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Friday, October 17, 2014

Pequena facadinha...grandes patins.



"Aquele que é fiel nas pequenas coisas
 também será fiel nas grandes"

Lucas 16:10


Uma amiga chamou-me a atenção para este interessante texto - "10 maneiras de ser infiel ao parceiro sem saber como" - da autoria de um casal que se dedica a workshops e terapia das relações.

 Na opinião dos autores, o velho adágio a ocasião faz o ladrão é o pai de todos os "pular de cerca"

  Não sei se estou totalmente de acordo com essa ideia (quem é fiel não quebra os seus votos por muito grande que a tentação seja e por muita ocasião que haja) mas subscrevo inteiramente alguns tópicos e a ideia de que "a infidelidade entra de mansinho pela porta dos fundos, geralmente mascarada de comportamentos inofensivos". 

 Se tivéssemos um euro por cada relação fantástica que é destruída por coisinhas "inocentes" e "inofensivas" não faltariam por aí milionários.

 É certo que nenhuma relação sobrevive sem confiança e que nos dias de hoje em que as pessoas têm carreiras e precisam, por exemplo, de ir a almoços de trabalho e coisas assim, mal estaríamos se a receita para a fidelidade fosse não arredar pé de junto do (a) conjuge.  

Um relacionamento não precisa de ser sufocante; se para garantir a lealdade for necessário instalar um chip de modo a saber constantemente onde o outro está e com quem, algo não bate certo.

 Mas a minha avozinha sempre me avisou para desconfiar de cavalheiros com muitas amizades femininas, estilo Manuel dos Plásticos, e creio que os mesmo vale para as mulheres...
 Comportamentos como flirtar "inocentemente", aceitar certas brincadeiras, passar muito tempo com outra pessoa (pessoal ou virtualmente) ou o pior dos piores, fazer confidências a um ombro potencialmente interesseiro, dizem muito da  faltinha de integridade de quem cai neles: "quando revela a alguém do sexo oposto os seus problemas, está a colocar-se numa posição de fragilidade. Pode parecer inofensivo. Afinal, você só precisa de um ombro para chorar. Se tem um problema, discuta-o com o seu parceiro, um parente de confiança, sacerdote ou terapeuta. Não com alguém que possa considerar isso um convite para a intimidade", avisa o artigo. E com carradas de razão.

É que se calha a pessoas assim terem a seu lado um marido/esposa/namorado (a) com pouca sorte para ter escolhido tão mal, mas que tenha dois dedos de testa e um bocadinho de dignidade, a brincadeira corre pessimamente. E depois choram com razão no ombro de quem quiserem, pois aplica-se-lhes a receita que vinha nos Maias: manda-se o traidor ou a traidora para o ombro onde andou, com um bilhetinho a dizer "guarde-o" (a). O que é muitíssimo bem feito.

  

Thursday, October 16, 2014

Nunca compreenderei as party girls.


Uma conhecida minha, prestes a casar e ter filhos, confidenciou noutro dia sentir falta das emoções, da liberdade, de sair à noite, das alegres incertezas... em suma, dos tempos de liceu e faculdade.
 Fiquei cá a pensar nisso, por um lado com certa pena dela por não a ver mais entusiasmada com esta nova aventura, por outro a considerar que - embora "assentar" não signifique deixar de ter vida social -  há um tempo para tudo na vida e que quem não se adapta está a correr atrás não sabe de que ilusão. 

  Há pessoas assim, que embora estejam bem continuam a olhar para o lado na ânsia de não sei quê que às tantas é melhor.
  Uma coisa é não deixar de sonhar, outra é a maturidade que as circunstâncias exigem e que se não se ganha, é uma constante fonte de frustração.

Eu que nunca fui uma party girl - cumpria as minhas obrigações profissionais e sociais, que começaram cedo e me faziam estar em alguns eventos, o que por sua vez fez com que nunca sentisse a ânsia de "mundo" e "liberdade" normal nessas idades - nunca percebi as raparigas que o eram. Acompanhava as minhas amigas a alguns sítios da moda e como toda a gente tenho um punhado de boas memórias, mas...as boas memórias são das raras noites que foram realmente divertidas. 

