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Saturday, August 16, 2014

Serei a única...

Rita Moreno

1...que prefere ver tutoriais (seja de receitas, penteados, maquilhagem ou qualquer outra coisa) com texto e imagens e não tem a menor paciência para vídeos? Com excepção dos de ginástica em que não há mesmo outra maneira, acho uma seca acompanhar os passos demorados, os discursos infinitos. Ora, a julgar pelo sucesso que muitos gurus disto e daquilo fazem no Youtube, acho que estou sozinha nisto. 
 Ou então há quem tenha preguiça de ler e escrever e quem tenha preguiça audiovisual, como eu, mas tem vergonha de se acusar.


2...que tem cada vez menos paciência para estar muito tempo na praia? Gosto muito de ir duas, três horas, mas a não ser que esteja um calor tal que não se possa permanecer em mais lado nenhum aflige-me a areia nas articulações (fincar os cotovelos na toalha para ler é um martírio) a areia na toalha por mais que se faça, o vento no cabelo, o virar-se para cima e para baixo para não ficar de duas cores diferentes, etc. Daqui a nada estou como as senhoras do antigamente, que iam a banhos só porque fazia bem à saúde e diziam "já tenho os meus dez banhos, vou mas é para casa".

Sapatos by Olivia Palermo.



Por norma não sou grande fã das colecções criadas por celebridades, já o tenho dito. É que lhes falta quase sempre aquele je ne sais quoi... 
 Uma parceria entre Olivia Palermo e Aquazzura, porém, é caso para prestar atenção: 
goste-se ou não da menina, ela é lindíssima e está sempre impecável; Aquazzura, não sendo a minha Casa de eleição, é muito competente no que faz; e agrada-me muito a ideia de criarem "uma colecção com todos os estilos que uma mulher deve ter no seu armário".



 Ainda assim, como na maioria destas colecções cápsula, o resultado é fifty-fifty: adoro os pumps, as botas overknee (acima) e as sandálias de tiras finas (também conhecidas como "nude" por não cobrirem nada do pé).



Já os botins e as sandálias com aplicações no tornozelo (abaixo) são daquelas coisas que (além de não terem o modelo mais democrático para favorecer a maioria das consumidoras) não sendo baratas nem de má qualidade, dão a ideia errada. É que já há tantas versões duvidosas de modelos parecidos que podiam ter-se esforçado mais um bocadinho, eu acho...et vous?




Friday, August 15, 2014

Há gente que só pode ter feito muita gazeta à Catequese (ou de como os últimos serão os primeiros)




E se não foi gazeteiro, andou lá a brincar, a namoriscar com o colega de carteira ou a moer a paciência à Catequista e ao Senhor Prior -  porque fixar o básico dos básicos, viste-o

Isto vale para o Católico-que-se-fez-ateu e para certo beatério que tenho encontrado, que gente malcriada há-a em toda a parte e infelizmente a Religião (como a instrução, de resto) não é cura para a faltinha de chá.

 Tenho dito várias vezes que o Bom Livro está recheado de máximas que não se limitam ao campo espiritual: dizem respeito ao saber estar, à polidez, ao bom senso...e às boas maneiras.

 Como, enfim, vivemos numa cultura judaico-cristã e num país Católico, é natural (ou expectável) que qualquer alminha, por pouco praticante que seja, tenha numa altura ou noutra absorvido alguns princípios simples.

 Ora, se há coisa que distingue as pessoas bem formadas das outras que se armam em muito santinhas, muito intelectuais, muito finórias e muito solícitas (Cristo!) é o desprendimento, a modéstia, a humildade elegante de não se considerar uma grande pessoa.

 Quem conhece o seu lugar (e sabe manter-se nele) dificilmente passa a vergonhaça de ser posto no sítio. Ou de ser posto em sentido, que vai dar ao mesmo.

