Recomenda-se:

Netscope

Saturday, July 26, 2014

Assunto muito sério da máxima importância.



Quem foi o iluminado, o génio do marketing, o ás nem sei de quê, o ganda maluco...que se lembrou de -pasmem - tirar os amendoins ao Cornetto de chocolate? Podem verificar. Só o Cornetto de nata é que não ficou desamendoinzado!



Já não bastava inventarem um Cornetto de chocolate novo todos os anos, cada um mais estrambólico que o outro (diz que desta é uma monstruosidade que parece uma bola de picos); nem porem o David Carreira a cantar nos anúncios do Cornetto (sim, porque realmente a música do menino é tão universal, unânime e transversal como o gelado mais clássico). Tinham de se lembrar de um despautério destes! 

 Eu que enfim, não ando todos os dias a regalar-me com gelados, acho-os um lanche razoável para não encher o organismo de farináceos (se descontarmos a bolacha do Cornetto, vá) e  tenho a Olá por uma marca de confiança. É um pouco como o McDonald´s: sabe-se sempre com o que se conta. De Verão para Verão lá lança umas novidades, mas nada de grave, e ultimamente até se tem lembrado de ressuscitar produtos emblemáticos como o Cornetto de limão e o Fizz. Andava até cheia de esperança que fossem desencantar aquele gelado giríssimo cujo nome me escapa sempre, uma fórmula óptima de banana e chocolate que eu adorava em pequena.

 E agora fazem uma coisa tão disparatada? Acharam que a receita ficava melhor, ou já aderiram ao terror do politicamente correcto e decidiram retirar essa coisa tão perigosa que são os amendoins, para não discriminar as pobres pessoas que lhes fazem alergia?


 Sherlock, venha cá resolver isto.

10 grandes mulheres que não precisaram do feminismo para coisa nenhuma.


O conceito de "feminismo" está longe de ser unânime. É dito por aí aos quatro ventos que cada mulher constrói o seu próprio feminismo e generalidades assim, o que não contribui nem um bocadinho para que eu goste da palavra ou suporte os disparates do "movimento".  Como é dito é muito bem num texto excelente e que dá que pensar até a quem não é religioso, os ideais feministas surgiram como resposta natural a alguns exageros e injustiças que se verificaram em determinadas épocas - porque atenção, pensar que os direitos da mulher foram conquistados só no século passado é, no mínimo, ignorar a História.

 Em todo o caso, num cenário razoável, o feminismo supostamente seria isto: igualdade perante a Lei. Mas basta estar atenta para ver que não é assim e que, não contentes com terem dobrado os trabalhos às mulheres com as ideias de "libertação" (arranjaram-na bonita: agora trabalham dentro e fora de casa, os homens estão uns bananas que esperam que as mulheres tomem as iniciativas todas, e outras maleitas já descritas noutros posts...) e "ódio ao patriarcado" (que é assim um papão que anda de noite e ninguém sabe o que é) as todo-poderosas feministas querem agora fazer as mulheres sentirem-se culpadas por serem bonitas, por escolherem um comportamento/ papel tido como tradicional, ou simplesmente esborrachar o sexo oposto. E a imprensa feminina banaliza tudo isto sem questionar, sem reflectir. 


Pois, porque ser gentil custa muito, não é? E comer as sanduíches sozinha dá nisto.

  O assunto tem sido amplamente visto - ou espancado sem misericórdia por aqui - por isso não pretendo alongar-me em mais do mesmo ou debater ideologias, porque se há coisa feia é uma mulher que debate (principalmente se não houver necessidade). Lembro apenas que as mulheres sempre se manifestaram quando foi preciso, sempre governaram- sem subscrever ideais feministas e na maioria das vezes, muito antes tal coisa ser inventada. Em nome próprio ou fazendo o que sabiam fazer melhor, que era governar os homens sem  alarde. Porque sabem, estavam demasiado ocupadas, fartavam-se de trabalhar e por isso não lhes sobrava tempo para andar zangadas com o mundo, refilar nem filosofar sobre patetices.


1- (Beata) Madre Teresa de Calcutá: Prémio Nobel da Paz.
 “Uma mulher não pode tornar-se um sacerdote. Existe somente uma criatura na terra que poderia  dizer ‘Isto é o Meu Corpo, Isto é o Meu Sangue’, a Santa Virgem e ela não foi escolhida para ser um sacerdote.” 

Filha de ricos comerciantes, descobriu cedo a vocação religiosa e um manancial de heroísmo para socorrer os "mais pobres entre os pobres". Fundou a Ordem das Missionárias da Caridade, um hospital para leprosos, escolas...pelo seu incansável trabalho, viu a Ordem receber sanção canónica do Papa Pio XII (1950) e em 1965, o Vaticano reconheceu a sua Congregação como parte do trabalho da Igreja Católica Romana no mundo. Madre Teresa não tinha logicamente vagar para debater ideias como a "opressão das mulheres na Igreja", porque estava sempre ocupada a auxiliar os que eram realmente oprimidos e marginalizados, como os leprosos (sem medo de sujar as mãos) ou as mulheres que engravidavam como consequência de abusos, nos bairros mais miseráveis da Índia.


