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Saturday, April 26, 2014

Eu cá devo ser uma pessoa muito estranha.


É que tenho dificuldade em divertir-me com algumas coisas que são o máximo para muita gente que conheço. Está certo que os gostos variam e que cada um é como é...mas vejo tantas pessoas a gostar de certas coisas que me pergunto se não pertencerei a uma minoria qualquer.

 Por exemplo, nunca achei graça a festivais de música - o que é esquisito porque adoro música. Mas para começar, prefiro a versão perfeita, acabada, de um disco; e tendo ouvido de tísica como tenho, não gosto de ouvir as canções desfiguradas por improvisos. Fico com medo de me desiludir.

 Depois, estar de pé no meio de uma confusão danada, a levar encontrões da multidão, tudo com um ar bué da fixe e bué da jovem nunca me seduziu. A mãe levava as mãos à cabeça, porque "quando tinha essa idade" não a deixaram ir ver os Genesis e foi um desgosto. 

Num daqueles momentos em que uma pessoa se pergunta se a ordem social do Universo está de patas para o ar, tanto instou comigo, tanto me maçou, que lá conseguiu que eu fosse com duas amigas a um festival de rock aqui perto, na praia. Acedi porque ficava junto ao parque de campismo, com duches decentes e garantia de alguma normalidade.

 Pois bem, eu conto-vos como foi a experiência. 

   Para começar, uma das meninas, que era óptima rapariga e de família que se recomendasse mas na qual toda a gente sofria de uma certa falta de parafusos... não comia nada, era um palito; se a mãe lhe desse dinheiro já sabia que ela ia gastá-lo todo em porcarias em vez de se alimentar.
 Então a senhora não foi de modas e mandou-lhe farnel para vários dias. 

Eu disse-lhe logo que não tinha nada a ver com isso, que tinha trazido dinheiro e que não ia beber o Sunquick que ela tirou do saco com ar triunfal, nem tocar naquele carregamento de Panrico, porque não tínhamos arca para manter nada fresco.

 Mas ela era mais teimosa do que eu, pôs-se a choramingar que não podia levar provas de desobediência para casa... e até ao último dia (em que no auge da exasperação, com as calças a cair-me aos pés, a barriga colada às costas e incapacitada de provar sumo concentrado ou pão de forma por muitos anos fui comprar um frango de churrasco) tive de aguentar aquela ração de combate.

 Ainda assim, fomos aos concertos. Tudo muito divertido até que a meio de uma estrofe que nunca mais me saiu da cabeça (YOU CAN´T CATCH ME. TRY TO CATCH ME IF YOU CAN!!) a multidão se entusiasmou, começou a apertar-nos contra as grades, a minha desaparafusada companheira entrou num dos seus surtos de pânico e galgou as ditas, fugindo alucinada para não mais ser vista até de manhã - catch me if you can...pois.

 Eu e a outra rapariga lançámo-nos atrás dela, cobertas por uma camada tão espessa de poeira como se tivéssemos andado a tomar banho de lama no Woodstock o que vá lá, até estava a condizer com o ambiente. Como se não a encontrássemos, fomos a correr para o duche - o cabelo parecia cimento de tão empastado-e...a água era gelada depois da meia noite. 
 Muitos gritos, maldições e espirros depois, lá nos deitámos. No recinto da festa, um metaleiro berrava para a assistência palavras inspiradoras "EEEHHH...VIVA A LIBERDADE! VAMOS BEBER!!! EU QUERO VER AQUI UMA P*** DE UMA REVOLUÇÃO" e eu a perguntar-me em que buraco tinha vindo cair...

 Na manhã seguinte disse aos meus pais que não queria ter nada a ver com tais diversões "próprias da minha idade" e que ou me vinham buscar, ou eu fugia não com uma banda, mas com o primeiro agrupamento de escuteiros ou se estivesse em maré de sorte, circo que por lá passasse - ameaça tão pouco própria de mim que só podia ser levada a sério.

 Dessa malfadada passeata só ficou uma coisa boa- o livro que comprei na loja do parque de campismo, O Diário de uma Criada de Quarto, que ainda hoje é um dos meus preferidos.

De modo que muito dificilmente me arrastam para concertos, pelo menos se não houver lugares sentados. Sou capaz de ir a uma ópera, festa, a um recital ou a um bar irlandês se for convidada por pessoas chegadas, mas prefiro as reuniões e tertúlias com certa intimidade. Desporto, só em privado. Pagar para fazer vénias a um chef de cozinha ou a um DJ famoso, nem morta.

 É muito difícil eu investir em bilhetes para isto ou aquilo - prefiro os objectos (livros, arte, roupa, sapatos) às "experiências", porque os objectos ficam e posso usá-los uma e outra vez em experiências diferentes, a meu bel talante, sem depender deste ou daquele. E quanto a experiências de grupo, estou bem vacinada, a não ser que seja um grupo de grande confiança...

  Isto para dizer que hoje vi muitos amigos meus todos entusiasmados com uma corrida colorida que cá houve e que empatou o trânsito (logo, os meus afazeres) por um bom bocado. E embora achasse graça à alegria deles, não percebi o apelo de levar com tinta em pó pela cabeça abaixo, ficar com uma aparência entre um Cristo e um figurante de The Walking Dead  para correr à chuva e ao vento com música aos berros e um brasileiro a mandá-los tirar o pé do chão. 

 Alguma piada terá, já que nem bebés que ainda não correm foram poupados à diversão, de carrinho por ali fora e a apanhar frio e tinta  literalmente na moleirinha.

 Cada um é como cada qual, lá dizia a minha avozinha...mas eu devo ser muito esquisita porque o que para alguns é divertimento, para mim é penitência. Sou do Céu, só pode.



Dica aprendam-que-eu-não-duro-sempre do dia: auto preservação.


