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Saturday, July 12, 2014

As coisas que eu ouço: quem é o galo?!



"The token power position is for public display, but the true power position is for private viewing only. And this is the only one that matters".


Sherry Argov

Já se mencionou vezes sem conta por aqui que as mulheres, querendo tanta independência e tendo tanto medo de ficar sem ela, andam a perder um dos seus atributos mais poderosos: a subtileza. A capacidade de mexer os cordelinhos com jeitinho feminino, de levar a água ao seu moinho ou a brasa à sua sardinha sem que ninguém dê por isso. Querem tanto mandar que não mandam em coisa nenhuma e se cansam o dobro. 

Antigamente não confrontavam, desviavam; obedecia-se à ordem biológica das coisas e embora aparentemente cedessem a autoridade ao homem, acabavam por determinar tanto ou mais que agora. Com menos gritos e menos cenas, pelo menos. Eles sentiam que comandavam a barca, ficavam muito ciosos da sua autoridade e muito vaidosos da sua supremacia (são uns bebés, eles...) e em troca, faziam-lhes as vontades. Era um jogo de casal que pouca gente faz por manter... o que é uma pena.

 Embora numa relação saudável não haja escravos nem senhores (mal estaríamos) se alguém tem de dar a aparência de "general" que sejam eles, que têm a força e o vozeirão. Poucas coisas são tão degradantes de ver como um homem pau mandado, emasculado, com medo da "patroa" e uma mulher mandona que põe e dispõe aos guinchos como uma galinha da India...

Sempre houve casos assim, mas como antes não se falava cá em igualdades esse era um mal mais raro. Ora, uma família amiga da minha, excelentes pessoas, era mesmo da velha guarda: ela muito feminina, cheia de personalidade, pequenina e enérgica; ele um grande  ribatejano de cepa em extinção, muito bon vivant, muito bem disposto, muito amigo da mulher mas zeloso da sua autoridade de chefe de família. 

 Como confiava no bom senso da esposa, lá a deixava gerir a casa à sua maneira e agir como achasse melhor; mas quanto sentia que ela estava a exagerar ou a entrar em território que não cabia a mulheres, tinha sempre o mesmo estribilho. Empertigava-se muito do alto do seu metro e oitenta e tais e com o seu engraçado sotaque, dizia-lhe "Odeti! * pausa* Quem é o galo?!"E a D. Odete, divertida mas a fingir-se muito contrariada, lá lhe cedia graciosamente a autoridade simbólica... ficaram juntos até ao fim, conforme tinham prometido perante o altar. 


 Talvez isto pareça pitoresco ou conservador a quem tem ideias mais "modernas" mas pelo que tenho testemunhado... famílias que são geridas ao contrário, com a galinha no poleiro e o galo na chocadeira, salvo seja, não costumam ser muito felizes. A esposa não respeita o marido, porque ninguém gosta de bananas nem de palermas e uma mulher muito menos, por mais que lhe pareça que é agradável decidir tudo; o marido por um lado habita-se a não fazer nenhum, a não tomar decisões e por outro ressente-se.  Nas raras ocasiões em que se revolta são gritos de meia noite; e como muitas mulheres tendem a ser caprichosas e emocionais, se não houver uma voz de calma, de racionalidade a pôr como dizia a minha avozinha, alto na papeleta, os filhos sofrem um mau bocado. Já vi e digo-vos, mete medo. Ou pena, nem sei bem...



  


Remédio infalível para inveja, olho gordo e mau olhado.


Não, não é nenhuma crendice, mezinha ou reza brava... mas não deixa de ser um "truque" da avó que nunca me deixou ficar mal. As avozinhas são o máximo, sabem tudo e quanto mais tempo passa mais uma pessoa reconhece isso!

  Sentir-se invejado é muito constrangedor e desagradável. Cá em casa sempre se disse "antes inveja do que pena", o que sendo uma grande verdade, não é de grande consolo. 

Ninguém gosta de sentir que os outros não estão felizes por nós, especialmente quando se trata de pessoas supostamente próximas: se formos almas bem educadas,que detestam diminuir outrem, isso chega a dar-nos a tentação ( ou impulso pouco saudável) de nos desculparmos pela nossa felicidade, de tentar consolar o invejoso (ainda por cima!) com frases do tipo " também não é bem assim..." de diminuirmos o próprio sucesso, e já se sabe: quem se explica, diminui-se

Por muito que um ressabiado até goste da pessoa que inveja,  é incapaz de ficar feliz por ela, de lhe reconhecer o mérito ou de a  felicitar de forma calorosa: a boca sorri mas os olhos não e há sempre um "mas" ou algo que não soa como deveria.  Quem sofre dessa doença só vê à sua frente "PORQUE É QUE TU TENS E EU NÃO?" e tenta deitar abaixo, ainda que de forma subtil...ora, para piorar tudo, as alfinetadas indirectas são as que magoam mais porque é complicado retaliar com uma resposta bem torta!

