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Saturday, July 19, 2014

Isto do aperfeiçoamento é cá uma espiga...


Uma pessoa de bem e/ou uma pessoa com alguma vida interior (sendo que as duas coisas costumam andar juntas) procura sempre aperfeiçoar-se em vários sentidos - espiritual, cultural, físico, moral, na elegância, no saber estar, no comportamento para com os outros, nas competências profissionais, nos pensamentos e assim por diante. 

As motivações para isso podem ser sociais, religiosas ou estar relacionadas com simples sensatez. Em todo o caso, o aperfeiçoamento é  um esforço diário que comporta atenção e disciplina. Só assim se consegue algum tipo de domínio sobre si próprio (a) e logo, sobre os acontecimentos e o ambiente. Santa Catarina de Siena, grande filósofa, disse e bem "devemos suportar tudo, porque os sofrimentos são pequenos e as recompensas são sempre  grandes".

Quem aspira à perfeição ou antes, à melhor versão de si mesmo (a) - pois a perfeição é divina, inimiga do sucesso e deve ser usada como padrão, no sentido "apontar às estrelas para chegar ao tecto", não como desculpa para a frustração - se tiver bom senso, será antes de tudo  mais exigente consigo próprio (a) do que com os outros. 

Primeiro, porque é pondo em prática que se aprende; segundo, porque é mais eficaz dar o exemplo do que dar sermões.
Calma, que não defendo o fanatismo nem a crispação: pode ser-se criterioso e ainda assim, gentil. Roma e Pavia não se fizeram num dia; conseguem-se mais melhoramentos agindo suavemente e aos poucos do que procurando impor o impossível. Isto vale para a auto exigência e para a exigência com quem nos rodeia.

No entanto, nada disto cai muito bem aos olhos do mundo na era do hedonismo barato e das facilidades - cursos fáceis, fama fácil, religião fácil, milagres fáceis, amor fácil e por aí fora. 

 Haverá sempre aqueles, mesmo entre as pessoas respeitáveis e com obrigações perante a sociedade, que não ajudam nada, que tendo fraquezas olham de lado para quem procura dominar as suas ou que - pior ainda - dizem "faz como eu digo, não faças como eu faço".  

Assim, quem é exigente consigo e com os outros pode ser mal compreendido:

  O rigor pode facilmente passar por intransigência.

 A dignidade e a prudência podem ser confundidas com frieza.

A reserva, com antipatia.

O silêncio com calculismo.

A ausência de resposta, com medo.

Nada disto deve importar a quem sabe o que quer e para onde vai, o que obriga a consideráveis doses de paciência e de auto confiança... ou mesmo a esforços heróicos. Mas lá diz o velho estribilho: no pain, no gain.











Há a humildade saloia... e a que pertence aos grandes.


Ontem detive-me a seleccionar livros para escolher o que vai e o que se guarda... e quem me conhece sabe que não é tarefa que me corra muito bem: acabo sempre por me distrair a ler e fica tudo exactamente na mesma...

Estava eu a folhear um dos volumes que vão ficar e encontrei um conhecido episódio que quase se me tinha varrido da memória, mas que é uma bela lição de vida.

Embora eu embirre solenemente com o uso a torto e a direito da palavra "humildade" por quem considera humildade sinónimo de ser simplório ou zé ninguém e logo, uma qualidade, ou por quem de humilde não tem nada, de parolo muitíssimo, mas passa a vida a recomendar humildade àqueles que inveja (como expliquei tim tim por tim tim aqui) é preciso distinguir entre a humildade saloia, parente próxima da mesma esperteza, e a humildade que eleva e espiritualiza. 


Esta última só nasce nos espíritos que desejam aperfeiçoar-se e é a porta para que muitas outras qualidades se manifestem ou aumentem: a bondade, a graça, a elegância, a inteligência e a serenidade de quem não se considera uma grande pessoa (ainda que o seja) logo sabe pôr os outros em primeiro lugar, é capaz de ouvir, observar, aprender e evoluir, sabe não incomodar, e, abafando essa feia coisa que é o ego exacerbado, não se melindra com pouco, não condena com facilidade, não se agasta com duas palavras, sabe perdoar e não é consumido (a) pela amargura.


Essa é a humildade dos grandes - que pode surgir na pessoa mais discreta do mundo, desde que ela possua uma qualidade especial. Uma rapariga muito bonita mas que seja soberba perde muito do seu encanto. Um génio que amesquinhe os outros pode ser considerado anti social, ou mesmo um pouco lunático. Pensemos na humildade como um primer de maquilhagem (ou para os cavalheiros perceberem, o primário da pintura de uma casa, que vai dar ao mesmo): aperfeiçoa e prepara o terreno para que o resto seja realçado. Sem primário, a pintura pode não ficar uniforme; sem humildade, muitas boas qualidades podem perder-se.


