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Saturday, October 11, 2014

No more Miss Nice Girl


Há dias analisou-se aqui que o excesso de delicadeza feminina conduz a muitas interpretações erradas e por conseguinte, a tentativas de abuso de confiança por parte de quem não conhece o seu lugar ou alimenta ilusões algo doentias.

 Gente assim, além de confiare no excesso de boa educação alheia para  lançar piropos indesejados, partilhar excesso de informação constrangedora, usar de linguagem menos moderada ou pior, tentar invadir o espaço físico alheio, também se apoia noutra coisa: na perspectiva moderna de que quem não tolera brejeirices é um puritano, um careta, um vidrinho, uma flor de estufa. É que agora convencionou-se que toda a gente tem de ser muito aberta, muito liberal, e o resultado é que se confunde tudo: gentileza com atrevimento, um sorriso com um convite, educação com ousadia. Já nem a modéstia no vestir salva, por vezes, as mulheres honestas (e muito provavelmente, os homens virtuosos) de serem alvo de confusão ou misturas.

  Chega-se mesmo a recear ser simpática com o porteiro, o empregado do café, o amigo-de-um-amigo ou um contacto profissional, não vá o diabo tecê-las.

O mais estranho é que, não contentes com terem sido ofensivos ou abusivos em primeiro lugar, estes palhacitos ainda se dão ao luxo de se zangar se alguém lhes dá a resposta torta que merecem, vulgo "agradeço que não tome tais confianças" ou " dispenso conversas dessas". 

O bom e velho volte-face "vejam lá, esta rapariga não aguenta um gracejo". Não aguenta nem tem nada de aguentar, e é isso que é preciso deixar bem claro.

  Recentemente, numa destas feirinhas de garagem que agora há por todo o lado e que juntam a vizinhança para uma alegre "reciclagem de tesouros", uma senhora minha amiga descompôs, alto e bom som, um palerma que se fez de engraçadinho. Quando outras pessoas se aproximaram, ela resumiu bem a problemática "lá porque me conhece de vista e o cumprimento num lugar que proporciona o convívio entre as pessoas, não quer dizer que tenha de aturar isto".

  Por vezes é triste, mas há quem não mereça boa educação. Esta semana mesmo, virei declaradamente as costas a um conhecido, deixando-o a falar sozinho antes mesmo de se aproximar do grupo onde eu conversava com outras senhoras, já com a graçola pronta.


Soube-me pela vida! Se há liberdade de expressão, que seja então para os dois lados: ninguém deve sentir-se culpado ou constrangido por cortar a conversa a quem não a sabe manter dentro dos limites.


 O mesmo vale para comentários nas redes sociais do estilo "mal a conheço, mas vou deixar um elogio pegajoso". Delete. Ou para colegas pouco profissionais. E assim por diante. Melindrou-se? Não tivesse melindrado em primeiro lugar. Regra de ouro: se provoca desconforto, arranque-se a erva daninha sem medos.

 E isto também funciona ao retardador, caso tenha sido apanhado (a) de surpresa e reagido como manda a cortesia quando não o devia ter feito: voltar atrás e cortar todo e qualquer contacto com a pessoa, ora acompanhando isso do devido raspanete ou do merecido desprezo, sem explicações. Nem sempre se tem reflexos rápidos, mas não há obrigação de fingir que se esqueceu o assunto.

 Quem não tem consciência, que a arranje...

  

When Love is not enough, ou a força de uma mulher.




Há dias reparei neste filme com Winona Ryder (que ainda poderão ver na Fox Life) sobre Lois W., co-fundadora dos Alcóolicos Anónimos. Não conhecia de todo a história, mas como gosto de biografias e a acção se desenrolava numa época interessante, dei uma espreitadela e fiquei cá a pensar. 

A protagonista, oriunda de uma família bem colocada de Nova Iorque, preferiu recusar uma vida de estabilidade e conforto ao lado de um dos seus pretendentes ricos para casar com o homem que amava.
 Ele adorava-a e era bom rapaz, mas por muitos anos não foi homem com quem se pudesse contar: alcoólico empedernido, sujeitou a esposa a uma existência de incerteza, deixando todos os fardos sobre os seus ombros. Por muitas vezes, ela podia - e se calhar devia- ter voltado as costas e procurado noutro lugar a felicidade que lhe era devida.
 Mas nunca desistiu dele, mesmo quando o amor já não era suficiente e o casamento se transformou num verdadeiro purgatório.

 Há mulheres notáveis que quando amam, descobrem em si mesmas nascentes inesgotáveis de heroísmo. Os seus votos são a sério: mesmo face ao inferno ou perante o lado mais negro da pessoa a quem entregaram a sua vida, não desanimam.
 E embora sejam mais raras actualmente (numa época em que "para o melhor e para o pior, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza" são coisas ditas de ânimo leve) não quer dizer que tenham desaparecido.
 Ainda há as que chamam a si mais deveres do que alegrias e futilidades; que contam com a força de que a Natureza as dotou para enfrentar os desafios, em vez de pensar que tudo serão rosas e recuar aos primeiros espinhos. Não nascem por aí nas árvores, mas existem -  na mesma proporção dos homens que se podem classificar como cavalheiros.

