Recomenda-se:

Netscope

Saturday, July 5, 2014

Quando se trata de boa apresentação, querer é poder.

Bianca Jagger

Já vos contei que tenho a mania de coleccionar antigos manuais de comportamento e beleza. Encontram-se sempre truques que apesar de velhinhos ainda funcionam e apesar de datados são livros muito mais completos que os actuais, que às vezes mal arranham a superfície.
 O mais engraçado é que - tanto nos compêndios de elegância e boas maneiras como nos que se cingem, aparentemente, à moda e maquilhagem - a prosa é sempre algo aprofundada, e com ênfase no aspecto mental da beleza. Mens sana in corpore sano, pois claro!
 Estava eu a folhear um livro de 1977 escrito por uma senhora cuja biografia não consegui encontrar mas que, pelo discurso e pela lista de obras suas que por aí aparecem referidas na internet concluo ser jornalista ou editora de saúde e beleza, Josette Lyon, quando encontrei este interessante parágrafo com que me identifico inteiramente:

"Deve tentar (...) aceitar-se tal como é (...). Se verdadeiramente alguma coisa vai mal, deve fazer o necessário para que tudo vá bem. Tudo é possível, quando isso se torna uma questão de vida ou de morte. Os manequins, os modelos, nunca engordam. As hospedeiras estão sempre bem penteadas e bem maquilhadas (...). Basta estar motivada - mesmo mal - para ter êxito".

Digo muitas vezes que nada se consegue sem atenção e sobretudo, sem disciplina. A necessidade aguça o engenho. O problema é que às vezes as mulheres se queixam, mas não colocam esse sentido de "necessidade" em prática, como prioridade máxima. E assim, desabituam-se de dar os passos necessários. Fazem o mínimo, mas não estão devidamente atentas, não praticam a boa postura, o aprumo, a exigência...a não ser quando têm um encontro importante, uma entrevista de emprego, uma reunião de responsabilidade, um evento especial.

 O estado de espírito que se tem nessas ocasiões devia ser evocado todos os dias, para se agir de acordo. É difícil, e por vezes as razões para estar tão motivada não são as ideais, mas até a insegurança pode servir de desculpa para tentar ser a melhor versão de si mesma. 
 Como muitas coisas na vida, por vezes é preciso algum fake it till you make it, alguma tentativa e erro. Uma bailarina precisa de treinar sem descanso para que no palco pareça que sempre se moveu com a graciosidade e a leveza de um cisne. Tudo parece espontâneo e fluido, no entanto sabe-se bem que por trás da perfeição há muito treino, muito sacrifício, muito trabalho. 

Assim é a boa apresentação - ou o sucesso. Haja muito esforço todos os dias, para que tudo saia com facilidade nos momentos que não permitem falhas. O "vencer ou morrer" deve ser posto em prática a cada manhã, e a competição não deve ser com as outras mulheres mas com o pior inimigo - o eu de cada um (a).

Só esforçando-se diariamente se consegue a tão invejada "beleza e elegância sem esforço".

 É  sempre bom lembrar isto na era das facilidades...

Escroque todos os dias, irra.


Que vida a minha, que vida  a minha, que vida a minha. Tanto gosto de ver Downton Abbey (não sigo em pormenor, ando a ver se tenho tempo) e não consigo olhar para a série sossegada porque o criado malcriado, o Thomas, me lembra um patifório ainda mais sacana do que ele.

 Figas, t´arrenego, espiga rodrigo, que é igualzinho: os tiques pé de salsa, os esquemas, o ar todo pimpão de quem quer ser muito importante e subir na vida pela escada de serviço,  dia e noite a tramar,  a inventar, a cozinhar alguma, ambicioso e relezinho que não há memória, vira casacas, fura bolos, fura vidas, sem dignidadezinha nenhuma, honra não sabe o que é, cobardezito, intriguista que se farta, carreirista, alpinista do piorio, capaz de tudo tudo tudo, de vender a própria mãe ou de dar um tiro na própria mão,  lambe botas para não dizer coisas que uma senhora não diz, não cabe com nada, só está bem a aproveitar-se, a fazer das suas, a atormentar quem está tranquilamente na sua vida.

 E no meio de tudo o Thomas até tem um lado um bocadinho mais soft, mais caladinho, mais educado - mal ou bem é capaz de conhecer melhor o seu lugar, quanto mais não seja porque lho lembram constantemente e não tem outro remédio.
 Ainda escrevo aos argumentistas da série a dar umas ideias, juro. A realidade ultrapassa a ficção: andaram lá perto, mas o Thomas é um menino ao pé do produto original. 
 Sabem o que era giro dizer, sabem? Era isto, sem tirar nem pôr:





Friday, July 4, 2014

A nobre arte de "quando te casares já não te lembras"...e mais outra, para vosso governo.

