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Saturday, December 6, 2014

Cardeal Mazarin dixit: diz-me com quem andas...


"Para conheceres alguém, olha quem esse alguém frequenta"

Frequentar é como quem diz conviver com, fazer-se acompanhar de, trocar mimos nas redes sociais ou aprovar imagens, dever favores a, cumprimentar de perto, estar em contacto com...porque a não ser no caso de Bons Samaritanos que trabalhem com grupos de risco, boas almas que façam acções Missionárias junto de pecadores desorientados ou coisa que se pareça, nenhuma pessoa íntegra se orgulha de ombrear ou aparecer com gente duvidosa...ou simplesmente gente desagradável.

 Se um *aparentemente* bom rapaz se faz acompanhar de parvalhões, é provável que tenha ele próprio alguma coisa de parvalhão; se o mesmo bom rapaz tem muitas amigas de ar estranho...algo de errado se passa; se um figurão acima de toda a suspeita convive com mafiosos, se calhar não é tão honesto como isso; se uma jovem aparentemente bem comportada só tem amigas do piorio, com um mau ar terrível, e faz questão de as acompanhar... não vai decerto por um bom caminho; se uma senhora que parece muito bondosa conhece de perto todas as bisbilhoteiras da paróquia, não será pessoa a quem se confie um segredo...e assim por diante.

O Cardeal italiano Jules Mazarin, que sucedeu ao seu mentor (o célebre Richelieu) era um ás não só da realpolitik, mas também de todas as pequenas subtilezas e batotas sociais. Tal como Maquiavel, conhecia o piorzinho do ser humano e deixou um famoso Breviário dos Políticos  - bastante detalhado, assinale-se - para governo de cada um: dos maus e dos que precisam de fugir deles.

É caso para dizer que neste mundo de Deus só anda enganado quem tem preguiça de ler, ou quem não aplica o que vem nos livros.


10 pares de calçado que todas as mulheres devem ter no armário



Perguntar a uma mulher "quantos pares de sapatos tem?" é um atrevimento que não se faz. É um daqueles números privados de cada uma, um dos segredos que, como dizia Lady Astor e a  Rose do Titanic, fazem parte do oceano do coração feminino.

 Mas quando falamos cá entre nós, não há problema em fazer contas de cabeça; e assim como aqui há tempos discutimos os 10 modelos de carteira indispensáveis, convém estar ciente dos 10 modelos de sapatos em que é sempre seguro investir...e se calhar, comprar mais do que um par de cada um: primeiro porque não se resiste, segundo porque andamos sempre à procura deles pela manhã. Não fiz distinção entre calçado de Verão e Inverno porque actualmente há sempre quem viaje, logo  é mais raro pôr-se de parte todo o calçado aberto logo que os dias mais frios espreitam. Aqui vai:


1- Pumps nude



Já enumerei as suas vantagens aqui. Tornam a figura mais esguia e alongam as pernas, além de darem virtualmente com qualquer cor ou padrão. Sou adepta de os ter em várias alturas e modelos- incluindo peep toe. O número de situações que facilitam não está escrito!

2- Pumps pretos
                                                          
                                                                      Sergio Rossi





















Vale o mesmo que foi dito atrás. Nunca ninguém ficou mal com uns pumps pretos. Seja um modelo prático (salto espesso ou kitten heel) para o quotidiano ou uma versão mais elegante que serve para dar graça a uns jeans ou usar com um vestido, as opções são infinitas...tal como as combinações que permitem! 

3- Botas rasas de cano alto


Stuart Weitzman

Descobrir as suas pode dar algum trabalho, porque não é tão fácil como isso encontrar um modelo que não incomode o calcanhar (como não têm salto, arranjam outra forma de magoar...enfim!) e que seja bem isolado o suficiente para não sentir o chão nem gelar os pés, mas é uma busca que vale a pena. O melhor é ter dois pares, umas pretas e outras num castanho rico ou camel. As que não precisam de fecho e de cano mais alto, que chegue mesmo ao joelho ou ultrapasse um bocadinho, são as mais favorecedoras para todas as sihuetas.

4- Botins confortáveis
Isabel Marant

De há uns anos para cá os botins tornaram-se de rigueur e há modelos para todos os gostos e ocasiões a cada temporada. Pessoalmente, gosto mais deles como calçado prático para o dia a dia, embora tenha alguns modelos bonitos de sair. Mas se quiser investir só nuns, opte pelas versões "todo o terreno": cavados q.b no tornozelo e com um salto baixo mas que eleve a figura, estilo country. São muito democráticos, porque favorecem a maior parte das mulheres e podem ser coordenados com jeans, vestidos ou calções.  Seja exigente com o material, que convém ser mesmo confortável - no caso dos botins o melhor é a camurça macia como manteiga.

5 - Uns flats que funcionem para si
Zara

Bailarinas (as melhores são as ligeiramente pontiagudas, que alongam as pernas) loafers (se é alta ou tem uma figura esguia e arrapazada) ou oxford shoes (que resultam na maioria das silhuetas) convém ter sempre à mão o seu "par à prova de grandes passeios" que é simultaneamente elegante e pode ser usado com toilettes casuais ou acompanhar um look um bocadinho mais clássico.

6- Pumps simples numa cor vibrante


J Crew

Dão graça a um visual sóbrio e fazem as pernas bonitas. Estes são geralmente sapatos de toilette que não exigem muito investimento (embora as marcas mais exclusivas façam modelos lindíssimos) porque  primeiro, resultam melhor em tecido do que em pele e os sapatos de cetim estragam-se com alguma facilidade, por mais luxuosos que sejam; segundo, porque são de uso ocasional; terceiro, porque como não têm frufrus nem aplicações só precisam de um molde estável e um design que destape bastante o pé. É sempre engraçado ter uns, logo recomendo-os na qualidade de "sapatos carolice".


7 - Botas elegantes de cano longo
Gucci
Outro artigo que nunca é demais e em que convém investir, pois precisam de ser resistentes . Dos modelos com saltos mais altos para saídas informais às básicas e confortáveis de altura média para caminhar, fazem sempre falta. As mais importantes (e difíceis de encontrar) são as de couro preto extra suave e ligeiramente brilhante, mas as castanhas são muito bonitas e a camurça tem sempre utilidade.  Relativamente ao cano, aplica-se o que foi dito no nº3 - mas as cuissardes (desde que bem escolhidas- seguir o link para dicas) também são uma boa aquisição. Se o cano for maleável q.b, poderá usá-las com skinny jeans, saias e sabe-se lá as hipóteses que agora não me ocorrem.

