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Saturday, May 31, 2014

Ver "Mentes Criminosas" evita muitos sarilhos. Fica a recomendação.


Há três razões para eu, que sou esquisitinha quando se trata de televisão, gostar mesmo de ver Mentes Criminosas.

A primeira é porque, como já vos disse mais que uma vez, tenho muita pena de não me ter tornado profiler. Profiler profissional, quero eu dizer, pois assim como assim já passo a vida a fazer isso: a nunca me enganar com as primeiras impressões, a arrepender-me amargamente quando tento ser como toda a gente e achar que confiar no instinto é uma grande maluqueira e a tirar o retrato robot a quem se cruza comigo de forma imediata, por coisas aparentemente tão patetas como os traços do rosto, a roupa, o relógio, os sapatos ou o sotaque. Ao menos fazia disso ganha pão e podia justificar as minhas embirrações como vício profissional
 Tivesse eu nascido nos EUA e não aqui, e andava por aí de fatinho preto, num SUV preto, a pôr criminosos e tarados atrás das grades com base no meu alarme "não vou com a tua cara".


A segunda é o elenco/personagens. O Dr. Reid e o Aaron Hotchner são respectivamente dois exemplares do namorado e marido perfeitos - para mim, vá.  Cavalheiros muito inteligentes, educadinhos, ponderados, discretos, metidos consigo, algo betinhos que eu não acho graça a gente desarranjada,  bem apessoados e sofisticados q.b...mas valentes. Convém que um homem seja valente, íntegro e muito pouco dado a ser o centro das atenções. E que saiba impor respeito. É bom que este modelo de comportamento (e de visual) apareça nos média, com tanto desatino que por aí se vê.

 E por fim, gosto de ver a série porque aparecem às vezes umas explicações catitas para o comportamento de certas alminhas que tenho conhecido, para mal dos meus pecados. É que saio dali muito esclarecida: por exemplo, os esquizofrénicos não conseguem seguir argumentos lógicos e simples, mas  que apresentem uma contradição  ("se ages assim, não te faço assado...") e os sociopatas não precisam de ter qualquer ligação às coisas que ambicionam ou invejam para se apropriarem delas, do pé para a mão, de um momento para o outro, com um descaramento que deixa toda a gente abismada.

 Só tenho pena de não acompanhar a série a eito, tim tim por tim tim, e tomar notas. Os aborrecimentos que já me teria poupado!

A União Europeia está doida - deixem o Chanel nº5 em paz!!!!

Marilyn, venha cá abaixo ver isto!


Isto não me surpreende nem um bocadinho porque não confio lá muito na União Europeia. Uma entidade que manda em nós como se fosse na sua casa, que proíbe galheteiros, colheres de pau e tem não sei quantos pesos e medidas para aplicar conforme lhe dá jeito , uma organização supostamente importante que se ocupa, enfim, de cordilhices, não conquista a minha simpatia.

 E agora o ridículo assumiu contornos ainda mais disparatados, estilo Cem Anos de Solidão. É incrível a atenção que dedicam a limitar pequenas liberdades individuais, a coisas insignificantes, em vez de procurar medidas que melhorem de facto a vida das pessoas. Sempre me quis parecer - e eu não sou de andar a reparar nos "tachos" alheios - que "ir para Bruxelas" significa muitas vezes um dolce far niente para políticos- que -não- sabem- fazer nenhum -e -precisam -de- um -tachinho- decorativo, mas agora estou convencida.

Algum desocupado que não gosta de Chanel nº5 se lembrou de arranjar a desculpa perfeita para mandar alterar a fórmula - e hoje em dia, nesta era de papalvismo generalizado, basta dizer que a receita tem não sei quê que "faz mal à saúde" para entrar tudo em histeria.

 Atrás do Chanel nº5 (que é um clássico, mas até passo bem sem ele) virão outros porque, imaginem...fazem alergia! Não se descobriu que provocam alguma macacoa mortal. Ou que estão associados ao desenvolvimento de alguma doença séria. A preocupação da UE é não fazer espirrar as pessoas, porque na Europa moderninha e politicamente correcta nem espirrar se pode.

 Sempre houve pessoas alérgicas a  perfumes, assim como sempre houve quem tolere mal o sal e quem não possa comer tanto açúcar porque engorda com  facilidade; mas nestes dias do fim do mundo, se um não pode, proíbe-se para que ninguém se sinta melindrado nem discriminado.

 Estes iluminados (não confundir com os Iluminati, que vêm sempre à baila em qualquer conspiração mas a ser verdade, terão coisas com mais pés e cabeça com que se ocupar, acho) querem ainda alterar as embalagens dos perfumes, para que pareçam caixas de medicamentos. Um luxo...

 Claro que as marcas estão preocupadas.

«“O Chanel 5 nunca fez mal a ninguém. Estas directivas serão a morte dos perfumes”, disse à AFP Sylvie Jourdet, da Associação Francesa de Perfumes, considerando também que toda a gente sabe que os ingredientes naturais estão associados a alergias.»

 A mim, mais do que a alteração dos aromas, irrita-me o ataque a coisinhas insignificantes, a futilidade de tais ideias. Faltinha do que fazer, much?


Friday, May 30, 2014

As duas morais do dia, em imagens.



