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Saturday, February 8, 2014

Boys, boys, boys...desculpem qualquer coisinha.


Eu sei que vos puxo bastante as orelhas, o que até não é lá muito justo considerando os cavalheiros simpáticos que me acompanham e comentam o Imperatriz. Em minha defesa, também alfineto em igual medida algumas tristes representantes do meu género. 

 Depois, não fui educada para Mulher da Luta (aquelas desesperadas e carentes que dizem que sim a tudo o que vista calças, são Ombros Interesseiros  e fazem tudo, até citar despudoradamente  Pedro Chagas Freitas em público,  para endrominar um diabo que as carregue) e muito menos para Mulher Tapete; logo, digo o que me apetece.

E por fim, não tenho culpa de me terem incutido algum espírito de observação e menos culpa ainda  de me deparar com  espécimes que davam uma enciclopédia, quanto mais um blog. 

Verdadeiros case studies como o Homem Tofu, que não sabe o que quer e depois sofre da doença das hastes imaginárias; o Homem Míssil Teleguiado, que emprenha pelos ouvidos e se deixa influenciar por tudo e todos; os Três Tipos de Homens Realmente Chatos, com quem evitamos cruzar-nos em qualquer circunstância; o Homem Coca Cola, Deus nos livre desse; os que não crescem e têm a mania que as mulheres têm de ser Mary Poppins; os Totalmente Dispensáveis, sempre com o pé no chinelo;  os que estão Danificados;  e com muita, mas muita sorte madrasta, o Namorado Péssimo. Um circo de aberrações, sem ofensa.

 Depois, entendê-los é mais complicado do que habituar-se a um telefone novo: é raro o que não usa de manhas, como a Birra Estratégica ou a Falsa Reconciliação, igualmente  estratégica. E com tudo isto torna-se complicado distinguir um Rapaz Despachado de um Mau Rapaz, ou um Cavalheiro Verdadeiro de um Falso, embora tornar-se ou manter-se um cavalheiro não tenha nada que saberAfinal, bastam quatro passos para agir como um homem a sério. E outros quatro a evitar para não estragar tudo. Mas se correr tudo mal, muito mal, um homem ainda pode fazer isto e salvar o dia.

Porque o homem ideal não existe, mas se existisse andaria muito perto da combinação "Marialva íntegro", e marialva que se preze não tem medo de coisa nenhuma, nem das mulheres nem de admitir as suas asneiras e resolvê-las. 

Por todas estas análises queiram desculpar qualquer exagero, caros seguidores. Estes reparos são apenas um alerta para que fujam aos hábitos que vos dão cabo da reputação e deixem vir à tona todo o vosso encanto natural. Acreditem que as mulheres preferem  mil vezes escrever posts como este, a elogiar-vos, a colocar-vos na coroa da Lua. É muito menos stressante e mais divertido. 

Felizmente ainda existem cavalheiros assim, que só inspiram uma blogger a tecer louvores. Mas como em tudo na vida às vezes paga o justo pelo pecador, e é uma chatice. Assim como é chato ter de ouvir que todas as mulheres são interesseiras, falsas, dissolutas e vulgares por causa de meia dúzia de matrafonas que nos dão má fama. Na vida é assim: por vezes generaliza-se. 















Toilette anti-crise do momento.


Quando se trata de investir em jeans, são sempre preferíveis os modelos intemporais e as cores bastante claras (tradicionalmente usadas no Verão) ou o denim muito escuro e sem lavagens ( fantástico para o Inverno, e o único admitido em certos dress codes profissionais).
 Mas as regras existem para serem quebradas, e por vezes nem a rapariga mais discreta resiste a um par de jeans um pouco exótico, arriscado (e provavelmente passageiro, como tudo o que é trendy) mas divertido de usar. 
De há um par de anos a esta parte, os classic jeans - subidos na cintura e afunilados, típicos dos anos 90 e inspirados nos anos 50 regressaram para ficar - até em lavagens ácidas, algo impensável pouco tempo antes. Se forem de boa qualidade e de corte simples, com o styling certo fazem um habillé tremendo e podem mesmo ser adicionados  a um look bem comportado e elegante.
 Os boyfriend jeans, de que falei aqui, são outra opção "alternativa" que levanta dúvidas, mas que invadiu as ruas por todo o planeta.

E agora é a vez dos jeans rasgados - ou stressed jeans - que têm feito tímidos regressos em colecções passadas. Temos visto que no que toca quer ao styling, quer ao tipo de peças-que-deixou-de-ser-esquisito-levar-à-rua-com-as -combinações- mais- invulgares , nunca houve  tanta liberdade na roupa, calçado e acessórios como nos últimos anos. 

Das saias maxi às sweatshirts insanas, dos ugly shoes à popularização da silhueta ladylike até com peças desportivas, passando por inspirações em décadas aparentemente contraditórias (40s, 50s, 90s, Belle Époque) nada é demasiado estranho ou ridículo desde que usado com senso, elegância e noção das proporções. A própria crise obriga à reinvenção, reutilização, mistura e reciclagem, que se têm reflectido nas tendências, mais das ruas para a passerelle do que o contrário, num ciclo vicioso que tem as suas vantagens.