8- Sandálias "invisíveis" para sair
Miu Miu

Porque nada favorece tanto as pernas como calçado que quase não se vê. As melhores são nude, douradas ou pretas. Atenção, no entanto, à estabilidade do salto (se não distribuir bem o peso do corpo vai forçar os músculos é pior a emenda do que o soneto) e às tiras, que por invisíveis que sejam convém que assentem na parte mais esguia no tornozelo...e acima de tudo, que não saiam do lugar.

9 - Stilettos fabulosos para dias especiais


Dolce & Gabbana

Ou como eu gosto de lhes chamar, "sapatos da sorte". São aquele par altíssimo mas super estável, eventualmente com alguns brilhos e aplicações, que a vai acompanhar por vários eventos inesquecíveis. Por ser festivo e com detalhes, convém que pareça bem feito e dispendioso - logo, é um investimento a pensar muito bem. Muitas mulheres têm um no armário, pois sabem que quando o calçam, nada pode dar para o torto.

10- Slingbacks de confiança
Ferragamo

Neste quesito fiquei na dúvida: em listas parecidas tenho visto autores citar "umas sandálias de plataforma nude" mas as sandálias para andar à vontade podem ser complicadas para pés mais sensíveis ou não favorecer toda a gente, enquanto um slingback (de que já falei em detalhe aqui) se usa da Primavera ao Outono sem ai nem ui, aguenta mesmo alguma chuva e alonga as pernas, além de tanto ficar bem com skinny jeans envelhecidos como com um vestido clássico. Dependendo do outfit podem parecer chic ou divertidos e acima de tudo, são super confortáveis desde que escolha uns com uma tira que não saia do lugar.
 Levam-se para o emprego, para almoçar com os sogros, mas também para passear com as amigas...e embora possam estranhar-se ao início, uma vez acostumadas vamos querer um par de cada cor.


Friday, December 5, 2014

Os pais que cancelaram o Natal...ou nem por isso.






"Quem se nega a castigar o seu filho, não o ama..."

Provérbios, 13-24

Um casal americano, farto do comportamento arrogante e ingrato dos seus três filhos, decidiu - depois de mil e um avisos - tomar a drástica medida de "cancelar" o Natal.

 A ameaça não é nova - quem em pequeno não foi recebeu a aterradora advertência de ficar sem presentes (ou receber carvão no sapatinho) se não se comportasse, que atire a primeira pedra - mas Lisa e John Henderson, temendo estar a criar pequenos ditadores que se acham cheios de direitos e sem nenhuns deveres, levaram mesmo o ultimato a consequências extremas.

Ora, é preciso ter muita firmeza para fazer isto. Cancelar o Natal é o castigo supremo, quase épico, de proporções bíblicas. Eu não sei se teria coragem, e a família foi bastante criticada por tal "crueldade". Uma coisa é certa, é um castigo inesquecível!

 Mas como os pais não se limitaram a devolver os presentes à loja e decidiram ir mais longe, envolvendo os rapazes de 5, 8 e 11 anos em diversas acções de caridade, a experiência está a acabar por não ser tão má como isso...antes pelo contrário.

 Depois de um grande e compreensível berreiro, os pequenos acabaram por se envolver no processo e entusiasmar-se com a alegria de dar (algo que faz falta a muitas crianças). A família decidiu concentrar-se mais no significado verdadeiro da quadra e no Menino Jesus: os três rapazes ofereceram os presentes que seriam para si a instituições, escrevendo cartas ao Pai Natal para que encontrasse destinatários que precisassem mais deles; a família gastou o dinheiro que seria empregue noutras coisas a enviar roupas a vítimas de um tufão nas Filipinas e vai receber idosos solitários à mesa na noite da Consoada. Segundo a mãe, tem sido uma quadra mágica e rapidamente se esqueceram dos brinquedos.

 É claro que as três pestinhas - Caleb, Davis e Beckham - vão receber lembranças de outros membros da família que não aderiram ao embargo, mas a mãe acredita que irão apreciar muito mais alguns presentes seleccionados do que uma montanha de coisas supérfluas que esqueceriam uns dias depois.

 Não digo que isto funcione para toda a gente, mas de certeza que esta família terá um Natal especial, no mínimo, e que a lição aprendida vai ser determinante para estas crianças no futuro.

 As Festas, se focadas só nos presentes, perdem muita da sua magia; sem a perspectiva espiritual e sem partilha, não tem metade da graça. Sempre adorei o Natal, mas lembro-me de achar também que era uma época um pouco triste por haver quem não a possa festejar e muito Menino Jesus por aí, a dormir em palhinhas - exercitar a sensibilidade e empatia dos mais pequenos diminui este desconforto, se o sentirem. Além disso, ajuda-os a não esquecer aquilo que é mais importante... bem como a não competir para ver quem recebeu mais presentes e pelo contrário, a concentrar-se nos que têm menos.

Cancelar o Natal, não digo - mas devia ser obrigatório devolver ao Menino Jesus algumas das suas amabilidades todos os Natais. De pequenino...

A nobre arte de saber estar sozinha



Por muito que o mundo tenha mudado e que as mulheres tenham conquistado alguma independência formalmente falando, há aspectos culturais que não se alteraram.
 Um dos paradoxos que enfrentamos, e de que já falei aqui, é a complicada - e estreita - janela que separa a idade de ser muito-nova-para-um-compromisso-tem-é-de-estudar-construir-uma-carreira-viajar-e-aproveitar-a-vida do momento, quase imediato, em que todo o mundo começa a perguntar quando é que se casa, quando é que vai ter filhos...sem que às vezes se esteja preparada para isso, ou com vontade de arriscar uma empreitada tão séria. Pressãozinha confusa?

Se os homens são acusados, muitas vezes injustamente, de quererem uma "mulher troféu" ou pressionados a encontrar uma, as mulheres não estão muito melhor num departamento semelhante: a dada altura, em qualquer fase da sua vida, pode haver a saudável necessidade de ter um tempo para si própria, ou de aplicar a velha fórmula "antes só do que mal acompanhada". E isso nem sempre cai bem.