A filha mais nova de Luís XV, o Bem amado, Luísa Maria de França - conhecida como Madame Dernière ("a última") - era uma princesinha espirituosa e senhora de si. Muito ciosa do seu papel, e mimada como seria de esperar, tinha o costume de admoestar as aias e criadas, dizendo, se a contrariavam, "lembra-te que sou filha do teu rei!".

  Entre elas havia uma - cuja identidade muda consoante os relatos, umas vezes a preceptora, outras vezes uma criada de quarto - que perante estes assomos de mau génio, lhe respondia com a maior simplicidade "e eu sou filha de Deus!". 


 Madame ouvia isto para seu governo e, sendo dotada das maiores prendas de espírito acabaria por se fazer carmelita, esperando com esse sacrifício conseguir que o pai deixasse a sua vida dissoluta (um objectivo que só seria alcançado por completo no leito de morte do Rei). Maria Luísa escolheu viver no carmelo mais pobre de França, com uma regra rigorosíssima, e deu tantas provas de perfeição que é hoje conhecida como Venerável Madre Thérèse de Saint-Augustin.

Nos seus anos como Carmelita, a princesa recordava muitas vezes como as palavras da sua servidora a tinham ajudado a dominar esse aspecto menos bonito do seu carácter.

Mas lá está: para tirar partido de uma boa lição é preciso ter a inteligência para a compreender, e a humildade (humildade da boa, não da saloia) para reflectir e colocá-la em prática...





Friday, July 18, 2014

Desculpem lá, mas o ciúme é mesmo coisa do Príncipe das Trevas.



Não querendo fazer aqui sermões mas enfim, a minha imaginação tende a voar um pouco, estou mesmo a ver o demónio disfarçado (como naquele vídeo giríssimo com a música dos Rolling Stones em que o Príncipe deste Mundo e Pai da Mentira se diverte a causar zaragatas e a fazer estragos) num cantinho, a rir às gargalhadas de cada vez que vê pessoas desavindas por um motivo tão estúpido. Não estou a inventar, vem na Bíblia e tudo, olhem:

  "Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má"
(Tiago 3:16)

Tenho para mim que deve valer-lhe a pena, ao Tinhoso,  deixar o conforto dos seus domínios infernais só para vir cá acima fazer a cabeça dos crédulos, encher-lhes o cérebro de patacoadas, espalhar mentiras e fazer cizânia. Ganha o dia, o malandro. São pelo menos duas almas que mete no Inferno, é limpinho.
 E se o ciúme for causado por mexericos, então...como os mexericos raramente se cozinham sozinhos, deve facturar mais umas quantas. E sem grande esforço porque qualquer um, por muito bom que seja, está sujeito a ter ciúmes. 

Cruel é o furor e impetuosa a ira, mas quem pode resistir ao ciúme?” (Provérbios 27:4)


Até o Rei Salomão, o mais sábio de todos os homens, não escapava com a sua inteligência às agulhadas do sentimento de posse; por isso,  no meio das cantorias de amor lá ia avisando a sua eleita (como se ele não tivesse um harém cheio de concubinas - estão a perceber aqui a desigualdade da coisa?): minha querida, gosto muito de ti, mas se dás um passinho fora da linha vais ver o que te acontece.

"Põe-me como um selo sobre
o teu coração;
como um selo sobre o teu braço;
pois o amor é tão forte quanto a morte
e o ciúme é tão inflexível
quanto a sepultura.
Suas brasas são fogo ardente
..."

(Cântico dos Cânticos, 8:6)


Moral da história: contra o Monstro de Olhos Verdes, nem reza brava. Ou há juízo e confiança, ou nem o Bom Livro acode aos ciumentos. Limita-se a constatar os factos...

Thursday, July 17, 2014

Aceitar os conselhos de moda "deles": boa ou má ideia?

Kim Kardashian antes (esq.)e depois (dir.)de aceitar os conselhos da cara metade

A maior parte dos homens, mesmo contando os que têm gostos minimamente refinados, não percebe muito de moda (pelo menos, não da mesma maneira que nós mulheres a entendemos) e faz questão de o anunciar aos quatro ventos. 
  Até os mais conhecedores, muito exigentes no aspecto do atavio masculino e apreciadores da mais refinada elegância feminina, poderão não saber coisas básicas como o que é um bolero ou distinguir flare de skinny jeans. 

Antes de continuar, ressalvo que é preciso deixar de fora deste texto os que gostam de ver as mulheres, inclusive as próprias namoradas, "quanto mais sexy melhor" - porque enfim, essas vulgaridades nada têm a ver com o público alvo aqui do blog, que trata de gente modesta e razoável. 
  No entanto, uma coisa é verdade: muitos poderão não saber pormenores ou não conhecer tão bem as marcas, mas têm um sentido de proporções que por vezes as raparigas tendem a ignorar. Sabem o que favorece o corpo feminino e o que lhes agrada.