Uma das piores coisas que se pode fazer, já o tenho dito por aqui, é não ouvir os primeiros alarmes do instinto, por mais patetas ou superficiais que pareçam. 

O instinto é um equipamento inestimável que valeu um cavalo na guerra à Humanidade desde que o Mundo é Mundo. Porém, na era da ciência, da informação facilmente disponível e comprovável e em última análise, da tolerância e da diversidade (que são coisas excelentes mas levadas ao extremo podem conduzir a que se ature, por boa educação, pessoas ou circunstâncias que de outro modo rejeitaríamos) há uma tendência, quase uma cultura, de ignorar os avisos da intuição. 


Numa época em que os perigos são menos devastadores ou pelo menos, frequentes (ou seja, não há tantos salteadores, batalhas campais ou tigres-dentes-de-sabre ao virar da esquina) o ser humano relaxou tanto, civilizou-se tanto que são precisos workshops de defesa pessoal, nos quais uma das primeiras coisas que se aprendem é saber dizer, firmemente e sem embaraço, "NÃO! NÃO! NÃO!".


E no entanto, nessas mesmas acções de sensibilização, artigos ou cursos de defesa pessoal, bate-se sempre na tecla dos pressentimentos. Se tem um mau pressentimento, obedeça-lhe para seu próprio bem.


  O medo de ofender, de parecer antipático, snobe ou pouco razoável sobrepõe-se amiúde à necessidade de auto-preservação. E isto paga-se caro - nos casos mais graves pode ser fatal e nos menos graves, causar danos emocionais ou sociais que demoram imenso a limpar e a curar. 


Insisto muito neste ponto, o que às vezes não cai bem a quem me conhece mal: é legítimo, aconselhável mesmo, ser-se selectivo.


  Há dias falei aqui nos inconvenientes de comprar calçado engraçadinho, vistoso... mas baratuxo. Podemos fazer disto uma parábola fácil de entender, que se aplica lindamente a amizades e relacionamentos mais ou menos próximos. 


 Quando vemos esses sapatos a custo irrisório, estamos cientes de que não são  grande coisa. Quem é conhecedor sabe que não há paralelo entre as marcas de confiança e certas pechinchas, por mais bonitinhas que sejam.


 Além de o material ser melhor e a execução feita para durar, um sapato bom nunca matará os pés, mesmo que seja muito alto. Pode cansar um pouco e não ser pensado para correr a maratona mas dificilmente se torna insuportável, mesmo no dia de estreia. Não causa bolhas e se o danificarmos, pode ser arranjado e fica como novo. 


Com sapatos duvidosos, isso não acontece: por mais que se mande ao sapateiro, por mais que se tente conservá-los ou melhorá-los, pôr um reforço ali, uma palmilha acolá, acabam por se estragar e magoar. 

 Duram pouco, por mais que se faça. Não têm remédio. Desfazem-se nas mãos ou neste caso, nos pés. Mau investimento.

E há alminhas que são exactamente como esses sapatos: até podem parecer interessantes, estão à mão, parece que contribuirão para a nossa felicidade, mas lá por dentro uma pessoa sabe que algo não bate certo, não é da melhor qualidade, que vai trazer problemas. 


As primeiras impressões e evidências raramente enganam; onde há fumo há fogo.




 E se se ignora essa noção, se se mandam os critérios de selecção às urtigas porque "vá-se lá rejeitar alguém  com base em suposições" acaba por se descobrir, às próprias custas, que por mais arranjos, água benta e remedeios que se tentem,  o que nasce torto nunca se endireita.

Por muito idiota que isto pareça, há que escolher companhias que sejam equivalentes aos sapatos Gucci: bonitas por fora mas sobretudo por dentro, de excelente qualidade, que não magoam e são resistentes às  agruras do dia a dia. Que em caso de azar, têm arranjo. 


 A vida é demasiado curta, demasiado preciosa, para ser ocupada com coisas reles, cansativas ou perigosas. Não há que arriscar. O barato sai caro, e o excesso de simpatia também.



Friday, April 25, 2014

A receita para a compatibilidade perfeita de um casal...



...não está, creio eu, em partilhar todos os gostos e preferências. Tão pouco nos opostos que se atraem (pois isso pode ser bom, pode ser mau...). Não, meus queridos - tenho para mim que a fórmula para uma relação à prova de bala está em partilhar as mesmas intolerâncias.

 Ora pensemos: uma pessoa consegue conviver com gostos que não aquecem nem arrefecem, porque amigo não empata amigo. Se ele gosta de Fórmula 1 e a ela tanto lhe faz, pacífico. Se ela adora ténis e a ele esse desporto lhe é indiferente, tudo bem. Não existe atrito e os gostos que tiverem em comum compensam essas diferenças.

 Mas se um é tolerante a coisas que fazem urticária ao outro...ou pior, aprecia e encoraja essas mesmas coisas que fazem urticária...não há amor que resista, principalmente se estivermos a falar de hábitos ou comportamentos fracturantes. Do amor à embirração, e daí para a aversão, é um ápice.

  Acho mesmo que se evitavam muitas relações falhadas se se substituísse, nos primeiros encontros, a pergunta da praxe "fale-me das coisas que o apaixonam" por "vamos lá ser honestos: o que é que mais detesta?" e "com que é que embirra?".

 Vá-se lá gostar de alguém que pactua com o inimigo...Credo.

"Slut shaming"...que vem a ser isso?


A expressão "slut shaming", que designa uma coisa muito grave de que milhares de mulheres são vítimas desde que o mundo é mundo, tem estado na ordem do dia numa certa imprensa internacional -  aligeirada e usada a bel  talante para designar todo o  "pecado" (leia-se opinião) entendido como anti feminista ou qualquer comentário honesto, pouco politicamente correcto, que diga basicamente "parem de se vestir e agir como umas galdérias, se faz favor".

