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Thursday, June 5, 2014

Nervoso miudinho sem consequências.



Já se sabe que as pressas dão em vagares e que a cólera, embora possa ser útil  para fazer/dizer/terminar por impulso coisas que de outro modo seríamos demasiado civilizados para levar a cabo, é em geral má conselheira. Assim, quando se está muito nervoso, manda o bom senso que uma pessoa se mantenha bem longe de...

...Lojas: a terapia das compras pode funcionar - com moderação -  quando se está deprimido, mas com a cabeça a andar à roda e o sangue a ferver é muito má ideia. Primeiro, porque o mais certo é atrapalhar-se, mandar abaixo algum expositor e passar uma vergonha, ou deixar o cartão na caixa e só dar por isso mais tarde. Depois, pelo óbvio: é provável que, com os nervos, gaste um ror de dinheiro em coisas inúteis ou sem graça nenhuma.
 O mesmo vale para pontos de venda online: como basta um clic para se meter em trabalhos, o melhor é manter as mãos quietinhas.

...Supermercado: porque muita gente quando fica com raiva sente uma fome disparatada, e quando se está com fome tudo parece bom. Se tiver mesmo de ir porque ninguém vai por si, passe a correr e de olhos fechados pelas estantes de guloseimas.

...Frigorífico: Idem.

...Cabeleireireiro: Se calhar só lhe apetece lavar e secar para se sentir mais bem disposto (a), mas como há cabeleireiros do demo que sabem ler mentes vulneráveis e tendem a oferecer os serviços mais exóticos - e dispendiosos - a quem percebem não estar na plena posse das suas faculdades, é mais sensato fugir de salões até voltar ao normal. Caso contrário, arrisca-se a voltar com um alisamento caríssimo de que não precisa ou com uma valente carecada.

...Agências de viagens:  por um motivo semelhante. Entra para escolher uma escapadinha para o Minho e quando dá por si, comprou um passeio à Patagónia.

...Redes sociais e blogs: já reparou que algumas pessoas publicam posts raivosos e de mau gosto que dão mesmo a conhecer as suas fraquezas? De ataques ao governo ou ao clube de futebol rival que mais parecem cartas de ódio, a alfinetadas ao ex ou à inimiga fidagal que alfinetam mais quem publica do que o visado - estilo "nunca serás tão gira como eu" ou "passo muito bem sem ti" (quem passa bem nem sequer se lembra da pessoa, logo é contraditório e irrelevante escrever coisas dessas) há quem faça questão de mostrar o quanto está irritado, só para se arrepender depois. De igual modo, se é daquelas pessoas que tem a mania de ver as páginas de gente que lhe faz dor de estômago - péssimo hábito, mas pior em dias desses - fuja mesmo. Só vai ficar pior ainda, e sem ter onde descarregar. Ou perder a cabeça e dizer algum disparate.

...Sítios frequentados por alguma persona non grata: a diplomacia é uma grande virtude, mas se não se sente capaz de a aplicar... passe de largo. Corre o risco de perder a transmontana e dizer tudo o que não teve coragem de dizer até hoje, com o dobro da veemência. Circos dispensam-se, e provavelmente o alvo nem vale a bala - salvo seja.

...O gabinete do chefe: se não for literalmente para ali chamado, faça-se pequenino (a) o dia todo e saia à francesa assim que terminar o expediente. Este não é um bom dia para debates, negociações ou discussões sobre o seu futuro na empresa. Se lhe der para desabafar pode voltar para casa aliviado...e livre para procurar um emprego novo.

Aulas de Krav Maga (em ginásios com sacos de boxe) festas barulhentas onde ninguém ouça o que diz, o confessionário da Igreja porque é para isso que o Sacerdote lá está, estádios de futebol onde assim como assim está tudo aos gritos e aos palavrões,  o passeio para fazer jogging com o Ipod nos ouvidos, o telefone - para ligar à mãe ou à melhor amiga; evite a cara metade em situações destas para não assustar ninguém- ou o divã do terapeuta, caso o tenha, são portos seguros. Depois é só esperar que passe...

Wednesday, June 4, 2014

Eu tenho medo de...macacos de imitação.



E olhem que pouca coisa me mete medo neste mundo (não tomem isto por gabarolice; ter medo, às vezes, dá jeito e poupa muitos trabalhos).

