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Saturday, January 25, 2014

As coisas que eu ouço: uma mulher dos diabos.


"Não dá para entender este homem. Num momento adora-te, 
no outro és o diabo que veste Prada".

Pois às senhoras e meninas que sofrem deste dilema, só tenho a dizer...antes Prada que outra coisa. Se do amor ao ódio vai um passo, antes ser um diabo bem ataviado do que um diabo mal enjorcado. Ou pior ainda, uma boneca de feira. Como se diz por aí, "vista-se sempre como se fosse encontrar o seu pior inimigo". Ao menos salvam-se as aparências.


Friday, January 24, 2014

Que lições podemos tirar de "A Bela e o Monstro"?



"If you hadn't frightened me 
I wouldn't have run away!"

Bela, desafiando o Monstro, dixit


Juntamente com Sleeping Beauty (o mais gótico e tenebroso dos filmes da Disney) e Alladin (porque sempre tive uma fixação por génios da lâmpada) Beauty and the Beast é o meu clássico  preferido.  Talvez porque sempre gostei muito do conto original.  Talvez pelo ambiente - o castelo obscuro e recôndito, o século XVIII. Ou porque me identificava com a heroína, sempre de nariz nos livros e a sonhar não necessariamente com um príncipe encantado mas com um homem forte no corpo e na alma, que a compreendesse, que fosse capaz de lhe refrear a personalidade vincada sem a diminuir e que não se sentisse ameaçado pela inteligência dela. 

O facto de o Príncipe (na sua forma original) ser o mais giro de todos os heróis da Disney e de ter um carácter algo...peculiar (um diamante em bruto, e portanto um desafio) também pode ter contribuído um bocadinho. Nunca gostei de coisas óbvias. E o Monstro é, claramente, um bad boy

Ora, atrevo-me a dizer que quanto mais forte e independente uma rapariga é, maior a possibilidade de se sentir atraída por quem pareça forte o suficiente para a acompanhar. Porque uma mulher forte não é necessariamente mandona e dominadora, mas dificilmente vai querer a seu lado alguém que seja demasiado passivo: é muito mais provável que baixe as defesas perante um companheiro que lhe permita deixar-se proteger, para variar. Ser sempre invencível é muito cansativo.

 Vendo a história com olhos de adulta, há algo de irresistivelmente romântico, mas de uma forma trágica e perigosa, na forma como a relação entre os dois se desenvolve. A Bela e o Monstro é primeiro que tudo, um rapto. O relacionamento cresce num ambiente fechado, isolado do mundo - um pouco como os raptos consentidos noutros tempos (quando os apaixonados fugiam para casar e passavam um ciclo lunar inteiro escondidos, bebendo hidromel para estimular a paixão: quando finalmente regressavam a casa, já havia um descendente a caminho e as famílias nada podiam fazer- daí o nome Lua de Mel). 

Todos os amantes gostam de se isolar, de viver da imagem um do outro durante os primeiros tempos, mas aqui não sabemos se a Bela realmente se apaixonou pelo Monstro  ou se viveu um caso gravíssimo de síndroma de Estocolmo...embora por vezes seja difícil separar uma coisa da outra.

Em cada homem (ou em cada ser humano) existe uma fera, ou uma besta. A diferença está na capacidade de cada um para a dominar. No caso do Monstro, essa Fera está bem à vista. É a heroína com a sua beleza, a sua fragilidade, a sua meiguice mas também com o poder para o desafiar, para não lhe mostrar medo, que consegue levar o Monstro a polir-se, a limar as arestas, deixando brilhar o Príncipe que na realidade é.

 Porém essa transformação só se dá, o encantamento só é quebrado, porque o Príncipe dentro dele leva a melhor sobre o Monstro. A Bela ajuda, espoleta a mudança, mas é o Monstro  que põe fim à sua própria maldição. Porque as pessoas só mudam se quiserem. Quando assim decidem. Quando estão cansadas de ser monstros, de se esconder atrás de unhas e dentes, e escolhem acabar com o sofrimento que causam a si próprias e aos outros.