 A discussão "a moda é feita por mulheres que não sabem o que é bom para elas e por  homens que não gostam de mulheres" é muito velha, mas tem a sua razão de ser. As mulheres podem achar graça a coisas que lhes abafam as linhas e que não favorecem ninguém porque lhes são opostas, e os opostos atraem-se.
   Depois, há a curiosidade e a atracção que quase todas têm pelo que brilha, pelo que é diferente... e o velho desejo de impressionar as amigas com a última novidade, tudo isso comportando o risco de cair no estatuto de Man Repeller. Ou seja, de ouvir muitas queixas da cara metade ou, para as solteiras, de ser muito cool, muito fashion, muito trendy...mas pouco apelativa para o sexo oposto.

 Nessa altura convém dar ouvidos aos rapazes, de preferência aos rapazes- namorados, maridos, amigos, pais, irmãos-  que não percebem nada de moda; só assim se encontra o equilíbrio entre a elegância fashionista que todas querem e a beleza tradicional (curvas q.b, cabelos esvoaçantes e caras de boneca) que eles entendem como bonito desde que o mundo é mundo.

 Mas eu disse, dar ouvidos aos rapazes que não percebem de moda - porque se vamos perguntar aos que se arvoram em especialistas, pode ser pior a emenda que o soneto.
 Não queria trazer Kim Kardashian à baila mas como não me ocorre um exemplo mais ilustrativo, terá de servir. 



 A estrela de reality show - que por mais que a tentem transformar noutra coisa não deixará de ser o que é - nunca foi exactamente polida. Muitos dos seus visuais eram bastante vulgares ou pareciam baratos. Mas não se podia negar que, mal ou bem, a maior parte estava de acordo com a sua figura curvilínea, tirando o melhor partido dela, e que (fora o exagero de maquilhagem e o cabelo demasiado preto) o look próximo do que Deus lhe deu era o que a favorecia mais. Para melhorar bastava limar as arestas, suavizar um bocadinho, optar por tecidos melhores e um styling mais moderado...mas a silhueta estava lá! E isso é o essencial.

Pois bem, a menina, como tonta que é, juntou-se a um tonto com a mania que é esperto,que acha que percebe de moda e sabe tudo.


Antes e depois: na dúvida, perguntar às amigas ou a um stylist com credenciais.

Kanye West, que se considera um expert, entendeu que havia de "refinar" a mulher com roupas de melhor ar, algumas intervenções estéticas escusadas e uma maquilhagem mais...bon chic bon genre. A ideia seria boa, se ele não tentasse encaixar um círculo num rectângulo ou seja, se não a vestisse com roupas que até numa modelo magríssima são arriscadas, quanto mais numa mulher com formas voluptuosas. Desrespeitou completamente o tipo dela e convenceu-a a usar tudo o que uma mulher curvilínea, seja mais gorda ou mais magra, deve evitar: golas altas demasiado justas, decotes abafados, cabelo apanhadíssimo, sapatos que tapam o pé e o tornozelo...enfim, tudo o que encurta, alarga e engorda!

Moral da história: a opinião do mais que tudo conta sempre, se ele for um rapaz de gosto  que não goste nadinha, ou goste pouco, de moda. Porque gostar e ter talento não são sinónimos; pode dar-lhe para invenções destas e...para vosso bem, é melhor fazer ouvidos moucos!






Acontece muito cá em casa.


Mãe: *chamando do jardim ou do andar de baixo*  Então?
Eu: Sim, mãe? Então o quê?
Mãe: Nada, não sabia de ti.

E vá lá... vá lá, que quando eu era pequena, o guião era isto:

Mãe (e quem diz mãe diz pai, avó, tia...): Sissi!
Eu:  *quieta a ler ou a brincar com qualquer coisa* Sim?
Mãe: Que fazes?
Eu: Nada, porquê?
Mãe: Estou-te "a ver" muito calada!

