Recomenda-se:

Netscope

Saturday, November 8, 2014

A sério, é preciso perguntar?




Um vídeo está a tornar-se viral por colocar a pergunta "do I look like a slut?" - ou seja, por pôr as mulheres a questionar-se o que é que a palavra "slut" (galdéria) realmente significa, pelo menos em termos de aparência. 

O discurso da autora levantaria algumas questões relevantes - como o velho paradoxo se uma mulher rejeita um homem é insultada de "galdéria", mas se lhe cede aos avanços, é chamada da mesma coisa - se não fechasse, logo à partida, todas as discussões com a ideia "there is no such thing as a slut".

Seguem-se uma série de argumentos anti "slut shaming" do género "o hábito não faz o monge", "uma mulher pode vestir o que lhe apetecer que isso não diz nada sobre o seu comportamento"  e a culpar o Patriarcado (essa tal coisa que anda de noite e ninguém sabe o que é e que ao que parece é culpada de todos os desaires femininos desde a noite dos tempos). 

Tudo para levar ao mesmo argumento politicamente correcto "vamos parar de descrever certas roupas como ordinárias".

Perdão, meninas, mas em nome de um punhado de mulheres que gostam de pensar pela própria cabeça, permitam-me discordar: se uma roupa é excessivamente provocante, de mau gosto e aspecto reles, era o que me faltava não poder descrevê-la como ordinária. Querem privar-nos de um termo tão eloquente, o que não é justo.

 Isso diz que a pessoa que sai à rua vestida como uma stripper é necessariamente uma profissional da dança do varão? Não, diz apenas que está a vestir esse uniforme com as naturais consequências para a sua imagem. Como já disse aqui, a roupa não faz o carácter: o carácter faz a roupa. Quem se atavia assim até pode não ser uma serigaita, mas no mínimo tem mau gosto e falta de miolo.

 Diz que a pessoa está a pedir para ser atacada? Jamais, mas mostra que é no mínimo imprudente porque gente malvada não falta por aí.

Vou dizer isso na cara da pessoa? Não, isso seria uma indelicadeza (a não ser que a pessoa seja uma amiga minha que tenha um ataque temporário de insanidade e tente sair assim, nesse caso terá de se ver comigo) mas ninguém pode privar outrem de julgar, ainda que erradamente.

A liberdade é bilateral: cada um é livre de vestir como entender, e quem vê é igualmente livre para tirar as suas conclusões e para o descrever lá na sua cabeça, desde que não incomode ninguém.

O mais cómico no meio disto tudo é a hipocrisia da situação: se muitas destas meninas tão democráticas, com uma moral tão elástica, vissem uma rapariga pouco vestida a
 insinuar-se à sua cara metade, passava-lhes rapidamente a solidariedade feminina: ponho as mãos no fogo em como "galdéria!" era o insulto mais leve que lhes ocorria chamar. O mais provável era descarregarem na pindérica semi vestida e deixarem o namorado santinho sem um sermão sequer, a apreciar o panorama.

Solidariedade feminina será tentar ensinar quem não sabe apresentar-se a vestir melhor, quanto mais não seja pelo exemplo ou mostrando alternativas: não aplaudindo aquilo que é condenável, ou sendo conivente com modas de mau gosto em nome de uma "libertação" em que as próprias mulheres parecem não acreditar.

 E no fim de tudo, ainda gostava de perceber de onde vem a dúvida. Se uma rapariga precisa de indagar antes de sair de casa se parece isto ou aquilo, é porque se calhar parece. Quem não deve não teme e não faltam roupas atraentes que se podem vestir sem passar perto de tais rótulos. 

  Fomentar-se a classe, o raciocínio lógico e a modéstia entre as mulheres seria meio caminho andado para reduzir discussões patéticas destas, creio...


Uma história extraordinária- troçar da Fortuna na cara


"Breathe deeply. Refuse to be weak. Refuse to be sick. Refuse to die. Think strong and you will be."

Joseph Greenstein


Nem sempre subscrevo as estórias motivacionais que rezam "impossible is nothing" e "siga os seus sonhos" - isto porque há pessoas que insistem em objectivos muito fora do seu alcance sem olhar às circunstâncias. Por exemplo, não dão um Dó direito e querem por força ser cantoras, são baixinhas e morrem de desgosto por não desfilar nas passerelles...nem sempre querer é poder. Por vezes é preciso saber adaptar os sonhos para chegar a algum lado - e ser útil à sociedade - sem frustrações nem figuras de urso, até porque objectivos não são coisas estáticas.

 Os contos do Patinho Feio e da Cinderela não se adaptam a toda a gente: tanto o Patinho Feio como a Cinderela tinham um bom avanço, só não estavam conscientes disso. Às vezes contos como o Pequeno Polegar (que jogava com o que tinha) ou Ali Babá e os 40 Ladrões (a sorte aliada ao engenho) são bem mais democráticos. 


Afinal, Maquiavel descrevia a virtù como a capacidade de lidar com a Fortuna caprichosa, seduzi-la e conservá-la fiel e amiga, nem que seja à bofetada. Há quem faça o seu destino, simplesmente porque sabe jogar com as variáveis.


 De qualquer maneira, existem de facto casos em que uma vontade de ferro e o mind-over-matter permitem ultrapassar os cenários mais desfavoráveis: Joseph Greenstein, a Bomba Humana, é um grande exemplo de quem não só seduz a Fortuna, como ainda se dá ao luxo de escarnecer dela.

O pequeno Josezito nasceu em 1893 na Polónia, prematuro e minúsculo- um verdadeiro Polegarzinho -  na família mais pobre das redondezas. Sobreviver à primeira infância já foi uma sorte...e talvez por isso, tornou-se muito determinado.

 Quando Joseph tinha 14 anos, um famoso circo russo chegou à cidade e o nosso herói ficou fascinado com os feitos do grande campeão Volanko, o "homem forte" da trupe. Os "Homens Fortes" eram um número importante em todos os circos de aberrações (e não só) desse tempo, como podemos ver em American Horror Story-freakshow.

