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Saturday, November 29, 2014

Devemos dar ouvidos aos homens no que respeita à Moda?


Este artigo no Who What Wear motivou as típicas reacções "quero lá saber do que os homens pensam da minha roupa. Eu visto o que gosto!" ou "as mulheres vestem-se é umas para as outras e mais nada". O mundo mudou muito desde os anos 60 e não sei se as mulheres ganham alguma coisa com isso...

Já aprofundei o assunto aqui e dei neste post uma lista das peças mais "man repeller", mas sempre acreditei que quando uma mulher se veste, a lógica deve ser 50/50.

 50% de crédito às outras mulheres e aos criadores - que puxam pelo lado criativo, artístico, pelos detalhes e pelas tendências -  e 50% para agradar ao sexo oposto (aos cavalheiros decentes e de gosto, entenda-se, porque pelos outros grosseirões era tudo Nicki Minajs e esses não contam, Cruzes). Isto porque um homem, estando do outro lado da barricada, sabe aquilo que é lisonjeiro aos olhos e considerar a opinião dele não deixará uma mulher cair em certos exageros que destroem as formas femininas e só ficam bem num editorial.

 Perguntando umas às outras ou consultando as revistas, actualizamo-nos, aprimoramos; perguntando a um homem simplifica-se e não nos afastamos da beleza clássica, do apelo feminino ancestral e dos limites do apropriado - pois muitas vezes uma fatiota em que uma mulher, na sua inocente vaidade, "não vê nada de mal" tem outra leitura para os olhares masculinos. Por isso, quando na dúvida "isto será demasiado atrevido?" nada como o irmão, pai ou cara metade para dar o veredicto final. Até a mulher mais elegante, com mais sentido do que é adequado e do que não é, pode confundir-se, mas eles - que se ouvem uns aos outros e sabem os disparates que dizem de quem passa na rua - são um barómetro infalível.

 Se não andamos sozinhas no mundo, não custa considerar a outra metade. Opiniões?







Emile Zola dixit: a verdade é um cataclismo



"Quando a verdade é enterrada ela cresce, ela sufoca, ela acumula uma tal força explosiva que, quando irrompe, arrasta tudo com ela". 

Emile Zola , 1898


A verdade é como certas pessoas muito pacientes, muito discretas, que vão tolerando, ignorando, deixando andar, enchendo o saco à espera que as coisas voltem aos eixos...até que percebem que assim não pode ser e quando o saco rebenta, fujam: fica tudo assarapantado, pasmando de como aquela criatura tão doce se torna numa fera.

 Toda a vida ouvi a avó dizer que a verdade anda sempre ao cimo da água (se calhar às vezes não se distingue bem quando as águas estão turvas por muitas mentiras, intrigas e trampolinices, mas está lá). No entanto, Zola também é capaz de ter razão: quando a confusão é muita, a coitadinha da verdade pode ser calafetada num porão qualquer à força das vigarices de vários interessados, cada um com uma agenda mais sinistra do que a outra, e da ingenuidade de quem julga ter tudo sob controlo quando na realidade é o fantoche de toda a gente, o bobo de serviço.

 E do pecado da ingenuidade, quase ninguém se livra: quem nunca esteve no papelão de "menino na mão das bruxas" julgando ser protegido por amigos que, com melhores ou piores intenções, mexiam cordelinhos que não lhes diziam respeito, que atire a primeira pedra.

  Isto acontece muito quando alguém está num lugar de destaque que convém (ou não) a muita gente, ou quando a ligação entre um casal ou uma sociedade incomoda fulano e beltrano - aí os desocupados, os invejosos e os Honestos Iagos da vida tratam de se juntar para cozinhar venenos e urdir a sua intriguinha, a sua conspiraçãozinha, a sua manipulaçãozinha.

 Porém, como o Universo não é menino que goste de estar quieto e não há nada tão bem escondido que fique oculto para sempre, pela ordem natural das coisas um dia os nós desatam-se, o chão move-se e o castelo de cartas desaba. Depois é o bom e o bonito, num infindável destapar de carecas, de abertura de cadeados, de caudas presas, de desenrolar de novelos...e como tudo está ligado descamba com estrondo, para o bem e para o mal. 

  E pouca sorte das pouca sortes, como a Verdade tem muitas faces, ao irromper despedaça muitos espelhos...e são estilhaços que nunca mais acabam. 

 Mas a chuva de vidros brilhantes só incomoda quem gosta de andar às escuras. Todos os que gostam das coisas imaculadas e claras sabem que é preciso desarrumar para limpar alguma coisa, e não se importam nada com isso.

Friday, November 28, 2014

Definição de Purgatório




(...)Da dor mera ficção move tristura
Em quem olha: senti então notando
 Das almas penitentes a postura.

Mais umas, outras menos, se dobrando
Iam, segundo o fardo, que traziam;
E as que eram mais sofridas, pranteando,

Não posso mais! — dizer me pareciam.

Dante Alighieri, A Divina Comédia - Purgatório



Cair no disparate de quebrar a minha jura centros -comerciais- só -a dias -úteis- e -a -horas- mortas, e ter a brilhante ideia de ir procurar um determinado presente num shopping que calhava em caminho - e onde não entrava há anos - depois de terminar os meus afazeres.