Friday, October 10, 2014

Run, baby run: 9 sinais de uma relação tóxica


Toxic, Britney Spears

Estar apaixonado é muito lindo. Ter uma grande amizade é igualmente lindo. Mas às vezes gostar não basta; ter sentimentos fortes por alguém não implica necessariamente uma relação saudável e o que se designa por amor ou a amizade pode assumir contornos bem mais sinistros. 
São as chamadas relações tóxicas, que podem ser de cariz amoroso, mas também surgir entre amigos e familiares. Bem diz o povo, "pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira". Quando algo que é suposto ser bom não provoca senão emoções desagradáveis, é preciso ter atenção aos sinais de alarme, ver o caso com objectividade e fazer um reality check para reclamar o seu poder de volta, recuperar o equilíbrio entre as duas partes, estabelecer fronteiras bem claras que não podem ser ultrapassadas ou, em casos extremos, afastar-se. Há imensos artigos sobre o assunto, por isso recolheram-se aqui alguns dos indícios de perigo mais óbvios:

1- Hostilidade: a pessoa em causa está constantemente zangada, ataca -a (o) por tudo e por nada e a tensão é de cortar à faca. A situação é de tal ordem que já se questiona se são realmente amigos/família/um casal ou se está a lidar com um inimigo ferrenho. Por vezes as cenas acontecem perante quem está e os amigos começam a estranhar o que se passa. Se um clima de insegurança se instalou e existe uma constante necessidade de "pisar ovos",cuidado.

2- Os momentos bons são cada vez mais raros: os afectos podem ser mais calmos ou mais intensos, mas uma relação saudável é suposto proporcionar calma, estabilidade e um clima de à vontade. Se existe uma permanente sensação de desconforto, se passeios, festas e ocasiões especiais (já para não falar no quotidiano) se tornam uma fonte de tensão (ora devido a discussões, ora ao esforço para as evitar) e sai de junto da pessoa a sentir-se esgotada (o) algo está *muito* errado.

3- Desprezo e críticas: ele (a) tem sempre razões de queixa a seu respeito. Por mais que se esforce por agradar, parece que não acerta uma. Isto pode acontecer sem razão ou após uma crise que foi mal ultrapassada, mas é sempre terrível porque o rabugento vai inventando cada vez mais pretextos para descarregar uma raiva ou ressentimento que ninguém entende. As coisas que antes adorava em si (ou que pelo menos, não causavam problemas) agora são alvo de reparos. Se a pessoa age com superioridade, faz tudo para a (o) diminuir, troça de si em público ou permite que outros o façam...ligue as sirenes.

4- Rigidez e egoísmo: se o outro faz ouvidos moucos aos seus avisos, se já se queixou dos comportamentos dele (a) e as coisas continuam exactamente na mesma, sem que nenhum esforço seja feito para as alterar...é porque as suas necessidades e sentimentos deixaram de contar na relação.

5- Insultos: passaram das alcunhas carinhosas aos nomes feios? Algo está podre no Reino da Dinamarca.

6- Gritos- Idem idem, aspas aspas. Um berro ocasional pode ser normal e saudável, mas quando a gritaria se torna o padrão, daí para a violência física poderá não faltar muito.

7- Suspeitas e paranóia: geralmente este é um sintoma associado ao ciúme patológico, embora possa ter outras causas. De qualquer modo, em essência a pessoa assume sempre o pior a seu respeito. Se lhe forem dizer que viram um assaltante de um banco vagamente parecido consigo, vai acreditar e jurar aos pés juntos que foi você. A sua palavra não conta para nada, isto quando se dá ao trabalho de perguntar antes de acusar. Hipervigilância, controlo exagerado sobre coisas que deviam ser da esfera individual (o telefone, onde está e não está, etc), agressividade com base em cenários inventados, acusações mirabolantes...o problema não é seu, é dele (a). Embora numa relação ambos devam esforçar-se por manter o outro contente e não fazer coisas que melindrem ou ofendam, para certas pessoas nunca há abertura que chegue nem provas de confiança e devoção que bastem.

8- Lealdade unilateral: se a pessoa espera de si todos os sacrifícios e fidelidade mas é incapaz de se ajustar às suas necessidades ou de sair em sua defesa quando é alvo de ataques injustos, acobardando-se para não ter aborrecimentos, estamos perante um compromisso muito pouco vantajoso. Pessoas assim podem ainda achar-se no direito de fazer o que quiserem, de cometer as maiores faltas de respeito (é um traço comum nos infiéis, por exemplo) mas pensar que a outra parte não tem direito a intervir ou retaliar. Se ele (a) comete uma asneira, você mereceu, mas se for ao contrário é um crime de lesa majestade. Com amigos destes,é mais prático (e mais honesto) ter inimigos.

9 -Drama: os problemas que surjam nunca ficam só entre vocês, mas o aparato é de tal ordem que envolve a sogra, a tia, os amigos que tomam partidos e com pouca sorte, a corporação de Bombeiros mais próxima. Um relacionamento (de amizade ou amoroso) com uma pessoa dramática e queixinhas, que faz tempestades num copo de água e envolve terceiros ao menor arrufo, é uma fonte de stress...e de embaraços. Uma relação precisa de privacidade, não só para funcionar sem interferências, mas também para evitar mexericos e comentários vergonhosos do estilo "estes dois parecem cão e gato" quando fazem as pazes - o que é habitual e por sua vez, um bocadinho doentio.

Mais do que um sinal destes é caso para ficar muito, muito de pé atrás. E arranjar uns bons ténis de corrida pelo sim, pelo não. Convém nunca esquecer a frase de Eleanor Roosevelt, "ninguém pode rebaixar-te sem o teu consentimento".

Exercício, para que te quero: questões de fitness que sempre quisemos saber mas temos medo de perguntar.

Gisele Bündchen

Quando se pratica prolongadamente, a fundo e com método uma actividade física adequada a nós - ou seja, à nossa morfologia e à obtenção da silhueta que consideramos "ideal", bem como às exigências particulares do nosso organismo e estilo de vida - ocorre uma coisa curiosa: percebe-se, enfim, porque é que certos músculos não ficavam com o aspecto desejado, ou porque não havia evolução nesta ou naquela parte do corpo por mais que se fizesse, e assim por diante.

 Pudera... o mais provável é que alguns musculozinhos ou parafusos do metabolismo (salvo seja) não estivessem a ser atingidos. 

Ou seja,  andava-se ali a puxar ferro, correr ou saltitar sem tocar no botão certo, a bater em ferro frio, a falar para a mão, a cansar-se para nada. Muito esforço para pouco resultado.