 Mesmo quem leva as mãos à cabeça perante, por exemplo, a hipersexualização da música pop, apressa-se a justificar, numa reviravolta paranóica, que "não está a fazer slut shaming", nem a julgar (hoje em dia tem-se pavor de fazer julgamentos, publicamente pelo menos, o que é uma mania francamente hipócrita porque mais ou menos, todo o ser humano julga... além de revelar uma elasticidade moral bem dispensável...) e que não se trata de "ser púdico" - como se ter pudor, nos dias que correm, fosse motivo de vergonha.

 Está tudo ao contrário: hoje em dia não é quem vai para a rua ou aparece na televisão/redes sociais/imprensa em poses de cabaret, e muito pior, que se deve sentir envergonhado, mas quem repara ou critica. É proibido proibir, criticar, julgar ou apontar, até as coisas mais escabrosas. 


 Mesmo perante a tournée mais que escandalosa de Miley Cyrus, que faria corar Madonna nos seus tempos mais selvagens (vão ver com os vossos próprio olhos porque me recuso a colocar aqui as imagens na íntegra) haverá quem diga "isto não me parece bem...é impróprio para os adolescentes...mas não quero fazer slut shaming, porque não sou um púdico!".

 Como por um lado não me rala minimamente que digam "olha a Sissi que julga e aponta o dedo" ( pois julgar parece ser, nestes tempos de fim do mundo, uma prova de bom senso) mas por outro não me apetece elaborar o óbvio (porque quem "não vê mal nenhum" em coisas assim só pode ter uma moral a condizer com quem se põe nestes preparos, logo é tempo baldado tentar explicar o que é que está mal) deixo uma citação genial que explica lindamente onde é que está o mal de vestir e comportar-se como...bem, uma senhora que trabalha numa rua com luzes encarnadas:

Dave Chappelle
“The girl says "Oh uh-uh, wait a minute! Wait a minute! Just because I'm dressed this way does not make me a whore!" Which is true, Gentlemen, that is true. Just because they dress a certain way doesn't mean they are a certain way. Don't even forget it. But ladies, you must understand that is fucking confusing. It just is. Now that would be like me, Dave Chappelle, the comedian, walking down the street in a cop uniform. Somebody might run up on me saying, "Oh, thank God. Officer, help us! Come on. They're over here. Help us!" "Oh-hoh! Just because I'm dressed this way does not make me a police officer!" See what I mean? All right, ladies, fine. You are not a whore. But you are wearing a whore's uniform.”
― Dave Chappelle

Tudo dito....




Thursday, April 24, 2014

6 Compras por impulso que é melhor esquecer.


Quem muito arruma, muito aprende sobre si mesmo. E poucas coisas mostram, com provas e tudo, as asneiras passadas como fazer a triagem do que anda a ganhar pó. Basta um dia a separar coisas inúteis com olhos de ver para fazer o exercício "não volto a gastar dinheiro nisto". Retirei alguns itens com que concordo deste texto muito engraçado e acrescentei outros, com base no disparate próprio ou alheio:

1- Vernizes e mais vernizes

Quem é como eu, que usa só as cores básicas e pouco mais, arrisca-se a ter mesmo assim uns três cestos de vernizes esquecidos a secar, acabando por usar sempre os mesmos. E quem gosta de experimentar todas as cores do arco íris? Nem quero imaginar. Entre aqueles que não resultaram e os que estão para testar quando o rei fizer anos, as velhas estórias "foi tão baratinho", "esta é mesmo a minha cor e quase nunca encontro!" ou "desta vez é que acertei!" são responsáveis por muito dinheiro mal gasto.

Terapia de substituição:

 Tendo em conta que se trata de um produto perecível (juntar-lhe óleo de banana ou acetona nunca resulta como deve, mesmo) e que em boa verdade, os vernizes de marcas de perfumaria duram mais, é melhor gastar até ao fim o que já existe (e ainda está capaz) e a partir daí, limitar a colecção a meia dúzia de exemplares de confiança. Investir antes em bons cremes e exfoliantes também é boa ideia, porque se usam mais vezes e unhas pintadas com mãos coradas e secas...não dá.

2- Sapatos baratos

Bom, "barato" é relativo. Pares de excelente qualidade e/ou de uma marca requintada, comprados em super saldos por uma fracção do preço, não contam. Depois há aqueles sapatos de cetim/veludo para sair que foram em conta mas saíram  óptimos, são clássicos e dão sempre jeito para ocasiões especiais. Tenho uns dois ou três assim cujo molde é bom e deixam pouco a desejar aos seus parentes com mais pedigree que vivem no meu armário- afinal, calçado de tecido é quase sempre confortável mas frágil, e quanto a arranhões dos paralelos a griffe não vale de muito.

Mas em tudo o resto aplica-se a regra "um vestido modesto passa, sapatos reles jamais".

 O que se deve evitar como a peste é o calçado sintético, com mau ar, e/ou  que se compra só porque está barato e é capaz de ser divertido usar aquilo num assomo de criatividade, (pois lá no fundo a consciência avisa que em estado de sanidade nunca se vai levar tal coisa à rua). Se é demasiado alto/baixo/extravagante/arriscado/de um formato que já se sabe que não vai resultar no seu pé, se a origem/modelo/material é duvidoso, não há que arriscar.
 Caso contrário, acaba-se com estantes a abarrotar de sapatos, botas e sandálias...e nada apresentável para calçar. 

Terapia de substituição: esta é fácil de adivinhar. Basta fazer as contas para ver os pares de qualidade superior que poderia comprar, daqueles que sobrevivem a ventos e marés, se tivesse prescindido de alguns desses sapatuxos sem grande jeito a preço de banana...e de futuro, cingir-se a materiais (pele macia, tecido...) e/ou marcas fiáveis. Sempre que lhe aparecer um sapato engraçado mas suspeito, recorde que fez voto de não comprar mais coisas dessas e finja que acredita, finja, finja, até dominar a técnica. Compensa, juro.