Sejamos muito honestos - isso de sair à noite é, 50% das vezes, fazer um esforço tremendo para se divertir e outras tantas, uma pessoa fingir que se diverte. Basta fazer um resumo daquilo que é "ir para a night", pelo menos aqui para as minhas bandas:

- Faz-se tempo num café ou bar qualquer até às duas da manhã, que é quando as pistas abrem, à moda de Ibiza (que tem tudo a ver com o friozinho que às vezes faz por cá e com o facto de não se estar exactamente de férias). Bebem-se cafés para ter andamento e não cabecear de sono. Quando chega a hora de ir para a dita bailação, os pés já estão massacrados de andar de um lado para o outro na calçada portuguesa com os saltos de sair.

- Chega-se ao clube ou discoteca e corre-se para o primeiro sofá disponível. Poupam-se os pés para as músicas preferidas, porque as outras não valem o sacrifício.

- Ainda bem que se conversou tudo o que se tinha a conversar nas duas horas extenuantes no bar anterior, porque a música está tão alta que ninguém percebe patavina.

- Não sei ao certo como as coisas estão agora - entretanto abriram imensos sítios com música dos anos 80 e coisas dessas, cantigas com princípio, meio e fim, que permitem dizer "não quero dançar esta, danço na próxima" - mas há uns anitos a música house era de rigueur em praticamente toda a partequem não apreciava ou fingia apreciar era parolo. O pior é que por cada hit engraçado, eram três músicas chatas de doer- por isso era ver todo o mundo, 80% do tempo,a abanar-se sem vontade nenhuma. E isto horas. Loucura!

- Vai-se beber qualquer coisa  porque ninguém aguenta tanta maçada completamente sóbrio. Esperam-se tempos esquecidos no bar. Ai os pés!

- As raparigas desafiam-se umas às outras para ir à casinha retocar a maquilhagem e descansar os ouvidos. Depois é a bela coreografia de evitar as poças de água no chão, do "empresta-me um dodot", e do "segura-me a carteira, segura-me a porta"(nunca percebi como é que as melhores discotecas se esqueciam tantas vezes de chamar o canalizador, o serralheiro para manter os trincos e os cabides e a senhora da limpeza para colocar o papel no seu lugar).

- Ao fim de umas longas horas disto tudo volta-se para casa em modo moído, com o sol a raiar (não é difícil, se as pistas nunca abrem a horas de gente) com o orvalho a empastar tudo misturado com um pivete a fumo na roupa e "ena, viva a liberdade".


 Sinceramente, não sei se é coisa para deixar assim tantas saudades...talvez isso de ser party girl seja genético. Ou a explicação para a minha indiferença é que algumas pessoas façam coisas realmente transcendentais que me escapam quando saem à noite, para sentirem tanto a falta.





Wednesday, October 15, 2014

Não se trata de amor à primeira vista.




Trata-se de uma certeza - eles sabem no peito quando uma mulher é aquela mulher; ficam medusados naquele estado a que Mario Puzo chamou o raio. Isto pode sim acontecer no primeiro instante, a partir do qual essa mulher se torna simultaneamente sagrada e presa, santa e Vénus. Um homem ama tão raramente que quando distingue o simples impulso físico de algo maior numa questão de segundos sabe-se condenado, de uma maneira boa.

 Numa mulher o mesmo sentimento pode tomar uma forma diferente - de invasão, de narcótico, de transporte. Talvez não saiba que amará aquele homem, mas sente-se fraca perto dele; talvez não identifique tão claramente o que sente - porque tende a achar que está apaixonada sem estar com mais facilidade, ao contrário deles - mas há uma vozinha lá dentro que lhe diz que entregaria a sua vida, o seu destino e a sua liberdade nas mãos dele sem apelo nem agravo.

 É como a pressão de um íman que atrai um alfinete. O ar torna-se mais denso, a visão enevoa-se e aquela certeza estranha é a única coisa que se vê, pensa e ouve. Dura uns segundos e parece extraordinária mas firme no dia seguinte. Não se altera com o tempo, nem com os solavancos que a vida vai dando aos dois à medida que os meses se somam aos anos, nem com as incertezas ou com as feridas de ciúme que vão causando um no outro. O que noutras relações é desgaste, em amores destes não arranha a superfície: quando muito, dá-lhe o polimento que só é possível nos metais preciosos.

