Recomenda-se:

Netscope

Saturday, November 15, 2014

Karl Lagerfeld dixit (II) : pensar menos, trabalhar mais.



"Não pense demasiado (...) é preciso manter-se em movimento. 
 Se nunca parar de trabalhar, nunca irá bloquear"

O genial criador deu o conselho acima numa entrevista em que partilhou algumas máximas a aplicar no ano que vem, acrescentando que teve um bom ano mas espera que o seguinte seja melhor pois "é preciso que nos habituemos aos anos bons".
Gosto sempre de ler as ideias de quem tem um percurso tão impressionante como o de Herr Lagerfeld, mas aqui estou mesmo de acordo.

 Poucas coisas desorientam tanto como o overthinking: quem ouve demasiado o diálogo que vai na sua cabeça deixa instalar a dúvida, o desânimo e o medo; gasta inutilmente capacidade de raciocínio preciosa que vai fazer falta mais tarde; põe-se a pensar em coisas tristes que já lá vão e no que podia ter feito de forma diferente...e por fim sufoca o instinto, que é um dos instrumentos mais preciosos para agir de forma eficaz e inspirada.

 Mais vale mexer-se mais e pensar menos; ainda que às vezes se dispare em varias direcções, só com trabalho, esforço e movimento se evitam águas paradas. A estagnação é um perigo e por sua vez leva a que se pense inutilmente, num ciclo vicioso.

 Por fim, também costumo defender a ideia de ser preciso habituar-se às coisas boas: o sucesso é um hábito, o fracasso também. Quando várias coisas seguidas correm mal, é urgente fazer surgir algo muito bom para quebrar esse ciclo. Se um padrão de insucesso e tristeza se instala é muito difícil sair dele. Mas é preciso ter abertura a coisas boas para que elas apareçam e assim se tornem um hábito. Contar com boas surpresas, em vez de se encolher com medo do pior. E pelo caminho, acostumar-se a contar bênçãos (mesmo as disfarçadas) e a reparar nessas coisas boas. É que às vezes não se dá por isso.
 
 Onde alguns vêem solidão, outros apreciam o sossego e a independência.
Onde uns só consideram uma fase parada de um negócio, outros apreciam o tempo para relaxar, reavaliar estratégias e investir no que precisa de ser melhorado.

 Há muitas coisas que não estão na mão de cada um, mas aquilo em que se repara, aquilo em que se gasta o pensamento e os hábitos que se permitem instalar são uma opção. Subtil, mas uma opção.




Pessoas passivo- agressivas, essa praga infernal.


No mundo em que vivemos, toda a gente precisa de ser subtil, democrática, de usar de sprezzatura, de ironia, de sarcasmo, de  morder a língua ou mesmo - que horror - de fazer valentes fretes de vez em quando.

 A nossa sociedade não está formatada para que possamos demonstrar abertamente a toda a hora as nossas intenções e sentimentos (em boa verdade, seria uma selva se assim fosse) e infelizmente, cada vez mais isso é levado ao exagero: se no século XIX era uma vergonha, por exemplo, que um cavalheiro não cumprisse a sua palavra ou não dissesse exactamente as coisas conforme a intenção, hoje em dia já não é bem assim. Conceitos como a "palavra de honra" estão, para mal dos nossos pecados, obsoletos.

 Atenção, porém: expressar-se com a discrição e delicadeza necessárias para viver em boa sociedade e não ferir os sentimentos alheios não tem nada a ver com o comportamento passivo-agressivo.

 Pessoas passivo-agressivas são uma praga e uma peste...além de cobardes. Dizem os especialistas que esse comportamento tem origem na infância: quem é assim não foi encorajado a explicar-se de pequeno ou cresceu num ambiente em que não era seguro manifestar frustração, descontentamento, raiva, carinho ou vontade disto e daquilo.

 Não sei se essa é a única explicação, mas é uma explicação razoável para...

- Colegas que como não querem desempenhar determinada tarefa e não têm coragem de o dizer, vão atrasando, empatando, cometendo erros de propósito, fingindo que não ouviram...e assim prejudicam toda a equipa.

- Chefes chatos que adoram companhia e em vez de pedirem "não se importa de ficar mais uma hora hoje?" inventam motivos parvos para enrolar e manter as pessoas prisioneiras o tempo que lhes apetece, sem aviso nem respeito pela agenda/vida privada de cada um; ou que, sendo incapazes de explicar claramente a conduta ou tipo de desempenho que querem e não querem, vão construindo ressentimentos idiotas contra A, B ou C. Bela liderança!

- Hostilidade inexplicável e atitudes/bocas/piadas desagradáveis sem que se perceba porquê - o que obriga as pessoas normais à única defesa possível, que é perguntar na cara "temos algum problema?". E às vezes, nem assim têm a dignidade de se explicar.

- Queixinhas e lamúrias que invariavelmente colocam nos outros, em Deus ou no "Sistema" a culpa das suas desditas: um passivo-agressivo nunca se responsabiliza pela sua vida, o Mundo é que está contra ele. Por exemplo, aquela "amiga" muito infeliz que vem inevitavelmente com a ladainha "ai que desgraçada que eu sou" e quando vocês tentam consolá-la faz uma reviravolta invejosa, do estilo "tu não percebes, sempre foste linda/tens dinheiro/ao menos tens namorado" fazendo quem está a tentar ajudar desculpar-e pela sua felicidade ou começar, por sua vez, a enumerar as próprias maçadas para que a passiva-agressiva não se sinta tão mal. Ainda por cima!

- Fazer circular intrigas, boatos e mexericos - com os culpados convenientemente escondidos nas sombras.

- Críticas disfarçadas de elogios: sabem aqueles comentários simpáticos mas que não deixam uma boa sensação, tipo "fulana perdeu imenso peso" (tradução: fulana estava uma lontra) ou "fico tão contente por saber que beltrano deixou de beber!" - à frente de pessoas de cerimónia? Ou ainda, excesso de perguntas incómodas no sentido de encurralar a vítima.

- Birras, tratamento de silêncio e vitimização, vulgo ex namorado que inverte todas as culpas por mais asneiras que tenha feito: "tu levaste-me a isso!". Típico.

- Manipulação: ameaças de suicídio (ou outras menos extremas) no sentido de obrigar outrem a fazer-lhes a vontade.