 Fosse o Monstro um Monstro mesmo,  da vida real, e o fim da fábula  podia ser outro. A Bela podia acabar muito mal- ou ter fugido. Mas é para isso que servem os Contos de Fadas: fazer sonhar e trazer esperança, mesmo que o Monstro que se esconde na floresta seja, na verdade, sem emenda.


Momento picture perfect da semana



A belíssima Dita Von Teese como musa do adorável, talentoso e sempre bem disposto Jean Paul Gaultier. What´s not to love? Couture, espartihos e Dita Von Teese formam uma combinação que nos lembra o porquê de ainda existir Alta Costura. Por muito irresistível e luxuoso que possa ser o Prêt-a-Porter, ou muito divertida que seja a moda de consumo rápido deste mundo. Arte, meus senhores.

                                                    Dita-Von-Teese-Gaultier-Vogue-23Jan14-PA_b

Thursday, January 23, 2014

Morreram-me uns quantos neurónios. Juro. Pobres pequenos.



Por aqui e pelos jornais tem-se falado bastante na infantilização (estupidificação?) das crianças. Fenómeno irritante, desnecessário e paradoxal numa altura em que se espera que os pequenos sejam ases da informática e falem não sei quantas línguas antes de largar a chucha. Endeusam-se os homens de amanhã, fazem-se deles pequenos ditadores e por outro lado, tratam-nos como se fossem apoucadinhos de todo. Entendo isto? Não entendo e se tivesse menores a cargo, havia de ser bonito, só vos digo.

 Pois bem, uma pessoa próxima ligada à bela arte da Educação teve a brilhante ideia de me descrever uma pérola de "livro", obra prima recomendada para os infelizes do Primeiro Ano pelo Plano Nacional de Leitura. E não quero citar nomes mas o conto, pretensioso e bacoco, envolve - que imaginação, que rasgo, que génio - uma menina que vai...comer a sopa. Brilhante, o que as crianças precisam para estimular a criatividade é de mais um livro a dizer que a sopa é muito boa ou mais uma história chata. Mas não, ainda fica pior. 

A sopa está quente como tudo e a menina grita - GRITA, senhores - mãaaaaaaaaaaaaaaaae, a sopa está quente.

Ok, começo por onde? Não se grita à mesa, especialmente quando a mãe está ao lado,às voltas com o fogão. Se calhar ficava mais civilizado jantar-se na casa de jantar, passe o pleonasmo, mas quando se está com pressa vale tudo. Mais do que tudo, com a mãe não se grita, ou isso está fora de moda?
 Mas a resposta da senhora, prova provada de que o fruto nunca cai longe da árvore, é magistral:

"Sopra-lhe!!!!"

Por esta altura comecei a ver tudo a andar à roda, e a faltarem-me palavras para explicar tudo o que está errado com um livro desses. Fazer o quê à sopa? "Assoprar-lhe???". Sim, já agora podiam escrever também "assopra-lhe". Já agora. Flashback para a minha pessoa com três anos e os pais e as freirinhas lá no infantário a dizerem NÃO-SE-SOPRA-A-SOPA-NUNCA.

Depois - ó prodígio da musa - eis que aparece um hipopótamo no cenário pseudo urbano de apartamento com kitchnette, momento de total non sense, e tenta soprar a sopa mas ela não arrefece. Segue-se um desfile de bicharada vinda não se sabe de onde, a soprar, a soprar, e ninguém é capaz porque - aqui já começo a supor com os últimos neurónios que me restam- a sopa será de nabos e como dizem os transmontanos, caldo de nabos vai pelo rio abaixo três dias e ainda vai escaldar o diabo.

 Entretanto não aguentei mais, e tive de vir relatar isto para tirar tanto horror do meu sistema.São crianças assim que vão crescer a achar-se muito inteligentes, a tirar um curso superior da treta porque o Estado assim entende, e a citar Paulo Coelho, Oysho e pornochanchadas destas no Facebook. Admiram-se? Eu cá não.


Só vos digo que a assessora da polémica...


