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Saturday, October 4, 2014

3 personagens infantis que metiam *um bocadinho de* medo.


Devo dizer que eu nunca fui uma criança medrosa - até tinha um fraquinho por all things goth, filmes de terror e por aí. Cresci a ver desenhos animados e teatros de marionetas sinistros que passavam na televisão sem grande critério (não me fez mal, mas admito que era estranho) li a maior parte dos contos de Fadas nas suas versões mais cruas (Histórias da Formiguinha, anyone? De esfolar gente a arrancar olhos, havia de tudo) e andava sempre metida em aventuras no meio do mato com os meus primos, logo não era menina de me assustar com duas lérias. Eram as coisas algures no meio, com ar simpático mas cara de quem está a esconder alguma, que me deixavam desconfiada. E estas três personagens nunca me pareceram lá muito idóneas, não.


ALF

Era demasiado pequena para perceber a graça da sitcom, mesmo nas várias reposições que houve, mas para já era um extra terrestre e eu nunca fui à paciência com ETs e UFOS e toda essa tropa fandanga. Por mim podem ficar lá nos seus planetas que não tenho vontade nenhuma de os conhecer, ainda hoje. Até o ET, que era um fofo, demorou um bocado a conquistar a minha simpatia. Mas o ALF, bem...para começar, tinha cara de croissant. Era um bocadinho feio. Depois, dava uma gargalhada super arrepiante no final do genérico.
E por fim, além de não fazer senão asneiras e de ter maus modos, o Alf considerava os gatos uma iguaria. Não é só por eu gostar de gatos, mas comer gatos é do mais sinistro que há. Estilo serial killer em desenvolvimento. Sempre me pareceu que aquela família ia lamentar acolher tal criatura mais tarde ou mais cedo. Uma coisa do outro mundo, pois. Ná.

O CONDE DE CONTAR


Esta é realmente esquisita porque eu adorava as marionetas do Jim Henson (e trabalhos bem assustadores dele, como o Storyteller) e sempre gostei de vampiros. Por isso ainda estou para perceber a minha implicância com o Conde de Contar. Talvez tivesse a ver com o raciocínio "um vampiro que não bebe sangue só pode estar a preparar algo muito pior" ou com a sua mania obsessiva-compulsiva de contar tudo, ou com o sotaque esquisito. A verdade é que os pergaminhos do boneco não me interessavam para nada e cheguei a ter pesadelos com ele, em que raptava criancinhas para as cozinhar enquanto cantava alegremente carregando muito nos "rrr". Medo.


O FERRÃO

Outra que não faz muito sentido, mas que querem? Cada um com os seus medos, nada a fazer. Bom, o Ferrão até tinha graça, principalmente quando se punha com invenções e os vizinhos diziam "vai para aqui uma porcaria!",que nessa altura ainda não existia o flagelo do politicamente correcto. Mas havia um detalhe que nunca percebi: o animalejo não tinha pernas porquê? Era paralítico? Ou não lhe tinham dado pernas porque ele raramente saia do barril, logo não havia necessidade de fazer o boneco inteiro? O certo é que numa das temporadas da Rua Sésamo se lembraram de o pôr a andar com o Poupas e em vez das pernas gorduchas e peludas que fariam sentido num monstro do Jim Henson, lhe deram...umas pernas compridíssimas e fininhas de cegonha, às riscas verdes, que seriam anatomicamente impossíveis. Tal imagem não voltou a aparecer na série e nunca foi explicada, mas gerou muitos debates entre os meus amigos! Não sei qual era a desculpa, se aquilo seriam botas ou meias ou se o bicharoco era realmente um caso para criptozoologia, mas não gostei. Brr. 

Desafio-vos a terem embirrações mais estapafúrdias que as minhas...

Dois horrores que as mulheres insistem em usar na rua.


Hoje fui dar um passeio, correr os mercadinhos da cidade, e estava um dia lindo - um dia lindo com um calor das Arábias. Ainda por cima, por razões que eu desconheço, havia vários eventos a acontecer (contei duas manifestações, uma delas com todos os participantes de cor de rosa, bombos e palhaços em andas; go figure) logo via-se muita gente.

E claro, como o sol brilhava foi ver o mulherio a despir-se em vez de se vestir, sendo que cada vez é mais comum a equação quanto mais rechonchuda uma mulher é, menos roupa veste. E quanto menor a quantidade de roupa, menor a probabilidade de esconder as partes mais desengraçadas do corpo e favorecer as correctas, certo? Parece óbvio, mas muitas raparigas (e senhoras com idade para ter juízo!)não percebem esta ideia básica,  têm muita vontade de dar nas vistas nem que seja pelos piores motivos, ou simplesmente não fazem ideia do que lhes fica bem. Ou seja, vi muita mini saia estilo cinto largo a descobrir pernas de açougueira, muitos calções inexistentes a mostrar celulite, o costume. Classy.