 Lembrei-me logo porque é que não punha lá os pés desde o tempo dos afonsinhos. Por mais templos do consumo que acumulem neste país, arranjam sempre modo de os apinhar e é impossível apreciar alguma coisa com tanto povo a mercar ou a pasmar para as montras. Depois o calor, a música aos berros, as pessoas tropeçando nos seus sacos e saquinhos como se fosse o peso dos seus pecados, todo um aparato trazido sem tirar nem pôr da segunda parte da Divina Comédia, e ainda o espalhafato natalício vem longe...que seria se assim não fosse!

  Visitei só uma loja, não aguentei e voltei de mãos a abanar, de cabeça a andar à roda, irritada com aquilo tudo, ansiosa por ar fresco, entre frustrada pelo passeio à Senhora da Asneira e vitoriosa por não deixar o meu rico dinheirinho naquele OVNI gigantesco. Cada vez mais prefiro fazer as minhas compras em lojas calmas, de preferência que fiquem na rua, em mercados (e nesta época há uns quantos, muitos para fins solidários) ou comprar online. Desconfio que este ano vai tudo corrido a encomendas!

 E aqui entre nós que ninguém nos ouve, acho que Dante estava mas era a prever os centros comerciais quando descreveu o Purgatório.
Para penitências já basta o que basta...

Thursday, November 27, 2014

O bâton perfeito da Maggie de Freakshow? Achei!



Quem acompanha American Horror Story: Freakshow já deve ter reparado no bâton encarnado da vidente-vigarista Maggie Esmeralda, interpretada pela encantadora Emma Roberts.

 Esta temporada da série passa-se nos anos 1950 e como já é costume, a produção não brinca quando se trata de caracterização e figurino. O tom encarnado/alaranjado mate da actriz não podia passar-me despercebido - ilumina-lhe lindamente o rosto e tem o aveludado ideal.


 Pus-me em campo para saber mais e descobri que se trata do True Red desta marca relativamente recente que se especializou em  produtos de inspiração vintage, a Bésame Cosmetics. Só de escarlates/laranjas a Bésame tem quatro nuances de fazer perder a cabeça a qualquer apreciadora de clássicos.


 A loja oficial envia para Portugal (está também disponível na Sephora, mas ao que percebi só online e dentro dos E.U.A), logo por €29 é possível reproduzir o look da charmosa artista de circo.

 Só fico com dúvidas por não poder experimentar e por, segundo a marca, o produto não ser tão pouco brilhante como parece no écrã, já que a Bésame acha que as texturas mates não são fiéis à época nem benéficas para os lábios. Acho vou esperar que a Sephora Portugal disponibilize esta gama, porque não tenho propriamente falta de bâtons dessa cor.
 Mas, never fear: se quiserem usar o mesmo visual sem compromisso, eu descobri (antes de a série começar, coincidência das coincidências...) a alternativa ideal. 

Uso-o há meses e tinha de partilhar convosco...

Basic Cosmetics, bâton mate nº 6


Costumo passar regularmente na Clarel (ex Schlecker) para comprar isto e aquilo e ainda esta drogaria não tinha vindo para o nosso país, já eu era fã da sua marca de cosméticos, a Basic. Tem produtos interessantes (como a base mineral e em mousse) adequados a peles claras e ultra sensíveis como a minha, por isso recomendo-os com toda a confiança.

 Reparei que tinha uma gama mate de bâtons e escolhi o encarnado mais aberto para juntar à minha colecção, o número 6 - um alaranjado lindo. Só vos aconselho uma boa hidratação prévia: o bâton não é cremoso mas é super aveludado, muito pigmentado e dura todo o santo dia (ou noite, porque a cor é mesmo intensa). Por um preço irrisório (cerca de €3 e picos) não fica atrás, pelo contrário, de outros parentes mais luxuosos.
 Com um bom delineador garante - olha eu a inventar um slogan à época - 24 horas de glamour. Experimentem e depois contem-me...só vos digo que se se lembram de o descontinuar vou ficar muito aborrecida e que pelo sim, pelo não, me vou abastecer de uns quantos tubinhos.












Lumberquê?


Barba por fazer, visual descontraído, botas de trabalho, camisas de xadrez e um aspecto super masculino...mas tudo pensado ao milímetro. Ao que parece, o estilo lumbersexual  - portmanteau de lumberjack (lenhador do Canadá e EUA) + metrosexual - está a impor-se nas ruas e nas redes sociais, promovido por jovens cavalheiros com muita consciência de moda  e vontade de voltar às origens. Bem que eu elogiava Sébastien Chabal, o jogador de rugby a quem chamavam retrosexual.

 Porém, o retrosexual será outra coisa... e não teve o mesmo impacto nos social media porque, bem...ser retrosexual será simplesmente, ter um estilo natural. Ser um bocadinho marialva e não perder mais tempo na toilette do que aquilo que sempre foi costume desde a noite dos tempos (se pusermos de parte dandis como Beau Brummel, mas não vamos por aí).

 Depois da tendência dos homens super bonitinhos (e um pouco femininos, diga-se de passagem)  super depilados, super trabalhados, sensíveis, vaidosos, criminosos que assassinavam barba a laser - a ideia de uma imagem tradicionalmente viril  é, à primeira vista, uma lufada de ar fresco.




  Muitas vezes defendi aqui que uma coisa é um cavalheiro, outra coisa é um manequim de montra mais frágil e vaidosinho do que nós - o metrosexual. 