Elizabeth Taylor e o 1ª marido, Conrad Hilton

Já vos contei que em pequena tinha dois - ou mais- lados: um muito feminino e/ou sossegado, das Barbies e penteados e por aí fora,  outro de maria rapaz (leia-se: dar pancada nos rapazes, fazer acrobacias de circo, etc) para não contar com o meu espírito de exploradora e cientista, que me trouxe alguns amargos de boca: deitar fogo à arrecadação numa "experiência" foi um deles, mas isso é assunto para outros carnavais.
 Mas certa vez houve uma peripécia que não foi culpa minha... e graças a ela aprendi duas máximas para a vida.

 Estava eu no recreio, minding my own business sentada no chão a brincar já não sei a quê, quando - prova provada de que o karma nos apanha precisamente quando nos estamos a portar bem - um grupo de meninos decidiu inventar uma brincadeira parva: fazer corridas levando um colega às cavalitas.

 Pois bem, uma das "montadas" desequilibrou-se e deixou cair o "cavaleiro", que era bastante gorducho...em cima da minha pessoa ou melhor, da minha mão. Pimba, fiquei com um dedo amolgado, esfolado, todo achatado...doeu-me pela vida e embora não fosse do tipo choramingas abri um berreiro, mais por medo de ficar maneta que outra coisa...

 A professora Isabel, que era um amor e uma senhora muito despachada, agarrou em mim e levou-me ao lavatório, para me passar o dedo espalmado por água fria. Com os nervos de me ver naquele estado, segurava-me com tanta força que era pior a emenda que o soneto.

- Aiiii, que a senhora professora está a apertar-me muito! E isto arde! - choramingava eu.

Pois acto contínuo, ela sai-se com esta:

- "O que arde cura, e o que aperta segura!"

Nunca tal tinha ouvido, e até me esqueci da dor por uns instantes a meditar em tamanha filosofia. Ao longo da vida sempre preferi as coisas um bocadinho exigentes, ou que apertam e seguram bem, porque são essas que conduzem a alguma coisa, e sem saber com o que se conta, sem disciplina e sem segurança não se chega a lado nenhum...

Mas como eu continuasse a queixar-me, ai o meu rico dedo, ai que vou precisar de pontos, e assim por diante, a professora atirou-me outra pérola:

"Deixa lá, que quando te casares já não te lembras!"

É capaz de ser verdade porque ainda me lembro, apesar do dedo ter voltado ao normal sem grande mossa. Daí por diante houve muitos aborrecimentos que enfrentei com um "quando te casares já não te lembras!" e acho mesmo que se a lenda se confirmar, a possibilidade de uma amnésia estratégica é um bom motivo para convencer muitos solteirões (ou solteironas) empedernidos a juntar os trapinhos.

 Há imensas coisas que dava jeito varrer da memória...terá sido por isso que a tia Elizabeth Taylor casou tantas vezes, para se ir sempre esquecendo do que lá ia?


Cão e gato.


Há as relações amor-ódio, já amplamente tratadas por aqui. E depois há a sua versão mais fofinha, menos crua: as relações cão e gato.

 Uma relação cão e gato pode ter sido sempre um campo de batalha (ao melhor estilo "A Fera Amansada" de Shakespeare) ter-se tornado assim por um percalço qualquer ou ser o estágio seguinte numa relação amor ódio que conseguiu evoluir e civilizar-se um bocadinho. 
  A relação amor ódio chega a meter medo, de tal maneira os intervenientes se detestam, tais são as partidas que pregam um ao outro e a sua incapacidade de comunicar como gente normal. 
  Quando se trata de simples cão e gato o caso é menos grave e assenta em motivo menos fracturantes: as birras são mais discretas, as brigas mais privadas...e mais cómicas; só os íntimos deitam as mãos à cabeça e dizem "vocês não passam um sem o outro, não sei porque não se entendem de vez!". 

Aliás, "outra vez???", "lá estão estes de candeias às avessas!" ou "vira o disco e toca o mesmo...não há paciência!" são as frases que mais se ouvem quando se comenta um casalinho assim. É que na maior parte dos casos, o cão e o gato são muito parecidos. Eu não acredito lá muito no xaroposo conceito de alma gémea, mas se as há, acho que muitas passam um período cão e gato, com uma tensão de cortar à faca por timidez, ressentimento e questões de poder ("hás-de mostrar primeiro que gostas de mim, senão não acredito em ti") ou ciúmes. Como dizia a avó "estes são duas pedras ásperas!".
Se tudo correr pelo melhor, o modo "cão e gato" é só isso mesmo, um modo, uma fase. Claro que quem assiste tem dificuldade em perceber como é que tanta tensão não desgasta completamente o que sentem um pelo outro.

Bom, nem sempre as discussões minam ou destroem. Por vezes é preciso ventilar, argumentar, pôr as coisas à luz para chegar a um entendimento. Se os sentimentos são sólidos não é burilá-los, poli-los e limar arestas que as enfraquece. Depois de uma situação muito negra, pode ser necessário exteriorizar vezes sem conta até deitar fora todas as impurezas. Um balde de água suja precisa de muita chuva, muita água limpa a cair-lhe em cima para que o seu conteúdo fique claro e transparente. 