2- Iolanda d´Anjou: a "Rainha dos quatro Reinos".
Duquesa de Anjou e Rainha da Sicília, Nápoles, Jerusalém e Aragão, começou com apenas dezasseis anos a ajudar o marido a governar vastíssimos e conflituosos domínios. Actuou inúmeras vezes como regente e teve um papel determinante na Guerra dos 100 anos. No meio disto tudo conseguiu assegurar uma educação esmerada e um futuro brilhante a cinco filhos sem contar com o genro, o Rei de França... que se não fosse por ela, talvez as páginas da História se tivessem escrito de forma diferente. Outra senhora com pouco tempo livre...




3- Isabel II do Reino Unido
Com apenas 26 anos assumiu o pesadíssimo encargo de suceder ao pai no Trono, após a complicada reviravolta familiar que levou o Rei seu tio, Eduardo VIII, a abdicar. O facto de não ter sido preparada desde sempre para reinar não a intimidou...e o resto, todos conhecemos. Ainda Princesa, aos 18 anos foi nomeada conselheira de Estado (caso fosse necessário substituir o pai) e participou no esforço de guerra como motorista e mecânica. Actualmente, continua a demonstrar a mesma força de carácter - e não perdeu um milímetro da sua costumada elegância.


4- Caterina Sforza, Condessa de Forlì
Governava os seus domínios com, literalmente, mão de ferro. Fez frente a César Borgia. Além de guerreira exímia gostava de alquimia, de moda, de dançar...e foi mãe de uma data de pequenos. A "virago crudelíssima" não se sujeitava a estereótipos e fazia o que achava melhor. Passou à História como uma das mulheres mais fascinantes do Renascimento.


5- Lívia Drusilla, Imperatriz de Roma

 Mulher, mãe, avó, bisavó e trisavó de Imperadores, a Divina Augusta estabeleceu o padrão de virtude e comportamento para a matrona romana e "reinou" nos bastidores até à provecta idade de 86 anos. Era uma mulher virtuosa, de agudíssimo instinto político e que sabia mexer os cordelinhos por trás do pano sem que a sua voz fosse ouvida. Uma senhora, nem mais.

6 - Veronica Franco, a "cortesã honesta"

Uma das mais afamadas beldades venezianas do sec. XVI e por pleno direito, um dos seus literati. Mulher culta, ficou tão famosa como poetisa como pela sua beleza, colaborando ainda enquanto editora de diversas antologias.

7- Isabel I, "The Good Queen Bess"

Sobre a Rainha Virgem, também conhecida como "Gloriana" pelo brilho do seu reinado, pouco há a dizer de novo. O seu pai, o temível Henrique XVIII, toda a vida lamentou a falta de um varão legítimo, sem sonhar que a filha da infeliz Ana Bolena viria a honrar o Trono de Inglaterra melhor do que muitos homens. Isabel herdou tanto as melhores qualidades do pai como as da mãe. Não lhe faltava sequer um formoso talento para a escrita e um belíssimo sentido de estilo - mas facilmente trocava os elaborados vestidos por uma armadura, se preciso fosse.

8- Isabel, a Católica

Filha de Isabel de Portugal, Isabel, a Católica, a defensora da Fé, Rainha de Castela e Rainha Consorte da Sicília e de Aragão foi, com o marido, Fernando II, responsável pela unificação política de Espanha. O Papa Alexandre VI (também conhecido como Rodrigo Bórgia, e que enquanto cardeal, ajudara o casal a obter permissão do Papa Sisto IV para o casamento) concedeu-lhes o título de Reis Católicos, pelos serviços prestados à Igreja.
 Recordada pelo apoio a Cristóvão Colombo, a Rainha Isabel governou trinta anos, foi mãe de várias Rainhas fascinantes - Joana, a Louca, Isabel de Aragão, Rainha de Portugal, e Catarina de Aragão, Rainha Consorte de Inglaterra, a famosa 1ª mulher de Henrique VIII. Seria ainda avó do Imperador do Sacro Império Romano, Carlos I. Um bom exemplo de como um casamento funciona quando marido e mulher trabalham em equipa, e de uma mulher que sabia exactamente quando comandar e quando se submeter com graciosidade.


9 - Santa Catarina de Siena

Filósofa e Teológa italiana do século XIV, viveu apenas 33 anos: no tempo que passou na Terra ajudou a devolver o Papado a Roma durante o Grande Cisma do Ocidente e teve um papel crucial no restabelecimento da paz entre várias cidades-estado. Por esse motivo, é uma das grandes padroeiras da Itália e nos anos 1970 foi proclamada pelo Papa Paulo VI como Doutora da Igreja. Curiosamente, apesar de ter aprendido a ler depois de adulta, um dos seus escritos, "O Diálogo" é considerado um dos mais brilhantes da Igreja Católica.