 Um homem pode ter conhecido várias mulheres, uma mulher ter tido outras afeições, mas o momento em que isto acontece é único e incontornável.Tem um peso de chumbo nas recordações de cada um, porque poucas coisas na vida são tão claras e tão intensas. Quando surge algo assim, a luz é tão forte que cega; o destino pode dar voltas inacreditáveis, tomar proporções de novela, mas acaba por fazer sentido mais cedo ou mais tarde. Não há mistério na natureza que não acabe por ser desvendado, e isso é só mais um.


Normalização ou "desglamourização"?


Lembro-me que, quando eu era pequena, houve um modismo parvo (como tantos que há agora) pela normalização da fruta.

 "Exija fruta normalizada!" era a palavra de ordem: por acaso o termo normalizada não traduzia nada de exactamente normal ou comum - ou seja, tudo o que não fosse maçãs simétricas sem amolgadelas, ananazes perfeitamente encaixáveis uns nos outros como peças de Lego, laranjas totalmente redondinhas todas iguais e assim por diante, não prestava. Tratava-se, se a memória não me falha, de uma patacoada qualquer para nos impingir modernices da "Europa" , daquelas que só prejudicavam a nossa agricultura, e de pôr toda a gente a comer a temida fruta "espanhola" que não sabia a coisa nenhuma.

 Claro que, como acontece quase sempre nestes casos, dali a tempos andava tudo a fugir à fruta normalizada, ou clonada, porque fruta que era fruta tinha imperfeições, tamanhos diferentes, beliscadelas de passarinhos e além de saber a alguma coisa não fazia mal à saúde nem estava cheia de aditivos.

 Ora, com as pessoas passa-se mais ou menos a mesma coisa, mas no sentido inverso: a era do photoshop, da cirurgia plástica e da internet trouxe a público não só os recursos habitualmente reservados a uma pequena amostra dos mortais (modelos e celebridades) e pôs toda a gente por um lado, a procurar essa mesma perfeição algo irrealista mas por outro, consciente de que essa perfeição não é verdadeira. 

Daí a que a sociedade se insurgisse de forma extremista contra os "padrões impossíveis" e frisasse histericamente a suposta "beleza real", foi um pulo.

 As mulheres - e os média -  passaram rapidamente de sonhar com a perfeição a rosnar, todas contentes "ninguém é assim tão lindo- aquilo é photoshop. Vamos todas andar à vontade e convencer o público de que o feio é o novo bonito". Wishful thinking, no mínimo. E uma tolice.

 Actualmente chegou-se a um tal extremo que já há movimentos anti depilação, por exemplo; mas a essas mulheres, não basta desleixarem-se sozinhas: querem obrigar a sociedade a achar isso lindo, só porque é natural.


O caso que se passou ontem, com os jornais a publicarem a pior imagem da actriz Jessica Athayde no firme propósito de gerar discussão (e de pôr o mulherio à batatada) é só um exemplo. Outro foi o roubo de ficheiros privados de celebridades. Noutros tempos, teriam escolhido o ângulo mais favorecedor da actriz portuguesa e deitado ao lixo as imagens indecentes de Kate Upton e outras, porque a ideia era glamourizar: mas na época da normalização, importa mostrar o lado mais vulnerável e menos bonito das pessoas bonitas, para que ninguém se sinta inferior.

  Esta semana várias ilustrações que mostram as mulheres a rebelarem-se contra a depilação, a dieta e o styling correcto para favorecer o seu tipo de corpo voltaram às redes sociais: chamam-lhes "empowering", porque tentam convencer a desejada maioria de que "a sociedade não deve impor às mulheres o que é feio ou bonito". Ora, impor essas ideias  é tão extremo e tão nocivo como fixar um ideal inatingível de perfeiçãoSeria outra ditadura, e bem pior que a da "beleza perfeita"...