 É deixá-los e não fazer caso: lá se entendam...



Thursday, July 3, 2014

Post Sammydress, ou a velha fórmula "um vestido pechincha e uns sapatos exclusivos"


Embora ouvisse bloggers falar na Sammydress, nunca tinha feito uma encomenda. Conhecia alguns pontos de venda online parecidos, e tanto pela minha (pouca) experiência como pela de pessoas amigas, acho que este tipo de site tem utilidade para aquisições muito específicas:

- Cosméticos coreanos (bons para as branquinhas como eu) e utensílios de maquilhagem  que não deixam a desejar a outros mais caros;


- Modelos difíceis de encontrar ou que só se abundam em marcas exclusivas (e mesmo assim, às vezes...).

É certo que estes sites oferecem stock para todos os gostos,  mas se ignorarmos algumas coisas mais alternativas - e houver muita atenção ao material de que as peças são feitas -  a pesquisa compensa.


Por exemplo, ando sempre à procura de sheath dress abaixo do joelho, o meu modelo preferido, a ver onde posso desencantar mais um para a colecção. 
  Tenho-os tanto de marcas luxuosas como modestas e desde que a modelagem e o tecido sejam aceitáveis vale a pena arriscar. E estas lojas costumam ter várias opções para sheath dresses.

 Entretanto fui contactada pelos responsáveis da Sammydress que me sugeriram enviar alguns produtos para que eu fizesse uma review. Pensei cá com os meus botões que não perdia nada e como é má criação recusar um presente honesto, decidi fazer uma encomenda com o vale que me ofereceram. 
 Isso limitou um pouco as opções, já que o valor do cupão devia cobrir as despesas de envio: sendo oferta, não me era permitido acrescentar o resto (vá-se lá perceber porquê) e 
obrigou-me a optar pelo envio standard que não vou mentir, demora bastante.  Mas lá chegou tudo, sem trocas e baldrocas que já tenho sofrido em lojas do género.


Acabei por me decidir por este vestido  com um preço totalmente disparatado (se é para a desgraça é para a desgraça, remember the Alamo, in for a penny, in for a pound...) porque tenho um fraquinho por decotes Bardot, outra coisa que aparece pouco por cá.  O tamanho (único) é um bocadinho maior do que eu esperava, mas acho que se adaptará bem a meninas entre o XS e o M, já que o tecido é maleável, puxa daqui, puxa dali e faz o truque.

 Ora, quando se usa algo tão acessível convém griffar um pouco: ou seja, aplicar a vetusta máxima "um vestido muito barato e uns sapatos muito caros" (e uma carteira de qualidade, já agora). Aqui tive preguiça de usar carteira - foi só para vos mostrar como ficava, mesmo - por isso juntei o riscadinho com uns mules Walter Steiger que andava mortinha para experimentar.
 O vestido é uma mistura de algodão, e espesso q.b. 

Para terem uma ideia, lembrei-me de fazer aqui uma comparação "INVESTIMENTO X PECHINCHA" com um modelo Armani de material e padrão semelhante:




Está claro que Armani tem outro detalhe - o estampado é todo certinho, já o da Sammydress...nem tanto - mas fiquei surpreendida ao verificar que o tecido da Sammydress tem menos elastano. E esta, hein?

Encomendei também uma caixa de sombras, porque tinha ouvido comentários favoráveis à textura e pigmentação. Recomendo o produto, que ainda estou a explorar...desde que paguem mais um pouco para o mandar vir numa embalagem extra almofadada: por duas vezes  algumas cores chegaram partidas. No pós venda foram impecáveis, mandaram-me outra caixa imediatamente, mas não há milagres.
 No todo fiquei bem impressionada (e bastante curiosa para experimentar outras coisas). Creio que publicarei aqui algumas novidades desta loja de tempos a tempos. E as meninas, já conheciam?



Dos namoros surpresa (great expectations)


"Tecedeira, tecedeira, como hei-de viver sem ti?
Não tem que saber, menino - é viver como até aqui".

(Júlio Diniz)


Contava-me uma amiga que queria encontrar-se com o rapaz com quem andava a namoriscar por correspondência *leia-se, via redes sociais que isso das cartas de amor foi chão que deu uvas mas o princípio é o mesmo* mas tinha medo de apanhar uma desilusão. Ou melhor, de sofrer mais uma desilusão.