 Mas deixemos as pernas à mostra para  nos concentrarmos em dois disparates que vi tanto hoje a ponto de lhes perder a conta.

Primeiro, a porcaria das leggings, mas leggings em versão artilhada - pasmem, com tops curtos ou crop tops a mostrar tudo quanto é desgraça. 

Eu já disse mil vezes, milhares de pessoas e publicações muito credíveis já bateram milhões de vezes nesta tecla, mas não há modo: leggings (e por amor da Santa, não é "leggins" que se diz) NÃO SÃO CALÇAS. São umas meias um bocadinho mais espessas que se podem usar debaixo de camisolas/camisas/túnicas COMPRIDAS quando há falta de imaginação para inventar outra toilette. No limite, podem vestir-se à vontade para andar em casa ou para fazer exercício (em privado) tal como as calças de Yoga. 

 Para o resto existem as jeggings (que têm bolsos, logo podem vestir-se com tops um pouco mais curtos, e ainda assim com cuidado) e as calças de malha mais espessas, ou calças de montar vulgo riding breeches, que são reforçadas e podem ser usadas com uma camisa por dentro SE, e é SE, a pessoa em causa tiver tudo no lugar e nada a ver com a Kim Kardashian. Não custa nada...



Segundo, os tops de renda barata - e preta - em plena luz do dia. E com calor. Com os buraquinhos arranhar a pele e a fazer comichão. A renda preta - e as transparências que às vezes vêm com ela -  é uma fantasia para usar à noite, em vestidos ou blusas; depois,  convém que seja macia, de fio natural e sem muito elastano. Para o dia há o bordado inglês, por exemplo, ou o crochet, que não fazem transpirar, de preferência em cores claras; ou quando muito, renda branca (num pequeno apontamento, como a gola da camisa). 

Top de renda preta e cava americana + leggings manhosas a expor os glúteos = a mau ar, desconforto e aspecto sujo de transpiração e maquilhagem a escorrer. 

Fala para o vento, Sissi, que alguém há-de escutar....




Friday, October 3, 2014

Be free, be free, mas?


Imagem:Tommy (Ken Russell/The Who)

Be free with your tempo, be free, be free

Surrender your ego - be free, be free to yourself

(Queen- Innuendo)


Estava cá a pensar em como alinhavar este post, e veio-me à ideia a canção fabulosa dos Queen e por conseguinte, este anúncio onde a canção entrava e que eu, que não sou muito dessas coisas, achava do mais romântico:



Adiante. A liberdade, a liderança e a independência são coisas que têm muito que se lhes diga. Bem dizia o outro senhor, se soubesses o que custa mandar, gostarias de obedecer.  A História está repleta de grandes líderes que não queriam mandar, mas que foram obrigados a isso pelas circunstâncias: ter capacidade de liderança não significa gostar desse papel. Grande nau, grande tormenta; poucas coisas são tão solitárias como o poder, ainda que seja somente o poder sobre o próprio destino. Quem está entregue a si próprio, ao leme, tem todo o potencial criativo...e iguais probabilidades de falhar. No caos que antecede a ordem, tudo pode acontecer. 

É uma sensação fascinante mas assustadora, e só um temerário não se receia disso.

Parece muito mais confortável entregar as rédeas a outra pessoa. Muito mais imediato que  digam faz assim, faz assado, não faças isto nem aquilo, e a única preocupação ser cumprir, apoiar as metas comuns ou de outrem. A obediência, a disciplina, tudo isso é necessário; mas a maior obrigação e o fardo mais pesado de cada um é consigo mesmo. Um militar- que aprende a obedecer sem fazer perguntas - terá mais cedo ou mais tarde soldados sob o seu comando. Eis a verdadeira prova de cada um: gozar a liberdade, fazer do seu caminho o que bem entender, sem se deixar embriagar por ela.

Truque indispensável do dia (ou momento TV shop, ligue já antes que esgote!)



Não há nada mais aborrecido do que estar contente da vida, ocupada (o) com os seus projectos, e do nada deparar-se com um facto desagradável, uma visão que não fazia falta nenhuma ou uma recordação incómoda. Por exemplo, ir a caminho de uma reunião importante e tropeçar no (a) ex- que -veio- do- Inferno, receber um telefonema de uma amiga a quem a vida está a correr tão mal que se começa a pensar quem será o próximo a juntar-se ao clube dos infelizes, ler uma notícia desagradável no jornal ou encontrar um antigo colega chato capaz de baixar as vibrações a Buda. A verdade é que a disposição é uma coisa frágil e permeável, e até na alma mais serena e segura de si pode mudar de um momento para o outro.