...não será a primeira nem a última "colega" que tenho visto que não respeita o dress code (podem seguir o link para preciosismos de protocolo em que não me apetece entrar, mas o ideal para circunstâncias destas será a saia pelo joelho ou um bocadinho abaixo) e que se pendura - literalmente, juro - nos convidados. Tenho visto e ouvido coisas de meter medo.

Uma das exigências da profissão, ou de qualquer cargo relacionado com a comunicação, que está implícita - logo, não se ensina de caras na faculdade a não ser que se tenham professores realmente fabulosos - é que não se atura o deslumbramento perante celebridades. Jornalistas, relações públicas, assessoras, devem estar acima dessas coisas - ponto. O trabalho não é terreno fértil para namoricos. Espera-se que uma boa profissional  trate quem está com o respeito devido à circunstância (ainda que falemos do mais informal jogador da bola) e com a devida distância, com a indiferença nonchalant que tanto tenho elogiado por aqui. 

Não se ganha sprezzatura só porque se tirou um curso e de repente se arranjou um bom emprego que dá acesso ao maravilhoso mundo das beautiful people, lamento.

 É claro que essas pequenas subtilezas se aprendem em casa, se absorvem nas reuniões mundanas a que toda a vida se assistiu ou se não foi assim, só com muita noção do seu lugar, muito poder de observação e muita água benta.  Pode não ter sido o caso - pode ser apenas que a senhora seja do mais educado que há e goste muito de futebol, ou tenha tido um mau dia, ou sabe-se lá - mas assim pareceu e neste campo, parecê-lo e sê-lo vai dar ao mesmo.

 Flirtar com os convidados, como se insinuou que aconteceu (não sei, não vi, não estive) é simplesmente, beyond the pale. Para cargos assim, exige-se um bocadinho de sofisticação, de mundo e de vá, serenidade. Se quem está nos bastidores sofre de chiliques, se está sujeita a gaffes de fã, a criancices de quem nunca viu nada, não há evento que resista. 

 Não é por acaso que as primeiras mulheres a escrever sobre estes assuntos e a destacar-se nestes campos eram "senhoras de sociedade" habituadas a privar com a crème de la crème, que sabiam instintivamente como receber, o que vestir e para quem o homenageado do momento tinha tanta importância como o arranjo da mesa.

  Mas saber que estes casos são, infelizmente, banais, não atenua o facto de serem muito desagradáveis. É que quando uma mulher não honra a camisola, ficamos todas mal no retrato. E depois protestam as feministas que as mulheres não são levadas a sério no mundo do trabalho, e etc. Pois.

Wednesday, January 22, 2014

Years and years of crying. Oh, the tears!

                           
A propósito do muito festejado 40º aniversário da icónica Kate Moss, lembrei-me das suas palavras ao recordar, em entrevista, a ruptura com Johnny Depp:

"Nightmare. Years and years of crying. Oh, the tears!”

Moss e Depp eram o casal perfeito. Não sou muito de torcer por casalinhos de celebridades, mas do nosso tempo, este é um dos poucos exemplos à altura de Frank Sinatra e Ava Gardner, Vivien Leigh e Laurence Olivier, Richard Burton e Elizabeth Taylor. 
 Foi amor à primeira vista- tempestuoso, apaixonado, feroz, possessivo, insano. Eram belos, jovens, bem sucedidos, elegantes, com o mundo a seus pés. Mas já se sabe - as paixões excessivas podem arder com tanta intensidade que se consomem a si próprias. Arrufos lendários, reconciliações violentas, ciúmes doentios - a relação acabou por ser cortada no seu auge, deixando ambos arrasados. 

 Há casais que têm tudo, que são abençoados pelos Deuses com beleza, paixão, êxito. Pessoas que além dos seus dotes naturais têm a sorte de se encontrar, de experimentar o tipo de amor que vem nos livros - e que muito raramente se vive outra vez, porque como dizia José Rodrigues Migueis, milagre é esquivo - mas que não controlam a violência das suas emoções. Por mais que se dê, nunca é o suficiente. Cada palavra do outro, todos os  amo-tes que se digam, não chegam. Cada olhar alheio levanta uma suspeita. Nada que se faça, nada que se demonstre sacia a desconfiança, e os instantes de tréguas, de vulnerabilidade, as juras, as lágrimas, ficam sempre aquém. 