Geralmente esta "revelação" sucede ao fim de anos de tentativa e erro, porque descobrir o exercício que dá resultados visíveis e que não é um sacrifício horroroso cumprir pode equiparar-se a uma demanda espiritual.

 Ora, por muito que se diga "mexer-se faz bem à saúde, é divertido, pratico para não ter uma vida sedentária/conviver/descontrair, etc, etc" a verdade é que é desanimador não obter mudanças em tempo útil. 

 Esta não é a minha área de especialidade, mas a experiência (que é sempre individual, mas quem já passou pelo mesmo concordará)  ensina que a "ginástica" certa é a que dá resultados visíveis e provoca uma diferença que se sente no metabolismo, na flexibilidade, na postura corporal e no bem estar.

  A pensar nisto, pedi a uma talentosa personal trainer que me ajudasse a esclarecer algumas das dúvidas mais chatas (e persistentes!) no que ao fitness diz respeito. É que agora chega o Outono, e depois vêm as festas e quando se dá por isso já se estragou muito trabalhinho árduo em vez de evoluir alguma coisa.

Por isso, podem partilhar aqui aquelas perguntas que é embaraçoso fazer no ginásio ou ( para quem prefere o do-it-yourself) ainda não conseguiram que alguém esclarecesse.

Sabem, aquela zona do corpo que não conseguem tonificar, aqueles músculos mais teimosos, o metabolismo que parece ter abrandado sem explicação possível, como esculpir isto ou aquilo ou "enxugar" gordurinhas em tempo recorde para um evento ou para caber naquele vestido, etc, etc. 

Podem deixar as vossas dúvidas na caixa de comentários, via mensagem privada ou por mail para imperatrixsissi@hotmail.com.

Thursday, October 9, 2014

Viscondessa Astor dixit: o coração de uma mulher é um oceano de segredos.


Devem ter reparado que roubei o título a uma frase do Titanic, o filme, mas foi de propósito: afinal a autora da frase acima, Nancy Astor, era cunhada do infeliz John Jacob Astor, o magnata que morreu a bordo do "navio inafundável".

 Nancy vinha de uma família americana mais notável pela beleza das suas filhas do que pela constância da sorte aos negócios: a sua irmã Irene casou com o artista Charles Dana Gibson, servindo de modelo para as famosas "Gibson Girls".
 Ainda assim, com engenho e trabalho, o pai conseguiu colocar-se bem o suficiente para que Nancy, após um casamento falhado, procurasse um futuro brilhante na sociedade do Reino Unido, à semelhança de tantas herdeiras americanas do tempo.

E isso não tardou a acontecer: a beldade sulista encantou Londres com o seu espírito picante, temperado por uma modéstia encantadora - combinação que a tornava popular junto dos cavalheiros, mas também lhe granjeava a admiração das senhoras mais respeitáveis.


 Quando numa festa uma dama inglesa se virou para ela e lhe perguntou "veio roubar os nossos maridos?", Nancy fez sucesso ao responder "se soubesse a trabalheira que foi livrar-me do meu!". No entanto, casaria em breve com Waldorf Astor, americano naturalizado inglês, tornando-se Lady Astor. Os dois eram almas gémeas: tinham a mesma moral, os mesmos gostos e até partilhavam o aniversário: 19 de Maio de 1879.

 Além de se ter celebrizado pelas festas esplendorosas que dava e por um percurso político algo controverso, Lady Astor é lembrada por ser uma senhora espirituosa. Várias frases suas, que revelavam uma auto confiança à prova de bala, ficaram para a posteridade. Quando era confrontada com a sua ascensão social graças ao marido, dizia coisas como "casei abaixo do meu nível. Todas as mulheres o fazem" ou "o aborrecimento de ter sucesso é ser maçada por pessoas que antes desdenhavam de mim".

 E claro, falou lindamente ao afirmar que as mulheres podem tagarelar muito, mas dificilmente entornam os feijões ou despejam o saco como os homens fazem. Uma mulher só revela um segredo se não se importar com ele. As mulheres tendem a ser discretas principalmente quando são inteligentes, ainda que disfarcem essa capacidade por verbalizarem muito. Lá diz o ditado, "não contes tudo o que sabes"...e Lady Astor sabia aplicá-lo na perfeição.



Conselho precioso do tempo das outras Senhoras.



"Para que o vestuário seja realmente elegante não basta que esteja na moda e muito menos que seja «o último grito da moda». É, pelo contrário, necessário (...) que esteja de harmonia com determinadas circunstâncias (...) o bom gosto é muitas vezes inimigo do luxo, sobretudo do falso luxo. (...) é mais elegante vestir numa festa um vestido simples ou uma saia e blusa graciosa, do que trazer um pretensioso vestido (...) no dia a dia".

                     (Manual de Economia Doméstica dos anos 60)

Este livro escapou por milagre de ir pela janela fora cá em casa, porque houve quem fosse obrigada a fazer formação feminina e não gostasse nem um bocadinho de entrar em modo "finishing school" numa época em que o mundo estava a mudar (e não necessariamente para melhor).
 Ainda bem que o manual foi poupado às fúrias da verdadeira geração rebelde, porque é uma preciosidade. De ideias como esta a receitas muito boas, passando por um capítulo inteiro sobre tecidos (a falta que aprender isso faz a muitas "fexionistas"  que por aí andam não tem medida nem conto) tem um bocadinho de tudo. Claro que também inclui partes menos divertidas como a química de cada detergente (e diz que as donas de casa eram tontas, hein?) e truques para limpar tudo e mais alguma coisa, mas o saber não ocupa lugar.