 Parece que o fio de pensamento que até há instantes corria claro e transparente foi poluído com um camião de lixo tóxico..e uma pessoa fica com o dia estragado. Até a forma de caminhar se torna menos ligeira: afinal, sofrimento adora companhia. 

Se alimentarmos tais ideias, raciocinarmos sobre elas e lhes concedermos dez minutos que seja de tempo de antena, somos irremediavelmente contagiados. Então, como é que nos livramos de tal praga?

Pensando imediatamente noutra coisa, ou como se convencionou dizer,  "transportando-se a um lugar feliz". Já vos contei que pensar em futilidades que não exijam muitos malabarismos de cabeça (roupa, sapatos) ou numa coisa insuportavelmente fofinha (gatinhos bebés, por exemplo!) costuma funcionar. Mas antes disso há que sacudir a memória desagradável, exorcizá-la, desinfestá-la: é preciso ter sempre à mão um triturador de papel em versão mental, para eliminar pensamentos deprimentes logo que eles ocorram. 

Eu gosto de trazer sempre o meu comigo: põe-se a ideia desagradável na maquineta, imagina-se a engenhoca a desfazer aquilo tudo e já está.


 Já ligaram o vosso hoje?

Thursday, October 2, 2014

S. Francisco de Sales dixit: da Força.


''Nada é tão forte como a gentileza 
e nada é tão suave como a verdadeira força"

Uma das maiores tolices que se pode fazer é acreditar em bravatas - ou cair em bravatas. 

A fanfarronice, o puxar de galões, esbracejar, debater, justificar-se, barafustar, cair no insulto, fazer ameaças, pôr-se nos bicos dos pés... nada disso é,grande parte das vezes, mais que perda de tempo e demonstração de fraqueza ou desespero. Quem tem muito poder, não ameaça; cala-se bem caladinho e age na hora certa, ou é magnânimo que chegue para deitar o assunto ao desprezo.

Quem é muito seguro de si mesmo, não faz barulho; age tranquilamente porque está tão certo da sua razão, da sua supremacia, que não se dá ao trabalho de fazer trovejar se não pretende enviar chuva.

Bem se diz de certas pessoas "trovejou, trovejou, e não caiu uma gota de água!" . Só os fracos fazem muita bulha, vão queixar-se a toda a gente do agravo que lhes foi feito, procurar ombros, fazer queixinhas, perder a face, dar azo a falatórios e fazem-no tanto  que às vezes já nem são levados a sério. Não é por acaso que nos momentos de crise, se recomenda a certas personalidades não fazer declarações à imprensa. Factos, força e poder falam por si mesmos.

 Quem se sente com razão, não refila nem desce a discussões: se for necessário dá a outra face, sorri de leve e deixa as acções com quem as pratica. A verdadeira força é serena, não precisa de provar nada a ninguém.
 Quando um homem forte segura uma criança ou um gatinho pequeno com gentileza está a mostrar mais força e mais auto domínio do que quando levanta pesos, porque força, mais que tê-la, é saber usá-la. Força é ter argumentos para deitar alguém por terra e abster-se disso, porque o adversário não vale a bala. Força é voltar as costas ao touro que já se dominou sem dar o golpe de misericórdia. Força é ter o poder de se vingar e prescindir disso- não ceder ao prazer mesquinho do bate boca, do insulto, do esclarecimento, do "quem tem razão sou eu!", da competição vã.

 Força, força mesmo, é ser imperturbável, ter uma grande capacidade de vista grossa e ouvidos moucos, nervos de aço: não se descabelar por nada nem se impressionar com coisíssima nenhuma, e saber rir de si e dos outros quando é preciso. O resto não é força; é nervos.

Ciumento de uma figa.


O meu gato Farinelli anda a passar uma crise: não gosta nem um bocadinho de dividir as atenções com outro bichano de longa pelagem, e se me vê com o Maggie ao colo é notá-lo a aproximar-se sorrateiro, com ar inquisidor, como quem diz (sem cerimónia, que ele foi criado ao Deus dará e apanhou maus hábitos antes de vir cá para casa, logo é de "tu" para baixo) "tanta coisa que eu era o teu gato e não sei quê e agora dás mimos a este? Sua falsa, cínica, impostora, tudo te serve!".