 O mundo é como é e gostemos disso ou não, as pessoas não nasceram para estar entregues a si próprias, além de haver infinitas situações em que ter um cavalheiro ao lado facilita tudo. Uma mulher sozinha, ainda que temporariamente, é percebida como estando um pouco desamparada, quanto mais não seja se precisar de fazer frente a um valentão no trânsito. Perdi a conta às vezes em que vi mulheres a precisar de chamar a cavalaria (pai, irmão, cara metade) para pôr no lugar alguém que achava que com mulheres não se trata de negócios (empreiteiro, canalizador, ou coisa desse jaez). Um advogado brutamontes, com um vozeirão e cara de poucos amigos pode ser o acessório mais importante na vida de uma mulher empreendedora. Alguns livros de gestão defendem mesmo que quando uma mulher alcança uma posição de certo poder na carreira, nada confirma isso como contratar um assistente que use calças, em vez de uma secretária.  Por muito que algumas não queiram admitir, a presença masculina é simbolicamente importante.



Tudo isso pode ser verdadeiro, antropologicamente (embora não politicamente) correcto (mas o politicamente correcto nunca resolveu nada na vida de ninguém, por isso adiante). No entanto, é um erro ceder à pressão social quando se trata de algo que deve ser tão sério e profundo como as relações afectivas.

 Não tenho propriamente nada contra a máxima "um amor cura o outro" per se, mas essa "distracção" é a causa de muitas relações desastrosas e arrependimentos.

 Uma mulher pode, ou deve, querer estar sozinha por uma série de razões. Ou entrar apressadamente num relacionamento por outras tantas, e nenhuma delas boa.

É curioso observar, nos tristes casos de violência doméstica que chegam aos jornais, quantas das vítimas tinham vivido com mais do que um parceiro...sendo maltratadas por todos eles. Não é só uma questão de "má pontaria", nem de demografia: qualquer agressor fareja a insegurança a quilómetros. Estar disposta a entrar numa relação por medo de ficar sozinha é (além de reduzir a selectividade da mesma forma que ir ao supermercado antes de jantar aumenta a capacidade de comprar tudo o que faz mal à saúde) um íman para indivíduos que se aproveitam das fraquezas alheias.

A solidão e a necessidade de aumentar a auto confiança nunca devem ser motivos para interagir forçadamente com outro ser humano.



 Entrar numa relação depois de ter saído de um romance tóxico - por solidão ou para fazer "ferro" ao ex - é um erro crasso: primeiro, porque se está absolutamente confusa e carente. Depois, porque qualquer um que corresponda minimamente ao tipo da mulher em causa e que seja menos mau do que o anterior vai parecer uma maravilha. E quem quer um namorado só porque é menos mau do que o ex que veio do inferno? Grande avaria!

 Outra péssimo motivo para namoriscar inconsequentemente é a ideia moderna temos os mesmos direitos que os homens, é um desperdício estar só quando se é nova e bonita...isto enquanto se critica o sexo masculino por pensar com as hormonas e não com a cabeça. Aqui vou puxar da cartada de bota de elástico e dizer como a avó sempre disse: uma mulher tem de ser uma senhora. E uma senhora tem auto domínio (ou é superior a essas coisas)



No tempo da outra senhora, literalmente, uma viúva podia passar o resto da vida sozinha sem que isso lhe fizesse mossa. Não digo que tenha de se chegar a tais extremos, mas entrar na dança "homem é como biscoito, vai um, vem dezoito"  pode convidar sarilhos...além de não ser lá muito próprio nem bom para a reputação, por muitas modernices que se invoquem.


Ser "virtuosa" pode estar fora de moda ou ser um valor oficialmente  importante apenas para uma fatia reduzida da sociedade, mas nem é preciso experiência própria (basta ver séries como "Sex and the City" ou observar os exemplos de conhecidas nossas) para perceber que por cada momento de diversão, há 50% de dores de cabeça e remorsos.

 Estar entregue a si própria pode não ser o mais divertido, mas é a melhor forma de ganhar forças, de pôr as coisas em perspectiva, de perceber o que se quer e não quer, de definir os limites de cada uma. Depois de passar algum tempo a ser dona absoluta das suas horas,  sem ninguém para atrapalhar, ninguém para dizer que quer assim e assado, uma mulher torna-se muito mais exigente, pois não está disposta a abrir mão da sua liberdade por meia dúzia de feijões e promessas vãs. Já descobriu que é perfeitamente capaz de se bastar a si mesma, sabe o que vale e não desiste disso em troca da companhia de um cavalheiro bem apessoado, a não ser que ele prove realmente valer a pena, que seja uma pessoa bondosa, íntegra e fantástica em mais do que um sentido.

 Tem muito mais valor uma mulher que tendo pretendentes- e qualquer mulher solteira e bonita atrai automaticamente interessados, nada de transcendente aí -  os recusa por não serem o que quer para a sua vida do que outra que enfim, segue a corrente só para se sentir querida. A vaidade é a mãe de muitos desgostos!


 E por fim, quase se torna desnecessário mencionar o disparate que é flirtar ou namorar quando se está separada da pessoa de quem se gosta realmente, numa tentativa de superar a situação ou pior, de arreliar o mais que tudo. Ele não vai deixar de ser o mais que tudo por um bom tempo, talvez para sempre.

A verdade é que não se sabe e até ter a certeza, mais vale ficar quieta e aproveitar a independência. Primeiro, porque homem nenhum merece ser usado para "esquecer" outro; depois porque, por muito impecável que seja o senhor que se segue, vai perder na comparação - é como tentar substituir o vestido Dolce & Gabbana que a acompanhou anos a fio mas se rasgou por um modelo parecido da Zara. É muito bonito, serve o propósito, mas o investimento e o envolvimento emocional nunca será o mesmo.

 O amor é uma coisa muito complicada e cheia de tentáculos,que não se arranca e substitui meramente pela presença física de outra pessoa, por muito atraente e adequada que ela seja.


 Terceiro, porque caso as coisas venham a compor-se com a outra pessoa, o ciúme destrói tudo. E quarto, porque não há nada pior do que perder tempo com uma pessoa desejando a cada momento estar ao lado de outra.

 A serenidade e a temperança, ao contrário da vaidade, geram as relações equilibradas ou, quanto mais não seja, são sempre sinónimo de classe e saber estar. Os chineses diziam que o amor se decide no céu e cito novamente a avó "o que tiver de ser nosso tem muita força". Tanto faz correr como saltar ou olhar para o lado a ver quem aparece.