Pois, e em Sissinês estar muito calada podia eventualmente - repito, eventualmente - significar que estava a inventar alguma brincadeira perfeitamente inócua, como sobrepor três bancos para tirar os cosméticos da avó e descobrir a última fórmula da  pedra filosofal, mexer em ervas potencialmente venenosas para as minhas experiências de alquimista (nunca provei nenhuma - era uma cientista, não era cobaia) pendurar-me pelos pés no balouço, ir brincar ao Indiana Jones para o mato e levar uma faca do dito pedida emprestada (piu) à colecção de canivetes dos militares lá de casa, cair do cavalo abaixo por achar que podia levar mais longe as indicações do instrutor porque enfim, me achava com jeito para artista de circo, deitar fogo à arrecadação noutro teste em busca de avanços para os males da Humanidade, fazer experiências com a sopa que estava a ser preparada no fogão sem dizer nada a ninguém acrescentando-lhe um ingrediente inusitado (como grãos de milho seco) só para ver como ficava e assustar toda a gente ao jantar porque viam aquilo e julgavam que ali tinha andado um bruxedo qualquer, pendurar-me numa oliveira às nove da noite com o meu primo e um microfone de brincar na mão a fazer discursos "políticos" para a freguesia "arrependam-se, que os extra terrestres vão invadir a terra!" atirar ovos a quem passava na rua (acertava sempre ao lado de propósito, era só para ver a cara das pessoas a olhar para cima muito espantadas/indignadas) ligar para Nova Iorque e perguntar se as Tartarugas Ninja estavam, eu sei lá.

 Uma pessoa comete uma faltazinha e está cadastrada para o resto da vida, só vos digo isto...



Mais um estudo antropológico: as pessoas "Floribella"


Não tenho nada, mas tenho tenho tudo, la la la. Assim são as Pessoas Floribella: não têm nada mas têm tudo, ou pelo menos acham que sim e gritam-no ao mundo com o maior ar de patetas alegres. E na sua maioria, tal como a intérprete nacional desta personagem, também não são um prodígio de boa educação, logo dizem valentes disparates julgando que fazem boa figura.

Uma Pessoa Floribella não tem nada, ou não tem grande coisa, mas adora gabarolices. Não é bonita, mas acha que sim. Não é bem sucedida por aí além, mas considera-se o máximo: é o tipo de alma que faz estágio numa empresa mas anuncia ao vento que lá trabalha com todas as regalias, de casa e pucarinho. Quando conta um conto, acrescenta um ponto e adora falar de si própria sem medo de ser apanhada em aldrabices.


Como se diz na minha terra, “Dinari e santità, crìdìtinni mità”riqueza e santidade, fia-te em metade...


 Uma Floribella, que pode muito bem ser um Floribello, não é rica, nem lá perto, trabalha para pagar as contas como todos os outros e não sabe nem sonha o que é realmente ser rico, mas acha-se muito abastada: tem os vícios do novo rico, a falta de mundo e sofisticação do novo rico...mas sem o dinheiro do novo rico, percebem

Uma  Pessoa Floribella passa a vida a dizer "Eu tenho X que custou Y", "eu comprei isto por não sei quanto dinheiro" numa grande demonstração de falta de chá, o que já de si seria péssimo. 
 Mas o pior é que vamos a ver e afinal não é bem assim: diz que tem um carrão, mas o carro é dos pais e a (o)  Floribella (o) não é senhor (a) de o levar para parte nenhuma. 

Compra roupa contrafeita e jura que é verdadeira, mesmo que se note à légua a confecção da lojinha do chinês ou da tienda dos ciganitos. Se vai a casa de alguém acha-se no direito de criticar a decoração, como se tivesse grande gosto, e de realçar que comprou uma carpete  de seiscentos euros *que quem viu sabe ser do piorio, olha para mim a rimar e tudo, já estou contagiada pelo espírito da Floribella, cruzes*  como se o tapete fosse persa ou melhor, voasse ou se  seiscentos euros fosse assim uma soma das arábias. Tudo é relativo nesta vida e o dinheiro é a coisa mais relativa que há, mas uma Floribella não sabe o que isso é e como o seu conceito de luxo ou prestígio é assim um bocadinho por baixo e um bocadinho possidónio, a alegre Floribella enche-se de vento com pouco.

 Pior ainda, acha-se a última bolachinha do pacote e se preciso for ainda se dá ao luxo de ser paranóica (o) achando que as pessoas se aproximam de si com fito na sua grande riqueza. É só interesseiros a tentar caçar  a sua fortuna. Então não é? Lá diz o povo, presunção e água benta...

 Pessoas Floribella são, em suma, uma curiosa mistura de ingenuidade, pensamento positivo, parolice e falta de noção. Há que ser alegre, mas tanto...



Wednesday, July 16, 2014

Plataformas, como usar?



Hoje é dia de ir buscar algumas sandálias de plataforma que tenho arrumadas, para as incluir no calçado para este Verão. 
Embora regra geral eu prefira saltos razoáveis ou mesmo chunky com compensação para o dia-a-dia, por serem menos instáveis e convencionalmente elegantes, as cunhas completas têm as suas vantagens. Afinal, já eram usadas no Renascimento (em Veneza eram o ai-Jesus das primeiras elegantes, tanto cortesãs como meninas bem nascidas) e no Oriente há séculos. Por algum motivo seria!