10 -Leonor de Aquitânia

Belíssima, culta (falava oito línguas) e rica, a herdeira do ducado de Aquitânia era considerada um dos melhores partidos da Europa. Casada com Luís VII de França, acabaria por abandoná-lo para casar com Henrique II de Inglaterra: desta união nasceria Ricardo, Coração de Leão. Pelo meio, a voluntariosa rainha viveria inúmeras aventuras, incluindo a participação nas Cruzadas. 


Moral da História: mulheres muito belas, muito inteligentes e/ou de muito espírito não precisam de panfletos nem de movimentos. Vão, fazem o que têm a fazer e pronto, ninguém se lembra de as tentar impedir só porque são mulheres...








Friday, July 25, 2014

Eu arrelio, tu arrelias, ele arrelia...


Há pessoas que fazem questão de arreliar, provocar, inquietar e pregar partidas à cara metade, projecto da dita, amigos ou pessoas de família só porque sim. Ver a irritação dos outros fá-las sentir amadas.

 Isto dá-se amiúde no início de um relacionamento, em modo "deixa cá ver se tu te importas mesmo comigo", numa má fase do dito cujo (como forma de exteriorizar) ou em situações de pós crise (no melhor estado de espírito "até me sentir melhor, não esperes um mar de rosas. Hás-de ver o que é bom para a tosse, que é para aprenderes a não repetir a gracinha").

 E também  pode acontecer porque, bem...existem seres adoráveis que têm um lado parvo, como toda a gente. São arreliadores por natureza, não é defeito é feitio, podia dar-lhes para pior, nem vale a pena tomar a peito, etc- o que não quer dizer que se tenha de lhes sofrer tudo. Há limites. À primeira passa, à segunda até a gente se ri, mas não convém que se torne um hábito porque então já é abuso. Às páginas tantas o arreliador toma-lhe o gosto, perde o respeito, colecciona maldades como se fosse um reflexo nervoso e em boa verdade, já nem sabe porque é que o faz: arrelia por arreliar, provoca porque sim e há uma crispação constante que é muito desagradável. 

Convém atalhar o mal quanto antes, até porque os arreliadores se esquecem de uma coisa:o alvo não é idiota. Se tiver dois dedos de testa, sabe retaliar. Pode parecer que não faz caso, que leva à paciência, que faz vista grossa; pode demorar um pouco a montar o número certo, ficar ali um bocadinho numa de "olha que eu estou-te a ver!" e quando menos se espera, devolver a gentileza com uma partida daquelas.

 E os arreliadores, volto a dizer, normalmente sabem disto: têm é má memória, excesso de confiança e não sabem o que é bom para eles. E depois, quando lhes pagam na mesma moeda, ficam todos tristes. Têm muito medo e pouca vergonha, tal como as crianças do antigamente que se esqueciam depressa de como se chamava a palmatória...





Thursday, July 24, 2014

As coisas que eu ouço: era um homem tão ciumento, mas tão ciumento...



Na terra dos meus avós, nos tempos em que a moral e os costumes eram outros, as mulheres honestas evitavam - como em toda a parte naquela época, de resto- andar desacompanhadas. Parecia mal a uma mulher casada, menina solteira ou a uma senhora de respeito ser vista em constantes passeatas.
  Se alguém insinuava a uma mulher que se tinha por virtuosa que ela passeava muito, ai ai: o mais certo era receber a resposta bem torta "era o que faltava! Tenho de aviar a minha vida!".
 Aviar não tinha, neste caso, o contexto de "despachar". Aviar a vida seria o que hoje se entende por ir às compras. E aviar a vida era precisamente uma das poucas desculpas que uma mulher tinha para pôr o nariz fora da porta, principalmente se não dispunha de pessoal doméstico que fizesse de pau de cabeleira ou - melhor ainda -  que aviasse a vida por si. 

Quando os transportes públicos se banalizaram,também não parecia bem ir sozinha numa camioneta cheia de estranhos; quem  tinha um marido com carro próprio evitava sujeitar-se a essas idas e vindas.

 Pois bem, mesmo neste cenário havia um homem que passava todas as marcas, o que ao mesmo tempo escandalizava e divertia os vizinhos. Casado com uma mulher ainda jovem e bonita, era de tal maneira possessivo, ciumento e desconfiado que entendia que toda a gente a achava tão deslumbrante como ele mesmo e via rivais até nas pedras do chão; a pobrezita não podia dar um passo porque o marido suspeitava da  própria sombra...

 Uma vez que o casal não era propriamente abastado, a esposa do ciumento era das tais que se precisava de "ir à cidade" tinha de o fazer de camioneta. Como o zeloso compulsivo trabalhava, não a podia acompanhar, e...que remédio senão deixá-la. Mas na véspera já estava em ânsias e fazia-lhe mil recomendações, que a infeliz sofria com paciência de santa.

 Ora, naquela altura estava na moda usar o cabelo nuns chignons, ou carrapitos, com a franja solta e ligeiramente ondulada. Pois uma das directrizes mais desesperadas do ciumento era que a mulher se livrasse de fazer a onda no cabelo, não fosse o motorista do autocarro apaixonar-se por ela!

