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Saturday, March 15, 2014

Balzac dixit: mulheres sublimes.


"Os erros da mulher provêm, quase sempre, da sua crença                       no bem ou da confiança na verdade".

Defendia o grande autor que uma rapariga bem educada, séria, de valores e princípios firmes, tende a ver no ser amado - por vezes com tristes resultados - um reflexo da sua própria pureza de sentimentos. Não serão só as mulheres, já que é sabido que as pessoas como são, assim julgam.

 Diz o povo que "quem é desconfiado, não é fiel" - muitas vezes, quem desconfia muito dos outros não baixa a guarda porque sabe muito bem as artimanhas que é capaz de urdir, logo acautela-se, faz-se vigilante,  julgando que será alvo de golpes dessa natureza. 
 Com as mulheres que - por mais perspicazes que sejam - se regem pela honestidade, pela nobreza de espírito, dá-se a mesma coisa, mas no sentido inverso. Quem não faz o mal, não vê o mal.

Uma rapariga delicada que ame e seja amada de volta, verá o objecto da sua paixão com a luz mais pura, mais favorecedora. As palavras, actos e intenções do homem que escolheu vão parecer-lhe, até dura prova do contrário, os mais elevados, tingidos de princípios admiráveis; os laços que os unem afiguram-se-lhe inquebráveis como aço, porque assim foi dito e prometido, por mais que os antigos avisem que "os Deuses lá em cima se riem dos juramentos dos amantes".

 Se a mulher for realmente excepcional, ou excepcionalmente pouco amiga de si mesma mas muito leal às promessas que fez, à palavra que deu, continuará a honrar essa lealdade mesmo depois de confrontada com uma realidade feia. Talvez procure dar uma, duas, três oportunidades para remediar o mal feito, porque como conhece a sua própria bondade, a sua própria sinceridade é-lhe muito difícil deixar de a ver no outro, desmanchar a imagem perfeita que foi construída com base em sentimentos exaltados, em belas palavras, em instantes romanescos que se não carecem de transparência, podem carecer de firmeza ou de sorte. 

E essas mulheres sublimes amam, choram, afastam-se, protestam, avisam, guardam silêncio, passam uma imagem de grande dignidade mas às vezes continuam a acreditar que houve um motivo justo para o seu erro, que o seu erro não foi em vão ou que pode ser reparado, por pouco conserto que tenha. São fascinantes, as mulheres dos romances. E na vida real, as mulheres que parecem saídas de um livro podem parecer ainda mais cativantes a quem gosta de heroínas sofredoras, cheias de heroísmos, de fé e de paciência. São aquelas criaturas belas e frágeis, mas cheias de força e de carácter, a quem um homem arrependido diz apaixonadamente, de olhos em alvo "perdoa-me! tu não mereces o que te fiz sofrer!" - e a quem juram o seu remorso, a sua asneira, a sua infelicidade, a sua obsessão, a sua admiração. Que foi por ciúmes, que foi por imbecilidade, por cobardia, por imaturidade, por razões inexplicáveis. E contam que a heroína seja sublime a ponto de ser santa.

 Arquétipo por arquétipo, já não vos digo nada: sem defender aqui a femme fatale (que às vezes também passa maus bocados na literatura e na vida) acho que essas acabam por se iludir menos, vingar o seu género e viver melhor. Mas quê - ser uma bad girl não está ao alcance de todas. 

Ninguém se mete com os pais digitais.


Cuidado. Eles estão armados de chuchas e fraldas malcheirosas e muitos insultos. E não têm medo de sacar dos argumentos da "mal amada, sem coração, encalhada e ressabiada" contra quem cometa o sacrilégio de dizer que se calhar, só se calhar, não tem lá muita graça nem é muito sensato bombardear os amigos do Facebook com todos os instantâneos íntimos da criança que a cegonha lhes trouxe. E se a jornalista (ou blogger) for mulher, pior ainda: de frustrada a desalmada, leva rodas de tudo. 

Foi o que aconteceu com Sofia Anjos, que teve a lata (ou a imprudência) de escrever no Público contra os chatos dos pais digitais. Um ponto pela lata, porque na era do Politicamente Correcto, da Infância Sacrossanta e dos Pequenos Preciosos  Ditadores haver alguém que diga o que pensa é um milagre;  mas apesar de o texto não ser, aos meus olhos pelo menos, especialmente cáustico,  levantou-se uma poeirada de pais em histeria, a acusar a autora de "deitar abaixo o amor sagrado entre pais e filhos". É que - lo and behold!- agora o amor sagrado entre pais e filhos mede-se pela quantidade de status, retratos e posts no Facebook. Se a "audiência" do rebento baixa, o melhor é chamar os Serviços Sociais, porque o menor pode estar a ser negligenciado. 

Mas o fim da picada foi quando se tocou na ferida, com, passo a citar, "Não interessa se são bonitos, feios, se vêm com penugem ou a cabeça torta: querem mostrá-los aos amigos e família. E se há pecado perdoado é o de um pai babado".