 É pena que tais coisas tenham perdido o seu lugar nas escolas portuguesas (os americanos continuam a ter a disciplina, e não é só para raparigas) porque entre a geração que nunca aprendeu tal coisa e a que desaprendeu o que sabia de bom, temos um panorama muito pouco agradável.
 Ainda há dias comentei convosco que reparei na carteira Marc Jacobs que uma rapariga trazia. Não estranhei porque lá na minha freguesia há bastante quem possa usufruir de algumas coisas bonitas, mas pensei com os meus botões "carteira gira, é pena ter a marca à vista".  Mas no dia seguinte, no mesmo local, notei várias raparigas e senhoras com a mesma carteira, o mesmo modelo, em várias cores diferentes. Bom, isso já era muita coincidência...

 Claro que no Sábado seguinte fui à feira semanal comprar verduras e ficou tudo esclarecido...tratava-se da última imitação (muito bem feita, devo dizer) trazida directamente da Tailândia.
 A noção que as pessoas têm do conceito de luxo e do estatuto que julgam vir associado a ele, é tão distorcida que podíamos escrever teses sobre o assunto.

 É muito mais luxuoso usar uma boa peça de marroquinaria, ainda que não de uma marca famosa, do que ostentar uma cópia barata que mal engana à primeira vista.

E muitas mulheres ganhariam mais em vestir uma simples t-shirt e jeans pretos, com um bom sapato e uma maquilhagem simples mas bem feita, do que em multiplicar os arrebiques, os apliques, os tecidos brilhentos e os frufrus comprados nas boutiques da esquina, muitas vezes nada baratas mas de qualidade igual à da lojinha do chinês...

  É vontade de complicar, só pode.

Wednesday, October 8, 2014

Quando eles são mesquinhos.

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As mulheres têm defeitos terríveis e podem ser vingativas em certas circunstâncias. A mesquinhez não é, aliás, apanágio nem de uns nem de outros. Mas quando um homem decide ser mesquinho... é mesmo. Não lhe importa a educação que teve, nem se faz um tolo de si próprio ao peguilhar por coisinhas, nem se falta à sua própria palavra quando escolhe as retaliações mais ridículas ou os argumentos mais baixos. 

Quando as coisas ficam pretas, tudo lhes serve. 


Nesse aspecto as mulheres serão talvez mais moderadas: implicam com os grandes acontecimentos negativos, muitas são incapazes de esquecer uma ofensa, à boa moda de Catarina de Medici ("odiar e esperar") mas dificilmente se lembram de aspectos insignificantes, darão o dito por não dito ou farão tristes figuras só pelo prazer de humilhar, por arrasto, a cara metade. A nossa mente, mais multifacetada, funciona como um ábaco e só em caso extremo se deita a casa abaixo ou se perde a face.


 Lembrei-me disto ao ver o início de temporada de Mr. Selfridge: na season 1 pensamos que Lady Loxley é ingrata ao fazer tão pouco caso do marido, mas ao conhecer o cavalheiro conclui-se que se calhar, ela terá as suas razões. Percebe-se logo que ele não é boa rês, ao ver que a própria criada de quarto se arrepia assim que ele põe os pés em casa. É certo que não sabemos se também ele não terá motivos para ser mau para a mulher - se ela lhe causou ciumes injustamente ou se começou a ser má para o marido porque ele foi detestável desde o início. Mas Credo, que homem mais desagradável. 


Seja como for, não é assim que as coisas se fazem. Não se dá o nome a uma mulher para depois usar isso como arma de arremesso a torto e a direito (a boa e velha granada "ela não é ninguém sem mim!") não se discutem assuntos privados à frente de gente de fora - muito menos à frente de "caixeiros", que é o que Lord Loxey pensa de Mr. Selfridge - principalmente para logo a seguir mudar de ideias e arrastar a pobre coitada para pedir um favor ao mesmo caixeiro. E acima de tudo, não se chega a casa para assentar um bofetão na infeliz que até a mim me doeu, sem se saber de onde veio aquilo. 


Muita compostura tem ela, só vos digo isto - ex corista ou não. E embora os tempos sejam outros, não faltam por aí casais onde se vêem coisas destas, cobranças tristes e espectáculos à frente de quem está. Sempre ouvi dizer que se devem evitar as pessoas capazes de fazer figuras de urso em público ou de amesquinhar os amigos, empregados e por aí fora, mesmo que sejam todas doçuras e mesuras para nós.


 Às vezes as mulheres vêem isso acontecer e pensam "que amor, é mau para toda a gente menos para mim; deve adorar-me!". Erro crasso! Aplique-se sempre a vetusta máxima "quem vê as barbas do vizinho a arder, põe as suas de molho". E quem diz barbas, diz saias...

Princesas Disney, para não se dizer que eu não falo delas.


 Na internet e na blogosfera, é evidente o fascínio com as Princesas Disney e as análises mais ou menos profundas que provocam: de artigos que parecem teses vulgo A Condição Feminina à luz das Princesas Disney a tutoriais de maquilhagem, passando por paródias e vídeos musicais, há de tudo.

Não importa agora analisar os motivos, mas está claro que as mulheres feitas - mesmo as que questionam o papel e as escolhas das Princesas e se elas precisam ou não de um Príncipe que as acorde e de um final feliz para se sentirem completas e rebebebéu- não parecem dispostas a largar a sua infância.

Como a maioria, eu que era muito feminina menos quando derretia os rapazes com pancada, adorava os filmes da Disney. É claro que de  Pocahontas em diante (ou terá sido depois do Corcunda de Notre Dame?) começaram a modernizar as cantigas -e nas versões portuguesas, a estragar as dobragens - a tornar as princesas demasiado p´ra frentex e a introduzir o 3-D e...nunca mais foi bem a mesma coisa. (A Princesa e o Sapo foi um bom esforço para voltar ao antigamente e não desgostei de Brave nem de Tangled, mas a antecipação e a magia já não são iguais e acho que não é por eu ter crescido). 

Mulan foi a desgraça das desgraças, com aquelas cantiguinhas pop com textura de água de lavar pratos- tanta coisa gira que se podia ter feito com música chinesa, senhores!



