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Saturday, May 24, 2014

Verdade indiscutível do dia: esta vai para vós, cavalheiros.


Um fato, por muito bonito que seja, encomendado por medida em Milão ou Savile Row, não faz o cavalheiro, porque um cavalheiro não deixa de o ser mesmo que esteja ocasionalmente de t-shirt, com um casaco amarrotado, que tenha ganho alguma barriguinha, ou vá, que se tenha excedido e bebido um bocadinho demais. Isso vem de dentro, da educação, do background, da atitude, do saber estar, de uma certa distinção natural. Como dizia um novo rico num romance de Octave Mirbeau "por mais que faça, tenho sempre o aspecto de um labrego!". Milagres só Deus e quanto ao ar com que se nasceu pouco há a fazer, mas ao menos que seja um mau ar muito bem encadernado.

Claro que muitas mulheres estão tão pouco acostumadas a ver um cavalheiro bem vestido que tanto se lhes dá se o fato é bom, ou sintético, ou adequado- verdade, tudo verdade.

 Mas isso não é desculpa. Os homens de hoje, há imensos assim, são capazes de investir um balúrdio num telefone, numa engenhoca, numa viagem da moda, num carrão vistoso...e chegada a ocasião, compram a primeira fatiota que aparece no centro comercial, acompanhada de uma gravatinha de poliéster garrida. Se preciso for, até escolhem para um evento um fato claro mais adequado a trabalhar num banco. Chegada a hora não têm uma roupinha que se diga benza-te Deus. E se a menina que os acompanha tiver a mínima noção dessas coisas, se for um bocadinho exigente, passa uma vergonhaça. 

  O hábito não faz o monge, mas a cultura do hábito ajuda. A quem conhece, dispõe bem; a quem desconhece, a impressão passa na mesma, insensivelmente. 
Se muitos se afirmassem mais por aí, fariam mais pela sua auto estima do que tomando suplementos enjoativos para ganhar músculos.



Animais...eles?


Toda a vida ouvi dizer que com brutos não se pode ser demasiado delicado, porque a agressividade é a única linguagem que entendem. Tudo o resto não lhes diz respeito, 
passa-lhes ao lado ou é tomado por fraqueza.
 Por isso, eu que nem defendo certo tipo de linguagem, acho genial esta campanha que vem tratar quem abandona animais domésticos nos merecidos termos. Se a bem não se agitam consciências, então que seja com um safanão: há que ter em mente a máxima do tio Maquiavel, o bem sempre que possível e o mal sempre que necessário...
  Só acho incrível que estes spots protagonizados por Rita Blanco, Manuel Marques e Cláudia Cadima não andem por aí nas bocas do mundo e em todos os jornais. Urge partilhar isto. Terá decerto mais efeito do que muitas coisas fofinhas que andam por aí nas redes sociais, com a legenda pirosa "quem não partilha não tem coração".
 E sempre se insulta do piorio a bicharada que é capaz de uma crueldade destas. 




Friday, May 23, 2014

Está num dia " ai que eu engordei"? Disfarce.



Nenhuma mulher, por mais magra, elegante e linda que seja, está livre de dias não

 Tão pouco há silhuetas infalíveis: ou porque as oscilações hormonais acontecem a todas (fazendo com que o vestido experimentado na véspera já não resulte tão bem) ou porque se exagerou na ginástica e os músculos incharam (como em tudo na vida, as coisas às vezes ficam feias antes do resultado final) ou porque algo provocou retenção de líquidos, ou porque... enfim, houve grande comezaina, grande gulodice, a vida são dois dias e ninguém é de ferro. 

Chama-se a isso condição humana e não vale a pena fazer caso. 

Com os devidos cuidados tudo volta ao normal em menos de um fósforo mas não há necessidade de sofrer enquanto espera, muito menos de que alguém dê por isso e saiba que está aborrecida com o assunto ou -o diabo seja cego, surdo e mudo - tenha a desfaçatez de sugerir que a menina engordou.

 Já tenho dito por aqui: as mulheres mais elegantes não são uns exterminadores implacáveis: conhecem-se é muito bem, sabem o que as favorece e o que devem evitar, principalmente nos dias...bom, menos fantásticos. 

 Aqui ficam alguns truques para que nenhuma alma sonhe o que se passa consigo. Afinal, uma senhora é uma senhora em todas as ocasiões e nunca engorda - fica é com melhor cara, capisce?

