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Saturday, June 28, 2014

História de amor: perder a cabeça.


Hoje foi dia de caçar relíquias no mercado de antiguidades cá do sítio : além de metros de bela renda antiga (excelente para guarnecer vestidos) encontrei vários livros e revistas do tempo da outra senhora que me vão dar pano para mangas. Entre eles estava uma obra portuguesa que eu desconhecia completamente:  Lord Byron - Vida e Obra; suas referências a Portugal, de João Paulo Freire (1944).


 Ainda o folheei pouco, mas chamou-me a atenção uma frase cheia de verdade na descrição da aventura do poeta com a jovem e bela mulher do sexagenário Conde Guiccioli:

 "Uma mulher só perde a cabeça  por um homem quando, por qualquer circunstância física, moral ou mental, o julga superior a todos os outros homens".

É claro que há mulheres cujo ideal de superioridade não é lá muito difícil de atingir, ou demasiado generosas, ou tão tontas que perdem a dignidade ainda antes de perderem a cabeça, o que não seria decerto o caso da bela Teresa Gamba Guiccioli: não só a beldade tinha mais pretendentes do que conseguia gerir, como Byron não era um homem qualquer.  Por ele,Teresa acabaria por deixar o idoso e milionário marido com autorização do Papa - longe de Byron, a condessa adoecia e definhava. Tornaram-se inseparáveis. Foi ela que pôs fim, com o seu amor puro e a sua devoção despida de egoísmo, à vida desregrada do autor. Viveu a seu lado durante apenas três anos, mas respeitou a sua memória como viúva durante décadas. 
 Há perder a cabeça e perder a cabeça...




É muito triste ser obrigada a embirrar com quem não se conhece...



...mas ninguém está livre. Gosto tão pouco de implicar gratuitamente com pessoas a quem não fui apresentada, que só espero que a musa que inspirou este post não venha a ler isto.
 Primeiro, porque é pessoa que nunca me fez mal nem bem ( bem não fez de certeza, mas eu já explico) se calhar até é um anjo e pode ficar melindrada; segundo, porque ainda que leia, perceba "ai que isto é para mim!" se ofenda muito comigo (coisa que não me dava abalo nenhum, mas custa-me cometer tal indelicadeza) não me parece, pelos motivos que explicarei adiante, que seja o tipo de pessoa que vá aprender alguma coisa com isso, muito menos moderar-se lá porque lhe apontam isto ou aquilo. A sátira, se não ensinar alguma coisa, não serve para nada.

   Embirrar com uma celebridade, ou pseudo, é normal. Acontece que na era das redes sociais, qualquer um pode *tentar* fabricar para si próprio um estatuto de pseudo ou semi celebridade. Logo, sujeita-se. Há dias, um vídeo que ironiza a vida de faz de conta que muitos representam no Facebook tornou-se viral, e por boas razões: quase toda a gente conhece alguém assim.

  Desconfio bem que estou a ser atingida por um mal (ou um bem, conforme a perspectiva) do meu tempo: embirro, como se embirra com os Kardashians, com uma *muito, demasiado* vulgar cidadã, só porque tenho o azar de ter amigos virtuais - e não só- em comum com ela
   Sucede que a criatura, que nem minha amiga virtual é, é uma oferecida social: amiga de todo o mundo. Isto é mau, para começo de conversa: nunca confiei em quem é muito amiguinho de toda a gente; e quem se faz amiguinho de toda a gente nas redes sociais é pior um bocadinho, como um polvo de mil tentáculos. Digo que pode ser um bem porque para bom entendedor meia palavra basta: o facebook revela muita coisa sobre o utilizador. Por muito fabricada que seja a imagem que cada um lá coloca, o pé, ou o dedo, foge sempre para a verdade. É uma excelente ferramenta de profiling: logo, a vantagem é que já sei que preciso de evitar essa pessoa como a peste, não vá eu morrer de urticária na sua presença.

 Para ser justa e imparcial aqui, preciso de dizer que tomei conhecimento da existência da pessoa através de uma alma impossível de aturar que a engraxava, que por sua vez também é de uma promiscuidade social insuportável, de um alpinismo atroz e assaz ridícula em vários campos. Daquelas que só achamos bem por uns dias e depois se exorcizam com arruda, defumadouro malcheiroso, sal e água benta e se grita ao mundo "EU NÃO TE CONHEÇO". Por isso, a "senhora" em causa leva inevitavelmente  tareia por tabela e associação. 

 Mas seria redutor embirrar só por isto: fosse a facebookeira em análise uma pessoa muito distinta, não  podia ser acusada senão de ingenuidade.  Ou de ser uma facebookeira em série sem noção das conveniências.

