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Saturday, December 13, 2014

Mantra do dia: let it be em 4 variedades



Ontem, em grande animação na festa de um amigo, alguém se lembrou de cantar Let it be, dos Beatles. Era musiquinha que não ouvia há anos, mas fiquei cá a pensar que o Paul McCartney é um grande filósofo.
  Atirar um "let it be" a dúzias de pequeninas coisas irritantes que acontecem todos os dias, ou mesmo aos grandes desafios, faz com que os aborrecimentos percam boa parte do seu impacto.
 Contra desapontamentos, desilusões, provocações gratuitas de pessoas desmioladas e tudo o que possa tirar uma alma do sério, o let it be (ou "deixa estar")  é uma panaceia.

 O mantra pode ser dito por cada um lá com os seus botões ou na cara da pessoa/ situação incómoda. É que é preciso ver que há diversos tipos de "let it be":

1 -"let it be clássico" e literal: there will be an answer, let it be. Amanhã é outro dia, a Roda da Fortuna gira constantemente e daqui a nada a situação pode dar uma volta de 180 graus. Por isso, como diz o Bom Livro, basta a cada dia o seu mal: há-de resolver-se maravilhosamente e se não for assim o que não tem remédio remediado está mas não há mal que sempre dure, etc.

2 - O "let it be deixa-estar-que-esse-é-doido", contra criaturas tão maluquinhas e instáveis que nem vale uma pessoa incomodar-se por causa delas; agem assim com toda a gente e nem para elas são boas. Fazer o quê?

3 - O "let it be laissez faire laissez passer" em caso de piruetas malvadas de antagonistas. Vulgo desprezo nítido, porque as más acções e as figuras de urso ficam com quem as pratica; além do mais, quem se dá a tanto trabalho para aborrecer outrem só pode estar desesperado e quando as pessoas estão desesperadas não fazem senão disparates, por isso mais vale deixar que se estatelem sozinhas e ficar num banquinho a ver o circo.

4 - "let it be não -perdes-pela-demora" (no bom e no mau sentido). Nem sempre um projecto dá logo frutos, nem as recompensas chegam quando gostaríamos. Às vezes mais vale ter paciência e aguardar a hora certa, porque as coisas que valem a pena fazem-se esperar. O mesmo se aplica a um reconhecimento merecido, o desmanchar de um equívoco ou uma desforra que coloque a justiça no seu devido lugar. Por vezes há muita, muita vontade de dar o troco para repor o equilíbrio das coisas mas por qualquer razão não é sensato ou exequível fazê-lo, ou perante certas barbaridades que se ouviram ficou-se sem fala e não se deu a devida resposta torta, ou...não faz mal. Let it be porque haverá um tempo e uma ocasião perfeitos para isso tudo.




7 truques de styling, beleza e shopping que fazem a diferença (na elegância, no relógio e na bolsa)


Já imaginou como seria se SÓ tivesse no armário coisas que a favorecessem a 100% (ou quase, vá lá) e se todas as suas manobras diárias de beleza fossem rápidas e eficientes?
 É certo que perfeição não existe, mas integrar alguns raciocínios simples no dia a dia descomplica, agiliza, poupa dinheiro, acrescenta aquele je ne sais quoi de elegância e permite deitar pela janela fora muitas inseguranças femininas.

1- Cabelo "à francesa"

As parisienses são um mito europeu de elegância muito por culpa do seu chic sem esforço, assente em rotinas simples e muita joie de vivre.  Uma dica repetida ad nauseaum sempre que se fala no estilo francês é ter um corte que favoreça o rosto e funcione para a textura do cabelo, além de uma coloração (se for o caso) próxima do natural. Ou seja, nada que dê muita canseira e que se mantenha decente no segundo dia. Um visual que funcione tanto quando há tempo para fazer um brushing "a sério" como para os dias em que tem pressa conta 50% para estar sempre bem arranjada e confiante. Se nas manhãs de correria o seu cabelo fica fantástico com uma secadela à toa e um jeito à franja, está no bom caminho. Caso contrário, peça ao seu cabeleireiro que se deixe de fantasias e lhe crie o melhor corte "não te rales" que puder inventar, de acordo com a sua preferência. Curto ou comprido, com ou sem franja, a chave está na rapidez e facilidade com que consegue tratar dele sozinha.


2 - Pele à moda do Oriente


Alguém muito sábio disse "se tiver um cabelo bem tratado, uma pele bonita e bons sapatos, uma rapariga salva-se com qualquer trapinho". As japonesas são fanáticas da limpeza e as coreanas têm uma verdadeira obsessão com o tratamento e a protecção solar- afinal, foram elas que inventaram o BB Cream! De nada serve ser uma makeup junkie, ter os produtos mais modernos e caros do mercado, se a pele estiver entupida, ressequida ou apresentar imperfeições e causar qualquer tipo de desconforto.  É impossível ter o ar certo sem uma pele luminosa, por mais bem vestida e maquilhada que se esteja. Nada disto implica uma rotina de beleza complicada nem gastar rios de dinheiro, antes pelo contrário: limpeza, hidratação e protecção são o suficiente. Quanto menos tiver que disfarçar, mais rápida  será  a sua maquilhagem e mais fresco o seu aspecto.

3- Não ceda um palmo


Independentemente das tendências do momento, as bainhas (de calças, saias, vestidos, calções...) mangas, botas e botins devem terminar sempre nas zonas mais magras do corpo (a não ser que pretenda acrescentar volume em determinadas áreas - aí fará o contrário). Como isto difere para cada pessoa, é impossível às marcas de pronto-a-vestir, mesmo as melhores, criar o que favorece ao milímetro cada cliente. Nada como cultivar bom olho para escolher peças adequadas e ter a seu lado uma boa costureira e um sapateiro engenhoso para fazer as adaptações necessárias. 


 4- Não mostre o que não deve
Imagem via.

Não compre nada que revele as zonas do corpo que a preocupam ou que a deixe minimamente desconfortável consigo própria- assim poupará recursos, espaço e arrependimentos. 

Já o disse aqui - não se trata só de uma questão de decoro (embora o decoro seja muito importante e o mistério mais sedutor do que o óbvio). Mas porque é que uma mulher há-de chamar a atenção para as áreas de que gosta menos?
 Porque está na moda? Lá porque é tendência não quer dizer que vá bem a todas. Para captar olhares? Nem toda a atenção é boa; mais vale dar apenas em certas vistas e só por boas razões. 

