Recomenda-se:

Netscope

Saturday, September 27, 2014

Cuidado com as pessoas-ornitorrinco!




Saiste-me cá um ornitorrinco!
Eu não gostava de viver na Oceania porque além de terem por lá serial killers de fazer corar os americanos, o que não falta  é bicharada estranha- a começar pelos diabos da Tasmânia e eu que sou doida por animais tenho os meus limites. Mas o mais estapafúrdio de todos há-de ser o ornitorrinco - um bicharoco que  deve ter sérios problemas de identidade porque é, ao mesmo tempo, um réptil, um pássaro e um mamífero. De facto, quando os primeiros exemplares chegaram à Europa os cientistas pensaram que se tratava de uma farsa, pois não atinavam como é que um animalejo podia ter pêlo e cauda de castor, patas com membranas, bico de pato, pôr ovos e amamentar as crias, mas não ter dentes...enfim, o pobre do ornitorrinco é uma confusão e ainda por cima é venenoso: os machos possuem um esporão nas patas traseiras que liberta uma substância tóxica, usada para defesa. Fácil de entender, hein?

 Ora, há pessoas que são exactamente como o ornitorrinco. Não é que ponham ovos ou tenham cauda, mas não sabem muito bem quem são nem o que querem dos outros, ou da vida. São assim um híbrido do outro mundo e quando alguém tenta fazer de cientista e analisá-las, fica exactamente na mesma. Tem de se conformar com a esquisitice da criatura e aceitar que ela é como o Senhor a fez e mais nada, isto se não levar uma ferroada ou duas no processo. 


 O pior é que nem todas as pessoas ornitorrinco vêm da Land Down Under- não faltam espécimes destes nados e criados em toda a parte, ao virar da esquina...




Lady Mendl dixit: original é uma coisa, excêntrico é outra.


Elsie de Wolfe, Lady Mendl-  socialite, actriz e decoradora de interiores que praticamente inventou tal profissão e libertou as casas de clientes ricos e famosos (como os Duques de Windsor) do austero ambiente vitoriano - não foi exactamente uma senhora convencional. 
Era dotada de um verdadeiro horror às coisas feias (ou às coisas que não iam muito ao seu gosto fresco e moderno) e de uma imaginação borbulhante; escandalizava os convidados do marido diplomata ao aparecer vestida de bailarina de cancan e com uma idade já avançada ainda fazia yoga e piruetas. Nasceu numa família de classe média americana sem muito dinheiro mas com boas relações na sociedade europeia, que a mandou para casa de uma tia escocesa para polir a sua educação. Isto possibilitou-lhe travar bons conhecimentos e reinventar-se como a mulher que convinha aos seus desígnios. Não era no entanto tão bem nascida que tivesse de se restringir às regras das perfeitas senhoras do seu tempo, por isso viveu da forma que achou melhor.

 Embora durante a sua carreira no palco fosse descrita não como uma grande actriz, mas como alguém que dominava a arte de "usar bem belas roupas" privou com mitos como Shaw e Oscar Wilde e criou a sua própria realidade.

Era uma original, portanto.



Mas a futura Lady Mendl tinha uma qualidade rara ...que falta por vezes aos originais e que é essencial para que uma forma única de estar não se transforme em extravagância ou excentricidade desagradável: bom senso. Ou graciosidade e amenidade, se preferirem. 

Ser belo (a) no sentido estrito do termo não está na mão de cada um (a): a beleza pode ser relativa; pode-se (e deve-se) trabalhar a beleza natural ou tirar partido do sex appeal, de uma figura que não sendo linda, é interessante e carismática;  é possível aumentar-se e realçar-se os dotes de cada um, mas a formosura  não é democrática; é sorte, fruto do acaso. 

Ser espirituoso é um dom a empregar com parcimónia como se usam os temperos na comida; mas também uma ferramenta e às vezes, uma necessidade - muitas vezes é preciso ter sprezzatura para não ferir susceptibilidades directamente ou para escapar a um dito mais atrevido sem cair na má criação, mas na dúvida mais vale passar por circunspecto do que por tonto ou palhacito de serviço. 

