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Saturday, November 1, 2014

Slingback, o sapato maravilha: sim ou não?

Slingbacks Carolina Herrera (via Man Repeller)


Há dias a blogger Leandra Medine, no seu célebre Man Repeller, queixava-se de que os slingbacks - vulgo sapatos-sem-calcanhar- são adoráveis, mas não funcionam para ela porque a tira que os prende ao pé acaba inevitavelmente por deslizar do sítio, fazendo deles uma coisa híbrida que não é mule nem é sapato.

Verdade, ou quase sempre verdade. Muitos slingbacks (tal como muitas sandálias) sofrem desse pequeno inconveniente, sejam de marcas exclusivas ou mais acessíveis. Mas na qualidade de rapariga com um número a modos que inconfessável de slingbacks no armário, devo dizer que as vantagens compensam de longe os handicaps

Slingbacks Pura Lopez

Esse modelo - assim como os mules e outros tipos clássicos de sapato  - fez um regresso às passerelles e às ruas nos últimos dois anos, acompanhando a tendência ladylike que se instalou. Fiquei felicíssima com a variedade (começava a ficar cansada de tantos compensados e biqueiras redondas) mas mais do que isso, por haver alternativas às sandálias: para quem pés sensíveis, andar de sandálias todo o santo Verão é pedir sarilhos. Outros modelos aparentados, como os D´Orsay, são realmente lindos mas quase sempre dolorosos ao caminhar.

O slingback é fresco, arejado, equilibrado (não empurra o pé para a frente nem para baixo) e mais do que isso, estável e elegante.

Há quem consiga usar sapatos fechados em dias quentes (gostava de saber como) mas eu não sou uma dessas pessoas, logo o slingback faz o efeito "pump fingido"...

  Depois, tem a vantagem da versatilidade: dá um ar cool e polido a um par de jeans, mas usa-se lindamente (escolhendo o salto certo) com um vestido ou saia. A minha colecção inclui uns quantos nude, pretos, castanhos, you name it: o importante é escolher a marca certa e, em caso de amores à primeira vista cuja tira desilude, levá-los a um bom sapateiro.

Slingbacks vintage, Charles

E mais do que tudo,  prestam-se a Primavera, Verão e dias amenos de Outono. Chovisca um pouco? O slingback aguenta. Faz calor, mas não apetecem sandálias? O slingback é o sapato certo. 

 Os pares preferidos lá em casa são Bruno Magli e Maud Frizon, ax aequo com um da Zara  por quem ponho os pés no fogo (talvez mercê de um engenhoso velcro no calcanhar). É que os danadinhos já me acompanharam por passeios, dias de trabalho extenuantes, tardadas de compras e procissões sem torcer, amolar nem magoar.
(A Zara, se houver o cuidado de escolher bem os materiais, costuma ser uma marca fiável e com sapatos resistentes, logo é uma boa opção de qualidade-preço para quem quiser experimentar sem investir horrores).

 Por isso, acho que Leandra Medine não está bem a ver o cenário na sua totalidade. Uma tirita aborrecida que se remedeia facilmente não é motivo para deixar de parte um leque de comodidades tão grande. Mas isto, os gostos e as embirrações não se discutem...



Edward Mordrake, o "Príncipe" de duas caras


Começo a achar que American Horror Story me lê os pensamentos, ou que os produtores da série lêem o meu diário (o que seria ainda mais estranho porque não tenho um); o mais certo é eu ter muitos gostos em comuns com eles, deixemo-nos de coisas.
Depois de Coven e de trazerem David Bowie a um circo de aberrações - tema que me intriga desde pequena: sabiam que nos anos 60 ainda havia dessas coisas por cá? Sim, a minha família conta histórias dessas, havia realmente circos com o Homem mais Alto do Mundo, a Sereia e a Mulher Barbuda dentro de uma jaula - de quem é que se lembraram? 


De Edward Mordrake, personagem (pois não se sabe ao certo se existiu ou não) realmente fascinante. 

 Fascinante estilo filme de terror mas enfim, gostos são gostos e estamos em época disso.

  Supostamente, Edward Mordrake, que viveu em finais do sc. XIX, era um belo e gentil fidalgo, herdeiro de uma das melhores famílias de Inglaterra e de numerosos títulos. Riquíssimo, talentoso e muito inteligente - era um músico e estudioso dotado - o pobre Edward tinha um grave problema: uma segunda cabeça na nuca. 