Sobre a forma de lidar com vários tipos de agressores passivos, escrevi em tempos aqui e aqui

 Mas uma coisa é certa: a única forma de os pôr no lugar é obrigá-los a abrir as hostilidades, desmascarando-os; e muitas vezes o problema só tem cura dando-lhes uma tareia emocional ou literal (coisa que não convém fazer nos dias que correm, mas sonhar não paga imposto). O que de qualquer das formas faz com que se fique sempre no papel de mau da fita.

A única maneira de realmente ganhar com um passivo agressivo é, se possível, afastar-se dele. Melhor ainda, correr com ele. Para bem longe!



Friday, November 14, 2014

10 mulheres que os cavalheiros devem evitar como a peste.


Ao reler este tipo de texto aqui pelo blog, lembrei-me de que não cedi aos pedidos de vários seguidores  para fazer algo parecido dedicado aos cavalheiros.
 Afinal, temos de ser justos - e há representantes do sexo feminino tão chatas e perigosas como o pior diabo de calças, que deixam os homens à beira de um ataque de nervos e dão mau nome a todas as mulheres .

Aqui ficam as suspeitas do costume:

1- A Mandriona

Ser preguiçosa e desarranjada é mau mesmo quando uma rapariga é muito bem nascida e tem meios - afinal, nunca se sabe se os ventos mudam e você não acaba a sustentar um trambolhozinho que não sabe fazer nenhum e é incapaz de se bastar a si mesma, ou de assegurar a menor gestão dos assuntos da casa.
  Porém, numa mulher que não tem onde cair morta é pior ainda, pois é sinal de egoísmo e desarranjo  - se ela não limpava em casa e não havia senhora da limpeza, das duas uma: ou sobrecarregou a mãe e o resto da família, ou viveu toda a vida num palheiro. O mínimo que se espera de alguém (homem ou mulher, mas a ausência de jeito feminino numa mulher é uma coisa mesmo feia) é que apanhe a própria roupa, limpe o que sujou, viva com um mínimo de ordem e trate dos seus próprios assuntos. Além disso, quem é mandriona e preguiçosa pode ser irresponsável e egocêntrica noutras coisas. Ou fazer coisas tão sedutoras como não gostar de tomar banho e deixar meias sujas pelo chão (quem acha que é exagero, nunca ouviu mexericos de faculdade!).
 Namorar com uma preguiçosa pode ter um certo encanto ao princípio, porque é tão trapalhonazinha e tão fofinha, mas a longo prazo não é fácil. A não ser que ela tenha tantas outras qualidades que esteja disposto a contratar-lhe uma ama/governanta com braços fortes e paciência de Job.


2- A chica esperta

Uma mulher inteligente e culta é um tesouro, principalmente se também tiver uma aparência agradável. Afinal, nem o mais antiquado dos homens acharia muita graça a passar a vida ao lado de um lindo mono com quem não possa conversar. 
  Mas, atenção: uma pessoa inteligente não tenta provar que o é... e tem o senso comum de saber quando estar calada. 

Depois, qualquer mulher minimamente esperta - e educada - sabe que não é bonito entrar em constante competição com quem está nem contrariar o par a torto e a direito, só para provar que tem alguma coisa na cabeça.
 Infelizmente - graças a ideias modernaças e algum facilitismo no Ensino Superior - o que mais se vê por aí são mulheres esforçadas mas pouco brilhantes, que tentam constantemente afirmar-se de forma muito pouco feminina...ou em modo galinha choca, se preferirem. 

Hoje em dia, a coisa mais simples do mundo para uma rapariga de intelecto mediano - sem imaginação, sem perspicácia, sem espírito - é fazer-se passar por inteligente

A ausência de miolos (a não ser em casos mesmo graves) disfarça-se mais facilmente do que a falta de beleza. E como a Chica Esperta não costuma ser uma estampa mas é ambiciosa e vaidosa, trata de compensar dando graxa, sendo marrona e fazendo mil piruetas para conseguir feitos académicos ou artísticos.


 Pretensões intelectuais baratas são uma coisa terrível em ambos os sexos -pior do que ser ignorante, só ser-se burro como um urso e ter a mania da cultura -  mas numa mulher mais mau se torna porque as mulheres não-lá-muito-espertas são mais *ainda* mais chatas do que os seus contrapartes masculinos na forma como se expressam. 

Partilham clichés  presumidos nas redes sociais, falam alto de Arte, Religião ou Política a ver se alguém as ouve e estão sempre prontas para o debate. A Chica Esperta tem SEMPRE opinião

Debate com o Padre da freguesia, testando a vocação do pobre sacerdote para a Santidade com ideias revolucionárias; se lhe derem asas, junta-se à Assembleia Municipal só para ter o prazer de debater mais um bocadinho; na faculdade, é o pesadelo dos professores. Mesmo que não saiba escrever, escreve e pior, publica. Se não tem voz, canta na mesma ou pior, dá recitais. Como leu Simone de Beauvoir e outros (mas o que a comove mesmo são as histórias do Nicholas Sparks) acha sempre que é como a Samantha do Sexo e a Cidade (uma predadora com alma masculina, muito desprendida, muito confiante) mas depois fica a chorar no ombro das amigas porque o desconhecido que praticamente raptou na noite anterior não lhe telefonou, citando preciosidades como "é muito menos doloroso morrer do que estar vivo com vontade de morrer”.

 Em suma, a Chica Esperta dá razão a ditos machistas do tipo "as mulheres haviam de ser mudas!".


