom gosto e instinto apurado. Outros fazem-no por carolice ou actividade extra, nas horas vagas. Mas todos temos de vestir alguma coisa, vivemos numa sociedade de consumo (goste-se ou não) e pequeno ou quase ilimitado, o orçamento deve ser gerido da melhor maneira.
 Comprar de forma inteligente significa menos arrependimentos, melhor qualidade, value for money e um guarda roupa com estilo e bom aspecto que dura anos. Certas pessoas são dotadas de mais talento para isso, mas as técnicas apuram-se com a experiência. Já tenho falado aqui no assunto, mas hoje encontrei um artigo em que vários compradores profissionais relatam as suas dicas e estratégias - muitas que já aplico há anos. Vale a pena dar uma olhadela já que estamos em época de saldos, e na dúvida ter em mente os princípios do chamado french chic: rejeitar a vulgaridade, menos é mais, qualidade e intemporalidade acima de tudo.

" French women are very particular about what they buy, and they always choose quality over quantity for sure. They prefer very, very good fabrics in everyday staples. That’s why they always look so chic – it looks like just a skirt and a top, but the fabric and the colour elevate it.
This…is about a rejection of vulgarity, and a preference for the eternal over the ephemeral. That’s a tough message to transmit in fashion, which tends to focus on the short-term over the long game.”
Clare Waight Keller, directora criativa da Chloé, aqui

Tuesday, January 14, 2014

A cena mais que perfeita: a "máscara" de uma mulher.

                

Sem nunca ter sido fã acérrima de Desperate Housewifes, adorei a Bree desde o primeiro instante e a cena abaixo foi das mais marcantes que já vi na televisão. Pela passagem de testemunho de mãe para filha - e esses ensinamentos sempre foram transmitidos no boudoir ou na cozinha - e por ser verdade. Embora as publicações actuais encorajem as mulheres a ser espontâneas até quando isso não é bom para elas, a tradição ensinava que uma rapariga educada não deixava ver grande coisa das suas emoções. Para esconder o sofrimento, ou para o evitar. Ao ver isto, consigo ver-me junto à minha querida avó num diálogo semelhante. Também ela tinha sempre o meio sorriso pronto, a cabeça erguida e nem morta saía mal arranjada por muito triste que estivesse. Jamais dava à assistência o espectáculo (ou a satisfação) do desânimo. E que força é precisa para isso? É uma daquelas pequeninas coisas da velha arte de ser mulher.
 Hoje, por acaso, revi o diálogo entre as duas actrizes e reparei que Rebecca Wisocky, a mãe de Bree, agora interpreta Evelyn em Criadas e Malvadas (eu viciada me confesso) outra dona de casa em versão socialite perfeita, ruiva, com cara de boneca de porcelana e impecavelmente vestida que nunca deixa ver o que lhe vai na alma. É que isso de ser mulher, ou antes uma senhora, tem mais que se lhe diga do que vir ao mundo e deixar que a natureza faça o seu trabalho. É um sacerdócio.

 "I think you're old enough to learn about 'the mask`. That's what my mother called it. It's the face you wear when you don't want other people to know what you're feeling. All well-brought up woman learn to conceal their emotions as it becomes very useful, especially when dealing with men. When a man knows what you're thinking it gives him power over you. For example, if a man knows how much you love him, he'll take you for granted. He'll hurt you. Carelessly. Cruelly. Constantly. All you need is a hint of a smile.
 Perfect. With a smile like that, no one will ever really know what you're thinking".


A face that could launch a thousand ships


Já podem ter percebido que eu adoro a Jessica Lange. Poucas actrizes fazem tão bem a malvada majestosa, chic, poderosa, sou-má-porque-posso-e-gosto. Está sempre belíssima. É daquelas mulheres que são como o couro de boa qualidade e o vinho do Porto - o tempo só realça o quão acima estão da comum das mortais. Há pessoas lindas que são sempre lindas e o resto da humanidade tem de se conformar e mais nada. 
Detestei o vestido que usou nos Globos de Ouro (não fazia nada pelas suas curvas a não ser esborrachá-las) mas de certeza que se desembaraçou melhor do que muitas novatas, e que importa um fashion faux pas ou um mau ângulo quando se é intemporalmente fantástica como ela? 

No dia seguinte veste algo Dior, ou um qualquer figurino da Fiona Goode e problema resolvido. Mais do que isso,a senhora tem currículo e estatuto para se estar nas tintas, de alto, para todo aquele trolaró - afinal *volto a citar*  não há evento, por mais exclusivo, que não se pareça com uma reunião de Tupperware e Jessica Lange é uma raposa batida nestas andanças. Raciocínio óbvio que a sua carinha - e que carinha - durante a entrega de prémios, esse sorriso Mona Lisesco, esse ar superiormente sereno e aborrecido, reflecte lindamente. 