3- Carteiras baratuxas

Idem, idem, idem. Principalmente se forem contrafeitas, que nem pensar nisso é bom. Nada destrói tão depressa um visual como uma bolsa, saco ou clutch de P.U. , poliéster e afins. Estragam-se num ápice, não devem nada à beleza...e atafulham as estantes, além de as perfumar com um cheirinho a loja dos horrores. No, no, no.

4- Tops de todos os feitios...que nunca usa
Demasiado curtos, assimétricos (um castigo para manter no lugar) com alças cruzadas que são um autêntico labirinto, demasiado compridos (que não combinam com nada), corte império (que a fazem parecer barriguda) cai cai (que passa a vida a puxar desesperadamente para cima) corpetes do tamanho errado que se cravam na cintura....os modelos simples são sempre o melhor. E a certa altura da vida, a experiência ensina-nos quais os feitios que nos ficam bem. Então qual é a necessidade de encher uma gaveta XXL com ziliões de tops e blusinhas...só para andar sempre à procura das mesmas?

Terapia de substituição: coleccionar os modelos que sabe que resultam, comprar só quando for caso de necessidade ou amor à primeira vista e lembrar-se de que precisa de espaço para arrumar os exemplares que lhe facilitam a vida. Nos saldos, fuja do expositor dos tops se não estiver mesmo a precisar de nenhum. Como são imensos, coloridos, pequenos e super baratos, parecem inofensivos. Como as plantas invasoras, lembre-se!

5-Bâtons de cores que não lembram a ninguém

Para cada mulher há uma paleta que funciona e num cenário ideal, uma rapariga sensata não se afasta muito dela. Mas as marcas de maquilhagem, como se não bastasse o stock que todas temos de renovar de tempos a tempos, inventam constantemente o novo bâton sensação sem o qual não se vive - mesmo que seja roxo-irisado. E quando vai a ver, o seu toucador parece um balcão da Sephora em liquidação selvagem, para além de haver cores que não confessa a ninguém ou só usa no Carnaval para pintar a cara ao seu sobrinho... e uns quantos tubinhos rançosos.

Terapia de substituição: já que as tentações são muitas, canalizem-se os impulsos para comprar mais exemplares das cores preferidas. Ora porque são descontinuadas, ora porque aquele tom é difícil de encontrar ou porque passa a vida a deixar bâtons em todo o lado, há sempre uma desculpa para trazer mais um para casa...ao menos esses, sabe que os gasta até ao fim. Espero.


6- Pijamas giros...mas pouco práticos
Cito muitas vezes aquela expressão francesa "nunca durma com um pijama feio, porque pode precisar de ser salva pelos bombeiros a meio da noite" e quem diz bombeiros diz a polícia ou os paramédicos, lagarto lagarto. Por isso, convém ter uma colecção decente para o dia a dia (neste caso, noite) e umas quantas roupas de dormir para ocasiões especiais.
 Mas sejamos francas, de quantos mini pijamas daqueles que não são lingerie nem são pijamas, antes tofu, super apertadinhos, com cava americana, calçõezinhos desconfortáveis, alças fininhas que magoam os ombros ou decotes esquisitos é que precisa? Quantas vezes por ano é que usa aquelas peças semi transparentes de musselina (ser salva pelo INEM nesses preparos deve ser lindo, deve) e minúsculas que teimam em encravar as gavetas (true story)?

Terapia de substituição: A regra de ouro é que qualquer roupa de noite, mesmo a de seda ou de renda (que digo eu? principalmente a de seda ou de renda, e convém que seja mesmo seda, sempre que possível) deve ser confortável. Ou seja, não pode cortar a circulação, sair do sítio nem subir pelo pescoço estrangulando-a a meio da noite (caso em que nem o mais competente dos tinonis nem o mais bonito dos pijamas valeriam de muito).

 Arranje-se um sortido de pijamas, conjuntos e/ou camisas de dormir simples, folgados q.b e bonitos em algodão, turco e cetim versão Verão e Inverno para todas as noites, mais uns negligées de seda com rendas suaves ao toque para as ocasiões românticas (ou se vai ter amigas em casa a fazer sessões de manicura e pipocas como nos tempos do liceu) e mais umas quantas peças de lingerie de confiança, isto acompanhado de robes de chambre (os orientais forrados, à antiga, são fantásticos) a condizer com tudo...e basta para todas as eventualidades.



Tralha que remédio, todas temos, mas seja tralha de qualidade e com préstimo...

É evidente que este senhor é vidente.


Sem que ninguém lhe tivesse encomendado o sermão, há um tal Chris que começou a
 enviar-me e-mails a publicitar os seus serviços de ler a sina, traçar horóscopos e mudar a minha vida com um passe de mágica. Vem bem aviado, o ingénuo....

 Pois bem, todos os santos dias recebo uma missiva que reza, em letras garrafais "A RESPOSTA, SISSI, É SIM"- porque nada convence tão depressa as pessoas como 
dizer-lhes o que elas querem ouvir, não é?
  Quer-me parecer, porém,  que o vidente Chris não sabe do seu ofício.

Para começo de conversa (olhem para mim, a falar para um bruxo de SPAM que nem sequer existe...e o doido é o bruxo, pois; adiante!) Chris é lá nome de bruxo que se preze!

Mal vão  tempos se os adivinhões agora se chamam Zé, Osvaldo e Rúben, como qualquer bancário, padeiro ou barman. Um bruxo decente tem de ter um nome assustador e exótico, como Aleister, Rasputine, Besta 666, Alexander, Madame Isto ou Aquilo, Mestre não sei quê ou o Grande Qualquer Coisa. Senão não tem nenhuma credibilidade. Nem piada. Vá-se lá dizer com ar de mistério " fui ao Chris saber o meu destino!" ou "ai que o Chris disse que eu estou cheia de mau olhado!". Acreditariam se uma amiga vossa vos contasse, toda chorosa, "o Chris diz que o meu marido foi embruxado por uma brasileira que faz dança no varão?". Eu cá não. Há que fazer as coisas com a dignidade que lhes compete, ou não as fazer de todo.