 Mas as pessoas que obsessivamente copiam outras são do mais sinistro e desviado que há. Para ser macaco de imitação, não basta ter falta de originalidade, de conteúdo ou de maturidade: é preciso não ser muito certo das ideias, ter um bocadinho de maldade nos ossos, ser muito invejoso, não fechar bem a tampa e em alguns casos mais sérios, recusar-se obstinadamente a tomar as gotas.

  Tenho tido o desprazer de conhecer alguns desses espécimes. Por qualquer razão lá na sua cabeça embirram que determinado indivíduo, que quase sempre só conhecem de longe, tem tudo o que elas nunca tiveram e é tudo aquilo que almejavam ser. Um pouco como o Dâmaso quando idolatrava o Carlos da Maia e o copiava em tudo, desde a barbicha ao alfaiate, não olhando à triste figura que fazia nem à cópia reles que resultava dos seus esforços.

 É claro que pessoas assim vêem sempre a vida alheia por óculos cor de rosa: no seu entender o alvo da obsessão não tem desgostos, contrariedades nem dias maus como toda a gente, e os privilégios que a vida lhe concedeu são todos grátis. 

 Ao macaco de imitação nunca ocorre a dignidade, responsabilidades ou o trabalho que o seu alvo tem para manter e luzir aquilo que Deus lhe deu- e como tal, remói-se de inveja.


 Porque o outro é bonito, ou famoso, ou rico, ou bem nascido, ou muito inteligente, ou muito elegante, ou muito qualquer coisa,  o macaquinho critica por um lado ("ai, nunca teve de trabalhar porque o papá deu-lhe tudo; ai,que pessoa fútil; uff, que roupa ridícula") e imita por outro. Na maioria das vezes não imita lá muito bem, porque há coisas que só nascendo de novo e outras que um conhecimento superficial dos factos ou a limitação dos meios não pode colmatar, mas pronto.

E começa o processo de transformação, que não raro é da água para o vinho.  Veste como o alvo. Tenta posar, relacionar-se, pensar e pentear-se como o alvo. Procura aproximar-se dos seus íntimos,  adere às mesmas ideias políticas, conduz um carro igual, adopta os mesmos hobbies, faz por se infiltrar atabalhoadamente nos mesmos círculos. Não lhe basta ser como fulano de tal: a certa altura, começa a querer SER fulano de tal, no melhor modo Mr. Ripley.

 O ideal era torcer o pescoço ao alvo da sua adoração e roubar-lhe  a identidade, mas como isso não é lá muito prático bajula abjectamente caso o ídolo lhe conceda uns minutos de atenção e planeia infâmias pelas costas, chama-lhe nomes feios em privado, torce-se de ressabiado, deseja-lhe uma morte lenta e dolorosa. 

 E em vez de tirar partido das próprias qualidades, resigna-se a ser uma cópia barata. Ora, todos sabemos que uma carteira da feira nunca será uma Birkin, por muito detalhada que a imitação seja. E que um macaco pode mudar de fato, mas não engana ninguém. 

 O Zoo anda a fugir às suas responsabilidades, ou não haverá jaulas para tanta macacada junta?

Cá para mim o Inferno...



...é igualzinho, igualzinho à Loja do Cidadão.

Isto se não acreditarmos na teoria defendida por já não sei que cantor que achava que as pessoas com estilo iam todas parar ao inferno, logo lá é que estavam as melhores festas, os autores mais espirituosos e enfim, as melhores companhias ou pelo menos as companhias menos enfadonhas.
 A sério: calor que não se suporta, gente mal enjorcada por toda a parte, uma burocracia infernal...é o inferno, só pode. 


Não vim equipada com este sofware.


Um dos lemas lá de casa é "eu só gosto de falar uma vez". Certo, sei que pode ser necessário repetir, explicar de novo ou mesmo rever a estratégia... mas se puder evitar isso, mais feliz fico.

Uma vez decidido o que vai ser feito, como e quando, da forma que compete a gente organizada e que sabe seguir um plano de acção, há que investir esforços e energia naquilo que tem de ser executado; não me aborreçam com volta-atrás, nem venham discutir o mesmo como se nada tivesse sido combinado. 
Se está assente, assente está, siga, evolua-se a partir daquilo que se decidiu e deixemo-nos de conjecturar com o que não está em cima da mesa e não é relevante para o caso.

 Tempo é dinheiro, e poucas coisas me maçam tanto como deitar fora minutos da minha vidinha que ninguém me devolve, ou gastar mais latim com o que já foi discutido ad nauseam.

 Quando as pessoas fazem de conta que não se fechou combinação nenhuma, fico a pensar se estarei a lidar com gente cheché, palavra de honra. E começo eu própria a perder o foco, a dispersar-me e a desperdiçar paciência e neurónios com inutilidades.

