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Saturday, June 14, 2014

Quatro beldades portuguesas.


Uma vez que em tempo de Mundial de futebol se exaltam os zelos patrióticos - sempre é melhor que nada, vá- eu que não percebo nadinha, nadinha de bola também quero contribuir com alguma coisa.
 E lembrei-me de quatro belezas lusas que fizeram furor na sua época...mulheres com um glamour que já não se faz e que além de tudo sabiam ser sexy com classe. Se muitas apresentadoras, modelos e actrizes do nosso país pusessem os olhos nisto, o garbo e o panorama seriam bem diferentes.

China Machado



Nascida Noelie Dasouza Machado em Xangai (1928) filha de pai macaense e mãe chinesa, teve uma educação esmerada. Aos 19 anos apaixonou-se pelo famoso toureiro Luìs Miguel Dominguín, com quem fugiu para Roma. Ironicamente, o matador acabaria por trocá-la por Ava Gardner, de quem China era uma grande fã.
 O desgosto acabaria por se revelar um golpe de sorte: China mudou-se para Paris, onde foi, quase por acaso, descoberta por Givenchy, tornando-se rapidamente numa das modelos residentes desta Casa. Seguiram-se Dior e Balenciaga - um sucesso que tornou China a modelo mais bem paga da Europa.
 Em 1959 a sua grande amiga e mentora, Diana Vreeland (que considerava China "a mulher mais bonita do mundo") colocou-a na capa da Harper´s Bazaar, abrindo caminho para gerações de modelos "étnicas". Mais tarde, a manequim faria carreira nesta mesma publicação, como editora e directora de moda.
 Esporadicamente, China continua a participar em produções...e nos seus oitentas, mantém-se lindíssima.


Teresa Casal


O Costa do Castelo é um dos meus filmes portugueses preferidos e sempre me fascinou a intérprete alta e loira da caprichosa Isabelinha de Castelar. Teresa Casal nasceu em 1915, e antes de ser actriz foi cantora e cabeleireira.
 Por influência do marido, o actor e realizador Arthur Duarte, entrou em vários filmes, como Os Fidalgos da Casa Mourisca, e visitou Hollywood.
  Nos anos 50, porém, a bonita actriz divorciou-se e passou a viver em Barcelona, retirando-se da vida pública.

Laura Alves


Sabem aquelas compras que nos arrependemos de não ter feito? Uma das minhas foi um álbum de retratos de Laura Alves, cada um mais impressionante que o outro, autografado pela actriz...que valia só pelas imagens dos vestidos que usava.
 Deixei-o escapar num mercado de antiguidades e lamento o facto até hoje, até porque não sei como, existem na internet poucas fotografias que façam justiça a uma das nossas mais belas e populares actrizes.
 Lisboeta de gema, nasceu em 1921, frequentou o Conservatório de dança e foi reconhecida pela sua versatilidade - cinema, teatro, comédia, drama...
 Pessoalmente, adorei vê-la em O Primo Basílio. Linda!

Milu

Com uma cara preciosa - sempre me pareceu que passaria bem por irmã mais nova e mais franzina de Sophia Loren- e uma silhueta imaculada, Milu chegou a ser convidada para trabalhar em Hollywood. Teve medo e recusou, um passo de que dizia ter-se arrependido. 
 Maria de Lourdes de Almeida começou a cantar na rádio aos 10 anos e teve um percurso brilhante na época dourada do cinema português, fazendo ainda sucesso em Espanha.
 A sua beleza serena e fotogenia consagraram-na como a primeira grande vedeta do cinema em Portugal.  Eu diria que ainda não temos substituta à altura, mas não sou especialista...

Pessoas sem sal.


Ontem, numa procissão em honra do meu amado Santo António, o sermão girou à volta da célebre ideia "vós sois o sal da Terra e a luz do Mundo". Se o sal não salgar, não presta para nada; se a luz for fraca, é inútil. 

 Isto adapta-se não só aos Católicos, mas à sociedade em que vivemos.