 Depois, apesar de me interessar pelo tema, como me interesso por outros (e se os Medici que eram os Medici e os Valois que eram os Valois recorriam a serviços destes quem sou eu para dizer que não quero saber do meu futuro para coisa nenhuma, não gosto de deixar nas mãos e na bola de cristal dos outros o que só a mim concerne mas sabe-se lá o dia de amanhã, pode dar-me para isso por carolice) estou longe de ser supersticiosa ou crédula. 

Mas mesmo que fosse...não era por me dizerem "A RESPOSTA, SISSI, É SIM" que me convenciam a contratá-los. Senão, reparem. A resposta é sim? Mau, Maria. Sim a quê?
 Sim, vai-me sair a sorte grande ou sim, será que chego lá fora e tenho algum mau encontro daqueles de me deixar indisposta para o resto do dia? Sim, as coisas vão correr à tua maneira ou sim, podes crer que ainda hoje escorregas numa casca de banana e nem a alma se te aproveita?

 Já não se fazem videntes dos antigos. Sim, Chris, vais parar à minha caixa de SPAM. Alguém te perguntou alguma coisa?

Isto parece a imprensa do Faroeste.



Ou, se eu quiser ser mais complacente com tanto ridículo, da Inglaterra vitoriana ou da Chicago dos anos 20. 

Repito que sou algo distraída no que toca a notícias, sensacionalistas de mais a mais,  por isso os ecos dos homicídios em S. João da Pesqueira chegaram-me só vagamente aos ouvidos.

 Eis que começo a ver, espalhadas de forma alarmante pelas redes sociais, manchetes sobre um "monstro" sem que explicassem lá muito bem que monstro era esse. O de Loch Ness? O Big Foot? O das bolachas? Demorei um bocado a perceber de que história de faca e alguidar se tratava, e se me dei ao trabalho de procurar foi porque me pareceu caricato, no mínimo, que o uso de pôr alcunhas sugestivas, à filme, a criminosos procurados voltasse a estar na berra entre os nossos jornalistas.

 Que algo ainda me surpreenda nos hábitos de certa Informação nacional só prova que vivo numa candura incurável de acreditar em unicórnios, elfozinhos e pais natais: de erros de português a expressões brejeiras passando por pivots de mini saia, tem-se visto de tudo no firme propósito de deseducar o povão.

 Mas isto é, como diz o dito, uma verdadeira cóboiada. Deu-lhes para a comédia, agora, como se os palhaços não tivessem falta de colocação e precisassem de concorrência.


Wednesday, April 23, 2014

Shakira é um bifidus activo, ou coisa que o valha.


Ainda gostava que me explicassem a relação entre celebridades e a publicidade a iogurtes que fazem bem (dizem eles) à barriga.

Porque das duas, uma: ou essas marcas de lacticínios pagam somas principescas, astronómicas, assombrosas (o que explicaria que caras conhecidas que não têm ar de precisar de dinheiro se sujeitem a fazer anúncios parvos que declaram ao mundo a regularidade, ou falta dela, de um "trânsito" que mais engarrafado ou menos só diz respeito a cada um) ou têm muitos, muitos problemas digestivos - o jet lag, o stress, a vida de sex, drugs & rock & roll são capazes de complicar o organismo -  e por isso sentem para com os tais iogurtes uma dívida de gratidão. Só pode.


 E Shakira, bem conhecida pelas acrobacias abdominais, é a última famosa a render-se à propaganda dos ventres felizes. Juro que ainda fui procurar a versão espanhola, a ver se falavam em "la tripa" - isso seria giro - mas parece que não.


 Ora bem, no dito spot ficamos a saber que os bifidus activos (bichos activos seria um nome mais apropriado) que aqui receberam o título ainda mais pomposo de DanRegularis (nada mau para um probiótico, fermento ou lá que vem a ser o microorganismo saltitante em causa) são estrelinhas que chegam à barriga de quem consome a saudável iguaria, e que a barriga de uma pessoa é um vale encantado. Uma vez lá dentro, aprende-se que os microorganismos que fazem bem à tripita, já que fiquei com a ideia do espanhol continuemos, são mini Shakiras aos pulos e a fazer a dança do ventre com grande entusiasmo. Quem diria que uma levedura seria tão...glam?


 Até aí tudo bem, não é por isso que me convencem a comer uma coisa que a comunidade científica parece que diz que é como o Melhoral, nem faz bem nem faz mal mas pronto, cantem para aí la la la à vontade. 


 Mas depois vem a cereja em cima do bolo, aliás, da taça de iogurte: comam isto porque tem DanRegularis que chegam vivos à vossa flora intestinal!


Assim, como quem diz "que festa!".


Esperem lá- chegam VIVOS? Ok, uma pessoa já sabe, mas dito assim é um bocado gráfico. Eu lá quero bichos vivos às voltas cá por dentro, a fazer sabe-se lá o quê. E a cantar músicas da Shakira, ainda por cima. A Suerte e a Tortura ainda aguento, mas há limites.


Não sei o que aconteceu ao bom e velho pequeno almoço com sumo de laranja e café para assegurar um curso do dia normal. Ao menos não há cá pulos nem cantorias. Agora até as barrigas têm de mostrar o seu talento. Só faltava esta.


Pessoas demasiado amorosas para ser verdade...

Liz Taylor e Richard Burton, "The taming of the Shrew"


...que simultaneamente são as que mais arreliam e tiram um Cristão do sério. Isto é que é uma situação!