Primeiro, porque incentiva ao desleixo com a aparência, roubando às mulheres a feminilidade e instituindo uma cultura de pouco ou nenhum esforço; depois, porque é irrealista. Não é a sociedade que impõem isto ou aquilo: todos temos noção daquilo que é agradável aos olhos, harmonioso e equilibrado. A própria natureza o faz. Se uma mulher não se importa com os padrões vigentes de beleza e quer usar o que lhe fica pior, não se pentear nem depilar e assim por diante, é uma liberdade que lhe assiste; o que não pode é esperar que toda a gente aplauda ou considere isso lindo. Não quer esforçar-se para ter boa aparência? Então não se queixe, lide com as consequências. As mesmas ilustrações "poderosas" foram rapidamente alvo de sátiras bem menos hipócritas (abaixo):


 Qual é o mal de se colocarem padrões, mas com bom senso? Ninguém tem de ser perfeito, mas também não tem de se pôr no seu pior de propósito. Cada um tem a obrigação de cuidar da beleza que Deus lhe deu o melhor que pode, porque já há coisas feias que cheguem neste pobre planeta.

A celulite, as gordurinhas, o acne e outras imperfeições não são o fim do mundo, já sabemos que graças à poluição e outros males atacam uma vez por outra quase toda  a gente e que se podem tratar como qualquer outro problema de saúde (que é o que são)  mas não temos de gritar por aí que isso é bonito. Se isso convém a uma minoria preguiçosa e invejosa, tanto pior.

Normalizada nem a fruta, quanto mais as pessoas.








Tuesday, October 14, 2014

"Mulherices" sem jeito nenhum do dia. E são três, preparai-vos.



Senhor, dai-me serenidade para suportar as coisas que não posso mudar - entre elas, as idiotices que as filhas de Eva vão fazendo por este Mundo fora e que nos deixam ficar mal a todas.

1- Ontem vi nas redes sociais a imagem acima (à esquerda) e comentei para a família "coitada da Jessica Athayde, que ângulo péssimo que lhe apanharam" - sendo que ela está lindamente e que maus ângulos e má luz acontecem às maiores beldades, especialmente se forem fotografadas em movimento. Quem nunca teve um retrato em que está tão mal que nem se reconhece que atire a primeira pedra e... como eu costumo dizer, "antes ficar mal num do que ser como certas pessoas, coitadas, que não ficam bem em nenhum". 

Nada a dizer e se alguém merece censura é o editor mauzinho que entre imensos instantâneos que sem dúvida tiraram da actriz foi escolher o pior de todos, já a adivinhar falatório e logo, buzz nas redes sociais.

 Claro que um dos cavalheiros cá de casa atirou de imediato que a Jessica estava deliciosamente bem feita, como diria o Eça - prova provada de que homem que é homem não se rala com mariquices-  e não fiz mais caso do assunto até perceber o sururu que ia nos feicebuques da vida à conta disso. 
Mas o mulherio, ou certo mulherio - aquilo a que o tio Eça, ai que falta que ele faz a este paíschamaria sem dó femeaço,  - tratou logo de fazer desta trica um caso de "fat shaming" (com as ressabiadas a chamá-la gorda e coisas piores) e de "skinny shaming" (com as que gostariam de enfardar à vontade mas não podem a defender Jessica insultando por sua vez as modelos magrinhas de "cabras cocaínadas" e coisas assim). Moral da história: invejinha, teu nome é mulher. Vergonha alheia, imensa.

2 - As feministas francesas estão histéricas com uma estátua gigante evocativa da imagem icónica (e terrivelmente romântica) do beijo no VJ - Day em Times Square: sabem, aquela em que um marinheiro beija entusiasticamente a primeira rapariga gira que apanhou a jeito para comemorar estar vivo depois de uma guerra horrível. Coisas que se fazem após momentos tão maus, mas tão maus, que até parecia mal negar um beijinho a quem tinha andado a arriscar a pele pela pátria.
A escultura foi emprestada por um ano ao Museu Memorial da Normandia para comemorar os 70 anos do fim da II Grande Guerra, mas isso não interessa nada: as embirrentas, que carecem de sentido de humor e de um mínimo de capacidade para sonhar, dizem que
 hão-de tirá-la dali para fora porque "não se assinala a paz com uma imagem de assédio sexual". A enfermeira beijocada em causa, Greta Friedman, nunca se queixou do atrevimento do moço, George Mendonza (abaixo) mas pronto, elas sabem tudo e ai de quem as contrarie.