1- Sabem aquele prazer tortuoso de evitar sítios ou eventos que até vos agradavam só para não se cruzarem com almas penadas? Daqueles que uma pessoa até fica contente por prescindir de um pequeno divertimento e marimbar-se para a sensação de noblesse oblige, pelo alívio de não privar com criaturinhas que não queremos ver nem pintadas. Assim como assim, a partir do momento em que um lugar ou certo tipo de reunião social passa a ser mal frequentado perde a graça toda. Começa-se a associar a ocasião às carantonhas e já não se consegue olhar para nada daquilo da mesma maneira...


2- Não sei como a Olá deixa escapar um negócio da China destes: um Magnum para alpinistas sociais que, como dizem os anglo saxónicos, mordem mais do que conseguem mastigar ou - porque em português o trocadilho perde-se - dão um passo maior que a perna.
 Estão a ver, aqueles patos bravos de quem se falou aqui ontem, lagartixas que querem por tudo ser jacarés e que não conhecem o seu lugar; atrevidos, graxistas, servis, ressabiados, macaquinhos de imitação, capazes de virar a casaca completamente do avesso, de bajular o pior inimigo, de vender a própria mãe para se assemelharem àqueles que invejam de morte, de ser Jeovás num dia e Hindus no outro se lhes der jeito, sem noção das suas limitações, que se acham com direito a tudo...por aí. 
Tais gelados iam vender que nem pãezinhos quentes. Eu encomendava já umas caixinhas para oferecer a duas ou três almas que tenho a desonra de conhecer...


Raridade do dia: o "Hino" da Selecção.


Dou ao post o título de "raridade" por dois motivos - porque a minha atenção ao desporto rei é tão pouca que é mesmo uma raridade escrever sobre tal assunto (desculpem qualquer argolada, portanto) e porque a entourage e a cantiguinha que arranjaram para acompanhar a equipa nacional ao Brasil não têm outro nome.


Se não fosse uma amiga a partilhar a crónica de Luciano Alvarez no Público sobre a pérola nessa vasta e nobre fonte de conhecimento que é o Facebook eu continuava feliz na minha ignorância. Mas vi, está visto e agora fazer o quê...


De acordo com o mesmo jornal, vamos ter duas mascotes que primam pela originalidade, o "João do Mar" e a "Beatriz do Castelo" . A Beatriz ainda vá, mas tinham de trazer o mar à baila novamente? Porque não uma varina, já agora? A Rosa Peixeira e a Beatriz do Castelo era mais giro, mais honesto e mais inclusivo, que agora isso está na moda.

                              

E além das mascotes, que assim como assim quase ninguém dá por elas (fazem umas fantochadas lá atrás e pronto) contamos com o tema "Vai Portugal!", interpretado por uma "estrela da música portuguesa" que eu nunca vi mais gorda nem mais magra (ando distraída, mas uma starlet que dá pelo nome de Kika havia de me ficar na memória, eu acho) que é um trabalhinho de, passo a citar "RedOne, produtor e compositor, agraciado com vários grammies e que nos últimos três anos trabalhou com nomes tão conhecidos como Nicki Minaj, Lady Gaga, Jennifer Lopez, Usher, Quincy Jones, Enrique Iglésias, Nicole Scherzinger, Mary J Blige (...)".


Vamos por partes: eu não sei se o que me faz espécie na cançoneta é o mesmo que incomoda Luciano Alvarez. "Vai Portugal" não podia ser mais brejeiro - é uma expressão que me remete de imediato para um trolha no alto do seu andaime a mandar piropos a quem passa; porém, sem ofensa aos trolhas, será escusado acrescentar trocadilhos que nem me fica bem repetir.


Os pastores e os padeiros não me aborrecem: temos pastores (só aqui à porta de casa, e eu não moro exactamente na montanha como a Heidi, há uma série deles) e temos padeiros que muito provavelmente torcem pela selecção, é um facto; afinal, que seria deste país sem pastores e sem padeiros? Daí não vem mal ao mundo. Indivíduos que vestem como padeiros e berram como pastores sem serem uma coisa nem outra, isso sim é problemático mas como também há muito disso o videoclip não deixa de representar uma parte considerável da população.


Há o detalhe precioso da senhora a pendurar a Bandeira Nacional com MOLAS DA ROUPA, mas...de sirigaitas seminuas a segurar ou embrulhar-se na Bandeira, a Bandeiras a apodrecer em antenas de televisão... tenho visto de tudo. Logo...um ponto pela sinceridade, apesar do mau exemplo.


Também vou ignorar a referência a estribilhos futebolísticos de outros carnavais: o portuguesíssimo "allez" (a piscar o olho ao Ricky Martin, ou aos emigrantes lusos?) e a Força que para a Nelly Furtado ninguém podia parar e para a Kika está sempre a crescer são apenas mais um reflexo de duas manias nacionais: o copy/paste e a brejeirice.


O que realmente me faz confusão é a cantora que arranjaram. Tendo em conta que é para o Brasil que vamos e que o produtor trabalhou com Nicki Minaj podia ser pior ainda: ao menos a jovem Kika está vestida. Não muito bem, mas está.

Da maneira como as coisas andam é um milagre não a terem posto de leggings e de calções; suspiremos então de alívio.
   Mas o alívio pára por aí porque entre a dicção da menina ("puh-la selecção", Kika? Não será "pela" selecção?) o amadorismo na colocação da voz, a expressividade e energia de uma bata crua que apresenta no vídeo e o tique de mexer no cabelo como se quisesse cavar um buraco no relvado e sumir-se pelo chão abaixo (mais uma vez não a censuro, eu cá também me sumia...) não sei onde desencantaram tal estrela.