O seu rosto normal era lindíssimo e de expressão grave, mas a "segunda face" era má como as cobras. Não falava nem comia mas fazia caretas, mexia os lábios com expressão malvada e segundo Edward, murmurava constantemente coisas infernais, especialmente à noite. O desafortunado rapaz tentou por todos os meios ver-se livre do seu "gémeo maligno" mas a Medicina da época nada pôde fazer por ele. Envenenou-se aos 23 anos, deixando por escrito um pedido para removerem a carantonha, não fosse ela continuar a torturá-lo no Além. 

 Em American Horror Story, Mordrake, interpretado por Wes Bentley, é uma elegante alma penada que percorre os circos de aberrações procurando companheiros para a sua trupe dantesca no Outro Mundo, servindo ao mesmo tempo de justiceiro, confessor e redentor.     Deram-lhe uma dimensão de herói Byroniano atormentado com o visual de um Dorian Gray, o que não podia ser mais interessante...embora os morenos misteriosos sejam sempre de desconfiar.


 Dito isto, Edward Mordrake, a ter existido, seria uma pessoa no mínimo complexa - ou não. É que bem vistas as coisas, o único problema dele era ter duas caras (uma delas cruel e viciosa)...à vista desarmada. Não faltam por aí cavalheiros semelhantes, com o mesmo problema, só que escondido. O pobre Edward, que até era bem intencionado, só não conseguia enganar ninguém...

Também nisto a série não deixa escapar a analogia: Dandy, a pior aberração de todas, é um jovem riquinho, betinho, lindinho, perfeitinho (outro moreno misterioso, estão a captar a lógica?) mas mimado, desaparafusado e capaz das maiores tropelias. 


 Por vezes os piores monstros estão escondidos lá dentro. Até podem dar sinal numa cara bonita, numa postura angelical, mas quase sempre é demasiado tarde. E isto de lados lunares quanto mais cedo se revelarem, melhor...





Friday, October 31, 2014

"Aquele que escapou" é só um mito.


Será rara - e sortuda - a pessoa que não conta no seu percurso de vida com "the one who got away". 

Ou em português, aquele (a) que escapou. Por tão pomposo e pungente título entenda-se aquele (a) namorado (a), ou pretendente-que-não-chegou-a-namoro, que deixou algumas recordações ou que pelo menos, provoca as malfadadas perguntas "e se?" ou "se ao menos..." quando uma pessoa se senta a fazer o péssimo exercício de lembrar o passado ou ver a sua vidinha a andar para trás.


 Aquele que escapou é o relacionamento que parecia perfeito: é o amor da sua vida ou pelo menos, o número dois no top dos relacionamentos marcantes -  mas por qualquer razão não funcionou e  deixou sempre certa magoazinha (se acabou mal e foi intenso) ou certo remorso (se acabou pacificamente e a pessoa até era impecável).


 Há sempre uma tendência para idealizar essas relações que se finaram antes de cumprirem o seu potencial máximo ou, mais provavelmente, de murcharem e fenecerem (reparem que termo tão bonito!), coisa que aconteceria inevitavelmente se tivessem durado mais um bocadinho. Esse raciocínio infeliz vem geralmente acompanhado de algum complexo de culpa, porque quando não se sabe justificar os desaires tende-se a deitar as culpas a si próprio: ao menos há alguma explicação, nem que seja dizer "ai que eu só faço asneiras, estrago sempre tudo".


 Mas a verdade é que o tempo ensina muita coisa. E relativiza tantas outras.


 Há certos ex namorado (a)s ou ex pretendentes com quem, mercê dos anos, até a pessoa menos adepta dessas cortesias (lá dizia Lord Byron, a amizade pode transformar-se em amor mas nunca o contrário) consegue manter uma relação civilizada.


 São aquelas pessoas a quem já se conhecem tão bem as qualidades e os defeitos que, sanadas as partidas e as desfeitas, isso já não faz confusão. E isso pode, sim senhora,

 dar-se com aquele (a) que escapou. Ora sob a forma de uma cordialidade perfeitamente inócua, ora com alguma picardia ou  flirt amigável pelo meio, que ambos (ou pelo menos uma das partes, que os homens têm uma grande imaginação) sabem perfeitamente que nunca levará a lado nenhum porque (pelo menos de um dos lados) foi chão que deu uvas.

 E são esses casos que permitem analisar o paradigma com objectividade: aquele (a) que escapou é quase sempre um mito. Observando a pessoa fria, racional e *uso literal do termo* desapaixonadamente, percebem-se - porque o carácter raramente muda muito - os defeitos e falhas que levaram a que as coisas acabassem como acabaram.