Além disso, é inútil tentar ser conciliador: quem é invejoso é mau e pronto, mesmo sem querer; sente inveja involuntariamente. 

Não pode ver uma camisa lavada a um pobre, quanto mais uma blusa de seda a outro qualquer.

Não há nada que se lhe diga e  de qualquer modo, não deveria ser preciso. Para quê esforçar-se? Um amigo verdadeiro não sente inveja, para começo de conversa. Lá dizia Oscar Wilde: ser solidário com a infelicidade de um amigo é canja; complicado é ser solidário com o sucesso dele!  É no hospital e na prisão, mas também no triunfo que se reconhecem os verdadeiros amigos.

Logo, o que há a fazer é:

a) se possível, arredar-se dessas pessoas, e

 b) ser muitíssimo discreto. O segredo é a alma do negócio e quem diz negócio diz relacionamento, projecto, etc, etc. O silêncio é de ouro.

 Hoje em dia, com as redes sociais e toda essa máquina micro-publicitária ao dispor de cada um, há o apelo constante de partilhar as alegrias e os pequenos triunfos. Em certas situações, sente-se mesmo a feia tentação  de divulgar isto ou aquilo para arreliar, "fazer ferro" ou "fazer de ver" a fulano ou beltrano. 

  É compreensível, mas não deixa de ser um sentimento pouco elevado. Essa baixeza deve combater-se porque não só pode passar uma imagem errónea de um certo mau carácter, como atrai invejas desnecessárias. Evitar a ostentação e a exibição fátua é meio caminho para estar livre do "mal de inveja". Lá diz o provérbio árabe, "não contes tudo o que sabes, porque podes dizer o que não convém".

Ora, não quer isto dizer que uma pessoa se oculte num buraco, que esconda o merecido êxito ou felicidade com medo dos invejosos, como se tivesse cometido alguma impostura; mas a melhor atitude é a de absoluta serenidade e discrição até que tudo esteja resolvido. A boa tradição de não anunciar que se espera uma criança antes dos três meses do estado de graça aplica-se a tudo na vida. Não podemos fazer nada quanto à inveja alheia, mas podemos- e devemos - colocar os invejosos perante factos consumados.

 Ou seja, não falar em nada, e perante a curiosidade alheia responder vagamente "logo se vê...vai tudo andando, se Deus quiser...o que tem de ser tem muita força...com calma faz-se tudo" e assim por diante.

 Se têm de se remoer, ao menos que o façam quando já não podem agourar, estragar nada ou impedir o que quer que seja, porque já está feito. Deitar foguetes antes da festa é convidar sarilhos. Vade retro!



Friday, July 11, 2014

Mais uma campanha "a beleza incomoda muita gente". Sobreviveremos?


O assunto já foi abordado várias vezes por aqui: de repente ficou na moda, quando uma marca desesperada por apelar às mulheres inseguras, uma pseudo artista, celebridade sem nada na cabeça ou qualquer organização pró feminista de carteirinha quer dar nas vistas, arranjar uma campanhazinha a dizer que a beleza é crime, ou maluqueira, ou escravatura. É audiência garantida

A par com os ecos de "abaixo a ditadura da depilação" (blhec) e das bonecas feiotas que pretendem "estabelecer expectativas realistas" sucedem-se os "movimentos" para libertar as mulheres desse jugo horroroso que é...ter bom aspecto. E hoje eis que aparece mais um no firme propósito de arreliar qualquer rapariga com um bocadinho de brio.

A beleza não é tudo. É mais um predicado como a inteligência, a bondade, o êxito, o talento, etc, etc, etc. Sozinha não determina nada. Mas é necessária porque o mundo já anda feio que chegue. Se isso incomoda as feministas, as mulheres que vivem mal consigo mesmas, os trambolhos e/ou as que não gostam de ter trabalho mas querem tudo de graça, azar - as mulheres querem ser bonitas ou mesmo que não correspondam a um dos tipos de beleza convencionais (que hoje em dia há muitos, não brinquem comigo) fazem, ou devem fazer, por estar bem arranjadas (com o devido recato e modéstia, já agora).