 É que se convencionou que "tudo o que é pequenino é lindo" e dizer, olha o desacato, que um pequeno não deve muito à beleza, é caso para lapidação. À moda bíblica.

 Já falei aqui várias vezes sobre a incompatibilidade que surge, amiúde, entre maternidade e bom senso - síndroma que espero (espero mesmo!) que passe longe de mim, caso me calhe a vez de cumprir tal função biológica. Meus senhores e minhas senhoras, é certo que as pessoas da nossa família nos parecem sempre bem, mas há crianças que não são bonitas, ponto final. 

Quando acabam de nascer, então, é uma sorte já aparecerem apresentáveis. Faz parte. Não quer dizer que um bebé que nasceu encarnado como um pimentão e de cabeça amolgada não se torne uma coisa amorosíssima dali a uns meses (tenho casos na família) ou que uma pequenita vulgar não venha a fazer-se uma beldade. Acontece muito, assim como o inverso: há crianças de capa de revista que crescem para ser uns camafeus, basta olhar para algumas ex-mini estrelas de TV ou cinema. E depois há aqueles que continuam a ser trambolhos pela vida fora, ou ainda os que são miniaturas dos pais que já por si não deslumbram ninguém, casos que impõem uma dose especial de noção da realidade a quem educa. 

Há crianças sem grande graça,o mundo não é justo - não temos de lhes dizer isso, convém que não se diga, mas há mais na vida além da formosura e até se ver o que sai dali nada a fazer...a não ser poupar aos amigos o constrangimento da mentira piedosa, a obrigação social do elogio por favor. Pescar elogios é feio em qualquer circunstância; e mesmo no caso de rebentos  particularmente lindos sempre ouvi que não é bom para o carácter da criança elogiá-la a torto e a direito. Mas perdi a conta às mães que me têm vindo dizer " a minha filha há-de ser modelo" só porque a menina gostava dos Morangos com Açúcar, apesar de não ser exactamente telegénica ou fotogénica. Noção, anyone

A diferença aqui, e é grande, é a possibilidade terrível que o Facebook encerra: partilhar os delírios em público. Já não falo de divulgar exageradamente cada passo da gestação- o que sempre foi considerado de mau agouro uma vez que até nascer há que rezar mas é para que corra tudo bem, para não falar em questões de gosto e privacidade.

A autora do texto também tocou noutro ponto sensível: "A minha gordinha já gatinha.” Seca. (...) “Acordei a ouvir que sou a mãe mais bonita do mundo.” E acreditaste?"

Ponto um, há pais cujo organismo está alterado, é um truque da Mãe Natureza - que desenhou as coisas para que cada progenitor se maravilhe com a sua criação como se fosse o primeiro ser humano a pôr descendência no mundo; se não fosse por esse impulso biológico, não faltariam para aí mais crianças ao Deus-dará do que aquelas que já temos. Logo, ai de quem lhes lembre que é um bocadinho ridículo partilhar cada dentinho, penico ou fraldinha, em suma, pequenos detalhes que são únicos para os pais maravilhados, mas banais para o resto do planeta. É daquelas coisas instintivas que só muito bom senso e muito berço (dos pais) podem refrear, como achar que a gritaria das suas crias não incomoda os outros clientes do restaurante.

Ponto dois, já mencionei por aqui que certas mães se desleixam, ou sempre foram desleixadas com a sua aparência, e depois usam EM PÚBLICO,  nota bene, a doçura da maternidade como desculpa, com frases melosas (e escusadas) do tipo "eu amo cada estria, cada banha que ganhei, cada olheira de noite mal dormida porque são consequências de trazer a minha princesa ao mundo" ou "já não compro roupa para mim, só para a minha princesa". Poupem-me. A mãe de uma princesa não diria tantos disparates, para começo de conversa. Haja classe em todas as fases da vida, diria eu que tenho a mania de pedir muito.

 Apontar directamente o ridículo alheio é pisar campo minado. E se o ridículo alheio toca à exposição virtual da prole - benzam-se, está o caldo entornadíssimo. Quem se sente enfadado por isso deve dar graças pelo bombardeamento ser só via facebook (o que me levaria à questão de tantos pais recentes se queixarem de que os amigos sem filhos se afastam durante uns meses até a festa da fralda acalmar, mas não vamos por aí). É  a Natureza, são tonterias passageiras de quem está sensível, com as hormonas a fazer aquilo para que estão programadas e não consegue refrear o entusiasmo; logo,  não vale a pena tentar chamar à razão quem não usa a razão por própria iniciativa. Com pais digitais em modo turbo, o melhor mesmo é ignorar, sorrir, dar o desconto. Isso passa-lhes.

Friday, March 14, 2014

Ser "bom" não basta.