 E deixou-me cá a pensar como a maioria tem vergonha de mostrar o seu sal:  princípios fortes, valores bem definidos. 

Estamos tão democráticos, tão democráticos que se instalou o "é proibido proibir" e pior - o terror de dizer algo que soe pouco democrático. 

O status quo é o das pessoas sempre dispostas a começar movimentos e revoluções. Proclamam aos quatro ventos que têm uma cabeça muito aberta, gostam de toda a gente, são pró verdes, pró escolha, pró tudo, super tolerantes, muito pela igualdade,  não criticam, não julgam, opinam muito mas não têm verdadeira opinião sobre nada. 
 Sobre nada, menos sobre a necessidade constante de renovação - e para deitar abaixo tudo o que é tradição, bem entendido.
 A Igreja precisa de ser renovada, a política é para a frente que atrás vem gente, costumes que cheirem a medieval por qualquer razão são para ser abolidos, e os privilégios - os dos outros- haviam todos de acabar. 

 Andamos invadidos por uma espécie de hippies-yuppies: materialistas queridinhos e zen.

 E isto acontece por duas razões: porque as pessoas são invejosas - tradição e privilégios nem sempre são para quem quer - e preguiçosas. Porque a tradição, o brio, o ritual, os dress codes, os protocolos, o bom comportamento, a exigência dão uma trabalheira a cumprir. São uma canseira. É muito mais fácil dizer que cada um é como cada qual, que o que importa é ter amor no coração e ser muito amiguinho de todos...o que acaba por não acontecer.

Quem não tem cabeça para seguir princípios e manter valores, não é verdadeiramente amiguinho de ninguém: é um hipócrita. Quem não julga nada de nada, ou mente ou não está lá muito certo de não ter telhados de vidro.

 Mas fica bem no retrato dizer que se é fofinho; tão tolerante que não se incomoda ninguém, a não ser que isso dê nas vistas nas redes sociais e louve modernices ou reformas. Arejado, informado, de mente aberta, descontraído. Sem sal, portanto.

Friday, June 13, 2014

Eu embirro com...as pessoas "I want it all, and I want it now".



Bom, não será bem assim pois Deus me defenda de embirrar com o meu adorado Freddie Mercury. Eu própria sou, por natureza, impaciente quanto baste (um traço de carácter que é  sempre sensato moderar).  Desesperar quando se espera é humano. 
   Para além disso a ambição, desde que saudável, razoável e bem conduzida, com ética, integridade, noção dos próprios dons, limitações e circunstâncias, não deixa de ser uma qualidade. 

 Não esqueçamos ainda que tempo é dinheiro e que se as coisas são para ser feitas, é agarrar a oportunidade e realizá-las em tempo útil. Tudo isto é verdadeiro.

 Aquilo com que embirro não será a vontade de chegar a um objectivo ou terminar uma tarefa, tanto quanto possível, depressa e bem. O é para amanhã, tão característico dos latinos, pode ser exasperante.

 Mas como sempre, no meio é que está a virtude. E há pessoas que não só dão passos maiores do que a perna e esquecem que quem tudo quer, tudo perde, como querem tudo para ontem. Ou melhor ainda, para anteontem. E lá diz o sábio povo, "o apressado come cru".

 Se um bolo está no forno, não são capazes de o deixar cozer em paz. Abrem o forno de dois em dois minutos, palitam a massa a ver se já está sólida, perguntam "já está? já está?". Claro que o bolo fica estragado. 

Se plantam batatas, não têm paciência para as deixar nascer: desenterram as pobres coitadas todos os dias a ver em que pé as coisas estão. Quando enviam um currículo, na manhã seguinte ligam trinta vezes para saber se estão contratados. Se algo está em curso, ainda a procissão não saiu do adro já andam a exigir novidades. Depois impacientam toda a gente, a procissão já não sai e ainda se queixam que tudo lhes corre mal.

 Não dão tempo para que nada se construa, para que se tomem os passos necessários, não respeitam o ritmo das situações nem a sensibilidade alheia, tão pouco pensam que os outros envolvidos terão mais que fazer.