Pessoalmente prefiro roupas clássicas com um sortido de polos, anoraks e barba de dois dias para os dias descontraídos. Um cavalheiro será mais snob do que dandi na maneira de vestir (e jamais metrosexual) pois não precisa de estar de casaca para ser e parecer aquilo que é: investe em roupas caras e de bom corte, mas não está preso a elas; o ar de distinção acompanha-o sempre, mesmo que ande de galochas a tratar do jardim ou esteja todo enfarruscado de ir à caça, ou coisa que se pareça. A distinção é-lhe inerente.

 E esse é, a meu ver, o problema dos lumbersexuais: nada ali é espontâneo. É uma afirmação de moda, um visual demasiado composto e propositado para não soar a falso. Poucos homens realmente masculinos se preocuparão tanto em corresponder a um estilo, em andar todos iguais e em defender ao milímetro (literalmente) um determinado comprimento de barba.

 Nem vem aqui ao caso se a barba é excessiva ou não (desde que esteja cuidada e se tenha uma cara que vá bem com isso, tudo bem por mim) mas o lumbersexual soa-me, para já, a uma caricatura daquilo que um homem é suposto ser.

 Porém, como às vezes é pela hipérbole que se dá a conhecer uma determinada necessidade, não deixam de ter algum valor, socialmente falando: se os homens precisam de exagerar traços masculinos para se afirmar, é porque homens e mulheres estão cansados de tanta picuinhice. A cultura do homem pé de salsa parece ter os dias contados, valha-nos isso.
O pior é que não consigo deixar de me lembrar da cantiga abaixo quando se fala no termo:









Wednesday, November 26, 2014

Um prazer que não se deve dar a N-I-N-G-U-É-M




"Cá por mim cumpro o meu dever. O resto não me amofina, que o resto ou são objectos inanimados, ou seres privados de razão ou transviados que não sabem ver o caminho".

Imperador Marco Aurélio


Por aqui já se falou muitas vezes de como admiro as pessoas imperturbáveis, nonchalant, dotadas de sangue frio. A avó, God rest her soul, foi muito responsável por me incutir essa aversão a quem se amofina ou melhor, a quem deixa que as suas amofinações se percebam. "Se estamos mal ou bem, ninguém tem nada a ver com isso" dizia ela, "por muito em baixo que se esteja há que caminhar de cabeça erguida e não dar essa alegria a quem nos quer mal ou simplesmente, não tem nada melhor com que se entreter".

Estas palavras acompanharam-me toda a vida  - mesmo na idade do armário, quando as minhas colegas faziam questão de "sair da aula a chorar porque se tinham zangado com o namorado"-  eu era incapaz de choradinhos e ficava cheia de vergonha por elas.

 Nunca entendi quem faz questão de mostrar aos outros as suas zangas, desilusões, alegrias ou desgostos - fazendo uma figura triste logo que muda de ideias. A vida não é um Big Brother, mesmo na era das redes sociais. Rompimentos, maçadas, revezes, fúrias, reconciliações, doenças - são coisas do foro privado. 

 Num dos meus romances preferidos, The Joy Luck Club, Amy Tan diz "as lágrimas não apagam a tua mágoa: atiçam a alegria de alguém. Por isso deves aprender a 
engoli-las". Em público, pelo menos.

O reverso da medalha é que a dignidade e o sangue frio podem passar por frieza, indiferença ou levar a ditos do género "ela (e) só gosta dela (e) própria (o)". Mas antes frieza que figura de urso.

 Na mesma linha está o ceder a provocações, achas, esquemas ou mexericos feitos de propósito para provocar uma reacção (de tristeza ou de fúria) ou causar atritos entre as pessoas. Nunca ninguém ganhou nada por ouvir o diz-que-disse e proceder de acordo; tão pouco algo se resolve uma crise - entre um casal ou dois amigos desavindos - por um deles fazer piruetas, atirar ditos jocosos para o outro ouvir ou acicatar ciumeiras infantis com actos igualmente imaturos. 

Bem aconselha Sun Tzu "se o inimigo está quieto, provoca-o".

  No entanto, para o estratatema resultar... é preciso que o inimigo seja parvo, ou nervosinho, ou nunca tenha lido Sun Tzu.

 Perante atitudes mesquinhas, há que não dar às pessoas o circo que elas querem. Sem audiência, não tem graça nenhuma.

 Evite-se portanto oferecer aos outros a alegria, o entretém ou o prazer de assistir ao espectáculo das arrelias de cada um. O silêncio vale mais que mil palavras e lá dizia a outra, "the less you reveal, the more people will wonder".








A bela Arlene Dahl...e os seus conselhos para mulheres poderosas.


                  "Blondes may have more fun, but redheads never have regrets." 

Arlene Dahl


Arlene Dahl, nascida em 1928, é uma actriz, cronista e autora de livros sobre temas como  beleza, comportamento e astrologia.
 A beldade ruiva alcançou notoriedade nos anos 50 e tornou-se uma especialista em cosméticos e assuntos femininos, lançando vários livros, produtos de beleza e linhas de lingerie. Era tão bonita, mas tão bonita, que as meninas brincavam com bonecas de papel para cortar fatiotas inspiradas nela:


Pelo caminho, teve seis maridos (continua casada e feliz com o sexto) três filhos (entre os quais, o actor Lorenzo Lamas) seis netos e um bisneto.