Quando a roupa é muito "descapotável" ou coleante, além de mostrar muita pele mostra muito desespero...e deixa à vista cada defeitinho para toda  a gente ver. Se tem dúvidas em relação à sua barriga/pernas/whatever, não as partilhe com o mundo: vai passar o dia a interrogar-se se os outros também reparam que tem isto ou aquilo muito gordo ou muito magro, etc. 
Além disso, certas roupas, mesmo apropriadas, estão reservadas aos dias em que se sente bem. Se lhe parece que está mais rechonchudinha por alguma flutuação hormonal, deixe aquela camisola de malha justa para outra vez. Não arranje razões escusadas para sentir complexos: a vida é demasiado curta!

5 - Não esconda o que tem de bom


Isto não quer dizer cair no erro descrito acima com decotes exagerados, calças justíssimas estilo Kim Kardashian ou micro saias disparatadas, mas orientar as suas compras/escolhas (e eventualmente, a sua costureira) para aproveitar os seus melhores atributos. 
Se tem uma boca bonita, atenue o smokey eye e invista antes num bâton mais vibrante; se a sua cintura é vincada, fuja dos vestidos soltos e tops boxy que agora estão na moda: só vão fazê-la parecer mais larga do que é na realidade e escondem um ponto forte que muitas mulheres matariam para ter; se a Natureza lhe deu pernas elegantes, não ande sempre de calças; caso tenha um busto bem feminino, evite os decotes exageradamente fechados que "abafam" os ombros e atarracam as figuras mais curvilíneas. Tem formas? Deixe os vestidos esvoaçantes e finos para modelos com figura de adolescente: o que lhe vai bem são bons cortes, tecidos e cores ricas. Nasceu com caracóis luxuriantes...porque é que faz alisamentos de longo prazo para ficar igual a toda a gente? Em vez de choramingar porque a tendência do momento não lhe assenta, concentre-se nas qualidades que Deus lhe deu. As tendências passam dali a seis meses e assim como assim, muitas só servem para atafulhar o guarda roupa, prometo.

6 - Não compre só quando precisa

Isto não significa comprar coisas supérfluas, antes pelo contrário...
 Mas um guarda roupa completo e adequado não se constrói à pressa, nem com um "banho de loja": o mais certo é não haver à venda tudo o que procura ao mesmo tempo. Há poucas coisas tão frustrantes como correr a cidade em busca "daquele vestido" para um evento, de um fato para trabalhar ou - mais incompreensível ainda - de umas simples calças pretas de bom corte. Por isso, uma compradora inteligente faz aquisições das coisas que aprecia e de que precisa quando há e quando pode. O segredo está não em comprar muito, mas na bela arte de ir comprando.
 Ou porque o modelo que lhe fica bem está na moda naquela estação e aparecem muitos exemplares, ou porque viajou e encontrou, ou porque apareceu na net ou está em saldo, etc, etc. Se sabe que é uma coisa que usa sempre e tende a gastar-se (tops pretos de manga 3/4 , por exemplo) não sinta remorsos de adquirir em quantidade. Mais vale isso do que gastar tempo e dinheiro em peças de que nem gosta só para acudir a uma emergência.
 Reserve as compras de última hora ou por impulso para amores à primeira vista e pequenas actualizações de acordo com as tendências.

7 - Uniformes rápidos para dias especiais

Já se falou aqui no estilo "modelo à paisana" para estar pronta rapidamente em dias de pressa e pouca criatividade. Ter um "uniforme" sempre à mão é sinal de que se conhece muito bem e de maturidade de estilo!

 Ora, a roupa mais formal ou festiva também precisa de uniformes, na eventualidade de convites inesperados: um jantar da empresa, uma surpresa da cara metade que arranjou bilhetes para qualquer espectáculo...
 É claro que há sempre a tentação de compor toilettes com os tops, vestidinhos e sapatinhos de festa que comprou e nunca usou, mas...isso é exercício para outros Carnavais. 

Quando há pressa, não convém arriscar. Os smokings de senhora, as saias lápis de tecido luxuoso com uma simples camisa estilo Carolina Herrera, os pequenos vestidos pretos e outras peças/coordenados do género inventaram-se precisamente para ocasiões destas.
 Tenha-os sempre limpos, passados, à mão e com bainhas/botões/acertos no lugar, para garantir que fechos funcionam, que nada deixou de servir, que assentam como deve ser e assim por diante. Também convém ter de parte os sapatos que já se sabe que resultam e lingerie para estas situações: "aquele" soutien que dá com o vestido X ou Y, roupa interior cor de pele para cores claras...não vale desesperar-se porque há marcas por baixo da roupa!
 Depois é só dar um jeito ao cabelo e um toque à maquilhagem e já está, Speedy Gonzalez.

Friday, December 12, 2014

A nobre arte de ter o coração firme e as orelhas moucas

"Podem anunciar as bombas que quiserem, que nós somos surdos"

Sun Tzu lá dizia, muito sabiamente "se o inimigo está quieto, provoca-o". Infelizmente, como todas as coisas boas da vida, a estratégia militar pode ser mal empregada:  o que mais há neste mundo é pessoas que utilizam esta táctica a torto e a direito, com as motivações mais baixas e os modus operandi menos nobres. Muitas delas nunca terão lido A Arte da Guerra  na vida, mas lá reza o povo que é tão sábio como Sun Tzu, "para o mal dá o Diabo habilidade".

 Aquilo com que gente pérfida não conta é que há sempre quem tenha lido mais um bocadinho, seja dotado de um grandessíssimo sangue frio e fosse ensinado por bons conselheiros, o que faz com que tais estratagemas caiam em saco roto...

 Quem tem adversários - e todos encontraremos alguns ao longo da vida se não formos uns nabos completos, pois só os zeros à esquerda não são invejados por ninguém - vai deparar-se mais cedo ou mais tarde com provocações.

 O mais comum é a provocação tomar a forma disso mesmo: ditos ácidos, farpas, insultos, bullying, tudo na tentativa de fazer o inimigo perder as estribeiras, descontrolar-se em público (ou perante a pessoa de interesse, seja o chefe, o mentor, a cara metade...), perder a face, ficar mal visto ou cometer erros irreparáveis. Outras vezes, a provocação chega em moldes de rumor ou mexerico, com o objectivo de causar instabilidade, discórdia ou insegurança.