1- Preparação psicológica
Não diga nada. Cale-se bem caladinha e nem lhe passe pela cabeça comentar com os colegas que se sente mais gorda, à espera que lhe digam o contrário. Primeiro, porque é feio pedinchar elogios; segundo, porque os outros têm mais que fazer e repito, ninguém tem nada com isso; e terceiro, porque alguém se pode lembrar de ser sincero (ou pior, invejoso/mauzinho) e confirmar os seus piores receios. Não precisa de voltar para casa com a telha, pois não? Pior do que temporariamente rechonchuda só rechonchuda, triste E chata. Seja discreta, que há-de sobreviver.

2- Não invente
Nestes dias não é boa ideia experimentar novidades. Uma mulher prevenida, organizada e que se conheça tem sempre à mão as sua toilettes à prova de bala. Ou seja, aquelas que se podem vestir às escuras e já se sabe que resultam sem complicações. Se ainda não descobriu as suas, faça esse favor a si mesma - dou algumas pistas abaixo, mas é sempre bom ter em conta o tipo de corpo que se tem. As roupas que funcionam para o seu biótipo raramente falham, mesmo com ligeiras oscilações de peso.

3- Não abuse da sorte
Regra de ouro: quem se sente inchada não está à vontade, logo este não é o dia para usar visuais que a desafiem ou que realcem zonas "sensíveis". 

   Evite roupa que a faça sentir desconfortável, como collants extra apertados e brilhantes (que NUNCA são boa ideia) calções que apertem as coxas (idem, mas nestes dias, pior) saias pelo joelho que sobem quando se senta ou tecidos finos e moles que saiam do lugar e que se colem ao corpo.

Se tende a aumentar de volume nas pernas, esqueça as peças curtas e os botins justos no tornozelo; se os glúteos a preocupam, escolha umas calças um bocadinho mais soltas e caso o estômago não esteja tão liso como habitualmente, nem pense em espremer-se numa t-shirt que a obrigue a suster a respiração todo o dia. Encolher a barriga é um dos melhores exercícios abdominais que se pode fazer, óbvio, mas não é preciso que ninguém note!

 Equilibrar-se nuns saltos gigantescos também está fora de questão: se já viu na rua senhoras gorduchas com vestidos acima do joelho e grandes sapatões sabe tão bem como eu que isso não disfarça nada. Além disso, se sentir as pernas pesadas o sofrimento vai ser muito maior.

No entanto túnicas XL, balandraus e roupa largueirona também não são opção: vão dar demasiado nas vistas e fazê-la maior do que realmente está.

4- Toilettes e peças que não comprometem, para todas as silhuetas:

- Camisa branca de algodão ligeiramente folgada por dentro de uns jeans de confiança (cintura alta q.b e ganga suave) ou de calças clássicas, bem forradas, de tecido fresco e espesso o suficiente para não marcar nada.

- Vestidos estruturados qb, abaixo do joelho, de tecido consistente e - a panaceia das panaceias - com manga a 3/4: não apertam, não sobem, não aborrecem e favorecem curvas de todos os tamanhos.

- Evite os tecidos fluidos e as saias rodadas sem corte, que se colam às coxas.

- Uma t-shirt de manga pelo cotovelo ou comprida, ligeiramente decotada, ou um pólo de senhora justinho, mas não apertado. Coordenar com jeans fiáveis, calças chino ou uma saia - lápis, de balão ou linha A, mas sempre de tecido com boa caída, que não revele a roupa interior nem se agarre à pele!

- Tons escuros e lisos são sempre uma escolha acertada (quanto pior se sente, mais discreta convém que esteja) mas evite, mais do que nunca, lycras e outros tecidos sintéticos. Se usar duas cores, reserve a mais escura para a zona que quer atenuar

- O decote é quase sempre uma área segura, por isso pode optar por destacar o colo sem exageros, mantendo o resto da toilette simples e neutra.

- Escolha sapatos, sandálias ou botas sem fecho (que não comprimam a perna) com um salto de espessura média nem demasiado alto, nem demasiado baixo que dê suporte e empurre coxas, glúteos e ombros para o lugar certo.
  Rasos não vão dar a elegância necessária (deixe-os para os dias em que se sente leve e magrinha) mas por outro lado,  tropeçar em tacões altos é pior a emenda que o soneto. E lembre-se, nada de tiras fininhas e apertadas.

- Por cima de tudo, um bom trench coat que dá aquele je ne sais quoi ao visual mais aborrecido. 

- Aproveite estes dias para inovar menos nas peças e mais nos acessórios: muita bijuteria é de evitar (principalmente se engorda nos pulsos ou na zona do rosto) mas pode brincar com os lenços, carteiras e sapatos coloridos que tem tido preguiça de levar à rua.