Os jeans com manchas ou rasgões são, por norma, reservados para o Verão, mas alguém se lembrou de inverter *mais esta* regra e usá-los em pleno Inverno. Uma combinação vencedora, que tem feito as delícias das fashionistas (bloggers, modelos, editoras...) por este mundo fora, não podia ser mais democrática nem mais fácil, até porque quase todas temos um ou mais pares esquecidos lá por casa.  Eu própria, que não sou a maior fã do género, guardei alguns exemplares graças ao meu hábito de coleccionar ganga vintage e de designer.

Pega-se num top (camisola, camisa...) bonito, coloca-se sob ou sobre os jeans que andavam na arrecadação, atira-se por cima um big coat ou statement coat (ou ambos, de preferência) e arremata-se o visual com uns stilettos ou scarpins pontiagudos, do mais clássico, eventualmente com um padrão chamativo.
 O casaco pode ser um sobretudo (os camel, estilo Max Mara, são o must have do momento)  um pea coat ou um blazer xxl - de preferência vintage. 

Eis um visual  excelente para o fim-de-semana e que não custa muito a montar. Pelo menos, assim que parar esta chuva teimosa.



Friday, February 7, 2014

Raios te partam casamento?


"Raios te partam casamento" era uma frase que uma das minhas avós usava muitas vezes não necessariamente acerca de casamentos, mas se algo cuidadosamente planeado dava para o torto. 
 Quando eu era pequena e pensava que o casamento era só a boda, imaginava um cataclismo a acontecer no meio de um casório, mandando pelos ares bolo, noivos e meninos das alianças (sempre tive esta mania de imaginar filmes a propósito de certas forças de expressão mais curiosas).

Apesar de divorciada, a escritora irlandesa (estudiosa de Shakespeare e do comportamento feminino) Anna Jameson devia ter uma perspectiva bastante...esperançosa acerca dos relacionamentos. A julgar pela citação acima seria uma mulher paciente, que não fazia justiça ao irish temper e dificilmente puxava de um "raios te parta". O que não deixa de ser estranho já que o seu próprio noivado foi rompido  e como o casamento acabou por acontecer mas correu mal, se calhar mais valia não se ter dado de todo.

Mrs. Jameson - que era, afinal, uma mulher do seu tempo, em que se reflectia mais abertamente sobre estas coisas - achava que a mulher faz o homem. Por isso, um homem que casasse com uma mulher vinda de um meio muito ordinário, acabaria invariavelmente por se degradar.

Mas na sua opinião, o mesmo não acontecia se uma menina educada se unisse a um homem que...bom, não fosse um cavalheiro e não tivesse sido criado da mesma maneira. Provavelmente não seria lá muito feliz, mas com sorte uma mulher refinada, elegante, com os seus hábitos de gosto e de luxo, os seus bons modos, os seus sólidos valores e o seu amor a tudo o que é belo e elevado podia - recorrendo a muita meiguice, à introdução subtil de outros costumes, à exposição permanente a certos padrões comportamentais e estéticos, ao arranjo sofisticado do lar - reformar o homem que escolhesse, mesmo que ele fosse um desbragado grosseirão.

Ora, eu não digo que isto não possa acontecer; ainda para mais hoje em dia, em que as distinções sociais estão assaz diluídas e qualquer pessoa, rica ou pobre, nascida numa família mais ou menos culta, tem a possibilidade de se instruir e reinventar. Além disso, o amor transforma. Se é verdadeiro, faz-nos querer ser a melhor versão de nós próprios - mais bem sucedidos, mais bondosos, mais polidos. E não há nada como uma boa influência (diz-me com quem andas...) especialmente uma influência tão próxima e poderosa como a cara- metade. 

Mas para que isso suceda, tem de haver outra coisa além do amor verdadeiro: um bom carácter. Há pessoas que mesmo vindas de um background bastante humilde possuem uma natural brandura, modéstia e capacidade de observar/ aprender que ninguém diria que não nasceram num palácio.

 Essas pérolas não abundam, porém.

 Infelizmente, nos casos a que tenho assistido, rara é a mulher que vai atrás da paixão, 
unindo-se por impulso a alguém de valores e hábitos muito diferentes dos seus, que é bem sucedida nesse relacionamento. Com muita pena minha, esses romances tão bonitos tendem a ter dois cenários possíveis:

a) Se a mulher é demasiado gentil ou se apaixona a pontos de ficar completamente parvinha, acaba por se moldar aos gostos, amizades e costumes do companheiro. Conheço não poucas raparigas super educadas que desistiram das suas ambições profissionais ou intelectuais e pior: passaram a encolher os ombros perante piadas inconvenientes, ditos ordinários em público, linguajar desagradável, comportamentos brejeiro,  flirts a despropósito, brutalidades e outras coisas inomináveis. A médio prazo desleixam-se, perdem a voz e ninguém adivinharia que não nasceram numa baiuca qualquer. Em vez de puxarem o marido para cima, são elas que se vulgarizam. Os filhos são educados assim, uns verdadeiros selvagens que no infantário já dizem palavrões  e pronto, só se estraga uma casa.

b) Se a mulher se mantém igual a si própria mas o homem é um bruto, por muito ambicioso que seja, por mais que se adorem e por mais carinhosa que ela se mostre  não vai encarar bem a forma de estar da companheira. Se ela - ai Jesus - lhe corrige os modos ou lhe tenta polir certos gostos ou subtilezas, ainda que discretamente, é porque o inferioriza. As relações de família e de amizade que ela tenha são constantemente achincalhadas. Porque fulano já nasceu com tudo feito, porque beltrano só tem manias, e sicrana tem nome mas é tudo aparências e está crivada de dívidas, etc. 