E o pior vem sempre depois. Porque há amores que não saram. Nunca se fica bem. Ou totalmente bem. Ambos disseram à imprensa que nunca ninguém ia amar Kate ou Johnny como Kate e Johnny se tinham amado. Há amores que são mais do que amor, disse Allan Poe. 

Nunca é tarde para ganhar juízo- ou para "glamourizar"

                                            
Juliette Lewis surpreendeu-me nos últimos dias. Primeiro, aparece direitinha e arranjadinha na revista da Net-a-Porter: ele é saias rodadas, ele é Jimmy Choos, tudo do melhorio, um amor, ela que era do mais indie (detesto a palavra, embirro mesmo) a menina grunge por excelência.

 Na entrevista a actriz fala disso mesmo- como durante muitos anos se sentia superior ao meio de Hollywood e não se identificava com a sua faceta mais feminina. Só agora - depois de deitar para trás das costas um passado sex, drugs & rock n´roll - é que aprecia as vantagens de certas futilidades que (valendo o que valem) não fazem mal à saúde e dão um certo encanto à profissão (ou à arte de ser mulher, eu acho).

  E acto contínuo, surgiu na passadeira encarnada com este Vivienne Westwood lindíssimo, que lhe cai muito melhor do que o look rebelde (a beirar o desleixado) que a popularizou. Lá está, vai-se sempre a tempo de exercer a feminilidade. 

Palavra que nunca percebi as mulheres que sentem que é preciso serem muito alternativas para que as levem a sério, nem as celebridades que podendo entreter-se com um nunca acabar de roupas fabulosas, sapatos extraordinários e jóias do outro mundo se afundam em drogas e vinho verde

Tuesday, January 21, 2014

Os vícios de estilo das portuguesas‏


É inegável que as portuguesas se envaideceram no bom sentido e cada vez vemos pessoas mais bonitas nas ruas. É certo que sempre houve senhoras elegantes, que se vêem jovens com grande sentido de estilo e que temos algumas fashionistas de respeito entre bloggers, figuras públicas e profissionais de moda. Mas no geral, como povo, creio que ainda há um longo caminho a percorrer, e isso não está necessariamente ligado a questões económicas. Como em tudo na vida, a culpa é dos detalhes.

1- Muita manicure, muito cabeleireiro...
...essas parecem-me ser a maior preocupação das nossas meninas e senhoras em termos de imagem, o que em teoria é bom: afinal, uma senhora conhece-se pelas mãos. Mas há quem exagere e prescinda de coisas mais importantes só porque não dispensa as unhas de gel e o brushing feito no salão. O reverso da medalha é que ainda se vai abusando dos escadeados, das extensões, de cortes "pontilhados" que lembram os anos 90, das madeixas exageradas, dos acajous, do cabelo demasiado "feito"...e pior. Há muito quem traga o cabelo algo sujo só porque não pôde passar na cabeleireira e não vive se ele não estiver esticadinho. Por muito caro que tenha sido o trabalho do "stylist" não há factor chic que resista à acumulação de produtos, especialmente se o look for pouco natural para começo de conversa. Há que aprender com as francesas, conhecidas pelas suas cores simples e ricas que iluminam o rosto e pelos cortes limpos, naturais, que não pesam nem precisam de muito trabalho. Quanto às unhas, é inútil fingir que fantasias, cores estranhas, bolinhas, bonequinhos ou um gel demasiado espesso, artificial, dêem bom ar a alguém. As italianas e as chilenas têm o  hábito de só as pintar em ocasiões especiais, o que me lembra sempre a velha tradição "uma verdadeira senhora não se pinta, ou pinta-se muito pouco". Quanto mais clássicas as cores, mais dispendioso parecerá o visual.

2- Pouco dermatologista e...nenhuma (ou má) maquilhagem.

