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Friday, March 21, 2014

Eu, se tivesse cartas suas...



"- Então, hein? dizia Carlos. Que móvel! É todo um poema da Renascença, Faunos e Apóstolos, guerras e geórgicas... Que se pode meter dentro deste armário? Eu se tivesse cartas suas era aqui que as depositava, como num altar-mor".

       Carlos da Maia a Maria Eduarda - Eça de Queiroz in os Maias, cap. XIII

A uma pessoa sensata, só meia dúzia de coisas são sagradas; e geralmente, isso inclui aquelas que parecem fazer parte dos momentos importantes, quer se queira quer não. Mesmo quando não se lembra delas, atravessam-lhe a existência através de pessoas, momentos, lugares, objectos, coincidências. Aquilo que alguém que se admira (como eu admiro Eça) ou mais sério ainda, alguém que se amou/ama/ *inserir nuance* tocou, torna-se uma relíquia. Um bilhete, uma carta, uma flor, um retrato, uma memória fragmentada de um aroma ou de um sítio (que pode até não fazer grande sentido para o todo da história, nem parecer muito relevante) assume contornos épicos. E até o indivíduo mais ponderado procurará um altar mor para guardar tais relíquias, ainda que contra vontade. Por vezes essas recordações ganham vida própria. Constroem os seus próprios relicários. A mim, não se me dava de ter o armário do Carlinhos da Maia para guardar certas preciosidades - mas com uma lareira ao lado, para destruir outras

Thursday, March 20, 2014

Não se fiem nesse mito do vestido preto.

Dolce and Gabbanna (what else?)  S/S2014

Que nunca compromete, que basta um para nos levar a todo o lado, nha nha nha. A verdade é que, e vão por mim que eu estou como a outra, posso não perceber de muita coisa nesta vida mas de vestidos sei eu, escolher o vestido preto certo às vezes é uma dor de cabeça... principalmente quando se tem uma data deles.

E se for vestido de noite, pior um  bocadinho já que o leque de escolhas aumenta para não falar que há sempre um que falta ou porque foi à lavandaria, ou está para arranjar ou isto e aquilo.

Quando isto acontece, muitas vezes há um momento mea culpa: é fácil achar que se abusa dos little black dresses para sair e que é preciso investir em cores, ricas de preferência. Como o Universo tem grandes orelhas (cuidado com o que desejas!)  pode acontecer um verdadeiro e inexplicável ver se te avias de vestidinhos de todas as nuances: azuis, verdes, pérola, salmão, cinza, encarnado...e quando se vai a fazer as contas, não se tem tantos vestidos pretos como isso, ou surge o instante twilight "tenho a certeza de que faltam aqui alguns!".

Mesmo que vocês se reduzam, como eu, a modelos clássicos por baixo do joelho, é surpreendente a variedade que se lembram de inventar para baralhar as almas. Porque um tem roda, o outro é veludo, outro tem brilhinhos, este tem manga, aquele é bordado - canseira!

  A única coisa que se confirma é que há sempre O VESTIDO PRETO que ainda falta encontrar, que anda desesperadamente por este universo fora à nossa procura (ou que para ali está na prateleira dos vestidos "para arranjar" à espera de se juntar ao mundo dos vivos) a desejar um lugarzinho na nossa vida e no nosso guarda roupa. Ou OS VESTIDOS PRETOS. Neste momento consigo enumerar dois ou três modelos - muito simples, por acaso - que precisam urgentemente de mim. Moral da história, os vestidos pretos são como o saber: não ocupam lugar. Ou ocupam que se fartam, mas nunca são um desperdício de espaço, nunca são em demasia. Lesson learned.

Wednesday, March 19, 2014

Mas será possível?!


Que as coisas se juntem todas? Isto parece uma Lei de Murphy. Numa semana em que uma pessoa tem de viajar de um lado para o outro, arranjar malas e saquinhos, comparecer aqui e ali e outros trolarós é que lhe acontece tudo; tem de chegar a todo o lado, ter mil mãos e um cérebro super sónico, fazer serão, chegar tardíssimo e andar em modo alucinado para rematar alguma coisinha de jeito. E isto, ladies and gentlemen, com boa cara (e cara alegre) sem um cabelo fora do sítio e o visual como manda o figurino. Que remédio há, em certas coisas não se arranja - e nem se quer - quem nos substitua. 

 A questão aqui é que eu aposto convosco que numa semana normal, em que não há compromissos de maior nem passeios marcados as outras tarefas, secundárias, chatas e peganhentas, também não lhes dá para aparecer. O telefone fica caladinho, ninguém se lembra de nos pedir nada, é um descanso que roça o tédio. Mas se surgem uma ou duas coisas na agenda? É até vir a mulher da fava rica. Os afazeres são como o sofrimento: adoram companhia. Abyssus abyssum invocat, salvo seja. 