 Por muito trabalhadora que a mulher seja, nunca vai entender os seus complexos de inferioridade porque "sempre teve tudo!", acidente de nascença que - mesmo que falte à verdade -  para ele é imperdoável. Faz-lhe disparar todas as inseguranças, aquilo que os ingleses designam como "a chip on the shoulder".

 No fundo nenhum homem gosta de não ser o macho alfa aos olhos da mulher que escolheu, mas um malcriadão não suporta o mais insignificante reparo, nem compreende que qualquer relação tem sempre arestas a limar. Espera ser dono e senhor e ser aplaudido, mesmo que proceda mal. Não ouve, não partilha, não se acostumou a respeitar e a adaptar-se. Aprendeu em casa que as mulheres são vassouras, o que é muito pior que ser machista - conheço machistas que são cavalheiros para o bem e para o mal, mas um homem vulgar só é machista para o que lhe convém.

 Depois, como sempre o diabo está sempre nos detalhes: coisas simples como regras de etiqueta, a forma elegante de vestir ou falar  absorvem-se; se a pessoa tiver uma bonita presença e quiser aprender, caso arrumado. São as pequenas subtilezas que estragam tudo: coisas que para ela serão aberrantes, absolutamente inaceitáveis  (hábitos de consumo, amizades, raciocínios, companhias, questões de dignidade e de ética, comportamentos, padrões estéticos) para ele são a coisa mais normal do mundo. Pessoas assim sentem-se melhor na atmosfera em que cresceram do que naquela a que almejam pertencer, mesmo que não o confessem.

E ele, ainda que não faça por mal,  não vai entender porque é que ela fica tão magoada, tão chateada, porque é que é tão...rígida. Os avisos dela são entendidos como caprichos, snobismos, exigências. Coisas simples e óbvias como manter certas distâncias profissionais e sociais ou não achar piada, sei lá, às protagonistas da Casa dos Segredos são uma sentença de morte para ele. E no fim, das das uma: ou se dá, mais coisa menos coisa, o descrito na alínea a) e a mulher se anula e tolera tudo, ou o diabo dos detalhes causam o inferno em casa. E está tudo estragado.








Thursday, February 6, 2014

Há pessoas que são como a Coca-Cola


Bom, para o texto fazer sentido vou aqui assumir que toda a gente gosta de Coca Cola, o  que é mais ou menos verdade. 
 A Coca Cola é aquele refrigerante indispensável, insubstituível, que sabe bem com quase tudo. Está certo que tem um copo de açúcar por lata (dizem...) e imenso gás, mas mesmo que até se aprecie a versão diet...já não é bem a mesma coisa. Podem dizer que serve para desentupir canos e tudo isso, mas quem é que a dispensa? É tão docinha e fresquinha, não é? Além de fazer justiça ao seu propósito inicial (era vendida nas farmácias como tónico).
 Concordo completamente com o cartaz vintage abaixo: é boa para as enxaquecas, fadiga, enjoo e baixa de tensão.
E há pessoas que são iguaizinhas à Coca Cola. Toda a gente tem (ou já teve, ou arrisca-se a encontrar) um indivíduo Coca Cola na sua vida. 

São únicos e insubstituíveis, fazem-nos sentir bem, não há ninguém que nos provoque as mesmas emoções. Mas é claro que as pessoas que nos tocam a alma são aquelas que têm mais possibilidade de nos fazer mal - e infelizmente mais capacidade, ou tendência para isso,  também. É que as pessoas Coca Cola são como a bebida: basta agitar a garrafa um bocadinho, ou girar a rolha um pouco mais vigorosamente, para haver uma explosão. Uma vez vi uma saltar e bater no tecto, juro; foi um sarilho para limpar. E não basta ir buscar a esfregona, porque o açúcar carameliza onde caiu e fica pegajoso que eu sei lá: se não for mesmo bem limpo, pode deixar danos prolongados. Tal como as cenas das pessoas Coca Cola: podem deixar marcas que custam muito a apagar.

 A Coca Cola tem cafeína, o que pode não cair bem aos nervos e atacar o estômago: as pessoas Coca Cola têm exactamente os mesmos efeitos secundários; são excelentes a causar gastrites nervosas. Assim como colocam as pessoas de quem gostam nos píncaros, no momento a seguir fazem asneiras,  massacres, tantos disparates sucessivos que não há Buda que aguente.

 Mas tal como o refrigerante, as pessoas Coca Cola têm um poder limitado: depois de espumar, explodir, deitar por fora, causar todo o tipo de estragos, acabam por perder a força. A força de nos impressionar (ou de nos fazer ralar), pelo menos.