  Apesar do percurso sentimental algo tumultuoso (casar seis vezes é obra!) Arlene foi sempre uma mulher feliz e descontraída, que não parecia levar os cavalheiros demasiado a sério. O seu primeiro marido foi aquele que considero um dos homens mais bem parecidos (de sempre!) de Hollywood, o Tarzan Lex Barker:


Faziam um casal belíssimo, mas Arlene, que andava entretida a namoriscar Jack Kennedy  e Robert Hutton e a divertir-se como nunca, só casou com ele por recomendação da amiga Joan Fontaine, que lhe disse "este homem está apaixonadíssimo por ti - devias parar de o entreter". O conselho não se provou muito feliz, porque a união durou pouco "ele era o homem mais bonito que alguma vez vi e um ser humano maravilhoso, mas não tínhamos nada em comum". Mal feito, digo eu! Porque depois levou décadas a acertar, prova provada de que não há amor (marido, neste caso) como o primeiro.

 De qualquer modo, concorde-se ou não com o modus operandi da actriz, a verdade é que ao contrário de muitas colegas suas ela sempre soube lidar com o sexo oposto, levou a sua vida adiante sem dramas mantendo a reputação de uma senhora (pelos padrões de Hollywood, vá) e sabia um par de coisas sobre relacionamentos:

 Take each other for better or worse, but not for granted. 




Há dias deparei-me com um livro dela, escrito nos anos 60 (disponível na Amazon) com conselhos de personal styling e relacionamento: Pergunte sempre a um Cavalheiro: chaves para a Feminilidade. Parece que o manual ainda é um tesouro vintage para muitas jovens americanas, que o herdaram das estantes das avós. 

Bom, este é o tipo de obra que deixa as feministas de carteirinha à beira de um ataque (não vale a pena ligar a isso: elas têm fanicos por tudo e por nada, mesmo) porque, bem...Arlene perguntou aos colegas de Hollywood e a celebridades do jet set internacional (do verdadeiro, mind you) o que é que realmente lhes agradava numa mulher, e juntou os seus próprios conselhos. O resultado é muito curioso e se há uma ideia por outra que faz menos sentido nos dias que correm, a maior parte - evitar a ostentação e os sapatos de plástico, por exemplo - é intemporal.



 Como tantas mulheres inteligentes ao longo da História, Arlene defendia que a chave para o poder feminino não está em querer ser igual aos homens nem na canseira de tentar derrubar um status quo que existe desde a noite dos tempos, mas em usar a feminilidade, a subtileza e a diferença a seu favor. A velha fórmula que agora não cai lá muito bem dizer em voz alta para não ser acusada de bota-de-elástico, vulgo deixá- los achar que este é um mundo de homens porque eles não fazem nada sem nós, mesmo ou seja, na cooperação entre os sexos (ou batê-los amigavelmente no próprio jogo, se preferirem).

 Dicas do género "todas as mulheres têm uma audiência para a sua feminilidade, e não convém desprezá-la; convém estar sempre no seu melhor, pois nunca se sabe quem está a ver", evitar "uma voz estrídula" ou coisas irritantes como "falar à bebé" e conselhos como este, do Xá do Irão (sic) " a aparência de uma mulher reflecte a posição do homem que está ao seu lado e quanto mais elegante ela é, maior o elogio que ele recebe" fazem sempre falta, eu acho.



  Se muitas mulheres na política, por exemplo, seguissem o conselho de evitar falar como canas rachadas (e nos últimos dias, foi complicado ouvir as notícias com tantas comentadoras a tentar fazer-se ouvir aos guinchos) seriam levadas mais a sério. Digam o que disserem, a feminilidade e elegância impõem sempre respeito.

E no fundo, qual é o problema de tentar perceber aquilo que agrada ao sexo oposto? As autoras de revistas actuais escrevem exactamente o mesmo tipo de artigos - o problema é que, como acham que sabem tudo, perguntam umas às outras ou raciocinam sozinhas lá na sua cabeça em vez de indagar junto do público alvo, além de inverterem o jogo de uma forma totalmente prejudicial às mulheres. As revistas de hoje dizem
 "esfalfe-se, conquiste-o!" enquanto autoras como Arlene aconselhavam "faça isto e valorize-se para que eles a queiram conquistar a si" o que é muito menos cansativo...e mais digno. E acrescente-se, Arlene tinha uma carreira e nunca precisou de homem nenhum para lhe pagar as contas...

 Qual dos dois modelos de comportamento é mais (olha a palavra da moda) EMPOWERING para as mulheres? Julguem vocês...









Tuesday, November 25, 2014

Liszt, o namoradeiro assustadiço.


  Aqui vos confesso que na minha adolescência tive um fraquinho por Franz Liszt.  
Em certa ocasião, a loja de música onde comprávamos os instrumentos lá para casa ofereceu -nos de brinde um retrato dele e eu fiquei encantada...mas creio que se o tivesse conhecido, me limitaria a apreciá-lo da plateia. Sempre tive horror aos homens namoradeiros, por mais carismáticos que fossem.

O lendário pianista e compositor foi uma combinação rara de génio musical e talento para os negócios: a meio da sua carreira tornou-se tão rico que já não precisava de actuar para viver: fazia-o apenas para angariar fundos a favor de causas nobres.
 Era um ser humano complexo, de grande coração e espiritualidade (chegou a receber Ordens Menores da Igreja Católica) mas simultaneamente, um homem do mundo.