 Os mestres de artes marciais avisam muitas vezes "nenhum homem está derrotado até que a sua confiança esteja por terra" - e pessoas malvadas são exímias em atirar granadas para minar a confiança dos outros, ou a confiança entre duas partes, no melhor modo "dividir para reinar".


 Isto vê-se muito nos concursos de talentos, de beleza e por aí fora: há sempre uma maçã podre que em vez de gastar o tempo nos bastidores a ensaiar, a tranquilizar-se e a melhorar a sua prestação, anda de um lado para o outro a espalhar boatos: "fulana disse assim de ti", "soube que isto está tudo comprado e quem vai ganhar é beltrano", "sicrana está a fazer batota, namora com um jurado" e coisas desse jaez, para deixar os rivais atarantados, virá-los uns contra os outros ou contra a organização ou fazer-lhes sentir que o esforço nem vale a pena.

 Em muitas empresas, vê-se o mesmo triste cenário.

  Se um casal desperta ressabiamentos ou ciumes em outrem, os "amigos" de um ou do outro elemento (por vezes, de ambos) dedicam-se a fazer circular bisbilhotices e falsidades no intuito de desmoralizar ou criar desavenças, utilizando muitas vezes como veículo pessoas ingénuas que contam o que ouviram na melhor das intenções.

 Ante situações destas, quem sabe o que quer e para onde vai deve fazer como a tripulação de Ulisses na presença das Sereias: selar os ouvidos e continuar a remar como se nada fosse. Se já se sabe que é truque ou cheira a truque, a pior coisa que se pode fazer é ouvir uma nota que seja. Há que não ceder à tentação da curiosidade, de "saber o que andam a tramar", nem com a  velha desculpa "tenho costas largas mas gosto de saber o que se diz de mim". No news is good news e o excesso de informação nunca atrai nada de bom. 

Se der atenção poderá fazer-se impassível e agir como se nada lhe fizesse mossa, mas "aquela vozinha" fica lá a zumbir e a tirar migalhinhas à sua confiança, além de que ouvir uma vez é um convite para que lhe tragam mais "bombas" do género. Controle-se e faça saber categoricamente que não quer saber de palavras de burro.

 É que elas pode não chegar ao céu, mas incomodam.

Thursday, December 11, 2014

Passatempo Benamôr: o photoshop em tubo


Já vos falei em tempos da minha longa relação com o creme Bênamor,  utilizado por - pelo menos - três gerações de mulheres da minha família. É natural que as minhas bisavós tivessem usado também, uma vez que existe desde os loucos anos 20. 

 Com muita pena minha, nunca me lembrei de lhes perguntar...o post que isso não dava!
(Nota: visitem a página da marca no Facebook para se deliciarem com imagens de alguns cosméticos antigos que produzia e que por enquanto, ainda não voltaram a estar entre nós).

Em pequena adorava roubá-lo do toucador da avó para o esfregar na cara e nas mãos. Aquele cheirinho a pó de arroz é inesquecível. Na adolescência comecei a comprá-lo em mercearias tradicionais porque apesar de ser alérgica a quase tudo, a promessa de tratar todas as imperfeições valia o risco...e como nunca me causou qualquer incómodo e cumpria de facto os dizeres tão giros da embalagem, nunca mais o larguei.




E porque é que adoro este produto e o tenho sempre cá em casa? É que não se trata só de um creme bonitinho nacional, de uma adorável criação das fábricas Nally com ar vintage que é tradição comprar. Para já, o Benamôr é versátil - cada portuguesa que o utiliza terá usos diferentes para ele. Pode ser usado sozinho, sobre outro creme leve (já que algumas pessoas lhe poderão achar um certo efeito tensor) sob o BB Cream ou base... 

Adequa-se simultaneamente a tratar e prevenir rugas, combater o acne, manchas e quaisquer outros incómodos, protege a pele contra as agressões exteriores, limpa os poros, matifica e é - palavra de honra - o melhor primer do mercado.



 A minha pele super sensível não gosta de primers, raramente os suporta; mas com o Benamôr não tenho qualquer reacção adversa. Mind you, apesar de praticamente incolor é um primário poderoso, uma espécie de photoshop em tuboUsá-lo é como passar um filtro fotográfico no rosto e faz um efeito lindíssimo. Quando aplico Benamôr tenho de ser muito subtil na base ou no BB cream para não ficar com um ar maquilhado demais. Há mesmo uma senhora cá em casa que se usar Benamôr, se recusa de todo a pôr fond-de-teint. Além disso, uma embalagem dura imenso...muitas vantagens num creme ao alcance de todas!

 Se ainda estão com dúvidas ou são fãs empedernidas do creme milagroso, o Imperatriz Sissi e a Benamôr juntaram-se para oferecer uma caixinha amorosa que inclui o Benamôr de rosto, o creme de mãos (que dá o efeito "aveludado" tão raro de encontrar hoje em dia) e o Creme Gordo da marca (que pode ser usado sem dó para todas as necessidades de hidratação).



Para ganhar o coffret Benamôr, basta seguir o sistema do costume:

1- Seguir o Imperatriz Sissi via Facebook ou, se já são fãs (thank you!) partilhar o passatempo.

2- Tornarem-se fãs facebookianos da página da Benamôr.

3- Enviar um email para imperatrixsissi@hotmail.com com o vosso nome de seguidores (e link de partilha, se for o caso).

- O passatempo é válido para o território nacional e podem participar até dia 20 de Dezembro.

 Boa sorte!



S. José - modelo do homem perfeito


Nesta época em que é suposto preparar a árvore de Natal e o Presépio (para quem ainda se importa mais com o Menino Jesus do que com o Santa Claus, sem desprimor para o bom S. Nicolau) dei por mim a pensar como sempre tive uma predilecção por S. José.
 Claro que gostava de todas as outras figuras - nomeadamente os Reis Magos, que sempre achei realmente mágicos) mas sem S.José não haveria Presépio, porque Jesus muito provavelmente não chegaria a Belém.

 Mais cavalheiros deveriam pôr os olhos no exemplo deste Santo, padroeiro universal da Igreja Católica, mas também dos trabalhadores e famílias.

 Nunca me importou se ele era um homem mais velho, como juravam alguns, ou apenas o noivo jovem e super paciente da Virgem Maria, como frisavam outros, se já tinha sido casado antes ou não nem outros dados biográficos. 