E fiquei a pensar no poder que as mulheres colocam nos outros para as magoar eventual e hipoteticamente.  Até num estranho que nunca viram mais gordos. 
 A desilusão que pode vir daí é tão grave como constatar que o ídolo do cinema, quando visto na rua como o comum dos mortais, é atarracado e sem grande graça, produto de fumo e espelhos. 
   Ou que aquele bolo novo na pastelaria da moda afinal não presta: desde que não provoque alguma intoxicação, o caso não é grave e no dia seguinte já ninguém se lembra disso nem dos trocos que deitou fora. Ralar-se com um caramelo que nunca se viu, ou que se conhece de ontem, é o mesmo que tratar o bolo novo e insípido como se fosse o copo d´água, ou a última refeição de um condenado.

 Conheço muitas raparigas cuja principal preocupação, antes de um encontro com o novo namorado em potencial, é "espero conquistá-lo" ou "espero que ele goste de mim!" - hello, minhas meninas: nem conhecem o marmanjo e já se estão a esforçar? Em vez de irem com a mente analítica ligada no máximo para perceber se elas gostarão dele, se o rapaz não é um psicopata ou um javali à mesa ou coisa assim, já decidiram na sua cabeça que gostam dele. E que se se portarem bem, vão ser recompensadas com casamento e filhos. Calma: for all you know, o moço pode ser um pesadelo. A pergunta sensata não deve ser, portanto, "será que ele vai gostar de mim?"e sim "será que eu vou gostar dele?".

Mas o hábito de colocar nos outros grandes expectativas não é um exclusivo feminino: conheço vários homens assim. Na mesma semana, um amigo contou-me, todo entusiasmado, que estava interessado numa pessoa que acabava de conhecer. Tinha havido aquele "clic", o que é sempre uma boa notícia, um belo entretém no rame- rame do quotidiano.
 Pois bem: uns dias volvidos, já andava ansioso porque o flirt em causa não lhe respondia, ou respondera mais casualmente, ou falava muito não sei com quem, como se o caso importasse muito para a sua vida. Aquilo que devia ser um divertimento em fase embrionária, que não se sabia se valia a pena, já era motivo para nervos. 

Outro amigo ainda, solteiro em busca de assentar, veio dizer-me que andava ansioso porque de repente as pessoas  com quem costuma trocar mensagens não lhe andavam a responder, que estava com azar, etc. Disse-lhe que se calhar, só se calhar, andava com demasiado tempo livre se precisava de estar sentado à espera que lhe respondessem. Em vez de se focar em si próprio, este rapaz dá todo o poder aos outros; a percepção que tem de si mesmo depende de uma coisa tão tola como a resposta às suas mensagens.

   É preciso romper o hábito de enfeitar mentalmente os outros, principalmente os outros que não têm estatuto oficial na existência de cada um:  já bastam as pessoas realmente significativas, o emprego, as contas para pagar e outras coisas  sérias para causar ansiedade. 

Pessoas que mal se conhecem e que poderão, caso o destino conspire nesse sentido, vir a significar alguma coisa importam, bem vistas as coisas, tanto como um vestido baratinho encomendado pela internet: se não servir é pena, há a maçada da troca ou devolução, mas não vem mal ou mundo por causa disso. O investimento não foi grande - e a expectativa também não era, ou não devia.

 A única cautela, grande, enorme, que se deve ter em casos assim é levar um pau de cabeleira em caso de encontro às cegas. Conheço uma menina que conheceu um amigo-de-uma-data-de-amigos via Facebook e acedeu, algo relutante, a tomar um café com o rapaz. Teve o cuidado de ir acompanhada e o mocinho parecia perfeito. 

 Vários encontros depois começaram a namorar a sério e tudo parecia correr bem, mas
 vai-se a ver e o rapaz saiu maluquinho - clinicamente maluquinho. Não bastava a minha amiga ter levado um pau de cabeleira nos primeiros cafés; devia ter contratado a Mossad e ainda era pouco. Foi um desgosto, certo, e uma carga de trabalhos, mas como a expectativa não era grande - o bom e velho tu és pior do que esperava, e olha que eu não esperava grande coisa! -  ela escapuliu-se e continuou a viver como até ali

Agora imaginem se se tivesse posto com grandes esperanças. Havia de ser bonito...








Wednesday, July 2, 2014

Parábola do dia: e não sabendo que era impossível, chegou lá e fez.


Para abastecer a despensa cá de casa costumo correr várias capelinhas, porque não há nenhum sítio que venda tudo o que eu quero: Sissi, a fada do lar.

 Fruta, peixe e vegetais convém que seja no mercado;os ovos compro-os biológicos e de pato a uma vizinha que tem uma quinta ; as coisas de todos os dias vêm do Pingo Doce, principalmente o sumo de frutos tropicais, o salame (que é excelente) as compotas, queijo de cabra fresco e alguma pastelaria; além disso é mais pequeno, o que diminui a canseira.

As compras hardcore, incluindo tralhas de limpeza e higiene, é em casa do tio Belmiro porque sempre se espreita as bugigangas na Well,s e o cartão Continente acaba por dar jeito, quanto mais não seja para comprar disparates sem grande remorso; de lá e  do Jumbo (onde também costumam fazer umas promoções malucas e há uns mini éclairs fantásticos) trago as cápsulas de café, porque, já o disse algures, acho a loja pseudo chic das cápsulas um bocadinho sinistra, com ar de seita.