E lembre-se, se estiver bem vestida, penteada e com o rosto tratado, ninguém dará por esses centímetros que só você sabe que existem. Bonne chance!








Semanas depois continuo a não perceber isso da Conchita, ou Conchito.


O que não deixa de ser curioso, porque antes da Eurovisão eu andava a brincar que era uma pena não ter Conceição no nome como as minhas avós e bisavós, porque assim podiam tratar-me por Conchita. Sissi Conchita não sei se combinaria a não ser que eu pretendesse uma carreira na comédia mas pronto, ainda bem que assim não foi porque agora havia de ouvir das boas.

 Esquecendo este aparte, só agora - para comentar com algum conhecimento de causa - ouvi a tal Conchita, ou Conchito. 

Não andei a investigar a orientação sexual da pessoa, se gosta de se vestir com roupa de senhora por carolice ou se pretende fazer isso a tempo inteiro. Não interessa. Também não vem ao caso se a canção seria a melhor do Festival (já lá ouvi pior, já lá ouvi melhor - ou com mais piada) como esta, esta ou esta, porque apesar de todo o freakshow ainda vão aparecendo coisas engraçadas que eu só venho a conhecer mais tarde via Youtube.

 Aqui só me importam dois pontos: primeiro, se um artista entende que se há-de vestir de senhora não é preciso virem com o discurso politicamente correcto dos direitos que concernem à vida amorosa ou à identidade sexual de cada um - há lugares e ocasiões mais adequados para debater isso e um homem com barba a usar vestido é só isso, um homem com barba, bem apessoado e razoavelmente maquilhado por sinal, que está a fazer o seu espectáculo. Trazerem para cá bandeiras, panfletos e coisas sérias a propósito disso (quando até há uma data de anos foi mesmo um transsexual a ganhar a Eurovisão) é no mínimo uma tolice.

 Segundo, onde é que está a novidade? Tim Curry já o tinha feito, brilhantemente aliás, nos anos 70. 



Não tinha barba, certo, mas cantava aos quatro ventos que era um travesti fofinho da Transilvânia Transsexual, o que é um bocadito mais in your face. O Conchito ainda tem de comer muito sal para ser revolucionário (a), eu acho. Mas cada um sabe de si...

Thursday, May 22, 2014

As coisas que eu ouço: estamos entregues..à peixeirada.


Em pequena contaram-me como durante a II Guerra muitas raparigas, incluindo meninas de famílias com alguns meios, arranjaram temporariamente trabalho em fábricas. Essas novatas, que eram moças delicadas, tinham certa dificuldade em conviver com as "colegas" que nunca tinham feito outra coisa ou que toda a vida tinham trabalhado nos campos e que eram, enfim, pessoas de outro género, com comportamentos menos recomendáveis. Era preciso ter uma certa diplomacia para não se misturar sem ofender.

 À saída então, era um aborrecimento: as meninas de bem tinham de ficar discretamente para trás enquanto as outras, muito barulhentas, seguiam adiante em grandes risotas, a meter-se com os homens que passavam, a contar brejeirices, numa histeria que lhes granjeava ouvir um estribilho muito feio: lá vão as m**** (alguém que enfim, não foi à casinha a tempo) da fábrica!

Hoje ouvi uma que me fez lembrar disto.

 Precisei de adiantar uma data de assuntos, e entre um e outro fiz uma pausa no café do costume.

 Para mal dos meus pecados, tive a infeliz pontaria de me sentar ao lado de quatro franganitas chocas - vulgo quatro rapariguinhas rústicas - que vai-se a ver, eram alunas de Comunicação e Jornalismo. 
 Pois eu não sabia se havia de rir, ou chorar, ou reconhecer que estão explicadas muitas desgraças , muitas tragédias de palmatória que vemos na televisão e na imprensa deste país que teima em ser inclusivo com brutinhos, e em dar diplomas a ursinhos malcriados.

 Pelo que percebi - e não tive outro remédio senão perceber isso, mais quantos detalhes havia na vidinha de tais labregas - duas delas vinham das Ilhas (e sem querer ser indelicada, aqui na cidade dos estudantes sabe-se que socialmente falando o que de lá vem costuma ser muito bom ou muito mau, cale-se Sissi) e outras seriam do Norte, ressalvando que já vi passar à porta do Bolhão muitas peixeiras com mais saber estar.