 (Re)introduzidas por Salvatore Ferragamo nos anos 1930 e popularizadas por estrelas como Carmen Miranda, estiveram muito em voga durante a II Guerra Mundial - afinal, a ordem era substituir os homens no mundo do trabalho, andar feminina mas prática e poupar nas idas supérfluas ao sapateiro, que já bastavam as necessárias para fazer durar o calçado em época de racionamento...

Carmen Miranda usando um chunky heel compensado...e rodeada de algumas plataformas da sua colecção.

  Se precisarmos de caminhar por bastante tempo (num piso regular, atenção) são uma opção sensata, além de representarem menos encargos com reparação de capas. 

As que têm uma inclinação ligeira distribuem o peso do corpo uniformemente e para quem não está acostumada a andar de saltos, dão muita altura sem grande ciência. 
  Por outro lado, são consideradas um calçado mais informal: embora haja modelos para todos os gostos e ocasiões, escolher uma plataforma para traje social exige olho apurado. 
   Em eventos especiais convém optar por um design delicado, bastante cavado no pé (as tiras que cobrem muito adequam-se mais a calças afuniladas) com aplicações e sobretudo menos compensado à frente e/ou com uma inclinação acentuada, que pareça um "salto fingido".
 Para usar com saias ou vestidos clássicos no dia a dia ou em festas mais descontraídas, podemos inspirar-nos em Dolce &Gabbana, rainha das plataformas por excelência:  inclinação q.b. e compensação razoável (como nas imagens do título e abaixo).


Este modelo é o mais versátil de todos pois também se adequa a jeans ou calções, alongando a pernas de forma descontraída e menos vulgar que os saltos altos.
 De resto, é preciso considerar que quanto mais informal a toilette, mais volumosas e divertidas poderão as suas sandálias, sapatos abertos ou peep toes de cunha.

    O reverso da medalha está, repito, na irregularidade do piso: quanto à calçada portuguesa, as plataformas (principalmente as mais altas) não vieram resolver nada, antes pelo contrário: são propícias a entorses e as tiras podem descolar-se ou arrancar-se com facilidade se puser um pé em falso. 
 Se vai andar na Baixa, por exemplo, opte por umas espadrilles, vulgo alpercatas (um dos meus grandes favoritos para este ano) ou por um modelo menos alto e pouco compensado na parte frontal, para conseguir sentir - literalmente - por onde anda.
 Evite também os materiais muito rígidos, que magoam e forçam os ossos, levando a deformações e muitas visitas de emergência à pedicure.

 A outra desvantagem das plataformas reside no facto de alguns cavalheiros não lhes acharem tanta graça - assim como aos saltos mais largos - por as considerarem menos femininas, destruidoras da mítica figura em "S" e do andar gracioso que eles tanto apreciam.

 Quanto a isso impõe-se, claro, um certo bom senso: plataformas não impedem necessariamente uma mulher de caminhar com a elegância que lhe compete, pois isso não depende só do que se traz calçado...e há que considerar o resultado do visual como um todo. Se o look parece "trapalhão" ou grosseiro, talvez deva aceitar a opinião masculina.

 Caso contrário, lembre ao senhor que como ele nunca se equilibrou nuns saltos agulha não sabe o que custa, logo não tem autoridade para falar...não se pode ceder sempre!







Ladies and gentlemen, we have a winner!


Tal como prometido, que eu não gosto nada de suspense nem de protelar, a roda andou esta manhã e já temos um vencedor ou antes, uma vencedora. A Raquel Lima foi contemplada com o cheque presente da Spartoo. Resta-me desejar boas compras a esta nossa amiga e agradecer a todos a participação.
  Quem não teve sorte desta vez, esteja atenta (o): para a semana temos um passatempo diferente, que isto os sorteios do IS são como tudo na vida: "não há fome que não dê em fartura".



Tuesday, July 15, 2014

Está tudo acabado entre nós!


Eva Mendes


Tenho a qualidade - e o defeito, pois esta virtude já me trouxe várias maçadas - de ser muito constante. 
Fiel às pessoas e aos hábitos, conservadora q.b, um bocadinho avessa à surpresa e à mudança. Por isso, quando se trata de coisas importantes só desisto de uma ideia, de uma pessoa, de uma ligação de qualquer tipo ou de um objecto se já se tentou tudo, se deu o triste pio, não tem remédio, não tem salvação e nada feito. À novidade prefiro a segurança, a estabilidade, a confiança, a tradição e a certeza. É preciso muito para que o saco rebente e eu dê o definitivo basta (que quando finalmente acontece, costuma ser de vez...característica própria de quem tende mais a quebrar que a torcer).

That´s right, I´m a believer, para o bem e para o mal. O fim das coisas é sempre um bocadinho triste, para não falar na canseira e no receio que envolve adaptar-se a coisas novas.