O problema é que não se trata cá disso. Além da promiscuidade social, a alma de que vos falo sofre do mal terrível que é ser uma mulher *considerada* intelectual. Ora, isso é um perigo, uma chaga; não há nada pior que uma mulher que se acha muito esperta, uma autoridade em todas as matérias, com opinião sobre tudo e um desejo feroz de atenção. Num homem é ridículo, numa mulher que não sabe ser uma senhora, é medonho. Assusta-me particularmente porque deste tipo de pessoas, de uma mulher madura e mãe de filhos ainda por cima  espera-se seriedade, distanciamento, decência, um certo rigor científico e acima de tudo parcimónia, racionalidade. Queiram perdoar, mas não aguento galinhas chocas.

  Com a desculpa "sou um vulto do saber e uma pessoa muito considerada lá na freguesia" a minha embirranda (olha eu a inventar palavras) que é assim do estilo cougar + lavadeira-que-se-fez-doutora (espécime que supera em chiliques a sua prima, a varina-feita-viscondessa ), com carinha de mulher do rancho que só lhe falta o lencito amarrado no queixo (sem ofensa às mulheres do rancho, que há-as sérias e cultas mas é só para imaginarem a personagem com mais clareza) dedica-se a publicar coisas de grande panache académico do estilo "amo o pôr do sol!", selfies impróprias para a sua idade - porque expor o decote cai lindamente a uma senhora estudiosa, nada como o pacote completo para angariar admiradores - saídas à noite com outras mulheres-feitas-e-livres-para -amar-que-nunca-cresceram, um regabofe.

 Está em todas, opina em cada evento cultural, nunca se cala. Colecciona likes como a Imelda coleccionava sapatos.

 Ora, há coisa de dois meses a popularíssima personagem fez saber ao mundo (e a mim também, que nem sou amiga dela, nunca é demais frisar,  mas apanhei com os estilhaços porque tutti quanti disse da sua justiça) em jeito de conferência de imprensa, que "a bem da sua privacidade e da privacidade dos filhos" (agora é que se lembra?) a ocupadíssima sábia ia (foguetes!!!!) cancelar a conta do Facebook, conta essa que criou "para partilhar pareceres académicos" (seriously?). Em suma, tinha-se entusiasmado e ia agora retratar-se para que não se intrometessem na sua *sotaque do Brasil aqui* vidinha de badalação.

 Acham que era a sério? Pois claro que não. Foi como aquelas raparigas inseguras que dizem "sou tão feia" só para ouvir o contrário ou seja, para receber muitos comentários a implorar que não se fosse embora. É óbvio que cancelou tanto a conta como eu fui ao fim do mundo, e que inocentes continuam a sofrer as suas balas perdidas de manhã à noite.

 Não sei se é bonito bloquear quem nunca me fez mal algum, só porque acho a pessoa ridícula. Aliás, prestar atenção a isto é ridículo. Vivemos tempos muito estranhos e é uma complicação escapar-lhes, só vos digo isto.





Cristiano Ronaldo dixit (um ponto pela sinceridade)


Pérola encontrada hoje numa revista del corazón da nossa praça (isto no cabeleireiro, bem entendido). 
Pois bem, vocês que por aqui passam sabem que eu sou toda a favor da beleza e muito contra hipocrisias. Beleza é dote, já se sabe, e como dizem as espanholas, la suerte de la fea, a la bonita le vale madres. 
   Depois, é claro que do menino Cristiano não se espera que ande à procura de uma grande profundidade intelectual, de subtileza e saber estar: calha que encontrou uma mulher que -sorte ou azar dela -além de bonita é culta e com dois dedos de testa (o que não lhe tem feito senão bem, sou obrigada a admitir, embora tenha para mim que é uma grande ajuda não perceber metade do que a Irina diz) mas... devagar com o andor. 

  Ouvir da cara metade que se é a mulher mais bela do mundo é muito agradável, muito lisonjeiro, mas se calhar sabe bem sentir que se tem qualquer coisita para além disso. Sem querer cair no discurso da objectificação da mulher mas já caindo, parece que está a falar de um carro ou coisa que se pareça.

 Então o que ele procura é só a beleza? E se a rapariga fosse uma malcriada, uma desarranjada, não gostasse de tomar banho, o tratasse mal, chamasse bola de unto à senhora Dolores (não sei como isso se diz em russo, mas vá) lhe pusesse o filho a limpar escadas, descascar batatas e a dormir no armário estilo Harry Potter quando ninguém estivesse a ver,  o enganasse com o carteiro, fosse burra como um urso - não digo burrinha, isso se calhar era para o lado que o Ronaldo dormia melhor e não se estragava casa nenhuma, mas ursa a pontos de lhe deitar fogo à maison de trinta quartos por não saber desligar o babyliss ou coisa assim, descompensada e má como as cobras...estava tudo bem?

  Além disso, a beleza não está garantida. Imagine-se, o diabo seja cego surdo e mudo, que ela deixava de ser linda ainda que temporariamente. Malas à porta e encomendava-se um modelo novo, era?

 A menina, que parece ser inteligente, fie-se no rapazinho, fie. Ao lado do Ronaldo, o Amadis de Gaula era um doidivanas. Roi-te de inveja, Oriana, perante Irina, a Sem Par!