 Não há coisa mais borderline. É do estilo"o que você merecia era um par de bananos, mas quem é que consegue bater nessa cara fofa?" e o sentimento é mútuo. Perante o espanto da assistência, que abana a cabeça e diz "acabem lá com isso, que já se sabe que não passam um sem o outro". 

Bem que na vida podia ser tudo preto ou branco; era mais simples se as criaturas mais adoráveis, mais perfeitas, não fossem tão chatas por vezes. 

Rir da desgraça alheia?mmmm...se calhar não.


Vieram dizer-me, muito divertidos, que uma criatura cá das minhas antipatias (e com boas, ou péssimas, razões...) feia de caricatura, daquela fealdade que é irremediável por ser acompanhada de olhos de tubarão sem expressão nenhuma, de uma maldade e de uma grandessíssima falta de noção que advêm claramente de parafusos totalmente soltos... se pôs numas figuras de morrer a rir.

É que pobre coitada julga-se bonita, apesar de se parecer com uma gárgula do Corcunda de Notre Dame, o que gera não poucos constrangimentos quando se lembra de legendar certos retratos, em que parece que se pôs feia de propósito, como "linda!". Como ninguém a elogia ela trata do assunto, pois então.


Presunção e agua benta...


É curioso, e já o tenho dito por aqui, que muito raramente alguém bate de frente comigo (apesar da minha maneira algo mordaz de opinar sobre as coisas, respeito toda a gente e sou dada à paz...) mas das vezes que isso aconteceu, foi sempre por pessoas feiinhas de meter dó, estilo carantonha do Entrudo. Vá-se lá saber porquê! A minha teoria é que as pessoas normais andam muito ocupadas lá na sua vida, e as pessoas bonitas (ou porque são mesmo bonitas, ou porque são bonitas por dentro e isso fá-las bonitas por fora) andam entretidas a ser amadas e felizes, ou a embelezar-se, que isso de manter o que Deus dá exige algum trabalho, e não têm tempo para aborrecer ninguém.


 Enfim, contaram-me isso julgando dar-me uma alegriazinha perversa, já que gosto bastante de rir e não perco a oportunidade de brincar com as almas sem sentido do ridículo. Lá dizia o poeta, a única vantagem do mau gosto é o prazer de troçarmos dele!


 Pois bem, olhem que não quis saber, nem ver, nem dar tempo ao assunto. "Concentrem-se nas coisas belas!" - respondi-lhes. É que são tantas, e já se perdeu tanto tempo com coisas desagradáveis.

 Há seres demasiado tristes para que uma pessoa se vingue ou gaste tempo a fazer pouco, por mais que tenha bons motivos...ser-se tão desgraçado já é castigo que chegue.

  Não é bom demorar-se mais do que o estritamente necessário a pensar naquilo que incomoda. Desvie-se antes a mente para algo de maravilhoso, que obrigue inevitavelmente a sorrir, como na Música no Coração:



I simply remember my favourite things and then I don't feel so bad!

Viaje-se interiormente, a todo o custo, para um lugar feliz, nem que seja pensando numa coisa superficial ou insignificante. Sei lá, sapatos e roupas de griffe; o gato lá de casa, tão fofinho; os olhos meigos, a cara linda e aquele sorriso da pessoa amada; um momento alegre da última festa; certa cena da infância que nos faz sempre rir...


 É que a fealdade pega-se, mas as coisas boas atraem mais coisas boas...eu cá acredito nisso.



Isto não é para senhoras. Faz corar, literalmente.





Quem tem a cortesia de passar por aqui a ler os meus devaneios e me vai conhecendo, já sabe que eu acompanho as Modas &Elegâncias, vou dando conta das novidades que me interessam e que me parecem que podem interessar-vos também, mas que no que toca a moda e beleza sou de gostos clássicos, prefiro as coisas com provas dadas,  tried and true, pouca modernice se faz favor

Ou novidades só nas doses certas, para alegrar um bocadinho e refrescar o visual. Sigo as tendências de uma maneira muito geral, de modo a tirar partido das coisas que tenho com novas formas de styling e a fazer compras conscientes, mas raramente me foco num produto específico - a não ser que haja um que vá completamente ao encontro dos meus gostos e das peças que colecciono por já saber que me ficam bem. 

 Mas dificilmente me verão aos pulinhos e guinchinhos por causa de nada, que não sou dada a fanicos, quanto mais à conta da última it bag (haja paciência para acompanhar o ritmo desses "it" que são esquecidos à mesma velocidade) do mais recente statement qualquer coisa, do acessório do momento. E quanto ao último-produto-de-beleza-milagroso...a não ser que supra uma necessidade (caso do bâton laranja, embora não adoptasse nenhum específico)  só reparo nessas descobertas de que toda a gente fala por mero acaso.

 De modo que fiquei admiradíssima ao descobrir, neste artigo sobre as novas peças de culto, que agora não só os blushes foram elevados ao estatuto de "it blush"(say what?) como este abaixo, por acaso muito engraçado mas já lá vamos, é o produto do momento, com um nome super malcriado.  Se ainda não sabem, vão lá ver. E já existe a versão super, super malcriada.  O que as marcas não fazem para gerar buzz e vender um produto de beleza que nem pãezinhos quentes!

 Tudo bem, não é nada do outro mundo, estamos no século XXI, etc, etc, mas imaginem-se numa festa respeitável e a tia do vosso namorado, uma senhora toda conservadora, virar-se para vocês e perguntar "que lindo blush que a menina tem! qual é?" e vocês a dizerem que têm isso na cara? É de fazer, literalmente, corar a mais afoita. 

Já vos contei que com a minha pele pálida, tenho sempre cautelas dobradas com o rouge (lá se dizia antigamente, "uma senhora não usa rouge") e este por acaso até é um dos tons que aprecio, assim nacarado e luminoso. Mas nunca me apanham com uma brejeirice dessas nas maçãs do rosto. Há que ter um bocadinho de vergonha no dito, eu acho...