O remédio é uma alma armar-se de paciência heróica, de uma calma diabólica e ir riscando as coisas da lista conforme vai cumprindo cada trabalhinho de Hércules, enquanto reza para os seus botões que uma senhora não sente dor, nem frio, nem calor (nem cansaço, nem sono, nem vontade de jantar a horas, nem de se atirar miseravelmente para cima do sofá que nem um saco de batatas). Isso, ou repetir o mantra calmante da outra: Prada, Gucci, Dior, Armani, Chanel, e assim por diante, sem grande insistência que é para não cair para o lado antes de estar tudo feito. Ufff.


Tuesday, March 18, 2014

Dois medos que eu tinha em pequenina.


Esta manhã, mamma mia lembrou-me que lhe pusesse no toucador "essa coisa do lip stain ou lá o que é, a ver se eu me habituo" - porque se converteu ao ver que o produto, um dos meus preferidos, permite mesmo andar todo o dia maquilhada sem canseiras. E depois, saiu-se com a pergunta " isto não muda de cor, pois não?". Zás, flashback: voltei à infância num ápice.

Eu pecadora me confesso, era a peste: ainda mal sabia falar, mexia na terra e se me chamavam malandra devolvia a gentileza aos adultos (dizia "manana", mas a intenção é que conta) pedia "emprestados" os cosméticos da avó (e empoleirava-me em cima de dois bancos para lá chegar) parti um lavatório (don´t ask) pus milho na sopa e quase incendiei a casa mais do que uma vez noutras experiências "científicas". Há pequenos com muito medo e pouca vergonha, eu tinha criatividade a mais e medo a menos, era o que era. Para terem uma ideia, ainda hoje, se a minha família me sente "muito calada" imagina que não a estou a cozinhar boa e vem ver o que se passa.

  Algumas características acompanharam-me toda a vida, desde essa altura: o gosto por escrever e desenhar, a música, o ter medo de muito pouca coisa e...a mania da maquilhagem. Juro-vos que toda a gente pensava que eu iria para Química, com o único propósito de inventar cremes e pinturas que revolucionassem a vida das mulheres. (O horror à Matemática atravessou-se no meu caminho, o que terá salvo alguns laboratórios respeitáveis da explosão).  

  Quem me desse pinturas, que alegria! Lembro-me de um presente que adorei e que custou um ror de dinheiro naquela altura: uma cabeça de cabeleireiro para fazer maquilhagens e penteados, que nem parecia um brinquedo, era assim uma coisa quase profissional. Mas é claro que preferia praticar em alvos humanos ou em mim própria.
  Embora só me permitissem sair à rua nesses preparos em dias de Carnaval, lá me iam dando (a mãe e a tia G., que sempre foi uma elegância e tinha paciência para as minhas macacadas) perfuminhos, bâtons, pós e sombras para brincar em casa. 

Só duas coisas me eram interditas: a máscara de pestanas, porque "se podia enfiar no olho e porque sujava a roupa" e o temível bâton 24 horas.

Esse está praticamente extinto hoje em dia (creio que nas lojinhas do chinês ainda irá aparecendo) e era uma coisa horrorosa: não saía nem com esfregão e mudava invariavelmente de uma cor civilizada para um arroxeado horroroso ou um laranja-mercúrio apalhaçado. Para as pessoas lá de casa, imaginar que eu podia brincar com tal mixórdia e depois não conseguir desmaquilhar-me era uma coisa impensável, por isso disseram-me que aquilo era feio e fazia muito mal à pele. Resultado: nunca mais lhe toquei. Perdi o medo à máscara na adolescência, porque sempre tive alguma vaidadezinha nas minhas longas (e louras) pestanas, mas em bâton indelével poucas vezes mexi. Até aparecer o lipstain - que não tem nada a ver e não muda de cor, nem pensar.

Jornalistas que andam para aí, a deseducar o povo.


A nossa bela língua é muito subtil e por mais acordos ortográficos medonhos que lhe imponham na tentativa de a simplificar (ou diria eu, banalizar) permanece um idioma exigente. O Português bem escrito e bem falado é de um extremo requinte; não será o idioma mais musical (como o italiano) ou mais flexível (como o inglês) mas não se pode negar que é elegante - eu diria mesmo que há-de ser das coisas mais elegantes que temos enquanto povo - mas adiante.