 E não há carinhos que o convençam de que, embora o Maggie - é um gato com nome de gata porque o pêlo era de tal maneira grande que o veterinário se enganou nos primeiros meses- seja uma das coisas mais fofas à face da Terra e precise de atenção para se ajustar a uma nova família, um amor não tira o lugar do outro. Já tentei explicar-lhe que o pedigree do outro não faz diferença (quanto a beleza estão empatados e amo igualmente os felinos de raça indefinida que tenho) mas qual quê...

 O último número que faz é vir com miados (ele que raramente abre a boca) turrinhas e ronrons, a pedir colo e carinhos e, ao fim de uma sessão de abracinho do gato, beijinho do gato, quem é o Fofinho? Onde ´tá o Fofinho? e melosices do género, ferrar-me uma boa dentada. Morde-me com evidente prazer e retira-se com a maior dignidade que pode, com ar de muito obrigada por cima.




Assim como quem diz "estúpida, partiste o meu coração e como não sou capaz de deixar de gostar de ti  tenho de te castigar, sua leviana que dá confiança a qualquer um!".

E eu, fazer o quê? Aguento a afronta e desculpo, pois.

 São coisas de macho Alfa e de macho alfa estragado com mimos, mas como é um gato dá-se o desconto, coitadinho. Sempre achei que o mais inteligente dos gatos terá, mais ou menos, o intelecto de uma criança muito esperta de 4/5 anos. São bichos muito sensíveis, muito inteligentes, mas eternos bebés. 

 O que é curioso notar é que o Farinelli é um gato, um bicharoco *considerado* não racional; além disso, mal ou bem tem realmente competição e razões, se não para questionar o amor eterno que se lhe dedica, para ficar aborrecido com a concorrência. Ele não quer dividir atenções mas coitado, tem de viver com isso.

 Porém há Alfas humanos, igualmente estragados com mimos, sem concorrência e sem razão para desconfiar que se comportam exactamente na mesma. Não mordem, se calhar (também era o que faltava!) mas fazem bem pior. É para onde é que ela estava a olhar, porque olhou para aquele, porque deu troco ao outro, porque ia vestida assim ou disse assado, e insultos, e desconfianças - quando na maioria das vezes, o sentimento que uma mulher lhes vota é daqueles tão profundos, tão avassaladores que consomem tudo o resto e não deixam espaço sequer a um pensamento rápido dedicado a outra pessoa. Só um amor desses explica que elas aturem cenas assim, de outro mundo e de outro tempo.

 O gato ao menos é gato, e tem razões de queixa, e sempre se pode amassar e encher de abracinhos ou fechar de castigo, se não se fizer nada dele. Soubesse eu e tinha chamado Othello ao gato, em vez de Farinelli. 

Wednesday, October 1, 2014

"Ele nunca me viu sem maquilhagem"...say what?


No outro dia fiquei surpreendida ao ler uma entrevista com a famosa maquilhadora Charlotte Tilbury, em que ela - com uma experiência de 20 anos ao lado dos maiores rostos da moda e senhora de uma pele impecável - confessa que dorme SEMPRE maquilhada. Considerando que é ruiva natural, deve ter uns genes à prova de bala para aguentar uma rotina tão nociva!

 Diz a makeup artist que uma vez que tem pestanas louras (hello, sister!) se habituou desde muito nova às benesses da máscara e sente que fica "estranha" sem ela. Segundo nos conta, o próprio marido nunca a viu sem o visual à Brigitte Bardot do costume. 

Fez-me lembrar algumas senhoras da minha família, que se levantavam antes do marido para não serem vistas "com olhos de sono!".

 Isto são os males de se ter um signature look: uma pessoa acostuma-se e já não consegue ver-se de outra maneira.
Embora eu não goste de mudar demasiado nem seja menina de aderir a tudo quanto é novidade, acho que é saudável ir usando vários visuais dentro do que nos fica bem - um dia um smokey eye, noutro um bold lip, noutro um cat eye, às vezes um aspecto de falsa "cara lavada" e outras uma maquilhagem completa, impecável, e assim por diante.

 Mas mais importante é tratar a pele o suficiente para gostarmos de nos ver ao natural, ao menos pela manhã e dentro de casa (onde não há calor nem poluição que agridam e causem vermelhidões). 

Não me entendam mal: sou toda pelo mistério e há certas rotinas de beleza (como máscaras de rosto verdes e rolos na cabeça) que não convém que um homem veja. Mas não sejamos exageradas...

Ao acordar, uma mulher - principalmente se for loura ou ruiva e de pele clara - poderá ter pestanas transparentes, mesmo que sejam longas, e um olhar menos felino. Mas possui o encanto das faces e lábios rosados pelo sono e uma cútis luminosa. É uma beleza diferente e convém que saibamos apreciá-la. Já ouvi vários cavalheiros elogiar a "beleza ensonada" das suas mulheres, pois por vezes um pouco de desalinho (não confundir com desleixo) tem encantos para eles que nos passam despercebidos a nós.