 Ela lá lhe fazia a vontade, o que provocava muita troça entre as amigas: mas a verdade é que se  fosse mulher de lhe pregar alguma partida, não seria por falta de onda no cabelo que deixaria de o fazer...quem quer portar-se mal é capaz disso com onda ou sem onda, mais bem arranjada ou menos, e não precisa de se deslocar para isso, nem de arranjar namoro com o motorista da camioneta.

 Bem se vê que os ciúmes tornam os homens tolos. Já assim era no tempo de Boccaccio, e ainda hoje continua exactamente na mesma.


A infeliz D. Maria Teles: com maridos destes...


Apesar do que diziam os compêndios, sempre tive uma simpatiazinha pela senhora D. Leonor Teles de Menezes. Talvez por tanta gente embirrar com ela, ou por a sua posição não ser fácil: uma mulher que se destaca assim raramente ganha simpatias, e em casos destes há tantas intrigas  que é sempre preciso tomar aquilo que se ouve e as crónicas que ficam com um grão de sal. E é mesmo disso que trata o episódio de que me lembrei hoje.


 De certo modo, eu, que em pequena me detinha a imaginar cenários destes, achava que D. Leonor conseguira conservar o amado e a pele onde a linda Inês de Castro, coitada, tinha falhado. Isso merecia-me algum crédito. 
  Depois, ela tinha de ser uma beldade para deixar o Rei tão encantado assim, e enfim, uma Rainha bonita desperta sempre a imaginação. 
   Além disso podiam dizer à vontade que ela não gostava do senhor D. Fernando, que era movida por uma ambição voraz, bla bla bla, mas até hoje nunca ninguém me convenceu de que, ao princípio pelo menos, a bela Leonor não estivesse apaixonada por ele - para já, era casada com um cavalheiro que, dizem, não ia para novo; depois, tenham paciência, D. Fernando era O Formoso, por amor de Deus: gostar dele não podia ser assim tão difícil, embora o seu carácter demasiado manipulável pudesse ser, a longo prazo ( arrisco eu, que não estava lá) uma das razões para o arrefecimento da paixão de D. Leonor. Com todo o respeito, não há coisa pior que um homem banana, mesmo que esse homem seja El-Rei.


  Ainda assim, El-Rei D. Fernando (que aparecia nos livros desenhado como um príncipe da Disney)  foi um dos meus primeiros fraquinhos, só vos digo isto. Dividia o pódio das minhas afeições com D.Pedro V, o Muito Amado, que era bem parecido e bonzinho e vinha estampado nas notas de mil escudos. Quando eu era muito pequena não percebia bem quem vinha a ser o Sr. D.Pedro V nem as suas boas obras, mas ficava toda contente quando me ofereciam uma nota de mil escudos porque além de ainda dar para comprar uma data de coisitas trazia a imagem do "lindo príncipe". Imaginação a mais, bem vos tenho dito, mas vendo as coisas podia dar-me para ter modelos piores, eu acho. 


Adiante, e voltemos a Leonor Teles: na minha opinião (que a quem traça a História não interessa rigorosamente para nada, logo posso dizer para aqui quantos disparates queira) houve uma acção e só uma que justificou terem-lhe posto a feia alcunha de Aleivosa.
 O resto vá, posso compreender ou desculpar; ela não foi a primeira nem a última a empregar a realpolitik para servir os seus  interesses e goste-se ou não dela, a senhora era de força.

 Mas mover os cordelinhos para que a sua infeliz (e muito mais ingénua) irmã, Maria Teles de Menezes, fosse assassinada pelo marido, isso foi muito feio. A pobre D. Maria teve aquilo que séculos mais tarde viria a chamar-se um azar dos Távoras: uma irmã traiçoeira e um marido ambicioso e desconfiado.


 Para quem já não se recorda do episódio D. Maria, como mulher prudente, não protegeu os amores - adúlteros - de D. Fernando com a irmã. Logo daí, D. Leonor terá guardado algum ressentimento. 
 Mas quando Maria teve o atrevimento de casar, mais ou menos em segredo, com o Infante D.João, meio irmão do Rei (filho de Inês de Castro, nem mais) pondo assim em perigo a sua segurança no trono e os direitos da sua filha, D. Beatriz, Leonor Teles mostrou as bonitas garras sem olhar a laços de sangue.

  Primeiro, tratou de convencer o cunhado de que a aliança tinha sido precipitada, já que ela fizera planos para o casar com Beatriz de Portugal, tornando-o no quase certo herdeiro do trono. 
 D. João, que era ganancioso, de ouvidos leves e enfim, já saciara a sua paixão pela mulher, caiu como um patinho. Convenceu-se de tão lisonjeiras palavras e nunca mais olhou da mesma forma para a esposa.
 Depois foi só Leonor dar-lhe a desculpa perfeita, fazendo circular o ruim boato de que ela o atraiçoava.
 Fiada na sua inocência, D. Maria continuou tranquilamente a sua vida em Coimbra, ignorando os avisos que lhe iam chegando. Se o marido não a honrava com a sua presença, sequer!