[É sarcasmo, é- digo eu não vá o Ronaldo ler isto enquanto corta a crista (nunca se sabe porque a internet e o clipping são coisas cheias de surpresas) e ficar todo vaidoso a achar que alguém o considera "o mais fiel de todos os amores". Fique-se com o melhor do mundo no que concerne à bola, e cara alegre].


Friday, June 27, 2014

A moda é sempre uma questão de perspectiva.


 Esta imagem de uma blogger russa vestindo um modelo Moschino apareceu-me hoje na newsletter de uma famosa loja de luxo online.
  Achei graça ao cenário e às cores do vestido; não o usaria porque é espampanante  para os meus gostos clássicos - e pouco prático - mas percebo o apelo. Comentário meu: que vestido engraçadinho, com tons tão vivos e um laçarote.


 Resposta da senhora minha mãe, que estava ao lado e tem um odiozinho de estimação a pepluns, folhos e laçarotes: parece a Palhacita Picolé!

 Depois admiro-me às vezes de ter um barómetro interior que não me deixa alinhar em maluquices nem extravagâncias. Com juízes destes em casa...


Thursday, June 26, 2014

A Selecção (porque era esquisito não mencionar o assunto) e a Guerra de Tróia.


Vem isto a propósito de uma excelente crónica lida no Observador . Reza a autora a seguinte grande verdade: 

"Somos uma das grandes nações do futebol, os nossos jogadores estão entre os melhores do mundo… e no entanto não vamos ganhar o Mundial. É o que acontece sempre. Por um lado, ficamos cheios de esperanças (...) Por outro lado, sabemos que estamos destinados a perder".

Ora, nunca é demais recordar que esta pessoa que vos escreve não percebe nada de futebol. Já tentei perceber, mas não percebo. Gostava de me entusiasmar com o desporto rei, porque é sempre uma maçada ver toda a gente aos saltos e eu ficar ali neutra, estilo psicopata da vida isento de emoções humanas a fingir que está muito contente ou muito triste conforme o resultado, mas é o que acontece quase sempre. 

  Que me recorde, só me deixei contagiar num jogo da Académica (posso não morrer de amores por futebol, mas a Briosa faz parte) onde o pai me levou em pequena e que foi impróprio para cardíacos, além de ter uma mulher do Norte a torcer pelo adversário com tantos palavrões que fez rir toda a gente e me deixou ensinada para o resto da vida, o que contribuiu largamente para o pitoresco da experiência; isso, mais o Euro 2004. Para o Euro 2004 tenho desculpa, porque se passava à porta de minha casa e ou me juntava a eles ou estava feita (hei-de ter aí um retrato com a cara pintada e tudo ao lado de uns adeptos franceses que até trouxeram um galo!).

 Mas depois disso deito o olho a uns joguitos de rugby com os homens cá de casa e já não é mau. Se o futebol pode ter algum encanto em termos de estratégia (e eu, filha, neta, bisneta e vai-por-aí-fora de militares, sempre gostei de estratégia, mas já lá vamos) a verdade é que eu não consigo acompanhar as regras. 

   Depois é um jogo muito não me toques, tudo é falta, ai-que-me-tocou-no-menisco-que-tragédia,  com especial predominância de rapazes bons atletas mas simplórios de brinco na orelha, penteados à kizombeiro e hábitos a condizer. 
 Se no rugby são uns brutos, mas vá, uns brutos minimamente bem criados (alguns, pelo menos) no futebol há toda uma cultura do "gladiador premiado" com que não me identifico.

E por fim, a degradação de símbolos nacionais sem direito a punição faz-me espécie. Está certo que não gosto muito da bandeira verde e encarnada, mas é a que temos e não é para deixar a apodrecer à janela, em cima das antenas ou pendurada em estendais.

  Mas até fazia vista grossa a isso tudo, não fossem dois detalhes : primeiro, tal como a crónica do Observador aponta e muito bem, quer a Selecção ganhe ou perca o País continua exactamente na mesma. Cada português à beira de um faniquito, a gritar pelo Ronaldo, não acrescenta um cêntimo à sua conta bancária, não tem melhores condições de vida, não arranja um emprego decente nem deixa de se angustiar com o futuro dos filhos ainda que se ganhe o Mundial com um resultado estrondoso e nunca visto. O Ronaldo volta para a sua vidinha de grandes bólides e fatiotas de gosto duvidoso, os adeptos voltam a maçar-se com pagar as contas. No fim do jogo, o encanto quebra-se e as carruagens voltam a ser abóboras.

 Depois, o sermão é sempre o mesmo de cada vez que se joga um Europeu ou um Mundial: que não temos uma equipa capaz de jogar como tal (ao fim destes anos todos ainda não se resolveu o problema? Tenho para mim que um Sargento do exército punha esses marotos na linha, e que um General era capaz de alinhavar uma estratégia que se visse; basta ler Maquiavel e Sun Tsu, ora essa) que o Ronaldo é um mercenário que só joga bem nos clubes onde lhe pagam rios de dinheiro e que pela Selecção é só para enfeitar.