 Se calhar nunca ninguém as quis beijar assim tão apaixonadamente, daí a birra, e de certeza que não sabem nem sonham o que é uma guerra ou o esforço de guerra que as mulheres americanas e europeias fizeram (muitas delas, a sobreviver a assédio sexual a sério e coisas bem piores). Um beijo é crime, o twerk da Nicki Minaj é libertador. Go figure.


3- Por sua vez, dizem as feministas brasileiras que não convém ao seu país ter uma Primeira Dama "linda, loura, rica e de cabelos lisos"...e explicam esse grave problema com os argumentos escritos abaixo. Letícia Weber tem 35 anos, dois bebés gémeos e é formada em moda, crimes gravíssimos para as Madame Min da vida que só gostam do que é feio.





ÚNICA CONCLUSÃO LÓGICA:


Alguém arranje que fazer a estas desmioladas, por favor.


9 Pequenos truques para se vestir depressa pela manhã.




Estar pronta rápido sem correrias é uma arte e um desafio para todo o ano. Mas nesta época de transição em que ainda não sabemos exactamente o que vestir e há toda uma readaptação à rotina, ao fresquinho que se começa a fazer sentir e - para quem tem crianças - a fazer marchar um pequeno exército em tempo recorde, mais complicado se torna. Eis um punhado de dicas anti stress para estar fantástica com um mínimo de nervoso miudinho. 


1- Adoptar um visual model off duty;

2- Arranjar um charriot para o seu quarto ou closet e ao fim de semana, compor meia dúzia de outfits com peças que combinem entre si e alguns acessórios mais coloridos, ou uma peça mais especial (por exemplo, aquela saia lápis estampada que ainda não vestiu). Deixe-os pendurados e prontos, cada um no seu cabide.  Para fazer isto, dê uma olhadela às previsões meteorológicas para a semana e à sua agenda, de modo a incluir algumas opções para a chuva ou uma toilette para aquela reunião importante. Escolha também uma ou duas carteiras adequadas, caso pretenda mudar rapidamente pela manhã.

3- Um blazer escuro, de boa qualidade, dá um ar mais composto a qualquer visual simples criado à pressa.

4- O trench coat bege abaixo do joelho é sempre o agasalho mais versátil e garante um aspecto polido nas situações menos favorecedoras.

5- Ao chegar a casa, pendure imediatamente os casacos para os manter direitos e livres de manchas e se possível, passe-lhes uma escova de veludo. O mesmo vale para as calças que não vão imediatamente para limpar. Assim não arrisca situações desagradáveis da próxima vez que vestir de olhos fechados o seu agasalho ou par de calças salva vidas (sabe, aquele que vai procurar sempre que não sabe o que há-de pôr).

6- Quando na dúvida, o preto em tecidos fiáveis é sempre chic. Acompanhe com um pouco de cor perto do rosto, em maquilhagem ou acessórios.

7- Se ainda não descobriu as calças clássicas e os jeans da sua vida, trate disso e tenha-os sempre prontos a usar: os modelos mais práticos são os afunilados na perna, porque se prestam à maioria dos calçados, das sandálias às botas, altos ou rasos. É complicadíssimo andar às voltas no armário porque as bainhas foram feitas para saltos mais altos e arrastam pelo chão, ou porque se enrolam sob o calcanhar com sapatos abertos... por isso deixe os flare jeans e as calças boot cut para dias mais calmos.

8 - As camisas de algodão espesso (especialmente as oxford ou brancas) e os tops básicos de manga comprida devem estar sempre à mão. Em dias de pressa, é preciso uma mente sobre humana para calcular o efeito que uma blusa com folhinhos ou uma camisa com aplicações terá no resto da toilette, no conforto ao longo do dia e na sua disposição. Se quer um pouco de cor, aposte numa écharpe que poderá por e tirar.