Ser gracioso (a), no entanto...bem, isso é uma obrigação e uma capacidade acessível a todos. Não só nos gestos e na forma leve de estar, mas na habilidade de não tomar os outros (e muito menos a si mesmo) demasiado a sério. Lady Mendl não afinava, não desatinava, não se irritava nem em tribunal. Sacudia tudo com uma frase desarmante ou um sorriso misterioso. É claro que isto é bem mais fácil de dizer que de fazer, principalmente para as mulheres de hoje, numa época em que já não é suposto
 aplicarem-se as sábias mas complicadas regras do antigamente. 

Morder - ou moderar - a língua pode ser dificílimo, especialmente quando estamos cobertas de razão ou sabemos perfeitamente que a outra pessoa (um cavalheiro, muitas vezes) está a dizer tolices ou coisas que faltam à verdade. A vontade de replicar ou corrigir é dolorosa de dominar, mas deve pesar-se se vale a pena gastar latim, discutir e principalmente debater, que quase sempre descamba em cenas desagradáveis. Em E tudo o Vento Levou, obra contemporânea de Lady Mendl e que reflecte um pouco do mundo em que Elsie cresceu, a heroína Scarlett O´Hara é posta perante esse dilema: a sua personalidade forte contra o comportamento que é esperado no seu meio:

'You must not interrupt gentlemen when they are speaking, even if you do think you know more about matters than they do. Gentlemen do not like forward girls.´

  Daí Lady Mendl dizer "seja gracioso (a) nem que isso o mate"; há que fugir às picardias, isto para homens e mulheres. Mas se fosse fácil, qualquer um era gracioso...





Friday, September 26, 2014

As coisas que eu ouço: "putos" estúpidos.



 Estar fora da cidade uns dias e voltar em plena fase de acolhimento aos estudantes na Lusa Atenas é uma experiência e tanto. Não é que em Lisboa ou no Porto uma azáfama semelhante não aconteça nesta altura do ano, mas aqui- quer pela tradição, quer por ser um meio mais pequeno - o impacto na vida do resto da população é bem maior.

Entre os que vêm do meio de nenhures com comportamentos menos dignos (que poucas faculdades se apressam a combater, diga-se) e os que são de cá e deviam dar o exemplo mas está bem abelha, vêem-se por vezes cenas pouco abonatórias.

 Hoje sentei-me a tomar um café depois da minha jornada no sítio do costume e eis que - como precisava de ligar o carregador do telemóvel - me calhou a fava de me sentar na mesa ao lado de uns rapazolas que, de computador ligado na única tomada disponível e ar "isto é tudo meu",  nunca mais desamparavam a loja.

  Os nossos heróis eram caloiros, não daqueles bolseiros de trás do sol posto com ar de quem nunca viu nada e chega aqui e abusa que temos de aturar todos os anos, mas um género que conheço de gingeira: meninos bem, nados e criados cá que nas costas dos pais adoptam uma linguagem que Deus nos livre.

 Não que fossem parvos nenhuns, salvo seja: falavam alto o suficiente para eu perceber que até eram moços interessados em religião e política, com alguma consciência dos seus deveres, e quando lhes pedi se não se importavam que o empregado ligasse a extensão para que eu pudesse usar a ficha foram do mais educado que se pode.

 Mas em grupo...Virgem Santa! Poucas vezes ouvi tanto palavrão. Não houve uma frase que não começasse por "ó puto, isto c***o!", ou "ó puto aquilo, f****-se!" e isto a grande velocidade, ao longo de uma hora inteira. Lancei-lhes uma data de olhares fulminantes a ver se se tocavam, que havia senhoras e crianças na sala...pois sim!

 É certo que boys will be boys e que quando se juntam fazem fanfarronadas, mas 
perdeu-se a noção do que é apropriado. Pior ainda, muitas meninas dizem outro tanto e não só não se chocam com esta linguagem como acham que ficam muito cool  e muito modernas a gritá-la para quem quer ouvir.

  Dá vontade de se ser mauzinho e dizer-lhes "se soubessem as cabeçadas que vão dar antes dos vinte e cinco anos não estavam para aí tão contentes, seus paspalhos". Cambada de malcriadões, que até dá vontade de morar noutro sítio.

Thursday, September 25, 2014

Mostra-me o teu lado lunar, lá diz a cantiga.



A avó tinha uma máxima bem verdadeira: é no hospital e na prisão que se conhecem os amigos – ou seja, quem é leal (amigos, amores, familiares) não deserta nos maus momentos. Oscar Wilde disse, por seu lado e muito sabiamente também, que os amigos também se reconhecem nos momentos de triunfo: afinal, é preciso um espírito elevado para não se encher de inveja perante o êxito de outrem.