3- A mandona



Ter personalidade (ou mesmo um bocadinho de mau feitio) dá charme, mas há mulheres (novamente, pouco espertas) que julgam que ter personalidade é serem umas Rainhas do Sabá. 
Uma Rainha do Sabá pensa que é um Júlio César de saias: veni, vidi, vici e a sua frase preferida é "quem manda sou eu". 
Nunca relaxa, nunca se cala, nunca se coloca no seu lugar nem deixa estar os outros, impõe invariavelmente a sua presença e a sua posta de pescada. A única pessoa que lhe merece graxa é o chefe (ou quem faça tal papel) mas se o dito cujo for molengão, bonzito, nem ele escapa. 
No início do namoro até pode disfarçar - e para um homem preguiçoso, ou que ande cansado, ter alguém capaz de tomar decisões parece muito agradável.
  Mas em breve é ela que decide tudo: onde vão, o que vão comer (ou não comer; se uma Mandona apanha a mania da comida saudável, toda a casa tem de aguentar tofu) o que é que ele há-de vestir e como há-de gastar o dinheiro, etc, etc...e se calha o prodígio de arrastar o pobre coitado ate ao altar, é certo e sabido que vai mandar no marido, emasculando-o sempre que puder.
 Mulheres assim não respeitam ninguém: ou porque lhes faltou uma presença masculina em casa, ou porque a presença masculina em casa era demasiado autoritária e por trauma compensam assim, ou porque simplesmente nem o pai nem a mãe a souberam pôr no sítio, fez-se uma generala sem o mínimo de graciosidade. Parece exagero? Conheço pelo menos três ou quatro destes Hitlers de saias, por isso cautela.


4- A Kim Kardashian barata

Se calhar era escusado explicar isto porque tenho os cavalheiros que visitam o Imperatrix como pessoas sensatas e de bom gosto, mas seja.

 A Kim Kardashian barata é, como o nome indica, uma cópia reles da verdadeira - um visual já analisado ad nauseam por aquique agora está na moda e que se traduz por uma cabaça de pernas curtas, glúteos desproporcionais, calções minúsculos ou leggings,cabelo preto-graxa esticadinho,feições grosseiras, grandes brincos e grandes unhas. Uma Kim Kardashian com roupa menos dispendiosa mas igualmente feia. 

E se a versão original já é o que é, imaginem-se as imitações. Claro que quem diz Kardashian diz qualquer outra mulher de aspecto vulgar e ordinário. 

 Muitos dirão que mulheres assim não servem para namoro sério, mas quando reparam nisso foram-se deixando ficar e têm ao lado a Xana do ginásio...o que vêm a lamentar depois.
 Mesmo que seja bonitinha e não exactamente má pessoa, quem se apresenta assim não revela nem muita cultura nem muito miolo... e de certeza que indica pouca seriedade, já que  o carácter faz a roupa - no mínimo, gosta de atrair a atenção masculina, mesmo negativa.
 Ainda que você seja uma pessoa super fofa que não julgue ninguém pelas aparências, assim uma espécie de Pai Natal, ou ache muito divertido passear-se com uma boneca de feira (há gostos e inseguranças para tudo) a má imagem de uma mulher assim vai ficar associada à sua. No mínimo,é muito aborrecido suar frio quando pensa como há-de apresentá-la aos seus pais ou levá-la à festa da empresa, para não falar que caso corra mal, será mais difícil ser levado a sério por mulheres elegantes e bem comportadas.
 Se uma mulher não tem sentido do decoro e do ridículo, o mais certo é não ser de confiança.


5- A Enjoada



Este é um espécime raro, mas que anda para aí.

 A Enjoada é um jarrão, com a diferença de que se mexe um bocadinho mais, mas não muito: não gosta de comer, não gosta de passear, não tem interesses, não fala, não tem expressão a não ser a cara de quem saboreou um limão sem lhe pôr açúcar primeiro, não ama, não detesta, não tuge nem muge, se você desaparecer sem dar palavra durante uma semana ela é capaz de nem dar por isso nem que não parem de passar ambulâncias à porta; tudo para ela é nhe.
 Os seus poucos amigos são meia dúzia de pessoas tão chatas, inexpressivas e pouco interessantes como ela. Isso pode advir de uma certa falta de mundo ou de espírito, de preguiça, desinteresse pelos outros ou timidez. Não é que venha mal ao mundo de uma Enjoada... mas sinceramente, os casos que tenho visto de cavalheiros que se envolvem com uma rapariga assim têm dois motivos: ou o rapaz está desesperadamente solitário (e ao namorar com uma Enjoada pouco mais adianta) ou escapou das garras de uma Chica Esperta ou de uma Mandona e quer freneticamente um pouco de silêncio e a companhia menos estimulante que conseguir arranjar.


 6- A "amiga" stalker

Aparentemente, é só uma rapariga apagada ou feiota com uma grande admiração por si que está sempre disponível para o ouvir, para ser o ombro amigo, que o elogia e encoraja e é extra activa a comentar e aprovar qualquer movimento seu no Facebook ou Ttwitter...com segundas intenções, claro. A sério que não percebeu? 

O pior é que quer lhe tenha dado atenção por mera delicadeza (pois não se sente atraído por ela) por pena (coitada, é tão desengraçadinha) porque achou graça à brincadeira (sempre lhe massajava o ego) para arreliar a ingrata da sua namorada com quem se zangou ( mostrando que também tem admiradoras) ou lhe tenha passado pela cabeça aproveitar -se da situação (que coisa feia!) vai arrepender-se de certeza. 

Quando dá por ela, a infeliz torna-se um autêntico fungo: inscreve-se no mesmo ginásio, arranja todas as desculpas para o contactar, envia-lhe citações do Pedro Chagas Freitas, publica frases de fazer corar um carroceiro nas redes sociais e mostra a quem quer ouvir que está numa relação consigo, mesmo que nada ande mais longe da verdade.

 Qualquer amizade com pessoas do sexo oposto precisa de limites, e é preciso atenção para não dar a pessoas carentes uma desculpa para intimidades não solicitadas. Se estiver numa relação, "amizades" dessas podem causar problemas graves e são uma forma de infidelidade leve em qualquer parte do mundo. Se não estiver...arrisca-se a entrar numa: quanto mais não seja entre a amiga da treta, você e o seu advogado, a quem vai implorar, pelas alminhas, que despache a ordem de restrição.

7- A mulher da Luta
Sobre este espécime já quase se escreveu uma tese por aqui, mas cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. A mulher da luta pode tomar várias formas (a namorada carente e hiper controladora, a ex namorada maluca, a pretendente doentia, etc), agir com diferentes motivações (insegurança, medo de acabar sozinha, desejo de ascenção social/interesse) e ter qualquer idade ou aparência. É raro que uma beldade se torne uma Mulher da Luta porque como não lhe faltam admiradores dificilmente acumula a dose de desespero necessária para dar nisso, mas nunca fiando: traumas e parafusos soltos podem suceder a qualquer uma.