José, o carpinteiro, aceitou uma criança que para todos os efeitos não era dele. Está certo que teve um Anjo a atestar a honestidade da sua noiva, mas outros não acreditariam nem que lhes aparecesse um coro inteiro a jurar que Maria era uma rapariga sincera; seriam demasiado ciumentos e orgulhosos, teriam receio de perder a face perante os seus pares ou medo de tal empreitada.

Mas José nunca teve medo, e era um homem demasiado grande para ser orgulhoso - dedicou toda a sua vida a proteger a família, abandonando a sua casa e o conforto daquilo que conhecia para escapar a um Rei louco; começou uma nova vida no Egipto, sabe-se lá com que dificuldades; e educou com esmero uma criança que sendo como as outras, não poderia de modo algum ser igual às outras. O Bom Livro não explica como, mas disciplinar o Messias devia ser uma tarefa no mínimo delicada. S. José é um modelo de força, firmeza, paciência e amor e mais rapazes, homens e pais podiam espelhar-se nele. 

Mas todos os exemplos que estão bem à frente dos olhos tornam-se às vezes muito familiares para que se lhes dê a devida atenção. O que é pena...

Wednesday, December 10, 2014

4 presentes de Natal "mauzinhos" que resultam


Um dos aspectos mais complicados do Natal é a escolha dos presentes: há quem se divirta com o processo, há quem fique irritadiço só de pensar nessa canseira e quem varie entre o entusiasmo e a indecisão de ano para ano, para não falar dos pragmáticos de serviço que optam por oferecê-los só à crianças, poupando tempo e recursos (prático, mas um pouco sem graça).

 Embora eu não concorde com materialismos - que deitam a perder todo o significado da Quadra - acho importante escolher algumas lembranças que mostrem às pessoas que as apreciamos.

 Nesta altura do ano as revistas e sites multiplicam-se a fazer divertidas listas dos "presentes do piorio" que toda a gente quer evitar, mas por vezes eu discordo de algumas escolhas.

 Certas ofertas que integram a lista negra a não pôr no sapatinho podem sim dar bons presentes, se bem escolhidas; e por vezes "intenções menos altruístas" são a melhor pista para a escolha ideal, por estranho que pareça.  Outros presentes só precisam de um upgrade para passarem de embrulhos da treta a "deram-me isto no Natal e nunca mais o larguei".


1- Pijamas e outros presentes a que toda a gente torce o nariz...mas que se farta de usar depois


O pijama deve estar no topo da lista dos mais odiados, mas atrevo-me a discordar da maioria: pijamas, robes de chambre, roupões de turco, loungewear, pantufas e afins podem ser uma lembrança excelente. Primeiro, porque há pijamas e pijamas -  um que seja de seda, de aspecto luxuoso (de preferência forrada para o Inverno) dá sempre jeito.  Herdei da avó a mania de ter de reserva pijamas novos (dizia ela que convém, não vá uma pessoa dar-lhe um fanico, precisar de ir para o hospital e ter de vestir aqueles balandraus horrorosos). Para as crianças, um pijama com o seu herói preferido ou pantufas com a cara do boneco da moda não podem ser mal recebidos.

 Também é aconselhável todas as mulheres terem um robe oriental glamouroso e  quente - aparecer à cara metade embrulhada num roupão velho pela manhã, não dá. Segundo, porque roupa bonita para dormir e andar por casa é algo que toda a gente deve ter, mas quase sempre sente preguiça de comprar em quantidade - só se lembra quando precisa. Conjuntos elegantes para fazer desporto também são muito úteis. Uma caixa engraçada com um sortido de peças confortáveis é muito agradável de receber. O que não vale é comprar um pijama feiote à última da hora.


2- Artigos "de enxoval"


Quem nunca ficou de sorriso amarelo perante os atoalhados que tias, madrinhas e avós insistiam em oferecer de ano para ano, vem de uma família muito moderna. Mas como  muitos hábitos de outro tempo estão novamente na berra, é natural que alguém se lembre de oferecer coisas desse género (se a moda das "arcas de enxoval" começa a andar nos instagrams da vida deito fogo à minha, mas adiante). Porém, sejamos pragmáticos - atoalhados nunca são demais até porque se estragam e comprá-los em grande quantidade não é barato, por isso é sempre bom ter mais alguns -  desde que sejam brancos ou pretos para darem com tudo, sem bordadinhos nem rendinhas. Uma manta fofa para desabar no sofá ou uma elegante colcha antiga de seda ou veludo também não são presentes de desprezar. Se gosta de oferecer utilidades para a casa, fique-se pelo muito simples e prático ou pelo muito raro e luxuoso. Não há meio termo.


3 - Caixas de maquilhagem enormes, velas perfumadas...ou kits de banho esquisitos
Urban Decay

Esses são daqueles presentes bonitinhos que tem muita piada desembrulhar, mas que depois não servem para grande coisa. Oferecer maquilhagem depende muito de quem dá e de quem recebe. Se não percebe nada do assunto, não vá comprar a primeira paleta gigantesca que aparece nas ilhas da perfumaria ou do supermercado nesta altura do ano: muitas só têm aspecto mas as cores não resultam bem e das duas uma: se a destinatária for entendida na matéria não conseguirá fazer grande coisa com o produto (embora vá a correr experimentar, isso garanto) e acabará com mais um trambolho a ocupar  a sua já atravancada mesa de maquilhagem; caso a presenteada não se costume maquilhar, vai ficar desiludida e achar que pintar-se não é para ela.
  Ao comprar para uma makeup junkie, opte por um cheque presente de uma loja especializada ou por uma grande paleta de uma marca de confiança (Nars, Kiko, Sleek, Sephora, MAC, Bobbie Brown...). Se pretende iniciar uma amiga nas artes da maquilhagem um kit simples para começar, como a famosa Naked palette da Urban Decay, é capaz de ser mais razoável.
 O mesmo vale para velas perfumadas, sabonetes e sets de banho: nesta época há muita oferta de marcas estranhas com embalagens muito bonitas, mas o resultado raramente é especial; já casas como a Scottish Fine Soaps ou a portuguesa Ach Brito fazem coisas realmente luxuosas por um preço que não é exagerado. 