 Sem dinheiro para o bilhete, o lingrinhas mas intrépido rapaz tentou esgueirar-se para assistir ao espectáculo de graça. Mas teve tanto azar que foi apanhado pelo pessoal do circo. Gente dura e habituada a levar a vida a pontapé, pouco acostumada a receber e dar compaixão, os seguranças da trupe não tiveram dó nem piedade pelo infeliz: deram-lhe uma tareia monumental e deixaram o coitadinho para morrer a um canto.

 Sovado, esfarrapado e mais morto do que vivo, Joseph arrastou-se até casa, e foi então que aconteceu uma espécie de milagre: o próprio campeão Volanko cruzou-se no seu caminho, sentiu pena dele e salvou-o. Depois de cuidar pessoalmente do jovem, decidiu treiná-lo para ultrapassar as suas limitações físicas.



Dois anos mais tarde, Joseph era tão forte de corpo como sempre tinha sido de espírito, tornando-se ele próprio num grande "Homem Forte" que encantava as plateias dobrando barras de ferro com os dentes ou partindo correntes com as mãos. Com o crescente anti-semitismo na Europa, Joseph decidiu tentar a sorte nos Estados Unidos e fez tanto sucesso..que um fã obcecado lhe deu um tiro na cabeça. 


Mais uma vez a Fortuna estava do seu lado: saiu do hospital no mesmo dia, convencido de que a sua incrível condição física lhe salvara a vida; continuou a sua carreira com feitos cada vez mais espantosos...e envolvendo-se ocasionalmente em brigas. Joseph detestava lutar, mas tinha um grande sentido de justiça e por mais do que uma vez fez manchetes de jornal por derrotar (e hospitalizar) vários homens sozinho, no melhor espírito Mata Sete. Os triibunais soltaram-no imediatamente; primeiro, porque ele tinha batido em vários simpatizantes nazis (que estavam demasiado maltratados para falar, tal fora a tareia) e depois, porque não acreditavam que ele pudesse ter agido sozinho...

 Durante a II Guerra Mundial, ajudou a angariar dinheiro (e a promover o recrutamento de soldados) para contribuir para o esforço de Guerra americano, trabalhando como voluntário e actuando para angariar fundos. O seu número de puxar um camião cheio de passageiros para esse fim foi muito publicitado. Também ajudou a treinar as autoridades em artes marciais, o que lhe valeu ser condecorado pela cidade de Nova Iorque.

 Greenstein continuou a ser artista de circo até aos seus oitentas, e a espalhar a sua mensagem espiritual de mente sobre a matéria. Já bisavô, ainda andava à noite pelas ruas, pronto a sovar qualquer meliante que ousasse assaltar velhinhos indefesos. Um verdadeiro superavozinho com vontade de ferro...








Friday, November 7, 2014

O regresso do lip liner



Desde os anos 90 que o delineador de lábios não andava tanto nas bocas do mundo, literalmente.

 Depois da sua época de glória (leia-se, da pavorosa linha castanha pronunciada que fazia as delícias de muita gente) - a que se seguiu o terrível reinado do gloss - o liner foi relegado para as caixas de ferramentas de maquilhadores profissionais e alguns makeup junkies inveterados.

Mas - lo and behold! - de há cerca de três anos a esta parte as mulheres redescobriram o bâton - e  encarnado, em todas as suas nuances (como o glorioso alaranjado) para usar na rua, à vontade, em plena luz do dia. Daí à tendência do bold lip ou statement lip foi um passo.

As raparigas que nunca se tinham conformado com o aspecto pegajoso e sem graça do lip-gloss-usado-como-bâton (eu! eu! eu!) regozijaram-se e deixaram de se cingir aos nudes e encarnados-transparentes. 

  O ressurgir do lip liner é, pois, uma consequência natural: se uma mulher usa bâton, vai querer que dure e tenha o melhor aspecto possível, tanto a olho nu como em retratos e selfies (caso de incontáveis bloggers por aí). E para usar bâton de forma quase profissional, o delineador dá imenso jeito. Pessoalmente, ele nunca abandonou o meu toucador, embora em uso ocasional. As versões lipstain em caneta são as minhas preferidas, mas o lápis (macio mas mate) dá um poucochinho de volume extra e um ar aveludado que é muito bonito de ver.
 Não obstante, foi preciso a tendência transformar-se num básico (um pouco como sucedeu com os skinny jeans) para que o lip liner voltasse à ribalta...de boas e más maneiras. Sim, pasmem, a hashtag #90slipliner não mente, já há quem queira trazer de volta esse tesourinho. Rezemos para que as pessoas se fiquem pelo razoável...

 No entanto (e detesto admiti-lo) a maior responsável por este revivalismo será Kylie Jenner (uma das irmãs mais novas e a César o que é de César, com muito mais estilo, da menina Kim Kardashian), que faz furor ao encher os seus lábios normais-a-finos só - jura ela -. com ajuda de maquilhagem. E como tem sido de rigueur, a internet segue. São inúmeros os tutoriais, alguns deles dos melhores maquilhadores, a explicar como conseguir o mesmo efeito.



 Goste-se ou não, esta forma de contouring (outra palavra chave do momento) é, a par com o smokey eye e em constraste com o no- make up look, um visual dominante.

 Acima de tudo é um recurso útil, tanto para quem quer realçar os lábios volumosos com que nasceu, como para aquelas que os querem aumentar visualmente.

Diz quem sabe, porém (e eu concordo) que o truque de desenhar por fora da linha natural só resulta em televisão e sobre uma camada espessa de maquilhagem. Na vida real é suficiente traçar a linha directamente sobre o contorno natural ou ligeiramente abaixo, preenchendo para dentro e finalizando com bâton.

Kylie e seguidoras, no entanto, prescindem do bâton e pintam toda a superfície só com lápis - o que é uma opção válida, já que o lipliner não é senão um bâton extra pigmentado.