No caso da Coca Cola, trata-se de perder o gás (e não há nada mais horrível do que "choca" Cola); nos seres humanos, dá-se o caso que na terra da minha avozinha se descrevia com a frase:

" A escândala aparta amor" - ou seja, não há afecto que resista a muita escandandaleira, muita zanga, muito desgaste. No início é uma montanha russa emocional e cada birra ou ataque tem um impacto desgraçado. Depois torna-se maçador, cansativo, bate contra um muro de insensibilidade de quem só quer mesmo é paz e sossego, está para lá de Bagdad e "bons ventos te levem". 

E é nessa altura em que uma pessoa começa a pensar o que haverá de tão errado com outras marcas, ou Guaraná, ou Sumol. Ou até Ice Tea, que não tem gás e não rebenta. Sempre é mais seguro.


Dois avisos da máxima importância.


1- Então não é - lo and behold - que encontrei, pasmem, manteiga à séria? Daquela à moda antiga que não sabe a margarina, que tem sal, é cremosa e não solidifica teimosamente arrastando o pão aos bocados atrás da faca; um milagre nos tempos que vivemos com os nazis da comida a tirar o sal, a gordura e o açúcar a tudo, assegurando que nada sabe a coisíssima nenhuma, a bem da saúde pública - vulgo, a bem de alguns exagerados que não se controlam e devoram manteiga à pazada. A alma caridosa que me trouxe esta maravilha tem acesso a produtos industriais (até posso encomendar ao quilo, genial) mas ia jurar que já vi a marca à venda no Intermarché, creio.
 Além da manteiga-extraordinariamente-boa também fazem leite creme ao pacote. Eu não sou doida por crème brûlée mas este, que vem ao litro e é bastante mais leve, é óptimo para um snack com poucos hidratos de carbono ou para acompanhar bolos e gelados.

2- As meninas (e meninos) têm-se lembrado de hidratar bem o rosto e usar protector solar? Eu espero que sim porque este friozinho da Sibéria, com um vento de rasgar mortalhas sob a capa de uma chuva enganadora é do pior que pode haver para manchar, enrugar, engrossar o grão da pele e causar danos piores. No fim de semana passado, apesar de todas as cautelas, as rajadas tiveram artes de fazer aparecer as minhas sardas em minutos. Não me importo nada (e se importasse, ficávamos na mesma) mas para mim é sempre sinal de que os raios solares, ainda que ocultos, não estão para brincadeiras. Além do hidratante, creme de olhos e séruns do costume, cremes com Lanolina como o de La Mer ou o velhinho Nívea são o melhor escudo. Isso, e a protecção UV -  a maior parte dos BB Cream têm um factor razoável, por isso não há desculpas para andar por aí com cara de jornaleira em pleno Verão Alentejano.

Wednesday, February 5, 2014

Ora vamos lá a ver se eu percebo o caso Miró à minha maneira.


No espaço de umas semanas em que não pára de chover nem por ordem do Padre Cura, os disparates  parecem chover com a mesma intensidade neste nosso querido, pelintra e - desculpem - parolinho País.

Por dias intermináveis não se fez mais nada senão um aproveitamento sensacionalista da tragédia do Meco, com cada português a usar a ocasião para praticar, em modo mata e esfola,  o seu desporto favorito - arremesso de postas de pescada seja na televisão, na blogosfera ou nas redes sociais -  e simultaneamente ter cinco minutos de protagonismo barato. É surpreendente como num País em que as pessoas têm vergonha de pedir o Livro de Reclamações numa loja, acham sempre tanto para dizer quando o caso é popularucho, mesmo que o caso não seja para brincadeiras. Há definitivamente um emplastro em cada uma destas almas, em permanente estado "mamã, estou aqui". 

Tenho de concordar com o enfant terrible Miguel Sousa Tavares, que goste-se ou não é um gentleman e lá se vai atrevendo a dizer o que muita gente pensa mas tem medo que caia mal, que "no Facebook e no Twitter tudo tem umas teses extraordinárias".

Mas eis que de um momento para o outro lá se aperceberam de que berrar incessantemente morte à Praxe é um bocadinho cansativo e sem que se entenda como, está tudo histérico por causa de uma colecção de Miró que (acho eu, porque como vos tenho dito sou despistada, o que não conheço não me interessa minimamente  e faço questão de não poluir o meu cérebro com demasiada "informação do momento") até ver não nos fazia falta nenhuma

Se calhar muita desta gente nem conhece a obra de Miró, não aprecia pintura, não vê peva de História de Arte, acha que os museus são uma seca, mas isso é irrelevante. 

Estão todos atacados de um sentimento de posse, de cupidez aldeã, de ganância, de "isto é meu e querem-me tirar", feridos nos seus interesses como se quisessem ir lá a casa roubar-lhes o quadro do Menino da Lágrima, e zumba no Governo. Qual sentido prático, qual cabaça. 

 Não interessa se o BPN tem um buraco que nos custa dinheiro a todos e que podíamos reduzir com os cerca de 80 milhões de euros que a colecção vale, não interessa se há portugueses a passar fome: de repente são todos muito da cultura, muito pseudo intelectuais, muito frequentadores de museus e teatros, de um pseudo elitismo bacoco.

 Estamos na penúria mas olhem para nós, temos uma data de Mirós, esse ícone da nossa cultura que não era Espanhol nem nada. Lá se vai o último orgulhozito nacional, que ia render ao Estado não sei quanto nas receitas do turismo não sei daqui a quantos anos... e isto se fosse bem gerido, porque não se sabe. Lá diziam os cacuanas nas Minas de Salomão, "procura o que está perto, porque decerto o que está longe te engana".