 A própria Bigitte Bardot tinha no seu visual algo de "saltei da cama agora mesmo". Mas sem deixar a pele respirar durante a noite, acho difícil manter isso por muitos anos.

Quem nunca "desabou" na cama ou no sofá depois de um dia cansativo que atire a primeira pedra, mas a sensação de dormir com "tralha na cara" é tão desagradável que acho impossível não acordar a meio da noite para ir a correr lavar o rosto ou no mínimo, ir buscar uns toalhetes desmaquilhantes. Pecados de beleza todas cometemos, mas acho esse demasiado desconfortável. 

E sinceramente, deve ser estranho a cara metade não conhecer realmente a cara da cara metade...imaginem que uma pessoa é raptada ou assim, fica sem acesso a maquilhagem e quando é salva o pobre rapaz vai buscar a mulher à esquadra e "ai que eu não sei quem é esta senhora"? I think not.






"We are women. Our choices are never easy".


Estava a ver Mr. Selfridge (que é o meu último viciozinho) na Fox Life,  e lembrei-me da frase acima (uma das poucas coisas realistas ditas no Titanic, e que cá me ficou). É curioso acompanhar a série e fazer comparações com a realidade dos nossos dias.
 Na última semana não faltaram exageros de parte a parte graças ao discurso feminista de Emma Watson na ONU, que incentivou os homens a abraçar o "movimento" e condenou as alas anti feministas, motivando uma série de respostas agressivas.

Pobre Emma Watson: é demasiado jovem para compreender que fizeram dela porta estandarte e que para acreditar em direitos civis iguais (o único objectivo razoável e sensato no meio disso tudo, vide a Princesa Ameerah da Arábia Saudita) não é preciso defender o feminismo, ver papões em todo o lado nem masculinizar as mulheres ou efeminar os homens. Numa coisa Emma Watson tem razão, porém: feminismo é uma palavra desagradável. Mulheres competentes sempre fizeram o que tinham a fazer e não precisaram de movimentos, de palmadinhas nas costas nem deixar de manejar armas femininas. O verdadeiro poder está na feminilidade; é na diferença e no mistério que as mulheres sempre foram que o seu poder reside. Umas sabem utilizar isso, outras não. Mas não é de estranhar que não saibam, porque o papel feminino - quando era exclusivamente tradicional, e hoje - não é fácil. E não é com luta que esse enigma se resolve porque é algo que pertence a cada uma.

Há coisas que não convém que mudem, e há outras que nunca mudarão por mais movimentos que se façam. Nem sempre isto será justo, mas é real: quanto mais depressa se aceitar o facto, melhor se lidará com isso. 

As Emma Watsons de hoje estão tão equivocadas como estavam as suffragettes mais idealistas em mil novecentos e bolinha. Miss Ravillious, directora do Departamento de Moda do Selfridge´s, achava que ser sufragista ia resolver o problema das mulheres que ficavam sozinhas porque eram obrigadas a abrir mão da carreira assim que constituíam família. E os desgostos de mulheres como a esposa de Mr. Selfridge, obrigada a olhar para o outro lado e a cumprir o seu papel decorativo/de gestão do lar enquanto o marido coleccionava amantes. Ou ainda a infelicidade de "senhoras" como Lady Loxley que casavam por conveniência e se vingavam do fracasso conjugal vivendo separadas da cara metade e mantendo, por sua vez, casos amorosos.

 Não sei como esperavam fazer isso, mas resolveu alguma coisa? À parte ter-se tornado normal e esperado que uma mulher trabalhe e mantenha ao mesmo tempo uma família, muitas vezes com grandes malabarismos, no cenário privado passa-se muitas vezes exactamente o mesmo: apenas sem espartilhos, com uma factura mais alta e com saias mais curtas.

 Duas mulheres da minha família casaram na época em que Mr. Selfridge se passa: uma teve um casamento arranjado contra a sua vontade, outra casou por amor. Ambas foram infelicíssimas- a primeira porque enfim, o marido adorava-a e não aceitava que ela não sentia o mesmo por ele, a outra porque o marido era tão ciumento, tão paranóico, tão cioso da sua beleza que nem sequer a deixava ir à Missa.