Ontem deparei-me com este filme que passou bastante despercebido quando saiu há uns anos e que decidi ver com atenção porque, bem...

1- Tenho uma fixação pela época/tema; não acredito lá muito em reencarnação, mas a crer nisso fui alguma agente dupla noutra vida, com certeza;
2- Gosto do Jason Isaacs, que é insuportavelmente bem parecido e quase sempre faz de mau (este filme é uma excepção, por acaso) e...enfim,  manias minhas.
 3-  Ver o Viggo Mortensen em uniforme das SS pareceu-me boa ideia (os sacanas dos nazis eram o diabo na Terra, mas tinham um talento formidável para mandar fazer fardas e trench coats:  reparem na qualidade do sobretudo em pele de Albert Speer, o "Nazi que pediu desculpa"  vendido em leilão recentemente. Ironia das ironias, quem o comprou foi um primo do arquitecto nazi que é...judeu).




Mas divago, voltemos ao filme: a fotografia recomenda-se, tal como a história (adaptada de uma peça de teatro dos anos 80) sendo o clássico conto do homem bom que permite, mais ou menos inconscientemente, insensivelmente, sem saber como, que o mal aconteça à sua volta.

 Viggo interpreta John Halder, um professor de literatura/escritor, veterano da I Guerra do mais discreto que há. Modesto, sossegado, bom pai de família, marido com paciência de santo para uma esposa bem intencionada mas fora da realidade, filho extremoso para a mãe demente e cheia de problemas de saúde, amigo fiel do  brilhante  psiquiatra judeu Maurice, seu irmão de armas.   Como muitos homens bons e talentosos que não fazem alarde de si mesmos nem se envolvem em intrigas palacianas, John tem uma vida obscura. 

Porém, a sua carreira dá uma reviravolta quando se vê coagido pelos a não adiar mais a sua filiação no Partido Nazi (como tanta gente "normal" fez naquele tempo) e quando os figurões do Reich  se interessam por um romance que está a escrever, decidindo usar as suas ideias em propaganda. A gota de água é uma aluna atiradiça que o convence a  sair de casa - e que se vem a provar um ser humano horrível, como seria de esperar. 
O professor é bom mas também é fraco, com um carácter cheio de deixar-se ir. Acaba por vender - ainda que a contra gosto - a alma ao Diabo; a sua integridade natural pouco pode contra a força das circunstâncias em que se envolveu.
  Sem sucumbir propriamente à vaidade, sem se corromper por dentro,  ele vai tomando más decisões, achando que as coisas não são tão feias como parecem, fechando os olhos a actos, ideias e acontecimentos que vão contra os seus valores. 
E acaba esmagado pelas suas más escolhas, porque há coisas - moral, afectos, respeito próprio - que nem o êxito, nem a adulação, nem o poder podem compensar. 
 Ser bom é importante. Ser íntegro é essencial. Ser uma pessoa decente é uma obrigação - mas não basta. É preciso vigilância e auto exigência porque uma escorregadela, uma cedência, pode ser o suficiente. E às vezes as consequências são irreparáveis.

Thursday, March 13, 2014

O caso do GNR que fez strip nas horas vagas...



...é mais um exemplo desse defeito que eu detesto: a elasticidade moral. Isso de não julgar, de não ver mal em nada, do "foi só uma brincadeira inofensiva", de achar sempre que se pode esticar um poucochinho a corda, ser pouco sério, pouco honesto, pouco profissional,  abusar um bocadinho até das coisas mais sagradas - a farda, o relacionamento, a instituição - dá nisto. Em figuras tristes destas e em consequências sérias. 

 A ser verdade o que ouvi no telejornal, não se trata só de desonrar a farda - se bem que só quem não tem noção da realidade pode argumentar "eles pagam a farda, podem fazer dela o que quiserem". Se o rapazinho levou a arma de serviço para um sítio público, brincar com uma arma (mesmo descarregada) não passa pela cabeça a nenhum militar com as quartas bem medidas: ninguém se magoou, mas podia ter havido uma tragédia. 

É que o "não julgar", o "não ver mal em nada" tende a escalar. Quando se perde o brio, a seguir perde-se a noção do certo e do errado, dos riscos e dos maus resultados que quase sempre se seguem. Mas o brio, a honra, a bella figura, a dignidade são hoje relegados para segundo plano, na atitude de relaxaria dos santinhos que não julgam, que são uns porreiros, que não vêem mal em coisa nenhuma. Quem não vê mal em nada, não respeita nada- e faz coisas assim. Muito riso, pouco siso. Ou como dizem os brasileiros, brincadeira tem hora. Rústicos.



As pessoas são mesmo patarecas: o Google que o diga.