 Mas D. João, ciumento e ávido de poder, não teve dó nem piedade; rumou a Coimbra e ali mesmo, perto da Quinta das Lágrimas onde a sua mãe tivera tão triste fim - dá que pensar, à luz da ciência dos nossos dias, se o trauma não terá motivado um acto tão bárbaro - 
dispôs-se a sujeitar ao mesmo a bela e infeliz dama a quem dera o seu nome. Rodeado pelos seus homens, invadiu o Palácio de Sub Ripas a meio da noite e arrancando-a da cama à vista de todos, aos gritos de "adúltera!", assassinou-a a sangue frio.


Bem se deve ter arrependido: é claro que D. Leonor Teles o casou tanto com a filha como eu fui ao fim do mundo, e ainda arranjou mais um pretexto para perseguir o crédulo cunhado, pois não admitia competidores. D. João acabaria acossado por vários lados e castigado com o exílio, o que foi muito justo para aprender a não acreditar em todas as intrigas que lhe murmuravam aos ouvidos.
 E qual é a moral da História? Não há que crer em toda a lisonja, nem em toda a má nova. Quanto a quem é alvo de tais mentiras, não deve expôr-se ao perigo, escudando-se só na virtude e na inocência...quando se trata de mexericos, todo cuidado é pouco.










Wednesday, July 23, 2014

Cumpram-se as regras, que é muito mais bonito e é pelo exemplo que se ensina.

Retrato de Cecil Beaton
Para o bem e para o mal, vivemos numa época de descontracção, de informalidade, de facilidade, de rapidez, de vale tudo
  Desgraçadamente, acho que o nosso tempo podia ser o tempo do "quem não gosta não olha", o tempo do " não podemos ser rígidos que isso já não se usa" ou o tempo do "vai mesmo assim"

Quem procura manter certos padrões e tradições pode até ser apontado como conservador, velho do Restelo, chato ou careta (o que não é necessariamente um insulto, já o disse muitas vezes) por quem está de fora ou pior, pelos seus pares.
 O hábito de vestir bem - ou vestir adequadamente- para as ocasiões é cada vez mais limitado a certos círculos, e olhem lá! Até entre os que têm a obrigação de saber a tabuada toda se vêem desleixos escusados: uns porque se estão nas tintas e outros porque, sabendo que os outros assim estarão, se sentem desconfortáveis ao cumprir os códigos by the book.

 Há dias, num recital cá do burgo, só as cantoras estavam de vestido comprido de noite - no público havia de tudo, de mangas de camisa a camisolas de malha passando por calças de ganga. Nas saídas à noite é o que se vê. 

O bonito hábito de usar chapéu em casamentos também vai rareando, o que é uma pena porque quantas mais ocasiões há de pôr uma capeline ou toucado? De igual modo, as mantilhas ou véus de Missa caíram em desuso - no nosso país, pelo menos - e embora haja uma nova geração que procura fazer regressar esse encantador costume (e outros quantos detractores) muitas meninas e senhoras que gostariam de o fazer hesitam, com medo de dar nas vistas
   Sobre isso não me pronunciarei porque  há pessoas de direito com muito mais entendimento para o fazer, mas arrisco dizer que será mais reparado uma rapariga de véu que uma madrinha de mini saia a encaminhar um inocente para a Pia Baptismal, ou uma noiva com decote de cabaret

  O à vontade - de que o vestuário é só o exemplo mais visível-  instalou-se em vários aspectos da vida, a começar pelos mais mundanos. E essa descida de padrões acaba por não ser divertida sequer. Há todo um sentido de ritual que se perde. A antecipação, a preparação para um dia diferente, fazem parte da alegria de um evento. 
Paradoxalmente, saber com o que se conta e apresentar-se de acordo é meio caminho andado para estar à vontade - mas à vontade no bom sentido.

 Se uma cerimónia não tem um guião, não tem códigos, não tem regras, ninguém sabe a quantas anda. É como um baile em que ninguém sabe dançar. Uma sensaboria.

 Bem diz o povo: quem dos dias faz iguais, das casas faz...bom, casinhas para animais de criação.

 E como se contraria tal tendência? Bom, primeiro o exemplo deve vir de cima. Quem manda, quem organiza, deve pensar na qualidade, deve providenciar para que os bons hábitos se mantenham mesmo que isso implique desagradar a meia dúzia de pessoas. Há formas delicadas de explicar tudo, e além disso só custa ao princípio

Em Itália, não se entra nas Igrejas em certos preparos. Nas corridas de Ascot, verificando-se um acréscimo de relaxarias e extravagâncias na última década, a organização tratou recentemente de ter meninas à porta a vigiar quem não estava vestido de forma apropriada,  entregando pashminas e chapéus para que ninguém se constrangesse e o evento mantivesse os seus padrões de elegância.

 Depois, essa também é uma tarefa que cabe a cada um. Embora discrição e classe caminhem sempre juntas, eis uma excepção em que se dá nas vistas por uma boa causa. É preciso mostrar exemplos para que os bons hábitos se espalhem, e cultivar esses pequenos rituais. Afinal, a única diferença entre o assim-assim e o especial reside num bocadinho de atenção e força de vontade.





Tuesday, July 22, 2014

Só para vos dizer...