 Filho de um músico de origem alemã ao serviço de um Príncipe Húngaro, cedo se revelou uma criança prodígio, tendo os fidalgos com quem privava assegurado a sua educação musical. Mais do que isso, ter crescido nesse meio facilitou-lhe uma certa altivez de maneiras que mais tarde o haveria de impor nos salões de forma singular: exigia respeito às audiências mais aristocráticas (algo invulgar nos artistas desse tempo) e atrevia-se a fazer coisas que seriam impossíveis a outros músicos, como recusar actuar para a Rainha de  Espanha uma vez que a rígida etiqueta impedia que Sua Majestade lhe fosse apresentada, ou não começar a tocar até que o Czar Nicolau I parasse de conversar com a pessoa na cadeira ao lado. 

 O público surpreendia-se com tanta ousadia, mas adorava-o. Em especial, as mulheres adoravam-no - e ele correspondia-lhes plenamente.


 Alto, elegante, louro, bem parecido, de olhos tristes e penetrantes - com a aura fatalmente misteriosa dos homens húngaros - é muito confuso tentar enumerar os relacionamentos sérios e as dúzias de casos amorosos de Franz Liszt.

 A sua relação mais longa e profunda foi com a Princesa Carolyne von Sayn-Wiitgenstein, que abandonou tudo por ele e com quem esteve para casar, mas ao longo da sua vida as mais belas, bem nascidas e famosas mulheres da Europa caiam-lhe aos pés: a escandalosa bailarina Lola Montez (de quem Liszt fugiu a bom fugir...coberto de razão, honra lhe seja feita) a Princesa-jornalista italiana Cristina Belgiojoso, a excêntrica Baronesa "a Gata Negra" Olga von Meyendorff, a Condessa Adèle de la Prunarede, a Condessa polaca Olga Janina (que ameaçou matá-lo quando o affair terminou) e a linda cortesã Marie Duplessis (a célebre Dama das Camélias) foram apenas os mexericos mais conhecidos.



 Mas um dos maiores apertos em que Liszt se viu terá sido quando a sua amante (e mãe de três filhos dele), a Condessa-escritora Marie d´Agoult, que tinha deixado marido e prole para viver com ele, se travou de razões com a sua "amiga" (e por sua vez, amante de Fréderic Chopin) - a famosa autora George Sand


George Sand e Marie d´Angoult
Cansada de ver a excêntrica George Sand a enganar Chopin, fazendo olhinhos a Liszt e sentada por baixo do piano enquanto ele tocava, a Condessa, reverdida de ciúmes, desafiou a escritora para um duelo - um duelo à unhada!
 Enquanto as duas se esgatanhavam literalmente por causa dele, numa cena muito pouco condizente com a dignidade feminina que seria de esperar de mulheres inteligentes, Liszt (que media quase 1,90!) em vez de as separar com a racionalidade masculina que lhe competia...ficou escondido dentro de um armário até que ambas se acalmassem.

Aqui fica mais uma prova de que quanto mais namoradeiro é o cavalheiro, menos homem é...a relação com a Condessa terminou ali. Não se sabe se por causa da atitude descontrolada dela, se à conta do pouco cavalheirismo dele.

 Mas Liszt não aprendeu a lição e já na terceira idade, continuava a conquistar belas jovens, ressalvando no entanto "nunca seduzi uma donzela". Com a sua alergia ao confronto, não admira que quisesse evitar sarilhos maiores...


Inspiração: Irving Wallace, a Vida íntima de gente famosa








Michael Kors dixit: nada para vestir (e 9 dicas para evitar essa doença).



Segundo o criador americano conhecido pela sua abordagem simples e luxuosa, a razão de muitas mulheres terem armários cheios de roupa e nada de jeito para vestir pela manhã não é nenhum mistério:

«70%  da sua roupa devia ser "carne e batatas", e 30% "guarnições e gulodices" - ou seja cores, padrões, brilhos e acessórios. Demasiadas mulheres invertem esta proporção e depois não percebem porque é que não se sabem vestir".

Não podia estar mais de acordo: já comentei por aqui que a falta de bons básicos é o mal de imensas mulheres, e em particular de muitas portuguesas.

 Conheço não poucas que gastam bastante em extras - como bijuteria ou mais uma camisola de malha brilhante - e têm pouquíssimos conjuntos de confiança, que sejam fáceis de usar e favoreçam a sua figura. Como evitar isto? A fórmula de Kors é clara: 70% de básicos de boa qualidade, 30% de "peças-tendência" e acessórios (colares, pulseiras, carteiras, lenços).

Também é útil lembrar que:

1- Se sair à rua sem roupa vai presa...mas ninguém a multará se andar sem colares ou pulseiras. Parece uma parvoíce, mas se tiver este mantra em mente quando vai às compras evitará dirigir-se aos expositores de bijuteria  antes de procurar e experimentar o vestido que lhe está realmente a fazer falta. Concentração é tudo!

2- Os acessórios são uma parte importante do guarda roupa, mas não tanto como algumas revistas da especialidade fazem crer. É impossível dar-lhes utilidade se não tiver roupa suficiente: e por roupa entenda-se peças que lhe sirvam na perfeição (as calças que comprou quando pesava menos quatro quilos não contam) com os devidos ajustes feitos (bainhas, botões no lugar, etc) e devidamente organizadas. É impossível vestir-se rápido se não faz a mínima ideia daquilo que tem (ou não) no closet e do que está ou não operacional.