 A paciência não se esgotou por acaso. 


Não foi culpa das circunstâncias, nem dos astros, nem dos deuses que tinham inveja de tão grande amor e trataram de punir os dois apaixonados. Ná.


 O rapaz (quem quiser, leia rapariga) que era indeciso, o que era preguiçoso, o que não sabia com que linhas se cosia, o que não devia nada à coragem, o malandreco, o namoradeiro, o imaturo, o egoísta, o fraco, o controlador, continuará, por muito bom moço que seja, a manifestar esses comportamentos. Alguns poderão evoluir, mas a mudança raramente é assim tão grande. 


 Eis uma benesse das redes sociais, que nos permitem manter contacto com as pessoas que fizeram parte do cenário. No tempo das nossas avós uma mulher podia chorar em segredo a vida toda pelo Zé da esquina, que foi para a tropa e nunca mais deu novas, ou um homem pela Mariazinha, que a família convenceu antes a casar com o Joaquim da farmácia que era mais rico.


 Hoje não: o Zé da Esquina e a Mariazinha deixam de fazer parte da lenda pessoal de cada um, porque estão vivos e de saúde à frente dos olhos, com todas as manias, defeitos e tolices que levaram a que saíssem de cena. 


 E tem-se a extraordinária revelação de saber que não se perdeu nada. Que o mais certo é ter-se escapado de uma sensaboria ou coisa pior. Pouco romântico, mas altamente libertador.

A Princesa Bailarina (porque máscaras, todos temos)


Nesta data em que a velha tradição celta de usar máscaras para se confundir com as almas de outro mundo que andam por aí à solta faz um regresso cada vez mais visível aos países europeus, é curioso pensar nas máscaras que a vida nos obriga a usar.

 Mesmo as pessoas mais honestas e sinceras usam uma, ou mais, no seu dia a dia. Nem sempre se pode dizer o que se pensa, mostrar o que se sente ou usar todo o  potencial de que se é dotado (a). 

  Há também muita gente a quem a vida, por força das circunstâncias, rouba a verdadeira identidade, obrigando à construção de uma personagem totalmente nova. Foi o caso da Princesa Curda Leila Bederkhan, que nos anos 1930 se tornou uma estrela da Dança: a História tem bastantes casos de mulheres do palco que casaram com grandes Senhores, tornando-se titulares ou mesmo princesas; com Leila deu-se o inverso. Princesa de sangue, fez-se bailarina e deslumbrou as audiências, reinando nos grandes palcos mundiais.




Nascida com a sua Pátria, o Curdistão, já dividida entre vários países diferentes, Leila vivia como uma refém privilegiada em Istambul: o seu trisavô, soberano dos Curdos, fora nomeado  Camarista Real pelo Sultão, mas no coração dos descendentes nunca deixou de vibrar o desejo pela reconquista do trono. O pai de Leila, o Príncipe Abdurezzak, Emir do Curdistão, recusou casar com uma linda fidalga turca, unindo-se a uma mulher curda da sua estirpe; e apesar de receber as atenções e amizade do Sultão Abdul Hamid, seu soberano,  à porta fechada conspirava para reaver a independência ancestral. Foi descoberto, porém - e executado no próprio palácio. Leila e a mãe lograram fugir levando algumas jóias de família e com a ajuda de amigos, foram postas a salvo em Paris.


  Na capital francesa, a princesa exilada recebeu a educação mais esmerada que os meios algo modestos lhe permitiam: falava francês e italiano fluentemente e quem a via não reconhecia nela uma princesa oriental; parecia uma parisiense perfeita, de ar distinto e cosmopolita. A sua ambição era formar-se em Medicina - e assim teria sido se, num espectáculo organizado pelos colegas onde Leila mostrou os bailados das suas antepassadas, não estivesse um grande nome da Ópera de Paris, Aida Boina. A artista ficou de tal maneira deslumbrada com o talento da princesa que a convenceu a tentar antes a vida no palco, prometendo encaminhá-la rumo ao  estrelato. 


 E cumpriu: após frequentar o Conservatório, Leila Bederkhan, Princesa do Curdistão, estreou-se na Ópera com retumbante sucesso. Seguiram-se os grandes palcos mundiais - Milão, Nova Iorque - e a todos conquistou com as encantadoras danças da sua terra, executadas com  transporte e génio. No palco, transfigurava-se. O êxito, no entanto, não lhe chegava sem amargos de boca: havia quem não gostasse de a ver executar danças religiosas em palcos profanos. De Istambul, do Cairo, de outras paragens ainda, chegavam-lhe ameaças de morte. Leila ignorava-as: já tinha visto a morte à frente dos olhos; nada a assustava a não ser o fracasso.