9- Muitas celebridades e stylists juram por esta técnica: se não escolheu a roupa no dia anterior, ao acordar e enquanto toma o pequeno almoço pense no visual como um todo, na silhueta que lhe apetece usar e na "personagem" que pretende transmitir ao mundo nesse dia. É mais fácil imaginar o rascunho de um look total do que matar os neurónios a tentar coordenar peças isoladamente.





Monday, October 13, 2014

Lambe-botismo do dia: isso da CMTV



Quem acompanha o que vou fazendo por aqui sabe que uma das coisas que mais me tiram do sério são servilismo, bajulação e lambe-botismo, vulgo graxa, portanto não vale a pena alongar-me sobre a matéria. Napoleão disse que quem é capaz de adular é igualmente capaz de caluniar (e vice-versa, às vezes, sem grande intervalo entre uma coisa e outra) e Tácito afirmou que os aduladores são a pior espécie de inimigos.

Ora, na imprensa, tanto local como a um nível mais abrangente, vê-se muito isto: há quase sempre jornalistas pouco sérios obcecados em retalhar uma determinada figura, com uma paixão ou ódio quase pessoal...mas igualmente prontos a babujar, especialmente se essa figura se disponibilizar a manter boas relações com eles. Dignidade, anyone?

  Também nunca escondi que não percebo nadinha de futebol e que embora admire a determinação cega e a capacidade de trabalho de Cristiano Ronaldo (afinal, a preparação mental de um atleta, tal como a estratégia militar, aplica-se a tudo na vida) tenho pouca simpatia por outros aspectos que o caracterizam, por isso mal acompanho o que faz ou deixa de fazer.

 No entanto é inevitável,a quem segue feeds de notícias, ir vendo uma manchete por outra, logo apercebi-me do episódio da conferência de imprensa em que, lá à sua maneira e com o seu discurso do costume, mandou passear a CM TV por não gostar das constantes notícias disparatadas a seu respeito.

 Quanto ao que dizem sobre o seu desempenho isso me da igual porque quando se trata de futebol é tudo nuvens e nevoeiro para mim, mas chega a enjoar a forma como o dito órgão de comunicação social avisa o país, não vá alguém estar distraído, de que "Ronaldo foi à casa de banho", "Ronaldo acordou com o pé esquerdo", "Ronaldo gosta de panquecas" e assim por diante, num fascínio bacoco que pior se torna quando a seguir não se importa de melindrar gratuitamente quem tanto idolatra.

 E se há quem esteja disposto a sofrer isso porque não gosta de se zangar com ninguém ou aprecia o protagonismo, também há quem não esteja disposto a levar ofensas para casa e - pasmem, olhem eu a dizer isto- o Cristianinho esteve bem. Deu uma lição de hombridade a muitos cavalheiros bem nascidos que por aí andam, que não se arrepiam de dar palmadinhas nas costas a quem os calunia para prevenir calúnias maiores - por medinho do confronto, em suma. Não gosto de ti? Não falo contigo. Muito mais bonito do que sorrir à pessoa, pactuar com a pessoa, e chamar-lhe nomes pelas costas.

 Sempre achei que um homem digno desse nome não receia queimar pontes, escolher lados nem pôr no sítio quem o ofende. A ideia Lincolniana de transformar inimigos em amigos nem sempre resulta, e pode confundir-se rapidamente com cobardia ou falta de espinha dorsal. É claro que os caluniadores ficam todos contentes, a pensar "este é um medricas, um xoninhas, tenho-o na mão" . Prefiro mil vezes a atitude de quem se está nas tintas e não se rala minimamente de amachucar quem arrasta o seu nome pela lama. 

E pronto, às vezes temos surpresas destas...





Tendência: botas de franjas. Sim ou não...e como?


Nas colecções de Outono-Inverno 2014-15, várias Casas de Moda apresentaram algumas peças com franjas em cabedal e sobretudo, camurça - Gucci e Saint Laurent usaram-nas em carteiras, Cavalli (acima) empregou-as em algumas das suas cuissardes (muitíssimo extravagantes, mas tão perfeitas que quase esquecemos o efeito que teriam na rua) e Brian Atwood criou versões coloridas.