   Ora, eu nada tenho contra os regionalismos e pronúncia característica de cada um, embora de um jornalista se espere a forma de se expressar mais neutra possível. Mas como não sei se as almas em causa tencionam ser pivots, repórteres ou trabalhar em produção, isso seria irrelevante para o caso.

 Porém, nota bene: uma coisa é o sotaque, outra é a dicção. E elas não falavam: baliam, berravam, cacarejavam, chiavam, roncavam, gargalhavam que nem hienas, faziam os sons mais ensurdecedores e medonhos que imaginar se possa, a pontos de eu (isto num café cheio de gente) não conseguir ouvir mais nada, perder a conta à lista simplicíssima de tarefas que estava a fazer e ser incapaz de escutar os meus próprios pensamentos. Já estive em quintas, circos e zoológicos onde se viam comportamentos mais civilizados.

 Depois, palavrões de fazer corar as internas de uma casa de correcção a torto e a direito, que nem sei como cabiam tantos em cada frase, mais "ya", e "bué", e "tá-se", tudo a condizer com os trapinhos e as unhacas.

 Deitei-lhes uma série de olhares de desprezo, mas deviam achar-se demasiado fixes para que os outros recusassem partilhar pensamentos tão elevados!

 E eu a maldizer a hora em que não segui a carreira académica, só pelo prazer de expulsar tais criaturinhas das minhas aulas. É que quem falasse assim, não viesse adequadamente vestida ou tivesse vá, comportamentos de jornaleira ou de sopeira, levava um zero redondo, nem precisava de me mostrar nada. Ainda vou a tempo, sabe-se lá.


Um viva para os desastres a Matemática.


O jovem João tem negativa a Matemática...e sagrou-se campeão do mundo em cálculo mental. Isto faz-me pensar na diferença que um professor interessado pode ter na vida de um aluno. 

 Eu gostava de Física e de Química mas odiava matemática, pelo simples facto de não conseguir fazer contas e equações apresentando os cálculos. Os resultados cá apareciam na minha cabeça mas os professores não senhor, que eu tinha de mostrar como tinha chegado ao resultado, coisa que eu não conseguia explicar por mais voltas que desse. Baralhava-me completamente, tinha ataques de pânico nos testes (que deixem-se de demagogias, era o que contava e mais nada) e zumba, lá ficava uma nota feia na caderneta... até que desisti de me maçar, quanto mais não fosse porque os meus pais não me queriam para caixeira, nem cientista nuclear ou coisa parecida.
 Uma vez que as minhas propostas de fazer trabalho extra não surtiram efeito (o que me fez descrer para todo o sempre da treta da avaliação contínua) recusei-me, por pura carolice, a participar em qualquer aula de Matemática até ao secundário, onde não desgostava de Métodos Quantitativos. 

Cheguei a fazer uma aposta com os meus colegas em como conseguia ter zero a matemática - perdida por cem, perdida por mil - sem perturbar uma aula que fosse, mas sem fazer rigorosamente nenhum. Deu-me uma acerta alegria perversa, porque nunca fui fã de fingimentos... e lá me consolei pensando que o Einstein se tinha saído bastante bem na vida com negativas a álgebra.

 Agora vai-se a ver e eu tinha razão: há quem não precise de apresentar cálculos. Take that, professores jarretas.




Wednesday, May 21, 2014

O homem da casa.


É um valente egoísta, um egocêntrico de marca maior, controla tudo o que se passa, acha que põe e dispõe, é absorvente, exige atenção, quer o sofá à disposição de sua excelência, espera os melhores petiscos à hora que lhe dá jeito, marca território, porta-se mal mas
 acha-se com direito a todos os mimos, abusa e depois vem com festinhas a pedir desculpa...em suma, faz com que uma mulher se arrependa de abdicar da sua independência e supremacia. E com que jure nunca mais olhar para seres grandes, com olhos expressivos e cabelo comprido e escuro. Mas é tão fofinho.  E uma pessoa não é de ferro, perdoa tudo, e pronto, lá cede aos carinhos depois de ter dito pela milésima vez "não me voltas a enganar, malandro".

 Mas quem é que consegue zangar-se com uma coisinha tão fofa....



...destas? 

A ala masculina, a tirar a paciência à outra metade desde que o mundo é mundo, não importa de que espécie seja.

Choradinho, lavar roupa suja, coitadismo e outras preferências nacionais.

O Português, já criticava Eça de Queiroz, pela-se pelo sentimento.