Não é suposto haver castings para estas coisas, daqueles com filas que dão duas voltas aos estúdios da RTP? O resultado iria dar mais ao menos ao mesmo, mas a surpresa não seria tão grande. Isto se eu fingir que neste "meu Portugal" (ai que o refrão já me ficou no ouvido) ainda há coisas que me surpreendam...

Thursday, May 29, 2014

Uma senhora conhece-se pelo calçado.

Sempre ouvi dizer o estribilho acima e acho que é verdade - até porque o critério das mãos "arranjadas", que costumava ser mais ou menos de fiar, vai sendo cada vez mais duvidoso com tanta macacada nas unhas (Guida dixit) que por aí se vê. 

 Mais do que nunca uma senhora conhece-se pelas mãos, mas mais pelo que não lhes põe do que pelo contrário...

No Chile uma senhora bem nascida não pinta as unhas, em Itália só em dias especiais é que uma rapariga distinta usa cores, e olhem que por cá...não sei não.

  Mas garras à parte, além da velha máxima que já tenho citado por aqui -  um vestido modesto se for bem escolhido passa por outra coisa mas calçado de má qualidade não se atura (é isso e carteiras de acrílico) eu sempre tive cá uma coisa em relação aos sapatos das pessoas. Das mulheres, principalmente. É que se outros indícios me faltarem - e geralmente as primeiras impressões não me enganam - o calçado diz-me imenso sobre a pessoa.

 A sério. 


Uma mulher que se apresente com calçado clássico, de qualidade, embora de um modelo que possa não estar exactamente na moda, desperta-me imediatamente confiança, mesmo que os sapatos não sejam Ferragamo ou afins. 

Se uma rapariga varia muito, usando modelos engraçados ou vintage coordenados de forma invulgar ou interessante, percebe obviamente de moda, mesmo que eu não aprecie particularmente o seu estilo.

 No liceu nunca confiei muito nas raparigas que usavam, sempre, ou quase,  ténis. Principalmente ténis de desporto. Estão a ver aqueles grupinhos de marias-rapazes para quem a Sportzone é o mesmo  que a Prada para uma mulher de gosto? Não me perguntem porquê, mas a maior parte delas era muito malcriada e olhava com desdém para as colegas mais femininas que não eram maluquinhas da bola, ou seja, que não gostavam de futebol. Paradoxalmente, esta tribo era super namoradeira - embora só admitisse como potencial companheiro um clone do Nuno Gomes ou coisa que se parecesse (ouvi tanto falar no moço que até eu decorei o nome de um jogador da bola!). Pior ainda, havia as que iam para as aulas com TÉNIS e calçõezinhos de vólei. Ou seja, as oferecidas de chuteiras...e pronto, nunca mais confiei lá muito em quem me aparece de sapatilhas dia sim, dia sim.

Mulheres que calçam inspirações de Louboutin para ir trabalhar esforçam-se demasiado e provavelmente, não foram educadas para o bom gosto. Se forem mesmo Louboutins, o julgamento é o mesmo porque há ocasiões para tudo.

 As que optam invariavelmente por marcas medianas, mas não exactamente baratas - eu sei lá, Melissa, Bimba &Lola, Xuz - e combinam isso com marcas equivalentes de roupa e o resto da Zara poderão - atenção, poderão - cultivar valores um pouco aburguesados para o meu gosto. Isto é uma questão meramente pessoal, mas aburguesado traduz-se por um desejo de afirmação, um certo postiço, um conhecimento demasiado recente de dadas coisas que mão é exactamente a minha chávena de chá. Não serão más pessoas, só um bocadinho chatas.

 E quanto a sapatos sintéticos, baratuxos e espaventosos nem preciso de dizer, certo?

 Que querem? Critérios, análises, impressões e manias, cada um com os seus...












Querer ser chic à força. Como Evita, mas com menos resultado...


Há dias estava a passar os olhos por uma biografia de Evita Perón-assaz tendenciosa, convenhamos, porque se a senhora não era uma santa nem muito distinta também não seria exactamente um diabo de saias - e chamou-me a atenção o pormenor da rainha-sem-trono da Argentina fazer questão de exibir as suas magníficas peles fizesse chuva, sol ou um calor das Arábias, o que incendiava ainda mais os comentários sobre o seu arrivismo.

 Eva era uma mulher bonita, carismática e com um instinto de estilo que não era de desprezar, mas o seu background humilde, alpinismo social e gosto questionável (embora inegavelmente glamouroso) nunca lhe granjearam a aceitação nem o respeito da boa sociedade.

 Embora usasse Christian Dior (o couturier afirmava que Evita era "a única Rainha que tinha vestido") a jovem Primeira-Dama fazia escolhas que escandalizavam a ala mais patrícia dos círculos influentes do seu país. Numa das suas primeiras aparições oficiais, sentou-se ao lado do Bispo usando um decotado vestido de uma alça só - com o ombro nu junto do representante da Igreja...


 A imprensa adorou, o povo delirou, mas as pessoas que no fundo Eva tentava tenazmente conquistar (por mais que dissesse o contrário) viam nestes espalhafatos, nesta ostentação, mais motivos para ridicularizar "essa mulher" - nome com que a mimoseavam em privado.