Não sei se já vos disse que me interesso por botânica. Estava a ler sobre uma planta - wintergreen, e em português, pirola - e decidi procurar uma imagem no Google, a ver se era coisa que existisse aqui nas redondezas. Pois olhem, o Google tratou logo de me corrigir a pesquisa para "pílula" e de me mostrar uma longa lista de contraceptivos. Já tinha ouvido algumas pessoas sem grande instrução falar assim, mas serão assim tantas a escrever a asneira que um motor de busca reconheça imediatamente e lhes diga *voz a imitar a Idália da Maria Rueff* A PÍLULA, filha! Não é a PÍRULA! Sinceramente!* ?

E depois de repararem que não é assim que se diz/escreve, será que continuam a trocar o nome ao comprimido? Tudo é possível.

 No meio de tudo, foi uma canseira para convencer o Google de que eu não era nenhuma saloia a tentar não ter filhos: só lá cheguei a escrever Gaultheria, o nome científico da Pirola. Não "galdéria" - gaultheria.

   Mas esta semana também comprei a uma senhora amorosa uns frascos de compota de "frambolesa", logo...está visto que o Nelo do Herman tinha razão: quem manda na linguagem é o povo. Aguenta-te à bomboca, Google.


Wednesday, March 12, 2014

Daryl Dixon é o homem perfeito. Querem motivos? Dou-vos quatro.



Eu não escondo que tenho medo de zombies - tenho, pronto. É das poucas coisas deste mundo e do outro que me metem medo. Mas bem vistas as coisas, se pensarmos em todas as formas possíveis de Fim do Mundo, o Apocalipse Zombie é capaz de não ser tão mau como isso. 

Podia ser bem pior: imaginem que a Coreia do Norte invadia o planeta e nos condenava a todos a um futuro estilo 1984; pensamentos, liberdades individuais e pior ainda, roupas, tudo controlado pelo Estado. Nada de privacidade, tudo a viver nuns guetos apinhados com vizinhos malcheirosos a dividir tupperwares, cantinas comunitárias, nada de maquilhagem, nada de Natal nem de Páscoa e ainda tínhamos de aplaudir, vestidos com uns balandraus horríveis numas fábricas deprimentes, a gritar que era tudo  maravilhoso, viva o povo e o Lindo Líder. Mais valia fuzilarem-me logo.

 Ou então, que o John Lennon era profeta quando escreveu o Imagine e que éramos obrigados a viver naquela maçada horrorosa - que era mais o menos o cenário do 1984, mas mais limpinho e mais bonitinho e com grandes doses daqueles cigarros que fazem rir, porque de outro modo ia haver suicídios em massa. 

Não, pesando os prós e os contras o Apocalipse Zombie conforme é mostrado em The Walking Dead não seria tão desagradável como isso: os sobreviventes são livres de ir e vir conforme lhes apetece e com quem lhes dá na gana; o Mundo acabou, logo não há escola, não há impostos, não há contas para pagar, não há obrigações; quem é esperto e ágil consegue combustível, medicamentos e armas; o stress é descarregado nos mortos vivos, o que é bom para prevenir enfartes. De qualquer modo,  naquele cenário as probabilidades de morrer estúpido numa cama, de uma doença que não seja epidémica ou de velhice, são muito pequenas: quem vai desta para melhor tem quase sempre um fim glorioso e heróico; há pior na vida. Não menos importante, o Mundo é uma grande, enorme loja, ou uma feira de velharias gigante: imaginem todas as antiguidades perdidas, sem dono; ou passar pela Prada ou pela Chanel e, com pena das roupinhas a ganhar mofo, abandonadas e tristinhas, levar tudo o que vos apetecesse... bastando para isso ser mais rápidas do que os lojistas zombificados. A utilidade disso é discutível -  mas podia armazenar-se não fosse o mundo ficar normal outra vez, e assim como assim uma rapariga tem de se entreter com qualquer coisa.

       E last but not the least, haveria o Daryl Dixon. 

Ora, Daryl Dixon é o homem do futuro, se acreditarmos que há futuro para a espécie humana, com ou sem cenários apocalípticos. E eu digo-vos porquê:

1 - Tem bons genes: não só é uma estampa, com aqueles olhos enigmáticos e aquela franjinha (gosto de franjinhas, não é proibido pois não?) como encerra a promessa de futuras gerações bonitas e capazes: é elegante, é grande, tem músculos trabalhados na caça e não no ginásio, tem braços fortes para segurar a besta e carregar uma mulher às cavalitas, ou para salvar uma data de catraios em caso de aflição. Se uma rapariga tem de passar o Fim do Mundo - ou uma série interminável de anos, de resto - na companhia de alguém, ao menos que seja ao pé de uma pessoa visualmente agradável. E isto é darwinismo, não é futilidade.

2 - É despachado e responsável: Daryl é homem de poucas falas (o que é sempre bom, porque não gasta latim a fazer promessas vãs nem a dizer parvoíces)  mas não fica à espera da mulher, do primo ou do chefe para fazer o que tem de ser feito e dizer o que tem de ser dito. Aprendeu a tomar conta dele próprio e por isso, sabe ser generoso o suficiente para tomar conta dos outros, assumindo a responsabilidade pelos seus actos e decisões.