 Em todo o caso, o amor verdadeiro reconhece-se nos momentos extremos: os muito bons e os muito maus. E isto também se aplica às flutuações de temperamento. Quem ama verdadeiramente não toma o outro por garantido nas fases felizes: os gestos de carinho e as atenções são sempre valorizados e apreciados.
 Há essa constância: pequenas coisas como saber revezar-se na arte de dar o braço a torcer, nunca terminar o dia zangados, mostrar por gestos e palavras o quanto a cara metade é preciosa. Quem ama tem, por mais seguro de si que seja, o permanente receio de perder o outro; sabe que nada é certo na existência, que tudo o que sentimos como nosso pode ser-nos tirado e vive na esperança de que isso não aconteça. Por isso valoriza: sabe que muita gente daria tudo para ter esse tipo de sentimento na sua vida. Cada instante é precioso.

 Porém, o amor puro tem o seu verdadeiro teste nos momentos negros: nas fases em que – por uma crise de casal, um erro, um problema financeiro, uma doença ou outra razão qualquer – tudo deixa de ser bonito, e o outro não age como antigamente. É quando alguém mostra o seu lado insuportável, injusto, desabrido ou mesmo cruel que se vê o quilate da cara metade, e até que ponto os sentimentos são genuínos. Quem ama o lado belo tem de saber amar o lado negro, ou não ama: afeiçoou-se a uma ilusão, a uma imagem redutora ou à ideia que fazia do outro.

 Não quer isto dizer que se deva suportar indefinidamente o intolerável, mas não há amor sem paciência, sem heroísmo, sem mananciais de tolerância e abnegação.

 Querer só a faceta perfeita, rejeitar o lado vulnerável, rude ou assustador de quem se supõe amar, é tão pouco amor como tomá-lo por garantido nas fases felizes.

Isso pode ser romance, mas está longe de ser real…

Wednesday, September 24, 2014

Cinco pequenos facilitadores de elegância...e da felicidade.



Ninguém é infalível. Mesmo as mulheres mais belas, bem sucedidas e eficientes, que inspiraram gerações, terão tido os seus dias não. Mas há pequenos truques que ajudam a passar pelo stress, a correria e as pequenas contrariedades com um mínimo de compostura e mais importante, com um sorriso no rosto.

1- Não mate a sua linda cabecinha com questões de aparência. Invista algum tempo a descobrir o estilo que lhe fica bem, as roupas certas, o exercício/dieta/rotina de beleza que resulta para si, e ponha essas receitas infalíveis em prática. Practice makes perfectAssim não vai entrar em parafuso quando tiver que se preparar em dois tempos para uma ocasião especial. Pode precisar da ajuda de profissionais, pelo menos no início -mas a sensação de domínio sobre a sua vida é extremamente compensadora. Conhecimento é poder....e beleza.

2- Arranje uma maquineta a vapor destas. Os italianos juram que ter a roupa sempre passadinha a ferro é meio caminho andado para a bella figura, mas nem sempre é possível levar todas as peças à lavandaria ou tratar de tudo isso em casa. Esta pequena maravilha é tão leve que a pode levar para toda a parte e dar um jeito à roupa onde estiver. Além disso, serve também para fazer limpezas de pele leves (experimente antes de fazer um peeling ou exfoliação). A que tenho foi-me oferecida, mas já as vi na Worten e pode encomendar-se online.

3 - Actualize o visual...mas com pouco compromisso. É mais sensato criar uma base de guarda roupa que funcione e refrescar em apontamentos, acessórios e maquilhagem do que ceder às tentações momentâneas que surgem em cada nova fase da vida - ou tentativa de mudar de vida. Lembre-se, a maquilhagem sai ao final do dia - uma tatuagem,  corte de cabelo desastroso ou mudança radical de estilo pode levar meses ou anos a consertar. Calma.

4- Faça-se leve - não incomode, não se incomode, não se melindre, faça por não melindrar os outros conte até 10, saiba prescindir, dar o desconto, deixar-se ir, ficar quite quando é preciso e esquecer o assunto quando não é grave. Por vezes uma bofetada de luva branca é a melhor vingança, mas até isso tem o seu tempo certo...até lá, pense mais na sua vida do que no impacto que as suas idas e vindas possam ter em outrem.