 A modéstia e a discrição podem não causar muito impacto, não fazer muito barulho, mas brilham sempre pelas melhores razões e junto das pessoas que a sabem apreciar. 

 Sendo certo que nunca se pode agradar a todos, quem procura elevar-se fará sempre melhor se fizer por se adaptar às circunstâncias: qualquer coisa, por muito cara, bonita ou de boa qualidade que seja pode parecer ridícula se usada fora do contexto.

 É de tão mau gosto ir a uma reunião formal de jeans e ténis como apresentar-se para fazer solidariedade num bairro da lata com uma toilette demasiado luxuosa; tão malcriado não ter maneiras à mesa numa circunstância que exige reserva como ir a um piquenique e reclamar que não se bebe por copos de plástico, ou não adequar a linguagem, tal como a fatiota, ao interlocutor. Quem sabe estar, está bem em toda a parte e com toda a sorte de gente, não embaraçando ninguém.

 Mas há pessoas que - tal como a Evita, mas com menos resultado - fazem tudo para passarem pelo que não são. Têm assim uma ideia muito vaga do que admiram, do que querem a todo o custo imitar, e fazem tentativas de subir na escala social (ou de impressionar, simplesmente)  usando esses métodos de forma totalmente postiça. Claro que se nota, e é nos pequenos nadas que o verniz estala.

 Ouvi várias estórias de uma rapariga cá do burgo, do mais simplório que se pode,  que queria por força casar com um rapaz rico, que era coisa que ela não sabia exactamente o que vinha a ser, mas enfim; para isso arranjava todo o tipo de golpadas e mentirolas, o que acabava por ter graça pois era muito desastrada. Ora, uma delas passava por contar que "vivia numa quinta com piscina" que, vinha-se a saber, era uma casa na aldeia que incluía um quintal com um tanque. Ora, não tem mal nenhum ter uma casinhota com um tanque. Quem tem família no campo guardará decerto boas recordações do potencial dos tanques usados como piscina, mas lá está... a falta de noção dá nisso e a história não teve um final nada feliz.

 Também conheci caramelos que não queriam por nada que se chamasse "cottage" à sua casa na aldeia, porque havia por força de ser uma quinta, e queriam tanto imitar a gente bem que usavam blazer até para uma patuscada a assar chouriços e sardinhas...porque naquela mente estreita, é assim que uma pessoa chic se veste- como se gente decente não tenha camisolas de lã à escocesa, ou pólos, ou mesmo hoodies para usar e pôr a lavar depressa depois de se encherem de fumo. Nunca descontraíam, porque na sua cabecinha as pessoas que querem imitar nunca relaxam, estão sempre em pose como nas capas das revistas. É o mal de tudo o que é demasiado recente, ou inexistente, ou falso, ou pouco genuíno. Lata polida a imitar prata, e mal...

 Há os Dâmasos da vida e as Evitas da vida, e depois há aqueles que nem para Dâmaso servem. Mas sempre nos fazem rir, desde que observados a uma certa distância...
  



Wednesday, May 28, 2014

Evitem-se momentos Marilyn Monroe. Motivos no interior do post.


As saias rodadas têm muito encanto, mas é sempre preferível que sejam feitas de um tecido consistente. Primeiro porque favorecem mais, mesmo as magrinhas; segundo, porque não revelam nada do que se passa por baixo, nesta época em que os saiotes andam fora de moda e é muito feio notarem-se as costuras da roupa interior... terceiro, porque o vento é imprevisível. Quem diz vento diz maquinaria indiscreta, saídas de metro, helicópteros, ventoinhas, escadarias muito altas ao ar livre ou qualquer outra coisa com potencial para levantar pano. A nenhuma mulher convém ter um momento Marilyn Monroe.

 Ou bem que se opta pela bela saia lápis, ou bem que se escolhe um material que não esvoace.

 Porém, se se faz MESMO questão de tecidos leves, recorra-se ao velho truque de alta-costura, cada vez mais em desuso mas que Sua Majestade a Rainha de Inglaterra ainda utiliza e muito bem, que consiste em mandar coser uns chumbinhos no interior da barra da saia para a manter onde deve.

 E em todo o caso, não vá o Diabo tecê-las, usar uma lingerie que cubra o que deve cobrir e que, embora discreta sob a roupa, não levante dúvidas quanto à sua existência em caso de ventania.

 Por muito que a Moda tente não se pode ir contra as leis da Física, mas é possível lidar com elas.

 HRH a Duquesa de Cambridge tem sido alvo de atenção devido aos sustos provocados pelas suas saias que se erguem mais do que deveriam acima dos joelhos, o que me faz meditar no pensamento estratégico dos seus personal stylists (meditar por uns segundos, vá, porque tenho mais em que pensar...). Considerando que a Duquesa vai sair de um helicóptero ou passear por uma praia ventosa, pôr de parte tecidos flutuantes para esses dias da agenda parece-me de uma lógica elementar. Se a nenhuma mulher cai bem fazer de Marilyn, a alguém no seu papel muito menos.


 O resultado desse descuido regular é um artigo na Elle americana (que está a perder qualidades) a tratar a consorte do Príncipe William pelo petit-nom aberrante de "KMidd" - na tradição irritante que entretanto se inventou de baptizar celebridades e com absoluta falta de noção das circunstâncias - dando conta de um artigo mais medonho ainda num qualquer tablóide alemão, que publica uma imagem de Catherine Middleton com as saias completamente erguidas e aquilo que parece ausência de roupa interior (seguir link se tiverem curiosidade, que eu nunca iria pôr aqui uma coisa tão feia). 