 Os fados de antanho e os versos com estórias de faca e alguidar que certos "jograis" levavam de terra em terra para fazer chorar a troco de moedas no tempo dos nossos avós ( e era invariavelmente a menina desonrada que se suicidava, o soldadinho que voltava da guerra para encontrar a mãe finada, o jogador que assassinava a família que tinha perdido às cartas...) foram substituídos, no Portugal de hoje, pelas capas da TV7 Dias e afins, que gritam MISÉRIA! TRAGÉDIA! em letras gordas, pelas entrevistas "sentidas", pelos participantes de reality shows - ou até pelos menores que entram em concursos de cantigas aparentemente inofensivos só para ver o divórcio dos pais, a avozinha doente e as dívidas às Finanças do primo em terceiro grau escarrapachadas em parangonas.

 De pouco serviu o Estado Novo chamar ao Fado "canção dos vencidos" (concorde-se ou não com a ideia). O Português tende inevitavelmente para a lamechice, para o sentimentalismo de pacotilha, para a lagriminha ao canto do olho. Gosta do self made man, das histórias rags to riches; o único sucesso que tolera, que não o ofende, é o do Felizberto Desgraçado, humilde e simplório, emigrante ou pobre menino. 

 Mas se antigamente os protagonistas dos dramas não tinham rosto, assumiam contornos de lenda urbana, hoje são certas "celebridades" ou sub-celebridades" que lhes entram pela televisão dentro, a fornecer a necessária dose de catarse.

 Lá dizia o outro, a televisão traz-nos a casa pessoas que não gostaríamos de encontrar na rua. Por isso vejo pouquíssima. 

 Mas mesmo não vendo, os social media têm artes de me atirar os seus ecos duvidosos.

A entrevista de uma actriz de novelas que deu a conhecer a sua infância novelesca naquele programa que eu nunca tive coragem de ver porque enfim, algo que termina sempre com uma pergunta tão parva como "o que dizem os seus olhos?" e que é por sua vez conduzido por um comunicador que parece que desde pequenino faz gala em capitalizar as suas próprias desgraças privadas não pode ser muito edificante...é mais um exemplo disso.

 Ninguém tem culpa de ter nascido mal, de ter sido alimentado a Nestum e de outras coisas que alegadamente foram ditas (podem seguir o link para comprovar- eu não me dei ao trabalho de ouvir). 
   Mas não há desculpas para o oportunismo da promoção da desgraça, para o attention whoring. Quem precisa de ficar em paz consigo mesmo e com a família em que teve a pouca sorte de vir ao mundo, fala com um terapeuta ou com um Padre - não vem lavar roupa suja em público.
 A discrição, a dignidade, a reserva, o pudor, o sentido de família são, cada vez mais me convenço disso, um apanágio de gente bem educada. Como me disseram sempre em casa, "antes inveja do que pena". 

 Logo, não me admira nada que pessoas que cresceram ao Deus -dará revelem passados sórdidos com toda a sorte de justificações lacrimosas. O que me surpreende - ou nem por isso- é que o público elogie tais actos como corajosos, ou próprios de "uma mulher de classe". Porque quem realmente se poliu e evoluiu, não se presta a papelões. O que me levaria à raridade dos "diamantes em bruto" que podem de facto ser polidos, pois já se sabe que se pode tirar a pessoa do bairro mas nunca o bairro da pessoa.

 Pessoas de classe ficam caladinhas. Poupem-me.



Tuesday, May 20, 2014

A moral de uma história imoral.


Recentemente lembrei-me de procurar uma série anime que me ficou na memória  - Antologia da Literatura Japonesa - e por acaso tive sorte. É sempre agradável rever algo que nos marcou, mesmo que tenha deixado uma grande impressão de desconforto.

 É que vi isto na pré adolescência. A série passou no horário da manhã, por engano da RTP, apesar de  não ser de todo para crianças: de arrancar orelhas a cenas para adultos, tinha de tudo. Na altura havia um certo desconhecimento desse detalhe da cultura pop nipónica, em  que os "bonecos" podem ser as coisas mais bizarras.

   Mas vi, estava visto, e este episódio em particular (vídeo abaixo, se quiserem dar uma olhadela) deu-me muito que pensar sobre como os homens podem ser sacaninhas e as mulheres umas grandes patetas.
  Um pouco cedo para aprender tal facto da vida, mas antes por observação que por experiência, eu acho...


  Como o nome indica, a animação é baseada num célebre romance, Season of the Sun (livro que agora, na posse do título, vou procurar ler sem atirar para a lareira, de tal forma as personagens me irritam) que retrata a vidinha airada de um certo círculo de jovens japoneses após a II Guerra Mundial: festas, praia e jogos amorosos. Uma espécie de Gossip Girl à japonesa, ou Jersey Shore em versão vintage e mais polida.