5- Arranje um humor chapliniano e faça troça dos desaires que lhe acontecem. Pode parecer um disparate mas ajuda muito -não há nada como o riso para dispersar as nuvens negras e em boa verdade, a maioria das situações feias tem um lado proporcionalmente cómico. Distancie-se e olhe para o caso como se de uma comédia se tratasse. Troçar das  situações é uma boa estratégia para ficar menos vulnerável. Sentir-se desgraçadinha não é elegante, mas rir na face do perigo (ou dos incómodos) tem um certo charme e ajuda a criar a couraça necessária.Ninguém gosta de pés de salsa, por isso toughen up!




































Monday, September 22, 2014

Isso de dar segundas chances…



…tem muito que se lhe diga.

Por um lado, ao recusar uma oportunidade a quem errou, podemos estar a cair numa crueldade injusta ou a desperdiçar um relacionamento, amizade ou parceria profissional importante.  Regra geral não acredito que seja sensato desistir de alguém ao primeiro mal entendido, principalmente se a pessoa tentar esclarecer tudo ou – caso tenha cometido realmente um erro – fizer por se redimir e reparar o agravo.

Por outro, bem diz o povo “quem faz uma, faz um cento”. Tenho uma amiga que jura pela divisa “não darás segunda oportunidade”. Se lhe cheira a esturro numa nova amizade ou se alguém próximo a desilude/magoa/ofende, essa pessoa é banida sem apelo nem agravo.

Radical? Talvez, mas por vezes é sensato arrancar uma erva daninha antes que se espalhe. Há danos que são muito difíceis de limpar e que se evitariam se prestássemos atenção aos sinais – porque sinais existem sempre.

Quem não é certo revela-se logo de início, em coisas pequenas (atitudes que não fazem sentido, pequenas mentiras, pequenas desconsiderações, estórias que não encaixam…) e outras não tão pequenas como isso mas que desprezamos porque temos mais que fazer, porque se calhar estamos a exagerar,  para não sermos desagradáveis, porque ainda não conhecemos bem a pessoa em causa e não nos achamos com direito a indignar-nos ou a fazer demasiadas perguntas…ou ainda porque já a conhecemos muito bem mas gostamos dela e achamos que não é grave, que é uma fase, que vai passar.
 A estranheza e o desconforto são os melhores conselheiros: se algo não nos cai bem, sentemo-nos e analisemos antes que seja tarde.

   Quando algo nasce torto é raro endireitar-se. Já comentei por aqui que é um erro ser surdo às primeiras impressões, ou perdoar infinitamente as mesmas asneiras.
Está certo que ao cortar o mal pela raiz há a possibilidade de deitar a perder coisas maravilhosas, mas ninguém pode garantir que não nos estejamos a livrar de muitos trabalhos.
 Se num test drive um carro falha, sacode, parece pouco seguro, será que insistimos em comprá-lo só porque gostámos do modelo e até cabe no orçamento? E na compra de uma casa – se não parece de confiança, não ficaremos de pé atrás?


 Talvez não devamos ser mais tolerantes emocionalmente do que somos quando se trata de negócios…

Sunday, September 21, 2014

A nobre arte de...não construir a sua vida à volta de ninguém.




Well, I've been afraid of changing
 'Cause I've built my life around you...


Uma leitora sugeriu-me que abordasse um ângulo dos relacionamentos que, se estou bem recordada, não tinha sido visto por aqui: o das mulheres que constroem a sua vida à volta do marido/namorado e, quando as coisas se tornam feias, se vêem de repente isoladas.

Isto não é um exclusivo feminino – decerto haverá homens que se acham na mesma situação desagradável – mas nós mulheres somos por natureza mais propensas, em maior ou menor grau, a esse disparate. É um daqueles reflexos que ficam por genética e tradição e continuam a manifestar-se mesmo quando já não têm utilidade. E uma vez que é algo inconsciente, pode dar-se até com meninas/senhoras relativamente independentes, seguras de si e que não correspondam ao estereótipo da “rapariga carente”. 

Em boa verdade pode acontecer a qualquer uma, desde que tenha um pouco de tempo livre nas mãos – ou caia na asneira de estar demasiado disponível quando se apaixona.

 No entanto, quem é tímida ou tem uma forma mais tradicional de estar corre riscos maiores de cometer este erro (já lá vamos). Embora aqui se defenda em muitos textos o direito a uma postura e forma de estar tradicionalmente feminina, eis a excepção que confirma a regra.