 Aquela expressão "been there, done that", de quem não se impressiona com nada daquilo, é impagável. Não se pode comprar essa elegância, é preciso nascer assim. 
 Se a beleza é fundamental e a elegância um extra que não está à venda, a cereja no topo é o carisma, o espírito crítico, esse bocadinho de mundanidade que permite não se ralar nem deslumbrar com coisíssima nenhuma. É tão raro encontrar pessoas genuínas o suficiente para fazer um ar de frete abertamente, mas sem perder a sofisticação ao demonstrar "que grande seca que me calhou na rifa", que tenho mesmo de aplaudir. Bravissima!


Miu Miu me mata

                        
A baby sister da Prada tem este condão de puxar pelo lado boho, vintage, romântico e girly da mais clássica, minimalista ou cool das raparigas. E depois faz campanhas assim, que colocam a mais parcimoniosa das consumidoras à beira de fazer disparates. Como se não se soubesse que aqueles saltos ameaçadores são, ainda por cima, tão confortáveis como pantufas e aqueles materiais tão suaves como chantilli. E que aquelas cores arriscadas de usar casam maravilhosamente com muitas coisas que já nos habitam o closet. Não há argumentos contra, objection overruled. Purrfection.


                          
                          
                           

Monday, January 13, 2014

Como usar o maior decote do mundo e mesmo assim ter classe



É fácil, fácil. Basta ser a Gwyneth Paltrow. E a cereja no topo é que ela estava acompanhada de outra senhora à séria, Diane Von Furstenberg. Lo and behold!

Nota bene: adesivo de perucas para segurar tudo no lugar também é, ouvi dizer, um grande truque para vestir aberturas impossíveis sem  fazer figuras. *Rumour has it, que eu não sou fã de perucas nem de decotes que desafiem as leis da gravidade*
                gwyneth

Sunday, January 12, 2014

Saber desistir é uma virtude. Sim, é!



A ideia "só os falhados desistem" está muito enraizada na cultura ocidental e é usada a esmo, como muitas formas de pensar radicais, branco ou preto, tudo ou nada. Arrisco-me a dizer que muitos de nós foram educados para ter uma "mentalidade vencedora" - é preciso insistir, é preciso persistência, é preciso bater a 1000 portas para que uma se abra, etc. Tudo muito lindo.

Eu própria sou uma pessoa teimosa - ou antes, estrategicamente teimosa. Tenho ideias muito firmes, sei o que quero, sou capaz de bater o pé para lá chegar e, como dizia a minha avozinha "quando mete uma ideia na cabeça, nem o diabo lhe dá volta". E sim, fui treinada para não desistir. Para me sacrificar e ignorar o desconforto, as cedências e os esforços desagradáveis em prol do objectivo em mira - o que geralmente resulta. "It´s annoying how I always get my way" é uma frase que se aplicaria lindamente. 

No entanto, às vezes é necessário rever qual é "your way"; se o objectivo é tangível, possível, exequível, saudável ou se precisa de ser reajustado. Não só a estratégia para o conseguir, mas o alvo em si.  É algo que qualquer bom gestor sabe. Quando algo não resulta, não funciona, é fonte de frustrações, de perdas e de aborrecimentos há que traçar a linha entre persistência e estupidez. Ser teimoso como um burro ou pig headed, como dizem os ingleses é, em certos casos, ser irracional.

É que às vezes, só os falhados persistem. Ou como dizia Einstein,  *desculpem lá a tradução livre*  "maluqueira é fazer o mesmo vezes sem conta e esperar um resultado diferente". 

Para evitar isto é preciso não se ser demasiado orgulhoso para perceber que se tomou uma decisão menos inteligente, que as estratégias adoptadas não eram lá muito eficazes, que o prémio em causa não está ao alcance (ou que até não seria conveniente) que às vezes não é não e pronto, e passar adiante para novas oportunidades.

 Se esbarramos numa parede blindada e não temos instrumentos para a deitar abaixo, não vale mais seguir outro caminho? Nem sempre água mole em pedra dura tanto dá até que fura - é muito mais frequente a água fluir para contornar os obstáculos e encontrar outra via. Sejam como a água, disse Bruce Lee.


Lá porque se leu num mapa que o caminho era aquele, se gastou não sei quanto de tempo e gasolina por montes e vales para ir a certo sítio e ao chegar lá, se encontra um precipício...não se vai em frente só por teimosia, ou vai? 


Mas é o que muita gente faz. Fica presa aos mesmos falhanços porque embirrou que quer ou merece certa coisa, certa pessoa, certa meta, porque já investiu não sei quanto,etc. 

Exemplos disso são:

- Pessoas que andam anos e anos e mais anos para tirar um certo curso. Não fazem mais nada da vida, perdem semestre após semestre, torram propinas e mais propinas vêem a vida passar e nunca mais se despacham, mas são incapazes de reconhecer a má opção e mudar, ou passar a outra actividade qualquer. Falta-lhes humildade e cabecinha para discernir que se calhar não são talhados para aquilo, mesmo que até tenham jeito para a área. Não percebem que quem não aguenta o calor, tem de sair da cozinha.