 Podemos argumentar que o divórcio resolveria tudo, se houvesse divórcio (se bem que Ana Bolena praticamente inaugurou o divórcio em Inglaterra e olhem lá se lhe serviu de muito).  Mas ontem soube detalhes bem tristes sobre uma mulher que tem uma carreira, que é bonita, que gere uma família de forma competente...e cujo marido se porta exactamente como Mr. Selfridge - embora com muito menos direito de fazer exigências, já que ambos têm iguais responsabilidades no sustento do lar. Também ele espera que ela faça vista grossa, seja bonita e se abstenha de cenas. E quantas "Lady Loxleys" conhecemos? Ou quantas Miss Ravillious? Ou ainda as milhares que por amor e por tolice, toleram relações tóxicas? 

Isto nada tem a ver com política, o mundo está desenhado assim. E uma mulher, tal como um homem, ou faz as suas escolhas e é responsável por elas, pagando o preço de pensar e sentir como bem entender, ou engole os sapos que advêm de manter a situação mais confortável. Apenas, por pressão biológica (que se torna, por sua vez, pressão social) as escolhas das mulheres são mais complicadas. Não é por acaso que as dores de parto couberam às mulheres: a sua capacidade de resistência é bem maior. Resta saber o que fazer com isso.




Tuesday, September 30, 2014

Descodificando as melhores botas da estação.

Fonte: Trendspotter

Algumas habitués do Imperatrix pediram-me que elaborasse aqui um mini guia para as botas desta estação, e com boas razões: afinal, as botas são um dos maiores investimentos para o Inverno, e talvez a peça mais difícil de comprar - ora porque os modelos mais favorecedores rareiam vá-se lá saber porquê, ora porque é complicado escolher o par certo para a figura de cada uma.

 A selecção não foi fácil: apesar de haver bastante oferta nas passerelles e casas high end, o mesmo não se pode dizer por enquanto nas lojas médias ou de fast fashion. Mas como isso muda quase de semana para semana, vou estar atenta e logo vos conto.

 Aqui fica uma escolha de modelos-investimento e pares mais acessíveis at, em três tipos diferentes:

1 - As cuissardes, over the knee ou thigh high boots
Tudo já foi dito sobre a forma certa de as usar aqui, e no ano passado enganei-me ao apostar que este Outono estariam por toda a parte. Continuam a ser uma compra acertada se escolhidas sensatamente: caso uma marca de luxo não seja opção ou queira um par para o dia a dia, já vão aparecendo alguns modelos interessantes e com preços razoáveis:


LUXUOSO


1 -Acne Studios; 2 -Maison Martin Margiela 3- Casadei;
 4/5_ Gianvito Rossi; 6- Pedro Garcia



ACESSÍVEL


Para um modelo em tecido, tente a Stradivarius; a Primark apresenta uma versão arrojada; Massimo Dutti (acima) Zara e Uterqüe apostaram em modelos seguros, que podem ser adaptar-se às toilettes de todos os dias.

ZARA
1- Primark; 2/3- Uterqüe



2- Botas de cano alto clássicas

Gucci

Com um salto razoável, como visto em Gucci - ou plataforma (Prada) são a melhor aquisição de Inverno porque podemos usá-las com uma diversidade enorme de combinações. A pele, mais difícil de encontrar nas lojas comuns, é preferível à camurça, que resiste menos à chuva. As melhores batem imediatamente abaixo do joelho e não são excessivamente justas ou largas no cano. Do que vi até agora, este modelo da Zara apresenta a qualidade-preço ideal: em pele, estável e democrático que chegue para ficar bem na maioria das silhuetas.




3 - Botins

Gianvito Rossi

Românticos (Bottega Veneta) luxuosos (Miu Miu) ou clássicos (Gianvito Rossi) os botins mantêm-se na berra há cerca de três anos, estão disponíveis para todas as fantasias ou preços e apesar de não os considerar tão fáceis de usar por toda a gente como botas compridas, há que reconhecer a sua versatilidade. 
ZARA
 Importa, no entanto, ter em conta duas regras: (1) os mais básicos são o melhor investimento, (2) e convém ter um par de cano justo para usar com calças e outro cavado, para combinar com saias. Os modelos extravagantes e apertados no tornozelo ficam melhor em pernas muito esguias, sendo arriscados em todas as outras. Zara e Mango apresentam uma versão de cada, em couro preto:

MANGO



Boas compras!






Clooney, etc, etc.


Qualquer pessoa que ande neste mundo já sabe que o eterno solteirão lá se casou - estou cansadíssima de ver nos meus feeds notícias e mais notícias da mega festa de três dias, que até parece uma boda cigana de tão espetaculosa. E aparentemente o actor fez muito bem porque encontrou uma companheira com estilo, com vida própria, que não precisava dele para coisíssima nenhuma e que não se impressiona decerto com o mundo glamouroso do marido: clássico, you go girl


Vitória, vitória, acabou-se a história.