  Pois uma das formas mais brilhantes de ilustrar isso é dada no B-A-BA da Catequese, mostrada em muitos livrinhos de histórias bíblicas para crianças, repetido ad nauseam em muita humilde Missa de aldeia - e quem tem ouvidos para ouvir, que ouça, pois o mal de muita gente é a ausenciazinha de ouvido, ter a cabeça tão cheia de si que não absorve nada: é a velhinha história contada em Lucas 14:8-11, nem mais. Para os despistados, aqui fica:

"Quando alguém te convidar para uma boda não ocupes o lugar de honra, pois pode ser que tenha sido convidado alguém de maior prestígio. Se for assim, o anfitrião dirá: 'Dá o lugar a este'. Então, humilhado, precisarás de ocupar o último lugar.
Mas quando você fores convidado, ocupa o lugar menos importante de forma a que, quando vier aquele que te convidou, diga: 'Amigo, passa para um lugar mais importante'. Então serás honrado na presença de todos, pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado".

  Quem sabe estar quietinho no seu canto nunca é aborrecido, pois não impõe a sua presença; é elogiado por quem o rodeia, logo não precisa de pescar elogios; não passa por atrevido, nem por ambicioso, nem por chato; deixa que seja a festa a vir ter consigo em vez de pôr o carro à frente dos bois; é, em suma, uma companhia agradável e se tiver as devidas qualidades para ocupar um lugar de maior relevo, decerto isso não deixará de acontecer...









Thursday, August 14, 2014

Exercícios para uma elegância clássica.


Esta semana comentei convosco que hoje em dia, a rotina de fitness que uma mulher pratica - e o local onde a pratica - diz muito sobre ela  física, moral e socialmente. 

É sempre melhor fazer exercício do que levar uma vida sedentária, mas devemos 
acautelar-nos contra o entusiasmo das constantes novidades oferecidas pelos ginásios e os modismos de silhueta. Pondo de parte a minha opinião pessoal sobre as figuras "à Kim Kardashian" é preciso ver que nem tudo convém a todas e que na dúvida, as formas clássicas são as mais fáceis de manter, por serem as que mais se harmonizam com a linha natural da mulher.

 Movimentos suaves, que alonguem e definam usando a força da gravidade, o peso do corpo e pesos leves - em vez de muita carga - são a receita tradicional para delinear as formas femininas tonificando e reduzindo onde é necessário, de acordo com as medidas naturais de cada uma. Afinal, por defeito uma mulher terá tendência para ganhar volume em determinadas áreas - áreas essas que importa esculpir e não tanto aumentar com exercícios localizados e agachamentos, como é moda agora...

Mary Bowers

 Não pretendo entrar numa área de especialidade que não é a minha (e alguns personal trainers poderão zangar-se comigo, mas paciência) mas por experiência pessoal  tenho para mim que a bem da elegância clássica, de um porte bonito, uma mulher não deverá afastar-se demasiado dos exercícios tradicionalmente recomendados: ginástica, ballet, yoga, natação (sem exageros) pilates....

Todas estas são actividades que aceleram o metabolismo, "esticam" e fortalecem os pequenos músculos que suportam e fazem a diferença (dando aquele aspecto de "corpo cinzelado" tão admirado nos Anjos da Victoria´s Secret)  e respeitam a estrutura feminina, em vez de "achatar" e alargar músculos que já de si são grandes e fortes.

 É bastante curioso comparar os tutoriais de ginástica nas revistas femininas dos anos 1950 com os vídeos actuais de pilates, yoga ou rotinas inspiradas no ballet: não só os movimentos são muito semelhantes como a silhueta a atingir é a mesma: ombros elegantes, cintura vincada, pernas firmes e longas, como numa modelo de Christian Dior daquele tempo...ou uma bailarina! E essa silhueta é, dentro do tipo físico de cada uma, a mais próxima da natureza, do ideal grego. Ou seja, trata-se de ter em mente a figura de um cisne, e não a forma de uma cabaça!


 Não só adoptando estes hábitos se consegue mais rapidamente uma figura
 elegante (pois trata-se apenas de "empurrar" os músculos para o lugar onde deviam estar e de melhorar a postura, o que visualmente tem muito impacto) como em caso de interrupção o dano não é tão grande por não se verificar grande aumento da massa muscular (logo, não há massa extra que se transforme mais tarde em "gelatina").