 Isto para salientar que há pequenos quês na Língua Portuguesa que podem escapar até ao mais atento dos seus defensores (a estimada Teresa, no seu belíssimo blog, é exímia em descobrir essas carecas) logo, qualquer um está sujeito a argoladas; mas valham-me todos os santinhos, há os mínimos.

 E eu apontaria dois tipos de mínimos, salvo seja: um deles será reparar um bocadinho em como as palavras se escrevem e/ou se pronunciam para evitar os clássicos "fostes", o trocar o "fizesse" por "fize-se" e assim por diante, que eu costumo bloquear quando vejo coisas assim, logo tenho dificuldade em fazer listas negras destas.

 O segundo tipo reside no cuidado com a linguagem que se espera de quem faz do Português o seu ganha pão. Vejo disparates de cair para a banda cometidos por profissionais de vários sectores com obrigação para ter juízo (até professores universitários, para começo de conversa) mas ninguém leva a palma aos jornalistas ou antes, a certos jornalistas. Ora isto é grave, senhoras e senhores. Porque para muito boa gente se está no jornal, na TV ou nas notícias, é assim que se escreve - e "prontos, pá"! 

Só esta semana, dei com três asneiras do piorio.

1- Na vigília por D. José Policarpo uma repórter, com ar compungido, atira a seguinte pérola: "a Sé está à pinha!". Isto não será pecar por erro de português, mas por falta de noção das circunstâncias. Primeiro, "à pinha" é se calhar um termo um bocadinho informal para se usar em televisão, a não ser talvez na MTV ou coisa que se pareça; depois, se fosse num Rock in Rio ainda vá que não vá, mas num velório? E de uma figura da Igreja? Bem diz o povo que não há casamento sem choro nem enterro sem riso, mas o chazinho cai bem em toda a parte, eu acho...

2- Há instantes na SIC, a propósito da estrela de Kate Winslet no Passeio da Fama, a narradora da peça põe-se a gabar a tarde "estrelar" da actriz. Ó menina, eu toda a vida ouvi estelar, no dicionário vem estelar e que eu saiba, eu que não ando a par de novidades nem modernices,  "estrelar" é só o acto de estrelar ovos: se calhar era isso que devia estar a fazer numa tasquinha qualquer que prestava melhor serviço às pessoas, a mim incluída que adoro ovos estrelados e detesto ouvir tolices. Se sou eu que estou maluca, corrijam-me por caridade.

3 - Aqui não se trata de Jornalismo, mas de tradução e legendagem (outras duas fontes de coisas trágico-cómicas). Ontem, em The Walking Dead, fizeram-me notar (eu quase escapava ilesa, porque tenho o mui saudável hábito de não olhar para as legendas) que PIMBA, lá escreveram, todos repenicados, "deve DE ser". Esta é uma questão muito debatida, certo: e há quem defenda que não é erro não senhora, que até Camões escreveu deve de ser em vez de "deve ser". Mas eu que cresci com a velha regra "havia de ser" e "deve ser", acho feio, feio, feio e parolinho de todo. É como dizer "o comer" em vez de "a comida" ou "o almoço", ou "a mala" em vez de  "a carteira". Soa desagradável, soa grosseiro, não há mesmo necessidade.

 Volto a afirmar (e se por causa do meu realismo passar por snob, paciência; eu gosto de chamar as coisas pelos nomes) que o Ensino Superior empurrado a granel para tutti quanti, pouco selectivo, super acessível e inclusivo não colmata coisíssima nenhuma a falta de formação/educação/cultura que se devia trazer de casa. 
 Para evitar tais desconchavos bastaria que se fizesse, como em boas universidades americanas, uma entrevista aos candidatos: poupava-se dinheiro e tristes figuras, e não se sobrecarregava o mercado de mão de obra supostamente qualificada. Quem não soubesse alinhavar o português (e cometesse sacrilégios do género de aparecer em trajes menores e chinelas de enfiar no dedo) ia para casa tentar civilizar-se, ou 
inventava-se um curso preparatório de um ano ou dois para polir esses brutinhos e problema resolvido. Mas quê - isso ia demorar muito, e como é que se enchia a estatística de licenciados e mestres à bolonhesa para apresentar em Bruxelas?

Monday, March 17, 2014

Meninas, cuidado com os filhos únicos.



É um lugar comum que, ao considerar um pretendente, uma jovem (ou mesmo uma senhora, porque isto cuidados e caldos de galinha querem-se em qualquer idade)  deve prestar atenção à forma como ele trata a mãe (pessoalmente, acho bastante importante prestar atenção também à  progenitora e já agora, ao aspecto do pai do cavalheiro, já que o fruto nunca cai longe da árvore). 