E depois há os outros a quem, num sentimento invejosito, ressabiadito, de esquerdazita, socialistazito, o que os incomoda é que obras de arte que "pertencem ao público" vão fazer parte da colecção privada de algum ricaço mauzão, que a queira toda só para si. Tinha de haver um rico horroroso na equação, não podia faltar. Pois, é que todos os grandes mestres - Leonardo, Klimt, Botticelli, Dali, Rafael - não pintavam para mecenas ricos, não. Viviam do ar, porque a Arte é uma coisa intocável, etérea, que pertence à humanidade. Ora, percam um bocadinho a ler biografias. 

E lá que seja vendida a um magnata do petróleo (bom para ele)? E nós com isso? Tantas obras primas à disposição de todos, e outras tantas em colecções privadas, arte é um negócio como outro qualquer, em cada colecção há coisas fantásticas e outras que se estiverem expostas ninguém lhes liga nenhuma, vai morrer alguém por causa disso? Não creio.

Já diziam os meus avoengos, "em tempo de guerra não se limpam armas" , "quem não tem dinheiro não tem vícios" ( nem carros de alta cilindrada, nem sapatos Chanel,nem quadros de Miró,) ou " vão-se os anéis,  fiquem os dedos". Futilidades não, desculpem.




Como vestiam as fashionistas do sec. XVIII? Nada como ver de perto‏.

Fonte: Madame Guillotine



A cidade inglesa de Bath é famosa pelas suas águas quentes, muito apreciadas desde o tempo dos romanos. Mas foi no período Georgiano (1714-1837) que ficou no auge da moda, sendo frequentada pela mais distinta sociedade britânica - e europeia, de resto.

 Personagens célebres  não dispensavam uns dias de descanso na encantadora comunidade (descanso seguido de festas esplendorosas) e it girls como a 5ª Duquesa de Cavendish tornaram Bath um centro cultural, artístico e de moda - estatuto que fez da cidade  uma jóia da arquitectura, acrescentando aos vestígios romanos belíssimos edifícios dos séculos XVIII e XIX. 

Georgiana, Duquesa de Cavendish
                                             
(Jane Austen também por lá viveu vários anos e hoje existe mesmo um Jane Austen Centre, mas como amante da vida simples do campo  a autora detestava morar ali: tantos bailes, bulício, mexericos e métier social faziam-lhe muita impressão e ficou satisfeitíssima quando a família se mudou).

 É claro que uma estância de veraneio do mundo elegante não podia deixar de ser testemunho de alguns dos momentos mais icónicos da História da Moda - e isso justificava a existência de um museu. O Fashion Museum de Bath, aberto desde 1963, colabora regularmente com os maiores designers, incorporando um vestido de griffe por ano na sua colecção ( de nomes tão sonantes como Armani, McQueen ou Versace) e organiza regularmente exposições. Ora, avisa o fantástico blog Madame Guillotine que está patente uma que vale mesmo a pena. Georgians: dress for polite society permite ver de perto uma panóplia assombrosa de toilettes desse período feliz e estouvado, caracterizada por muitas anquinhas, corpetes, rendas, padrões florais, brocados e outros tecidos luxuosos, meias bordadas, leques e chapéus, vestidos pelo valor de propriedades...tudo muito extravagante, muito alegre e cheio da joi de vivre que reinava antes de vir a  Revolução Francesa para mudar as ideias, simplificar as modas e basicamente, acabar com a festa.

A quem está no Reino Unido ou tenciona por lá passar, não pode haver passeio que se recomende mais.

Tuesday, February 4, 2014

Uma it girl... Cinderela



A estória da it girl e/ou socialite Elena Perminova é a prova provada de que não importa quão virada do avesso a vida de uma rapariga esteja, as coisas extraordinárias - ou os milagres - podem acontecer. E quando se é bonita maiores as probabilidades, pois lá dizem os espanhóis "la suerte de las feas, a las bonitas les da la madre". Ter dois dedos de inteligência e espírito também deve ajudar, já que Elena, apesar do seu esplendoroso guarda roupa, diz preferir coleccionar livros a fatiotas. Nem imagino, então, o tamanho da sua biblioteca: a menina Perminova, modelo nas horas vagas, tornou-se uma it girl graças ao seu  aguçado sentido de estilo (quando era pequena, vivia na Sibéria e não tinha muito dinheiro, entretinha-se a personalizar a roupa) mas sobretudo devido à velocidade com que aparece com os últimos lançamentos dos maiores designers. 

Por vezes, numa questão de horas, é retratada com itens exclusivos que mal saíram da passerelle, um luxo raro mesmo entre os movers and shakers deste mundo.

Ou seja, Elena é uma dessas bonecas russas casadas com um oligarch da ex União Soviética, um verdadeiro nababo de riqueza impossível - e as mulheres desses bilionários são, ao lado de algumas princesas de países do petróleo ou companheiras de ditadores dos diamantes, das poucas clientes da haute couture - ou quando não é haute couture, senhoras de infinitos sacos cheios do melhor prêt-a- porter adquiridos a uma velocidade alucinante: Karl Lagerfeld vende a estas meninas uma média de 35 coordenados Chanel por cada colecção. 