 De qualquer modo, embora Alladin - que tinha um génio com poderes cósmicos e fenomenais, e aquela entrada em grande na cidade!! - e a Pequena Sereia (quem não aprendeu com a Úrsula a importância da Body Language?) fossem dois dos meus preferidos,  já devo ter dito algures por aqui que os meus eleitos eram e serão A Bela Adormecida e A Bela e o Monstro.

Nem tão xoninhas como a Branca de Neve e a Cinderela, nem tão serigaitas como a Elsa e outras modernaças da nova geração, que no meio é que está a virtude...

Gostava das duas Belas, a primeira porque é uma fábula gótica e porque enfim, a Aurora é a princesa mais classicamente bonita e mais misteriosa, a que melhor encarna o ideal do Conto de Fadas. E da segunda, por várias razões: o ambiente do castelo abandonado, a reclusão com o monstro, a estranha história de amor, o vestido de baile off the shoulder, o Príncipe que era lindíssimo e o Gaston, coitado, que era um pateta mas um pateta bem parecido. 

 Sempre me identifiquei com a Belle, rapariga que não se deslumbra com coisa nenhuma e que como eu, passava a vida de nariz nos livros. Com muita pena minha, tive a boneca da Aurora (ainda a guardo com muito carinho) mas deixei escapar a Belle e o Príncipe, e as edições que vieram mais tarde eram tão fraquinhas que não valiam a pena...

Tuesday, October 7, 2014

Pessoas mosca: uma praga!


As pessoas mosca são uma espécie muito complicada: não andam por aí a cair aos bocados e a lançar fluidos corrosivos para a cara dos outros, como no clássico de terror The Fly; também  não voam como as moscas comuns; mas em tudo o resto, o comportamento é muito semelhante.

 Aparecem sem ninguém lhes encomendar o sermão; qualquer coisa lhes serve de incentivo para zumbir à volta dos outros, principalmente se lhes cheirar - ainda que sem nenhum fundo de verdade - a esquema, mexerico, vulnerabilidade, vantagem ou arranjinho. Como moscas que são, tudo lhes presta: afinal, lá diz o estribilho...uma mosca sem valor/pousa com a mesma alegria/na cabeça de um doutor/como em qualquer porcaria

Pessoas mosca tanto maçam gente honesta que detesta mosquedo como pessoas que acolhem as suas investidas; para elas, qualquer pouso é bom, tudo vale o mesmo. Como não tencionam desistir, pela sua natureza de insecto, lá se convencem de que água mole em pedra dura...

Não importa se a pessoa que estão a incomodar não as convidou, não lhes dá confiança ou até se perde a cabeça e as ameaça, enojada,  com um mata moscas. Debalde: viram para ali, insistem, continuam a esvoaçar à volta como se a sua existência dependesse disso. E como boas moscas, nunca trazem nada de bom. Transportam consigo as intrigas, as más intenções, o vício...a pestilência, em suma. Porque não lhes basta levar uma vida moralmente questionável: ná. Têm de espalhar a peste, tentar pôr ovos em toda a parte, aborrecendo ou ofendendo quem anda na sua vidinha e atirando larvas para contaminar a virtude alheia. 

Pelo caminho fazem figuras tristes, porque não há pompa que disfarce a babujice. Mas lá continuam a planar e zumbir alegremente.

Pessoas mosca podem ter muita coisa (nomeadamente, falta de chá e uma persistência que as pode colocar bem na vida) mas não sabem o que é dignidade, logo são incapazes de a reconhecer em outrem. O remédio é fechar bem portas e janelas (reais e virtuais) e munir-se de uma quantidade industrial de Mafu. Dumdum também serve, eu acho.




A problemática do "Tomorrow is another day".


Gone with the Wind - tanto o livro, como o filme - é uma das minhas fixações de infância. Sempre achei Scarlett a heroína perfeita, embora esteja mais para anti heroína do que outra coisa.

 É mais corajosa e independente do que muitos cavalheiros, mas não abre mão da sua feminilidade (nem de usar argumentos tradicionalmente femininos!); teve uma educação perfeita, mas foge-lhe o pé para o irish temper que herdou do lado paterno. Tão depressa gere um negócio com pulso de ferro como se perde em fitas, veludos, jóias, festas e toilettes.
 Não sabe o que é o medo, mas tem um lado vulnerável. E faz tudo isso sendo lindíssima, tão delicada como uma flor. Numa época em que a sociedade parece obcecada com "dar poder às mulheres", Scarlett só não é mais popular porque o empowerment da personagem tem uma faceta que não cai bem de acordo com os padrões actuais: ela sabe ser tradicional quando é preciso.

Scarlett está longe de ser uma mulher idealizada: não é a donzela em apuros dos ideais de outros tempos, nem a super mulher de acordo com o ideal dos nossos dias: ela é muito mais complexa do que isso.  É uma personagem realista, que possui a Virtú  segundo Maquiavel: lida com o mundo como ele é, em vez de lutar inutilmente  contra o status quo

 Se a vida lhe dá limões, ela faz limonada e o resto é retórica...

 Ora, é impossível pensar nela sem recordar uma das suas linhas mais famosas:



Quando as coisas ficam realmente pretas (nomeadamente, quando Rhett decide deixá-la precisamente na altura em que ela se apercebe de que o amava) Scarlett sabe que pensar demasiado no assunto é a receita para perder o juízo. Por isso, adia o desespero para o dia seguinte. Dá a si própria tempo para se acalmar e espera que o amanhã lhe traga uma boa estratégia para resolver o problema, ou um milagre, ou qualquer mudança positiva.

 Amanhã tudo pode ser diferente; a nossa mente pode olhar noutra direcção, a roda  girar, os ventos  mudar, os nossos olhos tropeçarem numa solução que estava escondida debaixo do tapete ou simplesmente, suceder que a Fortuna caprichosa tenha guardado uma boa surpresa para nos apresentar no momento certo.