   A frase preferida da Mulher da luta é a pirosíssima "eu vou lutar por ele/por ti/por este amor", o seu lema é "água mole em pedra dura tanto dá até que fura"  e a sua característica mais flagrante é a falta de dignidade: mete na sua cabecinha que aquele homem lhe pertence e ferra-se na vida do coitado, mesmo que o rapaz já não esteja (ou nunca tenha estado) interessado. De servir de ombro ao ex quando ele se queixa da actual namorada (com intenção de o "fisgar" de volta) a perseguir o rapaz na rua (visto com os meus olhos) passando por fazer vista grossa a infidelidades, a Mulher da Luta é um tapete, mas um tapete voador e capaz de tudo.

Isto pode parecer conveniente a alguns cavalheiros mais comodistas...só que não.
 Primeiro, porque se a mantiver por perto (mesmo como amiga ou distracção ocasional) ela vai tentar minar-lhe quaisquer outros relacionamentos; segundo, porque uma Mulher da Luta não gosta realmente de ninguém: quer tanto um homem ao seu lado que vai dedicar fidelidade canina ao primeiro que lhe der atenção, independentemente da compatibilidade ou de ter sentimentos genuínos.

 E terceiro, porque é muito difícil livrar-se dela: conheço mais do que um cavalheiro que se viu literalmente encurralado numa relação que nunca desejou de facto e foi um sarilho para escapar. Isto se ela não entrar em modo vingança: uma Mulher da Luta demora muito a perceber que não é desejada, mas quando finalmente se apercebe da rejeição perde as simpatias e faz coisas estranhas, como furar pneus e destruir carros. Exagero? Conheço pelo menos dois casos graves, fora o resto.


 8- A necessitada...ou desesperada

Esta é uma forma mais leve de mulher da luta, mas igualmente maçadora. 
Ao início parece um amor, e a um homem tímido ou preguiçoso facilita imenso...em todos os sentidos. Ela convida-o para sair. Ela declara-se. Ela não opõe resistência a nenhum avanço. Ela organiza jantares de três pratos no segundo encontro. Ela gosta de tudo o que você gosta, engraxa os seus amigos, não nega nada, suporta qualquer coisa, é tão carinhosa que soa postiço, faz TUDO para agradar...ou melhor, para invadir a sua existência. E dali a nada começa a deixar coisas em sua casa, a ver se se muda para lá, telefona constantemente, não tem vida própria...uma verdadeira carracinha.

 Além de não ter personalidade alguma e de tomar atropelar todas as fases naturais de uma relação de modo passivo-agressivo, o que a torna num apêndice e não numa namorada (coisa que além de aborrecida não tem utilidade nenhuma, a não ser que tenha tido apendicite e sinta falta de um apêndice) e de ser péssimo entrar num relacionamento desapaixonado só porque "estava à mão", mantém-se o que foi dito acima: mulheres assim estão interessadas num companheiro, não na sua pessoa; não aceitam a rejeição; e em última análise, facilitaram consigo como facilitariam com outro qualquer. Especial? Not.


9- A interesseira



Esta dispensa apresentações, embora as haja mais subtis do que outras e de diversos tipos: das Maria Chuteiras (que têm preferência por jogadores de futebol) às groupies da política, há de tudo e é escusado dizer que o sonho da vida delas é arranjar quem as carregue. Depois, os métodos e tiques são  sempre os mesmos: uma interesseira vai concordar com TUDO o que o alvo diz, gostar de tudo o que ele gosta, ser uma simpatia, fazer muitos risinhos, dar todas as mostras de o amar para todo o sempre mal acabou de o conhecer,pôr o carro muito à frente dos bois e agir à velocidade da luz, tudo com o mesmo objectivo. Como a reputação as costuma preceder e basta reparar em certos detalhes - como a preguiça e gostos que não condizem com a carteira, ou um fundo grosseiro - para as detectar, o remédio é mesmo manter a cabeça fria. Uma interesseira é tão óbvia como qualquer alpinista social, apenas pode distrair com trapos reduzidos, saltos altos, muita bijuteria e outros acessórios...

10- A inalcançável

Uma coisa é a coquetterie: uma mulher não ser óbvia e fazer-se um bocadinho difícil. Outra, é uma mulher que só o vê como amigo - paciência, ou aceita que ela só pode oferecer amizade e parte para outra ou atribui um ponto pela honestidade e sai de cena. 

Mas outra ainda - e isto sim é mau -  é a rapariga que mantém um cavalheiro esperançado, na expectativa, colhendo favores meses (às vezes anos) a fio, sem nunca dizer que sim ou que não. Um "relacionamento" assim não tem futuro: ainda que a venha a conquistar o mais provável é ficar a ser sempre o elo mais fraco ou seja, gostar muito mais dela do que ela de si. Se a menina não sabe o que quer, é melhor recomendar-lhe uma viagem de auto conhecimento- talvez descubra que você é o homem perfeito quando voltar de um ashram imundo nos confins da Índia! É que nem é por si, é por ela. se não tem coragem para se explicar depois da sua décima declaração de amor, está a ser no mínimo um bocadinho egoísta, um bocadinho infantil.
 Numa relação ambos devem estar igualmente apaixonados, caidinhos, entusiasmadíssimos. Ninguém merece ser amado assim assim nem tomado por banana injustamente, e muito menos ser usado quando dá jeito à outra parte. Raparigas igualmente bonitas/amorosas/interessantes em busca de um companheiro decente é o que não falta, logo...não há necessidade de suspirar pelos cantos por alguém que não o vê da mesma maneira.



As avós japonesas é que sabem: pele radiosa.


No que toca aos cuidados da pele, os conselhos de outro tempo sempre me caíram melhor do que muitas novidades recomendadas pelas marcas de cosméticos.
 Havia os da avó, muito orgulhosa da sua pele branca e linda "fugir do sol, dormir bem, evitar os nervos, beber muito leite e consumir ovos!" os de velhos manuais de beleza, onde aprendi a fórmula limpeza abrasiva qb compensada por hidratantes mais ricos que nunca me deixou ficar mal e um livrinho que, na minha adolescência, veio com uma revista de Moda (creio que a Elle), criado em parceria com a Shiseido: Receitas e segredos Japoneses de Beleza, ou coisa que o valha.