 Isto tudo, nota bene, acompanhado de comparações com o derrièrre de...Kim Kardashian e de outras ordinarecas, perdão,  Vénus de Willendorf dos nossos dias.

 Como a grosseria é tão generalizada que não se pode evitar e já não há respeito por nada, o melhor mesmo é não se expor de modo nenhum a tais comentários. Mais vale escolher outra toilette ou mandar "chumbar" as bainhas, que custa menos...

Tuesday, May 27, 2014

"Não direi à minha filha que ela é bonita" - pois.


A frase é da modelo e anjo da Victoria´s Secret Doutzen Kroes, que espera uma bebé e sente "remorsos" de fazer parte de uma indústria que "torna muitas raparigas inseguras". Ou seja, cá temos mais uma a pedir desculpas por ser bonita. A envergonhar-se (diz ela) da beleza que lhe trouxe fama e fortuna, pensando que presta um grande serviço à omnipotente causa feminista que actualmente todas as celebridades parecem obrigadas a subscrever publicamente se não quiserem ver a sua imagem beliscada.

"Não vou dizer à minha filha que ela é linda, vou antes elogiar-lhe a inteligência". Primeiro, lamento dar cabo das ilusões à modelo, mas ela até pode trazer ao mundo uma filha que seja uma Helena de Tróia e que não deva nada à inteligência -  o que implicará mentir à criança e meter-lhe na cabeça padrões igualmente impossíveis.

 É verdade que a ausência de miolos (a não serem casos mesmo graves) é mais subtil, logo disfarça-se mais facilmente do que a falta de beleza. 
 Hoje em dia, a coisa mais simples do mundo para uma rapariga de intelecto mediano - sem imaginação, sem perspicácia, sem espírito - é fazer-se passar por inteligente

Só as pessoas muito sagazes, muito refinadas, muito observadoras ou os génios é que dão pelo engodo, juro.

Basta-lhe ir um bocadinho à escola, dar alguma graxa, ser estudiosa e acima de tudo chica-esperta, tirar uma licenciatura (coisa mais acessível a todos, não há) a copiar ou a dar cabeçadas nos livros porque o que importa é o diploma,  ter a mania de se afirmar por prendas que lhe faltam, armar-se em sabichona para dar nas vistas  e debitar de forma vã e oca palavras difíceis ou temas que caiam bem em público. Vulgo falar alto do Impressionismo ou de política para quem quiser ouvir.

Conheço imensas raparigas assim, burrinhas que dói, que fazem gala em fingir-se inteligentes. Há-as bonitas e feias: as que querem provar que não são só giras, têm alguma coisa dentro da cabeça mesmo que seja pouquito, e as feias, que coitadas, já que não têm graça nenhuma ao menos aparentam saber alguma coisa e assim podem dizer às rivais "eu posso não ser bonita, mas ao menos sou inteligente, sou psicóloga/advogada/etc" - como se não haja mais belas que fazem exactamente o mesmo, ou melhor.

 Pessoas inteligentes há-as lindíssimas e feias. A inteligência é tão rara como a beleza, nada tem de democrático.

E a cultura postiça, tal como o Photoshop, as extensões de cabelo, a cirurgia plástica ou a maquilhagem, é uma ajuda - não faz milagres nem cria o que não existe.

 Claro que ainda poderá dar-se o caso de Doutzen Kroes dar à luz uma filha que não seja uma beldade. Conheço imensa gente bonita que tem filhos degenerados; isto a genética é uma lotaria e nunca se sabe, logo nem sei para que prega por antecipação.

"Não quero que ela se concentre na beleza. Quero que saiba que há outras coisas na vida" - claro que há. Uma mulher, especialmente se for bonita, deve ser educada não só para ter alguma cultura e independência, mas também para ser bonita por dentro- ou seja, receber os básicos de educação que pressupõem colocar os outros antes de si mesma, ser modesta, ser gentil, amável, graciosa e acima de tudo não se tornar uma pindérica, porque pindéricas é o que mais há. Ser bonita não implica ser superficial. 

 Que tal educar para o todo e para o equilíbrio, Ms. Kroes, em vez de fazer a criança negar eventuais dons que a natureza lhe conceda?

 Não há nada de errado em ser bonita (se os outros têm complexos, que os resolvam) desde que a beleza venha acompanhada de bondade e de neurónios que realmente funcionam. Mas a julgar pelas caraminholas que tenciona ensinar-lhe, já não digo nada. Espero mesmo que a pequena venha ao mundo bem bonitinha, só lhe digo isto, porque pior do que ser bonita e parva, só ser parva e com a mania que é esperta. Ou feia e parva. Isso sim é uma tragédia...



Rihanna who?


Sendo certo que qualquer rock ou pop star terá sempre um gosto particular na forma como se veste, eu continuo a achar que chamar "ícone de moda" a alguém é um assunto muito sério.
 Primeiro, tem de se atender ao todo - ao conteúdo da sua música, à correcção, sartorialmente falando, das suas fatiotas (por mais extravagantes que sejam) e ao impacto que a sua imagem realmente representa - ou porque traz algo completamente novo, ou porque reinventa muito bem ideias do passado. E por fim, há que considerar a longevidade desse impacto, porque "ícone" implica um certo distanciamento.