 Nunca olhou para o passado: se nos momentos menos bons lamentava o esplendor perdido da família, por outro lado sentia-se afortunada por viver como uma jovem independente, longe da submissão imposta às mulheres da sua condição. Senhora do seu destino, disse várias vezes só lhe interessar a Coroa da Arte.
 Não deixava, porém, de ser uma verdadeira Princesa: as máscaras e as circunstâncias não podem mudar o que vem de berço, nem a qualidade da alma de cada um...









Thursday, October 30, 2014

Queixar-se educadamente e ser uma Senhora na era das redes sociais.


Nos dias que correm muitas regras de saber estar do antigamente foram pelos ares e por isso às vezes já ninguém sabe muito bem como proceder ou pior, há quem confunda gentileza com passividade. No entanto never fear, ainda vão sobrevivendo publicações com textos realmente inspiradores. Diz a Tatler, sobre a arte de se queixar sem ser desagradável:


"Do not complain about things that cannot be solved; do not complain if you do not get exactly what you want right now; do not complain about things that can be solved but you haven't summoned up the gumption to solve; do not complain about things that were your own fault; do not complain to someone angrily about something that is not their fault; do not complain to someone who is doing their very best to help you but is just incredibly busy".


É fácil, basta não se queixar por desporto nem descarregar nas pessoas que, coitadas, fazem o que podem.

 Quanto à postura que uma rapariga de juízo deve manter nas redes sociais, à falta de manuais actualizados a Town & Country explica o básico do bom senso: é só evitar mexericos, ser discreta, dizer os "por favor" e "obrigadas" da praxe, guardar as gabarolices para si, garantir que as saias cobrem o que devem e não publicar retratos que a sua avozinha reprovasse. O que resumido contraria o que muita gente pensa..."what happens on Facebook, stays on Facebook". Ná. O Facebook não é Las Vegas, logo não convém fazer num espaço público, ainda que virtual, o que seria embaraçoso fazer, dizer ou apoiar noutro sítio qualquer.

 Devia haver cópias de certas revistas nas escolas e colégios...



Momento anti Pateta Alegre do dia.



"I got headaches and toothaches, 
and bad times too like you..."
 Berger, "Hair"

Há dias em que temos o toque de Midas...e há dias em que temos o toque de Treta: tudo o que se toca explode ou transforma-se em porcaria.

Não há outro remédio a não ser aceitar o facto, assumir que não se acerta uma, que a culpa só pode ser dos astros, andar com paciência (e cuidado extra) e esperar pela manhã seguinte. Usar o pensamento positivo não funciona em alturas dessas, a não ser que se considere a fórmula  "amanhã é outro dia" como um tipo de pensamento positivo.



      Se acordámos com o Toque da Treta (ou pior, Toque da Treta em modo turbo) há que ser humilde: humilde para oferecer esses aborrecimentos passageiros em penhor dos nossos pecados (ou para quem prefere essa linguagem, para pagar mau karma) porque pecados e mau karma todos temos, ainda que sejam pecadilhos e karmazito (vulgo desejar, no auge do desespero, que aquela pessoa malvada fique afónica para não aborrecer ninguém, por exemplo). E humilde para reconhecer que não somos sempre o máximo. Os dias maus ajudam-nos a ganhar resistência e a saber apreciar os dias bons. 
 Em última análise, ter sempre o Toque de Midas não é necessariamente uma virtude: easy comes, easy goes. Basta lembrar o mito do Rei Midas, que mesmo com o toque do dito não fazia senão disparates...e até umas orelhas de burro arranjou. Sorte sem sabedoria não é nada.


Wednesday, October 29, 2014

Frase do dia: amor...e peúgas.




"[Encontrar o amor da sua vida] é como dar com o par de peúgas perdido: só quando pára de se preocupar com isso é que desata a tropeçar nele."


Retirado daqui.

Sempre acreditei que não vale a pena consumir-se por coisa alguma; o amor, como tudo na vida, é igual à nossa sombra: quanto mais se tenta persegui-la, mais ela foge, e só quando lhe voltamos as costas é que ela nos segue.