 O Supercor é muito bom para conservas, carne, peixe, cebola desidratada à sueca, artigos para sushi, ovas para fazer pasta caviale e alguns petiscos, como cheese cake de chocolate ou empadas de pato . Volta não volta vou de propósito ao Lidl por causa dos produtos asiáticos, do ananás aos cubinhos e das salsichas alemãs que não há iguais em parte nenhuma (havia mais produtos que comprava lá, mas a maior parte foi descontinuada porque não há respeito pelo consumidor...) e do Mini Preço gosto muitíssimo de umas bolachas- crepe de chocolate preto, do queijo burgos e do sumo de laranja natural, que é muito mais barato do que nos outros sítios. 

 Ora, hoje passei por este último de propósito para ir buscar isso mesmo, quase à hora de fechar. Quando terminei de pagar as compras já as caixas estavam encerradas e os clientes dirigiam-se para a porta, que neste Minipreço (o mais antigo da cidade) não é automática.

 Fiquei  admirada por ver várias pessoas paradas a olhar para a porta, com ar de pasmadas. Julguei que os empregados já a tivessem fechado à chave e que aquela romaria toda aguardasse que alguém viesse abri-la para poder ir à sua vida.

 Mas ao mesmo tempo pareceu-me estranho que trancassem assim a saída, com clientes dentro da loja. Sentindo-me um bocado estúpida - afinal, alguém já devia ter experimentado ver se a porta abria - passei à frente e dei a volta à maçaneta. E zás, abre-te Sésamo, só estava fechada ao trinco. Ouviu-se um suspiro colectivo de alívio e começaram todos a sair apressadamente.

 Este episódio tão insignificante deu-me que pensar nos milhões de almas que andam a penar por este mundo, paradas à frente de portas da vida que nem sequer experimentam abrir. Só porque lhes parecem fechadas, ou o vizinho do lado que também não tentou acha que a saída está trancada, não se atrevem a ver pelos próprios olhos com medo de fazer figura de ursos.
 E amontoam-se todos a ver, à espera que aconteça alguma coisa, a empatar o trânsito, num verdadeiro atraso de vida...vai-se a ver tenho uma mentalidade vencedora, uma mente milionária.

 Vou começar a pensar no meu próprio show motivacional: vença na vida com as parvoeiras da Sissi. Mas tinha de alugar o jardim zoológico para esse mega espectáculo tão inspirador: o Pavilhão Atlântico é pequeno demais, e além disso parece-me um bocado sinistro, bom para vender batidos e cápsulas de café...




Shakespeare dixit (?): gaba-te, cesto roto!


"As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos." disse (?) o tio William. Não consigo confirmar a origem da frase apesar de já ter virado o dicionário Shakespeariano cá de casa de alto a baixo e não gosto de confiar em citações da internet *aceitam-se ajudas de memórias melhores do que a minha*  mas seja. Poucas máximas resumem tão bem certo tipo de gente.

Dizia-me há dias uma pessoa chegada e muito sábia "quando ouço alguém começar uma frase por «eu, isto, eu aquilo» a pessoa está apresentada". Por "estar apresentada" entenda-se "esta criatura não vale um caracol". E acrescente-se, se a conversa começar com "EU FIZ, EU TENHO" está mesmo o caldo entornado.

Um pouco de fanfarronice pode ser necessária para que uma pessoa se imponha - quanto mais não seja, perante si própria. Ser fanfarrão de vez em quando é um bom exercício para combater a insegurança. Mas qualquer pessoa bem educada sabe que essa "fanfarronice estratégica" (o bom e velho truque "age como se valesses um milhão de dólares") é sobretudo interior e fala por si: é para mentalizar, não para dizer em voz alta.

Na maioria dos casos quem se vangloria não tem, para começo de conversa, grande coisa de que se orgulhar: lá diz a frase batida, o homem inferior
 gaba-se porque sabe que ninguém o fará por ele. É como as crianças malcriadas, que fazem tudo para chamar a atenção e depois dizem "agora quero palmas".

Quando alguém tem qualquer coisa digna de nota, a sociedade trata de reparar nisso aceitando essa pessoa em dados círculos, respeitando-a ou dando-lhe os merecidos elogios. A gabarolice é, portanto, fútil. Escusadinha.

  Calhou-me o azar de tropeçar em alguns gabarolas, e atrevo-me a afirmar que não conheço um que seja digno de louvor. A gabarolice costuma andar de mãos dadas com uma ambição desmedida e reles, com uma origem obscura e às vezes suspeita, com a esperteza saloia e pouca inteligência de facto, com  a sabujice, o descaramento, a faltinha de ética, de noção do seu lugar, de amor próprio e de dignidade típicos de quem é capaz de lamber todas as botas só para furar vidas. E o que faz um fura vidas quando dá um passinho em frente? Gaba-se.