4 - Presentes com segundas intenções


Não me refiro a mandar um palhaço de mola realmente assustador ou uma caixa com pó de sumiço ao seu inimigo de estimação (embora possa ter a sua piada, a época é de paz e boa vontade).  Pensar estrategicamente e de forma um bocadinho egoísta pode ser a melhor maneira de desencantar o presente perfeito. Ora pense: se as suas amigas passam a vida a assaltar-lhe o closet para lhe pedir emprestadas clutches, sapatos de festa ou vestidos de noite, se calhar é boa ideia oferecer-lhes algumas destas coisas para estrear no ano novo. Isso também conta para o secador ou ferro de frisar profissional que passa mais tempo em casa da sua prima do que na sua - se lho pede tantas vezes é porque adoraria ter um, certo? Não é que você se importe de continuar a partilhar no futuro, mas ao menos já sabe o que lhes faz falta e aquilo que lhes fica bem, logo não há nada de mal em tirar partido dessa informação.
 Se a sua irmã mais nova se esquiva a passar a ferro - ou mesmo mandar passar - e anda sempre amarrotada apesar dos seus avisos, arranje-lhe um vaporizador de viagem. Não há nada tão rápido nem tão eficaz, e convém ensinar desde cedo que com roupa amassada não há look que fique elegante. Além disso, poderá levá-lo emprestado uma vez por outra, em modo "pede o guloso para o desejoso".
 Considere sempre as necessidades para lhes poder corresponder, mesmo que à primeira vista pareçam  mais suas que dos outros. Antes comprar algo que dá jeito a mais do que uma pessoa lá em casa do que gastar dinheiro numa bugiganga inútil...



Mais um "Othello" da vida real...e uma perfeita Desdémona.


Ontem foi noticiado o assassinato da bailarina e actriz Stephanie Moseley às mãos do marido, que se suicidou em seguida, perante um amigo que (coitado do pobre) assistiu a tudo via webcam, no melhor espírito de filme de terror.

 Segundo testemunhas o casal discutia constantemente porque a cara metade de Stephanie, Earl Hayes, não conseguia superar uma alegada traição (ou separação, não compreendi ao certo) do passado. Via infidelidades até numa mosca que zumbisse por perto e tornava a vida da mulher num inferno. Os dois estavam mesmo em vias de um afastamento definitivo à conta disso, mas dez tiros selaram a tragédia para ambos.
 Só falta saber-se que as suspeitas de Earl eram infundadas, causadas por uma intriga qualquer, para termos o enredo de Othello sem tirar nem pôr.

 Já muito se falou aqui dos Mouros de Veneza , dos ciumentos patológicos, e por mais que dê voltas não consigo perceber o mecanismo. Se alguém provoca ciúmes e dá motivos para desconfiar; se é preciso vigiar essa pessoa a toda a hora e ela é imatura que chegue para alimentar situações que deixem o outro desconfortável...o remédio é afastar-se, certo?

Isso pode ser doloroso, mas ao menos não coloca ninguém em risco.

 Se assim não é e as suspeitas nascem lá na cabeça do ciumento e ele não aceita a realidade por mais provas de dedicação que se lhe dê, então se calhar é hora de pensar mais na cara metade e no sofrimento injusto que está a provocar. E procurar tratamento especializado ou reconhecer que é uma pessoa com quem é impossível viver...porque é mesmo.

 Mas o problema do ciumento é que não é só desconfiado e inseguro: é possessivo, e a posse exagerada (pois o amor destituído de algum sentido de posse não tem graça, o mal está é nos extremos) nasce de um profundo egoísmo. De uma incapacidade para abrir mão do controlo total. Estilo se me afasto dois metros para reflectir e avaliar a situação alguém aparece imediatamente para me roubar a mulher.

 E como tal, em casos destes, o meio para pôr fim ao desconforto interior é resolver o caso a tiro ou coisa pior. O velho "se não me pertence não será de ninguém". Tenho para mim que os Othellos que chegam a actos dramáticos desses estão, na sua cabeça, a cometer não um crime, mas uma demonstração de romantismo mórbido.

 Para homens assim, se a a história de amor não pode ter um final feliz...que tenha um final trágico. Juntos a bem ou a mal. Nenhum ciumento sabe ser razoável - essa é a raiz do problema.

Tuesday, December 9, 2014

5 escolhas que estão nas nossas mãos todos os dias.


Embora se tenha convencionado (graças à banalização de muito pensamento motivacional e de auto ajuda) que o nosso futuro/ realidade/sorte na raspadinha é determinado pela forma como pensamos, sentimos, ou pelas ilusões mais malucas (o fanado "querer é poder") eu acho essa ideia um pouco desanimadora. Para não dizer assustadora...

 Não é que considere a teoria totalmente falsa - há muita coisa que a ciência ainda não explica e uma atitude vencedora ajuda sempre -  mas é preciso moderação para não cair em figuras ridículas. 

Primeiro, porque é impossível controlar a 100% tudo o que se pensa ou sente e ter um domínio completo sobre os acontecimentos. Quem tenta pode acabar paranóico, com medo que cada "pensamento negativo" que lhe ocorre influencie a realidade (e daí para "ver coisas" não deve faltar tudo). Ou pior ainda, transformar-se num pateta alegre espiritual, uma Pollyanna que finge que acredita que tudo está bem, que todos são fofinhos e que não é preciso defender-se nem na iminência de um desastre estilo 1929.

Segundo, porque embora cada um possa - e deva - tomar as rédeas e assumir a responsabilidade pela sua vida (em vez de deitar a culpa à sociedade, ao patriarcado, às cunhas dos outros ou aos gambuzinos) nem tudo o que sucede é culpa ou mérito nosso. Acreditar que a boa ou a má sorte depende exclusivamente de nós - sem intervenção do acaso, dos elementos ou dos deuses - deixa-nos terrivelmente sozinhos e com um grande fardo nos ombros.

 Lá volto a Maquiavel, o ideal é 50% de Fortuna, 50% de Virtude...


Porém, há realmente aspectos que podemos controlar, escolhas que dependem só de nós e sofrimentos auto impostos...que são 100% facultativos!


1 - A forma como nos apresentamos todos os dias

Se há coisa sobre a qual temos domínio nesta vida é o nosso aspecto. É verdade que nem sempre está na mão de cada um o engordar e o emagrecer - pelo menos, de um dia para o outro - e que não é preciso ser perfeito (a). Mas podemos escolher tratar da linha ou não, fazer exercício ou não, e trabalhar com o guarda roupa e maquilhagem para mostrar a nossa melhor cara em todas as situações. Cultivar o estilo dá trabalho e exige disciplina, mas tem um impacto psicológico enorme em quem o faz e nos outros.  Quando se está em baixo, sair bem vestida e arranjada pode ajudar a enfrentar os desafios com outro ânimo. 
 Tanto a carreira como as relações são largamente influenciadas pelo aspecto de cada um- a imagem não é senão comunicar sem palavras. Mostra ao mundo quem somos e onde queremos estar; pode impor respeito, cativar ou criar animosidade à primeira vista. Se não gerir a sua própria imagem, os outros tratarão de inventar uma por si. Ou citando Coco Chanel, "vista-se sempre como se fosse ter um encontro com o destino". 