Por isso desagrada-me ver como certas revistas de moda tidas como sérias, ou lendárias, verdadeiros árbitros das elegâncias (ou que até há pouco tempo, tinham merecidamente esse estatuto) caem no facilitismo de chamar ícone de moda a starlets como Rihanna.

"Ícone do ano" (se pusermos de parte que "ícone do ano" é uma expressão muito contraditória, no mínimo) ainda vá que não vá. Mas dar-lhe o título no verdadeiro sentido da palavra é quase cair no ridículo.  Uma it girl não é necessariamente um ícone. Ser ícone é um posto!


 E nem é uma questão de ceder a uma vulgaridade que antes seria impensável nas capas de uma Vogue, de uma Elle, de uma Bazaar. Terá mais a ver com uma tendência para o instantâneo, para o efémero, que espero que passe depressa.

  Freddie Mercury, David Bowie, Jim Morrisson, Kate Bush, Diana Ross ou mesmo Madonna, uns mais outros menos, podem ser chamados ícones. Marcaram uma imagem ao longo de décadas. Estão solidamente implantados no imaginário pop. São referências imediatas.

 Daqui a uns anos será seguro, se Gwen Stefani (que anda por aí a impor um estilo há anos largos e se apresenta sempre impecável) ou até Beyoncé Knowles (por toda uma associações de ideias relacionadas com a feminilidade que veio agitar) continuarem a ter protagonismo, dar-lhes tal designação. Imaginemos, muito remotamente, que o mesmo acontecerá a Lady Gaga - que tem pelo menos o mérito de reinventar excentricidades passadas e de valer alguma coisa como compositora- ou a Lana del Rey (outra estrelinha com beleza e aura vintage). Isso seria puxar um pouco o envelope, mas não totalmente injusto. Duvido que tal se venha a passar com Rihanna, por mais que faça campanhas da Balmain, ou com Rita Ora, que está muito bem para a Adidas mas fiquemos por aqui.

 O seu estilo grita prazo de validade, mas ainda que me engane é muito cedo para as colocar na excelsa prateleira de Freddie Mercury. Dizer que têm de comer muito sal para lá chegar seria um eufemismo quanto mais não seja em termos de moda; porque em relação à música, don´t even get me started. Não comparemos o incomparável.





Monday, May 26, 2014

Mais uma descoberta sobre o maravilhoso mundo masculino.

Bottega Veneta 2010

Não sei quanto às meninas e senhoras que por aqui passam, mas eu sempre dei graças aos Céus por ter nascido rapariga. 
 Certo, ser mulher terá as suas limitações - ainda vivemos num mundo de homens e lá lá lá, por muito mal que caia dizer isto - mas francamente, não gostaria de estar na pele deles. 

   Coitados, nunca conheceram outra coisa e por isso não estranham, mas além das pressões para cumprir  os papéis de género, que são tão más ou piores que as nossas, imaginem a maçada: o guarda roupa deles, por muito bonito que seja, é mais limitado (bom, convém que sim; não consigo achar graça a um cavalheiro de blazer às florzinhas); a roupa interior masculina não parece nada confortável; não podem maquilhar-se a não ser que sejam vocalistas numa banda gótica ou se o fazem na tentativa de esconder umas olheiras, fica no mínimo esquisito; e se esticarem o cabelo (porque nasceram com uma trunfa que não se mantém penteada de outra forma) tem de ser em segredo, para evitar piadinhas.

  No entanto, hoje fiz uma descoberta sensacional: uma mulher julga que sabe tudo o que há para saber sobre sapatos, que até às escuras consegue distinguir um da Gucci de um da Zara, que conhece os seus pares de cor e salteado...mas nada disso é verdade. 
 Minhas caras, nenhuma de nós pode chamar-se especialista até se aventurar a organizar o closet de um cavalheiro. De um cavalheiro com gostos clássicos, bem entendido, porque arrumar e catalogar ténis às cores deve ser canja.
 Experimentem agora fazer isso com não sei quantos pares, todos parecidos como gotas de água, de sapatos de vela, loafers, Oxford Shoes, mocassins e sapatos formais. Mesmo que conheçam alguma coisa do assunto, é um verdadeiro quebra cabeças. Não sei para que querem tantos se todos se parecem, nem sonhava que podia haver tantas subtilezas de uns sapatos de luva para os outros.
 É um milagre que os homens não saiam à rua com um pé de cada nação várias vezes por semana, só vos digo isto...

Verdade verdadinha do dia, lida na Tatler.


"The trouble with having an open mind, of course, is that people will insist in coming along and trying to put things in it"


 Terry Pratchett

Desde que o mundo é mundo que quem não se adapta está condenado à extinção. A natureza evolui, a sociedade também (nem sempre para melhor) e que remédio há senão fazer algumas cedências, na velha lógica se não os podes vencer, junta-te a eles - só no mínimo indispensável, diria eu. 

  Há aspectos em que é benéfico ou necessário estar receptivo a novas oportunidades, ideias e pessoas. Não se pode rejeitar tudo, ser demasiado cabeça dura: afinal, tudo o que hoje é tradição, clássico ou intemporal, um dia foi totalmente novo. Mudar para melhor, admitir erros passados, exige humildade e sabedoria, mas também carradas de bom senso.

Por vezes temos de variar o caminho ou tentar um método diferente para chegar ao destino.