Isto é verdade para qualquer objectivo ou projecto: quanto mais uma pessoa se aflige, pior é o resultado. Depois de se terem feitos todos os possíveis mais vale relaxar e deixar que os acontecimentos sigam o seu rumo.

O que nunca me tinha ocorrido era associar isso, de mais a mais no aspecto amoroso, a uma coisa tão pouco romântica como meias ou peúgos. Metade da laranja, testo da panela, alma gémea, minha metade, isso já tinha ouvido; meias, não. Se bem que faz sentido - uma meia perdida quando se tem pressa para sair de casa pode ser muito irritante. Then again, é preciso ser-se bastante desarrumado (a) e/ou ter uma senhora da limpeza muito preguiçosa para não ter as peúgas juntas: o amor e outras coisas já não são assim tão simples nem dependem tanto da disciplina de cada um.

 Mas por essa ordem de ideias será legítimo dizer à cara metade, em instantes de arrebatamento, "meu ideal, levei a vida toda para te encontrar, meu peuguinho perdido, minha meiinha desemparelhada".

 Antes peúgo do que "môr", vá.

Três tiradas do dia: mulheres gulosas, ingratidão masculina e Lady Mae



1- Beleza real, não: gulodice


O meu irmão dixit, ao ver-me toda encantada com as imagens do instagram de Isabel Goulart: ela tem uma figura horrível, isso são abdominais de rapaz

E eu que adoro ver uma barriguinha bem definida fico assim a olhar para ele, paladino das belezas naturais que gostos não se discutem. A seguir aplaudo-o quando, a propósito do mesmo assunto, diz que a guru-do-fitness-com-poses-ordinárias, Jen Selter, é isso mesmo, ordinareca e nada apelativa (e eu levanto as mãos para o céu de ter um irmão ajuizado) . Mas depois sai-se com esta, prova provada de que se não é um maluquinho da perfeição também não gosta de wishful thinking: é como essa porcaria da beleza real (irra, que somos mesmo parecidos!). Aquilo não são "mulheres reais". Aquilo são gordanchonas que querem enfardar hamburguers e usar roupa justa e depois desculpam-se assim. Elas são é LAMBAREIRAS. Ora tomem, feminazis.




2- Why don´t you love me? 


O meu gato Maggie, monstrinho über fofo, está tão encantado por morar in the country, que não pára em casa. Perdido e achado é no jardim ou escondido no meio do mato.  Esterilizou-se o bichano para nada e tenho um persa todo lindo para inglês ver - quando vê - porque se as gatas deixaram de ter apelo para ele o mesmo não se pode dizer de louva-a -Deus, libelinhas, toupeiras, passaritos e outra bicharada que anda por aí à solta. Já apanhou um susto com uma raposa e andou mais caseiro, mas foi sol de pouca dura...

Se o tentamos fechar fica raivoso, bate as patonas peludas no chão e rosna, como quem diz "bichos, bichos, biiiichos lá fora e vocês querem-me prisioneiro?" A minha esperança é que venha o Inverno - o Maggie-Maggie detesta frio e chuva - porque até lá ter este gato é (como alguém disse cá em casa) o mesmo que ter um marido bêbedo. Muito lindo, muito bonzinho, mas ninguém faz coisa nenhuma dele, não serve para nada.
 E pior: deixa uma pessoa assim num estado de carência patética, tipo "ama-me, ama-me, ama-me, mas porque é que não me amas? PORQUÊ???". Muita concorrência, é por isso. Como é que eu posso competir com louva-a-Deus e gafanhotos? Ná. Raposa, acode-me!


3- Ainda Lady Mae

Cada vez gosto mais desta personagem: é complexa, cheia de nuances, imperturbável e acima de tudo, uma mulher forte. Casou por conveniência com um homem que ela sabia não ser nenhum anjo, mas que a amava apesar de ela não sentir o mesmo por ele. A tensão entre os dois, no entanto, é de cortar à faca, no bom e no mau sentido: nota-se que são parecidos em muitas coisas, tanto que ela admite "eu não amo o meu marido; se amasse, seria muito mais difícil"- frase que só quem ama ou já amou pessoas complicadas pode entender.
 Mas o que a torna interessante é que apesar de gostar do luxo e poder que o marido lhe proporciona, ela não é a golddigger típica: abre facilmente mão de tudo isso quando percebe realmente o monstro que ele é. A revelação do mau carácter de Lord Loxley em todo o seu esplendor e o facto de ele a fazer sentir cada vez mais encurralada convencem-na sair de casa quase só com a roupa do corpo, renunciando a tudo para começar de novo: sem meios, sem nome mas inteira como mulher e contando só com os recursos da sua inteligência e carisma. Há integridade nela, e a integridade é a característica que mais prezo nas pessoas (reais ou imaginárias) principalmente se vier acompanhada de coragem. Admiro mulheres que não receiam queimar pontes. Como ela própria diz, "o mundo é a minha ostra". Fantástica personagem, fabulosa actriz e óptimo exemplo!