Elena distingue-se de muitas conterrâneas suas por ter beleza, simplicidade e bom gosto: mistura Giambattista Valli com H&M sem problemas e mantém uma verdadeira paixão por jeans.




Mas a sua fama deve-se sobretudo ao conto de fadas rags-to-riches que lhe mudou a vida:  aos dezasseis anos a jovem da Sibéria apaixonou-se pelo rapaz errado, o típico bad boy muito mais velho que arrasta a namorada pelo mau caminho. Por influência dele, Elena começou a distribuir ecstasy em discotecas locais. Não tardou a ser presa e apesar de ter colaborado com as autoridades e quase ser assassinada em represália, condenada a seis anos de cadeia numa prisão russa muito fria e desagradável, onde até faltava o sabão.

 Desesperado, o pai de Elena pediu ajuda ao membro do Parlamento Russo, ex espião do KGB e um-dos-homens-mais-ricos-do-mundo Alexander Lebedev. À falta de cavaleiro andante, Alexander serviu de príncipe e anjo salvador: arrancou-a do cárcere e o resto adivinha-se...

 O ex-KGB salvou a donzela em apuros, apaixonou-se, casaram e tiveram dois filhos adoráveis. Claro que usando de cinismo pode dizer-se isto ou aquilo acerca da diferença de idades, etc, etc, mas bem, Alexander podia ter casado com qualquer uma e não há mulher que não goste de ser salva. Em todo o caso, foi bonito. E ganhou-se uma it girl.





Querido S. Pedro:


Eu até sou uma rapariga fácil de lidar. Não me costumo queixar do tempo. Gosto do Verão, gosto do Inverno. Sempre discordei de quem acha que o Inverno é a estação chata, que não dá para vestir bem- pelo contrário. Se está frio, aproveito para levar à rua a minha colecção de casacos, estolas, luvas e pashminas. E este ano as opções são muitas. Se chove, uso gabardinas, chapéus e capuzes, no melhor modo se me dão limões, faço limonada ou invento um cocktail. A sério, não quero ser queixinhas nem desagradável.

 Mas chuva, E ventoE frio, tudo junto, durante um mês e meio, é para pôr à prova as capacidades do stylist mais paciente. Ou da mais competente das donas de casa/governantas/senhoras da lavandaria. Não se dá vencimento, mesmo com um guarda roupa quase infinito. Coisas básicas como camisolas pretas têm limites, por muitas que se tenham.

Chuva, E ventoE frio, tudo de uma vez, não dá - até porque os casacos mais quentes tendem a não ser impermeáveis. E apesar do meu complexo Imelda Marcos já não há botas que aguentem a não ser botas de neve tipo astronauta e essas não me convêm para ir trabalhar, compreende? 

Para não falar que as malhas, adequadas para  baixas temperaturas, não são o melhor que pode haver para a chuva. Ficam alagadas, e não há nada mais desagradável. Então, ando num dilema: trajo a contar com a chuva ou com este frio da Sibéria? Além de que há imensas ideias para outfits giríssimos com sapatos que ainda não experimentei porque não quero ficar com os pés congelados- está certo que uma senhora não sente dor, nem frio, nem calor e só vê e ouve aquilo que quer, mas isso era lindo no tempo da avó que estava regaladinha em casa. Para não mencionar que com este vento não ouço é nada, nem vejo nada com o cabelo à frente dos olhos, fico desorientadinha de todo. E os passeios que já tive de cancelar? Nem me lembre disso. No Sábado passado tentei andar ao ar livre e vi voar pratos, vasos e bancas, enquanto a senhora da barraca das bifanas tentava desesperadamente arranjar-me uma sanduiche voadora e parecia que eu tinha-palavra de honra - o carro dos bombeiros a despejar-me água em cima. O almoço improvisado mais surreal da minha vida.

É deprimente estar fechada e quando preciso mesmo de ir à rua, saltar pocinhas e quase ser levada pelas rajadas - isto se não vier um gordo contra mim, que daqui a nada já nem os pesos pesados se seguram. Ainda há a odisseia de transportar os sacos do supermercado para casa, que nem pensar nisso é bom.

Por isso, caríssimo S. Pedro, eu não percebo nada do seu mister mas por simples senso comum quer-me parecer que já está tudo regadíssimo e não precisamos de mais água. Se é para castigar alguém em particular, sugiro que se metam essas pessoas numa Arca, com o Noé funcionou. Mas castigar todo o mundo parece-me um bocadinho exagerado.

 Apelo à sua compreensão e subscrevo-me com a mais elevada estima,

    Sissi

Monday, February 3, 2014

A única verdade no "Lobo de Wall Street"


Recentemente convenceram-me a ver este filme que eu contava ignorar de propósito, independentemente do realizador  e de estar nomeado para o Oscar . Senão, reparem: tem tudo o que eu desprezo. É um filme sobre yuppies, raça com que eu embirro com todas as minhas forças: o yuppie, não tendo mais nada a não ser ganância e dois neurónios, vive para o dinheiro  e para o sucesso, para ostentar todos os modismos, tudo o que é suposto ser chic, tudo o que é novo, trendy, caro e luxuoso. 