 Este ano será ideal para ceder à tentação deste revivalismo dos anos 70 e investir numa (e de preferência, só mesmo numa) peça franjada, pois as franjas continuarão presentes na Primavera: Etro, Tommy Hilfiger e Prada incluíram-nas nas suas propostas. Claro que por esta altura não sabemos qual vai ser a adesão que vão ter, por isso todo o cuidado é pouco. 

 As franjas estão para as aplicações como o leopardo está para as estampas - uma fantasia clássica que convém ter numa peça ou duas para consumir com moderação, guardar quando sai da berra e  reciclar quando regressa, porque volta sempre mais ou menos nos mesmos formatos. É necessário sensatez porque dão muito nas vistas se não estiverem na moda, mas tornam-se enjoativas se demasiado muito em voga.

   Pessoalmente, prefiro-as numa carteira ou casaco de pele leve: as botas são, apesar de tudo, um compromisso maior, e até aqui ainda não encontrei nenhumas que compensassem o investimento. Este ano, porém, há duas opções que considero o modelo mais racional para quem quer mesmo usar umas: as primeiras são as “Go-Lightly”  de Jeffrey Campbell (preço aproximado de €400). Diz quem experimentou que apesar do salto vertiginoso, são tão bem executadas que nem se dá por ele.

Depois, há as da Lanidor (que rondam os €200, se não estou em erro). A Lanidor (que também disponibiliza uma versão botim, para quem não quer arriscar tanto) tem aliás um lindíssimo catálogo, que demonstra exactamente como usar botas de franja sem erro: visual boho/hippie-chic e algum volume na parte de cima do corpo.


Se me perguntassem, recomendaria a versão da Lanidor: não só pelo preço (é um pouco ingrato pagar tanto por umas botas de uso ocasional) mas pelo salto mais prático e menos espampanante, que lhes dá um ar mais democrático. O cano também é ligeiramente largo, o que visualmente adelgaça as pernas e pessoalmente, considero esta uma das mais fiáveis marcas nacionais no que diz respeito ao calçado.

  Já as de Jeffrey Campbell têm a vantagem de ser acima do joelho, que apesar de ser algo que não fica bem a toda a gente tem a vantagem de alongar e matar duas tendências de uma cajadada: franjas e cuissardes.

De qualquer modo, as botas de franjas são recomendáveis...

- ...para quem já tem pares suficientes de botas mais práticas, discretas e à prova de chuva, logo pode dar-se ao luxo de investir numa coisa diferente;
 
-...para mulheres de pernas esguias,embora não demasiado magras (em pernas muito finas o contraste pode ser excessivo).

-...se é fã de um visual boho e já possui alguns ponchos, capas e casacos largos de camurça que acompanhem o visual.

-...sozinhas ou seja, nada de as misturar com outro acessório de franjas! Malhas fofas (lã escocesa, entrançados..) sobretudos de carneira não muito compridos e vestidos de padrão floral são algumas combinações amorosas para usar este calçado.


 A regra aqui será "se tem dúvidas, não arrisque": esta não é uma compra que se faça por impulso. Poderá sempre optar por um casaco, colete, carteira ou mesmo cinto de franjas, que dão o toque sem tantos custos e são mais fáceis de usar.









Sunday, October 12, 2014

Malala, ou de começar a viver cedo demais.


Com apenas 17 anos, Malala Yousafzai já teve duas existências diferentes - primeiro, a da pequena blogger e activista Paquistanesa que sobreviveu a um atentado (começou a dar entrevistas aos 11 anos e tornou-se um símbolo do direito à educação aos 14); depois, a da rapariga que espantou o mundo com a sua eloquência, centrando a sua "luta por direitos" nos direitos e igualdades que realmente importam - independentemente dos "movimentos" que chamem a si as suas palavras.