Entram em pânico por qualquer coisa, colocam pressão em tudo, são incapazes de serenidade e de ter um toque leve. Gente assim não durava dois minutos numa guerra - denunciava logo a posição ao inimigo.

Ora, a paciência, o saber esperar - desde que sem exageros - e acima de tudo, o saber esperar caladinho e pensar noutra coisa enquanto se aguarda o resultado é uma grande prova de carácter, humildade e auto domínio. 

 Como aprendi a ser muito paciente, muito tolerante com a maluqueira alheia, mas nunca soube lidar com indisciplinas e falta de auto controle, pessoas que querem constantes indícios, sinais, novidades e feedbacks  tiram-me do sério.

 Quem não está disposto a aguardar com a devida calma... ou é inimigo da perfeição, ou muito infantil, ou pouco empenhado no objectivo em causa.  E em geral, só mostra que não tem intenções muito sérias- porque se desinteressa do assunto e passa rapidamente a outra coisa caso nada aconteça com a rapidez que deseja. Easy comes, easy goes.

 Até se pode querer tudo - mas deixem o tudo fazer-se. E fechem a matraca. Roma e Pavia não se fizeram num dia, e as coisas que valem a pena nesta vida são como o amor verdadeiro e a alta costura: fazem-se esperar.

Thursday, June 12, 2014

Folhetim do dia.


Indo eu, indo eu buscar umas antiguidades para enfeitar as paredes, dei-me com um livrinho do mestre espanhol do folhetim, Enrique Pérez Escrich, de que só tinha ouvido falar.
 Tratava-se do primeiro volume de um dos seus romances de costumes, "O Amor dos Amores".

 Como precisava de fazer tempo sentei-me a passar os olhos pelo enredo - que tinha o seu interesse, apesar de a narrativa deixar a desejar e de ter personagens a esmo - e ora adeus, era mais uma versão do Otelo de Shakespeare.

 Ainda não o acabei, mas em traços largos era uma vez um rico  fidalgote que tinha uma esposa lindíssima e virtuosa; ora, esse senhor, bem apessoado e moreno, sofria de ciúmes patológicos. Azar dos Távoras - calha que a amada, D. Maria, que é uma beldade morena a condizer com ele, dá à luz um pequeno louro como o sol, o que vem deitar pólvora nos zelos já assanhadíssimos do pobre D. Fernando. 

 Sucede que o vizinho, o sedutor barão D. Emílio, é um Apolo de cabelos dourados...

 Claro que o apaixonado D. Fernando não tem razões para desconfiar - mas a parentela, que lhe quer ficar com a fortuna (sem falar num primo da onça que lhe quer roubar a Maria) arranja com isto uma bela desculpa para ver se ele mata a mulher e o filho, indo parar atrás das grades ou ao cadafalso.

 E o pateta, que desconfia de todos menos de quem lhe faz o ninho atrás da orelha, cai que nem um pato gordo e tonto em todos os disparates que lhe dizem.
 Como o segundo volume da obra se chama justamente o Inferno dos Ciúmes, não sei se vale a pena continuar a ler para assistir a mais cenas de paranóia. É que fico cansada e exasperada e não é nada comigo, quanto mais.
 Dá-me vontade de assentar duas lamparinas no homem, a ver se pára com os delírios. Quanto à Maria, coitada...é um exemplo de abnegação para aturar um marido tão doido.

 Desconfio que não vou ler mais- é verdade que os folhetins fazem mal às ideias...

Há uma coisa que eu não entendo nas mulheres.


Aqui esta pessoa que vos escreve é do mais feminino  que há em quase tudo. Se não fosse por meia dúzia de aspectos, podia dizer-vos sem problemas que sou um estereótipo em saltos altos. 

Porém,  sou ignorante de todo em relação a certas tonterias atribuídas ao meu próprio género.