Procuro moderar esta tendência porque é preciso saber fluir, crescer, adaptar-se, 
expandir-se, tentar novos caminhos- enfim, sem mudança não há evolução. E às vezes, não há alternativa senão mudar mesmo. É o caso do meu telemóvel. Como não gosto de descobrir engenhocas novas (nunca se sabe que maldades se lembram de me causar ou se são de confiança) ando há séculos em modo é melhor o diabo que se conhece que o diabo que não se conhece

Tudo tenho sofrido e aturado a este sacaninha. O menino não gosta de aplicações? Ok, eu dou a volta e vivo sem elas. Encrava? Eu aguento. Mas como há uma diferença entre gostar de saber com o que conto e instalar-me na zona de conforto mesmo que isso implique tolerar faltas de respeito, agora chega. Ficar sem bateria à mínima coisinha,
 deixar-me na mão quando mais preciso dele ou a meio de um assunto importante e já me ter obrigado a decisões erradas ou precipitadas por causa disso, é mais do que eu posso aguentar. Se não coopera, acabou-se. Rei morto, rei posto. Sayonara, baby.


Cuidado com as arrumações, ou memorial de uma birra monumental.


A tardia vinda do Verão tem sido aproveitada  para reorganizar e redistribuir alguns móveis, de modo a maximizar o meu tempo e recursos com a maior eficácia -
leia-se, deixar de me desesperar porque as clutches de sair, por exemplo, estavam numa prateleira demasiado alta ou porque os cintos se sobrepunham e davam comigo em doida. 

Conselho de amiga: não comprem demasiados cintos. Mesmo escolhendo só os de melhor qualidade, tendem a acumular e a enrolar-se uns nos outros e...enfim, já estão em pequenas gavetas separadas mas cheguei à brilhante conclusão de que aquilo que me faz falta para ser feliz é um closet igualzinho ao da Vogue, e mesmo assim havia de haver muita movimentação de charriots!

Andei a fazer serão nisto, toda entretida, e lembrei-me de que estas operações sazonais de arrastar e mudar móveis eram frequentes lá em casa quando eu era pequena. Volta e meia redecorava-se para arejar e arrumar de uma forma que desse mais jeito. 

 Levava-se o dia todo nisso e era muito engraçado porque quase sempre ia descobrir coisas de que já não me lembrava, ou reutilizava algum móvel perdido no sótão (uma vez fiz de uma estante velha uma casa de bonecas, com ajuda da avó). Todos participávamos nesta actividade de família - às vezes com ajudas, e o meu tio preferido que tinha jeito para a bricolage vinha dar uma mão e tudo -  e eu nunca me aborrecia.

 Mas houve uma vez (tinha eu uns sete anos, atenção!...) que os meus pais acharam que o meu quarto, que era bastante grande, precisava MESMO de umas alterações valentes. Não me recordo já o que era, mas foi uma "volta" de alto a baixo. Sei que chegámos ao fim do dia exaustos como é natural...e ainda não tínhamos terminado. Só me lembro de ver no chão uma pilha gigantesca de livros e cacarecos.
 Sendo amiga de ter tudo em ordem, não gostei nada de andar a tropeçar em toda aquela tralha e como estava cheia de adrenalina nem dava pelo sono que tinha.

 Mas claro,a mãe percebeu e como era natural, mandou-me para a cama, que amanhã havia mais

Pois sim! Embirrei que era incapaz de dormir com tudo aquilo à volta da cama, e que já que estava lançada queria tudo arrumado e limpo, que não me ia deitar coisíssima nenhuma. Quando me mandaram calar e obedecer desatei numa choradeira que só visto, eu que nem era de fazer berreiros, como se me tivessem dado um grande desgosto. Ameaçaram-me com um bom correctivo se não me calasse, apagaram a luz e fecharam a porta...e eu ainda a soluçar como se fosse uma coisa muito grave, até que caí para o lado.

 Lembro-me de acordar de manhã sem perceber porque tinha feito uma cena tão grande. Afinal, no dia seguinte completou-se o trabalho num instante. 

Isto do instinto fashionista- super-organizado não convém que se junte a birras de sono....

Monday, July 14, 2014

Há pessoas que são como as trovoadas.





Não é que lhes queiramos mal, de longe têm o seu pitoresco, mas tudo nos defenda de as ter por perto: dá vontade de as esconjurar porque não fazem senão estragos. Só levantam ventos, atiram raios e coriscos e fazem os outros cair no pecado da Ira. 

  Em casa da avó, se a tempestade ameaçava, havia a tradição de defumar o espaço com alecrim e outras ervas e fazer uma curiosa oração. Reproduzo-a aqui com a métrica popular, porque corrigindo-a perde-se a cadência e o encanto:

S. Gregório se levantou
Seu caminhinho andou
Nossa Senhora lhe perguntou:
Onde vais, S. Gregório?
Vou arredar as trovoadas
Arredá-las bem arredadas
Para onde não haja eira nem beira, nem pé de figueira, nem pedra de sal, nem nada que faça mal.