 Mas é fácil não acreditar nisto quando há padrões desagradáveis que se instalam e repetem, ou quando uma situação fica estagnada. Aí, pensar no dia de amanhã é mais um tormento do que um alívio: cai-se  no pânico do amanhã. Sabem, a sensação ingrata de abrir os olhos e pensar "lá vem mais um dia cheio de aborrecimentos! Quem me dera ficar na cama! Que sina a minha, por mais que faça fica tudo na mesma, etc, etc".

 Ora, isso é uma asneira porque se tudo correr normalmente (mal estaríamos!) o amanhã chega na mesma e temos de o aturar quer gostemos quer não. E com tantos acontecimentos aleatórios a dar-se constantemente por esse mundo fora, tanto movimento dos astros, tanto efeito borboleta, tantas infinitas possibilidades, alguma coisa há-de aparecer para salvar o dia. 

Se não for nesse amanhã que é o hoje, será no amanhã-amanhã, ou no depois de amanhã. É errado adiar tudo, menos o desalento: essa é a excepção à regra, e caso para aplicar sem sarcasmo o estribilho do nosso António Variações: é para amanhã/deixa lá não faças hoje/porque amanhã/tudo se há-de arranjar

Não te desesperes hoje, porque amanhã tudo se há-de arranjar.

Ou como dizia a avó, amanhã Deus dará.

Que remédio!








Monday, October 6, 2014

Lois P. Frankel dixit: meninas, cuidado com a delicadeza.





«As raparigas, mais do que os rapazes, são ensinadas a sorrir. Aliás, os pais são mais propensos a sorrir aos bebés do sexo feminino que aos do sexo masculino. Um homem que não sorri é levado a sério; em contrapartida, se uma mulher não sorrir, não faltará quem se interrogue "o que é que se passa?" Não surpreende, pois, que tenhamos tendência a sorrir por tudo e por nada, mesmo nas ocasiões menos apropriadas».

in Nice girls don´t get the corner office


E quem diz sorrir diz ser demasiado educada, demasiado gentil, não usar um vocabulário determinado, ser discreta, tentar não ferir os sentimentos alheios, matar-se a trabalhar, usar de rodeios, evitar o confronto e outros atributos tipicamente femininos. A Dra. Frankel, coach de algumas das maiores empresas do planeta, dedicou um livro a todos os erros que as mulheres cometem no mundo do trabalho -  e estes são apenas alguns deles. Não concordo com tudo o que ela diz (acho que há bastante poder em usar de algumas atitudes tradicionalmente femininas dentro e fora da esfera profissional, desde que com bom senso) mas estou 100% com ela quanto a isso de ser, mesmo sem intenção, demasiado delicada.

 É um daqueles aborrecimentos de viver num mundo de homens, um dos poucos "sexismos" reais que para aí andam e que não vão mudar porque gente atrevida é como a pobreza e as baratas, vai sempre existir, nada feito.

 Há seres de calças tão egocêntricos, tão carentes, tão cheios de si (ou porque se acham muito lindos, ou muito poderosos, ou coisa que o valha)  e com tanta falta de noção que tomam por receptividade o mais leve sorriso de cortesia (aqueles que supostamente se devem a quem está, por frete) a resposta mais formal e desinteressada ou um simples "bom dia, como está, obrigada, adeus".

E a muitos não importa se a mulher em causa está acompanhada, se é casada, se demonstra o mais absoluto desinteresse ou indica, pela linguagem verbal ou não verbal, que não quer proximidades. Falou-lhe educadamente? É quanto basta para se encher de ilusões e agir de acordo, mesmo que a seguir leve um balde de água gelada. Nem sempre é fácil dar imediatamente a pessoas abusadoras a resposta torta que merecem, porque tanto descaramento desarma e zás: salta a resposta cortês e automática que nos ensinaram de pequenas. Erro crasso.

Na dúvida - lesson learned- nunca responder logo; avaliar o que foi dito e retorquir só e SE quando bem nos parecer, pondo a pessoa no seu lugar. É que corrigir o equívoco pode ser uma complicação. 

 É como a estória do Capuchinho - a mais leve confiança que se concede ao lobo dá-lhe logo ideias. E depois é um aborrecimento porque por vezes, nem o silêncio, nem o confronto fazem tais pessoas perceber que ultrapassaram a fronteira do razoável. Depois do mal feito, só há dois remédios: ignorar ostensiva, gelada e rudemente as aproximações de tal alma ou se o caso for mesmo mau, confrontar e não ter medo de puxar da artilharia. O medo de ferir susceptibilidades deixa de se aplicar porque ninguém é obrigado (ou obrigada) a tolerar atenções não solicitadas ou inapropriadas.

Moral da história: por vezes, à mulher de César (ou à mulher que não tem César, mas que se dá ao respeito) não basta ser séria e parecer séria; é preciso fazer um upgrade à seriedade e ser extra fria, extra antipática, ou desagradável mesmo. 

 Não faltam por aí selvagens, e olhem que nem todos são trolhas em andaimes...



Cuidado com a perfeição.


Ontem, quando procurava algo engraçado para ver ao serão, encontrei o filme Coraline -que já tinha curiosidade de ver há uns anos, mas me tinha parecido demasiado sinistro *até* para o meu gosto. 
 Vi e gostei imenso, apesar de ser realmente assustador, até porque quando era pequena passava a vida a inventar "realidades paralelas" (sem o saber, era uma seguidora da "Teoria dos muitos mundos" ) e tinha imensos sonhos altamente estranhos muito parecidos com os da personagem. Algumas dessas "viagens nocturnas" ainda continuam a acontecer hoje, e é sempre uma sensação muito difícil de descrever quando revejo a dormir cenários onde nunca estive na vida real. Dramas de quem tem imaginação.