 Ainda o tenho algures e achava-o o máximo, porque adorava a Shiseido (que ainda é uma das minhas marcas preferidas) e tinha uma paixão pela cultura nipónica.

 Certa vez, em Budapeste, tirei um retrato com uma turista japonesa dos seus sessenta e muitos anos, que passeava em traje tradicional, um kimono escuro lindíssimo, e fiquei maravilhada com a pele dela - luminosa, macia, sem sombra de rugas. Isso bastou para me confirmar a perícia das asiáticas quando se trata de conservar uma pele invejável.


O livro, que tinha uma panóplia de receitas para o rosto, corpo e cabelo, abria com uma série de conselhos das avós japonesas, do género nada contribui tanto para a beleza como estar apaixonada e para vos manterdes sempre belas, à medida que passam os anos, procurai não invejar os rebentos em flor. Porém, o que me marcou mais foi "o segredo de uma pele bonita está na limpeza, não na maquilhagem".
E para a limpeza, as avozinhas japonesas recomendavam chá verde (que retira as manchas e é anti oxidante) e aguardente de arroz (uma maravilha, só há que ter cautela por causa do cheiro!).

 E isto é absolutamente verdade, é sabido. Com excepção de algumas pecadoras inveteradas, todas usam desmaquilhantes, tónicos e por aí fora, com uma exfoliação ou peeling que convém ser semanal e a ocasional limpeza de pele na esteticista.

 Mas é na limpeza diária que está o truque e é aqui que muitas falham sem o saber, com a melhor das intenções e apesar de gastarem bastante em produtos caríssimos.

Actualmente as marcas procuram fórmulas não agressivas, banindo quase totalmente o álcool e ingredientes de efeito semelhante (como o hammamélis) das suas composições. Isto tem uma razão de ser, que é não fragilizar a pele - ou, numa de teoria da conspiração, tenho cá para mim que é para o resultado não ser tão fantástico e levar as mulheres a comprar mais cremes e séruns específicos.


  Consequência? A pele parece limpa, mas na realidade não está. E quando os poros não estão realmente limpos e não há uma exfoliação ligeira quase todos os dias, perde-se luminosidade, ganha-se um ar cansado, aparece acne e poros entupidos e a tendência para as rugas é maior.

Se depois da limpeza "normal" passarem um algodão com um tónico "à moda antiga", (como o da Clinique, água de hamammélis ou saké, como vinha no livro, ) no rosto e pescoço, verão como o algodão fica sujo - e isto depois de duas ou três voltas com desmaquilhante, ou até de lavagem com gel ou sabonete apropriado. Uns dias disto, e verão a diferença!

A poluição, cosméticos que penetram profundamente na pele (como os BB Cream) e o próprio "filme" gorduroso causado pela acumulação de produtos são mais difíceis de retirar do que parecem.

 Digo isto sabendo que muitos especialistas em beleza (e até alguns dermatologistas) poderão não concordar, mas como dona de uma pele extra fina, sensível e reactiva posso afirmar que desde que se hidrate bem a  seguir - principalmente nas zonas sensíveis como o contorno dos olhos -  a pele só tem a ganhar com isto, até para que os cremes façam melhor o seu trabalho.

 Por isso, se sentem que a pele não está tão radiosa como devia, se parece sem graça e baça, antes de investirem um ror de dinheiro em cremes para todas as necessidades do calendário, considerem os produtos e métodos de limpeza que estão a usar.

A diferença pode estar no tónico e numa boa escovinha ou esponja de limpeza. Andar por aí de cara-suja-que-parece-limpa, não dá.




Thursday, November 13, 2014

Síndroma de Othello, e 3 males femininos: Sindroma de Desdémona, Madame Butterfly e Helena de Tróia

Laurence Olivier e Maggie Smith, Othello (1965)

Há quem chame - muito adequadamente - Síndroma de Otelo a esse mal terrível que é o ciúme compulsivo. 
 Othello é uma das minhas obras preferidas, e acho que Shakespeare não caricaturou nem um bocadinho, não exagerou numa vírgula: basta ter convivido de perto com um ciumento para ver os pormenores da peça a desenrolar-se com tal realismo que parece o Laurence Olivier a desempenhar o papel e tudo: há as suspeitas absurdas, o ouvido leve a qualquer intriga disparatada, a angústia de cortar à faca (que faz por sua vez com que a Desdémona tenha pena do Othello e vá aturando) e as cóleras perigosas. 

Já para assistir ao desfecho da tragédia tim-tim-por-tim-tim, sem pagar bilhete e em versão vida real, basta ler jornais...infelizmente.

Não é que não haja mulheres a sofrer de Síndroma de Otelo que fazem a vida negra aos companheiros, mas no masculino é mais perigoso. Repito o que escrevi em tempos por aqui:


"O ciúme masculino vem da posse e da imaginação. Uma vez implantado um cenário mental, seja qual for o motivo, um homem ciumento não abre mão dele, por mais provas que tenha do inverso. O ciúme masculino procura confirmações onde elas não existem, se for necessário recorre a calúnias de estranhos para se alimentar, devassa o passado e transporta-o para o presente (...)
 Os homens julgam-nos sempre mais ardilosas do que somos, com uma estratégia militar de fazer corar os romanos.  A suspeita basta-lhes, e essa suspeita masoquista é fatal.  Dizem que as mulheres são emocionais e eles racionais - talvez por isso o ciúme deles, nascendo no seio do método, do raciocínio, da posse, é infindável, e mata aos bocadinhos. Recordemos que Othello leva uma peça inteira a ouvir intrigas, e como prova para o desfecho, um lenço mentiroso lhe basta...se fosse Desdémona a ter ciúmes confrontaria Othello, chamava a suposta rival à tábua, deitava o palácio abaixo - mas dificilmente o drama seria uma tragédia. Os homens só complicam".

 Isto leva-me a pensar que não faltam por ai mulheres a sofrer de Síndroma de Desdémona: ou seja, que toleram tudo isto. São as que vêm nos jornais, e as que aturam ensaios de Othello entre quatro paredes.