Um hábito que me escapa é a mania feminina do fanico, da histeria, do chilique: uma coisa é  ser delicada, outra bem diferente é ser galinha choca- sendo que algumas das mulheres mais "modernaças", mais feministas, são as primeiras a ter faniquitos ora no sentido literal, ora esbracejando e reivindicando que nem varinas, o que é muito feio. A natureza já nos fez emocionais que chegue; se não houver temperança, racionalidade e serenidade, ninguém nos leva a sério.

Outro é o péssimo impulso competitivo das mulheres. Embirro seriamente com senhoras ou meninas que adoram competir umas com as outras. Não só isso é estúpido e as leva a fazer tristes figuras, como lhes tolda completamente o juízo. E é algo que acontece em vários campos.

 Uma loja pode não ter nada de jeito, mas se põe na montra grandes cartazes a dizer "SALDOS" é ver o mulherio a correr para lá, a fazer fila e a disputar, à pancada e arrepelando-se se for preciso, umas tretas que não lhes fazem falta nenhuma - só porque é suposto irem aos saldos e é suposto estar mais barato.

 Eu  sou a rapariga que espera pelos últimos dias - aquilo que valia mesmo a pena e não quero deixar escapar já comprei, o que é só pela pechincha não vale o meu cabelo nem a minha dignidade.

 Na carreira e no amor muitas agem exactamente da mesma maneira. O chefe pode estar a ser pouco razoável e se não houvesse outra mulher na sala certas profissionais mandavam-no passear; mas se houver outra colega, aceitam tudo só para mostrar "eu faço mais que ela" nem que não ganhem nada com isso.
 E são mulheres dessas que se rebaixam a competir por playboys das dúzias.




 Eu sempre desprezei homens que se armam em muito pretendidos- o que é muito disputado geralmente não vale nada, tal como a roupa em saldo...

 Mas conheço muitas que quanto pior um homem se porta, quanto mais a põe em competição contra rivais, mais as mulheres se assanham. Em vez de pensarem "este não vale a minha dignidade e não sabe o que quer" o raciocínio destas tontas é " também não hás-de ficar com ele, deixa estar, minha estúpida" - só pelo prazer da competição, de fazer ferro à concorrência. E o infeliz, que às vezes é lindo como o sol de noite e vale tanto como uma camisola de acrílico, a gozar o panorama, a sentir-se o máximo.

Se ele estivesse sozinho a um canto não o queriam, mas como há outra leoa por perto é o fim do mundo.

 Como eu prefiro uma certa exclusividade e selectividade e  não gosto de filas, de ajuntamentos nem de vulgaridades, não compreendo estas formas de se gastar o tempo. Cada uma é como cada qual, nada a fazer...

Wednesday, June 11, 2014

Frase do dia: os caprichos deles.


"A persuasão consiste mais em agradar do que em convencer ou impor, porque os homens se guiam mais pelo capricho do que pela razão".


(Não faço ideia da autoria: encontrei-a ao passar os olhos pelo jornal, mas assino por baixo, e mais não digo...viva o jeitinho feminino e a bela paciência de santa!).

Bailaricos e picardias de namorados...


...não mudaram muito desde os anos 30, não. 

Sempre adorei a cena de A Canção de Lisboa em que o Vasquinho e a Alice, de arrufo e sem querer ouvir falar na cara metade- ele a chamar-lhe "essa traidora de franja" e ela "não me falem em coisas redondas que me fazem lembrar dele" (a mulher que não conhece a sensação, que se acuse) vão na marcha cada um para seu lado com outro par, levando "dependurado" um boneco a caricaturar-se um ao outro e a trocar alfinetadas enquanto se olham de esguelha. Para avaliar o efeito da provocação, claro.

 Se calhar as alfinetadas agora tomam outra forma - via redes sociais, muitas vezes - mas o conteúdo é sensivelmente o mesmo.
 Gosto muito de ti, por isso belisco-te a ver se gostas mesmo de mim. Ora toma lá uns ciúmes a ver como elas mordem.

Mas é pena que já não se saibam fazer bonecos em pasta de papel, para dependurar numa marcha. Ia sair cada gaiato mais giro...e ver que versão inventavam da nossa pessoa havia de ter a sua piada.