3- É preferível ter menos "jóias", chapéus, lenços e carteiras, mas de boa qualidade: sempre que possível, opte por materiais nobres. Para evitar distracções, compre os acessórios à parte (pela internet, quando viaja para locais exóticos ou em lojas especializadas) e não por impulso. Não precisa de quatro statement necklaces do mesmo estilo que se vão partir num ápice.  Além disso, de nada vale ter muitos acessórios sem conhecer bem o estilo predominante (e no caso dos colares, o tipo de decote mais frequente) do seu guarda roupa. Isso só cria confusão.

  4- Nas écharpes e cachecóis, opte por uns quantos em tons básicos, quentes e frios (para darem com tudo) num tecido aceitável e quanto às carteiras...há 10 carteiras de que uma mulher realmente precisa. Se tiver todas estas de uma marca de confiança, em tons neutros e/ou nas cores que a favorecem, evitará perder a cabeça com mais uma clutch que estava em promoção...e que para lá fica a ganhar pó.

5- Comprar básicos pode não parecer tão divertido porque as peças essenciais não brilham, não são muito coloridas...mas é uma questão de hábito. Se se acostumar a distinguir umas calças bem cortadas e de bom tecido, "caçá-las" todas as estações para comprar mais um par porque está sempre a precisar delas torna-se uma emoção! Nada faz uma mulher sentir-se tão bonita como vestir o que realmente cai bem no seu corpo. Depois de ter os básicos de que precisa aí sim, pode divertir-se a criar coordenados diferentes mudando os acessórios.

6- É preferível ter um guarda roupa completo para todas as situações a uma superabundância de roupa e sapatos.

7- De novo, cuidado com os sapatos divertidos e baratinhos. Mais dicas aqui, aqui e aqui.

8-Mesmo nas peças-tendência (padrões e modelos passageiros) que devem ser um investimento menor, não compre nada que não vá na perfeição ao seu corpo e às suas cores. Ainda que tenha a silhueta de um Anjo da Victoria´s Secret, há certos comprimentos e cortes que não vão fazer nada por si -  e quanto mais cedo se aceitar essa ideia, mais fácil se torna. Por vezes é uma diferença de poucos centímetros, mas é a distância entre estar fabulosa ou estar sem graça. 
  Se as saias se usam mais curtas, descubra qual é a altura de bainha que lhe fica bem e não condescenda noutra, principalmente se o tecido é extravagante: vai odiar ver-se naquilo, por mais bonito que pareça na montra.  Se a cor ou padrão da moda a faz parecer mais larga ou macilenta do que é na realidade use-a numa carteira, mas não no corpo ou junto ao rosto.

9 - Num visual, pode haver uma peça central (o vestido, o casaco...) e um acessório que chame a atenção. Mais do que isso é arriscado, portanto...faça as contas aos "fru frus" de que realmente precisa, e invista antes no que de facto é uma necessidade. Focar-se na utilidades das coisas é uma boa receita para evitar compras disparatadas e "limpar" o visual. Less is more.






Monday, November 24, 2014

Do assunto da semana: o "subir na vida"...mal.




pun·do·nor |ô| 
(espanhol pundonor)
substantivo masculino
1. Sentimento de dignidadebrio. = AMOR-PRÓPRIOHONRA
2. Recatodecoro. = PUDOR


Este post não se trata de fazer política de bancada (deixo a política para quem trata disso e quem me conhece ou me lê o blog com frequência sabe ou adivinha quais são as minhas simpatias) de fazer coro e muito menos de prever ou dar palpites sobre se é verdade ou mentira. Há que aguardar calmamente o desenrolar da história, esperando que não seja mais uma que, à moda dos brandos costumes, fique envolta em nevoeiro.

 Escrevo isto porque o exemplo serve para governo de todos. 

Para o caso, é irrelevante se o nosso ex Primeiro-Ministro é culpado ou não das muitas artimanhas que lhe têm atribuído: haja o que houver, a vergonhaça já ninguém lhe tira...e enquanto Povo, acho que agradecíamos não ter de passar por uma destas.

Tenho dito por aqui incontáveis vezes que a honra é um conceito fora de moda - se antigamente certas pessoas não eram recebidas em certos sítios por muito sucesso ou fortuna que tivessem, hoje verifica-se o contrário. Um malandro tem lugar em toda a parte, ou quase, desde que seja um malandro rico e bem sucedido...por isso, poucos se importam de ser malandros ou de passar por tal.

  No século XIX chegava-se ao extremo de pensar que era preferível ir para a cadeia por homicídio do que por roubo, pois qualquer homem honrado podia perder a cabeça mas não ficava sem a sua reputação por causa disso; hoje está-se no exagero oposto: a reputação vale muito pouco. Importam os resultados, o arrivismo, a abjecta arte de se safar, de embolsar, de ser um figurão, um espertalhão, um chico esperto, um pato bravo. 

Vive-se muito o conceito burguês de que não é guardando castidade e honestidade que se vai a parte alguma, e isso está enraizado de tal maneira que quem é honesto e procura evoluir limpamente é alvo de descrédito (se teve tanto êxito é porque herdou, roubou ou subiu na horizontal)  ou de de desdém (é um palerma) . Ou em muitos casos uma pessoa recta não chega mesmo a lado nenhum, porque não pactua com a podridão do sistema.

 Ser "esperto" desde que venha acompanhado de contas bem recheadas e de um lugar de destaque (o velho "ele embolsa, mas ao menos faz") é quase motivo de admiração - até que se seja apanhado, claro. Isso tudo só vale se a esperteza for tanta que o malandro consiga escapar sempre; caso assim não seja a populaça, sempre volúvel, exerce o seu direito de passar o figurão de bestial a besta.