3 - É um cavalheiro: apesar de ter sido criado como um bruto, Mr. Dixon é um cavalheiro do Sul. Está um bocado sujinho, certo, mas continua a ter o ar de um príncipe e bom, o sujinho tem remédio; há outros que parecem sempre uns broncos por muito embonecados que estejam, por isso não é grave.  Mas o mais importante é que, mesmo num cenário de salve-se quem puder, não se aproveita das fraquezas alheias nem abusa da própria força: está sempre pronto a proteger uma dama em apuros, a procurar uma criança perdida ou a respeitar os mais velhos. Não teve muita instrução mas é inteligente e acima de tudo, muito bem educado. E isso, meus caros, não tem preço.

4 - Tem um coração de ouro: não obstante não ser muito hábil a expressar sentimentos, Daryl é um homem leal e afectuoso. Sem bondade, a coragem e a força não servem de muito. São pessoas assim que fazem diferença no pior dos cenários - ou, num contexto normal, para o melhor e o pior, na saúde e na doença, até que a morte os separe




Once again, Sissi, vê se aprendes.

         
Rasputine, o maluco mor

  
                 “Never argue with a fool, onlookers may not be able to tell the difference.”


                                                         Mark Twain

Já disse mil vezes a mim própria, e já o escrevi algures por aqui, que tenho de aprender que não se discute com maluquinhos. É tempo perdido, esforço baldado, não se chega a lado nenhum e poucas coisas me afligem/cansam/exasperam tanto como argumentar contra quem não tem lógica. Mas ora porque sou obrigada a isso - afinal, as pessoas que não tomam as gotas andam em toda a parte e às vezes é preciso lidar com elas em cenários supostamente sérios - ora porque a tentação é grande, volta e meia lá vou eu outra vez.

 E digo "a tentação é grande" porque às vezes, na discussão com um doido, nos vemos (eureka!) armados de um argumento irrefutável para resolver uma situação que não tem nada que enganar. Preto no branco. Sim ou sopas. E pensamos "Apanhei-te! Até que te pilhei! desta vez não escapas,  ao menos desta feita vai-se tirar alguma conclusão minimamente sã"....e zumba, outra voltinha no carrocel. 

Porque julgam o quê, que o doidinho (ou doidinha) 
vai anuir, resolver o caso, pôr fim às causas de tanta maluqueira, agir como uma pessoa ajuizada? Tirem daí o sentido. É capaz de responder que temos a razão toda mas continuar exactamente na mesma. Deixar assentar a poeira e esperar que quem está cheio de razão mude de ideias entretanto. E ficar muito surpreendido quando percebe que não, armar uma cena, e dizer que os outros é que são desarranjados ou difíceis. Calar-se bem caladinho e dali a dias vir com a mesma conversa como se nada se tivesse passado ou os outros falassem para o boneco, por desporto... porque nenhum descompensado leva os outros a sério. E continuar alegre e feliz, enquanto vai reservando uma cama extra no manicómio para quem se dá ao trabalho de o tentar chamar à razão. De génio e de louco todos temos um pouco, mas discutir com génios sempre é capaz de ser mais produtivo. Ameaçador para a auto estima, mas produtivo.

Tuesday, March 11, 2014

Be italian

Ave Gucci! Ave Dolce! Fashionistas te salutant!

       
Quais são as probabilidades de uma rapariga luso- italiana almoçar num restaurante italiano com outros luso- italianos, com sapatos italianos calçados e receber nesse momento uma chamada do caríssimo mano que está na terra dos avoengos, mais precisamente em Palermo? É muita coisa junta da terra da bota (ou das belas botas). É daquelas pequenas coincidências que tornam os meus dias um bocadinho interessantes. E a propósito disso, lembrei-me de um excelente texto sobre o chic italiano e o culto da bella figura que encontrei recentemente:

"Looking good in Italy is a national obsession.  This nation’s favourite pastime is style. Italians grow up in a culture of ‘bella figura’. This translates literally as ‘beautiful figure’ but is more specifically understood as ‘a good image’. This is not only related to what you wear but involves how you ‘appear’: etiquette, reputation, style are all equally important. The way you present yourself to the world matters hugely."

     "Onde a pobreza pode ser vestida com dignidade, não se nota nem embaraça"

                                                        Luigi Barzini, jornalista

 Ser-me-ia impossível, mesmo que não tivesse um um único gene daquela terra, não amar um país que faz da beleza porta estandarte. Por cá, a beleza ainda vai sendo um luxo: em Itália é uma necessidade; mesmo na pobreza ou no caos - e só quem nunca lá este pensa que Itália é um país "arrumadinho" - há uma preocupação com os sentidos, com o estilo, com a harmonia.
 A moda italiana reinou entre os séculos XI-XVI:
o acesso à produção da Seda (trazida por Marco Polo da China) a exuberância cosmopolita de Veneza, sempre em contacto com outros mundos e mais tarde, a cultura borbulhante e a estética do Renascimento popularizaram os tecidos ricos, os bens de luxo, o apurado sentido do Belo dos mestres italianos. A partir do século XVII, porém, a
influência italiana sofreu um declínio, e as modas "à francesa" passaram a reinar.