Olha o balão, na noite de São João
Para poder dançar bastante com quem tenho à minha espera
Ó-i-ó-ai, pedi licença ao meu Pai, e corri com o meu estudante
Que ficou como uma fera


Olha o balão, na noite de São João,
Para não andar maçado da pequena me livrei
Ó-i-ó-ai, não sei com quem ela vai, cá para mim estou governado
Com uma outra que eu cá sei



O dia de Portugal...e a dignidade que lhe compete. Ou chatear o Camões.


Eu não vi o desmaio do Sr. Presidente. No momento eu estava numa situação tão Portuguesa como Deus quer, num bairro típico de Lisboa, à espera que uma taberneira despachasse as sardinhas e entretida a olhar para as bandeirinhas e manjericos. Cansada de uma noite de arraial à moda antiga e tão arredada de fanicos republicanos como se pode.
 Mas a televisão estava ligada, com um desses programas gravados em cada terra - Somos Portugal, ou coisa que o valha, neste caso da TVI.

 Desta feita, o circo era na Mealhada. E como as benditas sardinhas nunca mais vinham, deu para ver que o Dia da Raça - que agora cai mal chamar-lhe assim, quanto mais não seja porque deu o arejo na"raça" e ela anda muitíssimo enfezada - para esta gente, consiste numa panóplia de cantoras pimba gorduchas e bailarinas a condizer, tutus a descobrir presuntinhos, câmaras focadas em populares a mastigar de boca aberta, kizombices e afins, escolas de samba a provar que o samba é uma dança do mais lusitano que há - e que a julgar pela nudez roliça das adolescentes descascadas e sem pai em casa, é um péssimo exercício - e manifestações populares que misturavam a adoração pela TVI aos cartazes onde se lia "não «à» leitão porque não «á» dinheiro" (não sei se é mais triste a situação, se a ignorância, se a falta de leitão, se o facto de não haver dinheiro para leitão mas não faltarem meios para ver televisão).

 Vontade de dar com martelinhos na cabeça desta gente toda, a ver se ganham juízo e um bocadinho de brio, é o que é. Com uma mentalidade destas, admiram-se que a Nação vá mal? Muito bem vai ela, coitada.
 No meio disto tudo ninguém falou de Camões, e ainda bem.  Acho que tudo isto já é uma forma má que chegue de chatear o Camões. E a nós outros.

Tuesday, June 10, 2014

Lord Chesterfield dixit: observa o próximo como a ti mesmo.


"A ciência adquire-se com a leitura dos livros; mas a ciência que tem mais importância - o conhecimento da humanidade - só se consegue adquirir observando os homens e estudando todas as espécies de indivíduos".

Philip Stanhope, 4º Conde de Chesterfield


A quem por aqui passa, não são alheios certos pensamentos relacionados com a arte do profiling e a importância de tirar o retrato robot às almas com quem uma pessoa se cruza.

Nem toda a gente será assim tão observadora, mas quem tem um bocadinho de mundo e se rege pela sábia máxima de ouvir duas vezes, olhar umas quantas e falar só uma saberá decerto a sua utilidade.

Os outros só nos dizem o que querem e mostram o que gostariam que fosse visto - bom, essa é a intenção. Mas é muito mais divertido (e frutífero) prestar atenção àquilo que procuram esconder.

 Tanto as palavras e sons que emitem- a inflexão da voz, a pronúncia, o vocabulário - como o visual e a linguagem não verbal permitem ler,  como um livro aberto, quem se encontra diante de nós.

 É muito fácil detectar uma mulher desesperada, por exemplo - e infelizmente, os agressores são muito bons nisso. Os seus arrebiques, maneirismos e roupas procuram ansiosamente chamar a atenção; faz tudo para se manter em evidência; o seu olhar busca ansiosamente a aprovação alheia.