 É uma tradição que acabou por se entranhar no código genético. É inato. Estar bem apresentada, bonitinha, elegante, é uma obrigação feminina. Lá dizia a Bela Otero, as mulheres têm uma missão na vida: ser belasNão é a única, mas é uma missão. Quem diz "belas" diz "apresentáveis". Ser vaidosa, encantadora, ser bonita ou pelo menos fazer por isso, procurar e conservar a formosura, é parte das alegrias de ser mulher.  Como li algures, beleza (ou o esforço para a dita) é fundamental e sustentar o contrário, hipocrisia. Não  querem cumprir? Problema de cada uma, mas depois não se queixem. Nem venham com sermões ridículos destes.

 A obsessão pela aparência é muito má, mas o oposto também. E se algum dia me calhasse uma filha desleixada, a defender tais ideias, fechava-a num convento. Lá não há vaidade, mas por bons motivos. E ao menos também não há desleixos. Tenho dito. Corjazinha de desarranjadas a tentar fazer a cabeça das nossas crianças para criar uma geração de espantalhas muito desempoeiradas, muito livres, muito...Deus nos livre.

Drives me crazy. Slightly mad. Bananas.


Põe-me os neurónios a ferver, de tal maneira que sinto os coitadinhos a cair ao chão de pernas para o ar lá na superfície do meu córtex, a espumar, a estrebuchar e a murchar irremediavelmente. Começo a duvidar da sanidade do interlocutor ou da minha própria, que já não se sabe quem está são e quem está sandeu.

 É isso que acontece quando um assunto já foi falado over and over, já se assentou, já se filtrou, já se acertaram agulhas, tudo desculpado/explicadíssimo/ assente/tratado/afinadinho e supostamente siga a marinha...e depois se volta ao mesmo vezes sem conta, como se não se tivesse dito nada. Nesse caso, era escusado chegar a acordo, certo? Ou  é preciso começar a assinar contratos formais todos os dias da semana para garantir que não há discos riscados?
 Não é por  voltarem à vaca fria que o que já lá vai desaparece, que a situação se vai modificar magicamente ou que se vai forçar os outros a concordar que sim, que a ideia é genial, seja feita a tua vontade e não a minha.

Eu não posso com gente repisadora. Acho que para além do atrevimento e da moral elástica é o defeito que mais me tira do sério. E com gente repisadora e desmemoriada ainda por cima, muito menos. 

 Júlio de Matos, acho que deixaram uma porta aberta e que todos os malucos recebem o meu contacto como agente de reinserção. Podem resolver o equívoco? Grata.



Thursday, July 10, 2014

Mal por mal, antes Dame Barbara Cartland...


...que era uma senhora de boa sociedade com uma relação on e off com a Princesa Diana (enteada da sua filha Raine, Condessa Spencer) adorava cor de rosa, só escrevia folhetins românticos mas inofensivos (segundo a autora, não tão inofensivos assim: alegadamente, os únicos livros que Diana de Gales lia eram os seus e  isso não lhe fazia propriamente bem às ideias) e que me lembre, não opinava *muito* sobre outros disparates. Bom, pelo menos não de uma forma que caísse mal a uma dama.

 Aliás, quando punha colherada era no sentido de usar a sua influência para fazer obra que se visse em prol dos mais desfavorecidos, o que lhe granjeou várias honras e distinções.



Lá andava sempre sonhadora, rosada, contente, emplumada e em festa, o que não quer dizer que fosse parva nenhuma: afinal, sendo oriunda de uma família de classe média-alta empobrecida, construiu o próprio sucesso após a II Guerra como jornalista e escritora numa hábil mistura de beleza, encanto, empreendedorismo e sim, miolos. Barbara Cartland nunca escondeu que escrevia romances levezinhos (mas ao pouco que li, relativamente correctos do ponto de vista histórico) com capas bonitinhas  que faziam as mulheres sonhar. Nunca pretendeu fazer-se de intelectualóide espertalhona, nem outra coisa senão dar às pessoas o que elas queriam, sem cair na vulgaridade.

 Por isso dá-me vontade de rir quando vejo certas escritoras (light, ainda por cima) da nossa praça não só a intitular-se escritoras (creio que isso é como ser poeta ou  bonita, não cabe a cada um dizê-lo de si próprio e lá dizia Almada Negreiros, nem todos os que escrevem sabem escrever!) mas a pretender ser muito informadas, muito argumentativas, muito interventivas.

Uma mulher não deve ser opinativa em demasia, muito menos de forma agressiva e ácida. Se  falar por falar, sem grande conhecimento de causa, pior um pouco mas não muito, porque a atitude panfletária e nervosinha já lá está.   A fronteira entre  parecer inteligente, culta e com personalidade e parecer uma pata choca é muito ténue. Mas se é para intervir que seja ao liderar uma obra de caridade, uma iniciativa solidária, a fazer algo mais do que abrir a bocarra para dizer tolices que ninguém encomendou. Mulheres inteligentes não precisam de provar que  o são. Quanto mais uma mulher apregoa a sua inteligência, maior atestado de pateta passa a si própria...

