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Thursday, December 31, 2015

Momento politicamente correcto de passagem de ano (só cá faltava)


A minha querida avó era uma santa Senhora, mas dada às suas manias como toda a gente. Uma delas era benzer-se e persignar-se com uma ladainha só dela se por acaso alguém mencionava o coisa-ruim. A outra era - por mais imaculada que a casa e a roupa estivessem - não vestir peça alguma sem antes a passar a ferro ou, em caso de pressa, "pelo lume" (lareira ou chama do fogão)...por via dos aranhos ("por via", ou por causa, de algum aranhiço que lá tivesse passado deixando peçonha que causasse alergia). Era um medo de quem mora no campo, que nos fazia rir e causava algumas atrapalhações, mas não deixava de ter a sua razão de ser: descobri-o recentemente, com terror, quando uma centopeia teve a desfaçatez de passar numa roupa minha que estava pousada...

Mas pronto, hoje em dia já não há apesar de tudo tanta causa para passar a roupa "pelo lume". Porém, eis que recentemente saiu uma notícia qualquer que diz que a roupa a estrear também deve ser lavada primeiro, não por via dos aranhos (que sempre tinha mais piada e outro pitoresco) mas por via de umas mixórdias anti-humidade e fungos ou coisa que o valha, que lhe põem nas fábricas... e que causam doenças ruins se entrarem em contacto com a pele. Eu encolho os ombros a tudo isso porque sou pouco dada a alarmismos e mitos urbanos; só que um engenheiro químico confirmou isso a alguém cá de casa, alminha essa que só por acaso tem os seus instantes de hipocondria. 

De modo que as peças novas e azuis para estrear na Passagem de Ano tiveram, porque tiveram, de ser escaldadas e bem passadas, não vá o coisa ruim, os aranhos ou os químicos fazer das suas. Ainda argumentei que por vestir uma coisa conforme veio da loja uma vez não vem mal ao mundo, ora agora ter trabalho com isso, mais químico menos químico o que eu quero é ter Boa Fortuna no Ano Novo. Pois sim...que tratassem disso com mais antecedência porque não vou apanhar uma macacoa à conta das crendices, nem da festa. E porque não vale a pena arreliar-se por causa disso, lá fui eu fazer um apressado e politicamente correcto serviço de lavandaria à toilette de toda a gente. Estou a perder a rebeldia a bem de entrar com o pé direito em 2016, mas é temporário, juro. Happy New Year!

A mania de dificultar TUDO. Só porque sim.


Sabem aquele filme do Jim Carrey em que ele quase acaba maluquinho ao tomar à letra as ideias de um guru que o ensina a ser mais positivo, a estar aberto à vida e a dizer "sim" em vez de fazer cara feia a tudo?

Bom, eu não acredito lá muito em patacoadas new age que juram que TUDO, rigorosamente tudo o que nos acontece de mau, desde a falta de oportunidades às maleitas passando por escorregar numa casca de banana ao sair de casa é responsabilidade nossa (ou como "eles" gostam de dizer, "co-criação"), assim como também não compro a ideia oposta de que todos os males vêem dos astros, dos espíritos desencarnados, de macumbas ou de embirração divina. No meio é que está a virtude ou como dizem os americanos, crê como se tudo dependesse de Deus, trabalha como se tudo dependesse de ti.

Mas há pessoas, até bem intencionadas e adoráveis, que realmente são muito negativinhas. Até parece que gostam de complicar por hábito, de propósito, porque é mais confortável assim. 

Tudo lhes parece uma molhada de brócolos e fazem questão de colocar entraves ainda uma ideia mal foi verbalizada. E palavra de honra, isso reflecte-se na vida delas, que acaba por andar sempre no mesmo chove-não-molha. "Vamos jantar com fulano e beltrano?" - NÃO! NÃO QUERO SAIR DE CASA QUE TENHO MUITO QUE FAZER! (mas se não chegar a sair, provavelmente acaba por não adiantar nada na mesma) . Se há um passeio projectado mas ameaça chuva, ai que bela desculpa para cancelar tudo. Manter planos é um problema para estas almas, mas calma: as mudanças também lhes fazem confusão, porque até mudar para melhor significa dizer "sim" a alguma coisa, estar receptivo ao que quer que seja. Por isso preferem agarrar-se a um objectivo velho e que não dá em nada, complicar a mudança alheia se for preciso, só para ser do contra. E isto nas questões grandes e pequenas, familiares, profissionais, amorosas, de lazer, de negócios. 

É tudo não, tudo não, tudo não. E depois esperam que a vida lhes ofereça o que quer que seja? É que acreditando ou não nisto, há-de haver uma lei da física que diga, lógica e racionalmente, que nada entra numa porta constantemente trancada ...a não ser que a sucessão de acontecimentos sucessivamente barrados acabe por acumular e abrir caminho à martelada, pois é impossível que a vida fique eternamente na mesma.