Mussolini, literalmente o Ditador da Moda                                    

 Já no século XX, Mussolini tentou uma política proteccionista para persuadir as mulheres (e não só)  a  vestir a moda nacional,que expressasse a raça: procuraram impôr-se as formas ultra femininas da mulher tradicionalmente italiana- em oposição à tendência arrapazada das "flappers"-  a restrição dos bens importados e o fomento da produção local. 


  " A mulher italiana deve seguir a moda italiana. Gosto, elegância e originalidade demonstraram que esta iniciativa pode e deve ser bem sucedida".

                                                  Edital do Partido Fascista, 1933


A ideia não correu lá muito bem ao início: a rival italiana de Coco Chanel, Elsa Schiaparelli, foi convidada a juntar-se ao esforço da Pátria mas mandou o ditador passear; a  própria irmã de Mussolini esgueirava-se sempre que podia para Paris, onde obtinha as suas toilettes mais importantes - o que diz muito da capacidade do Duce para impor ordem na própria casa, quanto mais no resto. Eu acrescentaria que um homem que começou por ser ateu e socialista ferrenho para mais tarde se tornar um fascista do piorio é um vira casacas que não pode ditar coisa nenhuma sobre as casacas alheias, mas enfim, foi um começo...e mostra bastante do espírito e das preocupações do próprio Estado - logo, da cultura do país- sobre o assunto. Por cá, leis sumptuárias eram coisas de tempos mais recuados. 


Mas só a partir dos anos 50, com as sumptuosas soirées/passerelles organizadas pelo rico negociante Giovanni Battista Giorgini a "escola italiana" chamou a atenção de estrelas de Hollywood como Grace Kelly e caras famosas como Jackie Kennedy, o que abriu caminho para que Casas como Gucci e Ferragamo começassem a rivalizar com a "couture" francesa. Embora mais tarde a moda italiana se abrisse ao prêt-a-porter, foi inicialmente pelo luxo absoluto - embora depurado - que se impôs.

 E pesem alguns exageros,  GucciArmaniEmilio Pucci, Valentino, Prada, Dolce & Gabbana, Ferragamo, Roberto Cavalli,Trussardi, Versace, Etro, Miu Miu, Max Mara, Fendi, Moschino ou Bottega Veneta continuam a saber fazer peças de um requinte que que sem ser ostensivo, não é discreto - só magnífico. Bem condizente com o carácter intenso e apaixonado das mulheres italianas: que não conhecem meio termo, que fazem a cabeça de um homem em água, que ou se amam ou se odeiam.  Mas sem extremos a vida é uma sensaboria, não é?                                                                                                       











Onde está o botão off?


Há datas que eu, a rapariga-que-não-gosta-de-efemérides, preferia esquecer. Gostava de não ter tão boa memória - e que ao menos a minha mente não trabalhasse como um ábaco, arrumando a má lembrança para uma gaveta enquanto calcula furiosamente e em simultâneo onde vai encaixar a próxima reunião, como vai fazer para meter tanta coisa dentro de um Sábado, resolver aquela questão maçadora e a toilette para aquele jantar ou aquela festa que apareceu do nada para me atafulhar a agenda, fora o resto que anda para ser feito. Era bom que os pensamentos nos dessem um descanso, que houvesse um botão off para isso, vulgo "desapareçam, vozinhas e imagens interiores; não consigo lidar convosco agora". Porque depois ainda aparecem os de fora, com as vozes interiores deles a abarrotar e a passar para cá para fora e a descontar em quem está. E acabamos todos a gerir as confusões exteriores de todos. Tragam a roca e o fuso, se faz favor. 

Monday, March 10, 2014

Uma Barbie "real"? A treta continua.

Eu já ventilei por aqui que estou cansadinha, enojada já, da brincadeira da "beleza real", do "ugly is the new pretty", do politicamente correcto, de dizerem que o plus size, o que quer que isso signifique, é que é um tamanho " real". Primeiro porque reais, minha gente, somos todos;  depois porque há coisas mais importantes para as mulheres se entreterem e porque não acho que raparigas bem formadas, com alguma coisa dentro da cabeça, sejam frágeis a ponto de se traumatizarem com ideais de beleza de bonecas, modelos ou actrizes. Ideais de beleza sempre os houve, e nunca ouvi falar de meninas a atirarem-se ao Tibre por não terem a figura de fada, a carinha de anjo e os cabelos de ouro da Simonetta Vespucci, por exemplo. Ou que as gregas cortassem os pulsos por não terem o corpaço de Frinéia. Pode ter escapado aos historiadores, mas não me parece. 