 Nesse antes e depois há agora o Nobel da Paz que a própria diz não merecer, com a modéstia que costuma caber aos grandes. A sensibilidade, coragem, serenidade e dom da palavra da jovem Malala são inegáveis.
 Ao atribuir-lhe uma das maiores honras do Mundo Ocidental, é claro que se está a mandar uma poderosa mensagem - contra o extremismo, pelos direitos das crianças, pelo direito universal à educação. Porém, duvido que isso fosse possível se Malala fosse uma corajosa -mas tímida -jovem  que sobreviveu ao inferno.

  Numa época de desencanto em que os últimos grandes heróis (Mandela, Gandhi, Madre Teresa) foram desaparecendo (e em que sabemos demasiado sobre os líderes mundiais para que algum esteja muito tempo nas luzes da ribalta sem que se descubram pés de barro) a capacidade de proferir um discurso histórico é tão rara como preciosa. E Malala tem esse dom, além da inocência e do conhecimento de causa: consegue surpreender, comover e ser ouvida. Isso é mérito dela e não das circunstâncias ou do acaso.

 Seria o final perfeito se estivéssemos num conto de fadas: a menina  valente recebeu o Nobel e viveu feliz para sempre.

No entanto - e detesto ser a Cassandra de serviço - volto a dizer que vivemos um tempo que procura desesperadamente humanizar, normalizar ou expor as grandes figuras. E Malala é humana, com tudo o que isso implica. Muito provavelmente, mais humana se tornará à medida que (como é o seu direito inalienável, não esqueçamos) for crescendo mais um bocadinho... e conforme vá sendo confrontada (inevitavelmente, receio) com o lado menos bonito da política internacional, com os interesses, com o status quo e as manobras de bastidores.

  Todos tivemos o momento em que deixámos de acreditar no Pai Natal e mais tarde (na adolescência ou já depois de adultos) o momento em que nos apercebemos que existe uma coisinha chata chamada realpolitik, que faz coisinhas malvadas como colocar o petróleo à frente da vida humana, por exemplo. Não sei qual foi o vosso instante "wake up and smell the coffee"; comigo aconteceu quando era um pouco mais nova que Malala e o senhor meu pai, ex Capacete Azul, me explicou que por vezes, há outros interesses internacionais que impedem que a paz se faça e vidas sejam salvas. Na altura mandei à revista Time um e-mail sentidíssimo a mostrar a minha revolta com os politicos supostamente fofinhos que se tinham atrevido a dar cabo do meu idealismo.

 Depois comecei a achar que Maquiavel tinha razão e que não nos restava outro remédio senão lidar com o Mundo que temos o melhor que podemos.

 Espero que Malala não seja assim tão ingénua, porque já viu muita coisa. Mas espero também que com o Nobel, não perca o direito a ser o que ainda é: uma rapariga, quase uma criança.

 E as raparigas crescem, expandem o seu raciocínio, abrem os olhos -mais do que isso, erram. Mudam. Para mudar e crescer, é impossível ser sempre perfeita. Malala pode, por mais ajuizada que seja, tomar uma má decisão que manche a sua imagem imaculada. Pode associar-se à multidão errada (ou a uma multidão que não convenha à agenda de quem a apoia, vá). Pode muito bem acordar e decidir que não está capaz de fazer um grande discurso, que já não quer ser "uma grande politica", que apenas deseja o percurso de uma jovem normal da sua idade, ou dedicar-se a algo completamente diferente. 

 Duvido que consiga ou queira voltar atrás, mas é possível e é algo que ninguém pode, sem cometer uma monstruosidade, retirar-lhe. Mas vai ser uma complicação passar as fases normais da sua vida no olhar público, com a pressão constante de ser a menina prodígio, uma espécie de messias para um mundo desiludido. É muita expectativa para uns ombros tão frágeis.

 Ao fazer dela um porta estandarte que os media tentarão mais tarde ou mais cedo humanizar (não necessariamente da forma mais lisonjeira) espero que se lembrem que mais do que um símbolo dos direitos das crianças, ela é um ser humano com direito a mudar de opinião, a fazer disparates e a procurar ser feliz à sua maneira. O que é um bocadinho mais difícil quando se começa a viver tão cedo, a ter o mundo às costas tão cedo. Godspeed, menina.

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