 Muitas fariam bem melhor figura se fossem modestas e se resignassem à descrição, bem mais graciosa e menos cómica/duvidosa que já citei aqui

"Não era uma escritora. Era uma senhora que não tinha nada que fazer". 

Dos oferecidos sociais. Estilo "Manuel dos Plásticos".


Sabem, aqueles para quem há uma designação mais feia -vá, meretriz social, mas com um palavrão -  que eles próprios não têm vergonha de usar para se auto descrever, julgando que fazem com isso uma bela figura.

 Há poucas coisas mais ridículas (e incómodas)  do que ser vista em público com um passarão (ou galinhola, pois também as há) que faz gala em cumprimentar vaidosamente todo o mundo. Não se dá dois passos sem que a pessoa abrande ou deixe a conversa a meio para trocar salamaleques com quem passa. 

Se se cruza com o homem do lixo faz o coitado largar a vassoura, interrompe-lhe o trabalho, trata de lhe perguntar pela família toda, só para se sentir muito considerado, estilo "até as pedrinhas do chão me conhecem" com uma simpatia postiça que ninguém lhe encomendou.

    Se tropeça em alguém mais importante do que ele (a), larga o que está a fazer para lhe dar vénias até ao chão, maçar a pessoa de morte, interromper-lhe o almoço, impor a sua presença pelo tempo que lhe permitirem babujar e dar missa à personagem, sem respeito por quem está. 

Se um oferecido social se encontra, sei lá, num encontro romântico mas o telefone lhe toca e pior ainda, calha ser alguém com quem faz cerimónia, atende como se nada fosse e fala 20 minutos, enquanto se finge desesperado e faz sinaizinhos à pobre que aceitou jantar com ele, como quem diz "ai, desculpa, não me largam". 

 Pior ainda, faz questão de tratar pelo nome cada barmaid, porteira ou empregada de mesa que encontra, dando-se insuportáveis ares de D. Juan de balcão. (Caso vos suceda tal vexame, paguem a vossa conta, saiam de fininho e fujam para parte incerta: aviso de amiga). 

Se o criado é um homem ou - jackpot - um oferecido encontra o chefe de sala, temos sermão e missa cantada: oferecidos sociais adoram dar conversa a quem traz a bandeja, estilo "até as panelas me conhecem". Não me perguntem porquê, mas suspeito que a fixação tenha a ver com o facto de certos profissionais profissionais destes, que têm mais que fazer do que recordar o nome de cada palhaço que aparece mas não querem desagradar à clientela, tratarem toda a gente por "chefe" ou "doutor", brejeirice que as meretrizes sociais adoram. 

 E não se esqueçam que além de se querer fingir muito requisitado, muito famoso lá no burgo, muito necessário, um oferecido não deixa de falar de si mesmo até quando está a sós com alguém: a conversa é sempre EU, EU, EU, EU tenho, EU faço, EU sou.  Livrem-se de  conhecer um pavão pomposo destes mas caso tenham essa desdita, evitem aparecer com ele em público. Não há maçada nem mancha social pior.

  Mas vamos cá ver uma coisa: há as pessoas famosas, quanto mais não seja porque aparecem na televisão com muita regularidade por motivos de trabalho; depois há aquelas que são realmente consideradas em certos meios e que sofrem este tipo de abordagem, não tendo outro remédio senão corresponder-lhe para não parecerem malcriadas. A diferença é que não fazem gosto nisso e até fogem a tais coisas se puderem. Só quer protagonismo quem nunca o teve

 Ora, cá pelas bandas de Coimbra há umas personagens, vulgo mito urbano que nunca ninguém viu ou já morreram há muito tempo mas que estão sempre a vir à baila para ilustrar certos tipos. Se uma pessoa é pasmada, assim meio apoucada ou crédula (ou acontece tomarem-nos por tal)  diz-se "parece que é/julgas que eu sou filho da Parva do Tovim". Quem mora no Tovim é muitas vezes apelidado de parvo injustamente...

Se uma mulher é muito feia, muito má ou está muito desarranjada, diz-se que parece "a bruxa da Adémia". Tenho de procurar nos registos da Inquisição alguma bruxa por essas paragens  para saber se é mito ou não, mas que se diz, diz.

 E quando alguém é pantomineiro, fura vidas, alpinista, metediço, pouco selectivo, cumprimenta todo o bicho careta, é costume dizer-se " Credo, este parece o Manuel dos Plásticos" que não faço ideia de quem seja, mas imagino que fosse um tolinho que chateava todo o mundo para vender plásticos ou um sucateiro pouco honesto que fizesse negociatas com tutti quanti.