Tuesday, October 28, 2014

Palavrões à parte, um homem que fala assim não é gago.


Descobri os vídeos do SAKE via amigos facebookianos e fora a linguagem, enfim... menos recomendável para senhoras, o rapaz tem carradas de razão.

  Numa época de homens feministas (aqueles que acham lindamente que as mulheres se "libertem" ou antes, exponham, só para terem mais por onde exteriorizar os seus instintos básicos) em que se escrevem aberrações assim, em que há uma sordidez generalizada e um conformismo face à vulgaridade... um ser de calças que chega e põe as desmioladas no sítio com coisas do estilo "leggings são um nojo" (licença poética aqui, salvo seja) merece um prémio pela honestidade e por ( laissez-passer- as-asneiras-que-como-é-um-homem-a-dizer-enfim) colocar as verdades em pratos limpos.

 São estas pequenas coisas que confirmam que a sociedade não está totalmente perdida...

 A realidade é que comportar-se e vestir como a Nicki Minaj vai atrair a atenção masculina...mas do tipo errado e doentio. Vulgo bimbos de ginásio ou trolhas, mesmo que sejam trolhas de fato a tentar fazer-se passar por outra coisa. Não há aqui áreas cinzentas: o que é parolo e vulgar é parolo e vulgar e atrai pessoas a condizer. Nenhuma pessoa educada, saudável e de gosto desculpa isso, quanto mais achar bonito, quanto mais 
admiti-lo em público...boys will be boys mas há limites.

 E sejamos honestos, há coisas tão feias que dão mesmo vontade de as correr ao palavrão.
À falta de uma brigada da estética e bons costumes, é o que temos.




Sangue frio, mas calma: a nobre arte de reconhecer que se está zangado (a)



Pessoas de classe são blasé, nonchalant, imperturbáveis; não se deixam impressionar nem intimidar por nada e vivem em permanente modo frankly my dear, I don´t give a damn

Mostram-se entediadas, mas tristes, nunca. Pessoas fortes nunca cedem nem confessam estar a passar um mau bocado: a sua persona jamais se desmancha. Pessoas orgulhosas não demonstram às outras - ou pelo menos, à maioria- que elas conseguiram a proeza de as aborrecer, a não ser que se trate de trabalho ou de negócios e mesmo assim: agem como se não tivessem dado por isso. Estilo estou tão ocupado (a) quem nem dei pela tua falta de consideração. É que, sabes, tenho tantas coisas mais interessantes a acontecer na minha vida. Também não mostram quando precisam de ajuda porque estão acostumadas a  resolver tudo sozinhas, pela velha lógica "se queres uma coisa bem feita, trata disso pessoalmente".

Tudo isto é verdade e é saudável, porque o mundo já está cheio de gente deslumbrada, impressionável, fraca, servil, sem espinha dorsal e carente. Não precisamos de mais. 

    Só é preciso não exagerar porque há quem tome tudo isso por passividade, tolice ou desculpa para fazer das pessoas assim burros de carga ou bombos da festa: afinal os indivíduos fortes, imperturbáveis e que não têm medo de nada nem perdem a calma por coisa alguma aguentam tudo, resolvem mundos e fundos e não vão descer das tamancas por coisas pequenas.

Lamento, meus amigos poderosos e blasé, mas face ao terrível estado a que a sociedade chegou, às vezes um rolar de olhos, o erguer de sobrancelhas, o empinar de nariz e o desprezo nítido não bastam: há que ser um bocadinho mais expressivo.

As coisas andam de tal ordem que os cínicos também precisam, para seu próprio bem, de cair naquela coisa lamechas de estar em contacto com as suas emoções. Num mundo de bebés chorões, de reality shows, de pessoas caprichosas que não têm medo de mostrar as suas fraquezas, de pedir favores, de expor ao mundo os coitadinhos que são ou de fazer figuras de urso, a subtileza pode ser uma linguagem muito mal compreendida. Não é culpa vossa e não é preciso cair no extremo em Roma, sê romano, mas  há que explicar as coisas de forma que as pessoas descaradas e choronas entendam.