Que eu, Sissi, estou presa no meu telemóvel. Até amanhã não há posts de gente normal. Nem quero crer que aderi  tal modernice. Daqui a nada temos instsgram do Imperatrix. Só falta.

Meter medo ao susto com apenas um clic.

Como a lycra tapa muitíssimo, há que fazer aberturas para não parecer que se vestiu burqa.

Lá diz o povo, "é por isso que o mundo não se tomba". 

Ontem estava uma amiga a mostrar-me umas compras que fez num desses sites que colocam muita publicidade nas redes sociais - lojinhas essas que têm algumas coisas bastante amorosas, por sinal- e lembrei-me de seleccionar alguns terrores que também por lá andam. 
 Nestas coisas é preciso mesmo paciência porque há oferta para, literalmente, todos os gostos. Numa pesquisa comum, a par com roupas perfeitamente normais, aparecem coisas de morrer a rir. Ou trágicas, conforme a perspectiva...


Uma pessoa pensaria que esses sites têm uma secção  para strippers, se não conhecesse casos de raparigas ditas "normais" - do piorio e do menos polido, vá, mas estudantes e coisas desse jaez - que adoram usar pavores destes e até os compram de propósito sem que ninguém lhes aponte uma arma nem nada, para alegria dos namorados bimbos de ginásio que as passeiam todos contentes. 

E assim compõem elas o guarda roupa perfeito para todas as ocasiões na vida de uma boneca de feira: as aulas de puxar ferro para ficar com o derrièrre grande, as convenções de kizomba, o café com as "gajas" à porta do salão das nails e sabe-se lá o que mais, que eu não conheço a fundo os hábitos de tal tribo (o pouco que adivinho já é mau que chegue). 

  Tudo com muita lycra, não vá algum contorno do corpo ficar coberto, muita abertura porque as banhitas precisam de arejar, muito brilho para contornar a musculatura e ar a circular por todo o lado, para mostrar muita pele pouco tratada. 

 Fiquei com bastante urticária a escrever isto porque não aguento estar exposta a roupa feia por mais de cinco minutos, mas tudo pelo Imperatrix.

Silvanas Sóraias deste mundo e Carlões seus parteinaires, deleitai-vos.

(A lista também é útil caso vocês, minhas decentes e elegantes amigas, queiram, sei lá, mascarar-se de pindérica kizombeira no Carnaval. Eu cá tinha medo, mas há gente com coragem para tudo...)

1- Básico de sobrevivência: a vida destas raparigas não é nada sem calções-cueca, mínimos (daqueles que as pessoas normais usam só na praia, e mesmo assim...) mas para levar à rua e quanto mais feios melhor. Se lhos confiscarem, nem que seja na tentativa de lhes dar uns melhorzinhos, começam a estrebuchar pelo chão e morrem em 10 segundos. Não queremos que isso aconteça- depois eu ia troçar de quem?



2- O traje de cada dia: os sintomas de privação de calções também valem quando se trata de leggings. Mas como para as mulheres desta tribo a necessidade de leggings roça a compulsão, as normais não são más que chegue. Têm de ter modelos com aberturas (pois o tecido colado à pele, estilo embalagem de enchidos, não permite exposição nem ordinarice suficiente) e desenhinhos, rasgões, aplicações....

3- Traje social: todas as mulheres precisam de toilettes para ocasiões especiais. No caso desta espécie, eventos não faltam: do baptizado do primo (porque o Padre é tolerante e não expulsa ninguém da Igreja) ao baile de danças latinas na associação cultural e recreativa passando  pelos bares de forró, é uma canseira e há que estar sempre pronta!




4- O pequeno vestido preto (LBD,versão medonha): nenhuma mulher dispensa um LBD e estas enfim, não são excepção. A diferença é que a sua noção de "vestido preto, simples, básico, versátil, que tanto se leva para o emprego como para uma festa, dependendo dos acessórios" é um bocadinho...diversa. Ou retorcida. 

   Eu explico: é que se a roupa destas mocinhas tiver um tecido decente, ou um bocadinho mais de comprimento, se não tiver nem aberturas, nem rendinhas de nylon, nem uma aplicaçãozinha mais possidónia, elas entram em carência de lycra e poliéster, começam a espumar e a falar em línguas como no Exorcista, a cantarolar bô tem não sei quê, e...morrem, finam-se, vão desta para melhor, batem os saltos de plástico de 15 cm ou como elas dizem, falecem ( vide parágrafo 1).  Sapatos de pele verdadeira tendem a surtir um efeito semelhante mas como elas não sabem muito bem o que é isso, se ninguém lhes contar às vezes dá-se o efeito placebo e não há crise. Mas com um vestido? Não há como dar a volta. Tem de ser mesmo algo deste estilo:


E se isto parece assim nas modelos, coitadas, que até estão em boa forma e fazem isto para ganhar o seu pão, imaginem o desastre nas espantalhas de feira da vida real. Para quem se interroga sobre a origem de tão feios fenómenos que têm invadido as ruas, fica tudo esclarecido. Sempre às ordens, gente fofa e respeitável.



