Em todo o caso, ser classificado como "Manuel dos Plásticos" nunca é lisonjeiro. Mas quem é de facto oferecido social ou Manuel dos Plásticos quer tanto que reparem nele que nem se rala com isso. Até a troça lhe serve!


Wednesday, July 9, 2014

Na vida de uma mulher, há dois tipos de sapatos (e temos passatempo, meus queridos!)






A maioria das pessoas que gosta de modas & elegâncias tem considerável atenção ao seu acervo de calçado.
 As meninas e senhoras, como é óbvio, tendem a ter uma colecção maior já que a variedade  é imensa. 

 Uma compradora inteligente, que seja uma versão sensata (e mais moderada, esperemos)  da Imelda Marcos fará essa gestão de forma criteriosa: sabe quando não precisa, por exemplo, de mais sapatos festivos, porque já tem exemplares que cheguem para os eventos a que vai. Depois, como boa conhecedora, procurará optar sempre por calçado de qualidade.

 Actualmente já se encontram ofertas razoáveis em marcas bastante acessíveis. Um bom sapato, ainda que não seja muito caro, é estável (mesmo que o salto seja de respeito) sólido, leve - sapatos pesados são um tormento para as pernas, prejudicam a saúde e tornam impossível um andar gracioso-  fabricado em pele ou tecido resistente e macio. Com sapatos sem um bom molde e de material que pareça (e se sinta) barato, é impossível estar confortável e ter bom aspecto.

Como digo muitas vezes... um vestido modesto disfarça-se mas sapatos duvidosos, jamais.

O que me leva ao título do post: na vida de uma conhecedora/apreciadora de calçado que seja simultaneamente uma consumidora inteligente (pois é escusado dizer que as duas coisas nem sempre andam juntas) há dois tipos de sapatos. E quem diz sapatos diz sandálias, botas e assim por diante: os "sapatos carolice" e os "sapatos investimento" .

  Os "sapatos carolice" são, como o nome indica, aqueles que compramos porque lhes achámos graça e não resistimos, porque têm uma cor bonita, um formato invulgar ou à moda - em suma, pares trendy, como agora se usa dizer. Geralmente correspondem a compras por impulso e podem passar de moda depressa ou ser usados mais pontualmente. Logo, embora convenha que sejam de qualidade aceitável, não é boa ideia gastar demasiado neles. 

Os "sapatos investimento", por sua vez, devem ser pensados: compramo-los porque são os modelos favoritos e/ou que calçamos com frequência, intemporais, testados e aprovados. Queremos que nos acompanhem durante muitas estações, que resistam aos paralelos, ao asfalto e ao clima. Devem ser tão confortáveis que não se sintam nos pés, mas dar uma postura perfeita e alongar a silhueta. 

Para aplicar uma soma considerável num par, é bom que se possa dizer dele "levo-o até ao fim do mundo de olhos fechados". 

Marcas  luxuosas costumam ser a opção ideal, mas é preciso ver que mesmo no segmento mais exclusivo nem todas as Casas se especializaram, desde os seus primórdios, em calçado. Embora todas elas façam modelos lindos e usem óptimas  matérias primas, nem sempre a diferença se sente. 
 Se puder investir num só par de sapatos de griffe, é aconselhável escolher uma marca que  tenha uma grande tradição no fabrico de calçado. Afinal, o "sapateiro" é que sabe...

 Duas das minhas marcas preferidas para sapatos especiais são as italianas (e neste campo, os italianos são imbatíveis...) Casadei e Pollini. É que duram, e duram. Os saltos, mesmo o stiletto mais assustador, mantêm-se direitos sem cansar os tornozelos . São perfeitos para os pés - e colunas - mais sensíveis e nem é preciso mencionar os belíssimos designs...

 No nosso país, a Spartoo é um dos pontos de venda fiáveis para adquirir estas duas marcas, entre muitas outras para todos os gostos e bolsas.


Como os saldos estão à porta e são sempre uma boa altura para aumentar a colecção, o Imperatrix tem um cheque presente para sortear entre os meninos e meninas:


  Para se habilitarem, basta seguir o Imperatrix no Facebook e enviar um e-mail para imperatrixsissi@hotmail.com com o vosso nom de guerre ou, se já são seguidores (grazie!) partilhar o passatempo nos vossos blogs e/ou redes sociais, enviando o link ou print screen de partilha para o mesmo e-mail. 

Quem partilhar em Facebook e blog (ou Twitter, etc)  tem direito a uma entrada extra no sorteio.