  Muitas ainda, padecem do Complexo de Helena de Tróia: a beleza só faz com que atraiam Otelos (ou mais apropriadamente, Menelaus) para a sua vida, ora a disputá-las como um prémio ora a fazer-lhes a vida num inferno com cenas de ciúmes. Casos em que a beleza não dá mesmo felicidade...a não ser que venha acompanhada de uma personalidade forte para pôr cobro à brincadeira.


  Mas os Síndromas de Desdémona e Helena de Tróia têm raízes mais profundas; vêm da terrível mania de suportar muito, de um mal mais grave: o Síndroma de Madame Butterfly. Na ópera de Puccini (bem mais trágica do que o conto que a inspirou... mas bem, é Ópera) a geisha Cho Cho San abandona a sua religião, é deserdada pela família, espera três anos por quem não prometeu de vir, fica a ver navios na versão japonesa do Alto de Santa Catarina e por fim suicida-se, tudo por um homem que não merecia tanta dedicação.

 As mulheres deviam ver, ler e ouvir mais os clássicos, para não copiarem as personagens que acabam mal. Mas é uma daquelas coisas mais fáceis de dizer que de fazer...






Beleza vem em vários tamanhos, mas não a destruam.

Myla Dalbesio para Calvin Klein


A polémica do cartaz da Victoria´s Secret - que entretanto se viu obrigada a alterar o slogan do soutien para conter a fúria de certas consumidoras - veio confirmar uma tendência que já se vinha verificando em todo o seu exagero: a obsessão pela suposta "beleza real" e o "ugly is the new pretty".

Sobre isso, muito já foi discutido por aqui. E se não há nada contra a diversidade nas modelos, actrizes ou caras conhecidas convidadas para representar esta ou aquela marca, é notório que a se está a perder o foco na beleza (independentemente do tamanho dessa beleza) que devia ser o que importa quando se fala de moda ou simplesmente de roupa.

 Tanto a Calvin Klein como a Vogue viram na controvérsia do momento uma oportunidade - um verdadeiro filão- e decidiram contentar o público. As "gordinhas" estão unidas, querem um lugar ao sol e são uma parte do mercado demasiado poderosa para ser ignorada. Afinal, o cliente tem sempre razão.

 A CK respondeu às exigências de duas formas: primeiro, usando uma modelo  "cheiinha" - embora não o suficiente para ser considerada "plus size" dentro da indústria de moda, o que por sua vez também gerou polémica - na sua mais recente campanha



Myla Dalbesio é uma bela rapariga que, vestindo o tamanho 40, é demasiado grande para ser considerada uma modelo standard e demasiado pequena para o nicho das modelos plus size. A julgar pelas imagens da campanha  parece-me que ela emagreceu para este trabalho e que vestirá um bocadinho mais do que isso habitualmente, mas é irrelevante para o caso:continua a ser um tamanho ou dois acima das modelos habituais da marca. Nem assim o público ficou satisfeito, mas acho que o resultado está impecável.

 Segundo - e aqui começa o problema a que me refiro -  a lingerie Calvin Klein esteve envolvida no editorial pós-bebé, sem photoshop, da lindíssima Lara Stone para a System Magazine: 



Já a Vogue fez outro tanto, com um editorial protagonizado apenas por modelos mais cheias e de busto generoso.



Em teoria, estas ideias até têm a sua razão de ser -  tenho conhecido bons fotógrafos que sempre me disseram que quando há boa luz e a pose certa, não é preciso photoshop, ou é preciso muito pouco; só o suficiente para que a lente dura da máquina capte o que o olho humano vê  sem acrescentar os desnecessários e míticos cinco quilos ou linhas onde elas não existem.

A questão negativa aqui é que ambos os editoriais retrataram as modelos no seu pior: as imagens são cruas, quase feias. 



 Que esteja na moda mostrar vários padrões de beleza, de forma mais inclusiva e de modo a que mais mulheres se identifiquem com o que vêem, tudo bem. A moda sempre teve mais a ver com aspiração do que com identificação, mas nada contra.

Que mulheres "comuns" façam capa de revista ou figura de cartaz de vez em quando, até representa uma quebra da monotonia.

 Porém, o propósito da lingerie é esconder o menos bonito e realçar os pontos fortes - aqui não vejo isso. Nem onde está a necessidade de em nome da "beleza natural" não passarem uma escova no cabelo das modelos. Aposto que todas elas andam mais penteadas em casa, de pijama, do que nas páginas da revista.




Ao pretenderem serem tão reais, fotografaram como principiantes; fizeram tudo o que bons profissionais (e boas modelos) supostamente deveriam evitar: poses que curvam as costas e encolhem ou"esborracham" a perna, o braço ou o peito, criando visualmente "gordurinhas" onde elas nem existem e "banhinhas" ou curvas que não tínhamos necessidade de ver; luz que revela estrias ou pequenas celulites...enfim, imperfeições que aparecem em todas as mulheres, até nas modelos mais magras, se fotografadas no ângulo e sob a luz errada.



E eu pergunto: se querem colocar TODAS as mulheres nos média, não merecem essas mulheres serem retratadas no seu melhor? Com o mesmo glamour de qualquer outra modelo? Merecem, com certeza. Este ultra realismo, salvo seja, é uma forma extremista e voyeurista de estar. É desconfortável de ver e tão agressivo, tão pouco saudável, como foi o heroin chic nos anos 90.

Não se pode aplaudir uma tendência cegamente só porque é inclusiva. Creio que daqui a uns anos se vai ver isto pelo que realmente é: caprichos de artista desejoso de chocar.

 Num provocante ensaio para a BBC que devia ser obrigatório ver, "Why Beauty matters", o filósofo Roger Scruton atreveu-se a questionar o culto moderno à fealdade e o deserto espiritual a que isso conduz, interrogando-se se não haverá uma forma de o belo e o "real" coexistirem em harmonia. Ficam as suas palavras para governo de cada um:



"A beleza é um valor tão importante como a verdade e a bondade. (...) a arte focou-se em incomodar e quebrar tabus morais (...). Beleza e bom gosto já não têm lugar. (...) Na nossa cultura democrática, as pessoas consideram ameaçador julgar o gosto de outrem, ou ficam mesmo ofendidas por se dizer que existe uma diferença entre o belo e o feio. Mas isto não ajuda ninguém: há padrões de beleza que têm raízes firmes na natureza humana, e precisamos de zelar por eles e trazê-los para as nossas vidas. (...) Receio que estejamos a perder a Beleza e com ela, o sentido da vida".