 Ora, um destes rapazes conhece uma destas raparigas, na expectativa de se divertir um pouco. Ele é desmiolado e egoísta, ela desmiolada é, mas acabam por se apaixonar. A ele não lhe convém prender-se; e ela, apesar de ter outros namorados porque enfim, não é uma rapariga lá muito decente, não vê que o amante é má rês. Submete-se a todos os caprichos dele com uma adoração abjecta e ele, contrariado por gostar tanto dela, inventa tudo para a torturar - ao que ela replica fazendo-lhe ciúmes com fulano e beltrano.

 Como acontece quase sempre em romances tortuosos deste género em que o casalinho não sabe viver, a história acaba mal. A heroína morre e o protagonista desespera-se, não tanto por ficar sem ela ou por remorsos (penso eu) mas porque ir desta para melhor é um acto final de escape, de rebeldia ao seu domínio.

    Isto entristece-me porque hoje, com outro entendimento dos factos, conheço imensas histórias reais que são assim. Noutros cenários, com contornos se calhar mais discretos e mais normais (que digo eu? Ouvi algumas que ultrapassam as telenovelas... adiante) mas em que os protagonistas, adorando-se, não sabem o que fazer com isso. Parecem determinados em provocar sofrimento um ao outro. 
  Qualquer pessoa sabe que para uma relação funcionar, o amor não basta. Mas devia servir para alguma coisa...





Da brejeirice na blogosfera.


Há bloggers que até têm graça quando querem- mas depois saem-se com brejeirices (nos temas e no vocabulário) que não combinam, de todo, com os seus *supostos* hábitos de consumo e aspirações. Num blogger homem isso já não é grande coisa, mas numa mulher estraga tudo.

 Uma jovem pode ser espirituosa, pode até ser um bocadinho brusca na forma como se expressa; admito mesmo, remotamente e em casos muitíssimo específicos, que escreva uns palavrões- bem atirado por algumas pessoas, pode resultar. 

Que rascunhem um disparate ou dois, aguenta-se; que atirem uma fiada de asneirolas, desde que gramaticalmente bem organizada, enfim- conheço senhoras bem nascidas que já o fizeram e não morreu ninguém por causa disso.

 Mas a brejeirice, a malícia, a grosseria velada, a vulgaridade nas palavras e nas preferências é mais grave. Socialmente falando é  imperdoável a quem tenta fazer-se passar por outra coisa, porque não é nos extremos que se vê a boçalidade: é nos pormenores, nas escolhas recorrentes, na gíria, nas gracinhas, nos termos assim assim que até não ofendem ninguém, só os ouvidos treinados. 

 O que não se atura é que façam questão de armar em benzocas - ou vá, a cópia aburguesada da coisa, que é geralmente o resultado desse esforço - enquanto as temáticas e o palavreado denunciam os hábitos de casca grossa que por ali vão.

 Que falem em sabrinas ou "malas" (Jesus) Chanel e nos modismos, "urbanices" e novos riquismos do momento, que debatam extaticamente superficialidades enfim, sofríveis e depois... lhes fuja a toda a hora o pé para as brasileiradas, detalhes da Casa dos Segredos,  últimas peripécias de participantes de reality shows nas revistas de televisão.

E isto deliciadas, com todo o detalhe, esmiuçando o horror como um connoisseur de nomeada.

Mas o pior é quando a língua ou a pena fogem para a verdade, e lhes saltam as  expressões como "gostosão"...minhas caras, aí já não se engana ninguém. Percebe-se bem de onde se veio, e está tudo dito: poseurs todos os dias da semana. 

 A mim, que não gosto não leio, deixo de seguir e caso arrumado, isto só me aborrece por duas coisas: primeiro, porque ou sim ou sopas. Ou bem que se é uma rosa peixeira da vida, um Quim Barreiros de saias com capacidade para alinhavar umas frases com jeito e se diz e discute os descalabros à vontade, com os sininhos e os palavrões todos, tudo um grande regabofe, ou bem que se procura ter um perfil mais convencional. 

Coisas híbridas confundem-me.

Segundo, porque ando eu para aqui a pregar que essas coisas não se dizem, que é feio, e estas almas de Deus a deseducar o mulherio? E depois admiram-se. 



Monday, May 19, 2014

Odisseia apimbalhada.