  Voltando ao caso, independentemente de as alegações serem verdadeiras ou falsas, José Sócrates nunca pareceu importar-se com isso: as sucessivas acusações de tirar licenciaturas ao Domingo ou de se aproveitar disto ou daquilo nunca o fizeram parar e escavar para restaurar o seu bom nome. Não sei o que pensava, mas uma pessoa honrada não anda por aí contente e feliz com o seu bom nome manchado. Ir para Paris com uma situação privilegiada e ter todos os confortos não importa a quem dá valor à sua reputação, se não puder caminhar de cabeça erguida. E não são os luxos nem as condecorações que permitem a alguém caminhar na rua de queixo levantado sem riscos de lhe atirarem injúrias.

  Ora, para o nosso ex Primeiro Ministro, sempre pareceram mais relevantes os fatos italianos (pessoalmente acho que devia ter optado pela alfaiataria inglesa, mas gostos não se discutem) as férias extravagantes, todas as ostentações de mau gosto, por muitas suspeitas que isso levantasse. É de facto um homem do seu tempo - dos tempos bem duros que atravessamos. Se não é corrupto, vaidoso nem egocêntrico, infelizmente para ele contribuiu para essa imagem. No mínimo, é um temerário.

  Se assim não fosse, poderia ter evitado estas maçadas com um percurso mais discreto, mais claro e mais limpo.

 Face ao estado das coisas, esta é uma excelente ocasião de atirar carapuças: não a Sócrates que enfim, lá está ocupadíssimo e eu não bato num homem ferido, mas a todos os que defendem e praticam a abjecta arte de subir na vida.

 A bajulação, os compadrios, os malabarismos, a corrupção, os cordelinhos, a ambição desmedida, o subir de forma horizontal ou torta, o virar de casacas e as batotas, o arrivismo e o alpinismo muitas vezes não compensam. 

Ainda que a honra não valha um pataco para certas pessoas, ser apanhado - ou acusado publicamente de tal - é sempre desagradável. E Deus não dorme. Ao menos que tenham medo das consequências, já que pundonor não lhes assiste.





25 coisas que uma mulher apaixonada sabe (mesmo quando não está tudo bem)


Nesta vida há três tipos de amor romântico: os amores de ocasião que estavam à mão (que as pessoas com um mínimo de sensibilidade evitam como a peste) as paixões demolidoras (que duram pouco) e o amor verdadeiro, que ao contrário do que se diz por aí não é algo morno, calmo, racional e chato, que dura só porque funciona. O amor verdadeiro pode, sim, começar por, ou ter, uma fase de paixão demolidora. E incluir momentos tão devastadores como um furacão. Só que também tem outras coisas; milhares de infinitos pormenores que o fazem durar...e nem sempre esses aspectos são bonitinhos e perfeitos. Um amor verdadeiro tem defeitos, desilusões, sofrimentos e problemas como qualquer relação. Mas possui uma força que o torna diferente- resulta porque, por qualquer motivo, as qualidades e defeitos dos membros do casal lá se combinam para tolerar ou superar o que seria impossível noutro relacionamento.

Aqui ficam 25 exemplos, sem nenhuma ordem especial. Sintam-se à vontade para acrescentar os vossos:


1- A forma como se conheceram foi provavelmente um pouco esquisita ou inesperada - mesmo que não tenha surgido um amor à primeira vista explosivo, olhando para trás sente que houve uma espécie de campo magnético que vos puxou um para o outro; a recordação dos vossos primeiros encontros e conversas está envolta numa atmosfera de mistério, encanto ou estranheza.





2- Os olhos dele são os mais doces do mundo, e a menina sabe lá por dentro que mais ninguém a vai olhar  daquela forma. Por vezes não é um olhar devorador ou de adoração: é algo mais delicado, como a atenção que um artista dá à sua obra e que se traduziria por fazer festas com os olhos - mesmo quando estão zangados.

                                                          
3- Ele não tem medo de lhe gastar o nome por tudo e por nada, e você adora a forma como ele o pronuncia.



4- A voz dele é música para o seus ouvidos..mesmo que ele seja envergonhado ou desafine. Já deu por si a ouvi-lo cantarolar sem que ele perceba.



5- Nada lhe parece tão seguro nem tão forte como o ombro dele.



6- Não é preciso muito para lhe acelerar as batidas cardíacas - basta o toque mais casual quando caminham ao lado um do outro, quando ele a ampara para não tropeçar nos paralelos ou pormenores insignificantes, como as camisas dele acabadas de sair da lavandaria. Afinal, ele é o homem mais sexy à face da terra, certo? Mas ele também não precisa de grande coisa para se sentir fraco ao pé de si. São os detalhes que o encantam - a forma como você solta o cabelo, usa o bâton, ou como a sua cintura parece pequenina para o braço dele. Coisinhas.



7- Ele não sente medo de ter o coração ao pé da boca, e você adora isso. Está zangado? Verbaliza. Tem saudades ou está arrependido de uma asneira? Volta atrás. Tem ciumes? Marca território. E com o tempo, você pôs de lado a maior parte das relutâncias femininas para fazer outro tanto. Nenhum de vós é demasiado orgulhoso: primeiro porque há prioridades, segundo porque nem vale a pena. Já se sabe como as arrelias acabam e mais vale passar depressa à parte boa.