Wednesday, November 12, 2014

Moral do café, dos zombies, do ioga e do sumo de laranja (porque a moral anda em toda a parte)


1- Esqueci-me de comprar cápsulas de café; como recorri às reservas em pó do dito cujo acabei com esse também e tive de sair de propósito para ir buscar mais.
 Quando voltava do supermercado, comentei lá em casa que se não existisse café era o fim do mundo...e perguntaram-me que faria eu se vivesse no universo de The Walking Dead, onde mesmo que se apanhe café em pó e filtros dificilmente há tempo para tomar o pequeno almoço em termos todos os dias.
Respondi que das duas uma: ou era das primeiras a marchar porque ficava tão mona pela manhã que um morto vivo me pilhava logo, ou então, como eu própria sou uma espécie de zombie até beber café, eles me tomavam por um deles e não queriam nada comigo.  Argumentou-se que a adrenalina da luta pela sobrevivência seria um substituto aceitável para a cafeína, mas fiquei cá com as minhas dúvidas.
 E isto, eu que nem tomo muito café (um pela manhã e pouco mais). Imagino os viciados...era uma mortandade.

2- Quando andava à procura das cápsulas, passam dois rapazotes a comentar entre si
 "qualquer dia compro sumo de laranja e embebedo-me!". Olá, esta nunca tinha ouvido. Fiquei na dúvida se me escapou algum ingrediente que pretendiam juntar ao sumo ou se ando desactualizada e se trata apenas de uma expressão de desalento, na linha 
apetece-me gritar e comer ameixas verdes ou só me apetece trepar aos pinheiros (ou aos postes) e faltar ao respeito às pinhas (ou às lâmpadas)
 Antes isso do que dizer palavrões, sempre dá que pensar a quem passa.

3 - Diz a Tara Stiles (instrutora de ioga com cara de elfazinha do Senhor dos Anéis que é um amor e eu recomendo muito!), quando um movimento é difícil de executar, "não faz mal se os vossos braços tremerem; só quer dizer que têm braços!".
 Agrada-me bastante este tipo de lógica: se alguma coisa é difícil, custa, dói, dá trabalho, nos obriga a correr e sofrer, só significa que nos faz sentir vivos. E temos de aplicar a fórmula gentil que a Tara recomenda, de ir tentando sem crispação. Lá porque dói, não quer dizer que tenha de ser um calvário. É preciso dar o desconto a nós mesmos, dar o desconto aos outros, puxar todos os dias um bocadinho até que o esforço seja substituído por uma emoção mais agradável. O que for, logo se vê.



7 toilettes à prova de situações limite



Uma mulher competente nunca se atrapalha, nem mesmo perante os maiores desafios. E se atrapalhar...não o demonstra, claro!

 Como o hábito faz o monge sim senhora - ou pelo menos ajuda muito - usar as suas habilidades na arte do disfarce (ou seja, o seu sentido de estilo) pode contar 50% para um bom desempenho em situações marcantes, stressantes ou constrangedoras. Com nervos de aço e um pouco de imaginação, qualquer Bond Girl vai parecer uma principiante ao pé de si. Vejamos os melhores (e mais simples) atavios para ocasiões de deixar qualquer uma  à beira de um fanico. Qualquer uma menos a menina, claro.


1- Entrevista para "aquele" emprego




Seja o primeiro emprego, o emprego que vai definir todo o percurso da sua carreira nos próximos cinco anos, ou o cargo para o qual tem batalhado nos últimos três.
 Um sheath dress de decote fechado q.b. (de manga 3/4 ou pelo punho) é uma escolha à prova de erro: feminino e elegante mas não demasiado delicado, favorece todas as silhuetas e sendo uma peça só, não vai desviar-lhe preciosa a concentração para pensar o que combina com o quê ou se a camisa amarrota e sai para fora das calças ou da saia. Também é menos "postiço" do que um fato - caso não esteja acostumada a usar um todas as semanas - e dependendo dos acessórios e do calçado, adapta-se a um dress code formal ou criativo. Preto é uma escolha segura, mas se lhe parece demasiado dramático opte por azul marinho. Ambos passam uma mensagem meaning business, chic mas sem dar a entender que perde tempo com futilidades.

2 - Primeiro encontro (informal)

Já gostam um do outro há imenso tempo mas só agora as coisas entre vocês começam a ficar oficialmente românticas - ou conheceu uma pessoa fantástica e algo lhe diz que se pode tornar especial. O que importa é que já há muito não se sentia tão contente e que este encontro pode ser decisivo.
 Como apenas querem passar algum tempo juntos, o programa mais natural será um passeio no parque, evento ao ar livre ou um pulinho a um bar - nada que intimide. Para isso não é necessário nada elaborado. 

Poderão ter de caminhar, por isso é de evitar saltos que a façam tropeçar (num cenário perfeito ele podia fazer de herói e salvá-la de uma queda num movimento hollywoodesco, mas não nos fiemos na sorte). Além disso convém que esteja bonita mas natural, sem parecer que se esforçou demasiado - e confortável q.b, para deixar transparecer o seu encanto natural.
  Na escolha do visual, pode inspirar-se em Miranda Kerr e Olivia Palermo, duas it girls que dominam na perfeição toilettes que agradam a ambos os sexos- fashionable, mas não man repeller
 Um top ou camisa cingido ao corpo, skinnies escuras, um casaco ou poncho fofinho mas elegante, ligeiramente solto e botas longas são sempre uma opção vencedora. Porquê? Porque botas compridas, desde que discretas, são sexy sem cair na caricatura e é algo que a maioria dos cavalheiros aprova. (Nota: nos meses quentes, substituir as botas por umas "nude sandals" que mostrem bastante do pé; o efeito é mais ou menos o mesmo). Depois, eles acham graça a casacos com pêlo e carapuços. Despertam-lhes sentimentos carinhosos e são uma óptima desculpa para tentar uma aproximação (o momento "ai que gola tão fofinha" - percebe?).
 Junte-se a isto uma maquilhagem natural e cabelo solto - a maior parte embirra com carrapitos e outras fantasias, por isso nem vale a pena perder tempo.