  Como estamos no Verão e toda a gente quer resultados extra, partilho convosco as instruções de duas senhoras fantásticas que poderão experimentar em 10 minutos: a lindíssima Mary Helen Bowers (para rotinas inspiradas nos movimentos de ballet) e a adorável Cassey Ho, que não se limita a explicar muito bem alguns dos movimentos de Pilates mais intrincados como tem vídeos divertidíssimos inspirados nos "Anjos". Não falta mesmo um a mostrar os exercícios para ficar com pernas apresentáveis de modo a usar as malfadadas leggings sem parecer a Mulher Melancia nem chocar a  estética e os bons costumes...


Wednesday, August 13, 2014

Obrigada, Lauren Bacall


Não sei porquê mas o mês de Agosto costuma ser fatal às estrelas. Este ano não foi excepção: Robin Williams num dia, Lauren Bacall no seguinte.
  E com isto perde-se uma das últimas grandes lendas da era dourada de Hollywood. Lauren Bacall, a rapariga do olhar felino e enviesado, ensinou-nos que ser tímida não é defeito, que um estilo andrógino sem esforço pode derreter mais corações do que o decote mais sedutor e que o amor à primeira vista não só existe como pode durar até que a morte os separe.  Bacall era cool antes de o cool ser sonhado.

Curiosamente, o olhar de  soslaio que a celebrizou não nasceu por coquetterie mas porque ela não conseguia encarar a sua contracena, Humphrey Bogart. Ele era já um nome incontornável na indústria, o homem mais desejado do planeta, e Lauren uma bela novata com um fraquinho por ele. Intimidada, baixava o rosto e falava baixinho, numa voz grave e sussurrante.

Bogart ficou rendido.  O cinema ganhou simultaneamente  "The Look" e uma das suas vozes mais emblemáticas. E Lauren construiu uma assinatura que permanece até hoje.

  Talvez por isso ela dissesse que a celebridade não era uma profissão, mas um acidente. 

  O acaso tem por vezes frutos lindíssimos destes. Thank you, Mrs. Bogart.

"Mete Like" não se diz.







O verbo "meter" - que pressupõe pôr algo dentro de qualquer coisa ("meter a viola no saco", ou "meter a chave na fechadura"),  intrometer-se ("não te metas!") ou causar,  ("aquilo mete medo") - é um desgraçado. 

Usam-no como bengala para descrever tudo, para substituir uma quantidade inacreditável de vocabulário, muitas vezes sem grande relação com o sentido que se pretende. 

Dizia Bernard Shaw que as pessoas denunciam  a sua origem pelo modo como falam:  pois bem, poucas coisas descobrem (ou imitam) tão depressa uma educação pouco prendada como abusar do verbo meter - a não ser talvez o malfadado «vai fazer o "comer"». 

Quem recorre constantemente ao "meter" para substituir pousar, inserir, guardar, pôr, colocar, clicar, arrumar, atirar, introduzir, esconder, fazer e tantos outros termos mais adequados... ou tem um vocabulário muito reduzido, ou é preguiçoso, ou não se preocupa minimamente com a imagem que dá.

Pode-se "meter colherada", "meter o nariz na vida dos outros" (não são coisas bonitas de se fazer, mas é correcto dizer-se) , "meter (se) em sarilhos/aventuras/camisa de onze varas", "meter fulano na cadeia" (porque a prisão está associada à imagem antiga de calabouço ou masmorra, a um buraco imundo e pouco espaçoso para onde se atira  ou onde se enfia alguém) , "meter medo", "meter isto ou aquilo na mochila", "meter-nos em cada uma", mas não se deve meter o Verbo Meter onde ele não é chamado.

Os adolescentes caem muito nesse mau hábito, ora por tonteria própria, ora por falta de reparo de pais e professores (que ouvem e vêem escrito mas não dizem nada, achando que é uma coisa sem mal nenhum).  

  Mas o pior é que há muitos adultos, páginas da internet (algumas infelizmente muito populares) e pior, jornais a banalizar o chavão. O "meter" mal usado é rude, pouco polido e dá a ideia de estarmos a falar com uma pessoa infantil ou pouco instruída, mesmo que isso não seja verdade.