 Se recebeu a mínima promoção social, o planeta tem que ser informado, por pouco que esteja interessado em saber. Arranjou convite para a festa lá da paróquia e isso apareceu em letras mínimas no jornal? O gabarolas trata de ampliar a imagem e colocá-la nas redes sociais. Tem um carro novo? Vai de publicar-se "a cavalo nele" com um sorriso parvo na cara.
 Qualquer coisinha, por modesta ou ínfima, o enche de vento, principalmente se isso lhe der ocasião de tentar amesquinhar os outros. Se não tiver mais nada que dizer (ou estiver com um acesso de inveja) o gabarolas precisa de gritar, ao menos "eu sou muito HUMILDE!". 


 Porém, pior que gabarolice, só a gabarolice sem motivos. A vanglória deslumbrada de quem nunca viu nada e teve muito pouca coisa de jeito. 

Se o novo rico que se gaba daquilo que tem e de quanto custou, ou o self made man que chegou a algum lado e não sabe estar calado são ridículos....pior é o pelintra ou o zé ninguém que se vangloria do berloque que custou X, ou do mamarracho medonho que os pais construíram, ou do muito que admira o patrão porque tem isto e aquilo, ou de ter sido aceite num clube pretensioso que é ridicularizado por aqueles que tenta realmente imitar. Nada é seu, ou pouco é seu, ou o que tem é mais para rir do que outra coisa, mas não o sabe gozar calado...e faz figura de parvo, claro.

Coitados, gabam-se do pouco porque nunca viram o muito

E isto, é óbvio, advém da falta de polidez, da ausência total de mundo.  Só quem está habituado a coisas realmente boas, sejam bens materiais ou estatuto ou elogios,  sabe o pouco valor que essas glórias e posses têm e as trata com a indiferença que merecem, servindo-se das coisas em vez de ser possuído por elas. Lá dizia Coco Chanel, elegância é recusa.

 A condição de pavão - ou em casos mais rudes, de "peru tão inchado que não lhe cabe um grão de milho" é incompatível com a naturalidade despretensiosa de quem toda a vida teve mérito/valor/bons hábitos, toda a vida conheceu o lugar que ocupa e pode, por isso, prestar mais atenção aos outros do que a si próprio. Mas isso, está claro, não é para quem quer.



Tuesday, July 1, 2014

Pouca -terra, pouca-terra, uma ova.


Gosto muito de passear, mas confesso que sou esquisitinha com os meios de transporte (e com quaisquer meios/recursos/companhias envolvidos na viagem, de resto). 

 Ando ansiosa para que inventem as viagens no tempo, mas se o meio para fazer isso for desconfortável acho que me fico por metade das épocas que gostaria de visitar.

Por mim teleportar-me era o ideal, desde que isso incluísse teleportar a bagagem também. 

   Conduzir não me agrada lá muito e não gosto dos camiões TIR que andam na estrada (se algum camionista me lê tenha a bondade de me desculpar, mas há colegas seus que já me pregaram cada susto!) voar enfim, tolera-se, se cair caiu e como já estou no ar mais depressa chego ao céu mas estar fechada numa lata tanto tempo e com a pressão atmosférica nos ouvidos é uma penitência sem tamanho; barcos desde que não dancem muito para eu não enjoar ainda vá que não vá...tudo por uma boa causa.

 Mas quando tenho de andar de comboio sinto-me mesmo um bocadinho infeliz. O facto de a minha cidade ter uma estação que mais parece o Faroeste pode ter contribuído para o trauma. Agora que falo nisto, lembrei-me que - tinha eu uns dois ou três anos - estava eu em Coimbra-B, subi para um carrinho de transporte de bagagens e caí de cara no chão, chorei que me fartei. Noutra ocasião, era eu bebé de meses, o carro onde seguíamos (um mini encarnado muito giro) parou no meio da linha com o comboio a aproximar-se. É para gostar de comboios? I don´t think so. 

  Para piorar tudo, aquela gente toda a embarcar lembra-me os filmes da Segunda Guerra Mundial.

 Mas se fosse só isso era uma questão de controlar a minha imaginação galopante e problema resolvido. O pior é que não é. Os comboios de hoje são mesmo desconfortáveis, pronto. E tudo o que se relaciona com eles, idem: Santa Apolónia, por exemplo,  é uma estação com a sua piada, mas a distância da Linha 2 à porta sem um carrinho para empurrar malas que se veja é de morrer a rir. E as filas para comprar bilhete em qualquer parte? Ou se vai com bastante antecedência, ou é impróprio para cardíacos. Não sei  que fizeram às maquinetas de moedas que antes havia e que há em outros países e já desisti de perguntar.