 Ou seja, se uma coisinha, ainda que muito pequena, não vos caiu bem, explicai-vos. Se algo vos incomoda, reconheçam-no e exponham o assunto a quem causou essa maçada.

 Fica o problema resolvido, não vos caem os parentes na lama e a pessoa em causa saberá que não pode simplesmente dizer e fazer o que lhe apetece, contando com a vossa cómoda superioridade. Bem diz o povo: quem não se sente não é filho de boa gente.

 Ser impassível atrai respeito -  mas saber deixar de o ser quando é preciso, também.


Monday, October 27, 2014

Iman dixit: a elegância não pode descansar nos louros.


"O glamour nunca tira dias de folga. Cinja-se aos clássicos infalíveis porque a história da Moda acaba sempre por se repetir."

E há óptimos motivos para tomarmos as palavras da belíssima Iman ao pé da letra: primeiro, porque uma supermodelo que revolucionou os padrões de beleza nas passerelles e foi musa de Yves Saint Laurent e Gianni Versace no tempo em que as modelos serviam de inspiração terá algo a ensinar a todas; segundo, porque aos 59 anos se mantém maravilhosa, prova provada de que quem nasceu direitinha e arranjadinha só precisa é de disciplina e esforço para manter o que a natureza lhe deu; e last but not the least porque   a senhora é casada com David Bowie, por amor da santa, David Bowie.

 Ora se a Iman que é linda, que aprendeu no berço todas as regras de saber estar (filha de diplomata, que remédio) que tem uma pele que parece ter passado pelo photoshop e uma elegância inata, que teve um percurso de vida incrível e é mulher de David Bowie não se desleixa, com que direito é que as outras o fazem?

 Nada é de graça nesta vida; mesmo o que se deve ao acaso e vem dado de bandeja é leve de ter, mas pesado de manter. Quando muito, uma mulher que sempre teve beleza e elegância acha-se na posição dificílima de enfrentar sempre expectativas muito altas. 

Se se descuidasse, pior seria o contraste. Mas seja para conservar o que se tem ou para melhorar todos os dias convém que haja método, rotinas simples de seguir e a serenidade necessária para estar sempre impecável, ou pelo menos tentar - o que não tem necessariamente a ver com ser "perfeita", coisa que não existe. Lá dizia Coco Chanel "convém estar sempre no seu melhor; nunca se sabe se naquele dia temos um encontro com o destino".

 Tudo isso faz parte das divertidas obrigações que vêm com o contratozinho de ser mulher. E das duas uma, ou se aguenta o calor ou se sai da cozinha: ser preguiçosa e depois vir com a lamúria contra os padrões de beleza impostos não tem utilidade para ninguém...


Receita vitoriana para ter filhos lindos.


Uma coisa que quem visita aqui o Imperatrix com alguma regularidade sabe é que isto é um sítio à moda antiga onde se subscrevem algumas ideias...bom, de outro tempo, porque o que é doce nunca amargou e as coisas não são necessariamente melhores só porque são novidade. Ora pensem: as maluquices gourmet inventadas pelos chefs superstar da televisão por acaso sabem melhor do que as iguarias da avó (que por sua vez agora está na moda tratar como gourmet)? E em termos de modas & elegâncias, quais são as griffes mais estratosféricas? Chanel, Hermès, Balenciaga, Celine, Lancel, Lanvin, Dior, etc- tudo Casas de vetusta idade.

 Se falarmos de livros, de autores, don´t get me started - por alguma razão se diz que quem não leu os clássicos não pode alinhavar ideias com jeito.

 Mas o que se calhar nunca vos disse é que acho imensa graça àquela sensação de ver confirmada num livro uma ideia que sempre me deu que pensar: é o feeling "olhem, não sou só eu que penso assim" ou "ena, alguém que partilha os meus disparates".

 Uma pessoa cá de casa costuma dizer na brincadeira, quando vê uma criança desengraçada ou um adulto que não deve muito à beleza "coitadinho (a), não foi encomendado com amor" e eu, grande crente no poder da genética, atrevo-me a pensar: a beleza será 50% lotaria genética e outro tanto fruto da paixão dos progenitores?

Pois parece que um livro recente sobre os hábitos vitorianos na intimidade conta que no século XIX se acreditava exactamente nessa teoria.