Em última análise, uma mulher que não seja completa sozinha não é atraente para ninguém - ninguém de jeito! Repete-se a velha máxima italiana "uma mulher é a pasta - um homem é a almôndega. Pasta sem almôndega não deixa de ser pasta".




Thursday, December 4, 2014

Momento "shampoo gets in your eyes"

Olha para esta toda contente porque ainda não lhe entrou champô no olho!!!

Nunca tinha pensado nisto até hoje, quando fui desastrada e um champô particularmente potente, (desses para dar volume e um brilho escandaloso ao cabelo e que ainda por cima cheiram a gomas) fez o favor de me entrar pelo canto do olho. É um facto curioso da vida: conforme crescemos, vamos desenvolvendo não sei que reflexos de defesa que diminuem consideravelmente essa ocorrência desagradável. Mas às vezes lá acontece e se há champôs que sem ser Johnson´s baby no llores más, quase não incomodam nada,
existem os outros, que nos põem a ver estrelas por um bom bocado e a deixar correr a água aflitíssimos a rezar para que aquele ardor terrível não deixe lesões.



 E dei por mim transportada para a primeira infância - dizem que sou um freak, tenho memórias dos meus dois anos e mais atrás - quando um bocadinho de champô nos olhos, Sem-Lágrimas que ele fosse, era caso para abrir um berreiro de deitar a casa abaixo.
  Aguentar produtos químicos num olho sem soltar um piu diz muito da nossa condição humana - com outro primata o caso mudaria de figura. Mas também da resiliência (quase estoicismo) que ganhamos quando nos tornamos adultos com algum auto domínio.

 As coisas continuam a ser tão desagradáveis como quando tínhamos um ou dois anos, aprendemos é a suportá-las melhor...e a esperar que desapareçam.

Boa atitude da semana: rir das ofensas


Já há umas semanas que eu via a circular por aí estes vídeos das celebridades a ler os tweets mauzinhos que lhes dedicam, mas como para mim o Twitter é uma chinesice e não ligo a TV a não ser para séries ou filmes que já saiba que quero ver, passou-me ao lado.

 Entretanto lá abri um, por curiosidade, e achei divertidíssima a reacção dos famosos - de várias áreas e idades - perante os "mimos" de que são alvo.  Pareceram-me mesmo chocantes os insultos que certas pessoas, refundidas atrás de um monitor, atiraram a alguns actores e apresentadores mais velhos, sem o mínimo de respeito.



                                     


Embora isso tenda a mudar - o enquadramento legal para a difamação na internet ainda está a ser definido em vários países - há quem ache que injuriar outrem publicamente não faz mal porque...bem, é a internet e não lhes vai acontecer nada. É caso para dizer que não perdem pela demora...

 No nosso país, basta visitar as páginas online de alguns jornais e abrir os comentários para ver o lado mais feio, grosseiro e sinistro do ser humano. Destilam-se por lá os ódios gratuitos, as invejazinhas, todas as feias e rasteiras frustrações. 



E os famosos são vítimas fáceis disto, porque para muita gente não passam de uma imagem distante, não são bem pessoas com sentimentos, família e uma sensibilidade exactamente igual à sua, que podem ficar magoados com aquilo que se escreve levianamente. Claro que quem é figura pública está mais sujeito a isso e deve construir uma carapaça para lidar com malucos, que é impossível agradar a toda a gente, mas...há sempre maneiras educadas de criticar. 

Para não falar de quem desenvolve verdadeiras obsessões com certas personagens - lembro-me de uma maluquinha que gastava os neurónios a injuriar a então Princesa Letizia em cada artigo que saía sobre ela. Devia ter uma paixão assolapada pelo actual Rei de Espanha e muitíssimo tempo nas mãos, coitada...

   Porém, com esta rábula de televisão o feitiço voltou-se contra o feiticeiro, porque os nomes de quem twittou foram divulgados e por sua vez, os autores receberam comentários mauzinhos dos fãs dos visados, para provarem do próprio remédio.




 Mas o melhor disto é a forma bem humorada como os insultados lidaram com a situação. Não que tivessem de o fazer - a maioria encontra-se lindamente na vida e com certeza que se está nas tintas para o que uns zés ninguém descarregam na internet, mas...manter sempre a classe e a indiferença é justamente o que estas pessoas querem. Por vezes, enfrentar um caluniador e rir-se na cara dele é o melhor remédio...

 Mesmo quem não é famoso já passou por coisas destas: há sempre detractores que agem sem qualquer provocação, que simplesmente se sentem incomodados, sem motivo justo, pela existência de A, B, ou C. Como diz o povo, é gente que não cabe.




 Quem ataca sem que lhe tenham feito mal algum e sem argumentos sólidos ou justos, só tem uma motivação: ressabiamento. Ou porque é uma pessoa muito feia, gananciosa, mal amada e falhada na vida e tudo lhe faz mossa, ou porque é isto tudo (ou a maior parte) e o alvo do seu ódio calha estar numa posição que lhe dava muitíssimo jeito a si ou a alguém da sua família.

O fulano que ocupa o cargo que ambicionava, a beltrana que namora com sicrano que lhe convinha tanto (para si ou para aquela prima feiota e encalhada) mas que nunca lhe deu troco, a fulana que leva uma vida aparentemente glamourosa sem ter (julgam eles) feito nada para merecer isso...tudo serve para insultar, inventar mexericos, descobrir defeitos à lupa, deitar abaixo, deturpar factos, exagerar outros, semear a discórdia, tecer intrigas e escrever ordinarices.

 Posso dizer com justiça que nunca vi ninguém ser incomodado por pessoas lindas, bem amadas e a quem tudo corre bem. Quem atira farpas sofre sempre de uma frustração grave qualquer, de um grande desgosto, de uma desilusão tremenda.

 Só que visto à luz da realidade, isto acaba por ser cómico. Quem se dá a tais assomos de criatividade e a canseiras para aborrecer outra pessoa acaba por lhe fazer um elogio. Arranjar-lhe aborrecimentos é uma forma de dizer "penso em ti 24 horas por dia" ou "que grande ameaça que és à minha felicidade" enquanto o outro não faz ideia de que o "inimigo" existe...

Resumindo, é isto: enquanto a vítima trabalha, passeia, leva a sua vidinha descansada, o caluniador perde horas que ninguém lhe devolve a tentar estragar tudo, de telemóvel em punho ou sentado ao computador. Patético ou ridículo? Ambos.