Monday, July 21, 2014

Não é a maldade do dia - é uma dica preciosa.


Há raparigas que é uma pena não passarem pelo Imperatrix - ou por outros espaços com ideias de maior valor, e há muitos, onde se pode aprender coisas boas - em vez de lerem, quando lêem, grandes disparates onde se escrevem coisas como "gostosão da semana" (Credo!) e de encherem a cachimónia com novelas, livros do Chagas e pasquins.

  Se assim fizessem liam conselhos como este ou este, que valem um cavalo na guerra.

É que dizer "eu gosto muito de moda e de maquilhagem" mas depois ser o desleixo que se sabe...e tropeçar numa menina ou senhora que *provavelmente com justiça, porque essas cabeças tontas além de desarranjadas costumam semear ventos* não morre, enfim, de amores por elas, estando vestidas com uma roupa reles de meter medo e velha como os caminhos, a cara *mal* lavada, uma sandaloca de plástico e o cabelo despenteado...não deve ser uma vergonhaça lá muito agradável, não. Ou antes, é - para o desafecto que as viu. Ninguém é santo.

Mesmo que a outra senhora faça que não viu, como é de bom tom...

É claro que todas as mortais, mais bonitas ou mais feias, sofisticadas ou nem tanto, gordas ou magras, têm dias bons e outros que...enfim. Mas insisto, um bocadinho de esforço não faz mal a ninguém. Nunca se sabe quem nos salta ao caminho. Ou como gosto de dizer,



 Ó p´ra mim tão amorosa, a espalhar a paz e a concórdia e a dar conselhos ao inimigo.

E como a minha palavra vale um escrito, hoje temos passatempo.



Tinha prometido que quando ultrapassássemos os mil fãs no Facebook se faria um passatempo por aqui, mas como aquilo a damos atenção tende a aparecer multiplicado *uma daquelas ideias todas espirituais que para aí são mencionadas a esmo mas até têm a sua razão de ser* depois do sorteio na semana passada, cá temos outro.

 Mais uma vez a Concreto associa-se ao Imperatrix para vos oferecer uma lembrança, desta feita um sundress.


 Para os mais distraídos, um sundress é um vestido próprio para o tempo quente, feito em tecido leve (geralmente 100% algodão, como é o caso deste) de corte mais ou menos solto, pelo joelho ou abaixo - embora haja versões maxi -  e por norma, de cores alegres. 

 A socialite-tornada-designer Lilly Pulitzer, alcunhada "Rainha do Preppy" ("rainha dos betinhos" será uma tradução aproximada) foi responsável por popularizar este tipo de vestido na década de 1960. 

Lilly Pulitzer com um dos seus sundresses

O sundress continua a fazer sucesso porque além de fresco e fácil de vestir, é versátil:  apesar de ser uma peça casual, pode facilmente acessorizar-se para usar em ocasiões que exijam um bocadinho mais de elegância (um almoço de família, beberete ao ar livre,  exposição...). 
  

Este modelo Concreto é num verde-lima pálido, que dá uma certa luz a quem não está bronzeada (eu, eu, eu) e vem num M, tipo Tamanho Único
Como podem ver, acrescentei-lhe um dos meus cintos vintage (não incluído, é velhinho e de estimação) como sugestão de styling e para o adequar às minhas medidas, mas servirá igualmente às meninas que vistam um M ou L. 




Para se habilitarem a ganhar este vestido Concreto (com um valor aproximado de 50 euros) é o costume: basta seguir o Imperatrix  e a Concreto no Facebook e enviar um e-mail para imperatrixsissi@hotmail.com com o vosso nom de guerre. Quem já for fã das duas páginas (thank you very much) deve indicar  o nome de seguidor no e-mail de participação.

 Quem partilhar o passatempo em blogs e/ou redes sociais  tem direito a uma entrada extra no sorteio: para isso, façam chegar o link ou print screen de partilha no mesmo e-mail. 

Podem participar até 27 de Julho (Domingo). Best of luck!





Sunday, July 20, 2014

Dúvida existencial do dia: como seria em Versailles?


Nas últimas semanas, andei a dar conta das idas e vindas *finais, espera-se* dos meus armários. 
  Como tenho vindo a partilhar convosco, há cerca de dois anos atrás foi decidido que ia ficar com a noção perfeita de todas as minhas peças e acessórios. 

Afinal, só há duas maneiras de tirar o máximo partido de um guarda roupa: sendo do mais espartano que há, ou tendo muitas coisas bonitas e boas, mas... à vista e em uso. Nestas coisas não se pode servir a Deus e a Mammon; é fácil, se não formos criteriosos, cair na confusão e no desperdício (que numa época de crise mais do que mau gosto, chega a ser pecado).

Como tinha mudado de casa recentemente, havia muitas coisas encaixotadas e - por artes que só os apreciadores de modas & elegâncias compreendem -  a colecção foi sempre crescendo, foi precisa alguma força de vontade, muito método, um certo desprendimento (houve imensas peças a ser oferecidas a amigas, passadas adiante ou doadas, porque convém que os objectos circulem) umas quantas trocas de móveis, mas...acho que está mesmo quase.  