 Ora, com pessoas venenosas, que invadem tudo como as ervas daninhas e só estão bem a causar danos a quem está quieto, a vontadinha é igual: arredá-las bem arredadas.
Sempre tive curiosidade por estas crenças folk e recolhi um bom número delas, de muitas fontes diferentes: noutras rezas semelhantes, para afastar as trovoadas ou qualquer outra coisa má, também aparece muito a imagem "que vá para o Rio Jordão, onde não faça mal a nenhum cristão" mas acho isso um pouco limitativo. Pelo menos quando se trata de gente ruim- acho que há muçulmanos, hindus, judeus e outros que são boas pessoas, logo também não merecem tropeçar em almas destas. 

Pequena Lei de Murphy do dia: "guardado está o vestido..."

Vestidos icónicos: o "Vestido da Vingança" de Diana de Gales e o modelo Versace que tornou Liz Hurley famosa

Já tenho recomendado por aqui uma das minhas máximas para compras e organização do guarda roupa: "compre quando aparece e pode, não quando precisa".  E como eu não sou uma rapariga "faz como eu digo, não faças como eu faço" se encontro algo do género que me agrada, que já sei que resulta e que não passa de moda, trago para casa. Assim, quando de facto me é preciso um calçado assim ou uma saia assado, escuso de andar em compras apressadas...que quase sempre dão asneira. 
 Fica mais barato - e poupa  stress - ter várias opções disponíveis prontas para entrar em acção a qualquer momento;  e acaba por ser curioso fazer um "shop your closet" literal quando é necessário.

 Por essa razão acontece-me muito ter no armário alguma roupa ainda com as etiquetas, sobretudo vestidos. 
Não porque me esqueci deles ou não tencione usá-los, mas porque a ocasião ainda não se apresentou.   

 Mas às vezes há um certo vestido, ou um certo outfit, que fica no cabide durante um tempo invulgarmente longo. Num dia penso em usá-lo mas acabo por optar por outro, ou chove e já não dá, ou - sucedeu mais que uma vez- o fecho que até tinha sido verificado pela costureira avaria e tenho de o mandar arranjar...enfim, por uma razão qualquer o uso dessa peça vai sendo adiado sucessivamente, até de um ano para o outro porque lá diz o estribilho, so many dresses, so little time.

 Porém, tenho verificado que quando isto se dá, geralmente é bom presságio: o vestido que não foi à rua quando planeado, que anda muito tempo à espera da sua vez, acaba quase sempre por ser luzido numa ocasião bem mais feliz e memorável. Adequa-se aqui o ditado popular "guardado está o vestido para quem o há-de vestir".

 Chamo-lhes "os vestidos da Sorte" e faço por os voltar a usar quando preciso de muito bons agouros...pergunto-me se isto acontece a mais pessoas, mas estou quase certa de que não sou a única.

 Claro que também existe a regra oposta: se gosto muito de uma toilette e calhou usá-la numa situação que não correu bem, há que "quebrar o enguiço" e voltar a levá-la à rua, com alguma pequena alteração (um cinto, uma jóia ou outro calçado) para que não se torne um "vestido da má sorte" que fique associado a recordações menos felizes. E geralmente funciona.

 Há que manter um bom feng shui em tudo, até no armário...



Sunday, July 13, 2014

Espaço eu-não-quero-ser-consumista do dia.


E também não quero  fazer publicidade (se fosse publicidade uma máscara já cá cantava e não se punha o dilema, há que ser honesta). Sabem o momento, que acredito que todas os temos, em que uma rapariga diz assim para si própria...

..."tenha juízo que o toucador está a rebentar pelas costuras; só de máscaras (e quem diz rímel diz bâton, pincéis, carteiras, sombras, cintos ou outra bugiganga qualquer) há uma caixa inteira, algumas que não foram propriamente baratinhas e isto máscaras de volume todas se parecem" mas há um diabinho a dizer-nos ao ouvido que a nova máscara que saiu que faz olhinhos de personagem Anime é tão linda e tem uma escovinha tão grande e tão gira, e que vai cair lindamente nas nossas longas pestanas?

Pois, é isso que se passa.

 Confesso, a máscara de pestanas é - junto com os pincéis de boa qualidade, sombras capazes, boas bases e pós, lipstain, eyeliner gel, blush e bâtons alaranjados (estes três últimos não sei onde andaram toda a minha vida e muito menos como sobrevivi sem eles até aqui) - uma daquelas coisas a que estou sempre atenta. 