Exemplos corriqueiros são "mete isso em cima da mesa em vez de "põe/pousa isso em cima da mesa" ( o que não faz sentido já que a mesa é uma superfície plana, sem bolsos ou buracos onde se possa meter o que quer que seja) "meter em tribunal" (que não estará exactamente errado e pode ser usado coloquialmente, mas escrito num jornal...é pouco sofisticado no mínimo), "meter inveja" (mete-se medo, mas a inveja faz-se ou provoca-se) 
 e - malhas que a internet tece- "meter Like".

 Certo, o "Like" não é um termo português, logo o verbo que acompanha o polegar erguido que obceca tanta gente dará que pensar. Mas "clicar", "fazer", "colocar" Like numa imagem, ou, na dúvida, a tradução "gostar de" fica sem dúvida menos...parolinho!

Com um idioma tão rico como o nosso, usar estas bengalas não é só feio: é um desperdício de palavras e um mata neurónios.

 Dizer-se "mete like na minha página!" é simplesmente a primeira ideia que passa pela cabeça das pessoas, o que prova a que ponto o "meter" está metido na cabeça e no léxico da maioria.

Metam na cabeça que isso é feio  (sim, este foi de propósito, porque "meter na cabeça" ou na ideia é uma das formas aceitáveis de usar o verbo favorito de muita gente....).






Tuesday, August 12, 2014

Anatomia e análise do look "favela"...porque alguém tem que o fazer.


Há, digamos, dez anos atrás, a maioria das mulheres vivia assustada com a terrível dúvida "isto faz o meu traseiro parecer grande?" - hoje, arrisco dizer que só uma parte delas se preocupa com isso...antes pelo contrário.
  
 O visual mainstream passou (ou anda perto) do extremo de magreza de finais dos anos 90/inícios do milénio - quando a figura recta, arrapazada e de ancas estreitas era a tendência vigente- ao exacto oposto. 

 Lembro-me de quando Beyoncé Knowles e Shakira começaram a fazer sucesso com as suas pernas roliças e derrièrres generosos exibidos em  roupas reduzidas que até então eram apanágio das raparigas estilo Kate Moss (ou pelo menos mais para o esguio, como Jennifer Anniston). Na altura achei estranho; a visão estética (e de comportamento) tradicional rege-se pela velha máxima "uma rapariga de pernas fortes fica demasiado provocante de mini saia" - isto pondo de parte se é ou não proporcionalmente correcto ou se fica bonito ou feio. Já dizia Jorge Amado, pela voz de Tieta do Agreste "mini saia não combina com as minhas abundâncias".

É claro que muitas raparigas brasileiras fizeram orelhas moucas ao grande mestre se é que o leram de todo, como veremos

Mas enfim, como tudo o que é ditadura cansa foi refrescante, por um breve tempo, ver que as mulheres começavam a aceitar outros padrões de beleza que não contrariavam completamente as suas formas naturais.O pior veio depois, num exagero brutal e quase sórdido à vista.

  Não se podia prever que a "moda das popozudas" (acho que ainda não há nome no nosso português para isto) se espalhasse das favelas da nossa antiga colónia e dos guetos dos Estados Unidos para a Europa. 




Alguns antropólogos defendem que nas zonas pobres o padrão de beleza é sempre roliço, enquanto nas áreas urbanas de maior prosperidade a mulher ideal é esguia e elegante.

A ser verdade, a obsessão actual por curvas exageradas (ou exageradamente expostas) é um reflexo da crise que começou com o 11 de Setembro.

Bom, eu não sei se a culpa é da crise, de horrores do estilo piri-piri-piradinha, bicicletinha não sei das quantas ou se devemos processar Kim Kardashian pelo sucedido, mas actualmente quase se pode classificar social e/ou moralmente uma mulher pelo tipo de exercício físico que faz.

 Ou seja, se uma certa camada da sociedade pratica pilates, yoga (ou outras modalidades "normais") na tentativa de obter abdominais perfeitos ou o polémico thigh gap (o espaço entre as coxas característico das manequins), as "popozudas" são rainhas dos agachamentos para "engrossar" as pernas.  Ou seja, fazem o tipo de rotina normalmente recomendado a quem é exageradamente magra e precisa de ganhar massa muscular. 