 É preciso porém, dentro dessa abertura, dessa flexibilidade, dessa condição que é o vive e deixa viver, o posso não concordar com o que dizes mas defenderei até à morte o direito de o dizeres, escolher aquilo que - novidade ou não - se identifica com os nossos valores de base. E acima de tudo, não prescindir deles, a bem da tentação, da facilidade ou do politicamente correcto. 

Não se pode ser benfiquista num dia e sportinguista no outro, num momento ser pelo povo e pela revolução e dali a dias virar à direita e gritar Aqui D´el Rei. Na evolução, na construção da atitude, da personalidade, da imagem, há que não ser vira casacas nem cair numa elasticidade moral que tudo tolera, tudo desculpa, só para ter um pretexto para fazer exactamente as mesmas asneiras sem ser criticado.

 Actualmente ser open minded, cidadão do mundo, muito tolerante a todas as extravagâncias é quase de rigueur. Cai mal admitir que se é tradicional, que se tem critérios, que se é, enfim, um careta. Só as pessoas brutalmente honestas, com princípios muito definidos, muito conscientes do seu lugar no mundo e na sociedade, exigentes com os outros mas acima de tudo perfeccionistas consigo próprias, se atrevem a tal. É preciso qualidades raras para se ser mundano e ao mesmo tempo desprezar as pressões e vaidades do mundo

 Por vezes não é imperativo conhecer uma pessoa ou uma coisa para saber que dali não sai nada de bom. As aparências podem enganar, mas devem ser levadas em conta porque onde há fumo há fogo. Ouve-se muito "não fales do que não conheces!", "não julgues pelas primeiras impressões!".  Em suma, " abre a tua mente!"

Por essa ordem de ideias, toda a gente tem de experimentar heroína para formar uma opinião e dizer, em sã consciência, que a heroína é má. Ou ir à guerra, perder uma perna e um braço, para afirmar com propriedade que a guerra é de evitar. Se um livro, pelo contexto em que aparece, o tema e o autor cheira a esturro, parece uma grande porcaria, vai-se perder neurónios a lê-lo? Gastar tempo que ninguém devolve, só para poder formar uma opinião? 
 Alguém no seu perfeito juízo deixaria a porta aberta durante a noite, expondo-se ao perigo, porque afinal, "nem toda a gente é desonesta"?

 Amiúde, os indícios são mais que suficientes. Não é preciso poluir  ou baralhar as ideias tomando contacto com quem, ou o que, é nocivo para o intelecto, a reputação, a felicidade ou a saúde. 

 Muitas vezes é melhor fechar a mente. Pode não entrar nada de novo, certo, mas também não entra nada de mau.

Sunday, May 25, 2014

O mexerico é como os anjos.


Ou seja, não tem sexo. Diz o povo que " as mulheres quando se juntam/ a falar da vida alheia/começam na Lua Nova/acabam na Lua Cheia" e às tantas  - como dizem que até está cientificamente provado que as raparigas têm um vocabulário maior, a capacidade de se concentrar em várias coisas ao mesmo tempo e são, em suma, mais verbais enquanto eles são mais visuais - o mulherio fica com a má fama. 
 Porém, a julgar pelo que tenho visto, a capacidade para a cordilhice, o cortar na casaca, a curiosidade doentia, o cocar, o seguir, o dar fé de tudo, o comentar, lançar rumores ou boatos e o bisbilhotar está, graças a Deus, distribuída com certa igualdade entre homens e mulheres - e contem-se aqui "cavalheiros" bem varonis e espadaúdos, de quem não se espera tal coisa.

 O que difere são os motivos. As mulheres tendem provavelmente a entregar-se a tão feia actividade de forma mais generalizada, menos pessoal, para passar o tempo. Tanto falam de alguém com quem antipatizam (a parvalhona que se atirou ao namorado, a colega insuportável) como de alguém que mal conhecem e que por bons ou maus motivos lhes desperta curiosidade. É uma conversa "de mulheres" miudinha, rumorosa, sem grande interesse e muitas vezes, se nada tem de edificante é pelo menos inócua. Entra por um ouvido e sai por outro...

  Os homens mexericarão menos, mas quando o fazem é quase sempre por um motivo íntimo, apaixonado, de ego, vingança ou de ganho pessoal. Não é por acaso que as nossas avós temiam tanto pela reputação: manda a etiqueta "a gentleman won´t kiss and tell" mas poucos respeitavam a máxima. Ou respeitam.

Uma mulher mexerica por mexericar, insensivelmente; um homem mexerica, por motivos e com consequências mais ou menos graves, quando não o consegue evitar ou porque lhe dá jeito: para se fazer maior do que é (a velha e inofensiva basófia masculina) para se vingar da amada que não esteve para o aturar (e que retaliação é melhor do que manchar-lhe a imagem?) para dar o troco a uma partida de um colega, para afastar um rival no amor ou na carreira. O seu mexerico é mais pragmático, e por isso mais perigoso.

 Não que as mulheres não sejam capazes do mexerico pragmático, da intriga ou da conspiração: mas é preciso mais para chegarem a tanto. Com eles, não será tanto assim. Tal como usam a força, são capazes de se socorrer da má língua e entrar em verdadeiros negócios de comadres, de fazer tremer as beatas à porta da Igreja e as peixeiras nas bancas do mercado.

  Como dizia a minha bisavozinha, Deus tenha a sua alma em descanso, livrai-nos de tais almas danadas e línguas de Faraó. Ora, se ela dizia língua de Faraó e não língua de Cleópatra por algum motivo seria...