As americanas e as coreanas têm com o dermatologista a mesma obsessão que as portuguesas têm com o cabeleireiro e as brasileiras com o cirurgião plástico. O que é um bom hábito: nem todos os problemas se resolvem com cuidados superficiais e uma pele sem manchas, pura e luminosa, é meio caminho andado para um aspecto realmente impecável. Sendo Portugal um país de sol, mais importante seria esse cuidado (paradoxalmente, o protector solar também não é um fenómeno de popularidade) .Vejo muitas portuguesas bem arranjadas, bem penteadas, mas com pele "de camponesas". Quanto à maquilhagem, embora o exagero das espanholas não seja recomendável, ainda se nota muita falta de informação: espalhar um eyeliner mal feito (ou pior, azul claro) sobre uma cara de sono, sem um bocadinho de BB cream, de corrector ou de bâton não é uma rotina de beleza que se veja: é um disparate. Sem uma pele bonita e algum cuidado, é muito difícil ter um aspecto polido. Principalmente se isso acompanhar com unhas às bolinhas. O que me leva a concluir que as portuguesas são exímias a mandar fazer unhas ou penteados, mas preguiçosas ou trapalhonas no que toca ao " do it yourself".


3- O barato sai caro
Além de não gostarem muito de dermatologistas, as portuguesas também gostam pouco de costureiras. São capazes de gastar centenas de euros com o cabelo mas achar caro largar trinta para que um fato seja adaptado na perfeição. Já se sabe que a alfaiataria não sai barata, mas dura mais que um penteado e é a fronteira entre ter um vestido que caia impecavelmente e dure anos e parecer...assim assim. Depois há um abuso tanto da fast fashion como das marcas médias que não saem tão baratas como isso e muitas vezes, não justificam a diferença; um investimento na quantidade e não tanto na qualidade. Conheço muitas mulheres que gastam bastante em muita roupa da Zara e semelhantes, mas a quem faltam os básicos essenciais. Na hora H não têm um bom casaco simples, uma gabardina, uns sapatos pretos de confiança. Por vezes é preferível poupar mais um pouco e ter menos, mas durável e com bom aspecto.

4- Ruído visual
O maior pecado da Lusitânia é o abandono (ou desconhecimento) dos clássicos, a favor de muito fru fru. Por exemplo, em vez de uma boa camisola de caxemira ou camisolão de pescador em lã escocesa, crua, tipo Jane Birkin, as portuguesas gostam de ter camisolas sintéticas em todas as cores, ou mescladas e - quase sempre - do comprimento errado. As malhas são um assunto delicado porque algumas não caem bem em quem é mais cheiinha, por exemplo. Túnicas de tricot, tricots demasiado abertos ou finos ou vestidos do dito têm de ser escolhidos com cuidado porque tendem a realçar braços rechonchudos, barriguinhas, ancas generosas e por aí fora. O ideal, na dúvida, é reservar as malhas (naturais, se possível) para coisas simples: cardigans, twin sets, camisolas justas (pretas, cru ou brancas) e camisolões largos um pouco abaixo da cintura, estilo pastor da Serra da Estrela. Esses nunca atraiçoam ninguém. 
 O estilo demasiado juvenil - um abuso de blusões curtos, saltos de stripper em plena luz do dia, saias acima do joelho a mostrar a parte mais forte da perna, tecidos brilhantes, botas com sola de borracha, para não mencionar as leggings - também não favorece a população, não. Não quer dizer que estas peças não possam ser utilizadas, mas coordená-las com uma peça de ar mais sério ou dispendioso (camisa branca, sobretudo, um bom cachecol de lã fria) atenua-lhes o aspecto barato. O que me leva aos materiais: calçado sintético, poliéster, anoraks estilo "kispo" todos os dias em vez de "casacos a sério"...