  Com pulso firme e alguma sensatez, consegue-se um resultado muito feminino e que vale a tentativa. Podia dar-lhes para muito pior, valha-nos isso...





As coisas que eu ouço: nova forma de mandar alguém à fava.


A propósito deste "boneco" que coloquei no Facebook do Imperatrix (porque se se os outros têm o direito de poluir as redes sociais com expressões lamechas, abrasileiradas ou do tipo  "se caíres levanta-te", volte Lili Caneças que está perdoada, eu também posso dizer o conteúdo original  que me passar pela molécula) uma amiga começou uma conversa na caixa de comentários.



Estávamos nós a trocar impressões tão elevadas como "quem não sabe fazer laranjada, aprenda" acerca das criaturas que pedem desculpa e lamentam muito mas continuam a fazer exactamente as mesmas maldades, quando outra pessoa amiga se junta e atira a pérola "Azari, azarou".

Que é assim o mesmo que dizer "temos pena", mas menos fanado. Vulgo, alguém vir  pela milionésima vez com a lamúria:

- Ai, desculpa, estou tão arrependida (o)...

E vocês:

- Paciência, pensasse nisso antes...Azari, azarou!

 Isto das expressões é como os sapatos,convém ir comprando novos dentro do mesmo género para não dar sempre cabo dos mesmos...


 Confesso que "azar, azarito" eu já tinha ouvido, e costumo dizer "olhe, azar dos Távoras" para transmitir exactamente a mesma ideia, mas "Azari, azarou" nunca tal houvera visto.

Como há quem acredite que dizer o antónimo de "sorte" atrai a má fortuna, este eufemismo vem mesmo a calhar. E é tão irritante como as outras formas de mandar alguém à fava ou à lentilha com três cestinhos rotos, ou cavar terra de manhã à noite, convenhamos.

Thursday, November 6, 2014

10 pequenos grandes erros de estilo (que arruínam o efeito "chic a valer")


Nem a mais elegante e informada das it girls é infalível. O estilo - ao contrário da moda - é eterno, mas de vez em quando precisa de revisão. Importa sempre reflectir de tempos a tempos no que pode ser melhorado e fazer um troubleshooting para identificar pequenos quês que comprometem o visual perfeito.

1 - Mostrar demasiada pele



É muito difícil - para não dizer impossível - mostrar muita pele com estilo. A vulgaridade é inimiga da elegância e poucas são as mulheres que têm a figura e carisma para o fazer sem danos para a sua imagem. A solução está no bom e velho equilíbrio: se tem um decote um bocadinho mais revelador, cubra o resto e vice versa, ou opte por um vestido cingido ao corpo que acentue as formas sem mostrar o que quer que seja. A sugestão é mais apelativa -e demonstra mais classe, escusado será dizer - do que a exposição exagerada.  Além disso, é impossível disfarçar pontos fracos se tudo estiver destapado- e quem quer revelar ao mundo aquilo que não gosta de ver ao espelho? Se cobrir as zonas de que gosta menos e realçar os seus pontos fortes transmitirá uma aura de confiança, que é mais sedutora do que qualquer saia curta.

2- Confundir "oversized" com roupa EXTRA grande

Sobretudos, blazers e camisolões boxy ou oversized são tendência; bem conjugados com peças de linha estreita fazem coordenados cool muito elegantes. O mesmo vale para os boyfriend jeans e outras peças borrowed from the boys. Mas atenção para que a roupa não "engula" completamente a sua figura. Se um casaco assenta a metros dos ombros ou uma camisola XXL vai terminar na parte menos bonita das suas pernas, se calhar é melhor optar por um tamanho mais pequeno (não deixa de ser oversized por causa disso) ou mandar cortar e apertar aqui e ali.

3- Roupa que não assenta como deve



Uma peça  pode ser muito bonita e cara, mas se não servir bem nunca fará o efeito certo: calças que caem mal (sobram daqui, apertam ali) punhos demasiado compridos, casacos que ficam a léguas dos seus ombros, cinturas a rebentar pelas costuras ou que não se mantêm no sítio, bainhas a terminar na parte menos bonita do tornozelo ou a arrastar pelo chão...fazem qualquer uma parecer muito mais atarracada, larga ou desajeitada do que na realidade é e dão um aspecto "baratuxo" ou desmazelado. O fitting perfeito é meio caminho andado para se vestir depressa e bem - e para sair confiante à rua. Invista-se em peças bem cortadas e se mesmo assim não servem na perfeição, nada como uma boa costureira ou alfaiate.


4- Não considerar o seu tipo de corpo


Esta é uma regra incontornável como as leis da Física: se uma roupa foi pensada para outro tipo de corpo que não o seu, vai ser um sarilho para ficar apresentável. Um vestido que cai fabuloso numa rapariga curvilínea pode não ter graça nenhuma numa mulher alta e magra, e umas calças que resultam maravilhosamente na sua amiga de ancas estreitas podem acrescentar-lhe a si 5 quilos - mesmo que ambas vistam o 36! Se mais mulheres tivessem consciência do seu tipo de silhueta e de como ela é muito mais importante do que o tamanho ou o peso, não teríamos tantas senhoras complexadas, convencidas de que nada lhes fica bem...

Conhecendo a figura de que a natureza a dotou e comprando de acordo, acabam-se muitas dúvidas, aquisições inúteis e momentos "para que é que eu saí de casa".

5- Muito fru-fru e bling bling.


Ainda há dias falámos nisto: demasiadas fantasias no tecido, conjunto ou acessórios "poluem" o aspecto, além de dispersarem a atenção dos elementos chave no look...e da beleza da mulher que o usa. Mais vale um visual clean e polido com um acessório impactante e/ou uma bonita maquilhagem (um bâton vivo numa toilette simples é um fantástico extra!) do que tecidos brilhantes, muita bijuteria ou sapatos com aplicações. Ou tudo junto, cruzes.

6- Saltos demasiado altos...ou demasiado baixos. 