É sempre mau depender de alguém, emocionalmente ou de outra forma qualquer. Bem diz o ditado “a vida de uma mulher é como a pasta, e um homem é a almôndega: torna a pasta melhor? Sem dúvida, mas pasta sem almôndegas continua a ser pasta”. É preciso ter sempre presente que aquela não é a última almôndega à face da terra, capice?

 Mesmo entre as mulheres mais modernas existe o impulso de criar conforto, de dar apoio, de arranjar o que está estragado (até quando não tem remédio) de brincar às casinhas, de ser útil e de agradar. Isto é tudo positivo, desde que bem direcionado, mas desastroso se levado ao exagero. E para cair nesse extremo, basta DISTRAIR-SE – porque ninguém abandona a sua vida de um dia para o outro. Vai acontecendo aos bocadinhos. Primeiro com o entusiasmo da paixão que leva tudo à frente, depois porque o hábito se instalou e mais tarde (quase sempre) para tentar segurar as pontas com o mais nefasto dos remédios.

 E a parte pior é que nenhum homem agradece isso.

Não é por mal que o fazem- eles são caçadores inatos e perdem o interesse se algo está demasiado disponível. Logo, a dependência não beneficia a mulher que constrói a sua vida à volta do parceiro, nem a cara metade (que deixa de ter um desafio) e muito menos a relação (que invariavelmente arrefece).

 Ora, há três situações que facilitam que este mal se instale:

1-      A primeira é a boa e velha insegurança, que dava um compêndio: quem está tão desesperada para ter um companheiro que faz TUDO para agradar devia antes de mais trabalhar a auto estima, porque não vai cair só nesta asneira mas em todas as outras e depois fica sozinha e chorona e infeliz e como é carente não consegue estar bem sozinha e o círculo vicioso continua ad nauseam.


Depois há as que se dão com pessoas relativamente equilibradas (ou seja, com a maioria!)

 2 - Se uma mulher é naturalmente introvertida, tem uma rotina tranquila, um círculo de amigos restrito e aprecia a estabilidade, torna-se mais fácil acomodar um companheiro na sua vida. Até aí tudo bem, desde que não deixe a sua individualidade de parte para atender aos horários/rotinas/exigências de Sua Excelência – o que tende a acontecer se o cavalheiro for absorvente e/ou possessivo. O problema? Muitas confundem possessividade ou sufoco com atenção e quando dão por si cancelaram o ginásio, largaram as amizades, deixaram projectos importantes de parte, viraram-se do avesso e são uma maquineta que se desdobra em função do outro.


3        -Outro caso que convida a essa distracção - e que continua a acontecer em certos meios- é o das mulheres que estão ao lado de um homem poderoso, Alfa, com um cargo relevante ou certo protagonismo e uma personalidade dominadora. Mesmo as que mantêm a sua carreira e a sua vidinha podem cair na tentação confortável de deixá-lo guiar a dança, ficando num papel discreto de apoio. Até aí tudo perfeito; nada de mal na tradição, desde que o cavalheiro retribua a dedicação e a disponibilidade emocional não seja ilimitada. Nenhuma relação tem equilíbrio se não houver respeito, fronteiras bem delineadas e aquilo que podemos chamar áreas intocáveis: se por causa do outro se deixa de dar a devida atenção às pessoas queridas e aos objectivos individuais, há algo de errado.

A consequência nos três casos é que quando a relação esfria ou desaparece, quem construiu a sua vida à volta da cara metade fica sem nada, porque tudo o que tinha – amigos, vida social, preocupações, anseios, rotinas e até objectivos profissionais – estava de algum modo ligado à outra pessoa. Além da ruptura, que é sempre dolorosa, não existe qualquer estrutura de apoio.

O melhor remédio contra este mal é a prevenção; não deixar que relação alguma invada as áreas intocáveis citadas atrás e não se virar do avesso por ninguém. A quem já se encontra nesse dilema, há que, pouco a pouco, reclamar a sua existência (e poder) de volta. Quem não tem vida própria, não se pode doar a outrem.

Uma mulher ocupada é sempre muito mais interessante – tanto para a cara metade, como para futuros (eventuais) pretendentes – e nunca corre o risco de deixar que a desrespeitem. Afinal, ela tem mais que fazer.





Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...