Noutro tempo valia a pena viajar de comboio- havia cabines privadas e camarotes. Hoje, a não ser que se vá no ressuscitado Expresso do Oriente (e os meus afazeres nem sempre passam por essas bandas tão longínquas) ou naqueles comboios cor de rosa que vão para França (não sei como se chamam, não me apeteceu procurar e quase tenho raiva de quem sabe) ou coisa semelhante, nem em primeira classe se adianta grande coisa.

Senão, vejam: o Alfa abana que se farta. Fico sempre enjoada. 

Já me disseram que isso tem não sei quê a ver com o facto de as nossas linhas não estarem preparadas para uma locomotiva tão sofisticada, mas isso não é problema meu nem quero saber de desculpas. Uma vez o comboio ia deitado, juro: parecia uma atracção de feira daquelas radicais. Julguei que a seguir ia virar de cangalhas como na montanha russa.  

A única vantagem em relação ao modesto Intercidades é que para passar entre as carruagens não é preciso empurrar aquelas portas medonhas que exigem comer um bife com ovos antes (e tentar abrir aquela porcaria com bagagem na mão e saltos altos? Bom para artistas de circo!): há um botãozinho. 

 De resto, em termos de corredores apertadíssimos, bancos que não quero imaginar o que é ser um gordo e andar de comboio, carruagens que nunca se sabe quais são e funcionários que ou não existem (ou quando existem são incapazes de dar uma ajuda nem que vejam uma senhora ou uma velhinha carregada) casas de banho minúsculas quando não empestam, ar condicionado que ora funciona ora não, falta de espaço entre vizinhos do lado, ausência de uma bendita tomada onde carregar telemóveis ( serve-me de muito que tenham Wi-Fi, seus palermas) e outras maravilhas, estamos conversados. Isto pela módica quantia de cerca de 40 euros ida e volta, sem direito a uma bebida incluída nem nada. Uma simpatia...

 E é dar muitas graças a Deus se chegarem a tempo e horas, ou se não nos calhar um banco virado ao contrário, que ainda estou para saber para que serve tal coisa, a não ser para purificar as almas pecadoras e fazer purgas . Não sou engenheira, mas não podiam pôr umas roldanas que virassem os assentos automaticamente conforme o sentido em que vai o comboio? Das duas uma: ou  descobri aqui a pólvora, ou estou a dizer uma parvoeira monumental. Caso se dê a segunda hipótese, estou perdoada: tenho os neurónios sacudidos por tanta pouca terra...



Monday, June 30, 2014

Desconfio que sofro de um complexo Mônica..



...que abria o armário e o tinha cheio de vestidinhos encarnados todos iguais.
 Eu sei tão bem aquilo que me agrada que vou pelo mesmo caminho - não com o encarnado (devo ter uns quatro vestidos dessa cor, não mais) mas com os modelos que colecciono. Mais coisa menos coisa, em versão dia ou noite, muda decote, muda a manga ou o padrão, não se afastam muito do clássico (e ainda bem - em equipa que ganha não se mexe; cada mulher só beneficia em descobrir o seu estilo de confiança). 
 E se me dessem asas, era um destes em cada cor e estampado. Para fazer companhia aos Dolce & Gabbana, News Looks da Dior e outros que tais. São tão bonitos, tão perfeitos e tão à prova de erro que nem vale a pena olhar muitas vezes para outra coisa. Eu à variedade prefiro a certeza, confiança e segurança (feitios!). E apesar de não ser muito de cor de rosa, não tenho nada contra parecer um maccaron ou um bombom de Páscoa numa ocasião ou outra. Coisa mais amorosa, reparem bem:

Elle Fanning em Vivienne Westwood




Sunday, June 29, 2014

Revistas do antigamente, voltem que estão perdoadas.

Ontem, como vos contei, veio parar-me às mãos um monte de edições da mítica publicação Modas e Bordados - Vida Feminina, a maioria delas dos anos 50 e inícios de 60.

    A revista, que fez as delícias de gerações (existiu entre 1912 e 1977) teve a colaboração de grandes vultos intelectuais e literários, como Florbela Espanca e Maria Lamas (que foi sua directora). Embora ao longo das décadas tenha passado por várias mudanças - consoante os ideais das suas editoras e/ou colaboradoras e as pressões políticas do tempo - a ênfase era sempre colocada num comportamento tradicionalmente feminino e elegante. 

Porém,  há mais em Modas e Bordados do que material para que se reduza a revista a mera relíquia. E se alguns anúncios e artigos nos parecem datados, sobretudo pelos temas (não faltam na blogosfera anedotas retiradas da imprensa feminina de antanho) folheando Modas e Bordados com olhos de ver, a qualidade é surpreendente. E não falo só dos critérios de comportamento e linguagem que me agradam mais que os de hoje (mera opinião pessoal).