Normal


"Piriguete" ou "popozuda"

 Estas mulheres vão para o ginásio não para "secar", alongar  ou tonificar o que tende a ficar excessivamente grande no corpo feminino (pernas, ancas, coxas, glúteos) mas para aumentar desmesuradamente - eu diria "atarracar" -  essas partes do corpo.  De resto, fazem-no quando já têm massa mais que suficiente, dando um aspecto pesado e por sua vez, pouco saudável, que tratam de realçar com trapinhos duvidosos e minúsculos. 

Se uma mulher "normal" fica aterrorizada com a retenção de líquidos...estas se calhar festejam os centímetros a mais. É comum ver muitas delas a exibir celulites por aí, sem problemas. O objectivo não é parecer atlética - é parecer provocante ou como dizem no Brasil, "gostosa".


  *pausa para enjoo...* 

O resultado é sensivelmente isto (o exemplo é brasileiro, mas infelizmente já se aplica completamente à realidade nacional):

Este padrão "estético" (*grande ponto de interrogação*?) é acompanhado de constantes updates nas redes sociais e de determinados visuais e comportamentos já abordados em posts anteriores: no Brasil está associado ao submundo do funk, por cá anda de mãos dadas com danças e ambientes semelhantes,embora de forma menos organizada - o tuning, a kizomba, e assim por diante.

 Basicamente, estas bonecas de feira parecem uma cabaça de pernas curtas, calções minúsculos e cabelo preto-graxa esticadinho, com feições grosseiras, grandes brincos e grandes unhas (assustador, hein?).




 Nota bene que esta humilde análise nada tem a ver com condenar as curvas femininas, que estão na moda e muito bem: afinal, a muitas mulheres é mais fácil e natural definir e tonificar formas arredondadas do que conseguir uma silhueta rectilínea (que por sua vez também não deve ser condenada em acusações histéricas de culto à anorexia). 

Chegou a temer-se que o padrão demasiado andrógino se impusesse de novo como reacção a esta subcultura de implantes de silicone no traseiro, mas a resposta foi mais temperada: houve  um regresso gradual às curvas elegantes, como já foi visto aqui aqui .  A indústria de moda rendeu-se finalmente (e novamente) a figuras femininas e bem delineadas como Lara Stone. E essas são as curvas naturais da mulher, perfeitamente patrícias, que transmitem sofisticação e não ferem a vista.

O que está mal, estética e socialmente, é a promoção de um visual grosseiro, de uma sensualidade bestial e forçada, da objectificação de partes do corpo e de todo um mau gosto, de associações negativas, de moral duvidosa e de uma certa promiscuidade que o culto deste visual transmite.

 Não estamos no Brasil nem no Bronx; graças aos céus o mundo ainda não se transformou num bairro da lata gigante; logo, é no mínimo estranho que imagens boçais destas se espalhem por aí sem que ninguém aponte o ridículo nem explique às pessoas de onde tais fenómenos possam ter vindo...










Monday, August 11, 2014

Cuidado, muito cuidado... com o decote errado (ou 4 dicas para bem decotar)


Quando se trata de escolher a silhueta perfeita, o decote correcto faz a a diferença entre o bom e o óptimo. Uma abertura mal calculada no vestido ou blusa pode resultar em  desconforto, atrair o tipo errado de atenção ou parecer mais gorda/malfeita/sem graça do que se é na realidade.

 Para evitar decotar-se mal, há quatro truques simples: 

 1- Antes de mais nada, impõe-se a regra velhinha como os montes: quanto mais tardia a hora, mais aberto pode ser o decote (dentro do necessário bom senso, é escusado dizer). 

Decotes mais amplos e/ou profundos são apropriados para depois do pôr do solDepois, é preciso testar se ao baixar-se ou inclinar-se não mostra mais do que deve. 
Tendo estas duas normas sempre em mente, estão resolvidas as dúvidas que possam causar faux pas de decência ou de gosto.
 Um vestido/blusa demasiado revelador (a), pode ser usado sem problemas pedindo  à costureira que acerte uns centímetros na abertura ou, se o modelo o permitir, fechando-se com uma pregadeira bonita. Certas peças versáteis podem ser usadas tanto de noite como de dia apertando-se o decote com um alfinete apropriado.