  Do parvenu, do poseur, nem vale a pena falar: a pose de peru - peito feito, andar pimpão, voz "ouçam-me que eu estou aqui", gostos e vernizes demasiado recentes, marcas mais ou menos visíveis ou mesmo ostensivas, o discurso "EU fiz, EU tenho, EU, EU, EU", erros gramaticais no meio de palavras caras...denunciam-no rapidamente.

  E da mesma forma é fácil detectar o inseguro ansioso por agradar, o lambe botas, o engatatão das dúzias - tal como a pessoa distinta, o homem honesto, a grande dama, a interesseira, a alminha tímida e tantos outros tipos, bons e maus.

 O reverso da medalha é que há pessoas vividas e observadoras em toda a parte - logo, quem analisa corre o risco de ser analisado também

Quanto a isto, há somente dois remédios: não recorrer a artifícios nem afectações, porque nada é mais encantador que uma pessoa confiante em si própria; e ser simultaneamente a melhor versão de si mesmo, já que se não criar a sua própria imagem, os outros tratarão de formar o seu parecer.

 Claro que "a  melhor versão" nada tem a ver com ser aquilo que não se é - mas esse exercício reside na noção da realidade, na educação e no mais elementar bom senso. Para bem observar os outros e julgar com justiça, é preciso em primeiro lugar observar-se a si próprio...e ser muito exigente nessa matéria.

 

 

Monday, June 9, 2014

Vaidade, tudo vaidade...mas há a boa e a má vaidade.


Vanitas vanitatum omnia vanitas [Eccl. 1:2;12:8]. 

A vaidade é um pecadilho, um guilty pleasure, um mal necessário ou um instrumento- e como tal , deve ser vigiada e moderada para que se possa empregar na direcção certa.

Há a vaidade benéfica, ou como eu gosto de lhe chamar, brio.

É o brio que impele a ter a melhor apresentação possível, a evitar o desleixo na imagem e nas atitudes, a fazer justiça ao nome que se carrega, a honrar a família, a cuidar da reputação, a manter uma certa altivez e orgulho nativo, a cultivar uma dignidade que não deve ser confundida com sobranceria, a ser a melhor versão de nós próprios, a procurar os bons convívios, a não dar nas vistas pelas razões erradas. 

  Não é defeito reconhecer os dons e qualidades que a natureza ou o acaso nos concederam e tirar delas o melhor partido possível: desprezá-los seria fazer pouco de quem não recebe da vida as mesmas benesses.

 É mesmo muito feio diminuir constantemente as próprias conquistas: o desprendimento é uma virtude, mas convém saber ser grato e dar a si próprio o devido aplauso, se é merecido, para que se transforme em motivação para fazer mais e melhor.

 A vaidade boa e o brio estimulam, conservam, evitam a decadência.

 Depois há a vaidade má, o orgulho desmedido, o desejo de diminuir os outros, de copiar outrém ou até de se apropriar do que lhe pertence, o impulso constante de competir com o alheio, o egocentrismo, a vaidade própria dos espíritos tacanhos e estreitos que leva a pessoa  a humilhar-se, a sabujar e a fazer outras coisas pouco dignas só pelo prazer da palmadinha nas costas, do sucesso lusório ou roubado, ou de ombrear - na aparência, pelo menos - com fulano ou sicrano. 

 A vaidade que leva alguém a rebaixar-se a si próprio ou aos outros, a ferir inocentes ou a fazer figuras ridículas, essa sim é um veneno.

  Quem anda por aí "inchado que nem lhe cabe um grão de milho" muitas vezes com motivos insignificantes, só porque julga que deu um passinho em frente, não só faz mal a si e a quem o rodeia, como cai na anedota...o que é precisamente o contrário do que se pretende. O espelho - seja o espelho físico ou o exame de consciência - é sempre um bom conselheiro.

 Devia ser obrigatório cada um trazer o seu e olhar-se nele uns vinte minutinhos por dia. E isso não seria vaidade, seria um acto de sensatez. Ou cultivar o bom e velho sentido de noção, que anda tão maltratado...