Por esta não esperava eu: estava toda contente a ver o último episódio da série Odysseus, quando- surpresa das surpresas - tenho um momento já vi esta cara em algum lado

E eis que, em toda a sua glória e no papel de um herói de Ítaca, a julgar lealdade ao bravo príncipe Telémaco e pronto a desancar os espartanos (ah, valente!) me aparece...o David Carreira. Mataram-no logo a seguir, que os lacónicos nunca foram gente de cantiguinhas, mas não interessa -  está visto, está visto e já não consigo apagar tal imagem da minha cabeça.

 Pois eis que não sei o que pensar disto:

- Puxo o meu cabelo, cubro-me de cinzas e rasgo as vestes porque não li bem a ficha técnica?

- Dou a mão à palmatória e conformo-me com a estranha noção de que o rapazinho , que era um génio - e já se sabe que as mentes brilhantes podem nascer nos lares mais improváveis-  se entretinha a ler a Ilíada no chão do estúdio enquanto o pai gravava Sonhos de Menino?

-O Conservatório fechou, há escassez de actores capazes e eu não soube? Ou de súbito, todos os jovens actores portugueses estão tão cheios de ofertas de trabalho que se viram obrigados a recusar uma produção internacional?

- Louvo o menino por querer evoluir alguma coisa?

- Concluo que os franceses e italianos, como não conhecem a família Carreira, não perceberam que estavam a enfarruscar a produção?

 - Fico para ouvir o próximo single de David Carreira com uma versão tuntz tuntz dos cantos Homéricos acrescidos de um refrão do estilo "vou tentar TE esquecer"?

Só vos digo que foi uma sorte não porem o Toni a fazer de Homero - ou de Menelau. Por outro lado, pareceu-me que a série pecou por alguma falta de figurantes...as fãs do Toni decerto não se importariam de fazer de escravas troianas só para estar perto dele. Iam ser mais as escravas que os soldados em ítaca, e nem 300 espartanos chegariam para impôr a ordem...mas às tantas foi mal pensado. Ou não. A isto se chama brincar aos clássicos. Ou brincar com os clássicos. Nunca mais olho para as façanhas de Ulisses sem que me venha à ideia pic nics do Continente e coisas piores. 

Palavras para quê, são artistas portugueses...

Tenho de aprender de uma vez por todas que o meu país é pimba. Mesmo quando se sai com ideias de jeito.

Sunday, May 18, 2014

Há cavalheiros que andam mesmo mal enganados.


Já ouvi cavalheiros dizer que têm medo das mulheres belas, porque nunca iam estar descansados nem poder ausentar-se sem rivais à perna. 

Antes de avançarmos, uma ressalva: para compreenderem o que quero dizer vamos esquecer que existem tantos gostos como pessoas, que a beleza é relativa, que há mulheres assim assim com imensa graça, que o carisma e o charme contam e ideias semelhantes.  Refiro-me aos casos extremos: mulheres de quem se diz "aquele sujeito é um sortudo, que namorada gira" e as outras sobre quem se pasma" coitado do moço, ela deve ser mesmo boa pessoa".

Homens que pensam assim são tão ciumentos, tão rústicos, tão pouco seguros de si ou tão preguiçosos que preferem uma mulher mais sem graça.

 Primeiro, porque ninguém a há-de cobiçar, acham eles. Afinal, como disse Heinrich Heine, "à falta de virtude, a fealdade é meio caminho andado". 

Segundo, porque (não digo que seja sempre assim, mas é muito comum)  uma rapariga feiota se vai esforçar muito mais para agradar. A canseira para a conquistar é muito menor, ou inexistente: ela dá todas as facilidades, 
desdobra-se em elogios e em trocadilhos sugestivos, é mais descarada, decora os truques "como agradar a um homem na primeira noite" da Cosmopolitan e toma todas as iniciativas pois afinal, os pretendentes não lhe caem do céu. Estão a apanhar aqui o paradoxo?

 Eles receiam-se das bonitas com medo de ser enganados, temendo que ela fuja com o primeiro galã que lhe apareça, mas não têm medo do patinho feio que não se ensaia em dar o primeiro passo com eles (ou com qualquer outro) e que sendo menos exigente, não recusa nenhuma oportunidade nem que isso signifique não se dar ao respeito.

Pois eu digo-vos que pelo que tenho visto, essa insegurança está só nas cabeças destes senhores. Sendo certo que mulheres desmioladas há-as bonitas e feias, e que nem todas as bonitas são virtuosas nem todas as menos bonitas umas doidivanas... uma mulher linda, desde que seja sensata, discreta e um bocadinho bonita por dentro - uma pessoa de classe, enfim - é um investimento, salvo seja, muito mais acertado.