 Ora, eu não se se isto é verdade mas a ser, eu que não entendo nadinha de futebol mas de imagem percebo qualquer coisa, resolvo já o molho de brócolos: se o rapaz tem medo de magoar os delicados musculozinhos e pezinhos de ouro porque ainda tem muito para dar ao futebol e muitos contratos milionários para fechar MAS não podemos prescindir dele (já lá vamos) então conceda-se-lhe o papel decorativo que ele quer, só para meter medo à equipa adversária e dizer que temos o grande Ronaldo a alinhar connosco, e parem de exigir tanto do (sem ofensa) puro sangue premiado.

  Porque isto parece a Guerra de Tróia, é básico-básico, elementar meus caros: o Aquiles era igualzinho ao Ronaldo, se esquecermos que um era filho de um rei e de uma deusa e outro filho de um senhor jardineiro e da Senhora Dolores, que um era louro e outro é moreno.



Fora isso, as façanhas são semelhantes, embora eu não esteja bem certa de como o Ronaldo se ia comportar face ao inimigo de elmo na cabeça e escudo ao braço; são trabalhos diferentes, porque em batalha não há a desculpa do menisco ou das luxações, mas usemos a imaginação aqui. 
 O Aquiles, menino de ouro dos gregos, com a sua flamejante armadura cuja mera vista punha o exército inimigo em debandada, não era mau rapaz mas  muito dado a birras, perito em amuar por caprichos. Se não lhe davam o que ele queria - a princesa cativa, o amiguinho, qualquer coisa - não saía da tenda e pronto.

 Agamémnon, chefe das fileiras gregas, arrepelava-se e desesperava-se. E qual era o remédio? Era deixá-lo e não depender dele, porque quando estava para aí virado fazia o que sabia fazer melhor e causava o terror e a mortandade entre os troianos, mas se virava do avesso só contando com a estratégia e mente brilhante do Ulisses para fazer alguma coisa; havia mais guerreiros além de Aquiles, que servia sobretudo para dar coragem aos outros, meter medo e fazer vista.
 Foi a inteligência de Ulisses que ganhou a guerra e conquistou Tróia. Aquiles lá ficou, espetado no dourado calcanhar.

 Fica claro que a Selecção precisa é de um Ulisses. Mas se os responsáveis não lhes dá para ler os clássicos e tirar ideias, vale a pena os portugueses queixarem-se mais por causa do mesmo? É que se torna repetitivo.



Wednesday, June 25, 2014

Uma família muito guapa!



Se há mulher com estilo, é Naty Abascal

  Não temos no nosso país, pelo menos que me ocorra assim de repente, nenhuma figura pública que se lhe compare: pela carreira na moda numa época que já não volta, pelo conto de fadas - com episódios bem negros - que foi a sua vida, pela gestão que conseguiu sempre ir fazendo da sua imagem sem descer do salto, por combinar glamour, pergaminhos (do defunto marido)  e fama (pois a fama normalmente estraga tudo em casos assim) sem se banalizar, pelos projectos a que vai emprestando o seu savoir faire de árbitro das elegâncias.

 Está sempre linda, fresca, sorridente e imaculada, rodeada pelos dois formosos filhos que trouxe ao mundo (Rafael Medina, o jovem Duque de Feria e o seu irmão Luis, Conde de San Martin de Hoyos) que parece que o tempo e a desdita não passam por ela.
 No passado fim de semana a socialite marcou presença em Sevilha, na boda  de uma sobrinha com os filhos e a sua elegante nora, Laura Vecino - meninas que publicam semana sim semana sim posts sobre a Duquesa de Cambridge, ponham os olhos no belíssimo, muito fashionista (e muito menos pop)  casal que formam os Duques de Feria!

E reparem como Naty estava elegante com um Oscar de la Renta (bem colorido, como é seu costume) um fascinator laranja que noutra mulher ia lembrar o Poupas mas nela fica estupendo e uma clutch de padrão tigresse - uma combinação que poucas mortais podem usar mas que luziu com a graça costumeira.

 Claro que é fácil dizer "assim também eu era fantástica com a idade dela!" mas se eu tivesse um euro por cada caso que conheço de senhoras com todos os privilégios e menos razões de queixa que a única coisa que fazem é 
deprimir-se e maçar as almas, estava a esta hora a escrever-vos de algum local idílico. Está tudo na disciplina e na joi de vivre, é o que vos digo.




Angelina très Jolie, a dar lições como de costume.


 Não sigo em detalhe o trabalho nem as idas e vindas de Angelina Jolie, mas uma coisa é certa: nunca a vi feia (também, pô-la feia seria uma canseira) desleixada nem mal apresentada. Tudo aquilo que veste é de uma simplicidade cirúrgica, sem grandes variações e sempre da maior elegância, perfeição aliada a um styling, cabelos e maquilhagem invariavelmente imaculados. 