  

Sunday, June 8, 2014

Se vocês me vissem hoje, não iam acreditar.


Sabem aquilo que se costuma dizer..."cuidado com as piadinhas, porque podem explodir-te nas mãos"? Acho que a frase não é bem assim, mas faz de conta e agora aplica-se. Ando para aqui toda contente a troçar de certas coisas e vai-se a ver rebenta-me nas mãos ou mais concretamente, nas unhas.

 Por razões que agora não são para aqui chamadas (i.e: trabalhinho mal feito) achei-me na rara necessidade de levar a cabo procedimentos de beleza fora  - já vos contei que aquilo eu não saiba ou não queira arriscar, mando fazer a alguém que venha a casa, porque não estou para correr capelinhas - por DUAS (duas!) vezes na mesma semana. É obra. Não há fome que não dê em fartura.

E unhas, ainda por cima - invenção que se não é do Demo, é um castigo de Nosso Senhor imposto às mulheres para vingar as fraquezas da venerável Eva.

 Pior, piorzinho, piorio - sucedeu isto a um Domingo, sem nenhuma profissional de confiança disposta a livrar-me discretamente do apuro. O karma é um malvado, e fez-me assim uma partida para eu aprender a não fazer pouco de nails corners.

 Vai daí que tive de me sujeitar como as mais à penitência de entrar num shopping e entregar-me literalmente nas mãos de uma sorumbática manicura: brasileira e tudo! Entra forninho, sai forninho, lima para trás, lima para a frente, um regabofe. Estava ali a prever duas horas da minha vida deitadas ao lixo em perfeita imobilidade, e com um põe-tira-burila-molda de deixar a cabeça a andar à roda só para passar um begezinho discreto. É que não gosto mesmo, não é por nada...

 Vá lá que tive sorte: não foi num corner plantado no meio do corredor, calhou-me um salão com um cantinho retirado, acho que ninguém deu por mim e a mocinha foi rápida e eficiente. A tortura durou pouco e enfim, às vezes é preciso enfrentar os medos (ou embirrações) de frente. E saber rir de si mesmo. Que remédio...


O regresso da modéstia - gostem ou não.


Vejam isto: alguns dos portais de moda mais influentes recomendam que, a bem de não datar o guarda roupa, este Verão se guardem por ora as micro-minis, e que as substituam por saias frescas abaixo do joelho. Temos revolução, ou é simplesmente a ordem natural das coisas?

Oscar Wilde achava que a moda era uma coisa tão feia, mas tão feia que precisava de mudar constantemente - frase que se pode complementar com o pensamento de Yves Saint Laurent: "as modas desvanecem-se, o estilo permanece".

 Pessoas de gosto têm um estilo definido e intemporal, construído com a consciência do que lhes fica bem, que é mantido fresco com apontamentos e pequenas actualizações de acordo com as tendências vigentes.

 Só assim um visual nunca parecerá congelado no tempo, evitando-se ao mesmo tempo a "doença" da fashion victim.

 A verdadeira elegância implica quase sempre uma atitude de certa condescendência em relação à indústria de moda - por mais que se seja conhecedor e apreciador - o desprezo pelas novidades demasiado extravagantes e um acompanhar e analisar o que se passa, mas a uma distância segura. Volto a citar Coco Chanel: "elegância é recusa".

 Logo, quem tem estado atento terá assistido a certas convulsões de imagem nos últimos anos:  se ainda não tanto nas ruas - já que paradoxalmente, quanto mais atrevida ou espampanante é uma tendência, mais facilmente as pessoas parecem aderir a ela, tendo ou não figura para a usar - pelo menos nas passerelles.

Por aqui, já espanquei muito o insuportável "stripper chic" - ou como os italianos dizem mais brutalmente (com licença da palavra) "la moda de la puttana".