2- Qualquer decote pede sensatez. Primeiro, independentemente do modelo que cai melhor a cada uma (já lá vamos) é preciso considerar tanto a beleza do busto como a idade e estado de quem o usa. Se o peito não está na melhor forma, optem-se por modelos discretos. De resto, a qualquer mulher, mais nova ou menos, casada ou solteira, mais elegante ou mais gordinha convém mais inspirar-se em Marilyn Monroe ou Dita von Teese do que em Pamela Anderson.

 Há muitos decotes que favorecem sem mostrar aquilo que a estética e os bons costumes aconselham a manter escondido... e sem ajudar a lei da gravidade, que é a inimiga natural do busto. Muitos formatos, principalmente se usados com o soutien errado, empurram para baixo em vez de suster!

 Segundo, ter sempre em conta a lingerie adequada e os truques (como fita adesiva própria) que se podem empregar para manter alças ou cai cais no sítio. 

E terceiro, há que lembrar que o decote não é só à frente: como a maioria das marcas de prêt-a-porter usa tamanhos standard, alguns vestidos podem apertar demasiado as costas, dando a ilusão de umas "banhinhas" a espreitar para fora do vestido - mesmo numa pessoa magra. Não há nada mais feio nem que arruíne tanto uma bonita toilette, mas isso resolve-se pedindo à modista que "cave" um ou dois centímetros na zona abaixo dos braços.




3 - Dito isto, e considerando a grande variedade de feitios que existem, é preciso ver que muitas mulheres - e algumas que até têm bom gosto- não reparam na importância de escolher o decote correcto para o seu tipo de corpo



Porém, uma vez aprendida a receita, é difícil errar. Meninas ou senhoras de busto voluptuoso devem evitar decotes demasiado fechados (que cubram completamente o colo), e as golas altas muito apertadas. Esta regra vale também para as mulheres cheiinhas.

  Decotes rectangulares podem usar-se de dia, desde que caiam logo abaixo da clavícula. Convém que haja liberdade de movimentos na zona dos ombros e dos braços, que se "liberte" a área que emoldura o rosto e que se realce o pescoço para a figura não pesar ou achatar visualmente.
  Os cai cais, os halter necks (que apertam no pescoço) ou mesmo as alcinhas spaghetti também não devem ser a primeira opção, porque não são o mais confortável e precisam de uma stylist e/ou costureira competente para não fazerem mais mal do que bem. 

Privilegie os formatos que suportam e realçam a beleza do colo e equilibram a medida dos ombros.

Inspire-se em Sophia Loren, Brigitte Bardot, Raquel Welch, Eva Mendes, Gina Lollobrigida, Sophia Vergara, Penelope Cruz, Marylin Monroe, Monica Bellucci...

Look para o dia:



Look para a noite:


 Nas meninas ou senhoras esguias de busto aplica-se a ideia inversa: são-lhes permitidos os formatos ameninados ( como o Peter Pan) exóticos (como a gola à Mao) ou desportivos. Os decotes amplos - a não ser que opte por um espartilho a direito, como Keira Knightley em Piratas das Caraíbas - não fazem grande coisa por bustos pequenos, porque chamam a atenção para a falta de volume. Para a noite podem usar tudo o que nas outras mulheres parece excessivo ou "engorda": costas decotadas, halternecks, cai cais, spaghetti straps.


Look para o dia:



Look para a noite:


Inspire-se em: Kate Moss, Audrey Hepburn, Keira Knightley, Emma Watson, Alexa Chung, Sienna Miller, Twiggy...

  Tendo em mente os princípios básicos, dificilmente se fica mal no retrato à conta deste "detalhezinho"...



Aquele cliché do "ouve o teu coração"...