Tuesday, April 22, 2014

De fazer chorar as pedras.


Há uns quantos aspectos em que não correspondo ao estereótipo feminino: uma delas é a minha impaciência para prolongar as compras ad aeternum, outra é a dificuldade em me comover até às lágrimas com as notícias, ou com filmes, canções e livros. 
Pôr-me a chorar não é tarefa fácil- e ainda bem, porque raramente choro mas quando choro estou como o outro do Amor de Perdição, sou um chafariz. 

 Depois há certas coisas-que-me-lembram-cá-de-coisas, ou que fazem vibrar uma cordinha interior por nenhum motivo especial, e que não consigo ler, ouvir ou ver porque choramingo mesmo, não consigo evitar.

 O meu irmão, que anda muito em contacto com a parcela de sangue espanhol que nos corre nas veias, lembrou-se de começar a ouvir esta cantora extrordinária;  e como gosta de pôr a música alto, eu que andava no andar de cima nos meus afazeres não pude impedir que as notas e as palavras me chegassem. Não se faz isto à minha pessoa. Já tenho dito que não sou exactamente uma romântica no sentido convencional do termo - velinhas e ursinhos e coraçõezinhos - mas enfim, a genética manda e pode e quanto às ideias de romantismo e ultra romantismo de outros tempos, bem.... 

Depois, fui educada na filosofia "uma mulher nunca se desmancha nem perde o seu tempo com quem não presta", logo não me posso identificar com a protagonista da canção, que diz mais ou menos "volta a qualquer preço, meu querido";  só que enfim, uma coisa é o que uma mulher faz, outra é o que vai lá por dentro.

 E pronto, não aguento cantigas de amor desesperado entoadas com tanta expressão, com tanta intensidade. Tive de pedir que se baixasse a música, porque não gosto de esborratar a pintura...oh sorte!

Horas que pasan con la agonía de una muerte lenta / vuelve el silencio a vestirme de oro mi santo / vuelve el recuerdo de mis abuelas a hacerme fuerte en la espera  / Ay si tu volvieras...
Si tu volvieras te vestiría de oro mi santo / callaría las cosas para que tu puedas oír mi canto desesperado...

                                           



Monday, April 21, 2014

Amor secreto?


   "Já, porém, no tempo de Aristóteles, 
se afirmava que 
amor e fumo não se escondem..."

                                            Eça de Queiroz, in José Matias ("Contos")


Que é assim como quem diz, yeah, right

Alguém acuda ao Príncipe George!



Acho que uma bruxa má transformou o pobre principezinho num koala e nem os pais deram por nada. Continua giro (e bochechudo) mas é capaz de ser um pouco complicado levá-lo para casa nestes preparos. Assim de repente isto lembra-me um conto das 1001 Noites que já não leio há muito tempo. É bom que a Fada Madrinha esteja incluída na entourage, para eventualidades destas... "desencantos portáteis em caso de emergência".


Fantasmas da Ópera há muitos...mas a Christine Daaé existiu mesmo.


A História d´O Fantasma da Ópera (originalmente uma novela de Gaston Leroux, supostamente baseada em eventos reais) sempre me fascinou: tem o terrorzinho, o romance obsessivo de faca e alguidar,  passa-se numa das minhas épocas preferidas - e em Paris, o melhor lugar para a viver  intensamente - além de possuir todo o ambiente, já de si fantasmagórico, dos bastidores do teatro. 

Depois, simpatizo com as angústias da pobre protagonista, a bela e ingénua Christine Daaé.


Eis uma rapariga sonhadora que só deseja cantar sossegada e pensar em fadinhas e unicórnios, ou antes Anjos da Música, mas acaba dividida entre um visconde aparentemente perfeito que a quer resguardar do perigo mesmo que isso implique limitar-lhe a autodeterminação, num complexo possessivo de Cavaleiro Andante ...e um fantasma sedutor, mas malvado, que por mais que a ame não pode garantir que não a vai magoar nem 
destruir-lhe a vida. O género de bad boy dominador que tem boas intenções mas zero auto-domínio, um psicopata daqueles que dizem "adoro-te, não sou má pessoa, mas tenho assim uns momentos..."- obrigadinha!


Eis o caso clássico de escolher o fogo ou a frigideira (sendo verdade que os romances mornos não têm graça nenhuma, mas haja meio termo...).

Embora nenhum deles seja assim tão mau rapaz, os ciúmes acabam por levar a melhor e (aqui não há muito que tirar de um para pôr no outro) pelo bem que lhe querem, até os olhos lhe tiram



 Algumas mulheres têm pontaria para situações destas; são propensas a sofrer de Síndroma de Estocolmo, não importa para que lado se virem. Lá disse a Baronesa de Staal, "a liberdade é incompatível com o amor; um amante verdadeiro é sempre um escravo".




 Em relação ao musical em si, não poderei dizer tanto: tem temas e momentos lindíssimos, mas é um pouco doce e monótono para meu gosto. Sinto sempre vontade de cortar aqui, abreviar ali, porque a densidade da história se perde com tanto arrastar e repetição. Opiniões de quem prefere ópera, ou rock opera, aos típicos musicais da Broadway.
 Gostei mais de ver o filme de 2004 em casa, onde posso passar adiante as partes que me interessam menos, do que no cinema, onde já estava desesperada porque o romance não atava nem desatava, Anjo da Música para trás e para a frente e a Christine sempre à beira do chilique...


 A voz de Gerard Butler não será perfeita, mas é competente e como o casting foi supervisionado pelo próprio compositor, nada a dizer. De resto, tem a sensualidade e masculinidade necessárias para que se acredite ser capaz de hipnotizar uma mulher apesar das suas maneiras assustadoras e maldades. O figurino e a caracterização são extraordinários. Daria sei lá o quê para deitar a mão àquele guarda roupa. 
  Já a versão de Dario Argento, acima (sem música, mas com bastante suspense, uma atmosfera tétrica e uma aproximação crua à voluptuosidade que noutras produções é só sugerida) conquistou-me por ser honesta, sem rodeios - o Fantasma é um homem obcecado que quer tomar posse completa de Christine, ponto - e por ter Julian Sands, um dos meus poucos amores platónicos, no papel principal. Sem cicatrizes, mas mau como as cobras.