Já se sabe que um sapato duvidoso é muito mais difícil de disfarçar do que uma roupa modesta. Escolher o calçado certo é uma ciência, mas o salto errado é das coisas que mais prejudicam o conjunto: demasiado alto dá um aspecto vulgar, barato e desconfortável; em mulheres muito baixinhas, pode mesmo (é paradoxal, mas facto) realçar a falta de altura.  Baixo demais, porém, pode passar uma imagem de desmazelo e cansaço. A melhor solução é guardar os saltos vistosos para ocasiões especiais, os rasos para toilettes muito bem pensadas, e investir em pares com altura média para o dia a dia.  Calçado bem feito não precisa de ser altíssimo para alongar a silhueta: há que descobrir os modelos sensatos que funcionam para  a figura de cada  uma e apostar neles.

7- Usar a lingerie errada

Uma boa base é tudo. Sem o suporte correcto não valem de nada as toilettes mais luxuosas. Se o soutien aperta, descai, marca o que não deve ou aparece debaixo da roupa...está na hora de se encher de paciência e renovar a colecção -  melhor ainda, procurar aconselhamento especializado para garantir que faz a escolha certa.

8- Um "alforge" em vez de carteira



Na adolescência caímos no erro de trazer a casa às costas, depois de adultas já não há desculpa. Um "sacalhão" pesado e cheio de tralha não só parece maior do que a mulher que o transporta como puxa os ombros para o chão, dando um ar muito cansado. Com tantos modelos por onde escolher, é um pecado não variar. Pode sempre arranjar um shopping bag bonito para o resto das coisas e deixá-lo na bagageira ou no gabinete, não vá faltar-lhe a caixinha de primeiros socorros, a laca ou outra coisa qualquer.

9 - Um estilo demasiado "teen" ou sexy



Roupa demasiado colorida/curta/justa, divertida e baratinha - ou seja, tudo o que fica bem à irmã ou prima mais nova - não tem lugar na idade adulta. Nada envelhece mais do que parecer que parou na adolescência. Bom, não quer dizer que não se faça um achado na Bershka uma vez por outra ou que não se possa combinar uma t-shirt com bonecos de forma elegante: vai tudo do coordenado e do ar que se tem, mas o look total é mesmo de evitar. Se tem uma eterna menina dentro de si, há sempre a hipótese de construir uma silhueta parecida mas com peças mais sóbrias e refinadas: cores mais escuras e corte impecável, por exemplo.

10 - Usar peças retro ou vintage sem lhes dar um toque actual

Peças antigas imprimem carácter a um visual, porém saber jogar com elas é uma arte em si mesma: a moda é cíclica, mas não é preciso utilizar essas roupas, calçado ou acessórios exactamente da mesma forma como se usaram na sua época de origem - ou num look total. Fazê-lo pode "pesar" o visual ou dar a ilusão de ter saído mascarada. Claro que há quem faça disso um estilo (a adorável Dita Von Teese e seguidoras, por exemplo) mas não é opção que convenha a toda a gente. Roupa de outro tempo deve ser mandada adaptar para que assente na perfeição, e convém combiná-la de forma mais arejada: penteados naturais, maquilhagem actual, styling simples e mistura de peças clássicas ou trendy - saias de balão com um top básico e um perfecto de pele, casacos "ovo" dos anos 60 com botas acima do joelho, etc.

Inspiração e imagens via e via.


















Hola! me mata

Ralph & Russo Alta Costura F/W 2014/15
Não sei que toque de raça têm os nuestros hermanos, que muito do que a Hola! faz (principalmente em termos de Moda, mas a publicação rege-se por valores de elegância e respeito em vários aspectos, coisa rara hoje em dia) é assim como entrar na caverna do Aladino. 

 Mire-se para exemplo o vestido Ralph&Russo acima, que de outra forma me teria passado despercebido: muitíssimo o meu género. A cor rica, o corte Old Hollywood, tudo um assombro.

Costumo seleccionar bastante as revistas que compro - porque os conteúdos online são tão vastos e rápidos que rapidamente o material em papel fica obsoleto e porque não gosto de acumular muita papelada cá em casa - mas é raro  resistir a um especial ou suplemento desta revista, quase sempre com o kind of magic da elegantíssima Nati Abascal. Hoje trouxe esta comigo (como se o que fazem neste e neste portal não fosse o suficiente para uma pessoa ver as modas)...


...e ando farta de procurar os especiais de Prêt-à-Porter e de Alta Costura para este Inverno, que não há meio de aparecerem nas bancas. Ou eu ando distraída ou os jornaleiros deste lado da fronteira não sabem o que é ter gosto.




Wednesday, November 5, 2014

A discrição, essa bela qualidade.



De todas as virtudes humanas, a discrição é capaz de ser a que mais admiro, porque - tal como a boa educação, de quem é irmã - cabe em toda a parte.

 Quem é discreto raramente comete gaffes: nem na forma como se apresenta, nem na forma como se conduz. 

Uma mulher discreta é um tesouro porque não chama atenção negativa sobre si mesma, tem um bom gosto instintivo se souber as bases, não se envolve em mexericos, diz o que tem a dizer em privado, não manifesta emoções em público, não irrita as outras tão facilmente por muito bonita e bem sucedida que seja, já que não cai em gabarolices. Dificilmente a verão nas redes sociais a exibir a última compra luxuosa que fez, pois sabe que isso poderá melindrar quem não tem acesso às mesmas coisas...e em boa verdade, ninguém tem nada com isso. 



De igual modo um cavalheiro discreto, em termos de relacionamento, é o ideal: quem é modesto e metido consigo, não quer nada com mulheres vulgares, nem tem "amigas" intrometidas, nem dá ouvidos a bisbilhoteiros que possam tentar causar conflitos. É uma rocha, seguro de si, e se tem problemas ninguém adivinha.



Casais discretos são sempre de louvar: se estão bem, se estão mal, se noivaram ou se se separaram, só os íntimos o sabem - e por muito irritados que estejam, não há lavagens de roupa suja. Entre quatro paredes pode ser o fim do mundo... publicamente é o silêncio, ou quase.