8- Têm imenso orgulho um no outro. Mesmo quando o outro é trapalhão ou faz tolices.



9- Nos momentos maus, chega a recear que estejam a puxar pelo pior lado um do outro, tal é a influência mútua que exercem; mas no resto do tempo, sabe que aquele cliché "ele 
faz-me querer ser uma pessoa melhor" não é um lugar comum. É mesmo verdade, primeiro porque ele a faz extremamente feliz e isso lhe dá vontade de ser mais bondosa ou mais espiritual, segundo porque quer que ele se orgulhe de si e isso fá-la empenhar-se mais nos seus projectos e na sua aparência. E com ele passa-se o mesmo.




10- Dizem coisas um ao outro que não permitiriam a nenhuma outra pessoa: alcunhas que só verbalizam entre vocês, porque mais ninguém ia entender. Discussões que raiam o disfuncional mas que funcionam, passe o pleonasmo, porque...bem, são as vossas.



11- Ainda que não o admitam, seguem à risca as menores recomendações de estilo um do outro. Você diz que ele devia usar aquele modelo de casaco ou comenta que acha muito masculino uma sombra de barba? Dali a uns dias, lá está ele a usar como se tivesse sido ideia dele. Ele sente-se incomodado com aquele decote ou elogia uma determinada cor? Você fica feliz por lhe fazer a vontade. O amor elimina muitas pequenas teimosias e ceder torna-se uma uma alegria, não um sacrifício.



12- Adoptam os jargões, opiniões e raciocínios um do outro, e nem é de propósito.

13- Já sobreviveram às discussões mais mirabolantes, a umas quantas separações rocambolescas...e nada disso vos assusta. Há uma segurança interior que não se sabe de onde vem, mas está lá.


14- Mesmo nos momentos mais negros, há um sentimento de pertença. Não sabem o que vai acontecer mas sabem que são incapazes de se odiar um ao outro, de serem indiferentes ou mesmo de retaliações. Isto é verdade mesmo que à frente das pessoas se refiram um ao outro como "aquela ingrata" ou "aquele palerma" (por muito respeito que haja, não mandamos nas emoções). 
 A vontade de arreliar ou fazer ciúmes que acontece noutras relações não se verifica na vossa ou se acontece, é superficial; há tristeza e mágoa, se calhar um bocadinho de raiva, mas não angústia. Num amor verdadeiro o sofrimento é sereno, há uma confiança interior (mesmo que à superfície sintam ciumes ou dúvidas) e você faz orelhas moucas aos conselhos das amigas para "sair e conhecer outras pessoas". Se calhar não é a coisa mais saudável a fazer, mas simplesmente não existe vontade de ver mais ninguém. Ainda que estejam separados, há uma corda interior que vos liga. Pior ainda, você sente que ele vê, sabe e adivinha tudo o que lhe diz respeito. Estranho? Não, porque se trata dele.


15- Falando disso, têm uma telepatia que ninguém percebe. Sabem sempre quando o outro está bem ou mal.

16 -Concordam nas mais pequenas subtilezas - naquelas que importam, e isso nunca deixa de a surpreender.



17- Você acha-o o homem mais interessante, bem parecido, masculino e elegante à face da terra, e não percebe porque diabos ele tem tantos ciumes de si -  pois só se não estivesse no seu perfeito juízo é que olharia para outro lado. Por seu turno, ele considera-a a mulher mais deslumbrante e  mais cativante e por isso não lhe passa pela cabeça que todos os cavalheiros da sala não sintam exactamente o mesmo e não queiram raptá-la à primeira oportunidade. Não é muito lógico, mas é intenso.



18- Sente-se feliz ao lado dele, nem que seja na tarefa mais maçadora.



19- Procuram contacto físico nas coisas mais naturais e subtis. Se estão a ver uma revista juntos, entrelaçam os braços ou encostam o cabelo ou os joelhos um ao outro.



20- Boa ou má, a tensão entre vós é tão grande que se pode cortar à faca ou agarrar às mãos cheias, por muito discretos que sejam. Percebe-se que são um casal mesmo que esteja cada um do seu lado da sala.



21-  Por muito que discutam ao telefone, assim que olham um para o outro têm vontade de rir- e fica tudo bem.





22- Ao lado dele, você sente-se você- totalmente livre, à vontade e confortável. Ainda que tenham de enfrentar provas difíceis ou que ele seja uma pessoa exigente, consigo não é assim. O que sentem um pelo outro dá-vos forças para superar tudo.



23- Tarefas e incómodos que você jurou que nunca ia fazer ou ter por homem nenhum, agora leva-as a cabo de boa vontade. Se ele quisesse ir para a Conchinchina, você considerava essa hipótese. Ele faria outro tanto por si.


24 - Já estiveram separados, mas para vocês "dar um tempo" nunca foi uma desculpa para namoriscar por aí, gozar a  vida de solteiro ou avaliar sentimentos. Foi mesmo para pararem de dar um com o outro em doidos. O amor nunca esteve em causa.



25- Nenhum de vós sabe como a aventura vai acabar. Até pode acabar mal, as desilusões levarem a melhor e ir cada um para seu lado, bata na madeira. Mas ambos sabem lá dentro que são o amor da vida um do outro. Insubstituíveis. Aquela pessoa sobre quem se escreve um romance autobiográfico na velhice, a recordar como eram belos, jovens, apaixonados e como deram tantas cabeçadas

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