- Pessoas que se apaixonam unilateralmente por quem não lhes liga nenhuma. Levam tampa atrás de tampa (primeiro com delicadeza, depois de forma óbvia, depois ao pontapé se for preciso) fazem de ombro, seguem o alvo das suas "afeições" (ou obsessão) como cachorrinhos, sofrem as piores humilhações mas ainda acham que sim. Não importa se a pessoa gosta de outra, é inatingível, está fora do alcance, não joga no mesmo campeonato, é comprometida, casada e pai de filhos. Não desistem nem que lhes digam "eu sou gay!" (ou se for um gay teimoso, não desiste nem que lhe digam "eu não sou gay"...percebem a ideia). Entendem que devem "lutar por esse amor" que nunca foi deles. Que a persistência é a chave do sucesso. E ficam zangados, furiosos com o alvo das suas afeições, como se tivessem sido enganados. 

- Aspirantes a artistas que enfiaram na ideia que hão-de ser famosos, por muito que lhes digam na cara que não têm altura para ser modelos, voz para ser cantores, formação ou talento para representar. E na mesma linha, artistas que tiveram sucesso no passado mas cujas oportunidades passaram, e insistem em não ter outra profissão e deixar o palco para as horas vagas. A incapacidade de adaptação é realmente uma coisa triste.

- Negociantes que continuam a fazer o que sempre fizeram, por muito que o mercado mude. Querem continuar a vender leite engarrafado por muito que os leiteiros tenham deixado de distribuir a mercadoria de porta em porta. Porque já investiram não sei quantos euros há anos, e a culpa é do governo, e dos mercados, e sempre dos outros. Apegar-se afectivamente a um negócio nunca é bom. Há que saber desistir de um mau investimento, reconhecê-lo como tal e passar adiante. Não é nada pessoal. É apenas negócio. 

- E em geral, aplicar os mesmos métodos, mesmo os que não resultaram, para salvar/recompor uma carreira, uma relação, ou seja o que for. 

Investir mais para salvar um investimento que nunca trouxe senão chatices não é de todo boa ideia. Se calhar, às vezes é mesmo preciso pôr a mão na consciência, considerar " essa não foi a mais brilhante das minhas escolhas" libertar-se, ter noção. Jesus, como me irrita gente obtusa e cabeçuda.


As plataformas de Galliano e o regresso dos mules

                                Nicki Minaj wearing Galliano Bow Platform Pumps - Copy

Comentei por aqui várias vezes que no que respeita ao calçado sou uma pessoa bastante democrática - talvez por ser mais conservadora (ou antes, cingir-me ao que resulta) nas silhuetas da roupa. Chunky heels, scarpins, stilettos, compensados, flats, plataformas, botas, botins, d´orsay, overknee boots, thigh high boots, loafers, pumps, Wellington boots,  kitten heels, peep toes, mules, court shoes, riding boots,  Mary Janes, etc, etc, etc -  uso de quase tudo conforme a toilette e o mood do dia e raramente digo desta água não beberei. 


Mesmo alguns ugly shoes, tão em voga este ano,  não me chocam. Gosto de experimentar e sobretudo, de variar nos formatos, nas biqueiras e no tipo de salto, até porque não é saudável andar dias seguidos com o mesmo par (não só estraga os sapatos, como "massacra" sempre as mesmas zonas do pé) ou com o mesmo tipo (trauma, muito trauma de quando as biqueiras aguçadas e salto agulha eram de rigueur há uns anos atrás).

É claro que prefiro modelos intemporais e invisto pouco em tendências passageiras - tive umas Litas nos pés duas vezes e uma delas foi no Carnaval, mas parece que meio mundo não se cansa delas. 

No entanto há formatos que são recorrentes, e as plataformas são um deles. Nesta fase em que tudo é permitido, em que stilettos assassinos se passeiam lado a lado com bailarinas, guardo os meus pares de cunha com carinho, uso-os de vez em quando, mas sinto-me bem mais confortável com modelos que não sejam tão compensados à frente como estes andaimes de John Galliano


Curiosamente, cada vez mais acho os sapatos altos sem compensação mais acessíveis , porque sentimos onde pomos os pés e não balançam na calçada portuguesa. Tudo tem o seu lugar, mas nada bate um salto clássico. Claro que por muito open minded que eu seja em relação a sapatos, dificilmente calçaria alguma coisa que Nicki Minaj tivesse usado. Tenho umas sandálias de plataforma semelhante pretas, mas isto é decididamente over the top. Too much.




E num momento em que todos os sapatos, botas e sandálias são permitidos e bem vindos (a bem da variedade e dos nossos pés, espero que a tendência dure) seria estranho que os mules não fizessem um regresso. Abertos ou fechados, minimalistas ou folk, vão estar por toda a parte. Já me tinha querido parecer que assim seria - os kitten heels e as biqueiras afiadas assim anunciavam - e pelo sim, pelo não, fui recuperando alguns exemplares cá de casa e não torcendo o nariz a algumas oportunidades que apareceram, como uns Michel Perry lindos. Mas agora é oficial: se ainda têm os vossos, vão buscá-los. Não sendo os meus favoritos, têm a vantagem de uma elegância sem esforço - e ficam fabulosos com umas simples calças cigarrete pretas curtas no tornozelo.









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