Wednesday, December 3, 2014

Maquiavel para mulheres em 10 passos



O Príncipe fascinou-me desde tão cedo que não me lembro quando o interesse começou nem porquê - talvez fosse pelo título, pelos Borgias ou pela época. Quando finalmente lhe deitei a mão para uma primeira leitura, teria uns doze anos (fase em que explorei algumas obras primas que ainda hoje tenho à cabeceira..) fiquei algo desapontada.

Tinha ouvido cobras e lagartos de Maquiavel e do Príncipe e esperava um livro proibido, emocionante e sumarento, daqueles que se lêem a olhar por cima do ombro, um Necronomicon da intriga palaciana com páginas a pegar fogo, um manual passo-a-passo para todas as diabruras... e não algo tão simples e tão pragmático. 

 Porém, depressa me apaixonei por aquela visão objectiva e desencantada da realidade: nunca tinha lido nada mais lúcido, e isso foi mais cativante do que o livro endiabrado que eu imaginara.

Maquiavel desenhado por Milo Manara, na série Borgia


A fórmula de observar fria e racionalmente as lições da História para as aplicar no presente e prever o comportamento humano ( lá dizia Confúcio, "se queres adivinhar o futuro, estuda o passado") não podia agradar-me mais, pois nunca gostei de surpresas.

 Dito isto, eu - que não sou de perto nem de longe uma estudiosa de Maquiavel, mas uma mera admiradora do seu trabalho - não creio que O Príncipe seja um "guia para o sucesso"...o seu autor morreu, afinal, na obscuridade, por muitos TANTO NOMINI NULLUM PAR ELOGIUM que agora lhe dêem. Mas é decerto um manual para evitar uns quantos desapontamentos e uma mão cheia de dissabores...


"Nenhum elogio está à altura de tal nome"
  Quem tenha de lidar com pessoas encontra em O Príncipe sempre alguma coisa de novo e interessante, por mais vezes que o tenha lido. E embora Maquiavel não escrevesse propriamente para as mulheres (que à excepção de algumas como Caterina Sforza, detinham pouco poder oficial) nos nossos tempos o caso mudou de figura e a maioria pode tirar daí algumas lições.

Ser "uma mulher maquiavélica" tem pior reputação do que merece, e não é com certeza assumir o papel de vilã de telenovela, sempre a tecer intrigas pelos cantos. Agir de modo lúcido, saber antecipar-se aos acontecimentos e ser corajosa quando é preciso nunca fez mal a ninguém. 


Aqui ficam algumas das ideias mais úteis:

1 - Não se deixe surpreender por nada

Dentro do possível, vá. Toda a vida ouvi que conhecimento é poder. Maquiavel defendia que os homens, como a Natureza, estão sujeitos a leis imutáveis, todos se assemelham e todos são animados pelas mesmas *geralmente ruins* paixões, que conduzem fatalmente ao mesmo resultado. Logo, estudar o comportamento humano é sempre um bom ponto de partida: só um idealista crê que não haja pessoas gananciosas, vira casacas e dissimuladas por aí; não há nada de errado em contar com isso, pelo sim pelo não, e em levar as coisas com calma e um grão de sal. Nunca se arrependeu de confiar cegamente em alguém? Pois. Quem não espera demasiado nunca cai das nuvens.


2 - A sorte sorri aos audazes...

O Príncipe aconselha menos vacilação e uma adopção ousada das medidas exigidas pela natureza dos acontecimentos. Segundo Maquiavel, a Fortuna é uma mulher -  gosta de quem a arrebata valentemente e zomba dos fracos. Se as condições são favoráveis e tem de facto as qualidades para ocupar o lugar que almeja (aqui exige-se uma forte capacidade de auto análise, claro) Avé Maria e avante. Trate as oportunidades como gostaria que um pretendente a conquistasse a si, portanto.

3- ...mas escolha as suas batalhas

"Apenas o Príncipe que tem um poder militar forte consegue manter o seu domínio". Não entre em empreitadas nem se anime a enfrentar situações que não tem capacidade, meios ou aliados para vencer. As máximas do "tudo é possível a  quem acredita em si mesmo" são fonte de muitos desenganos e frustrações. Por vezes é mais inteligente ser realista. Não há vergonha em passar a outro objectivo ou em fazer um recuo estratégico para reunir os recursos necessários. Antes isso do que enfrentar um fracasso retumbante ou o ridículo, que é ainda pior. Não possui fundos para começar um negócio? Não invista sozinha. A sua conta está uma desgraça? Fuja do Net-a-Porter.
 Falta-lhe a formação, a prática ou as qualidades para ocupar um determinado posto? Vá adquiri-las, ou candidate-se a um mais apropriado que com certeza terá mais a ver consigo. E escusado será dizer que se for atacada na rua por um grupo de meliantes ou por um só com capacidade física claramente superior à sua, é suicida armar em heroína, nem que seja cinturão negro - a coisa sensata a fazer é escapar e gritar por ajuda. Mesmo Bruce Lee dizia que o confronto físico é sempre um último recurso. Não aja sem chamar a cavalaria quando isso é obviamente desvantajoso, ou o momento é desfavorável. 

4- Seja adaptável

Para Maquiavel, "virtude" significa coragem, talento, aptidão - mas acima de tudo, uma escolha inteligente dos meios. O Príncipe precisa de se ajustar às pessoas e circunstâncias com quem tem de lidar...e nós também. Hoje, como em 1513, aplica-se o ditado "em Roma, sê romano" em relação a dress codes, condutas, procedimentos...
 Se recusa conformar-se com a norma de um grupo ou empresa ou utiliza a mesma estratégia para lidar com situações muito diversas, think again. É mais fácil mudar de emprego ou mudar de namorado do que tentar mudar "o sistema" ou mais complicado ainda, mudar o namorado que se porta mal, tentando moldá-lo àquilo que gostaria que ele fosse. A vida é demasiado curta para perder tempo a lamuriar contra a injustiça ou a ensinar cabeçudos - ambos inutilmente! Decida mais e idealize menos, que no mínimo avança mais depressa.

5 - Defina uma estratégia e mantenha-a

Tomar decisões é sempre difícil, mas se analisou o caso por todos os ângulos, pesou os prós e os contras e foi pelo caminho que o seu instinto lhe ditou, não volte atrás uma vez definida a sua "política". Seja ela profissional (aceitar o convite da empresa Y em vez da segurança do local onde trabalha há anos) ou pessoal (sair de uma relação tóxica, gerir uma crise familiar...) aplique-a sem hesitação e não se desvie dela, por muito que amigos e parentes bem intencionados a tentem fazer mudar de ideias quando a procissão já vai a meio. "A hesitação é uma falsa prudência". Recuar constantemente ao sabor dos ventos e cabeças alheias...dá asneira.