    Desafio-vos a encontrar uma imagem dela com uma postura menos que ideal, a pele a brilhar ou um ar cansado: nem pó! Nem nas suas andanças solidárias onde Judas perdeu as botas a actriz surge desarranjada. Ter gente a ajudar não explica tudo, porque outras mais têm entourage e o resultado é o que se sabe...
 E relativamente a vestimentas, o que se pode aprender com ela? Que um bom fitting é tudo. Se outras celebridades aparecem muitas vezes com vestidos lindíssimos mas que não caem como devem, esse não é de todo o caso da menina très Jolie.

  Por muito caras, bonitas e de boa qualidade que as roupas sejam, nem o melhor design nem o melhor tecido mostram o seu máximo potencial se não forem ajustados à medida.
 Este vestido Atelier Versace que usou na estreia de Maleficent em Tóquio é francamente icónico - e a prova provadíssima de que se pode usar Versace sem um bocadinho de vulgaridade que seja, pois goste-se mais ou menos do género, se há coisa que esta Casa sabe fazer é roupas que estilizam o corpo e favorecem as curvas sem pesar.
 Os pumps Yves Saint Laurent, pretos retintos e com um salto oh la la, estão na fronteira entre o clássico e o demasiado alto, mas quando se é elegante pode-se tudo.

 Eis que surge outra lição aqui, pois claro: um salto altíssimo alonga a silhueta, mas convém que seja da melhor qualidade, ou é pior a emenda que o soneto; e quanto mais alto é o tacão, mais minimalista e discreto deve ser o visual. Uns sapatos de dois andares com um vestido espampanante, com demasiada informação, cheio de fru frus ou  recortes, padrões e detalhes, não dá; em casos desses é melhor optar por uma altura eficiente, mas que dê pouco nas vistas.
 E por fim, mais uma dicazinha: o preto liso, tal como o azul escuro, é a cor que mais facilmente disfarça um tecido sofrível; mas para resultar como este Versace, convém que o material seja mesmo requintado.
 Copiar o visual com um vestido de tecido baratuxo e sem os devidos truques e puxadelas de alfaiataria não vai funcionar.

Mirem-se no exemplo, mirem.



Tuesday, June 24, 2014

Há pessoas que estão mesmo a pedi-las.


Malhas que o Facebook tece: ouvi hoje uma estória de uma amiga que valha-me Deus.

A pobre recebeu um pedido de amizade de uma pessoa que mora numa terra onde trabalhou em tempos e, onde, pela natureza das suas funções (jornalista ao serviço de cada local politiquice, festarola, tragédia, inauguração e fenómeno estilo couve-gigante-nasce-no-quintal-da-Ti- Eugénia) conhece quase toda a gente, de vista pelo menos.
   Aquela cara pareceu-lhe familiar e não querendo ser indelicada, lá aceitou o pedido com as restrições de privacidade aplicáveis a quem se conhece de vista.

 Eis que o rapazinho, um pintarolas em idade de andar a passear livros ou bater chapas, começa a tratá-la por "linda" (coisa de fazer encaracolar o sangue) por "tu" (pois claro!) e a dizer, numa mensagem pejadinha de erros ortográficos "és muito linda, gostava muito de te conhecer" - o que explicou logo que ela nunca tinha visto a criatura em parte alguma (isto há certas caras que não variam muito, é fácil confundi-las) o que, adicionado às preferências musicais (Leandro não sei das quantas, kizomba e Carreiras)  deixou claro que não tinha pena de não ter travado tal conhecimento...

 Disse-lhe ela muito sucintamente "peço-lhe desculpa, acho que o confundi com outra pessoa e não tenho no meu facebook pessoas que não conheço", só para não o desamigar de caras. E dito isto, lá desfez o equívoco com um belo "unfriend".

Acham que ele se calou?

Não. Continuou a tratá-la por tu, para começo de conversa, e cito, para que não se perca a beleza da prosaLool .. entao temos que nos conhecer ... pode ser ?".
E ao fim de uns minutos: "Gostava que responde -ses ou ficas te chateada ? De nao nos conhecermos" (e ela, de si para si: ui, "fico-me" chateadíssima- onde é que andaste toda a minha vida, que só agora me ensinas como se escreve "respondesses" de uma forma tão exótica? Eu também gostava de muita coisa...)

Lá se ficou muda e queda, mas como há pessoas que não percebem quando não são desejadas o palerma vai de insistir, com uma tal veemência que não se percebe se é perseguição ou candura, a perguntar "porque não me falas"?