 O que eu nunca percebi foi o fascínio de metade do planeta que usa saias por George Clooney. Gostos são gostos mas se calhar há alguma coisa errada comigo porque para além da autora dos meus dias conheço pouquíssimas mulheres que partilhem da mesma opinião.
 Acho-o uma simpatia, apresenta-se bem, gosta de animais (um ponto extra!) é o tipo de pessoa aparentemente decente que não se me dava de ter entre os meus amigos, mas...esteticamente falando sempre me pareceu tão apelativo como uma batata crua. Talvez porque prefiro ver rostos mais angulosos/masculinos, narizes mais pronunciados, outro tipo de traços, uma figura mais imponente. Ou é do penteado, acho piada a mais cabelo sobre a cara. Ou será demasiado bonzinho e misterioso de menos, estilo chefe simpático, professor ou primo afastado que se vê uma vez por ano nos jantares de família? É que me transmite uma vibração amigável, mas só isso. 

Não consigo atinar e ao longo dos anos já perdi bons bocados a tentar perceber a razão de o considerarem um Apolo de fato, mas desisto. É por isso que o mundo não vira e ele com certeza não dará pela falta, ainda para mais agora...

Monday, September 29, 2014

Na exclusividade é que está o luxo (e a felicidade)



A ideia de felicidade, amor ou requinte pode variar para cada um, mas é inegável que o luxo deixa de o ser quando se massifica e que se o amor não for exclusivo é uma complicação, por mais que haja cabecinhas muito liberais e muito modernas a pregar o contrário.
Podia jurar que numa relação "aberta" há sempre um elemento do "casal" que aceita essa solução com o coração apertadinho, num acto de desespero para não ficar sem nada; e quem disser que ter uma carteira contrafeita Marc Jacobs, como as trinta que já vi esta semana aqui pelas minhas bandas, é um luxo...está no mínimo equivocado.

O amor e o luxo têm esse pequeno quê: ou tudo, ou nada.

É mais luxuoso usar um bom vestido sem jóia alguma do que cobrir-se de bijuteria. É preferível ter um bom saco de cabedal a uma cópia barata de uma marca famosa. E se falarmos de duas peças igualmente boas e caras, tem muito mais impacto usar um modelo clássico e intemporal (herdado, de preferência) à última it bag que todo o povo comprou e que por estar na berra causa uma onda de cópias de má qualidade.

 Da mesma forma, nunca percebi quem acha graça às pessoas muito populares, muito pretendidas, muito namoradeiras e que dão confiança a toda a gente; parece-me muito estranho quem se sente motivado (a) pela competição num aspecto que devia ser tão privado e quem se deixa contagiar pelo wishful thinking "eu sou melhor do que a (o)s outra(o)s, eu é que o (a) vou obrigar a assentar!". 

Não vale a pena invejar ou desejar aquilo que é cobiçado em demasia , até porque se anda na mão de toda a gente, dificilmente cairá bem a quem faz por ter alguma personalidade. Ir com o rebanho, com os modismos e as conveniências contraria tudo o que o luxo, o amor, o bom gosto e a independência representam.

  Bem vistas as coisas, se um sofá de veludo está overcrowded, uma abóbora é capaz de parecer mais confortável. E com mais privacidade. Luxuosa e exclusiva, portanto.


Mensagem de um perfume: o amor é mais que um jogo.




Na minha adolescência surgiram vários perfumes (e aromas mais baratinhos, como os desodorizantes O2 e Baunilha da Impulse) para adolescentes. E ter um perfume próprio, que nenhuma mulher lá de casa usasse, era assim uma forma de afirmação, de iniciação, de entrada no mundo feminino. O Oui-Non da Kookai era o meu preferido (ainda é, quando tenho a sorte de deitar a mão a um frasco!) mas havia outros, como o Red Jeans da Versace (uma versão um bocadinho mais floral do Light Blue de Dolce & Gabanna) ou...o Lovin´Geisha.


Para ser franca já nem me lembro de que marca era - tratava-se de uma colecção de uns oito perfumes, todos com temas diferentes, que se vendiam nas pequenas perfumarias e não eram assim muito caros, comparados com as outras marcas que usava. 

Mas o Lovin´Geisha captou a minha curiosidade, primeiro pelo tema: sempre tive um fascínio por gueixas, pelos anos que dedicavam a estudar a arte de ser encantadora, pela sua misteriosa feminilidade, pela celebridade que as acompanhava apesar de ninguém saber muito sobre elas, pelos tons ricos dos seus trajes e pelo seu mundo fechado. Depois, o aroma era realmente intrigante, um oriental fresco, delicado, com algo de lótus pelo meio;
 sentia-se e dava vontade de o perceber melhor. Sempre preferi os perfumes que têm muitas nuances, como o carácter ancestral das mulheres.
  Mas o que me cativou realmente no perfume foi o pequeno slogan que o acompanhava, pois cada um tinha uma catching phrase: dos outros não me lembro, mas o do Lovin´Geisha era 

"Love is more than a game; it´s a ceremony".