E depois de implicarem que as Princesas Disney  têm de ser inclusivas e condescendentes com as especificidades ou fraquezas de cada uma, agora também vão maçar as bonecas com o discurso dos complexados. Não me interpretem mal: sou a primeira a dizer que as Bratz e companhia são medonhas, mas tudo tem limites: uma coisa é não gostar de bonecas que põem meninas a brincar com meias de rede  - outra coisa é entrambolhar as bonecas para que as meninas não cresçam a pensar que são feias.

 A história não é nova: há uns anos atrás a pressão da opinião pública foi tanta que a Mattel teve de alterar a Barbie com o resultado na imagem acima, à esquerda: menos busto e cintura mais larga em relação ao molde dos anos 80/90 - como se as raparigas "reais" tivessem necessariamente esse formato e não houvesse incontáveis mulheres magras com cintura e peito por aí. Mas julgam que o público ficou satisfeito? Não. Puseram-se a fazer contas que mesmo assim a Barbie, a boneca de plástico, se fosse verdadeira ia ter problemas de saúde, e que para ser real, real, teria de ser malfeitona e de costas largas (como a boneca na mesma imagem, à direita).

 Mas como a Mattel fez orelhas moucas (também era o que faltava) houve um iluminado que decidiu ter uma ideia milionária, a pensar nas mães politicamente correctas (ou que eram patinhos feios e nunca se conformaram) que não querem que as filhas cresçam com "expectativas irrealistas". E esperto, está a arranjar donativos para pôr no mercado a... "boneca normal".

Com a missão sagrada de fazer as meninas crescerem "mais felizes, mais fortes, verdadeiramente confiantes e orgulhosas dos seus corpos" (snif, snif, não podia inventar algo menos batido?) a Lammily, assim se chama a boneca, é uma verdadeira totó com péssimo gosto para sapatos que adora desporto. Ó senhores, mais felizes? Bem se vê que o brinquedo foi inventado por um homem que não percebe nadinha do que as mulheres realmente querem.

 Infeliz ficava eu, se me tivessem dado uma boneca tão desengraçada para brincar, ou se me tivessem dito que o melhor na vida a que se podia aspirar era isto. 

Já agora porque não fazemos carrinhos telecomandados para meninos que conduzem mal, puzzles super rápidos para hiperactivos, bicicletas que andam sozinhas para preguiçosos? 

Se é para baixar padrões, não nos fiquemos pelo meio termo nem pelas bonecas.

Infeliz ficava eu se uma filha minha achasse normal que uma boneca com as proporções da Lammily usasse um vestido tão feio e tão ordinário, a mostrar a perninha curta, que a faz mais rechonchuda do que já é. Lammily, a alternadeira totó com vestidinho de feira e penteado de beata. Escuteira de dia, maluca de noite.
 Mal por mal antes aspirar à beleza porque a  infância é curta e na vida já há coisas feias que cheguem. Mas segurem-se, porque daqui a nada, para não ofender mesmo ninguém, temos a boneca trambolho. E aposto que ia ser um sucesso. Já nem sonhar se pode, nem a brincadeira é respeitada...






Isto da integridade é uma chatice.


E como a desgraçada da integridade anda pela hora da morte nos dias de pataria brava e salve-se quem puder que atravessamos, fui buscar a  definição à Wikipédia, não se desse o caso de passar por aqui alguém que não saiba o que isso é:

"Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo ser íntegro, de conduta recta, pessoa de honra, ética, educada, brioso, pundonoroso , cuja natureza de acção nos dá uma imagem de inocência (...) o que é íntegro é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.

São exemplos de integridade moral e corporal: a vida íntegra, a integridade física, dos bens sociais e individuais, integridade da honra e da fama, a integridade da intimidade pessoal, do nome, da imagem e dos sentimentos (...) quem tem moral, é íntegro.

Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas (...)prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível".

A integridade é a característica que mais prezo em quem me rodeia. Faz-me tolerar outros defeitos porque alguém que tenha, por exemplo, mau feitio, mas cuja palavra valha ouro e seja leal merece sempre a minha estima.

 Posso admirar as qualidades de alguém, sentir-me emocionalmente próxima de uma pessoa e até gostar muitíssimo dela, mas se descobrir que lhe falta integridade, que a sua moral estica, que não põe limites à sua ambição, ao seu egoísmo ou que tem, enfim, fracos valores, não consigo ficar por perto por mais que me custe- o que pode significar um grande desgosto.

 A integridade implica, por vezes, colocar a honra acima dos afectos; não ser cúmplice de comportamentos menos dignificantes ou injustos; não engolir sapos dolorosos, por muito que a alternativa seja pior, em nome de nos olharmos ao espelho pela manhã, de consciência limpa. Há princípios que não se vendem nem se trocam: nem por fama, nem por dinheiro, nem por amor, nem por alegria, nem para deixar de sofrer, ou para sofrer um bocadinho menos. 