 Podem associar-se até ao dia 15 de Julho. São só sete dias, portanto. Hurry up e bonne chance!













Momento "ai se fosse minha filha" do dia



Os média (principalmente os americanos) andam maluquinhos com as ideias de body shaming. Ai de quem comente a circunferência dos glúteos alheios ou diga algo do género do que o Bruno Nogueira disse e muito bemcai o Carmo e a Trindade, com uma data de feministas a berrar que o que é bonito é para se ver (nem que não seja lá muito bonito) e aqui D´El Rei que é bullying, porque a exposição de pele a mais só as incomoda quando lhes convém.

 E hoje eu - que ainda estou para descobrir porque continuo a seguir certos sites; se é porque no meio da tralha têm artigos de moda interessantes ou por curiosidade mórbida - fiquei apatetada ao ver este artigo a louvar a façanha de uma adolescente que "respondeu a um acto de bullying com graça e sentido de humor".

Vamos lá ver se eu consigo explicar a  história, porque vinha tão mal contada que não estou certa se percebi bem...

Carleigh O´Connel, estudante de 14 anos que vive em New Jersey, ficou muito aborrecida (será que ficou mesmo?)  porque viu na praia - suponho que seja a praia que costuma frequentar - um grafittizito a dizer "Carleigh´s ass". Sim, o derrièrre da Carleigh. Sem mais nada- nem um comentário a dizer se o referido é bonito ou feio, grande ou pequeno, se se sentou em algum sítio menos apropriado ou se o comentário era mesmo com ela ou com outra Carleigh qualquer.

 Mas a jovem sentiu-se muito ofendida e dada a "forma única como o seu nome se escreve" (não creio que seja tão única como isso, mas que sei eu?) achou que era com ela. E vai daí foi, com o beneplácito e publicidade da mãezinha, tirar uma selfie a dar literalmente as costas à brincadeira, selfie essa que publicou logo no Instagram e que a mãe, igualmente desmiolada, postou no Facebook para o mundo ver.
  Pimba, fama instantânea e viral nas redes sociais, e eis que temos uma nova heroína da imagem corporal, paladina das meninas que são gozadas pelos coleguinhas. 

 Enfim, isto é o mesmo que cada Carlota, Priscila, Caetana, Josefina ou Miquelina que viva numa cidade -não -tão -pequena- como -isso ofender-se porque alguém escreveu numa parede "o traseiro da Carlota/ Priscila/ Caetana,/Josefina/ Miquelina"...só porque o nome não é o mais corriqueiro de todos. 

Se escrevessem numa parede "o derrièrre de *vosso nome* " será que não pensariam "há muitas Marias na Terra"?

 Enfim, a Carleigh lá sabe a exposição que dará ao dito cujo, até porque ela não é nenhuma Kim Kardashian, não tem uns glúteos que se destaquem por bons ou maus motivos. Se acha que a sua "cauda" é famosa que chegue para ser mencionada num grafitti, (a pontos de não lhe passar pela cabeça que um banhista qualquer com uma namorada do mesmo nome, entusiasmado com a figura da mais que tudo, possa ser o autor da frase...) alguma razão ou piada privada haverá. 

 O que me choca não é a silhueta normalíssima da Carleigh. O que me choca não é *só* o facto de a Carleigh ter 14 anos e ser exposta desta maneira por attention whoring puro e simples.

 O que me indispõe é, primeiro, a atitude da mãe para quem se virou em busca de orientação: há muitas formas positivas e bem humoradas de lidar com o bullying e sim, com o body shaming ou o que lhe queiram chamar. Qualquer mãe sensata (noutros tempos, pelo menos) dissuadiria a filha de dar ainda mais protagonismo à situação. Diria que não, filha, lamento desiludir a menina mas nem o mundo gira à sua volta nem o seu rabiosque dá assim tanto nas vistas.

 Diria vá, que não havia provas. Ia comprar tinta para tapar o disparate. No limite, chamava a polícia porque há leis para estas coisas.  

Mas não: a mãe disse "vamos lá, filha, vira o dito cujo para a câmara, coisa mai´linda!". E publicou a imagem, porque toda a gente vai achar comovente e que não tem mal nenhum e porque não há tarados neste mundo nem nada.

 Procurar fama à custa de uma brincadeira parva com uma resposta ainda mais parva, objectificar a menina, é bem um exemplo da falta de decoro e valores invertidos a que se tem assistido.

 E segundo, perturba-me o elogio bacoco nas redes sociais e imprensa online. É isto um bom exemplo? É assim que queremos que as nossas irmãs mais novas, filhas e sobrinhas se defendam de brincadeiras ordinárias? 