Tenho certa vaidadezinha nas minhas pestanas mas em boa verdade, qualquer rímel de volume (e não só) com um mínimo de qualidade, que adira bem, faz o truque: cílios de boneca. Sou completamente avessa a postiços, principalmente se a natureza não nos deixou destituídas, logo invisto bastante nisso - e numas boas massagens com óleo de rícino, porque o maquilha-desmaquilha não lhes dá muita saúde.

  Durante anos fui fiel ao Maybelline Volum´Express (o clássico, de embalagem azul). Era tão eficaz que a mãe me proibia de o usar para o liceu, de tal maneira as pestanas ficavam gigantes e espessas. Mas das últimas vezes que o comprei pareceu-me ter perdido qualidades. A velhinha Great Lash também é um clássico, mas fui sempre saltitando entre as marcas profissionais ou de perfumaria e algumas muito acessíveis com produtos que nada lhes ficam a dever - a Essence é um exemplo. 

No entanto, um cosmético com este tipo de efeito - volume e espessura- desperta-me sempre a tentação pateta de comprar coisas de que não preciso. Pelo que tenho visto na blogosfera, tem tudo para se tornar um novo favorito, mas entre as máscaras de volume há as que são realmente boas e as que fazem mais do mesmo.

 De modo que preciso da vossa opinião: já testaram a Miss Manga? Vale a compra para me ocupar ainda mais a cómoda de maquilhagem, ou mais ganho em ser poupadinha?


"Ai se fossem minhas filhas" e "jornalistas que deseducam o povo" parte II. Ou pesadelo do dia.


Isto na TVI, como não podia deixar de ser (um dia arranjo maneira de bloquear os canais generalistas, palavra). 

Começaram com uma reportagem, como se fosse assunto muito sério, sobre a multidão de adolescentes a desmaiar de calor, inanição e exaustão à espera do concerto dos One Direction. Meninas patetas aos guinchinhos e a responder com "ya" às perguntas da repórter, enquanto os paizinhos parolos (ou mãezinhas, neste caso) se mostravam muito zangados com a organização que "nunca mais abria as portas às meninas que lá estavam, sem comer, desde as 6 da manhã, a apanhar sol na cabeça".

 Ora, minhas senhoras: o sol na cabeça não é grave. Tanto as senhoras como as suas filhas devem ter apanhado imenso desde que elas tiveram a desdita de vir ao mundo com mães tão pouco extremosas, só pode, e mais sol menos sol a diferença não há-de ser muita. 

  Porque uma adolescente não sai de casa às cinco da manhã sem autorização para ir, feita taradinha canta monos, esperar por cinco pirralhos cantores, certo? Ou não deve. Para socorrerem um pobre tinham preguiça de se levantar a tais horas, de certeza. Logo, se as vossas filhas foram laurear a pevide sem supervisão pela madrugada fora, se não se alimentaram, se estão a apanhar insolações e a torrar o pouco miolo que lhes resta, a culpa não é da organização: é vossa, que não lhes incutiram cultura musical (ninguém que tenha um bocadinho de conhecimento de causa fica histérica com uma patetice como os One Direction) nem decoro ou espírito crítico (porque quem recebeu noções disso não cai em idolatrias nem histerias, muito menos por  uma patetice como os One Direction) nem noção da realidade (porque quem tem tal coisa não acampa à porta de um concerto disparatado). 
 Rédea solta, para mais rédea solta sem auto-responsabilização, sem um bocadinho de mundo, sem auto domínio e uma pitadinha de cultura é do piorio.

Mas o noticiário ainda se desgraçou mais, pois a propósito falaram logo a seguir de um ídolo português, David Carreira. E não sei o que era pior: se as fãs igualmente tontas e histéricas mas ainda mais rústicas do menino num concerto em Odivelas (chique a valer!) se a jornalista, saloia todos os dias sem ofensa aos honrados saloios que plantam couves e batatas, a dizer " por onde quer que PASSA, David arrasta multidões"...ou algo do género.

 Ah, sua irremediável, sua grandessíssima (e adequadíssima, por acaso) pindérica: é por onde quer que PASSE que se diz. Ou então, "por onde PASSA"...

Já não exigem que se conjuguem os verbos correctamente nas faculdades ultra inclusivas e democráticas, para não vedar o acesso ao ensino superior a quem, coitadinho, não sabe falar  a própria língua? 

E assim continua o jornalismo  a deseducar o nosso povo,que já não é dos mais sofisticados.

Mas não ficou por aqui: a fiada de descalabros fechou com um anúncio à...Herbalife em parceria com o Cristiano Ronaldo, moving on para um horror chamado Somos Portugal. Acho que acabo de ter um pesadelo lúcido, ou morri e fui parar ao Purgatório sem me ter apercebido. A TV é coisa do Demo que o Príncipe das Trevas, sempre criativo,  inventou para troçar das pessoas honestas. Cada vez mais me convenço...

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