 O exagero grosseiro de calções mínimos, bandage dresses reduzidos, saltos de dançarina do varão e afins - influência de Kardashians e outros reality shows, de cantoras como Rihanna e, por cá, de ideias do Brasil, tudo isto acompanhado de formas demasiado abundantes em roupas demasiado reveladoras - tem vindo  a  ser substituído (a bem de uma higiene visual, acrescente-se) pelo  ladylike, inspirado nos anos 50 (curvas sim, mas livres de uma sexualidade óbvia) por tendências de inspiração  cool,  masculina ou preppy, de linha mais esguia e até pelo grunge. 

 Neste momento, volta a ser considerado mais sedutor não revelar tudo. A subtileza volta a estar na moda. Tal como a Natureza, a moda repõe sempre o equilíbrio. Isto foi evidente no ano passado, com as propostas românticas de Valentino a virar os dados.

 Correndo-se o risco de uma viragem completa - ou seja, de um exagero no sentido oposto - todas estas são mudanças bem vindas e que as mulheres de bom senso saberão empregar da melhor forma. 

Com um pouco de sorte, assistiremos ao regresso de uma certa modéstia e elegância, com peças como as saias abaixo do joelho, cinturas vincadas e pantalonas a substituir o ultra justo, ultra sexy, ultra curto - o gratuito, em suma. 

 Quando até os meios de comunicação mais "moderninhos" assim o sugerem, acho que podemos estar descansadas. Vestir como uma stripper vai deixar de ser considerado habitual- é só esperar um bocadinho.

 (Isto para gáudio das que sabem que deixar algo à imaginação pode ser muito mais sugestivo, e aflição daquelas que pensam que não ser explícita dá demasiado trabalho...)
  

Sweets for my sweet.


Esta semana, que foi de grande lufa lufa, ocorreram-me dois airosos raciocínios (não sei se a vossa mente costuma trabalhar por si própria e inventar devaneios com alguma lógica quando andam em stress; a mim acontece-me).

1- Há pessoas que se parecem com os figos dos cactos; aparentemente espinhosas, difíceis de decifrar, que não se manifestam muito- mas uma vez removidos os picos (ou seja, conquistada a confiança e conhecidas as subtilezas) são do mais doce que há. A sua meiguice, que costuma vir acompanhada de integridade e constância, não é distribuída a tudo e todos, gratuitamente. É preciso paciência e mérito para dar por ela e parte da emoção de um relacionamento assim vem da descoberta, do mistério, dos pequenos nadas. Quando finalmente se estabelece o entendimento, este é perfeito e duradouro.
 Depois há aquelas que aparentemente são uma doçura - tudo mel, tudo promessas, tudo certezas, um mar de rosas. Mas vai-se a ver e em menos de um fósforo, prova-se que são peta-zetas: quando parece que tudo é maravilhoso, dão um valente estouro de deixar uma alma assarapantada e muitos amargos de boca.

 Obviamente, eu prefiro as primeiras. Tenho mais de cacto que de peta zeta...

2- Ainda hei-de perceber a relação entre crianças e elásticos, mas que há alguma, isso há. No meu tempo de escola os meus colegas andavam todos maluquinhos a saltar ao elástico. Eu nunca entendi as regras e por isso não gostava muito (saltar por saltar, antes à corda) mas para muita pequenada todas as desculpas eram boas para pular no recreio, e vi as professoras a refundir no fundo da secretária não poucos elásticos, já bastante sebentos da brincadeira...
 Agora a loucura é com as pulseiras de elástico. Rapazes e raparigas, é vê-los entretidíssimos a alinhavar padrões e a fazer justiça ao estribilho trabalho de menino é pouco, mas quem o perde é louco, pois eu cá mesmo hoje não atreveria a fazer uma pulseira que se visse. 
  Ora aí está uma brincadeira que se fosse na minha infância eu ia achar bem chata e que me deixaria isolada a um canto de certeza, pois nunca tive paciência para trabalhinhos manuais...em todo o caso podia dar-lhes para muito pior, mas sei que já há muitos docentes a perder as estribeiras e a confiscar os brinquedos como antes se fazia com os pega monstros.
  As pulseiras sempre são menos nojentas do que estes últimos, desde que não sejam os adultos a usá-las.

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