Um amigo discreto é uma jóia rara: um túmulo para os segredos alheios.


E em todas as coisas, as pessoas reservadas têm uma aura especial. São tranquilas, serenas, pelo menos na aparência: discretas nos desgostos (porque mostrar fraquezas é realmente mau e raramente remedeia alguma coisa) discretas nos êxitos e alegrias (porque de manifestar felicidade a parecer ridículo vai um passo muito pequeno) inabaláveis face a provocações (porque era só o que faltava).

Está certo que como não dá nas vistas, a discrição é uma qualidade um bocadinho fora de moda. Mas lá diz o tio Lagerfeld, a linha entre estar na moda e ser piroso é muito ténue...

4 "amizades" que gente séria deve evitar como a peste.



Pessoas simpáticas tendem a ser educadas com toda a gente; depois, é natural que na era da internet e do networking a rede de "conhecidos" se alargue. No entanto, há monstrinhos sociais que servem mal para conhecidos e muito menos para amigos: são caixas de Pandora e só trazem complicações. Aqui fica uma lista resumida das amistades peligrosas:

1- O rapaz "amiguinho e bonzinho"



Sabem aquele mocinho tímido, se calhar um pouco inadaptado socialmente, que vos segue para toda a parte, vai convosco às compras, faz de ombro e está sempre disponível? É uma espécie de melhor amigo gay, só que...sem o ser. 

Embora possa haver amizades 100% desinteressadas entre pessoas do sexo oposto, casos em que um rapaz e uma rapariga são apenas compinchas como dois irmãozinhos, diz quem sabe que situações dessas são raras

90% das vezes a amizade é unilateral e o rapaz que vos trata fraternalmente pode ter um problema de não saber sair da friend zone. Ou seja, confunde as leis da atracção e alimenta um sentimento platónico, acreditando que em algum momento *de carência* a grande amiga o verá como outra coisa, apesar de ter todas as provas em contrário. 

O problema? É que primeiro, ele dá todos os sinais errados, logo a rapariga em causa não se apercebe que o pode estar a magoar sem necessidade; depois,  ninguém é assim tão bonzinho. Obviamente o "amiguinho" de serviço não faz nada sem segundas intenções: pode mesmo espalhar intrigas ou minar relacionamentos só para tentar ver a amiga sozinha e carente. Afinal o "bonzinho" tem motivo, meio e oportunidade para causar danos.
 
  Quem é capaz de se aproveitar das fraquezas alheias é capaz de tudo! 

Na sua cabecinha, os favores que faz são realmente...favores e ele trata de os contabilizar. Isso é tudo menos amizade. A dada altura vai sentir que lhe devem alguma coisa, que como muito aturou tem direito a ser recompensado passando a um nível seguinte que só existe na sua imaginação.

 E quando se vê rejeitado, das duas uma: ou fica de rastos (se for um pateta, mas boa pessoa) ou fica ressentido (se não for assim tão boa pessoa) e vira-se contra a pobre coitada. De ressabiado, é capaz de tentar estragar-lhe a reputação ou arruinar os relacionamentos dela com pessoas que ele vê como "rivais" usando a informação privilegiada a que teve acesso como grande amigo.
 Em última análise, é arrepiante pensar que se chorou no ombro de quem estava mortinho por se aproveitar disso. 

NOTA: Isto também acontece no feminino, embora mais raramente. Mas quando sucede, dão-se casos assustadores estilo Atracção Fatal, o filme. Cuidado!

2- A (o) frenemy


São amiga (o)s desde a Batalha de Aljubarrota e a ligação manteve-se apesar dos solavancos da vida; por vezes, há mesmo uma certa picardia ou rivalidade, mas não deixam de ser próxima (o)s por causa disso.
 Tudo muito lindo e em certos casos alguma competição pode ser saudável, pois ninguém quer ficar para trás: se alguém tem de puxar por nós, que sejam os nossos amigos.

 No entanto, se a pessoa já cometeu uma série de "pequenas" deslealdades (dar-se com pessoas que não podem consigo e não ver nenhum mal nisso ou revelar segredos seus, por exemplo) se nunca está disponível quando é necessário mas aparece magicamente quando lhe dá jeito, se some do mapa quando arranja amigos novos e só reaparece quando tudo lhe corre mal ou faz pequenas coisas que magoam sem pensar duas vezes, se só os problemas dela (e) é que são dignos de registo porque você é a pessoa super forte que nunca precisa de nada, aí há um problema grave.

 A vida não é uma telenovela e amizade só é digna desse título se houver mútuos sacrifícios e igual investimento de parte a parte. Conselheiros, psicólogos, motoristas, personal stylists, palhaços, terapeutas, etc, são profissionais pagos. Se é só para isso que a relação serve, talvez deva encaminhá-la (o) para quem presta esse tipo de serviços...ou pensar em ter com a pessoa uma relação estritamente de negócios. É  a mesma coisa, mas com benefícios e zero envolvimento emocional, capice?

O tempo é demasiado precioso para ser gasto com pessoas egoístas e sem bússola moral.

3- O (a) "amigo (a)" comprometido (a)



Aqui aplica-se novamente o que foi dito acima: amizades 100% desinteressadas entre pessoas do sexo oposto são raras. 
Se já se conhecem há muitos anos e têm por hábito trocar impressões é uma coisa;outra muito diferente é dar conversa ao cavalheiro que se queixa constantemente da namorada/noiva/mulher só para testar o seu poder de atracção sobre as outras. 

Isso é contribuir para uma forma ligeira - mas não menos grave - de infidelidade e fazer uma grande figura de ursa.

Se não há qualquer má intenção da sua parte, pode ver-se injustamente num sarilho.

Se há, é uma atitude muito feia e que não compensa. 

O nosso instinto diz-nos sempre o que é certo e o que é errado, e a velha lei do não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti nunca falha. 