 Pode ser uma crença parva mas do que vi do resto do livro será a menos disparatada. Enquanto outras incluídas na obra foram entretanto contrariadas pela ciência esta será menos mensurável, mais sujeita a impressões pessoais ou românticas: resumindo, patetice ou não, eu acho que tem que se lhe diga.

Sempre senti que uma criança encomendada à cegonha de má vontade, por pais que não sentiam grande atracção um pelo outro só porque era suposto nascer ou caía mal não ter filhos, tem menos possibilidades de sair coisa boa. E se uma das partes tiver casado com uma pessoa desengraçada por interesse, mais probabilidades há de a pobre descendência não ser, assim, de capa de revista; o (a) pobre terá contra si a genética, o enfado, a má vontade, já para não falar que crescer num lar sem amor não deve contribuir muito para a auto estima.


 Será provavelmente criado (a) pelos cantos, entregue às amas ou colégios, sem que ninguém lhe puxe pelo amor próprio ou se empenhe muito em melhorar-lhe a apresentação.

 Não faço a mínima ideia do fundamento disto e provavelmente nunca saberemos, mas isso de ter filhos é uma coisa tão sagrada que convém no mínimo ter um pouco de consideração e empenho ao ponderar tal hipótese. Tanto quanto sabemos, a atracção física irresistível, o amor à primeira vista,os grandes romances... podem ser só um mecanismo biológico para indicar que um homem e uma mulher são compatíveis em termos de multiplicação da espécie.

 A química entre duas pessoas não se explica, mas algum peso terá na equação, na magia de trazer um novo ser ao mundo.

  Em todo o caso, ser fruto de um frete não tem nada de bonito. Just my two cents here, como é óbvio.

Sunday, October 26, 2014

Hubert de Givenchy dixit: a moda tornou-se vulgar. E do adeus a Oscar de la Renta.




O lendário criador- e se há alguém que pode falar com autoridade é o cavalheiro que vestiu Audrey Hepburn, Grace Kelly e Jackie Kennedy - disse no passado dia 20 à agência EFE em Madrid: "a moda tornou-se vulgar (...) [a moda] devia evoluir lentamente e sem qualquer revolução. Só assim um vestido pode ser amado e durar".


Segundo Hubert de Givenchy, o Conde-que-se-fez-couturier e alterou a face da Alta Costura ao concentrar-se em street wear elegante para as mulheres que mudavam de roupa "três vezes por dia" (bons tempos!), o ritmo das colecções devia abrandar.

                                             

Givenchy, um dos últimos ícones da era clássica da Haute Couture e Director da Fundação do seu mentor e amigo Balenciaga, lamentou a "facilidade" com que designs banais são mostrados ao público duas vezes por ano como se fossem "excepcionais ou invulgares".


" [Elsa Schiaparelli] tinha gosto e não era vulgar; mesmo usando um vestido com uma lagosta pintada, era chic e as roupas eram usáveis. Isso não acontece agora" exemplificou.



Numa semana em que a indústria da Moda viu partir Oscar de la Renta (outro discípulo de Balenciaga) estas palavras têm um impacto ainda maior.



Givenchy e la Renta eram cavalheiros bem nascidos e sofisticados, treinados nas maiores Casas de Moda (além de Balenciaga, ambos passaram pela Dior) e que desenhavam para as Primeiras Elegantes do planeta, mulheres que ditavam o padrão para todas as outras. O seu barómetro era a Beleza: Givenchy disse sempre ter crescido rodeado por ela. Estetas por excelência, dificilmente poderiam ceder às experimentações e novidades algo questionáveis a que assistimos actualmente.


Na época da fast fashion, quando cada vez mais o street wear dita o que se passa nas passerelles em vez do contrário, em que figuras como Rihanna são consideradas (de forma algo irresponsável, diga-se) ícones de estilo e "celebridades" como Kim Kardashian têm honras nas primeiras filas dos desfiles ou nas páginas das revistas mais selectivas (a despeito dos constantes protestos dos leitores nas redes sociais) e em que o conceito de "luxo" está algo pervertido, importa reflectir nas palavras de quem sabe.


Estar atento ao pulsar da sociedade, a irreverência, a liberdade criativa, tudo isso é positivo, mas se à conta de valores secundários se perde o essencial- a arte, o rigor, a estrutura, a tradição e em última análise, o posicionamento das maisons mais relevantes - cada vez mais veremos vestidos sem forma nas lojas e faux pas nas ruas.

O exemplo deve vir de cima para contagiar quem realmente importa: o consumidor final. E se quem dita os padrões a que se deve aspirar baixar a fasquia, está tudo perdido.

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