Para começar, poucas são as revistas dos nossos dias (nacionais, pelo menos) com um formato tão completo. Certo, havia os moldes e lavores (estes últimos ser-me-iam inúteis em qualquer época porque detesto bordar e não acredito que fosse capaz se tivesse nascido nos anos quarenta, por muito boa vontade que tivesse) as receitas (que continuam a existir nas revistas femininas mais generalistas) mas o português, embora coloquial e familiar, era muitíssimo superior e mais exigente do que aquele que desgraçadamente apanhamos em alguma pretensamente fiável imprensa portuguesa.

 Fica muito claro que Modas e Bordados não esperava pouco das leitoras. 

Depois, além de artigos que defendiam critérios estéticos e de comportamento que fazem bastante falta hoje ("elegante sim, pretensiosa não", por exemplo) e de episódios que actualmente pertencem às revistas cor de rosa, mas focados na boa sociedade portuguesa - os bailes de debutantes, mas também a entrevista às mesmas debutantes que entravam no mercado de trabalho como enfermeiras- e na vida no Ultramar, não faltavam as referências a personagens históricas, a cabeças coroadas com toda a complicada genealogia e contextualização, a excertos de grandes obras, enfim, toda uma ênfase na cultura que deita por terra a impressão de mulher tonta.

   Não estudei o assunto em profundidade (podem ver duas peças detalhadas sobre a revista aqui e aqui) mas fossem quais fossem as ideias de Maria Lamas, feminista e de esquerda, tanto a censura como o posicionamento da revista (dirigida primeiramente a meninas e senhoras de sociedade) obrigavam a uma certa amenidade. Curiosamente, apesar do afastamento da jornalista e de alguma convulsão provocada por coisas que hoje nos fazem sorrir (deu grande escândalo, imagine-se, um anúncio de tampões) seria já em democracia que a revista ia encontrar o seu fim.

 Uma pena, considerando que uma Vogue, uma Vanity Fair, tiveram percurso semelhante e sobreviveram. Fazia falta uma revista feminina portuguesa com tanta tradição, tanta personalidade, tanto encanto.

 E digo-vos que folheando Modas e Bordados com atenção, fico a pensar quem serão realmente as mulheres tolas: seriam as leitoras das revistas de outros tempos, pré emancipação e que não negavam a sua relação com o espanador mas que faziam muitas outras coisas, ou as de hoje em dia que espanejam às escondidas, choram no ombro das amigas porque ele não telefonou tal e qual como as leitoras do consultório sentimental Correio da Joaninha, e compram todas contentes revistas "para a mulher de hoje" que pregam na capa "viva o swing - apimente a sua relação com uma orgia romana" (não estou a exagerar, ou exagero pouco)  como se fosse a coisa mais realista e corriqueira deste mundo? Olhem que não sei não...








Who wants to live forever?


Eu até acredito na ideia de imortalidade e não me importava de experimentar.

 Mais dia menos dia, descobre-se a Pedra Filosofal e os eleitos (espero que os escolham a rigor, ou vai ser lindo) poderão andar por aí ad aeternum, atravessando os séculos até perceberem que estão mortinhos por morrer e que querem ver como são as coisas do outro lado, estilo Conde de Saint Germain que - dizem, vá, eu não estava lá e não afirmo nada - ia ao Além e voltava, e viveu centenas de anos até decidir que ser espírito era menos cansativo. 
   Mas que eu saiba ainda não existe a pílula da eternidade - acessível à maior parte das pessoas, pelo menos - e até que se descubra há que  fazer o máximo que se pode com o tempo de que se dispõe.
 Já não sei em que filme vi que os deuses invejam a fragilidade humana; sabendo que não duram para sempre, os mortais vivem com uma intensidade de que eles não são capazes.

 Mas acho que nem todos os mortais são assim: há alguns tão papa açordas que deixam tudo para amanhã, como se fossem ser eternamente jovens; perdem tempo com questões fúteis, deixam andar, acobardam-se, adiam o que é importante em prol de superficialidades, julgam sempre que há tempo, que amanhã será, que amanhã Deus dará, que logo se vê, torram dias, semanas, meses, anos para não fazer o que tem de ser feito, para andar às voltas sem chegar a lado nenhum, girando mesmo disco vezes sem conta.

 E às vezes não há amanhã, às vezes amanhã é tarde: há que ser descontraído, confiar na boa estrela, o que for será; mas não dar uma ajuda ao destino ou boicotá-lo com parvoíces é esperar demasiado do tempo e da bondade divina.

 Até pode ser que a Pedra Filosofal apareça amanhã - mas não convém fiar-se nisso. Mesmo que apareça, sabe-se lá se não vem na forma de um batido horroroso tipo Herba qualquer coisa que é preciso tomar todos os dias? Eu não sei se valia o sacrifício. É melhor agarrar o momento, e dar à vela enquanto há vento, e - passe o lugar comum - tempus fugit, memento mori, carpe diem, que, como diz o bom povo, hoje estamos bem mas amanhã vai-se a ver.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...