 Num caso desses, uma amiga verdadeira não dá outra resposta que não seja mandá-lo resolver as coisas com a legítima. É com ela que ele tem de conversar- o resto é pura malandrice!

Mesmo que não haja nenhum interesse da parte da confidente, uma mulher séria tem de ter a coragem para pôr fim a esse tipo de conversinha, para não ser confundida com certo tipo de pessoa...

Alimentar essa proximidade não só é falta de respeito pela outra mulher (que não está lá para se defender) como é falta de respeito por si mesma (está assim tão desesperada por conversar?). 
 Primeiro, um amigo sincero não sujeita uma amiga a mal entendidos: se a namorada souber pode levar a mal e descarregar na ingénua que fez de ombro - porque do fazer de ombro com segundas intenções, então, nem vale a pena falar...

Segundo, ainda que lhe passe pela cabeça que ele seria um belo partido caso as coisas dêem para o torto com a namorada (atitude de vilã, mesmo) ou ele a faça sentir-se especial por a escolher como confidente, é tão certo enfiar um barrete como três e dois serem cinco: quem age assim com uma mulher faz o mesmo com todas, não respeita ninguém. O mais provável é continuar com a namorada em público e manter entreténs privados que nunca iria assumir.  Se ele quisesse mesmo estar consigo estaria consigo, não andava aos cochichos pelos cantos nem a colocava em situações desagradáveis. Quem tem intenções sérias não recorre a esquemas.
 Por isso já se sabe: nem como amiga, nem como outra coisa.

Nota: se um cavalheiro se encontra nesta situação de ombro amigo, então está a ser posto na friend zone. Dificilmente vai levar a algum lado. Quer mesmo perder tempo com isso e pior, arriscar-se a levar um soco se o legítimo souber? Think again.

4- O contacto profissional (ou mentor) da treta



Este espécime sempre existiu - principalmente em certas áreas profissionais. Na era das redes sociais tornou-se mil vezes pior, porque feicebuques e companhia facilitam esse tipo de aproximação, mas eventos de trabalho ou relacionados são igualmente território fértil para isso.
 Ou seja, uma pessoa entra em contacto consigo de uma forma aparentemente inocente, apoiando-se na sua posição de director disto, produtor daquilo ou especialista daqueloutro

Se calhar  vai dizer que o seu trabalho/livro/pesquisa/tese/apresentação/disco *inserir caso específico* é a coisa mais fantástica que viu nos últimos tempos, e que adoraria colaborar consigo ou dar-lhe um impulso na carreira.

E você não vê mal nenhum nisso, porque pode sempre ser um contacto interessante e convém manter boas relações com colegas da mesma área, vale? Hoje em dia o networking é valioso, e não é o que se conhece mas quem se conhece and all that jazz.

Só que vai-se a ver e a alminha em causa fala de tudo menos de trabalho: acha-se no direito de fazer aproximações inapropriadas, elogios que não são para ali chamados, etc, etc. 

Pior ainda - pessoas deste género não costumam desistir nem que saibam ipso facto que o objecto do seu interesse doentio é comprometido ou casado, logo não adianta puxar desse argumento. 

Tentar contornar a questão ou mudar de assunto, limitando a conversa a temas 100% profissionais, vai dar ao mesmo: por muito que lhe custe admitir, criaturas destas não estão interessadas no seu trabalho, nem a (o) tratarão de igual para igual.

 Quem começa uma conversa de forma pouco profissional só tem um objectivo em mente. O único remédio é cortar imediatamente  o contacto. Na dúvida, guarde as conversas escritas, porque nunca se sabe...mas felizmente pessoas assim são cobardes e embora se sintam humilhadas pela tampa categórica, raramente se atrevem a uma vingança aberta; por isso quanto mais cedo melhor. A velha frase "quando se dança com o diabo, as melhores piruetas não valem de nada" é bem verdadeira.

Nota: Escusado será dizer que há mentores diabólicos de ambos os sexos e todas as orientações. Se parece inapropriado, é porque provavelmente é.


Sal e arruda em "inimigos fofos" destes...







Tuesday, November 4, 2014

Limpeza, como dizia a Nana de Zola.



No romance supracitado *que agora está para ali tão bem arrumado que não dou com ele e também consigo encontrar online para vos reproduzir o trecho que eu queria* há uma cena muito gira em que a cocotte Nana se vê numa camisa de onze varas: dois admiradores cruzam-se ao mesmo tempo em sua casa.

  Como a beldade é temperamental e já está pelos cabelos com as tolices de ambos os cavalheiros, trata de os pôr na rua com a ajuda da criada, gritando que a limpeza vai ser completa.


Pois eu acho que toda a gente tem os seus momentos Nana, em que a paciência se gasta e embora arriscando perder algumas coisas boas, mais vale mandar tudo para o espaço.


 Chega-se a uma altura da vida em que já não se tem tolerância a fretes: bem bastam aqueles que por questões de trabalho ou obrigações sociais não se podem de todo evitar; não há necessidade de ser profissional, engolir sapos ou fazer vista grossa em qualquer outra situação.


De igual modo, na dita altura da vida também já não há paciência para ter em casa cacarecos que não servem para nada, roupa de que não se gosta e não favorece no armário, sapatos que magoam os pés, livros que nunca lemos, receitas que nunca experimentámos, maquilhagem que nunca usámos, amigos que não são para as ocasiões (a não ser que a ocasião lhes convenha) conhecidos com quem não se fala desde o tempo dos Afonsinhos, invejosos, ressabiados, números de telefone inúteis, pessoas que sabemos perfeitamente que não são leais e muito menos relações tóxicas


Não importa o motivo porque se eternizaram na nossa vida - cobardia, preguiça, esquecimento, procrastinação, coração mole, medo de ferir sentimentos, receio de melindrar a parente afastada que ofereceu aquele bibelot horroroso: se não ajuda e só complica, good riddance. Ou como diz uma boa amiga minha, quem quiser acompanhar acompanha, quem não quiser que não atrapalhe.