A minha colega, já enfadada, recorreu ao botãozito de bloqueio, mas se fosse a fazer o que lhe apetecia- e o que apeteceria a qualquer mulher de juízo perante uma dessas - era dizer: SIM, MEU ESTROPÍCIO. COMO INSISTES TANTO EU NÃO CONSIGO RESISTIR A ESSA LINGUAGEM ROMÂNTICA. E UMA VEZ QUE TEMOS IMENSO A VER UM COM O OUTRO, MAL POSSO ESPERAR PARA NOS JUNTARMOS NUMA BELA NOITADA DE KIZOMBA E ROMANCE; DEPOIS CASAMOS, FAZEMOS O COPO
D´ÁGUA NA ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA E RECREATIVA DA TUA ALDEIA COM MAIS KIZOMBA E SOMOS FELIZES PARA SEMPRE. MAL POSSO ESPERAR".

Das duas uma: ou fugia a sete pés, ou não percebia o sarcasmo e estava o caldo entornado. Mas esta gente existe mesmo?


Christian Dior dixit: os pequenos nadas.


Por vezes vejo pessoas na rua, ou num evento qualquer, que aparentemente estão adequadamente vestidas e compostas: não têm nada a mais ou a menos, não parecem chamativas no mau sentido e à primeira vista está tudo no lugar. 

    No entanto, falta-lhes qualquer coisa...aquele je ne sais quoi que nos faz pensar "chic a valer!", que chama a atenção e que transmite imediatamente aos outros estarem perante uma grande senhora, um cavalheiro dos antigos, uma personalidade distinta ou uma verdadeira beldade (pois a beleza, só por si, é complicada e enganadora).

    Para esse não sei quê concorrem diversos factores, alguns bastante subtis: a figura que se tem (embora as curvas sejam bonitas numa mulher e uma certa imponência possa ficar bem num homem, é difícil parecer elegante quando se é "uma bola") a formosura - que é relativa - o carisma e o brilho pessoal, o ar com que se nasceu, pois um ar racé é meio caminho andado (e quanto a isso, já se sabe que se pode encadernar, mas não se pode mudar de cara...) a educação (só uma pessoa educada e algo mundana está à vontade e serena em toda a parte) o porte (outra coisa que é de nascença e melhora muito com a educação: ter feito ballet, por exemplo, é a garantia de uma bonita postura para a vida inteira) a confiança em si mesmo (a) e por fim, o conhecimento daquilo que é correcto fazer e vestir; mais importante, os bons hábitos em relação a isso. 

Quem foi acostumado a distinguir as coisas de qualidade raramente faz más opções.

 Ora, sendo este último quesito sobretudo de natureza de material, pode ser aprendido e treinado.
  Por exemplo, uma mulher elegante pode não ter a última it bag - tanto porque rejeita modismos como por razões de orçamento - mas a sua carteira será sempre de qualidade. Não será vista nem morta com uma peça de aspecto duvidoso.

 Duas mulheres podem estar vestidas exactamente da mesma maneira: calças pretas, blusa estampada, peep toes e uma tote bag. Simples e sem nada que se aponte.

 No entanto, percebe-se num relance qual é aquela que possui verdadeira elegância: a sua postura é graciosa, todas as  peças são feitas de materiais fiáveis e no caso das roupas, provavelmente ajustadas aqui e ali; a maquilhagem e os acessórios são impecáveis e quase não se dá por eles. A pele e o cabelo estão muito bem tratados. Nada parece conseguido à última da hora, nem forçado.

 Tudo isto se sente sem que uma palavra seja dita ou que haja uma etiqueta visível.  A qualidade não se vê, mas nota-se. A elegância também não é palpável. Claro que a conversa e o comportamento vão confirmá-lo mais tarde, não há que enganar. E por sua vez a conversa, as atitudes, também são feitas de pequenos nadas que compõem o todo, e que vêem lá do fundo, da formação, do interior. 

 Actualmente usa-se realçar coisas concretas: aqueles sapatos, o estampado da moda, o último grito que está acessível a qualquer um. Mas a elegância genuína não depende muito de coisas que estão à venda, ou visíveis, ou evidentes. É discreta e difícil de precisar, daí ser tão rara...


As coisas que eu ouço: presunção e água benta.



Ouvido ontem nas notícias, a uma cantora (que a boa educação não me permite apontar aqui) sobre o seu último álbum:

 "É um disco de conversas entre mim mesma"

Volte Lili Caneças que está perdoada: ao menos não se faz de esperta e quando disse a frase que a celebrizou estava numa festa; já se sabe que enfim, numa situação dessas copo vem, copo vai e quando se vai a ver mais vale abster-se de discursos, acontece às melhores.
 Uma coisa é dizer abobrices depois de umas flutes, outra é dar uma entrevista a querer parecer muito pseudo intelectual, muito hipster, muito cool, muito intimista, muito alternativa, muito diva com asas por todo o lado, a fazer conversa de chacha com palavras caras que não adiantam coisa nenhuma a quem quer perceber de que disco se trata e ainda dar pontapés no português.

  Se há coisa que me tira do sério é a pose "ai que eu sou tão profunda" e o estilo Acaciano de falar, falar, falar, para não dizer coisa nenhuma. Isto tudo acompanhado de um visual entre a comunista de carteirinha e a rockabilly do Chiado, género "eu cá não preciso de ser bonita porque sou muito inteligente, mas até me pinto para parecer retro". Ora pense outra vez e vá ler a gramática, sua cabeça tonta. 