 Imaginemos um exemplo simples: decidiu-se que um quarto vai ser pintado de amarelo. (Se é razoável ou não pintar uma divisão dessa cor, é irrelevante agora). Ainda não está escolhido o tom exacto de amarelo, se é casca de ovo, gema de ovo, ouro velho ou coisa que o valha, mas após muitas horas de deliberação ficou combinadíssimo e foi aceite por todos que será AMARELO - não azul, nem verde, nem roxo às pintinhas.

 Resta depois disso escolher qual será o amarelo certo, o que já representa canseira que chegue, e a marca da tinta, e quando, a que horas e por quem vai ser pintado o quarto.

 Pois bem, as pessoas chechés que também concordaram com o amarelo vêm invariavelmente no dia seguinte, como se nada tivesse sido dito, repetir que verde era bom. Ou roxo era bom. Não se trata de mudarem de ideias, estilo pensei melhor e acho que amarelo não serve. Ná, isso não era doido que chegasse. A sua teoria é " vamos pintar o quarto de verde com pintinhas encarnadas".

 Não há manual de gestão, não há Sun Tsu nem pensamento lógico que ensine uma mulher ajuizada a lidar com abordagens destas. Ou se há, eu não vim programada com tal software, e aí o erro de fabrico é meu. O meu sistema não sabe correr este equipamento, não suporta esta maneira de pensar, e dá um erro num ecrã a fazer pisca-pisca, estilo vírus, que só diz em letras gordas: DESAMPARE-ME A LOJA.

*Modo do dia: I´m going slightly mad. Ai estou, estou.*












Tuesday, June 3, 2014

Rihanna vai nua...e faz um sucesso. Como Josephine Baker? Ná.



Já vos contei que cá em casa costuma dizer-se jocosa e ironicamente, quando alguém não sabe que vestimenta levar a uma festa, "vai nua que fazes um sucesso".

 Pois,  Rihanna também deve saber essa, porque a aplica tão amiúde que não sei como continua a espantar quem quer que seja.
  Sempre ouvi que a nudez, quando se torna muito frequente, perde o impacto e já ninguém liga nenhuma... mas a julgar pelas evidências que por aí andam, acho que não é verdade. 

 Porém, desta feita a starlet  exagerou e para receber o (muito discutível, volto a dizer) prémio de ícone de moda do ano - atribuído pelo Council of Fashion Designers of America - achou que nada seria mais apropriado do que não levar roupa nenhuma.


  Se pensarmos que há quem defenda que o nome Rihanna, como Rihannon, vem da palavra céltica para "Rainha" então será seguro afirmar que, como naquela história infantil, "a Rainha vai nua"

Ou que como noutro conto de fadas, vestiu uma rede e não vai nua, mas também não vai vestida.

 A homenagem da cantora à mítica estrela de vaudeville Josephine Baker é mais do que óbvia: em termos de silhueta são muito parecidas; Josephine Baker não teria a cara de boneca de Rihanna mas em compensação era bem mais expressiva, e ambas são mulheres de origem africana com um vasto público. Sem dúvida, o look anos 20 criado por Adam Selman vai bem ao tipo de Rihanna. Resta saber se a menina tinha de ser a única a interpretar o dress code da festa - "Impacto Instantâneo" - ao pé da letra...

 E ressalvemos um detalhezinho: Josephine Baker, que era uma óptima pessoa e muito amiga de Grace Kelly, despia-se imenso, mas só em palco; tinha mais subtileza e o atractivo da novidade.
 Aalém disso, ciosa do seu bonito busto como era (tinha por hábito pôr o peito num balde de gelo para o manter tonificado) duvido que andasse por ali super desconfortável a
 bambolear-se uma noite inteira. Vá lá que Rihanna ainda teve a réstia de bom senso de pôr umas calcinhas cor de carne - não é um cinto de bananas como o de Josephine, mas sempre se resguarda uma migalhinha de modéstia. Ufff.

*(Deixo-vos com a "Dança das Bananas" de Josephine Baker, porque não há nada como ver o original...eu cá acho que a Josephine dançava e cantava melhor, mas isso sou eu...)*




Romantiquice do dia (porque o cinismo, sempre, cansa)



"(...) quando o amor é de raiz, tolice é querer arrancá-lo"

Júlio Dinis, "Os Fidalgos da Casa Mourisca"


Gostaria de em breve dedicar um post detalhado a este romance, que além de ser um dos meus preferidos me faz grande pena que seja tão pouco acarinhado em detrimento não só de outras obras (a meu ver, menos encantadoras) do mesmo autor, como infelizmente de muitos livros menos adequados - particularmente nas escolas e liceus.
 Já aqui o disse que ler Jane Austen devia ser ponto obrigatório para raparigas de juízo, mas o autor português (de origem anglo-irlandesa, aliás) não fica muito a dever-lhe no que toca ao bom senso.