Elizabeth Taylor dixit: as coisas do Mundo valem muito pouco.


 Kim Kardashian - e eu que nunca pensei que um episódio com jeito viesse de tal personagem -  teve ocasião de conversar com a lendária actriz quando ela ainda estava entre nós.

 A estrela de reality shows sentou-se com a beldade de olhos violeta numa entrevista para a Harper´s Bazaar - o que só prova a que extremos pode ir a graciosidade (e paciência!) de uma verdadeira Senhora.

  Afinal Liz Taylor não precisava disso para nada, mas condescendeu responder às perguntas (algo ingénuas e tontas) de Ms. Kardashian, e fê-lo com grande gentileza. Até prometeu seguir Kim de volta no Twitter "Yes, of course I'll follow you, love", ressalvando, no entanto, que é preciso ter cuidado com as redes sociais: "os fãs hoje sabem demasiado sobre as estrelas e isso estraga o sonho". 

Acho que o conselho entrou por um ouvido e saiu por outro, mas vá.


 De qualquer modo Kim estava mais interessada em saber dicas sobre fama e jóias (e se estivesse interessada noutras coisas até seria esquisito); podia ter feito imensas perguntas interessantes, mas focou-se nos aspectos mais superficiais e materialistas de uma vida tão cheia como a de Elizabeth Taylor. Felizmente classe e sabedoria não se compram, e a actriz aproveitou a deixa para dar algumas lições preciosas a todas as mulheres:

Quando questionada sobre o diamante Krupp, e se o tamanhos das pedras importa:

"A dimensão [de um diamante] importa, mas importa igualmente o tamanho da emoção por trás dele".

Sobre se ainda estaria casada com Richard Burton, caso ele estivesse vivo:

"Era inevitável que nos casássemos de novo, mas isso não está em aberto" (o que são pedregulhos comparados com um amor destes?)

Resposta à *que raio de * pergunta de Kim Kardashian "A Elizabeth é o meu ídolo, mas faltam-me seis maridos e algumas grandes peças de joalharia. Que devo fazer?"

"Nunca planeei ter um monte de jóias nem uma série de maridos. A vida aconteceu-me, como a toda a gente. 
Fui supremamente afortunada na vida por ter conhecido o amor, e é claro que fui a guardiã temporária de algumas coisas incríveis e lindas; mas nunca me senti mais viva do que quando via os meus filhos encantados com qualquer coisa ou do que quando assistia à actuação de um grande artista, nem mais rica do que quando passava um grande cheque para o combate à SIDA. Siga a sua paixão, siga o seu coração e as coisas de que precisa virão".

Assim se dão lições e se passam testemunhos com grande elegância. Ser um ícone não é para todas, mas meio caminho andado para a felicidade estará na consciência da nossa insignificância enquanto mortais, na preocupação com os outros em primeiro lugar e na certeza que do mundo nada se leva a não ser as emoções e experiências

Se a Rapariga Mais Bela do Mundo sabia que não somos nada, não há desculpa para todas as outras.


Monday, November 3, 2014

Coitada da Victoria´s Secret, ou de como certas mulheres nos envergonham a todas.





No seguimento do post de ontem, e de outros relacionados com o malfadado #skinnyshaming, acontece isto. Sem querer bater no ceguinho, há que chamar a atenção para o facto de estarmos a assistir a um delírio generalizado.

É que parece que ninguém tem coisas sérias de que se ocupar: nem as mulheres (que supostamente terão mais que fazer) nem os meios de comunicação, senão fazer caça às bruxas.

 Resumo da situação  ridícula: a Victoria´s Secret lançou um soutien a que chamou Body/Corpo - porque tem "corpo" para segurar tudo no lugar, certo? É um soutienzito, coitado, não um manifesto político.

 A Victoria´s Secret, que tem um posicionamento muito vincado, pôs as modelos do costume, os seus "anjos", a publicitar o soutien, MAS - movimento ousado numa época que mais parece uma ditadura - acrescentou o slogan "The Perfect Body" por cima das ditas modelos.

 É caso para dizer, como o povo que nunca se engana, ai filha o que tu foste fazer.

 As mulheres mais "cheiinhas" zangaram-se imenso e não só andam por aí a protestar em bikini mostrando o que o Senhor lhes deu com cartazes sob o mote #iamperfect, como fizeram circular uma petição que conta com 17 mil assinaturas, exigindo um pedido de desculpas e a alteração da campanha. Já agora...




 É curioso que nunca ninguém se zangou com a Victoria´s Secret por mostrar estas manequins nos seus desfiles -a polémica vem apenas de se classificar as mesmas como tendo o corpo "perfeito". 

Alguns artigos tentam restaurar o equilíbrio lembrando que nunca, em sociedade alguma, TODA A GENTE foi considerada "linda", que padrões de beleza sempre existiram e que ninguém tem o direito de insultar ninguém, mas a histeria continua.


Sim, mostrar o dedo é um verdadeiro manifesto.


 Bom, eu não sei se o corpo de Adriana Lima, Lily Aldrige e companhia será "perfeito", nem interessa. São corpos com tudo no lugar mas para mim o corpo "perfeito" era e será o de Raquel Welch, enquanto para outras pessoas a definição pode ser diferente; em última análise cada mulher pode procurar a perfeição dentro do seu tipo. 


Candice Swanepoel é linda, alta e elegante, Scarlett Johansson, dentro de outro tipo físico, é igualmente linda e esguia. Kristina Hendricks, mais "redondinha", é lindíssima. 


 O que interessa é que uma marca tem o direito de escolher as modelos que  achar melhor. Se mostrassem raparigas com ar famélico e doente isso seria mau, mas não é o caso: a VS usa MODELOS, não actrizes nem it girls, nas suas campanhas. E as modelos - fora casos como Kate Upton - não são a comum das mortais. 


Não, minha querida, a menina não é perfeita: é tola.