 Mulheres bonitas são mais ingénuas no bom sentido do termo, porque não precisam de tanta astúcia para conseguir o que querem, ao contrário das mais desengraçadas; quando muito, habituaram-se desde muito novas a afastar atenções indesejadas e a defender-se de quem as vê como troféu ou se aproxima delas só pelo aspecto. Aprendem a ser cautelosas, tal como um homem rico que à força de fugir de interesseiros acaba por se tornar um bom leitor de fisionomias e sentir más intenções à distância.

Estão habituadas a ter admiradores, a receber elogios, por isso não cedem à lisonja com tanta facilidade; ou seja, enquanto uma mulher desesperada por atenção tem mais probabilidades de se apegar, ou pelo menos flirtar, com o primeiro mariola que se aproximar dela com falinhas mansas, uma mulher bonita já ouviu esse disco riscado centos de vezes; entra por um ouvido e sai por outro.

Tendo muito por onde escolher, não tem tanto medo de ficar sozinha, logo é selectiva: quando decide estar com alguém é porque essa pessoa vale a pena, é especial; não porque estava a jeito ou lhe afagou o ego.

 Homens assim inseguros ainda vivem pela perspectiva do antigamente (um dos poucos machismos que me viram do avesso, confesso) sob a qual uma mulher não tem vontade própria, autonomia, livre arbítrio e capacidade de se defender, logo basta alguém vir com palavrinhas doces para ela estar pelos actos e fazer um disparate - e sendo atraente, os riscos estão por todo o lado. Tolices, digo-vos.

Em última análise, se na sua óptica TODAS as mulheres são perigosas, cheias de ardis, mais vale uma boneca de porcelana do que um camaféu: repita-se o velho ditado "uma mulher bonita é um perigo, uma mulher feia é um perigo e uma desgraça". E não se esqueçam de que até uma bota velha, toda rota, pode ser alvo de cobiça. 

 Por outro lado, uma mulher bonita e que tenha outras opções só se for muito tola, muito "tanto me faz" é que escolhe ficar com um desconfiado pouco exigente destes - e é um facto, há mulheres bonitas que não são muito espertas, tal como há mulheres feias que são burras como um urso;  o que explica muita coisa. Ora, juízo.






Cuidado com..o homem-fantoche


 Eis mais um tipo de cavalheiro a encarar com muita cautela, um parente próximo da Pessoa Míssil . O homem-fantoche (ou marioneta, que vai dar ao mesmo) tem miolos de peluche: aliás, é tão fraquinho dos ditos, tem os ouvidos tão leves, a cabeça tão de alho chocho e a espinha dorsal tão molengona que se deixa manipular por qualquer um - a mãe, a sogra, os amigos,  o Prior, o tio, o padrinho ou até o pior inimigo, desde que lhe diga o que ele quer ouvir ou revele algo (geralmente uma mentira estratégica) tão mau, mas tão mau, que confirme os seus piores receios ou paranoias. 

A manipulação é feita, em muitos casos, deixando o pobre do fantochinho julgar que manda em tudo, que decide tudo, quando na verdade anda literalmente atado com guitas a bel talante dos outros.

Um homem fantoche pode fazer-se muito másculo, muito macho alfa, mas no fundo é um ingénuo  e um xoninhas, pronto a acreditar em qualquer disparate que lhe digam. É o ser mais influenciável à face da terra. Maleável que nem plasticina. Ou porque foi demasiado mimado, ou porque é demasiado bondoso, ou porque é tão egocêntrico que acha que todo o mundo está lá para o apanhar e que tem de ouvir cada bisbilhotice que o vento lhe trás não vá o diabo tecê-las, ou porque é imaturo e quer experimentar tudo quanto é novidade (amigos novos, sítios novos) ainda que isso não lhe convenha. 

  Como nunca se sabe para que lado os cordelinhos são puxados, na mão de quem anda o fantoche ou quem é o ventríloquo (leia-se, o espírito santo de orelha) de serviço, nunca se sabe que personalidade o boneco terá, para que direcção vai virar,  ou se lhe dão um daqueles fanicos de fantoche e começa a fazer barulhinhos e à martelada a tudo.

Quem gosta de saber com o que conta e dispensa teatrinhos é melhor passar de largo, para evitar pantominas e fantochadas estilo Punch & Judy. Vai lá uma pessoa séria confiar em bonecos e seus bonecreiros...

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