5- Desconhecimento do tipo físico
As italianas têm os seus defeitos, por vezes exageram na produção, mas ninguém pode negar que sabem tirar partido da sua silhueta, mesmo quando engordam um pouco com o passar dos anos. Isso porque em Itália a "bella figura" é uma obsessão e sendo um país com verdadeira tradição de moda, as pessoas são bastante conscientes do seu biótipo, escolhendo roupas de acordo com as proporções e medidas (também têm conhecimento dos tecidos e uma verdadeira mania de engomar tudo, o que ajuda mais do que parece). Quando se conhece bem o próprio corpo uns quilos a mais ou a menos não são o fim do mundo. Por cá, há muito quem ache que uma túnica de malha, lá por ser extensível, remedeia tudo ou pior, que o que é bom é para se ver nem que o "bom" seja péssimo. É sobretudo uma questão de atenção e de esforço, mas que faz uma diferença enorme.




Brilhante comentário da semana:bem feito.


Há momentos e pessoas que nos lembram porque é que vale a pena ter um blog (que por muito que se corra por gosto, é sempre um pouco como os Tamagochis: precisa de alimento mesmo quando temos um dia mau, ou nos dói a cabeça, ou...entendem).
 A propósito deste post que motivou alguns comentários interessantes ao longo da semana - comentários esses que dão que pensar - recebi esta missiva deliciosa:

"Eu não podia deixar de fazer o meu comentário. Este texto retrata fielmente 22 anos do meu casamento. (...)
Até me dei ao prazer de enviar o texto para o meu ex, com a seguinte nota: "Se tivesse encontrado este artigo antes, não tinha gasto o meu latim contigo todos estes anos! Imprimia uma folha para colocar à tua cabeceira."

Fez-me rir. Pôs-me a lagrimita ao canto do olho. Quem diria que um textozinho meu, escrito do coração, de rajada e com base no que *infelizmente* tenho visto, motivaria um instante tão queirosiano? É que me lembrou aquele dito dos Maias acerca da vingança de um marido contra o amante da mulher: "podia fazer pior. Mandar-te a senhora com um bilhetinho a dizer `guarde-a´". 
 Sempre às ordens, queridas senhoras (e cavalheiros) que têm a fineza de me acompanhar, para ajudar nas vossas pequenas achegas a quem está mesmo a pedi-las.
 Mas também vos digo: não sei se valerá de muito. Quando toca a gente de pouco juízo, tanto faz ser o latim falado ou escrito, que entra por um ouvido (ou neste caso, olho) e sai por outro. Que isto os ex, ex destes pelo menos, não ganham o título por serem uns amores de pessoas ou darem ouvidos a quem lhes quer bem. Ou como dizia um amigo meu que era um grande filósofo, "as notas de dez contos não andam por aí a voar sozinhas". Mas fica a intenção, e não venham ralhar comigo que eu só escrevo do que vejo e ouço, vale?

Monday, January 20, 2014

É um sapateiro de luxo à portuguesa, com certeza.

                      Sapateiro de luxo em Nova Iorque
Já vos tenho contado que não passo sem um sapateiro dos bons, desses à moda antiga que não só substituem capas como pregam alças de carteiras, fazem alterações, acrescentam fivelas, cosem couro, forram o que for preciso, aumentam ou reduzem sapatos e sabem todos os truques para remediar as hipotéticas desgraças que possam suceder com o meu adorado calçado ou marroquinaria. 

Infelizmente, esses milagreiros vão rareando e os melhores escondem-se em lojinhas recônditas da Baixa com um horário cada vez mais impossível. Raramente aparece um sapateiro de arranjos rápidos, desses de shopping, que seja capaz das mesmas proezas.

  Carlos Mesquita, empresário português que aprendeu muito cedo (com o pai, mestre de confecção) "o gosto pelas coisas bem feitas" interiorizou essa tradição portuguesa (que infelizmente se vai perdendo) da qualidade feita para durar. E decidiu oferecer esse serviço aos americanos. 