    A sua obra, e Os Fidalgos da Casa Mourisca em particular, está cheia de humor, de vivacidade, mas também de ideias edificantes - o dever acima da satisfação pessoal, a reverência pela tradição, a ponderação, o orgulho, o pundonor, a modéstia, a honra, a delicadeza - e acima de tudo, apresenta vários retratos femininos da mulher perfeita.

   Perfeita na beleza e no esmero com a sua aparência, mas sobretudo perfeita na elegância, no ânimo e nos dotes do espírito: Berta, Gabriela ou até Ana do Vedor, a espalhafatosa ama, representam cada uma à sua maneira a mulher independente (tão independente como podia ser naquele tempo, mas de modos que tomariam muitas hoje) capaz de paixões mas igualmente capaz de as moderar para não ser sacrificada por elas, capaz de heroísmos mas evitando extremos romanescos, cheia de graça e cheia de auto domínio - e apesar de feminina, bem hábil a defender-se, nem que seja - palavras da Ana do Vedor, não minhas - "chimpando com um cântaro de água pela cabeça abaixo" a certos mariolas.

  Se em vez de ideias "feministas" e romances de cordel se plantassem nas cabeças e nas estantes das moças livros que ensinassem alguma coisa - quanto mais não fosse a alinhavar uma prosa com jeito - teríamos mulheres mais apropositadas e bem preparadas.
  
 Quanto a abafar o amor, o amor verdadeiro e de raiz, estou com o autor, que viveu tísico e morreu novíssimo (com 31 anos) e por isso lá saberia alguma coisa de viver intensamente: negar o óbvio faz doenças, mina o ânimo, corrói a existência. Ou citando, é muito mau resignar-se aos desgostos que se podem evitar...





Monday, June 2, 2014

Senhores jornalistas:


eu não preciso de seguir em directo cada instante da almoçarada da Selecção no Palácio de Belém. Tão pouco de contemplar novamente a mini saia da tal assessora que é fã do Ronaldo. Saia branca, ainda por cima, e com um casaco encarnado e com o comprimento errado a fazer-lhe o derriérre maior do que será, mas o mal é dela e assim como assim se gosta tanto do Ronaldo não pode ser um prodígio de bom gosto; mais, basta ver que a República é representada por uma sujeita em top less, queriam o quê?

Mas o que me faz rir mais ainda é ouvir que os jornalistas de moda, os bloggers de moda, são fúteis e que os jornalistas de Informação é que são gente muito culta, muito séria, que se ocupa de coisas úteis e fulcrais para o País e para a Humanidade. Meus caros, vocês ganham a papa a seguir passo a passo, com detalhes estilo Ronaldo vai à casinha e levou Dodots,  uma data de jogadores da bola até ao Hotel. Eu chamo a isso ganhar a vida a brincar- ou se forem gente de juízo, a fazer fretes. Credo.

A maior luta que um homem pode travar...



...é sempre consigo mesmo. Este é um conflito inerente ao ser humano, pelo que homens e mulheres sofrem com ele: ninguém está derrotado até que a sua confiança seja destruída, nem vence o que quer que seja se não tiver a certeza da sua verdadeira vontade nem o domínio sobre as próprias fraquezas. 


 Mas as mulheres têm outra flexibilidade. Um homem pode demorar mais a formar uma ideia ou uma resolução mas uma vez sentindo ou pensando, agarrar-se-á ferozmente a ela, ainda que esta se prove errada ou dolorosa; talvez sinta menos amiúde, mais lentamente, talvez se aperceba mais tarde daquilo que sente, seja mais discreto nessa manifestação ou se explique por enigmas mas quando decide ou sente, ainda que de si para si, é com uma intensidade assustadora. Expressar-se-á por vezes tarde demais para que se perceba até que ponto foi sendo ferido ao longo do caminho, às vezes para espanto de quem o agravou sem perceber como. 