 Voltando à animação, creio que a maioria conhece a história: a menina Coraline muda-se para uma casa vitoriana no campo e durante a noite, é-lhe dada entrada num mundo paralelo. Uma realidade alternativa exactamente igual à sua, mas onde tudo é estranhamente bonito e isento de contrariedades: os pais são atenciosos, têm todo o tempo do mundo e dão-lhe tudo aquilo que ela quer, a casa e o jardim são uma perfeição cheia de surpresas exóticas, os vizinhos comportam-se como ela gostaria que fizessem. Mas tudo isso é a armadilha de uma bruxa horrível que devora criancinhas e lhes aprisiona as alminhas: se ela lá quiser ficar para sempre, terá de deixar que a bruxa má lhe cosa botões nas órbitas (Vade Retro!) e nunca mais pode voltar para casa. Claro que ela fica com medo e começa a achar que com defeitos ou não, a vida real é a vida real, e que there´s no place like home



 Fiquei cá a pensar na interessante metáfora, ou na moral da história: nós amamos as pessoas como elas são, e em boa verdade não queríamos que tudo fosse diferente.
 Cada um de nós, se fosse abordado pela bruxa, veria uma realidade alternativa lá a seu gosto: quem tem uma relação infeliz, encontraria uma versão de sonho da cara metade; quem enfrenta problemas profissionais, veria uma reforma dourada ou a carreira dos seus sonhos; e assim por diante. Mas tudo isso, se levado ao exagero, pode ser uma armadilha que prende as almas num lugar fora da realidade.

 A vida pode precisar de retoques, mas para agir sobre ela e para não cair um dia na pergunta-mais-triste-do-mundo, que é o "e se...?" ou "se ao menos..." é preciso olhá-la com olhos de ver e considerá-la como ela é; compreender as razões de as coisas serem como são e fazer as alterações possíveis ou, se não se consegue viver com as lacunas ou as limitações, passar a outro cenário. Sendo certo que por vezes, a relva não é mais verde do outro lado e que a perfeição, se existe, pode ter um preço demasiado alto... ou ser muito maçadora.




Sunday, October 5, 2014

Publicidade *honesta* de outros tempos (ou a guerra dos sexos de acordo com a dita cuja)


Talvez seja defeito de profissão, mas sempre gostei muito de coleccionar anúncios antigos. Não só pelas imagens - que são uma delícia - mas porque eram muito mais directos (e ingénuos): "o  produto X não tem comparação", etc, etc.
 Como é óbvio mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e a publicidade acompanha os valores e prioridades de cada época. Alguns reclames seriam inaceitáveis hoje por motivos justos - e porque são mesmo horrorosos -  outros que até tinham graça  seriam banidos actualmente porque, bem, nos nossos dias não se pode brincar com certas coisas, apesar de continuarem a fazer-se spots e vdeoclips bem mais objectificantes, pelo menos no que às mulheres diz respeito. Se calhar as pessoas até continuam a pensar exactamente na mesma, não se atrevem é a dizê-lo em voz alta para não soarem preconceituosas, sexistas, conservadoras ou caretas. Mas se formos 100% sinceros, nem que seja cá com os nossos botões, veremos que a guerra dos sexos não mudou assim tanto. E em boa verdade, no dia em que acabar, o mundo terá a mesma piada? Deixo ao vosso critério.

1- Ponham-se bonitas, or else...



A Palmolive não poupava as mulheres nem um bocadinho, e fazia-as ter vergonha de serem desleixadas. Afinal, a inteligência não se nota à primeira vista, isso é um facto por mais mimimi que haja. Acho isto mais sincero do que as campanhas "Beleza Real" que andam para aí. Se não se cuidar, minha querida, depois não se lamente. A vida não é justa, pois. Claro que no caso do anúncio número dois se podia argumentar que se um homem ganhasse barriguinha de cerveja, uma mulher estava no direito de lhe dar o cold shoulder...cada um com as suas obrigações.


2- As mulheres não sabem fazer isto e aquilo


                                         
Não vejo onde está a ofensa em admitir que um marmanjo tem mais força do que nós para abrir um frasco. Isso não faz dos homens uns génios e de nós umas inúteis nem implica que uma mulher que aprenda artes marciais não possa dar uma tareia monumental num atrevido (uma coisa é força, outras são jeito, agilidade e estratégia). Só faz uso de uma verdade biológica: regra geral eles têm mais força física. E podem ajudar a abrir os frascos se quiserem jantar. Big deal. De vez em quando as tampas tornam-se invioláveis não sei por obra de que santo e uma pessoa não vai dar cabo das mãos só para provar alguma coisa. Quanto à condução, é um bocadinho chato usarem uma rapariga para exemplificar, mas naquela época menos mulheres conduziam (a avó tentou tirar a carta e só desistiu porque sofria de umas vertigens terríveis) e embora haja para aí muita ás do volante,também existem muitas que não morrem de amores por isso (eu incluída). Then again, conheço vários cavalheiros que se recusam a conduzir. A aselhice não tem sexo, pode é suceder que as mulheres tenham coisas mais importantes em que pensar.

3- As mulheres são umas queridas e cozinham bem. Os rapazes são uns trapalhões de primeira.




É preciso ver o contexto: se na altura uma mulher não trabalhava fora de casa, era justo que tratasse das tarefas domésticas ou, caso tivesse em casa pessoal para cuidar disso, que dirigisse as operações. Também era o que faltava. Que hoje em dia soe sexista serem só senhoras a anunciar produtos de limpeza, aí já lhes dou uma certa razão porque ou bem que ambos têm carreiras ou bem que uma mulher escolhe estar em casa. Não se pode querer sol na eira e chuva no nabal. Mas, meninas super modernas e emancipadas com mães super modernas e emancipadas da geração de 70 que andaram a pregar a libertação feminina, quantas das vossas progenitoras não subscrevem as regras do antigamente? Encher a casa de comida e criar um ambiente acolhedor é coisa de mãe, pronto. Sejam honestas, a maioria foi ensinada a ter "paciência com os irmãos porque "os rapazes não sabem cuidar de si mesmos". A avó dizia sempre "uma mulher sozinha vive lindamente, um homem sozinho faz da casa um chiqueiro". Haverá excepções e rapazes super prendados, mas quem disser que é a regra não está a ser sincero. E francamente, cozinhar bem é ofensa? Na era do Masterchef e da Bimby, I think not.