 Depressa percebeu, porém, que teria de apontar para o topo: por lá, instalou-se mais cedo do que cá o hábito de usar e deitar fora os sapatos. Só os mais abastados, que investiam em marcas e materiais realmente bons, tinham interesse em conservar/adaptar o calçado, as carteiras e as malas. Por outro lado, esse público alvo dificilmente condescendia frequentar uma oficina comum.  Se queria ter sucesso, era necessário trabalhar para connoisseurs. Foi o que fez: criou a Leather Spa, instalou-se com requinte à moda antiga entre a Quinta e a Sexta Avenida e hoje a clientela do "shoe doctor" compõe-se da melhor sociedade Nova Iorquina e de celebridades, que não confiam em mais ninguém para consertar ou personalizar os seus Fendi, Gucci, Ferragamo and the like (como os compreendo!). 

Só tenho pena que para já, não exista um Leather Spa em Portugal. Três semanas de espera eram capazes de testar os meus nervos, mas o preço médio dos serviços (40 dólares) parece-me justo por um serviço atencioso e para não ficar à beira de um chilique a pensar no que pode acontecer enquanto os meus preciosos e insubstituíveis sapatinhos voltam e não voltam do "consultório".




Sunday, January 19, 2014

Nada contra mas estou cansada de ver estas três senhoras‏ na imprensa. A TODA a hora.

                                                 

A sério, não há mais ninguém que faça uma revista vender-se? E isto sou eu que não presto grande atenção a certas publicações, que farão as leitoras (ou leitores) que as consomem. Porém, como (ora por carolice, ora por ossos do ofício) recebo os feeds de variadíssimas revistas internacionais, blogs de nomeada, portais, etc, etc e todos os dias passo à porta de um quiosque antes de entrar no gabinete, não há como não reparar. Misericórdia. Misericordiazinha, que o que é demais cansa e tanta idolatria arrepia-me.

- Cristina Ferreira
Parece que a apresentadora teve um bom ano, até eu que não vejo televisão já sei. Não conheço o suficiente do seu trabalho para implicar com a senhora, mas o seu estilo popularucho, as piadas brejeiras que já lhe ouvi e o auto-proclamado estatuto de "saloia" não ma recomendam e acima de tudo, não batem muito certo com a sua paixão pelas melhores marcas. Coisas híbridas fazem-me alguma confusão e a elegância não pode andar só por fora, mas isso cada um é como cada qual e quem sou eu para criticar? A questão é que o fascínio das publicações lusas pela história da self made woman, pelos seus luxos, pelos seus desamores com o moço lá do stand de automóveis, por cada passo que ela dá, já me fazem ter medo de ir ao quiosque buscar uma raspadinha, ou umas pastilhas elásticas, ou o que seja. Muito gosta o português dos contos de quem "veio do nada", senhor. Entro de rajada e saio a correr. Enfim, sempre trabalha. Juro que há dias pousei os olhos num pasquim que dizia "fãs tiram rapariga da Casa dos Segredos da pobreza". É que agora estes "jornalistas" decidiram escrever o Jornal do Incrível: pode tirar-se a rapariga da pobreza mas não se tira a pobreza da rapariga, ou nunca ouviram essa? Que coisa.

-Catherine Middleton
Sobre isso, enough said aqui e aqui. Tenho o maior respeito e carinho pela Casa Real britânica. A Duquesa representa o conto de fadas dos nossos dias com final feliz e tudo, já se sabe, vitória vitória acabou-se a história. É bonita e ainda bem, porque uma "princesa" não se mede por aí mas se fosse feia era capaz de parecer um pouco esquisito. É uma simpatia e tem à vontade, era o que faltava agora que não tivesse e aparecesse em público com cara de tacho. Traja bem e como quem é (ou como quem se tornou), pessoalmente acho que poderia ser melhor  mas a procissão só vai na ponte. Não sei onde está a admiração: queriam que a mulher do Príncipe William se apresentasse como, de leggings de napa e litas nos pés? Isso sim seria notícia. A Duquesa é um amor, já percebemos, mas ainda é cedo para erguer estátuas. Mais um artigo sobre ela na Marie Claire e convenço-me de que aquela redacção sofre de uma acentuada crise de neurónios.