  E quando sofre, sofre com uma profundidade, uma força e uma demora que podem ser difíceis de compreender. 
  As ofensas que lhe sejam feitas, para serem realmente ofensas, ter-lhe-ão atingido - ou pelo menos, ele pensará que sim- o brio, a supremacia e o orgulho. E é muito difícil deixar ir ou curar o mal que chegou a esses alicerces da sua mente. É precisa muita água clara para lavar o melindre, muita doçura para cortar o sabor amargo daquilo que sentiu como bofetada ou derrota, muita luz para afastar essas trevas - mas também um homem corajoso, de coração bom e forte, para ser maior que ele próprio.
 Quando um homem se vence a si mesmo necessita de boa acolhida, pois vem ferido da batalha; de todos os louros, porque ultrapassou o pior dos medos; de toda a tolerância, porque foi ao Inferno e voltou - abalado, mas muito mais poderoso. 


Sunday, June 1, 2014

Marilyn Monroe (que faria anos hoje) dixit




“I don't mind living in a man's world 
as long as I can be a woman in it.”

  Se Marilyn ainda estivesse entre nós, completaria hoje 88 anos...e nunca me canso de olhar para as suas imagens, nem deixa de me surpreender a sua beleza ou o estilo perfeito e intemporal das suas toilettes.
 Não só tinha um rosto imaculado e a figura de ampulheta ideal - embora seja com justiça considerada o porta estandarte das curvas, era bastante pequena e magrinha a maior parte do tempo - como tudo o que vestia podia perfeitamente ser usado agora.

  Mas o mais interessante nela era a forma como tirava partido da sua feminilidade e vulnerabilidade: "as mulheres que querem ser iguais aos homens são pouco ambiciosas", dizia. 

 Sempre admirei mais uma mulher que leva subtilmente a arma ao seu moinho do que aquelas que intervêm, bradam, bracejam. ´
   Chega-se exactamente ao mesmo lugar, conseguem-se melhores resultados e com mais elegância partindo do pressuposto realista de respeitar a ordem biológica dos factos, de reconhecer que o mundo e as mentalidades não mudaram assim tanto. A verdadeira inteligência está em vencer num mundo de homens lutando com armas femininas. 
  Disse Benjamin Disraeli que a força de uma nação sempre se mediu pelas mulheres por trás dos seus homens

  Não que uma mulher tenha de estar sempre nos bastidores, bem entendido - mas liderar, inspirar, não é para todas;  muitas fariam um melhor trabalho se continuassem a mexer cordelinhos com subtileza em vez de protestar contra aquilo que dificilmente mudará, ou inventar progressos que deixam o mundo pior do que está e acabam por funcionar contra todas nós. E Marilyn sabia disso. Sendo tão bonita, e uma mulher com algum bom senso, não precisava de grande brado para deixar a sua marca no mundo. 

Bom dia, criançada.


Há pouco apercebi-me que podia muito bem ter reservado o post sobre a treta da criança interior para hoje, mas tenho a mania de me antecipar.
 Depois lembrei-me que ando há que tempos para reorganizar (e refazer) todos os álbuns cá de casa - isto da fotografia digital tem vantagens, mas faz com que por um lado, se deixem a ganhar mofo os instantâneos antigos e por outro, que eu me esqueça de mandar imprimir os novos  - e fui num pulo virar caixas do avesso, numa interessante viagem ao passado, com medo de ter perdido o retrato acima.

 Aqui ficam registados para a posteridade o ar malandreco e os caracóis de que vos falei. E nota bene, as minhas preferências em temos de toilette já se inclinavam para alguma cor e simplicidade na forma. Também usava o único modelo de ténis que ainda hoje tolero bem, estilo Ked,s, o que confirma que aos dois anos e meio, três, eu tinha as ideias bem definidas. Sempre acreditei que aquilo que se é em pequeno não muda por aí além quando se cresce...
   Por exemplo, encanto-me com muito pouca coisa, ou só com o que realmente vale a pena - o entusiasmo mantém-nos vivos, mas convém que se tenha ponderação e não há nada pior do que pasmar para tudo e deslumbrar-se com tudo. No entanto, quando alguma coisa me dá alegria continuo a fazer a mesma cara que fiz da primeira vez que me lembro de ver neve. E a usar capuzes...


E para comemorar o dia em grande, nada como uma caça ao tesouro com os primos mais novos. Sempre tive a mania das explorações e diz que aqui perto, no meio do mato, há umas grutas ideais para fazer de Indiana Jones. Isso se eu despachar a horas umas obras que preciso de orientar primeiro cá em casa - estantes, varões e cabides, what else? Feliz dia da Criança, criançada malcriada que nunca cresceu (espero!).


  

  


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