2 - Olhos que não vêem, coração que não sente


"Conhecimento é poder"...desde que possa usar essa informação a seu favor, ou agir de acordo com o que ouviu. Em todos os outros casos, a máxima "ignorância é uma bênção" é bem mais sensata.

 A ideia de "manter os amigos perto e os inimigos mais perto" pode fazer sentido para os políticos ou se você for um Don Corleone dos tempos modernos (só faltava essa), mas para o resto das pessoas, saber demasiado faz mais mal do que bem. Precisa mesmo de ouvir mexericos sobre as pessoas com quem antipatiza, acompanhar as notícias da empresa que a (o) despediu injustamente, esgatafunhar as páginas dos seus desafectos nas redes  sociais a ver se alguém fala mal de si ou  - o clássico dos nossos dias - perseguir o (a) ex no facebook, num movimento totalmente masoquista? 
 Eventualmente, vai tropeçar em coisas que irritem ou magoem. Mesmo que não haja nada, como é um assunto sensível o mais certo é interpretar da pior maneira o que leu, viu ou ouviu. E a parte pior? É que não vai poder dar vazão à sua fúria de maneira legítima, por isso o mais certo é perder as estribeiras e dizer/fazer algum disparate que lhe caia mal. Se for uma pessoa discreta, vai ficar a roer-se por dentro. E se a discrição não for o seu forte, quase de certeza vai dar-lhe para, por sua vez, publicar algo velado, mordaz, ressabiado e indiscutivelmente pindérico nas redes sociais, fazendo todo o mundo perceber que alguma coisa de mau se passa consigo. Por isso, just don´t.

Abstenha-se disso e proíba os seus amigos de lhe trazerem ecos desses. See no evil, hear no evil, speak no evil. Discipline-se, que diabo.

3- Dar atenção a pessoas tóxicas



Fazer mais um favor ao falso amigo que não retribui a sua lealdade; ouvir as conversas acabrunhantes daquele conhecido que espalha rumores sobre toda a gente (e provavelmente sobre si, logo que vira as costas); escutar pela milionésima vez as lamúrias daquela sua amiga que não acerta uma, não ouve os conselhos de ninguém e inevitavelmente a (o) arrasta para as suas confusões; responder a *outra* mensagem do (a) ex que veio do inferno porque "ainda lhas tem guardadas e precisa de tirar isso cá para fora"; ceder aos convites de última hora daquele cavalheiro caprichoso que só enrola, esperando que da próxima as coisas atem ou desatem; fazer a vontade, pela enésima vez, àquela rapariga por quem está apaixonadíssimo há anos, mas que só lhe telefona quando precisa de ajuda para qualquer coisa...ou seja, permitir que façam de si paspalho (a) é inteiramente OPCIONAL.

 Se já sabe o enredo de trás para a frente, ao menos tente mudar o fim do filme. Sempre varia um bocadinho e deixa de alimentar um padrão que não lhe acrescenta nada. De bom.


4 - Cansar-se de forma pouco produtiva

Fazer constantemente horas extraordinárias, praticamente inúteis (e não pagas) graças à desorganização alheia sem sequer discutir o assunto; manter clientes exigentes e forretas, que regateiam tudo ao máximo e exigem prazos disparatados; deixar que lhe atirem trabalho extra para cima dos ombros, sem realçar o quanto se esforça nem negociar a sua posição; fazer fretes sociais desnecessários, porque não aprendeu a apressar as pessoas nem a dizer que não; tentar corrigir maus hábitos de quem não quer aprender...
 O empenho, a disponibilidade e a diplomacia são muito importantes, mas se não os distribuir estrategicamente nem considerar o "custo benefício" (ou neste caso, a relação entre o esforço e a vantagem) acabará por lhe faltar energia para tarefas prioritárias.
 Ninguém é imenso e acima de tudo, tempo é dinheiro: não o desperdice levianamente.


5 - Enervar-se com muito entusiasmo

Há pessoas/situações que nos tiram do sério, nada a fazer. Mas precisamos de impor limites ao poder que lhes damos e à quantidade de nervos que permitimos que provoquem.
 Lá porque uma discussão familiar estalou, não é preciso que vá em crescendo e se prolongue por horas a fio; se deu de caras com um ódio de estimação que olhou para si de lado, dê ao caso a importância que merece e não comente o assunto todo o santo dia; se sente frustração e precisa de chorar força, vá para um cantinho e desabafe, mas pare logo que se sinta melhor; se receia que a depressão se aproxime, vá ao médico quanto antes para tratar o problema, mas não passe a si mesmo (a) o atestado de pessoa depressiva.
 Não se trata de esconder a cabeça na areia ou fingir que não se passa nada, mas de relativizar - de impor limites de tempo e intensidade  àquilo que o (a) incomoda.


E esses limites só dependem de cada um...







Já se publicita o adultério e tudo (ou de como estamos oficialmente no fim do mundo)



Estava eu a ver esta série giríssima na SIC Mulher, estilo Downton Abbey, quando passa um anúncio de qualquer coisa chamada Second Love. Pensando que era algum site de roupa vintage, fui ver o que era...e lo and behold, trata-se de um portal de encontros específico -nota bene, específico - para quem já é comprometido.
 Com a desculpa "flertar não é só para solteiros" o dito site convida senhoras e cavalheiros a quebrar a monotonia...e os seus votos.

Reparem bem nesta beleza de copywriting: 

Para ela:

Quer receber a atenção que merece, sendo tratada da maneira que gostaria, por homens que realmente estão interessados em si? (...) Se quiser conhecer homens que pensam e procuram por uma aventura, inicie já o seu novo romance aqui....

(Que tal ser honesta com o actual companheiro e se o caso é mesmo irremediável, ficar livre para começar de novo? Não que se calhar vá encontrar melhor, mas ao menos não engana ninguém. Cavalheiros, muita atenção aos anúncios que as vossas mulheres andam a ver, só vos digo isto).