- Jennifer Lawrence

A única coisa que põe os jornalistas mais maluquinhos do que histórias de rags-to-riches ou contos de fadas é uma actriz que fala sobre..o seu peso. Ou porque era gordinha (como Kate Winslet) ou porque a mandaram emagrecer e ela lhes disse para irem dar uma curva, como Jennifer Lawrence. Qualquer celebridade que fale contra a suposta "ditadura da magreza" é um fenómeno de popularidade e elevada a santa, nem que seja tão magricelas como as outras todas. Porque o público adora celebridades "reais" (por muito plásticas que na realidade sejam) e as celebridades sabem disso. Então pimba, volta não volta lá fazem uma declaração a dizer como são solidárias com as "rechonchudas" deste mundo, e as gordinhas adoram porque se sentem melhor, e as magras ficam todas chateadas porque não se fizeram e não têm culpa de ser assim e não gostam que as acusem de anorécticas, e os twitters e facebooks deste mundo enchem-se de discussões que não interessam nem ao Menino Jesus. É  certo que a actriz é a nova queridinha de Hollywood e não ponho o seu talento em causa, mas já não posso ouvir falar na menina nem no seu discurso "ai tão terra a terra que e sou". Talk to the hand, please.





Os sapatos de Carrie Bradshaw e o cabelo de Claudia Schiffer? Ora vejamos.


Os sapatos criados por Sarah Jessica Parker em colaboração com George Malkemus, CEO da Manolo Blahnik, têm sido a novidade mais badalada nas publicações de moda durante as últimas semanas. O conceito por trás da colecção faz sentido - Sex and the City acabou há anos (embora se fale num terceiro filme) mas continua a ser uma referência incontornável - e está bem pensado:

"Como a atriz (...) esclareceu (...) durante anos passou de 18 a 20 horas diárias em cima de saltos altos quando estava no set, e a experiência de consumidora é um dos grandes pontos fortes de SJP. Saber quais os melhores materiais, formas, cortes e proporções para que a mulher possa correr nos sapatos são dados que só quem sentiu na pele (ou, neste caso, nos pés) os efeitos dos 10 cm pode oferecer. A partir daí, foi só pensar na mulher nova-iorquina cosmopolita: quais são os essenciais ? (...) O passo seguinte foram os materiais. Não gostando de coisas demasiado brilhantes, que facilmente perdem o fator “chic” (...)".

O problema, a meu ver, é que não sei se essas ideias ficaram bem explícitas no resultado final. Não me parece que a colecção tenha o ar luxuoso, depurado e dispendioso-por-menos que se pretendia. Não são sapatos de requinte subtil, nem sapatos espampanantes mas espectaculares. Com tanta expectativa, esperava-se um bocadinho mais. Ou antes, parte do público esperaria mais, porque eu não esperava grande coisa. Não me entendam mal: gosto de Sarah Jessica Parker. Gosto do estilo dela, que não é exactamente o de Carrie Bradshaw. Mas é o estilo de Carrie Bradshaw, criado sem dúvida com influência da actriz mas MUITO trabalho e apoio de figurinistas, que com todos os seus exageros e momentos não-tentem-isto-em -casa, agarrava as fashionistas à tela. Seria o estilo de Carrie a vender a colecção.

Em segundo lugar, poucas são as celebridades que se saem bem ao lançar roupas, sapatos e perfumes. Torço sempre um bocadinho o nariz a isso - ou por falta de tempo, ou de jeito, ou de liberdade, raramente os produtos a que dão nome reflectem aquilo que o público gosta nelas (Dita Von Teese, Victoria Beckham e as irmãs Olsen são felizes excepções). 

E por fim, o preço: criar um sucedâneo de Manolo Blahnik não me soa grande ideia: entre dar 150 a 200 euros por um par de sandálias e 500 por uma carteira que não é Manolo, mas quase, e poupar um bocadinho mais para ter os Manolos "verdadeiros"...bem, eu nunca gostei de meios termos.

Já a gama de produtos criados com Claudia Schiffer para a Schwarzkopf (que inclui champô, sérum e até o seu próprio tom de louro) parece-me melhor negócio: compromete muito menos e a expectativa não é tão grande. Em todo o caso sou suspeita porque é uma das minhas marcas preferidas, mas ao menos what you see is what you get.




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