6 - Metade Sorte, metade Esforço

A virtude maquiavélica consiste em saber usar os 50% (salvo seja) que o acaso (Fortuna) oferece. Não podemos controlar a sorte ou os acontecimentos que nos ultrapassam (como as tempestades, os terremotos ou as tolices dos outros), apenas agir conforme as janelas de oportunidade e dar o nosso melhor. O sentido de oportunidade e a tenacidade podem dar algum trabalho a desenvolver (em algumas pessoas é um dom inato, noutras nem tanto) mas é crucial. Quando uma chance se apresenta claramente, é melhor actuar agora que mais tarde: amanhã os ventos podem mudar, a oportunidade desaparecer, ou você ter perdido o impulso. Aproveite os seus assomos de coragem!


7- Faça você mesma

"Os príncipes devem instalar-se nas províncias que acabam de conquistar". Saber delegar é uma qualidade de liderança, mas frequentemente aplica-se a máxima "se queres uma coisa bem feita, trata disso tu mesma" e ainda o velho "nunca mandes um homem fazer o trabalho de uma mulher". Isto é especialmente verdade em projectos frágeis ou que estão de fresco. Se algo lhe interessa muito, envolva-se e vigie de perto. Ninguém tem tanto os seus melhores interesses em mente como você.

8- Faça-se respeitar...e nunca subestime ninguém

"É mais fácil manter o poder que assenta no apoio do povo do que o poder que assenta no apoio dos grandes, pois o povo só deseja não ser oprimido". Em quaisquer circunstâncias é um erro (para não falar numa grandessíssima prova de falta de chá) bajular quem está numa posição de destaque, ignorando ou maltratando quem está abaixo. Todos os envolvidos numa organização ou projecto podem ser aliados valiosos - ou revelar-se adversários complicados se as coisas azedarem. Uma das ideias mais célebres de Maquiavel é a conhecida "é melhor ser-se ao mesmo tempo temido e amado, quando isso é possível; se não se puder ter as duas coisas, é preferível ser-se temido do que amado; mas evite-se causar ódio e desprezo nos outros". 
 Nem toda a gente pode ser nossa amiga, é um facto- mas o respeito dá-se até ao pior inimigo se ele se mostrar digno disso. Imponha-se quando necessário, sem recorrer a golpes baixos e atitudes mesquinhas ou crueldades escusadas.

9- Cuidado com a adulação...e os intrometidos

 Maquiavel avisa ainda que para manter o respeito é preciso evitar os bajuladores - segundo ele, são uma peste de que pouca gente se defende, pois a maioria adora ser elogiada (...). Muitas mulheres, propensas à insegurança, caem facilmente nessa armadilha, principalmente se lhes elogiarem a beleza ou tocarem em algum ponto sensível. . Erro crasso.  "O Príncipe prudente deve escolher homens sábios, que dele tenham a permissão de dizer a verdade, mas somente a respeito daquilo que lhes é perguntado. (...)  deve aconselhar-se sempre, mas somente quando deseje e não quando os outros queiram". Shakespeare dizia que "é frágil a cabeça que usa a coroa". Em suma, tenha atenção às pessoas a quem permite pôr e tirar nos seus assuntos - principalmente se essas pessoas têm o hábito de aplaudir tudo o que faz, nem que seja a pior parvoíce. Gente assim não defende senão os próprios interesses.

10 - O bem sempre que possível, o mal sempre que necessário

Esta foi a máxima que estragou tudo e deu a Maquiavel uma reputação dúbia, no mínimo.
 Quando alguém quer insultar um adversário de maquiavélico (e logo, vilão) atira-lhe "para si, os fins justificam os meios!". Mas calma. O autor, muito influenciado pelas sangrentas disputas que assolavam Itália no seu tempo, diz com certa razão que "esforçar-se por ser bom quando todos são maus é procurar a própria ruína".
 Perante pessoas mesmo malvadas a gentileza ou o desprezo podem não funcionar e evitá-las de todo pode não ser uma opção (ou justo!). Por isso, às vezes há que falar com elas na única linguagem que entendem ou mesmo antecipar-se às suas maldades. Por vezes é preciso aplicar o lema da minha santa avozinha "para maroto, maroto e meio" - ou, no dizer de Maquiavel. "faz aos outros o que eles gostariam de te fazer, mas sê mais rápido do que eles". Isto é simples auto defesa, porque não vivemos num mundo justo e bonitinho.
 Quando uma situação de abuso ou opressão cresce, o melhor é enfrentá-la e quanto mais cedo, melhor: uma guerra não pode ser evitada; só adiada com vantagem para o inimigo.
 Afinal, "é melhor ser compassivo do que cruel, mas a clemência nunca deve ser mal utilizada". 


Isto não é ser mau, é ter amor próprio, eu acho...










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Mamie, a bombshell original...que não envelhece



      "My best asset is my brain. 
Without my brain, I don’t think the rest of me would be too hot".

                                                                  Mamie Van Doren


Olhem para este rosto - uma beleza clássica. Mamie Van Doren, uma das maiores bombshells dos anos 50 (embora limitasse a sua carreira a filmes de culto série B e nunca alcançasse o estatuto de Marilyn Monroe ou de Jayne Mansfield, sua "rival" em Hollywood) seria bela em qualquer época. 

A sua cara era tão perfeita (pele de porcelana, olhos castanhos amendoados, rosto oval e uma boca ideal para anúncios de bâton) que não precisava do cabelo platinado nem do visual glamouroso para ser linda, mas...calhou-lhe uma figura de ampulheta cheia de curvas e ter vivido na década certa.

 

 Pessoalmente acho-a ainda mais bonita do que Jayne (e eu sou fã de Jayne, a bomba platinada com um QI de 150) e pelo menos tão bonita como Marilyn, em termos puramente plásticos. Quase uma mistura de laboratório entre Marilyn e Grace Kelly.


 Em todo o caso lembrei-me de Mamie porque há dias, enquanto fazia zapping, a vi num programa qualquer de noivas (no TLC?) já nos seus oitentas, fresquíssima, muito alegre...a escolher um vestido de noiva bastante espampanante, nem mais.