Para ele: 


Muitos homens que se encontram num relacionamento pensam que depois de um certo tempo, o relacionamento pode mudar e tornar-se bastante previsível e monótono.
Para que a monotonia não destrua o seu relacionamento, um flirt ou a atenção extra de outra pessoa, pode mudar toda a sua perceção no seu próprio relacionamento.

(Olhem que realmente! Atraiçoar a cara metade tem muitos nomes, mas "mudar a percepção", como se fosse um favor que se está a fazer à pobre infeliz, essa nunca tinha ouvido).

Nem sei por onde é que comece- o que isto tem de sórdido e de doentio não está escrito em lado nenhum, mas que seja anunciado em horário de família como um serviço normalíssimo, estilo lavandaria, mostra que a sociedade está a cair aos bocados, totalmente de pantanas. A elasticidade moral é mais que uma doença - atinge proporções de epidemia, e já ninguém estranha coisa nenhuma....

Monday, December 8, 2014

O "sense of entitlement" é o mal de muita gente.


Ando mortinha para encontrar uma tradução adequada para "sense (ou feeling) of entitlement", mas ainda não me ocorreu nenhuma. Vi por aí uma tentativa brasileira de traduzir o termo para "regalista" (alguém que espera regalias, acho) mas pareceu-me confuso demais.

Alguém que sofre de "sense of entitlement"  é, basicamente, uma pessoa que acha que o mundo lhe deve tudo.




Isto pode tomar várias formas, umas mais perigosas do que outras mas todas irritantes - do alpinista social com traços de sociopata ao ressabiado, passando pelo queixinhas de serviço que não faz senão lamuriar-se que não tem sorte nenhuma e que a sociedade tem culpa dos seus desaires. Mas todos adoram atenção e palmadinhas nas costas. Todos sofrem de uma atroz falta de noção, considerando-se muito acima das suas reais capacidades. E sem excepção, acham que têm direitos (ou melhor, privilégios) mas muito poucos deveres.




 Um indivíduo com "sense of entitlement" beira quase sempre o ridículo. É a interesseira (ou interesseiro) que vendo a oportunidade de privar com um círculo mais exclusivo, age como se estivesse em sua casa, pasmado todos com o seu atrevimento e arrivismo.



 É o cantor que teve um sucesso (vulgo one hit wonder) há vinte anos atrás e continua pateticamente a recusar-se a fazer outra coisa na vida, publicitando uma versão fanada e acabada de si próprio. Prefere fazer espectáculos em estábulos nos confins da província, banalizando-se, a deixar de ser considerado "um artista"...por muito que isso ponha em causa a sua dignidade e não pague as contas. Ou que não cante tão bem como isso e que o seu êxito tenha sido fruto de um conjunto de circunstâncias, obrigada pelos 15 minutos de fama e agora passemos a coisas realmente importantes


É o "suposto geniozinho" que não encaixa em nenhuma escola, não faz nada da vida, não cumpre as regras e trabalha menos que os colegas mas proclama a toda a hora a sua incompreendida "superioridade intelectual" com palavras caras que não fazem sentido nenhum.



 É o rapaz "supostamente bonzinho" que acha que lá porque não trai, não maltrata e não faz coisas realmente aberrantes, já é o melhor do mundo e todas as mulheres devem dar graças pela sua presença com medo de arranjar pior. E se dá para o torto, desata numa campanha de difamação contra a ex ou suposta namorada em potencial que afinal só o via como amigo, porque, diz ele, "as mulheres só gostam é dos crápulas".



É a rapariga desengraçada que, não encontrando quem olhe para ela duas vezes, decide apaixonar-se pelo amigo bonitão e comprometido que lhe dá dois dedos de conversa - perseguindo-o e  arranjando-lhe problemas com a legítima, porque afinal, se lhe prestou alguma atenção já lhe pertence e nem vê o casal mal arranjado que iam fazer, no melhor modo erotomania. Ela é que é inteligente, ela é que sabe fazer um homem feliz, ela é que...não tem espelhos em casa, nem recato!



É o triste que nunca manteve um emprego nem namorada certa, não segue os conselhos de quem o quer ajudar, vive no mundo dos sonhos onde é rico e famoso e como não se chega lá com ilusões, culpa todo o mundo e ataca todo o mundo.

Estes são apenas alguns exemplos mais óbvios, mas haverá muitos mais que por aí andam a enganar-se, a aborrecer quem passa e - consoante o grau de falta de estrutura moral - a causar problemas a quem tem o azar de se cruzar com eles, a tecer intrigas, a espalhar confusão. Na melhor das hipóteses são pessoas que cansam, enervam e sugam a energia alheia.




Newsflash, minha gente: o mundo não vos deve porcaria nenhuma - para não dizer uma asneira. Mesmo quem herdou tem de fazer por manter, porque neste planeta do Senhor não há almoços grátis e a não ser que tenham algo de extraordinário a oferecer (ou mesmo no caso de golpes de sorte, que se faça uma gestão muito eficaz do talento, momento e oportunidade) ninguém vos vai fazer vénias. E por muito trabalho ou esforço que haja em alguns casos, até assim é preciso conhecer o seu lugar, os seus limites e ter noção de certas fronteiras. 

Além disso às vezes não dá mesmo - you can´t always get what you want, lá dizia o outro - mas quem tem realmente valor arranja sempre outro caminho por onde se expandir, em vez de se lamuriar contra A, B ou C. Ou de conspirar a toda a hora, enroladinho num buraco, no melhor modo Gollum do Senhor dos Anéis, consumido-se num misto de ganância, inveja e obsessão pelo que já lá vai. Presunção e água benta...





Isso de "ser viciada em roupa" não basta...e o gosto não é para aqui chamado.


Ontem dei finalmente uma olhadela ao programa Ultimate Shopper, que já me despertava certa curiosidade há algum tempo, mas que nunca tinha visto porque o  TLC (ou canal-dos-maluquinhos , como lhe chamamos cá em casa) não está disponível na maquineta do tempo e eu não tenho propriamente vagar para pasmar para a TV à espera.
 Para quem não conhece o formato, Ultimate Shopper põe quatro "fashionistas" (o termo "viciadas em compras"ou "fashion victims" seria mais acertado) a competir numa loja "de luxo" fictícia. 

A que conseguir compor quatro looks adequados para diferentes situações, leva para casa todas as peças que escolheu.