Vive agarradinho aos bens materiais - ao contrário do dandy ou do bom snob (não falemos hoje dos maus snobs) que prima pelo bom gosto, pelo comportamento algo excêntrico, mas de gentleman, um pouco fútil talvez mas dotado sensibilidade artística e que é, em essência, desprendido - tão arrogante e senhor de si que é capaz de deitar fogo a todas as suas fatiotas, se acordar com o pé esquerdo. 

O dandy usa as coisas - o yuppie é usado por elas.

 O dandy é bem nascido e bem educado - o yuppie é um parolo de fato, um caixeiro que por acaso passou pela faculdade e tem um grande talento para subir na vida e descer à mesma velocidade (easy comes, easy goes), armar-se em cosmopolita (deslumbrado "que só ele" - ah, "que só ele" não podia ser uma expressão mais yuppie, aviso-vos) comer sushi e - na era do Instagram - postar o prato de sushi, ao lado de um saco da Prada para inglês ver. Avancemos.

 O protagonista, baseado num passarão que existe mesmo, um pantomineiro do piorzinho, é o protótipo do self made man malvado com tudo o que isso tem de mau: ambição desmedida, gostos vulgares, comportamentos ordinários, honra nenhuma e ética zero. Tem a agressividade de um buldogue e a retórica de um pregador da Igreja Universal, mas a sua "equipa" composta por ex traficantes, ex vendedores de Herba qualquer coisa e ex vendedores de colchões ortopédicos delira com tudo o que ele diz e fica tão motivada que consegue sacar dinheiro a meio mundo. A partir daí é o conto clássico do self made man malvado: mulheres ordinárias, prostitutas e vinho verde, notas de banco literalmente atiradas ao caixote do lixo, orgias, doenças venéreas, tantos comprimidos, cocaína e pirulitos que eu já tinha a cabeça a andar à roda e não era nada comigo, aviões despenhados, um iate naufragado, muitos palavrões e até um chimpanzé de patins.

No meio daquilo tudo, só houve uma frase com que concordei em parte: 

“There is no nobility in poverty. I’ve been rich, and I’ve been poor and I choose rich every time. At least as a rich man, when I have to face my problems, I show up in the back of a limo wearing a $2000 suit and $40,000 gold watch".

Digo "em parte" porque só entro numa limusina (Deus me livre de tal piroseira) com muitos rogos ou muitas ameaças  e porque se não há nobreza na pobreza, na riqueza também não há. 

A nobreza, qualquer uma, seja a de carácter ou de natureza mais tangível, ou se tem ou não se tem. E muitas famílias decentes se arruinaram por não querer enriquecer à custa de comportamentos que iam contra os seus valores - por muita miséria que isso significasse. Atitudes de outros tempos, difíceis de entender na época do "eu tenho, eu quero, eu compro". Quando alguém não se vende nem compromete os seus valores para "subir na vida" há nobreza na pobreza, sim. Na riqueza em si mesma, não. Não há fortuna no mundo que possa dourar um fundo grosseiro.

Mas ser rico - ou estar lindamente, pelo menos -  é bem mais agradável, seria hipocrisia negá-lo. É muito mais fácil enfrentar os problemas do dia a dia, ou as pessoas desagradáveis, com uma toilette de boa qualidade, uns sapatos proibitivos, uma maquilhagem perfeita, todo um luxo belo e discreto, que dá conforto e distrai. Quando Ana Bolena foi para o cadafalso, fez questão de morrer vestida como uma Rainha -de encarnado, cor dos mártires, e arminho. Ou como dizia a minha avozinha, "por muito desgostosa que esteja, uma senhora nunca sai à rua mal arranjada". 

Sunday, February 2, 2014

Há pessoas que são como o Justin Bieber:


só fazem porcaria. Cada tiro, cada melro. Asneira atrás de asneira, companhias manhosas, gostos de fugir, comportamentos desprezíveis e tudo isso com o ar mais inocente do mundo, como quem diz " o que é que eu fiz? Tu é que tens problemas porque vês mal em tudo". Ainda se espera que tenham remédio/salvação/redenção, até porque à primeira vista não se parecem com o Justin Bieber - se fossem parecidas com ele as pessoas sensatas fugiam a correr e não estávamos aqui a falar disto. Mas não, parecem gente normal, que não usa cristas nem gel nem gosta de strippers baratas e vinho verde nem nada. E não são gente que -até ver que já não digo nada - vá passar a noite ao xilindró. Até aparentam bom ar e nem se adivinha que vamos acabar por ter vergonha de os termos conhecido. Calha bem que a fama não lhes bateu à porta (por muito que isso lhes desse jeito ao ego) porque então ia tudo por arrasto e ainda se acabava por aí nos tablóides ao lado de tanto trash. Deus nos defenda de tais instantes eu-cá-não-te-conheço.

Olha a mochila da moda!

Há bastantes anos que as mochilas-usadas-como carteiras não davam um ar da sua graça. Recordo-me da febre das versões mini nos bancos de liceu (quem não teve? Eram ameninadas e simultaneamente carteiras de gente grande, além de cansarem menos os ombros) mas o seu regresso dá que pensar. Numa época em que as carteiras ladylike e modelos despojados, mas clássicos (como as satchel bags a tiracolo) têm reinado, como é que de repente o mais descontraído dos porta tralhas se torna febre? Reflexo do revivalismo grunge? A cada estação há tendências em contra-corrente, que podem ou não definir uma viragem no visual dominante.