Nunca me esqueceu a frase e cada vez mais acredito que foi realmente bem escrita. É claro que o amor, até o mais sincero dos amores, é um jogo com dinâmica própria, um xadrez emocional. Nenhum casal, por mais que o negue, é imune às cartadas de poder, de supremacia, de domínio e de rendição. Tudo isso faz parte e homens e mulheres têm movimentos próprios para a conquista do adversário.

 Mas por vezes, pode ser muito mais complicado do que isso. Acredito sim que o amor seja uma cerimónia, e com um protocolo muito específico que não convém quebrar. 
 Uma mulher que esteja apaixonada (e seja tradicionalmente feminina) põe em cada encontro com a pessoa amada o mesmo ritual que uma gueixa que se prepara para entreter uma plateia com as suas danças. Não usará a pesada maquilhagem branca e um vestido tão cheio de truques como um kimono, mas o empenho é semelhante. Uma mulher inteligente jamais demonstrará esse esforço, mas se não se o faz não está verdadeiramente enamorada.
  Um homem apaixonado fica tão ansioso para ver o objecto da sua afeição como um homem poderoso que perdia a fala ante uma gueixa famosa - porque elas eram assim uma espécie de superstars. E não é só isso: todo um relacionamento é cheio de passos específicos, de rituais, de hábitos mecânicos que fazem com que funcione (ou não). E de dramas, como as danças japonesas em que quase sempre há um final muio feliz ou de faca e alguidar, conforme.

 Dança, xadrez, jogo, cerimónia, podemos chamar-lhe o que quisermos. Tenho saudades de perfumes assim, com filosofia.











Sunday, September 28, 2014

Esse lugar comum do "seja você mesma (o)"




"Always be yourself no matter what", "stay true to yourself", etc, etc, são clichés muito badalados em livros lamechas de auto ajuda e citações ainda mais lamechas (e chochas) que poluem as redes sociais. Mas o que vem a ser isso de ser fiel a si próprio, afinal de contas?

Trabalhar a personalidade com se nasceu, aprimorar os dotes de cada um, polir os defeitos para estar bem em sociedade e agradar às pessoas queridas é natural e aconselhável. 

Se temos mau feitio devemos transformá-lo num temperamento vibrante mas moderado, que não se torne cansativo para os outros; se somos tímidos há que contrariar o acanhamento excessivo que põe em causa a delicadeza para com quem nos rodeia e pode atrapalhar projectos profissionais; quem é vaidoso, desleixado, egoísta, teimoso, e assim por diante...precisa de olhar para dentro e fazer por encontrar um certo equilíbrio. Este processo é normal: está presente por dentro (nos pensamentos e atitudes) e por fora (no vestuário e nos hábitos); faz parte de crescer e evoluir, de explorar as nuances do carácter, de saber estar em toda a parte e do saber adaptar-se às situações.

 Nada isto porém se deve traduzir em afectação, em procurar ser aquilo que se não é, em negar-se a si mesmo (a) e muito menos em abafar totalmente a personalidade em função dos outros. O aperfeiçoamento é como a maquilhagem, que deve ser usada na quantidade exacta para realçar a beleza natural, e não ser uma máscara.

Uma coisa é maquilhar a personalidade - outra bem diferente é desfigurá-la com cirurgias à alma.

 Se quem está ao lado - ou uma determinada condição ou circunstância - obriga, controla ou condiciona cada olhar, cada gesto, cada palavra, cada raciocínio, isso já é mau. Ninguém consegue dar o seu melhor, nem por si nem pelos outros, se viver no constante receio de desagradar, de ser mal interpretado (a); ninguém consegue andar para a frente se for forçado (a) a olhar sempre para baixo; ninguém brilha se viver com medo que essa luz desperte inseguranças e traga complicações.

Devemos pôr-nos sempre em segundo lugar perante os outros, esperando que façam o mesmo em relação a nós; mas nunca em último

Quando a necessidade de agradar ou de não causar ondas é constante e excessiva, quando se pensa demasiadas vezes "estarei a fazer isto bem?", quando tem de se calcular cada movimento, algo está errado. Significa que é altura de perguntar "espelho, espelho meu, afinal onde estou eu?" antes que o próprio espelho deixe de saber a resposta.




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