 Ser íntegro pode custar amizades, amores, benefícios, vantagens. 

E tem uma característica aborrecida: vem de berço, absorve-se de pequenino e ganhá-la em adulto - ou querer livrar-se dela depois de a ter aprendido - é muito difícil. Com tantas qualidades fora de moda a sobrar por aí, a mim logo tinha de me calhar a integridade - e a mania de exigir integridade aos outros. Sorte macaca.
 
 

Sunday, March 9, 2014

Expliquem-me lá isso das selfies.



É que eu, apesar de ter a mania de fotografar tudo e de registar  os momentos e as fatiotas, não sou grande fã de auto-retratos. Tirei alguns em anos idos, quando as selfies ainda não davam por esse nome e apareceram os telemóveis com câmara que fotografava para os dois lados, só por graça. Em boa verdade, é isso e o Instagram: não aderi porque tenho preguiça de me livrar do Blackberry bota de elástico que encrava com qualquer aplicação modernaça que lhe ponham, e porque não vejo a utilidade de uma coisa nem de outra.
 Há-de ter a sua piada, eu é que ainda não atingi: há um par de anos troçava-se até mais não poder das raparigas tontas que se fotografavam ao espelho e agora é moda?

O sentido de humor da minha família dá cabo de mim.


Fui abençoada com uma família que apesar de ser bastante circunspecta à primeira vista tem um certo jeito para a comédia. Uma propensão para a imitação brilhante, a subtileza irónica, as verdades ditas no segundo certo, a colocação impiedosa de alcunhas que pegam, o sarcasmo, a ironia, a hipérbole,  o jeito para contar histórias e anedotas. 
 Vale que é tudo gente delicada, que não exagera e tenta não ofender (eu incluída) mas ouço muito "dizes tudo o que te passa pela cabeça", "tens cada uma" e "só tu para teres a lata de dizer isso".  Porém não se pense que os alvos da brincadeira são só os de fora: às vezes também nos arreliamos uns aos outros.

 E hoje a senhora minha mãe, ouvindo-me falar com uma amiga sobre as ingratidões da manicura dela e estando farta de saber o que eu penso de nails e unhacas sai-se com esta, no firme propósito de me tirar do sério:

"Se calhar também te faziam bem umas unhas mais bonitas. Assim com uns bonequinhos e uns patinhos".

Está claro. Então não era? E a seguir ia comprar umas leggings de lycra, uns sapatuchos da Bershka com tachas, uns bodies com rendinhas à lojinha do chinês e fazer umas extensões com madeixas no cabelo. Depois fechava aqui o estaminé e ia tirar um curso de nails. Nas horas vagas aprendia danças latinas e kizomba e se me sobrasse tempo, lia uns romances light. Nos entretantos, conhecia nas danças um segurança ou vendedor de automóveis encantador com gel no cabelo e t-shirts De Puta Madre, e íamos viver felizes para sempre num apartamento comprado a prestações com a ajuda dos pais do moço, que ainda moram na La France; tínhamos dois ou três pequenos ranhosos  e eu ia ouvir toda a vida a odiosa frase "vamos buscar o menino à escola". Passava a escrever "fizes-te" e a dizer "fostes". 

E nesse universo paralelo eu não morria nem nada antes de pôr os pés num salão ou corner onde se fazem unhas dessas. Sissi, a palhacita.



Condessa de Gencé ensina, #3: para as que gostam de karaoke.




E quem diz karaoke - que a não ser que seja em privado é geralmente do piorio - diz soirées mais agradáveis com música ao vivo, do género que se fazia quando a autora, que não era realmente uma Condessa mas teve uma vida cheia de aventuras, estilo Conde de Monte Cristo, era viva. O conselho aplica-se ainda a quem canta ou actua profissionalmente, porque a boa educação cabe em todo o lado.

"Quando os donos da casa convidam artistas, devem informar-se das músicas que tencionam executar. São (...) responsáveis pelo programa da soirée e a sua vigilância deve executar-se, tanto sobre a personalidade das pessoas sob o seu tecto, como sobre as coisas que se dizem e cantam na sua casa. Uma senhora evitará a cançoneta ligeira ou cómica. Muito nova, abster-se-á de melodias com um sentimento muito exaltado".

As meninas devem portanto evitar as cançonetas brejeiras - brazileirices estilo bicicletinha não sei do quê, tira a mão não sei de onde, Quim Barreiros de saltos altos, ou imitar a Rihanna perante a assistência mesmo que a animação e os copos a circular façam parecer que não há problema nenhum em cantar qualquer coisa da Ana Malhoa. Se for na festa da empresa ou numa circunstância um bocadinho menos...descontraída, pior um pouco, é escusado dizer.
 Por outro lado, era giro mandar um exemplar disto a algumas cantoras da moda. Ia acabar no lixo de certeza, mas valia a intenção.

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