... se calhar é mesmo verdade. Tem um significado um tanto vago, mas chega-se a uma altura em que - à custa de umas quantas cabeçadas e erros com que se aprende alguma coisa - finalmente se entende.
É que geralmente os palpites do coração (não confundir com as palpitações, embora as duas coisas possam caminhar juntas) contrariam a lógica, ou apontam um cenário bom-demais-para-ser-verdade, ou que assusta, ou que obriga a uma grande mudança.

 É claro que não convém seguir as impressões cardíacas superficiais - ou as tonterias biológicas e transitórias - desligar completamente o cérebro...um palpite do coração não é isso. 
 Quando surge é tão concreto que uma pessoa ouve os seus botões dizer, ou antes, berrar "se não fores por aqui, sabes que te vais arrepender mais tarde".
 E quando se fica surdo a isso, quando se é orgulhoso, teimoso ou medroso, as coisas correm mal. Há quem tenha o som do coração ajustado e saiba imediatamente que caminho deve seguir;  outras pessoas precisam de o afinar para seu próprio bem. Porque dar razão aos botões mais tarde, ou tarde demais, é muito triste e pode não ter remédio. E os botões adoram dizer "eu bem te avisei!". Malandros.



Sunday, August 10, 2014

Quem ama o perigo...


...nele perecerá, diz o Bom Livro (Ecli 3, 27). Do ponto de vista estritamente espiritual isto relaciona-se com fugir das ocasiões de pecado, porque a ocasião faz o ladrão e nem sempre somos tão fortes nem tão firmes nas nossas convicções como julgamos.

Mas a máxima pode aplicar-se a uma miríade de outras coisas bem mais triviais ou mundanas: o excesso de confiança é o mal de muita gente. 
 Por vezes nem se trata de "amar" o perigo, de viver perigosamente no dia a dia, mas de ser tolerante com ele, de achar que nada é assim muito mau, de ter moral, comportamentos ou gostos demasiado flexíveis.

É o caso dos jovens que conduzem um dia em excesso de velocidade, noutro fazem umas acrobacias de mota, noutro, só por brincadeira, entram numas corridinhas ilegais na ponte, à socapa, porque querem ser uns gandas malucos e um dia não são dias. E às vezes há horas do diabo e esse dia que não são dias corre mal. Quem diz velocidades, diz qualquer comportamento de risco.

 Outro exemplo são as pessoas que, armadas em boas samaritanas, ou que por ingenuidade/curiosidade/carolice concedem ser vistas em más companhias. Não se trata de não ser cortês com toda a gente, mesmo com gente duvidosa (que é uma obrigação) ou de não tentar chamar ao bom caminho quem anda desnorteado (que é uma obra de caridade) e sim de alinhar pelos mesmos comportamentos, costumes e sítios.

As velhas desculpas "ela veste como uma stripper, mas não é má rapariga",  "ele anda metido nuns esquemas, mas não é mau rapaz", "eu cá não julgo", "sei muito bem comportar-me, lá por os outros se irem atirar a um poço não quer dizer que eu vá também" ou ainda "gente de mau porte diverte-me, só me dou com estas pessoas por troça e não saio beliscado disso" dão azo a que se apanhem certos maus hábitos e a que se estraguem ou comprometam muitas reputações. Lá dizia o outro, sujar a fama é fácil, limpá-la é que é pior...

 E o mesmo vale para coisas tão simples como a casa (não se arruma hoje, não se limpa amanhã e vai-se a ver, o sítio fica que parece um pardieiro) ou o estilo pessoal. Para ter um armário cheio de roupas de qualidade, não se pode cair na tentação de comprar um sapatinho de napa hoje, um topzito de lycra amanhã, uma tigresse com brilhinhos no dia a seguir. Como é fácil e é barato (pois o caminho que conduz ao inferno é sempre rapidinho e simplezinho) dali a nada tem-se o armário cheio de tralha estilo Deus me livre.

 Quem condescende com o disparate, em qualquer campo, vai perdendo a noção das distâncias, das conveniências, dos limites. Amolece. E em tudo convém ser rigoroso e vigilante. Sem fanatismos,mas mantendo presente aquela vetusta máxima do "poder fazer tudo eu até posso, mas nem tudo me convém"...

Os casalinhos bimbo... perdão, Bimby.

A nossa Bimby é mais cara que a vossa (e também temos uma colecção de Tupperwares maior).