Mamie com Pamela Anderson

 E embora seja óbvio que o estilo dos anos 50 lhe assentava francamente melhor, que o visual que adoptou agora não é exactamente apropriado para uma senhora da sua idade e que há ali algum trabalho de bons cirurgiões, etc, etc, etc...não deixa de ser extraordinário como está bem conservada.


Porque digam o que disserem aquela cara, aquele brilho e vitalidade, não parecem de modo algum pertencer a quem tem 83 anos, com ou sem retoques de bisturi. Isto se Mamie não tirou, como tantas colegas suas, uns anitos ao bilhete de identidade.

 É caso para dizer que quem foi bela sempre o será desde que faça um bocadinho por isso - e para perguntar que poção ou filtro é que ela tomou! 









Tuesday, December 2, 2014

As filhas do Obaminha, ou isto dos fretes


As filhas adolescentes do Presidente dos EUA foram severamente criticadas por uma funcionária do Partido Republicano pelas  suas expressões (embaraçadas? de tédio) e fatiotas durante o ritual, salvo seja, da "amnistia do peru".

 O raspanete, via facebook, foi tão exagerado que a autora pediu desculpa e se demitiu.

 Não deixo, no entanto, de lhe dar um pouco de razão, pelo menos quanto à escolha das toilettes para a ocasião: mini saias, ténis e peúgos à vista estão muito bem para ir para o liceu, mas não tanto quando se é a filha do Presidente numa cerimónia onde o pai está de fato escuro (se se tratasse de, por exemplo, um evento descontraído de caridade ao ar livre, o caso mudaria de figura). Mesmo que a dita cerimónia seja um pouco tola e envolva a remota possibilidade de o perú amnistiado fugir em direcção ao por do sol para celebrar a sua liberdade, obrigando quem está a correr atrás dele...dever que Sasha e Malia dificilmente cumpririam, já que se recusaram a fazer uma festinha ao bicharoco. 


Ainda que o protocolo não seja rígido, haveria opções menos passíveis de gerar críticas escusadas e muito por onde escolher para duas raparigas bonitas que aliás, têm na mãe um bom exemplo.

 Não sei se quem faz a assessoria da família do Senhor Presidente se esqueceu de tomar conta desse detalhe ou se Malia e Sasha levam muito a sério o seu papel de adolescentes rebeldes (ou vou de botifarras ou não ponho os pés nessa seca, escolham!) mas com certos privilégios vêm certos deveres, que incluem determinada roupa para certa situação e não fazer as caretas que nos dá na gana.

 O que me leva a isso dos fretes: quem de pequeno e depois por ossos do ofício ou obrigação social tenha sido sujeito (a) a ocasiões do género, sabe do que falo: 

- Estar de pé 45 minutos em cima de uns saltos altos enterrados numa alcatifa (a dor!!!) à espera que um figurão acabe um longuíssimo (e repetitivo) discurso, prova provada que não, não conseguimos disparar raios laser mortíferos com os olhos por muito que tentemos;

 - Uma hora sob o sol ardente aguardando que fulano ou beltrano enterre a cápsula do tempo ou lance a primeira pedra de um edifício público qualquer (quem tornou opcional o uso de chapéu para certos eventos devia arder no inferno)...

-  Esperar horas para começar a trincar qualquer coisa, quase em estado de inanição (peso nos ombros e no estômago, tonturas) porque o convidado de honra nunca mais se despacha, e outras tantas para sair da dita mesa. E manter o sorriso e a tranquilidade o tempo todo, senão os pais dizem-nos das boas quando chegarmos a casa, que isto de pequenino... (regra de sobrevivência para adultas e  mães que por remoto acaso sujeitem os filhos a isto: uma goma, um amendoim salgado, rebuçado ou bolachita disfarça-se em qualquer clutch e engole-se no micro segundo que perdemos no corredor para a casa de banho com a desculpa "vou retocar-me antes de começarmos");

- Ouvir conversas intermináveis e secantes (geralmente, de alguém que tenta engraxar alguém que nos acompanha) com ar de Mona Lisa, tentando não adormecer ou transportando-se mentalmente para um lugar feliz.

- Tentar dirigir uma conversa ou entrevista com alguém que tenha esse tipo de discurso e faça por prolongar ad aeternum o que já foi dito ou pior, arrastar o suplício mostrando-nos a sua colecção de medalhas. Não.

E isto só para mencionar algumas secas obrigatórias, que é de rigueur e boa educação suportar com graciosidade - ou impassibilidade.

 Depois há aquelas que são mais delicadas, porque tocam no ponto "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros".

É que volta e meia, há alguém que tem falta de noção suficiente, ou que se acha importante o suficiente para acrescentar farpas escusadas, como intrometer-se no almoço de alguém para falar (interminavelmente) de coisas que lhe interessam e não largar a presa por mais caretas que se faça (em ocasiões assim, legitima-se o uso de certas caretas discretas "para dentro", de apertar os punhos sob a mesa, de aumentar ligeiramente a distância física a ver se a pessoa percebe ou vá, de fazer um ligeiríssimo ar de enfado. Algumas vítimas serão firmes o suficiente para convidar o importuno a marcar uma reunião a hora apropriada, num delicado mas categórico "desampare a loja", mas são poucas!).

 Porém revirar os olhos, fazer trejeitos de desprezo ou dar risinhos, como Sasha e Malia, isso já ultrapassa um bocadinho o aceitável, pelo menos quando se está no lugar de maior destaque com câmaras apontadas à cara para, literalmente, todo o Mundo ver.

 Palavra que compreendo a vontade de fazer cara de frete, mas não compreendo que a tenham feito...


Quando as mulheres são mandonas, dá nisto.


Quem ontem acompanhou a mid season finale de The Walking Dead, ficou provavelmente surpreendido com o desfecho da relação entre Beth e Dawn (não vou revelar para quem ainda não viu, já bastou o disparate da AMC que deixou os fãs furiosos).

 Mas desde o princípio, a personagem da mulher polícia que liderava com pulso de ferro o grupo de sobreviventes no hospital de Atlanta pôs-me os nervos em franja. Não só pelo suspense da série mas porque o seu comportamento autoritário, histericozinho e exagerado me deixava arrepiada. Parecia um estereótipo da mulher poderosa com ataque de TPM...só que não. Muita gente já se cruzou com mulheres assim ou pior, teve uma chefe desse género. Uma mandona desarranjada dos nervos, uma Rainha do Sabá. 