 Um detalhe menos conhecido é que a personagem da soprano sueca Christine foi, dizem, mesmo baseada numa bonita soprano sueca do mesmo nome, que fez muito sucesso naquele tempo: Christina Nilsson, que assinava Christine.

Infelizmente, ao contrário de outras cantoras suas contemporâneas, Mlle. Nilsson não deixou nenhum registo da sua voz, que era descrita como angelical e brilhante. Era tão famosa que Leo Tolstoy a mencionou na sua obra imortal, Anna Karenina.
Christina pintada por Alexandre Cabanel, o pintor prefrido de Napoleão III

  Filha de camponeses, aprendeu a tocar violino e flauta sozinha, recebendo mais tarde educação formal em Paris.
 Após uma carreira fulgurante, casou e enviuvou duas vezes: da primeira com um banqueiro, da segunda com o Conde Angel Ramon Maria Vallejo y Miranda, passando a ser conhecida como Condessa de Casa Miranda. A ordem dos factos torna difícil de crer que precisasse de fugir ao Fantasma para ficar com o seu amado, mas nunca saberemos. A vida real ultrapassa muitas vezes a ficção, e já tenho visto coisas menos extraordinárias...










Sunday, April 20, 2014

Consideração do dia: será isto estar com a Revolução?


De um momento para o outro, todos os amigos com quem eu partilhava a rede móvel estão a mudar-se para o MEO. E há semanas a fio que os senhores do dito cujo me andam a doutrinar, literalmente doutrinar, para aderir também. Cheguei a mandá-los dar uma volta, que não me maçassem mais porque eu não queria mudar de rede coisíssima nenhuma, mas a propaganda não me largou.
 Entretanto tive de ir pessoalmente ao balcão deles e o rapaz simpático que me resolveu o problema no telefone, todo ele sorrisos e mesuras, lá me explicou que afinal a "mudança" terá as suas vantagens. Só faltou cantar-me a cantiguinha do José Mário Branco, se todo o mundo é composto de mudança, porque não muda a menina também? 
 E isto parece-se cada vez mais com uma revolução, em que se está contra a revolução e com o povo ou contra a revolução e contra o povo, nem mais nem menos.
 Se calhar, por uma vez vou seguir o povo unido que saiu à rua e revolucionar tudo. Andar sempre a contrariar as massas, cansa. Se não os podes vencer...já se sabe.

Benfiquistas, festejem para aí à vontade...


...façam a festa, deitem os foguetes e apanhem as canas, aborreçam o pobrezito do Marquês com cornetas e bandeirinhas que eu não me ralo nada. Tenho mais simpatia por outro clube, mas como não sou fã de futebol tanto me faz e gosto de ver gente contente, mesmo achando que o Domingo de Páscoa não será o mais adequado para berreiro e borracheira na rua (é festa, sim, mas calma). Façam é favor de não deitar os tais foguetes junto aos pés de quem passa a caminho da Missa, e já aborrecida por ter dado cabo do salto de um par Daqueles Sapatos de verniz, novinho em folha ainda por cima. Quase saltei fora da pele com o estoiro do petardo, coisa que apesar de ser perigosa até levava na brincadeira se já não estivesse mais enfadada que um peru, com uma disposição nada Cristã.

Sabem aqueles artigos que se desfazem em louvores à Duquesa porque Her Royal Highness, tão poupadinha, usa os mesmos pumps nude há três anos, sabem? Mmmm, lamento desapontar-vos mas acredito que, muito sensatamente, tenha comprado uma data deles todos iguais para parecer que são sempre os mesmos e que os conserva impecáveis.

Relações Públicas, mais nada...são sapatos de boa qualidade mas já calcei coisas mais resistentes. Felizmente não são as notícias que me levam a comprar isto ou aquilo, mas fica o aviso para quem vai a correr pensando que pode calcorrear sete léguas e calçá-los outra vez como se nada fosse. Coisas bege de verniz são o que são, está visto - riscam.
 Não há direito que uma pessoa, sem se encostar a nada, manche a superfície de um belo sapato como se fosse assim uma coisita da lojinha Moda China.
 Amanhã lá vou pedir ao meu maravilhoso sapateiro que me acuda, que aquelas mãos valem ouro. Deus mo conserve, que já não se pode confiar em etiquetas.

O meu instante favorito de Páscoa, que serve de voto e tudo: Hosanna!


Bom, tecnicamente a canção diz respeito ao Domingo de Ramos, mas acho-a tão vibrante, triunfal e poderosa que não podia ter mais a ver com o espírito do Domingo de Páscoa. Hosana - salva-nos, liberta-nos, imploramos, ou Salvador, vem em nosso auxílio, Tu que estás nas Alturas. Claro que como sempre acreditei que em equipa que ganha não se toca só consigo ouvi-la, bem como ao resto da banda sonora, com o elenco do filme - Ted Neeley como Jesus, Kurt Yahjian como Anás e Bob Bingham a fazer um belíssimo genro deste, o malvado Caifás. Eram todos tão talentosos, jovens e bonitos, e a trilha é absolutamente perfeita.



                                                            There is not one of you 
                                                          Who can not win the kingdom. 
                                                             The slow, the suffering, 
                                                                The quick, the dead.
 


 Esta época é, desde a noite dos tempos, ideal para pedir renovação, para começar de novo, para tornar tudo belo outra vez. É uma nova oportunidade. 
 E é isto que vos desejo, gente fofa e respeitável. Ide com Deus, ide, saborear os doces.

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