Estava eu a comentar este post com uma pessoa chegada - pessoa essa que como conhece de perto hipsters e todo o tipo de gente sabe sempre coisas do arco da velha - e fiquei a conhecer um disparate de todo o tamanho.

É que há casais jovens e dinâmicos assim do género novo yuppie ou burguesinho (daqueles metidos a trendy e cosmopolitas que odeiam o campo, adoram viajar, vão em todas as modas, fazem questão de comer sushi mesmo que detestem, espatifam o cartão de crédito, fazem jogging no meio da estrada, dão pontapés no português, compram em todas as marcas médias ou entry level porque os logótipos são maiores,  põem aos filhos nomes da moda que nunca houve na família seguidos de outro mais a condizer estilo Constança Iara ou Tomás Rúben  e outras maluqueiras de classe média emergente (publicadas de cinco em cinco minutos nas redes sociais - olhem para isto: a Constancinha fez cocó verde, que lindo!) ... que não só estão convencidos de que a Bimby faz tudo sozinha (e ao que finalmente percebi não faz; só corta e cozinha uma coisa de cada vez, é assim uma espécie de parente rica do vulgar 1-2-3 da Moulinex) como a levam a passear.


 Ou seja, quando se juntam com outros casalinhos iguais nos apartamentos super urbanos uns dos outros (para falar de futebol, ou dos saldos da Ana Sousa, ou para se queixarem da sogra, a Sra. Felismina, que lhes quis dar um naperon, do patrão que é um chato, ou da empregada da limpeza que não sabe mexer na Bimby) cada um leva a sua Bimby

Suponho que no final cada casal guarde as sobras numa tupperware mas tem de ser mesmo Tupperware, se for numa do Ikea já não é a mesma coisa. Um autêntico swing de Bimbies e Tupperwares. 

Não é que isto tenha propriamente mal nenhum - mas é muito engraçado, minha gente. 
Faz-me lembrar as crianças, que levam os brinquedos para brincar em casa uns dos outros e comparar quem tem mais coisas da Barbie. Os vulgares churrascos já não têm graça; é preciso prestar homenagem a um electrodoméstico complicadote, porque não basta tê-lo: há que justificar o investimento exibindo-o. 

 Como não aprenderam a cozinhar (porque em casa dos pais a senhora Felismina, coitada, fazia tudo porque filhos tinham era que estudar..) assim é mais chic, pensam eles. Já era maçador e parolo gabarem-se das viagens para a Tailândia pagas a prestações...tentar fazer vista com um robot de cozinha é o fim do mundo.

 Isto vendo a coisa pelo ângulo meramente social, porque se vamos para o aspecto antropológico, pior estamos: que fossem só as mulheres a fazer coisas destas, enfim. Há uma esposa de Stepford em todas e se a engenhoca até funciona, ter um assomo de exibicionismo é uma tolice que numa mulher se desculpa.

 O pior é que os homens fazem outro tanto e apoiam "ai, a Marta coitada só cozinha na Bimby...tão lindo!" ou " a minha Bimby foi mais cara que a tua" . Eu explico: que um homem se ocupe do coelho à caçador, das facas japonesas que trincham carne como se fosse manteiga ou do barbecue é perfeitamente masculino e aceitável. Mas um homem a fazer questão de levar uma Bimby debaixo do braço? Desculpem, isso é a coisa mais amaricada que já ouvi, sem ofensa porque sinceramente não vejo um casal gay a fazer uma destas. 

 São homens destes que não se sabem impor minimamente, que aplaudem todas as doidices, que aturam todos os desmandos e desvarios. Uns bananas sem espinha dorsal, em suma. Depois queixam-se que "a Ana dá cabo de mim porque ainda não conseguimos engravidar" (frase que dá urticária) ou "a Patrícia passa demasiado tempo com o personal trainer e torrou o American Express nos saldos do Dolce Vita, mas ela é que sabe".

  Não consigo estabelecer bem a relação entre a possidonice, os homens feministas disfarçados, o modo Pato Bravo de ser, certos modismos e o descalabro da sociedade... mas que ela existe, existe.

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