Certo é que a backpack  Simone Camille - uma mochila grandota, com vários bolsos e um a mal-acabado-de-propósito, voou das prateleiras para as costas de tudo quanto é celebridade, it girl e blogger célebre. A coqueluche é a versão com aplicações de moedas -  principalmente a de padrão tigresse, que já está esgotada.

 
 Curiosamente, eu - que sou um bocadinho vidente nestas coisas - já me tinha apercebido que mais dia, menos dia, ia deixar de ser estranho andar de mochila por aí. Algumas versões simples foram mencionadas em revistas ou fotografadas por profissionais do street style e pelo sim, pelo não, deixei à vista dois ou três exemplares: uma Lancel minimalista (muito semelhante às que deram nome à Prada, em início da década de noventa);  uma mochila estilo bucket bag em couro preto e castanho mel que não podia ser mais preppy (betolas, vá) e um daqueles modelos Gucci muito semelhantes na forma a esta nova mochila,  grande q.b,  velho como os montes mas com muita graça, onde cabe tudo, até um estojo de primeiros socorros.
O que me leva ao post anterior: lá porque se tornou normal usar mochila, não quer dizer que se tenha de usar ESSA mochila, ou mesmo uma igualzinha mas mais acessível. Quer-me parecer que vai ser uma febre igual à das Litas (não acredito que hoje passei por uma megastore de calçado e ainda as havia de todas as cores e feitios). 

 A mochila (ou a it bag, a bota, a sweat shirt ou o que seja) do momento é sempre, e apenas, uma possibilidade, uma inspiração. Entrar em modo "carneirada" é desnecessário e indesejável, a não ser que haja um amor à primeira vista pela peça e que se saiba que se lhe vai dar bom uso por bastante tempo.

 Em todo o caso, recomenda-se coordená-las com saltos altos e um look elegante-mas-rebelde. Juntá-las com boyfriend jeans, ténis ou ugly shoes é capaz de ser demais. A bem do equilíbrio estético, digo eu.




Frase sábia do dia: trendy, no thanks.



"The rich are stylish; those who WANT to be rich are trendy"

Encontrei esta frase num texto assaz recomendável  e lembrei-me de como um post já antigo aqui do IS continua a fazer sentido.

Dê-se o desconto à palavra "rich" - porque como sabemos, riqueza não é garantia de bom gosto, antes pelo contrário principalmente se falarmos de dinheiro " novo". Substitua-se "rich" por gente distinta, com uma elegância à prova de bala, com porte e enfim, com meios acompanhados de savoir faire para sustentar tudo isso, e a citação não podia ser mais verdadeira. 

 Diz-se mesmo pela blogosfera que as palavras "trendy" e "tendência" já pedem para sair de cena, tal é o seu uso abusivo e o exagero da própria tendência, que se tornou uma obsessão nesta altura em que ser fashionista ou pior, blogger de moda (por muito que se escreva mal ou não se perceba nadinha do assunto) é quase de rigueur

É necessário compreender que podemos acompanhar as tendências, as novidades da indústria (a moda é, afinal, um reflexo dos fenómenos sociais que nos rodeiam) os tempos, actualizar o visual,  sem perder de vista o clássico bom gosto, as linhas intemporais, a sensatez, a individualidade e a ironia que caracterizam os verdadeiros ícones de estilo, as pessoas que convém imitar. 

A obsessão pelo "trendy", pelo último grito, pela ostentação, não é só bacoca e obtusa (normalmente, denuncia os wannabes, um provincianismo desesperado) mas é um excelente caminho para se tornar uma fashion victim; para, como se aponta aqui e muito bem, ter um momento "que figura triste que eu fiz" ao olhar para imagens nossas de há seis meses atrás.

O trendy tem a sua utilidade - aplicando-o pontualmente, porque qualquer tendência é, por natureza, transitória.

 Estar "trendy" quando se é "stylish", tudo muito lindo. Agora SER trendy... não é necessariamente um elogio.

O meu irmão dixit: to the Moon and back.


" Se amarrassem as tuas roupas todas umas às          outras, dava para ir daqui até à Lua!"

O que me faz pensar que os rapazes são sempre uns exagerados, principalmente tendo em conta a massiva organização que o meu closet tem levado de há uns tempos para cá. De maneira nenhuma o meu acervo, todo junto, dava para ir até à Lua: basta ver a complicação que foi para lá ir em 1969, tanto que nunca mais quiseram voltar (ou de acordo com algumas teorias da conspiração nunca lá puseram os pés ou foram avisados por aliens para não repetir a graça; que as imagens parecem algo suspeitas, isso parecem). Depois, eu alguma vez amarrava as minhas roupinhas? Mantê-las engomadas já é uma canseira e sabe Deus o efeito de as expor a poeira espacial. Em última análise, não há nada para fazer na Lua e eu esforço-me tanto para manter a minha cabeça longe dela...mas não deixa de ser uma ideia interessante. Faz-me lembrar este filme, que sempre me impressionou:



                      

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