 Como se dizer que um disco são conversas com os seus botões não fosse um cliché parvo que chegasse, nem sequer lhe ocorreu dizer que a conversa era com os botões, ou o fecho éclair, consigo própria, ou a falar para as paredes? Sempre se livrava da argolada.

 Pior só uma entrevista que apanhei há dias (isto é para eu aprender a manter a televisão desligada) em que a Lena D´Água discursava com "ya" e "tá-se" num estilo que não há passado rock&roll que desculpe...

 O mais giro foi ver a seguir uma banda estrangeira, ao que parece com alguma reputação internacional, a falar também do seu novo disco com a maior simplicidade: tivemos uma trabalheira, compusemos uma data de canções e escolhemos estas dez, etc.

 Ser poseur é realmente uma tristeza. Isto sim...são peneiras.


Monday, June 23, 2014

Lá avisa o povo que os homens não se querem bonitos.


Diz que o mug shot de um menino tatuado que dá pelo nome de Jeremy Meeks se tornou viral e pôs o mulherio a gritar "eu quero ser assaltada". 
 Antes de mais nada, parece-me que isto é tanto um mug shot como eu fui ao fim do mundo; vai-se a ver, e creio que não me engano, há-de revelar-se uma campanha de uma marca qualquer, daquelas xaropentas a puxar à lágrima que agora andam muito na moda, com um slogan parvo do estilo "as aparências enganam" ou "olha com o coração" (blhec!).
 Nem aquilo é iluminação de retrato da polícia, nem aquela cara me é estranha.
   
 Mas pronto, como há mulheres muito sonhadoras e tontas que não podem ver um homem que seja:

a) Bonitinho
b) Famoso
c) Rico
d) Bad boy

nem que ele seja o pior malandro à face da terra - e supostamente, Jeremy obedece às categorias a, b (famoso ele já é) e d - temos chiliques e puxões de cabelo, e "que coisa mais linda, se ficasses comigo ias portar-te bem de certeza". Então não ia.

  Pessoalmente não acho Mr. Meeks nada de outro mundo (é esteticamente correcto, mas não me diz nada) nem estarei 100% de acordo com o povo porque enfim, os gostos são relativos. O que é bonito para uns pode ser feio ou não ter grande apelo para outros. 

Depois, a apresentação conta (para pessoas com o seu quê de esteta, pelo menos) mas tem muito mais graça um homem bem apessoado, masculino - e discreto -  do que um convencionalmente perfeitinho, bonitinho, lindinho, chamativo, decorativo. 

  Se numa mulher dar nas vistas não é bom, num homem tanto pior; se for vaidoso pior um bocadinho e se além de tudo isso for mal comportado, é preciso ser muito desmiolada para lhe achar graça. O povo avisa, avisa - um cavalheiro quer-se bem apresentado, certo - mas se não for íntegro, sereno e capaz, se só for bonitinho e mais nada, há que olhar uma vez, ignorar duas e fugir três. 

 E no mínimo, evitar guinchinhos e gritinhos. Há mulheres que nasceram para groupies e, citando Eça de Queiroz porque cai mal dizer isto hoje em dia, gostam de levar bordoada
 Lá se avenham, que com o mal dos outros...


  
 

Quem ama o torto, perfeito lhe parece.


Alguém no seu perfeito juízo queria que o "Grumpy Cat"  tivesse outra cara?

   Quando gostamos de alguém, gostamos completamente. Tudo nos parece um encanto, até os defeitos.

Um dos gatos cá de casa - todos adoptados, bem entendido - saiu-me melhor que a encomenda, coitadinho. Deixaram-no à beira da estrada e ele (um siamês pequenino, vesgo e magricelas)  ficou, muito compenetrado e com ar de quem sabe o que é bom para ele, à espera de socorro. Levámo-lo connosco com a intenção de arranjar dono que lhe conviesse, pois por cá a lotação estava esgotada, mas rapidamente perdemos a ideia -  o bichinho vinha com todos os achaques, além de ter a cauda e a coluna tortas. E se já é difícil desencantar adopção responsável para gatos abandonados sãos e escorreitos, quanto mais para um com "defeito de fabrico", todo ranhoso ainda por cima.

     O facto de ser um animal super bem disposto e carismático também fez com que ficasse, porque ninguém, nem gatos nem pessoas, se quis separar dele. O Farinelli apadrinhou-o logo e teria um grande desgosto se ele se fosse embora. 
   E um ano depois, graças a muito antibiótico e muita água benta,  o Saca Rolhinhas cá anda, feito menino na mão das bruxas: caminha torto e move-se como uma cobra, mexe a cabeça como o Stevie Wonder quando lhe falamos (o veterinário desconfia de não sei quê a nível neurológico, mas como não o afecta e até lhe dá graça, paciência). Se lhe ralham, fica desnorteado que só visto, triste que dá dó.
 Ainda houve quem me dissesse "mas para que queres um gato todo torto? Ao menos manda cortar-lhe o rabo para ficar mais bonito!" - olhem que grande disparate. O rabo em saca rolhas dá-lhe imensa piada, é o que o torna diferente. Siameses é o que mais há - siameses com um nó na cauda é outra história.