E vá lá, vá lá (os vestidos dos Globos)


Espreitei a medo a reportagem da Vogue com as toilettes dos Globos de Ouro (já que não me apanham com a televisão ligada a ver outras coisas, quanto mais isso) e devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendida. 
 Além de vestidos bem pensados de criadores nacionais (e se acho que a moda portuguesa, na sua maioria, costuma falhar em muitas coisas, é verdade que temos certa "boa mão" para o traje de cerimónia) viram-se algumas opções de classe - Carolina Herrera, Gucci, Maxazria - que distanciaram o evento da modéstia (ou amadorismo) de edições passadas.
  Não subscrevo o entusiasmo à volta de eventos deste género - ou mesmo de outros; recordemos que não há festa, por mais glamourosa que seja, que não se pareça com uma reunião de Tupperware e esta mais do que todas; mas enfim, já que se vai à tupperware que seja com um figurino que não embarace ninguém, vale?


                                               
ANA SOFIA MARTINS (CAROLINA HERRERA): Nada a dizer. Com CH está-se sempre elegante, e dificilmente se dá nas vistas por maus motivos. É uma das minhas escolhas preferidas para um look sure and simple.



VICTÓRIA GUERRA (LUÍS CARVALHO): o ponto vai pelo porte da actriz. Simpatizo com ela, tem um certo quê. E vou estar atenta a este criador: design limpo, vestido bem modelado a assentar onde deve, mais precisão e menos fru fru. Gosto.


LUÍSA BEIRÃO (GUCCI): pessoalmente prefiro ver jumpsuits em ocasiões que exijam traje um bocadinho menos formal, mas não deixa de ser uma escolha válida. Só é pena as bainhas - um ou dois centímetros a menos teriam feito a diferença.

BÁRBARA GUIMARÃES (FILIPE FAÍSCA): Tenho para mim que este vestido merecia estar numa passadeira encarnada internacional, ou num evento privado de grande cachet. Vi-o em vários ângulos e pareceu-me perfeito: o molde, a execução, o decote, o espartilho,a  escolha do tecido. Não é fácil fazer um vestido espartilhado que resulte na perfeição, tão pouco dar nas vistas usando o batidíssimo nude, mas aqui funcionou lindamente. Bravo.



RAQUEL PRATES (NUNO GAMA): esta Raquel, como a dos Maias, podia muito bem ser chamada "uma das nossas primeiras elegantes". É que francamente, no pouco que acompanho destas andanças, nunca a vi mal. Tem sempre qualquer coisa de grego no visual que me agrada, é uma beleza romântica e sinceramente, parece que nasceu para outra coisa. Porte e bom ar ou se tem ou não se tem e o vestido, na sua simplicidade, é muito bonito, com aquele decote e bordado a recordar Dolce & Gabbana.

That´s all, folks!





Nem tudo o que parece é.


Ver as coisas por um ângulo limitado, sem saber a história toda, pode levar às interpretações mais disparatadas. Como dizem os chineses, "os meus olhos viram, mas até os meus olhos podem errar".  

E uma vez aconteceu-me uma peripécia que foi uma autêntica metáfora disto.

Amiga de árvores como eu sou, passar o Verão na casa de férias na Grande Lisboa, casa essa rodeada de pinheiros a cheirar ao sal do mar, era a minha parte preferida do ano.
 O meu irmão é que não gostava muito, porque estava naquela idade - e como quem tem primos tem tudo, geralmente convidávamos um ao outro para se juntar a nós.
 Ora, certo dia estávamos eu e o meu primo V. a tomar o pequeno almoço quando ouvimos um certo alarido lá em baixo: os vizinhos estavam a tentar convencer uma gata a descer de um pinheiro altíssimo, sem ramos, daqueles impossíveis de trepar mesmo para um felino.
 Saímos para ajudar, e ao fim de uns vinte minutos estávamos com vontade de chamar os bombeiros porque não havia maneira de trazer o bicho para terra firme.
 Não querendo alarmar o condomínio inteiro com a presença de um carro de bombeiros (num sítio daqueles, com tanto pinhal, tinonis eram um sinal pior que o costume) lá nos lembrámos que o que vai para cima tem de vir para baixo, e que ver água convenceria a gatinha a descer.
 Se bem pensámos, melhor o fizemos e a vizinha foi buscar a mangueira de jardim. 
 Mas a mangueira não tinha alcance suficiente para a água chegar a uma árvore tão alta, pelo que o meu primo se lembrou de me pegar às cavalitas

 Estávamos nisto, eu a oscilar nos ombros dele e a vizinha a dar indicações (fazendo com que o animalzinho, que gostava menos de água do que de alturas, se resolvesse a descer pata ante pata) quando o meu irmão acorda e vem à varanda, vendo-nos naquela bonita figura.

 Estremunhado e com os olhos piscos pela luz da manhã, não entendeu nada do que se passava, não viu gato algum, e pensou que ainda estava a sonhar ou que tínhamos perdido o juízo.

 "Que raio andavam vocês a regar naqueles preparos?" - perguntou quando voltámos, muito espantado.

E assim como foi com uma coisa sem importância, que teve logo explicação, é com questões mais complicadas, que levam a mal entendidos. Ver com os próprios olhos é bom, mas convém apoiar isso em informações mais sólidas, não vá perder-se o contexto...





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