Terceiro, mas não menos importante, onde está o pai da Carleigh no meio do desconchavo? Porque tal fantochada é dar razão a certas mentalidades do antigamente, que defendem que quando são as mulheres a tomar decisões pela própria cabeça, dá nisto. Um bom correctivo, era o que uma e outra precisavam.



Tuesday, July 8, 2014

É só para avisar as meninas...que amanhã habemus passatempo.



 Eu ia elaborar, mas acho que ninguém vai prestar atenção dado que os alemitos estão a dar uma tareia de proporções Wagnerianas e mefistofélicas num território que já foi nosso, e a Merkel vai estar a sapatear por aí toda contente, ao som da Música no Coração ou piorzinho, da banda sonora da novela Sassaricando. Não se pode competir com isso, nem que o assunto seja oferecer sapatos. Sim, o passatempo é de sapatinhos. Ouviram? No, I don´t think so.

Eis um bom momento para o país irmão dizer que a cobra,  a cobra,  a cobra está fumando

E já agora, como não resisto a um momento informativo, lembro que o *adequadíssimo* estribilho que andou tão na moda na nossa infância, não foi uma invenção dos guionistas da dita novela.


 A frase do glorioso momento de televisão (só me lembro de chegar ao colégio e ver os outros meninos todos a fazer a coreografia, que parecia um manicómio) veio da Segunda Guerra Mundial: como ninguém acreditava que o Brasil se envolvesse no conflito, dizia-se que mais facilmente uma cobra fumaria cachimbo. Quando se viu que o improvável ia mesmo acontecer, começou a ouvir-se "a cobra vai fumar!" e a brincadeira pegou de tal forma que o Brasil usou como símbolo da sua acção militar...uma cobra a fumar cachimbo.

 Mas isso não interessa nada- amanhã temos sapatos. Amanhã conversamos, depois de terem visto a Angelita a fumar e a sambar, mucho loca.

É redundante comentar o caso Judite de Sousa...


...porque alguém já o fez  e lindamente, aqui. Estou muito longe de ser fã do trabalho da pivot, mais longe ainda do que de ver TV generalista, mas é impossível não receber um eco por outro da palhaçada em que se transformou uma desgraça de que ninguém está livre: mais uma vez, malhas que a internet tece...

A necessidade de circo é tão imperiosa e a noção de decoro e pudor  (nos trajes, nos comportamentos, nas atitudes públicas) anda tão pelas ruas da amargura que até uma tragédia serve.
  Mas nem sei porque me admiro: na bela sociedade em que vivemos a morte já deixou de merecer respeito há muito tempo, a fronteira entre o público e o privado anda muitíssimo esbatida (e não só nos média tradicionais: basta ver as telenovelas que muita gente faz com a própria vidinha nas redes sociais, sem que haja um repórter maldoso envolvido na brincadeira) e quanto ao respeito dos jornalistas pelo que quer que seja, até pelo luto dos próprios "colegas", estamos conversados - esta classe perdeu a dita há muito tempo, se é que ela alguma vez abundou. 
 Remédio, remédio, é não olhar para nada disto. A baixeza é contagiosa e quanto mais longe se passar dela, melhor.


Monday, July 7, 2014

Parece uma treta new age, mas é certinho.


Não sei se vos costuma acontecer - provavelmente costuma, mas com a correria não se repara nesta grande verdade. Não considero isto "pensamento positivo"; é algo totalmente real, de ordem prática.
 A maior complicação, o maior obstáculo para chegar a este ou àquele objectivo, não são os meios nem os recursos: é saber exactamente o que se quer (o que não é tão fácil como parece) e mais importante, lembrar-se disso regularmente.

 Acontece-me amiúde pensar que me convinha isto ou aquilo, mas só quando me sento cá com os meus botões a virar a questão do avesso e decido por ali é que vamos, Avé Maria e avante (ouvi esta expressão há dias e achei que tinha de a usar numa frase qualquer) é que os meios surgem como por magia, os entraves arredam-se e tudo se junta para que as coisas aconteçam.

 Aquilo que queremos/precisamos tende a aparecer -às vezes do nada - quando nos lembramos de lhe prestar a devida atenção.

 Conheço muita gente que pensa, assim de longe, que dava jeito ter ou fazer isto e aqueloutro, mas coloca a ideia numa prateleira muito alta. Bom, todos sabemos o que acontece ao que se arruma nas prateleiras altas: para ali fica guardado, esquecido, a ganhar pó.

 Isso deve ser muito caro, não tenho tempo, não me dá jeito, se ao menos tivesse assim ou assado...
 Muitas amigas minhas têm certos objectivos simples: por exemplo, fazer obras em casa, emagrecer aqui e ali ou tratar aquele problema estético, passar férias num sítio qualquer. E vão falando nisso, sempre a adiar. Quando lhes pergunto: sabes lá se é muito caro! Já 
pediste um orçamento? na maioria das vezes, nem se lembraram de tal coisa. 