3- Encontro romântico importante


Reconciliação com o amor da sua vida, aniversário, ocasião especial ou potencial pedido-para-passar-ao-próximo-nível. Este não é o momento para passar despercebida: é um encontro romântico, provavelmente memorável se tudo correr pelo melhor...por isso convém que lembre ou confirme a mulher de sonho que ele teve a sorte de encontrar (deixe a humildade para outro dia, uma vez por outra não faz mal).
 Feminilidade é o caminho certo neste tipo de ocasiões, porque convida ao cavalheirismo. Ele vai ficar todo contente por lhe dar uma ocasião de ser protector e por sentir que tem  uma "bonequinha" a seu lado. 

De acordo com o seu tipo de corpo e o seu estilo, um vestido muito feminino numa cor doce ou vibrante é a aposta mais adequada (mais ou menos elaborado dependerá do seu gosto, do gosto dele e do local onde vão).

 Escolha um modelo com que se identifique e favoreça a sua silhueta: se não usa vestidos com muita frequência, opte por um um shift dress ou vestido envelope; caso as pernas sejam o seu melhor atributo e prefira um ar mais juvenil, um shirt dress acima do joelho é sempre boa ideia; se já é uma diva do vestido e tem algumas curvas, o clássico sheath num tom quente ou padrão floral nunca deixou ninguém em maus lençóis; e se prefere um look realmente romântico e/ou quer disfarçar ausência ou excesso de anca, não há melhor desculpa para usar os modelos balão, estilo New Look, que agora são tendência. 

Não se esqueça dos saltos mais elegantes em que se conseguir equilibrar e de uma bonita lingerie: mesmo que não se veja, você sabe que lá está.

4-  Reunião de negócios que vai mudar a sua vida

I
A aprovação de um projecto, uma promoção, o contrato com uma editora, uma parceria de negócios importante, a abertura do seu escritório, consultório, restaurante ou loja, o início da sua própria marca de *inserir ideia genial*, lançamento de livro/disco, vernissage, etc...  Trabalhou para isto, pôs muito esforço ao serviço das suas ideias e agora vai colher os frutos. Neste momento convém parecer profissional, mas mostrar alegria. Você merece e é de rigueur manifestar entusiasmo e gratidão a quem trabalha consigo e a acompanhou até aqui (sejam parceiros, investidores, agentes ou a sua equipa). 
 Optar por uma silhueta clássica (I) ou descontraída (II) dependerá do tipo de negócio em causa, mas esqueça os looks apagados. Saia lápis com uma blusa especial (que pode ser acetinada) num tom claro/rico ou padrão marcante e uns stilettos memoráveis é uma escolha elegante para ambientes convencionais.


II
 Em situações mais descontraídas (acima) pode brincar juntando um blazer a  peças de couro, veludo ou tartan e botins ou sapatos divertidos, para criar um visual preppy with a twist: aparentemente certinho, mas colorido e à moda. 

5 - Conhecer os pais dele

 E se eles implicarem consigo? E se o convencerem a mudar de ideias e a fugir para a China? Calma, de certeza que são óptimas pessoas e não vai haver nada disso, porque o fruto nunca cai longe da árvore. Já se sabe que o importante é que os sogros em potencial gostem de si - mais do que isso, que confiem em si. Ou seja, que a vejam como uma rapariga elegante e graciosa, mas discreta e prática - que seja capaz de cuidar do filho deles e futuros netos, de ajudar no que for necessário e conseguir isso tudo com uma bella figura. Algo feminino, modesto e delicado em tons suaves (que também inspiram serenidade, logo vão ajudá-la a lidar com os nervos) e vai ver que a provação não custa assim tanto.

6- Festa...com presença de uma persona non grata

Há um evento onde precisa mesmo de estar, mas fica a saber que vai dar de caras com a eterna rival de faculdade, o ex que veio do inferno, o ex-chefe que lhe fez a vida negra, a arqui-inimiga de estimação, enfim... com uma némesis (ou mais do que uma, cruzes!) cuja existência só lhe importa para mostrar que está melhor do que nunca. 

Cancelar não é opção nem você é cobarde, por isso só lhe resta recorrer à arte do disfarce para enfrentar esse purgatório o melhor possível - estilo revenge dress em modo Lady Di, mas com toda a subtileza para que ninguém sonhe que se maçou com isso.

   Pense que o pânico é provavelmente mútuo e o mais certo é a persona non grata descabelar-se na escolha da fatiota sabendo que você vai lá estar, por isso nada como trocar-lhe as voltas. Se for uma mulher vai quase de certeza tentar ofuscá-la com cores vivas e trapinhos que não deixem nada à imaginação - problema dela. 

Em situações aborrecidas destas, nada como o negro declarado: nobre, sofisticado, discreto que chegue para se sentir segura de si e porque não, um bocadinho sinistro, não vá o diabo tecê-las. A dúvida está apenas no toque: como se sente mais poderosa, muito feminina ou com uma vibração masculina? Um vestido clássico com um bonito decote ou em alternativa, um smoking de senhora - acompanhados de uns pumps de salto fino e ligeiramente pontiagudo - garantem a dose necessária de terror (é triste precisar de fazer isso- paciência) e passam a mensagem "nem se atreva a chegar perto!" sem denunciar insegurança. Complete com um brushing simples, bâton encarnado e let the games begin.


7- Todas as manhãs em que não faz ideia que diabos vai vestir



Ocasiões limite podem surgir a qualquer momento, e lá dizia Coco Chanel que nunca sabemos quando temos um encontro com o destino. Como ninguém quer enfrentar o destino desarranjada, o melhor é ter algumas toilettes de emergência sempre pensadas...ou prontas. O estilo modelo à paisana nunca falha, mas se quer algo mais sofisticado para trabalhar ou reunião/encontro de última hora, vá pela calça cigarrete subida + camisa branca + sapato especial (calçar algo lindo ajuda sempre a ultrapassar um mau dia). Caso esteja de fim de semana ou folga, uns boyfriend jeans moderados, uma camisa de xadrez com dois botões abertos e uns sapatos ou botins elegantes - altos ou baixos,  desde que o modelo alongue a silhueta - fazem o truque.



Alea jacta est... boa sorte!

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...