 Faz mais ele com dificuldades de locomoção e nó na cauda do que muito boa gente saudável que conheço, que não ata coisa com coisa e não dá ponto sem nó. Eu não mudava uma vírgula no Saca Rolhinhas.

 E com as pessoas passa-se outro tanto. Já aqui o disse: devemos escolher para estar ao nosso lado não só quem tem as qualidades, valores e gostos compatíveis com os nossos, mas defeitos e ódios de estimação que combinem connosco- que sejamos capazes de apoiar ou pelo menos tolerar.
  É fácil achar graça a alguém - mas se nos desesperamos a tentar mudar isto ou aquilo porque não suportamos essas características, nada feito. Não é necessário que dois amigos ou os elementos de um casal sejam iguais como gotas de água, mas convém que sejam como o mata e o esfola.

 Se gostamos de cada detalhe, cada tolice, cada micro expressão de uma pessoa, se até as suas explosões nos fazem rir e não mudaríamos nadinha nela, isso é muito bom sinal.
  Se aceitamos a cauda torta (ou o feitio torcido) do outro e não trocaríamos a sua companhia por alguém com uma cauda exemplar, está tudo dito.

Sunday, June 22, 2014

A mulher independente, a mulher trambolho e o desejado meio termo.



"When a woman acts as though she’s capable of everything, she gets stuck doing everything."


 Voltamos a Sherry Argov, porque esta frase dá que pensar...e aplica-se tanto às relações amorosas como a outros aspectos da vida.
 Por natureza, as mulheres têm a mania de achar que fazem tudo e podem tudo....e o feminismo veio reforçar esta ideia malvada escrita no código genético, porque aí convenceram-se de que o TUDO não significava ter opções mas ocupar-se de TUDO, chamar a si todas as tarefas e ter enfim, trabalhinhos dobrados. Digo ideia malvada porque ninguém consegue fazer tudo; é preciso saber delegar.

Se tivesse um euro por cada mãe toda moderna que vejo dizer aos filhos "deixem isso, que eu faço" , "vocês não sabem- mais vale eu tratar disso" estava milionária. O mesmo acontece nas empresas: ouve-se muito por aí que há organizações que preferem contratar mulheres (e juro que já vi isso em primeira mão) porque as coitadinhas têm um espírito de sacrifício desgraçado, sujeitam-se a tudo, acham sempre que uma carga a mais ou a menos não faz mal nenhum, mesmo que a produtividade seja afectada porque quem toca muitos pianos não faz música de jeito.

 E nas relações nem me vou alongar, porque já se escreveram aqui muitos posts sobre as mulheres que chamam a si o papel que compete aos homens, esforçando-se que nem uns galegos. Ou antes, fazem o papel masculino (tomam a iniciativa, fazem os convites, lêem manuais para arrasar na intimidade) e dali a nada caem nos clichés femininos que é um gosto ver: cozinham um jantar de quatro pratos no segundo encontro, fazem planos na sua cabecinha tonta sobre o nome que vão dar aos filhos do rapaz que mal conhecem e choram que nem umas Madalenas porque ele não deu mais sinal de vida. É o mal das modernices: tal como certos telefones de último grito que não se sabe se vão pegar ou não, toda a gente quer aderir (sem saber se lhe convém) mas ninguém sabe bem como funcionam.

 Ou seja, as mulheres -super- despachadas acham-se muito independentes, muito actuais, muito espertas, raparigas do milénio...e depois acabam exaustas, à espera de um herói estilo 50 Sombras de não sei quê que se encarregue de alguma coisa, para variar.

   Ora, acho que ninguém quer uma mulher trambolho; digo trambolho não no sentido de ser feia (há mulheres trambolho que são lindas) mas sim de ser dependente, interesseira, preguiçosa, infantil, egoísta; uma chata inútil  à espera de um pateta que a ature, a carregue e lhe dê boa vida.  
 Mas também não é preciso transformar-se numa mártir nem numa histérica a agitar panfletos (sou tão capaz, as mulheres governam o mundo, etc etc, etc) para provar que não se é nada disso.

Ser capaz de fazer tudo, bastar-se a si própria,  não quer dizer que se faça tudo, sempre, a toda a hora. 

  Não há mal nenhum em aceitar ajuda ou orientação de quem tem força, capacidade ou poder para a prestar; tão pouco em ser graciosa e admitir que não se sabe tudo ou não se pode tudo, que às vezes é bom contar com o apoio de outrem. Delicadeza não é fraqueza.

 Ou posto de outra maneira, há aquela frase batida: "uma mulher a sério é capaz de fazer tudo sozinha, mas um cavalheiro a sério não lho permite".




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