Mas parece que saiu um estudo que não só confirma o velho mito "os filhos únicos tendem a ser egocêntricos e mimados", como diz que os melhores partidos são os mancebos que têm...irmãs. Exactamente: afinal, só um rapaz muito desalmado faria a uma donzela o que não gostaria que fizessem à irmã dele, certo? As possibilidades de ser um sacaninha do piorio que não se sabe comportar diminuem substancialmente. E um homem que tenha crescido com irmãs está habituado a tomar conta delas - mas também às birras, caprichos, cuidados e sensibilidade das mulheres, logo será capaz de ter outro tacto e de as entender melhor. Quanto a mim, faz algum sentido.  Para tirar conclusões e fazer a estatística, nada como as minhas caras amigas irem ao vosso livrinho preto e compararem o perfil familiar dos senhores que vos partiram o coração (ou não). Ou analisarem se os vossos irmãos, caso os tenham, aprenderam alguma coisa convosco e deram bons namorados/maridos, daqueles que as cunhadas agradecem.

 Em todo o caso, tenho para mim que um homem que se comporta como tal- ou seja que é íntegro, gentil, de palavra e tem consideração pelos sentimentos da pessoa de quem gosta - não precisa de ter irmãs para tratar uma mulher como ele próprio gostaria de ser tratado. Venham os estudos que vierem, acho que isso de carácter e hombridade tem mais a ver com o torcer de pepino que se levou de pequenino e com os exemplos que vê em casa do que outra coisa. Afinal as irmãs influenciam, mas não mandam nada. Sei do que falo, que isto de ser a irmã mais velha é cá uma escola...

Sunday, March 16, 2014

Coisas parvas que são apanágio da Primavera.



Tirar o casaco e ficar arrepiada, vestir o casaco e ter calor. Não ver nada com os óculos postos e ficar com os olhos piscos sem eles. E não falemos nos pólens gone wild que vão começar a incomodar mais dia, menos dia. Bichos dos pinheiros - RUN! (Aviso circunscrito a obviamente a quem, como eu, mora orgulhosamente no meio do mato ou aos corajosos que gostam de ir para o ar puro caçar alergias). E depois, quais abelhinhas e borboletadas qual carapuça, o primeiro sinal oficial de Primavera são aranhas e aranhiços a querer entrar em casa - já capturei três que foram devolvidos não ao Criador, mas à rua, rapariga valente.
 Estou surpreendida com esta Primavera repentina: depois de tanta chuva, chuva e mais chuva contava com mais uns dias daquele friozinho seco e delicioso, para poder levar à rua os casacões e as botas que, coitadinhos, ficaram escondidos (para bem deles) em prol de impermeáveis e calçado resistente a aguaceiros. É ver-me a fazer malabarismos para poder calçar botas mais um tempo. Por outro lado, pode-se finalmente começar a usar scarpins e pumps - isto se não cair por aí um Verão antecipado, daqueles que fazem uma pessoa passar das galochas às sandálias em menos de um Credo. Eu cá gosto das Estações do Ano bem separadinhas, mas já que anda tudo baralhado podiam ao menos prescindir do pólen e dos insectos. Ou há moralidade, ou...sabem o resto. Será pedir muito?

"Manias tem a minha Maria muitas"...eu eu também.


O dizer popular aplica-se-me como à maior parte das pessoas, creio, já que manias são coisa sagrada, cada um tem as suas e pronto.

 Mas às vezes, em certos aspectos, sou tão funcional, tão implacavelmente irrepreensível, tão organizada que chego a perder a paciência comigo mesma. E é claro que gostando eu tanto de Modas & Elegâncias, nesse quesito o espírito do meu trisavô dândi apossa-se de mim e acabo por ser uma versão mais ligeira (e de saias) do Jacinto de A Cidade e as Serras. Ou levar a gestão do guarda-roupa quase tão a sério - e de forma mais trabalhosa, já que não tenho pessoas consagradas a esse serviço - como uma Rainha Tudor, cujos closets eram alvo de mais inventários e cuidados que os da Vogue actualmente.

Senão, reparem: 

1- Não tenho a mínima paciência para  esmiuçar as lojas como muitas  mulheres. (A excepção será feita a certas "caças ao tesouro", porque aí a graça está na procura e nunca se sabe o que aparece). Algumas pessoas que possam acompanhar-me aqui ficariam desiludidas se fossem comigo às compras (embora para os cavalheiros o meu modus operandi fosse provavelmente uma lufada de ar fresco). Dou-me ao trabalho de ver comodamente em casa as novidades - a internet foi uma grande invenção - e só lá ponho os pés se houver alguma coisa que interesse e que por acaso não compense encomendar. 