 Não são necessariamente mais "bonitas", mas tal como os atletas, a realidade delas não é a de toda a gente. Como os judocas olímpicos, as modelos que já são naturalmente altas e esguias são obrigadas a vigiar o peso e as medidas. É o seu trabalho, simplesmente. Muitas delas, se as virmos na rua, são raparigas altas e magras com uma cara bonitinha, mas não viram cabeças. Têm imperfeições como toda a gente, o resto é ilusão: maquilhagem, cabelos, luzes, edição de imagem...truques.

Então porque é que levam isto tão a sério? Porquê esta raiva, esta inveja? Não só isto diminui todas as mulheres, como dá uma imagem ao mundo de que todas elas são umas fúteis desocupadas com ar e vento na cabeça.

 Tanto reclamam que não querem ser valorizadas só pelo corpo, mas depois é o que se vê: não se preocupam com mais nada, e pior: se uma "magra" insulta uma gordinha, cai o Carmo e a Trindade. Se uma "gordinha" insulta uma "magra" está a lutar pela democracia da imagem corporal. 

Bonito. Estamos entregues às desmioladas.

Menos é mais, nunca é excessivo lembrar.

Via Cosmopolitan

Ontem caí na asneira de ir ao supermercado (coisa que geralmente evito fazer ao Domingo) e como de costume escolhi o centro comercial mais pequenino da cidade, que não tem lojas-boas-para-passeio-domingueiro, logo só costuma lá andar quem mora nas redondezas.

Mas ai de mim: não sabia que havia uma super-mega- promoção qualquer e que por isso apareceria lá meio mundo, quase tudo clientela fora do habitual.

  Já se sabe que ajuntamentos são coisas parte aterradoras, parte fascinantes de observar: é que aparece sempre gente rara.

Os meus olhos viram, além das típicas leggings e calções (que já nem vale a pena analisar) uma quantidade impressionante de:

- Collants pretos opacos fora de época (porque 50% da população feminina torce para que venha um bocadinho de fresco que seja para usar micro saias sem mostrar a celulite);

- Vestidos de renda ou cetim sintéticos mais próprios para uma festa do que para ir às compras;

- Botins e sapatões altíssimos de veludo-a-fingir-camurça...com fivelas ou tachas douradas, a acompanhar os ditos vestidos;

- Carteiras de poliéster-a-fingir-pele com correntes, em cores estranhas.

- Casacos e mangas de crochet e renda, a "cobrir" costas e braços demasiado grandes para as ditas mangas e casacos.

Nada disto é confortável, nem bonito. Não é que não se possa tirar partido de toda a roupa que se tem no armário dando mais do que um uso a certo tipo de peças, mas a chave está no equilíbrio. Há uma linha muito ténue entre criatividade e possidonice.


Para evitar faux pas, convém sempre recordar que:

1- Um tecido barato é muito difícil de disfarçar, principalmente de dia quando nem todos os gatos são pardos. Mas se gostar mesmo do vestido, ao menos que se use com sapatos de qualidade.

2- Há quem consiga adaptar vestidos de festa para sair à rua, mas não é uma coisa fácil de fazer: de qualquer modo se a ideia é "simplificar" o ar festivo do vestido, pode usar-se um perfecto de couro e botins ou sapatos pretos, de aspecto casual e nunca demasiado altos. Assim dará um aspecto edgy ao visual sem cair no ar "compras após casório d´aldeia".


Via Refinery29

3- Se uma toilette tem rendas, esqueçam-se as aplicações douradas; se o tecido é ligeiramente brilhante acompanhe-se com algo neutro, como uma camisolinha de malha, uma camisa branca ou uma t-shirt preta, e deixem-se outros acessórios (pulseiras, anéis, etc) em casa.  Assim a peça mais chamativa será o centro da atenção no visual, mas a simplicidade das outras dará o factor polido necessário para não estragar tudo.


4 - É verdade que há penteados que funcionam melhor em "cabelo lavado ontem" (ou há dois dias, conforme o cabelo de cada uma e os produtos que usou) mas isso só resulta se o cabelo não parecer sujo. Disfarçar cabelo oleoso com um rabo de cavalo (não disfarça, é ilusão!) e vestir brilhinhos, mini saias e rendinhas é convidar a desgraça. Mais vale lavar o cabelo à pressa, enfiar uns jeans e uns saltos bonitos, pôr um bâton mais vivo e  já está.

5 - Lamento dizer isto, mas quanto mais "redondinha" uma mulher é, menos fantasias a roupa deve ter. Quem quer parecer mais magra deve evitar as coisas que são duvidosas até nas "Olívias Palito" - transparências, crochet muito aberto,tecidos que se colem ao corpo...para quê? Peças bem cortadas e tons sólidos, que revelem ou acentuem só as partes mais bonitas do corpo (o colo, a cintura) prestam um serviço muito melhor e emagrecem. 50% das mulheres parece muito mais gorda por causa da roupa que veste.

6 - Saltos altíssimos e instáveis a imitar Louboutins são um disparate para o dia, principalmente se forem de qualidade duvidosa. A maioria nem sequer "emagrece" as pernas - limita-se a esborrachá-las porque obriga os músculos a fazer esforço para os segurar. Se tem mesmo de ser, guarde-os para noites de festa ou se está mortinha por usá-los porque "foram tão baratinhos mas são tão engraçadinhos", simplifique o resto do visual e evite juntar qualquer outra peça de ar baratuxo ou festivo.



7- Nada contra uma carteira mais acessível, desde que seja em tecido. Napa é o fim, principalmente se tiver enfeites e aplicações!

8 - Quanto aos collants pretos super quentes, há pouco a fazer: ou se prescinde de usar peças tão curtas até que venha o frio, ou pelo menos que o resto da toilette seja neutro (tops de algodão de manga comprida, um bonito saco de cabedal, bons tecidos) e que cabelo e maquilhagem estejam no lugar, com pouco fru fru.

Ou como dizia Coco Chanel, antes de sair de casa 
veja-se ao espelho e retire um acessório! (Ou dois ou três, digo eu...)









Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...