 Primeiro, a ideia tem a sua piada mas não vejo porque é que alguém se iria expor dessa maneira para ganhar alguns sacos de roupa baratinha - todas as marcas patrocinadoras se encontram em qualquer shopping comum, o que torna a competição um bocadinho tola. Além disso, a selecção dos artigos parece-me (talvez de propósito, para dificultar a tarefa ) ser algo duvidosa, pelo menos no que concerne a acessórios e sapatos. É difícil acertar num outfit decente quando o grosso do calçado disponível são sapatões de brilhantes, que eu cá não queria *literalmente* nem dados.

 Mas o que é curioso observar no programa é que para cada candidata com estilo que aparece, o resto é uma desgraça pegada. E se não conhecesse tantas pessoas do mesmo género (que compram regularmente, mas com uma atroz falta de conhecimento do que lhes fica bem) até achava que era um truque dos guionistas. Infelizmente não é, e qualquer profissional de moda ou apreciador atento sabe disto. Basta olhar para certos "egoblogs de moda" da nossa praça e não só para dar com o fenómeno.



 Quando se trabalha com roupa (ou se discute o assunto regularmente) é preciso saber isolar, ao avaliar o estilo de outrem, o nosso gosto pessoal.

 Vejo por aí imensos looks que eu não usaria nem sob ameaça de arma de fogo, mas que não posso descrever como sendo de "mau gosto" porque estão indiscutivelmente correctos em termos de materiais, proporções e combinação de cores, padrões e texturas. Poderei classificá-los, quando muito, de extravagantes, mas se estiverem adequadamente montados e favorecerem quem usa, nada a dizer.




Para que algo seja descrito como de "mau gosto" - é preciso que pareça demasiado... revelador, pequeno, grande, reles, elaborado, errado. O resto entra na esfera do gosto pessoal, que realmente não se discute.

 O que me confunde é como pessoas que passam a maior parte do seu tempo livre nas lojas não perdem um pouco a compreender as silhuetas e materiais que lhes assentam - em termos de físico, de idade ou mesmo de dress code

 Gostam de "trapos" mas não gastam um minuto a tentar compreender questões básicas: copiam o que está na revista, no lookbook da loja ou no manequim. 

 Depois, uma dificuldade aterradora em caminhar de saltos altos com um mínimo de compostura; costas arqueadas; um andar de patas chocas que amarraram dois tijolos aos pés; uma tendência para acumular acessórios baratos ainda antes de pensar na roupa...vi ali tanto atropelo das regras  basilares - além da predilecção por calçado quanto mais alto e enfeitado melhor, e por tecidos que estragam mais do que ajudam - que estava constrangida e não era nada comigo.

 Não precisava de ter assistido a isto no ecrã, porém- basta um pulo rápido à rua para observar exactamente o mesmo tipo de vícios.

 Se saírem à noite, proponho-vos o desafio de tentarem encontrar calçado normal nos pés das pessoas: aposto convosco que 50% serão sapatões e botins de veludo com brilhos e tachas, saídos das megastores de calçado do costume. Isto acompanhado de musselinas sintéticas, shift dresses de malha combinados com casacos de cabedal falsos tão caros como os verdadeiros ou quase, saias a terminar precisamente onde "engordam" mais...um verdadeiro estudo social, que nos permite adivinhar com um simples golpe de vista muito da cultura e background da pessoa...um profiling quase infalível!

 A predilecção  geral por quantidade em vez de qualidade e roupa que "dê nas vistas" nem que seja pelas piores razões é de tal ordem que encontrar uma mulher bem vestida, simples, com cachet, é um descanso para os olhos...

 Que quem não gosta muito de moda erre, é normal...mas quem adora? É caso para dizer..."se gostas disto, não o estragues".




Sunday, December 7, 2014

To hell with you! Ou uma pessoa sabe que é mesmo destemida quando...



...se sente a modos que adoentada por causa deste frio que resolveu aparecer de repente  e se põe no sofá com a família a ver um filme de Exorcistas que é suposto meter medo mas, no melhor da festa, com o diabrete aos berros, cai no sono dos Justos.

E acorda com o endemoninhado ainda a gritar tal e qual como o possesso que é, e o Padre a fazer-lhe a oração de S. Bento em latim (que sempre achei lindíssima) mas medo, nada.

É verdade que sempre achei o tema fascinante e que me causa o devido respeito, mas nunca me assustou. Já vos disse o que achei de O Exorcista: gostei do livro e do filme, mas fiquei mais interessada no figurino dos anos 70 do que no demónio que usava babete e fazia cara de criança que foi apanhada no pote dos biscoitos.

  Se calhar com tantos agentes espalhados pela Terra em forma humana, quando chega a altura de o Príncipe das Trevas se mostrar em pessoa... já não é lá muito impressionante. Na tela, pelo menos...


         «Digo ao Diabo "não te temo, ó camafeu: conheci piores infernos do que o teu"

                                                                   Sérgio Godinho

Consideração Natalícia do dia #1: fariseus de Facebook


Com o Advento começam os preparativos, a alegria das crianças, os trajes reveladores da Popota a mostrar aos pequenos que o twerk, a kizombada e a peninha roliça são uma verdadeira instituição nacional, as musiquinhas deprimentes nos centros comerciais...e as lamechices nos social media.

Se isso já é intolerável o resto do ano, imaginem na temporada da paz e do amor. Já comecei a ver por aí os lugares comuns do "importante não é dar presentes, é estar presente" e outras coisas abrasileiradas estilo Capitão Óbvio em modo "ai que eu sou tão espiritual e tão boa pessoa" que não interessam, literalmente, ao Menino Jesus.

Ao menos mostrem um bocadinho de imaginação, porque até a hipocrisia pede um certo estilo e criatividade. Custa alguma coisa escrever uma hipocrisiazinha jeitosa pelo próprio punho, sem erros ortográficos, etc? Ou se são tão bonzinhos e têm tempo para partilhar palermices, que tal  fazer um pouco de voluntariado, que pedidos para isso não faltam nesta altura do ano, ou arranjar um part time a embrulhar presentes, sei lá.

 Isto ainda é mais bonito quando se conhece de cor a crónica de quem publica tais possidonices e se sabe, ipso facto, das maldades de que são capazes na própria casa - tipo Grinch, mas o ano inteiro. Se não disserem nada uma pessoa ainda faz vista grossa porque ninguém é perfeito, mas que o digam quando o que vai lá dentro é do conhecimento dos outros é muita lata...

  Em última análise, a ruindade de cada um fica com quem a pratica, mas foleiradas em público já é pedir demais. 

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