Claro que, como qualquer tarefa doméstica (e esta é um pouco mais glamourosa mas não deixa de ser um trabalho de dona de casa como qualquer outro) é um esforço permanente, mas estando criadas as condições certas (gavetas, estantes, varões e um lugar destinado para cada categoria) torna-se muito mais fácil.

 Com um bocadinho de sorte, vai estar tudo criteriosamente catalogado como eu gosto: carteiras e sapatos de festa num armário, vestidos de dia e de noite noutros, e assim por diante. 

O objectivo, que recomendo a quem anda a organizar o seu roupeiro, é "conseguir escolher uma toilette para o quotidiano em cinco minutos e uma formal em menos de dez".
  E embora dê a trabalheira por bem empregada, neste momento o meu quarto (e aposento-adjacente-que-não-serve-senão-para-guardar-casacos, carteiras e calçado) vai a caminho de parecer um camarim, ou o closet de uma revista muito ocupada. 

 No meio disto tudo dei por mim a pensar que a Rainha Marie Antoinette tinha três quartos para guardar o seu magnífico enxoval. Três? Considerando que a rígida etiqueta da corte a obrigava a comprar 36 vestidos por estação - fora casacos, capas e o resto, suponho - mas que ela adquiria muitos mais (nada de estranho, pois era suposto mudar-se três vezes por dia e não repetir nenhum visual....) e que o volume das fatiotas do tempo, com todas aquelas anquinhas, era considerável... ou algo me escapa, ou preciso da receita de tão perfeita arrumação ou... Versailles é para meninos .

Pequenos nadas que dizem que o mundo está contra vós, ou a odisseia do café.


A máquina de cápsulas de café dá o triste *e irremediável*  pio, sem explicação razoável.
 Ao tentar perceber o que se passa, fazeis voar a chávena em mil pedacinhos. A chávena é daquelas que cai, se escaca que nem o Humpty Dumpty do muro abaixo e passados três dias ainda se encontram estilhaços nos sítios mais recônditos. Não do Humpty Dumpty, da chávena, que como é uma espécie de vidro é bem mais perigoso pisar-lhe os fragmentos.
 Leva-se "cafeteira" a uma casa de reparações e asseguram que em princípio, em princípio, a infernal maquineta está como o  Humpty Dumpty e muitas outras coisas por este mundo fora: não tem conserto. All the king´s horses and all the king´s men...enfim, sabem o resto:



 Ides à loja do tio Belmiro comprar outra engenhoca, de outra marca porque afinal  a mais cara foi o que se viu e o templo das cápsulas mais parece que vos quer converter a uma seita, tal é a cassete que os empregados engoliram, o olhar vidrado com que vos asseguram que sem aquelas cápsulas mágicas o vosso mundo se vai tornar um vale de lágrimas e os salamaleques com que vos atendem - tudo jurando que vale a pena esperar tanto tempo numa fila ridícula só para degustar (e o que essa palavra tem de irritante não dá para explicar numa linha só) aquela poção aguada que nem sabe tão bem como isso e que, mais cor menos cor, mais intensidade menos intensidade (o que quer que isso signifique) vai toda dar sensivelmente ao mesmo.

 Mas íamos na loja de electrodomésticos: dais por vós a pensar se tereis caído nalgum manicómio ou numa empresa que por questões de responsabilidade social privilegia o recrutamento de jovens...bom, que não são lá muito brilhantes, porque vos calham dois assistentes de vendas apoucadinhos de todo.
Um que vos deixa carregar dois caixotes até à caixa (passe a lenga lenga) e vai à vossa frente de mãos a abanar depois de ter sido virtualmente incapaz de alinhavar duas ideias com jeito, outro que pouco mais adianta. 
   Por fim, ante a vossa dúvida: levo esta ou aquela? Quero uma que funcione com mais do que uma marca de cápsulas, o rapazinho lá consegue atar coisa com coisa numa frase para vos dizer que a mãe dele tem uma igual e que a senhora, Deus a ajude que trouxe ao mundo um filho tão tolo, até compra as ditas no Continente e tudo. 
Com base nesta informação, escolhe-se essa máquina...e não, parece que afinal a elitista de uma figa só funciona com cápsulas do seu nível e pedigree.
Paciência, pensais vós que até sois pessoas positivas, daquelas que vêem o copo sempre meio cheio e que se o ovo se escangalha fazem omelete: ao menos tem muitas variedades e chocolate quente, moccacino e tudo.
 Depois de tantas voltas experimentais um moccacino, porque às vezes sabe bem chocolate ao pequeno almoço como as senhoras do antigamente...e zás: qual pedigree qual cabaça, 
sai-vos leite simples. Alguém se terá esquecido de pôr cacau e café na mistura, vá um consumidor fiar-se no glamour da publicidade.
 E ocorre-vos se tereis ofendido a Fada do Café ou coisa que o valha. Ou se alguma bruxa vos rogou uma praga bem esquisita, daquelas que não causam grande mossa mas são chatas como a potassa...


Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...