4- E por falar em Bimby...


Eu que acho isso uma bimbalhice de todo o tamanho, não creio que a mentalidade das mulheres tenha mudado tanto como isso. Falam, falam, mas ou porque enfim, alguém há-de cozinhar lá em casa ou porque querem mostrar às amigas, continuam a achar graça a engenhocas domésticas. Ainda há dias um senhor me ajudou a descer a mala do comboio (haja cavalheirismo!) e comentou que tinha no saco dele a Bimby da mulher, que morria de desgosto se ele não lha levasse (o homem devia ser santo!).  Aliás, li recentemente que Portugal tem a maior taxa de vendas de Bimbies e Tupperwares, das de marca, da Europa. E o que é que isto faz das pessoas que chamam sexistas aos velhos anúncios? Faz delas pantomineiras. Pois.

5- Isto é um mundo de homens (e as mulheres dão o troco)






No tempo da outra senhora as mulheres deixavam à  metade oposta a bela ilusão de que eles dominavam o mundo e achavam maneira de dar a volta à situação com subtileza. E embora coubesse aos cavalheiros o papel de conquistadores, a "vingança" era muitas vezes aterrorizar os coitados que ficavam convencidos de que uma mulher faria isto ou aquilo para fisgar um bom marido. Hoje isso é muito mal visto e um homem tem de ser sensível e equalitário e fofinho, e depois elas queixam-se de que têm de vestir as calças porque o marido/namorado/noivo é um banana, devoram os 30 conselhos indecentes da Cosmopolitan para conquistar um homem  e vingam-se lendo as 50 Shades of Grey onde o protagonista é másculo, dominante e enche a heroína de tapona e bordoada.


Pantominice, much?











Bonitinho, mas ordinário. Qual ordinário, qual quê: perigoso.


Já aqui se discutiram várias vezes as pessoas feias "double face" ou seja, seres humanos que são feios de dar nas vistas por fora e feios de meter medo  por dentro, mauzinhos como as cobras. Isto não é uma regra; é das coisas mais relativas que pode haver mas como tenho conhecido alguns desses tenho certas dúvidas em subscrever a máxima "quem vê caras, não vê corações". A julgar por experiência própria acredito mesmo, até certo ponto, em algumas teorias obsoletas segundo as quais determinados traços faciais denunciam o carácter. Nas mulheres então é uma coisa por demais, talvez porque a falta de auto estima e de atenção por parte do sexo oposto pode descambar em desespero e falta de ética. Claro que pode ser também uma questão de ciclo vicioso: quem é feio por dentro passa a vida a retorcer-se de maldade e isso acaba por se reflectir por fora. A pele fica esverdeada de bílis, as feições endurecem, o olhar torna-se estúpido e vicioso e não há carisma que valha nem encanto que sobreviva.


Porém, há casos em que realmente quem vê caras não vê corações, ou até vê o coração mas a maldadezinha que se pressente passa por ar de mistério, por charme dark, ou qualquer uma dessas coisas perigosas que são atraentes nos protagonistas dos romances. Um exemplo extremo é o serial killer (que lá há-de estar a pagar as que fez no caldeirão de Pêro Botelho) Richard Ramirez, um verdadeiro Príncipe das Trevas. Literalmente: era um ávido seguidor da Church of Satan, por isso creio que passar a eternidade nos infernos não o incomode lá muito. 

Richard é assim um estereótipo de aviso para uma pessoa não se fiar na boniteza, e muito menos em morenos misteriosos de ar perdido. Afinal, Lúcifer era o Anjo mais bonito de todos, não era? Tão bonito e tão perfeito que entendeu que mais lhe valia reinar no Inferno que servir no Céu. O resto vocês sabem.


 O Ricardinho teve uma infância complicada, com exemplos totalmente disfuncionais na família, o que lhe afectou o juízo. Depois - em vez de tentar a sorte como modelo ou actor -  começou a fazer asneiras, a faltar às aulas e a vagabundear (o costume, portanto) juntando à combinação explosiva todas as substâncias intoxicantes que apanhava a jeito. 


 Durante cerca de dois anos (foi apanhado por uma multidão furiosa em 1985) o "Perseguidor Nocturno", como ficou conhecido, espalhou o terror na Califórnia, matando pelo menos 13 pessoas e torturando mais de 25. Ainda hoje o serial killer fascina os criminologistas, por não ter um modus operandi nem vitimologia especifica: tudo lhe servia desde que estivesse à mão, numa casa vulnerável durante a noite. Igualmente perturbadora era a sua atitude de desprezo, de zombaria mesmo, perante o tribunal. A pena de morte não o assustava nem um bocadinho: ao ser condenado, disse com um sorrizinho malvado "vemo-nos na Disneylândia". 


 Claro que (por mecanismos de maluqueira feminina que os cientistas nunca explicarão) ganhou uma legião de fãs, acabando por casar com uma delas na cadeia. O ar de rock star e o palminho de cara desculpavam tudo e faziam o mulherio acreditar (ou fingir que acreditava) que um homem tão lindo não poderia ter cometido crimes tão horrorosos. Pobre inocentinho, não se estava mesmo a ver?

 Nada de estranho, pois ainda há dias, numa época em que há muito mais informação, aconteceu a mesma coisa com o mugshot de um criminoso bonitinho que se tornou viral. 

 As mulheres são muito patetas quando querem. 

 Por isso, lá está: só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências, mas é preciso não ter juízo nenhum para orientar todo o julgamento pelo exterior. No meio é que está a virtude. Felizmente Richard Ramirez não nascem por aí nas árvores, mas não faltam bad boys que fazem muitos estragos e a quem se desculpa o indesculpável...



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