 Pessoalmente não me posso queixar porque as mulheres com quem trabalhei eram bastante razoáveis, mas já testemunhei casos suficientes de "senhoras" que não sabem impor respeito: é um comportamento que se vê muito, infelizmente, na política e noutros lugares de destaque...a atitude de pata choca.

 Ainda ontem entrei numa loja de cosméticos que também tem gabinete de estética, à procura de um produto que não sabia se tinham ou não. Não estava ninguém ao balcão, as funcionárias andavam lá para dentro. Preparava-me para dar uma volta pelos expositores, quando ouço a chefe berrar com as coitadas das manicuras "VOCÊS NÃO SE ATREVAM A VOLTAR A LIMPAR COM PAPEL! AI DE VOCÊS SE NÃO USAM UM PANO!!!!" e coisas deste jaez, que me fizeram pensar que uma loja com uma líder daquelas era o pior sítio do mundo para se estar na eventualidade de um apocalipse zombie. Fugi sem esperar que me atendessem (e sem esperar para descobrir o que aconteceria se não usassem um pano!) e nunca mais lá volto, nem que tenham tudo em liquidação...

Habituadas a ter de se esforçar o dobro para conseguir chegar a algum lado e a falar alto para se fazer ouvir (julgam elas) há mulheres que exageram, que apreciam mais o acto de mandar do que a eficácia e assim desperdiçam as suas boas qualidades (inteligência, capacidade de adaptação, versatilidade) em prol de um suposto "ar de comando". Resultado: vozes de cana rachada, gestos exagerados, modos de Hitler, todo um aparato descomposto e chinfrim que contribui para que os homens digam "uma mulher não sabe mandar".

E quando perde a serenidade, não sabe mesmo...




Monday, December 1, 2014

Paola, a Princesa "raio de Sol"


Acho sempre certa graça ao interesse de muitos bloggers pelas idas e vindas de algumas "cabeças coroadas" actuais, sem que se olhe para os exemplos de outro tempo - de uma época em que tudo era mais glamouroso e muitas vezes, tingido de maiores responsabilidades, o que só acrescentava valor ao facto de os representantes das Casas Reais europeias de então conseguirem, ainda assim, ser ícones de estilo que perduram.

 Antes de admirar uma Duquesa de Cambridge - o ai Jesus tratado de forma assaz superficial na era das redes sociais -  é inevitável lembrar como a Duquesa de Alba foi jovem e bonita, ou o assombro que era a Princesa Margarida. Nos anos 1950/60, várias  jovens aristocratas e Princesas  deslumbravam nas páginas (bem mais respeitosas e artisticamente escritas que as de hoje, assinale-se) de jornais e revistas, ora pela sua beleza e brilho, ora pelos seus dramas e rebeldias...

 Uma dessas beldades era a Princesa Paola Margherita Giuseppina Maria Consiglia Ruffo di Calabria, que viria a tornar-se Rainha consorte da Bélgica.



 Membro de uma antiga Casa italiana, filha mais nova do Príncipe Fulco Ruffo di Calabria e da Condessa Luisa Maria Gazelli di Rossana e di Sebastiano, Paola era uma jovem tímida de ascendência italiana, belga e francesa. Falava fluentemente quatro línguas, porém 
dizia-se  que era "muito simpática, mas tão retraída que nem se dava por ela". 

 Não obstante, o Príncipe de Liège, Alberto (filho mais novo da lendária Rainha Astrid da Bélgica)  ficou encantado mal a viu numa recepção em Roma e - embora fosse ele próprio bastante acanhado - não perdeu tempo a conquistá-la: após um breve namoro, casaram em 1958. O povo belga ficou tão enternecido pela beleza e sorriso doce da noiva de cabelos dourados que a apelidou de "Princesa Raio de Sol". 



Porém, a adaptação a um novo país e ao seu papel de consorte do segundo na linha de sucessão não foi fácil: Paola tinha saudades terríveis de casa e o marido estava sempre ocupado, o que levou a crises no matrimónio. 


Modas e Bordados- Vida Feminina, Maio de 1962

Valiam-lhe os bebés que foram nascendo e o facto de ter poucas funções oficiais, mas isso começou a mudar quando ficou claro que o Rei Balduíno, irmão de Alberto, e a mulher, a Rainha Fabíola, não teriam filhos. 



Aos poucos, a figura de Paola e o seu sentido de estilo começaram a despertar grande curiosidade nos média. Modesta, irrequieta e dotada de grande sentido do dever, a perspectiva de ocupar o trono acabrunhava- a (sic):

"A Princesa Paula é feliz e o consorte Alberto de Liège sente-se orgulhoso dela. Com o pequenino Filipe constituem, de facto, uma família perfeita. O segundo filho dos príncipes (...) deverá nascer no fim do mês de Maio, mas Paula continuou  até há poucos dias a aparecer em público, comovendo toda a gente com o seu ar compungido, os seus cabelos descompostos e a sua figura docemente pesada. «Embora Paola seja a última a desejá-lo - diz-se em Bruxelas - a comparação entre a sua tranquila segurança e a patética inquietude da rainha Fabíola surge espontâneamente» (...) Uma enorme responsabilidade pesa, por conseguinte, sobre os frágeis ombros da linda princesa Paula. «Paula - dizem as suas amigas romanas - nunca fala nisso, e seria uma grande descortesia se alguém lhe falasse mesmo em particular. A verdade é, porém, que Paula recusa a eventualidade de tornar-se rainha. Em vez de lisonjeá-la, uma tal eventualidade assusta-a (...). Ela conhece perfeitamente o enorme peso de obrigações que pende sobre uma rainha..."


 (in Modas e Bordados, 1962)


A temida responsabilidade  viria a caber-lhe de facto, mas só em 1993 quando o cunhado, o Rei Balduíno, morreu sem deixar descendência.  Paola tornou-se Rainha dos Belgas (posição que só deixou de ocupar no ano passado quando o testemunho foi passado ao filho, o Rei Filipe, e à sua encantadora esposa, a Rainha Matilde). Paola - que mantém muita da beleza e elegância da sua juventude - e Alberto celebraram 50 anos de casados em 2009, tendo dito na altura "tivemos os nossos problemas, mas agora reconhecemos que fomos feitos um para o outro".


 *Fontes -  "Modas e Bordados", Hola e via.




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