Convencem-se de que é muito caro e pronto, dali não se tiram. Não pensam, como está na moda dizer-se agora, fora da box. Para atraso de vida, já bastam os limites reais: não precisamos de impor fronteiras imaginárias!

 Só com uma informação completa é possível fazer cálculos, pensar noutras possibilidades ou caminhos, estabelecer prioridades, criar um plano de acção. 

 Ideias e objectivos precisam de foco e de energia; não podem germinar nadando na maionese.

O mais difícil não é o como (e as pessoas costumam ser obcecadas com o "como", "quem", e sobretudo, com o  "quando")  mas "o quê?". O que é que eu quero realmente?

Por isso, sou uma grande fã de listas. Gosto sempre de colocar as coisas por escrito, até as mais corriqueiras. Quando uma pessoa se senta a criar uma lista daquilo que gostaria de fazer, obter ou experimentar, é surpreendente verificar como as ideias estão pouco claras. É preciso um bom bocado de paciência, de brainstorming e de imaginação para descrever o cenário ideal, ainda que se usem aqueles truques New Age" visualize que encontrou o Génio da Lâmpada...". Mas não se fiem no que digo, que eu não sirvo para guru: se ainda não tentaram, aconselho-vos a experimentar.

 Tenho para mim que se a maioria encontrasse o génio, não sabia o que pedir ou saía asneira. Eu pelo sim pelo não quero estar preparada: como gosto de coleccionar antiguidades nunca se sabe o que sai lá de dentro e prefiro ter a resposta na ponta da língua...

Sunday, July 6, 2014

Reconciliação, redenção, compreensão...e outras receitas.

Rudolph Valentino e Natacha Rambova


Disse Camus,



e é bem verdade. O afecto verdadeiro, o amor verdadeiro, é uma luta constante. Dá muito trabalho e exige que se perdoe - até o imperdoável - no sentido bíblico do termo: setenta vezes sete. Quem ama verdadeiramente faz como Oseias, um homem puro e orgulhoso que foi homem o suficiente para perdoar e resgatar Gomer, a mulher que não merecia perdão. Mas ele amava-a; isso bastou.

 E num relacionamento que vale a pena, quantas vezes um e outro fazem coisas imperdoáveis! Nem sempre um é Oseias e outro Gomer: revezam-se a fazer asneiras,  e necessário que se revezem também a ter os braços abertos. É preciso perdoar à vez, um dia tu, outro dia eu.

 Mais do que desculpar,que entre duas pessoas muito chegadas às vezes até é escusado (lá dizia o filme xaropento, mas filosófico:  "amar significa nunca ter de pedir desculpa") 
 trata-se de compreensão. De entender profundamente o outro nas suas mínimas particularidades, subtilezas,  nas mais pequenas reacções automáticas e micro expressões, nas suas ínfimas dores, no seu orgulho e na forma como manifesta tudo isso.
 O que para as pessoas de fora parece intransponível, indesculpável, que para os preconceitos do mundo é fracturante, entre duas pessoas que se conhecem muito bem, que cultivaram uma dinâmica e uma linguagem próprias, pode não ser nada de grave desde que ambos estejam conscientes daquilo que é mais importante. Que compreendam que têm tudo a perder porque quem não aprende a dobrar uma vez por outra, quem não tem flexibilidade, acaba por quebrar. É preciso  ser firme e digno, não tolerar faltas de respeito.. ser de aço mas de aço flexível, como as cordas de um piano. E isso exige, mais do que esforço, coragem.

  Há uns anos entrevistei vários casais do antigamente para um suplemento do Dia dos Namorados no jornal onde trabalhava. Recordo-me de um deles, que tinha estado casado durante décadas, apesar de muitas dificuldades: em terra de emigrantes, o noivo tinha sido obrigado a ir para França logo após o casamento. Os filhos tinham ido nascendo com ele cá e ela lá. Depois disso, já reunidos, tinham passado por imensas crises como qualquer casal, mas mantinham-se juntos e dizia a velhinha que continuavam apaixonados. Quando lhe perguntei o segredo de tanta longevidade, ela disse-me o seguinte: muita coragem! Agora está na moda separarem-se por qualquer coisa...antes não era assim. A gente zanga-se, mas dali a nada faz as pazes outra vez!

Que simples eram as coisas no tempo em que não havia outro remédio! Talvez seja necessário agir sempre assim, como se não houvesse alternativa - porque a alternativa raramente é melhor.



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