2- Chegada lá, vou direita àquilo que fui procurar e se já conhecer o produto em causa, nem experimento. Os meus saltos só tocam naquelas horríveis coisas com cortinas, má luz (e às vezes, pó no chão) se não puder de todo evitar.  É que tenho uma birrazinha com cabines de provas. Manienta, mas despachada.

3 - Uma vez que conheço bem o meu guarda roupa, só me dou à canseira de comprar mais coisas se a) forem peças que me façam falta e/ou que dão sempre jeito (t-shirts, calças clássicas pretas e por aí) b) for algo que quero mesmo naquela estação, depois de me certificar de que não há nada em casa que faça o mesmo efeito c) peças que colecciono (como certos vestidos ou casacos) d) oportunidades que não se podem mesmo deixar passar (sapatos de designer com desconto ou um achado vintage que seja único, por exemplo).
  Pensando bem, acho que esta não é uma má mania. Estamos em crise e afinal, quem precisa de tralha? 

4- Fiz voto de não deixar roupa (nem calçado ou carteiras) em pousio e além disso não gosto nada de me atrasar. Correr desesperada ou mudar de traje três vezes pela manhã faz-me muita impressão, por isso todas as santas semanas ponho uns quantos outfits montados em cabides, num charriot ou manequim. Isto depois de ter dado uma volta às revistas e páginas de street style para tirar ideias. Assim não corro o risco de andar sempre com as mesmas peças enquanto as outras ganham mofo, não me sinto culpada e poupo tempo. E se ceder ao "logo se vê", não durmo descansada a pensar no pesadelo da manhã seguinte. Been there, done that.

5- Volta não volta lá ando eu a transportar shopping bags e porta fatos com roupa para a costureira/ lavandaria ou calçado para o sapateiro, porque não quero nada que não sirva na perfeição ou esteja incapaz de ser usado a gemer pelos cantos. Como diz a senhora minha mãe é um desporto exigente, mas enfim, há quem venda a alma para ser torturada várias tardes por semana no cabeleireiro; isto sempre é mais rápido e um bocadinho mais barato.

6- Se tenho um evento ou uma festa, não descanso enquanto não faço o bom e velho go through your wardrobe para escolher não uma, mas duas ou três toilettes apropriadas, para evitar as situações que descrevi aqui. Na maioria das vezes já tenho uma ideia bem clara do que quero, mas quê - enquanto o look não estiver experimentado, montado ao milímetro, passado, embalado  e pronto a levar não ando tranquila.

Não sei se isto são dicas, se são manias que não lembram a ninguém e se isso faz de mim uma pessoa prevenida/organizada ou um Exterminador Implacável assim mais cor de rosa. Por vezes a dúvida adensa-se, palavrinha...








Pessoas que me fazem querer ir para freira #1


Não me refiro aqui a desgostos do coração  (ir para um convento levar uma vida de oração e penitência não me parece a melhor forma de uma rapariga distrair o espírito das maroteiras de um desalmado qualquer ) mas a alminhas que, às vezes cheias de boas intenções,  esgotam de tal forma a paciência aos outros que a uma pessoa só lhe apetece encerrar-se entre quatro paredes bem altas e deixar de se arreliar com os desarranjos do Mundo. Antes desfiar rosários de manhã à noite e fazer exercícios de humildade do estilo lavar as pedras do chão ou tratar da pedicure às Irmãzinhas todas sem soltar um ai.

 Um dos exemplares dessa classe de criaturas é a boa gente que dá mais atenção à forma do que ao conteúdo e que faz os outros soar as estopinhas à conta de um detalhezinho de nada, enquanto deixa o mais importante ir por água abaixo. É o tipo de pessoa que se a casa está a arder e lhe chegam o extintor, implica que não quer o extintor encarnado, que lhe tragam antes o azul, e não apaga o lume nem deixa apagar; que se o barco está a ir ao fundo, manda encerar o convés em vez de segurar as velas (ou o que quer que se faça para impedir um barco de naufragar, que eu cá não percebo nada disso); que não se maça de deixar queimar o bolo no forno, desde que a cobertura esteja bem bonitinha e haja exactamente 355,1 rosinhas de açúcar para lhe pôr. 
 Se quisermos continuar com metáforas náuticas, foram pessoas assim que deixaram que o desgraçado do Titanic se escangalhasse contra um iceberg, só porque ficava bonito sair nos jornais que tinha chegado ao seu destino a uma velocidade recorde.

 Está certo que é preciso sê-lo e parecê-lo, mas o inglês ver tem limites e pessoas sem nenhum sentido prático tiram-me do sério. Miserere Mei Deus.

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