Ser receptivo, ter alguma abertura e flexibilidade, um nadinha de sentido de aventura, levar os planos até ao fim e não complicar for the sake of complicating parece-me condição essencial para criar, receber ou activar algumas coisas, para que haja movimento na existência. Mas que sei eu, que não sou guru nem quero...

Wednesday, December 30, 2015

Mais uma vítima dixit: ai os piropos é que são o mal do mundo?


"Esquecer a primeira agressão é tão difícil como esquecer o primeiro beijo".

Maria da Luz (assassinada pelo marido)



Eu ia falar sobre a questão do piropo que tantas piadas tem gerado por aí, apenas para acrescentar ao que já disse aqui ou aqui

Há quem confunda assédio com um galanteio inocente, na onda do politicamente correcto que dita que é pecado ser bonita para não ofender as desengraçadas, ou que é suposto a forma como se anda na rua não provocar qualquer impacto no descaramento aheio (wishful thinking much?) bem como na ditadura do ofendedismo, do melindre,  não-se-pode-dizer nada

Há por aí piropos com graça e educados: saber ouvi-los, sorrir para dentro e andar faz parte da arte de ser mulher. 

Será uma pena que os exageros belisquem uma parte tão característica da nossa cultura. 

Há piropos chocantes que beiram a agressão? Há, todas já os ouvimos, muitas infelizmente desde muito novas. Mas esses já estavam contemplados, de certa forma, na lei.

Qualquer menina ou senhora pode dirigir-se a um polícia e queixar-se de estar a ser incomodada. Ou fazer como uma rapariga que vi uma vez, a correr um atrevido rua abaixo à chapelada, porque ainda há Mulheres com "M"  grande. Se as pessoas não fazem uso disso por ignorância ou timidez, então é outra história; urge educar a sociedade (e em particular, as mulheres)  para a auto defesa; talvez mais do que tentar educar potenciais agressores, como se tem feito. 

Esta actualização super mediatizada, um bocadinho populista, boa para manchetes e status nas redes sociais,  vem apenas dar realce à moldura existente (de forma cómica e exagerada, sim; com um toque feminazi que não fazia cá falta nenhuma, sem dúvida; são malhas que a Esquerda tece, esperavam o quê?). Vai tolher a liberdade de expressão? Provavelmente, porque se devia ter posto, nos devidos termos, que é o piropo malcriado, a falta de respeito e a ordinarice que se condena, não o piropo per se. Mas se calhar, como falar em "haja respeito", em "recato" e "decoro" soa mofento e salazarento, tiveram vergonha de o explicar devidamente e deu-se esta confusão toda.

Agora a falar francamente, eu que sou a primeira a saltar contra os chiliques feministas, acho que este aditamento ao artigo 170 º do Código Penal, "importunação sexual"  não está mal de todo, está é mal explicado. Tenho dito.

   Mas em todo o caso, criminalizar (ou pelo menos, estigmatizar) pomposamente todo e qualquer piropo é mais uma feminice ou esquerdice que, como de costume, se entretém com o acessório e o enfeite em vez de agir à bruta quando é preciso para travar as consequências realmente graves. 

Posto desta forma, parecem ralar-se mais se um "Alá é grande!", um "casava-me já" ou um "Abençoado pai que fez tal filha!" embaraça...mas não tanto se as penas para quem desanca a cara-metade são capazes de meter medo a alguém. A violência doméstica - e mais grave, o sempre desculpado crime passional -  é realmente um problema das mulheres, e dos sérios. Não só das mulheres, claro, mas pela lei da natureza quem é fisicamente mais fraco tem menos possibilidades de se defender caso tenha caído na asneira de unir o seu destino a um doido cobarde que acha que a pessoa amada é saco de boxe.

A vítima do chocante homicídio de há dias, com recurso a tiro e granada (chamaram-lhe femicídio, mas eu acho isso mais um fim do mundo de quem não tem que fazer) tinha denunciado, antes do trágico desfecho, a violência através de desenhos, com a frase "Esquecer a primeira agressão é tão difícil como esquecer o primeiro beijo". Se a Lei e a Polícia não foram capazes de proteger a Maria da Luz, como têm falhado para defender outras Marias desde que a violência começa a ameaçar, escalando por aí fora, então é para essa moldura legal que temos de olhar, a bem de uma sociedade civilizada. Agora o piropo, o galanteio, francamente.






Tuesday, December 29, 2015

Breaks my heart, or I think I´m just happy? (ontem, hoje e amanhã)

Kurt Cobain e Courtney Love; e actualmente, a filha deles com o marido

Eu era muito novinha quando Kurt Cobain deixou este mundo com o seu belo rosto e olhar triste que parecia uma pintura do Divino Redentor, mas o meu universo pré-adolescente ficou abalado pela tristeza que assolou o liceu- especialmente na figura do M., um rapaz simpático de cabelos compridos que era fã empedernido e desatou a chorar como uma rapariguinha quando a notícia da morte do seu ídolo se soube. 

Os Nirvana estavam por todo o lado e era impossível escapar aos seus poemas. Os rapazes com quem me dava (os que se atreviam a não ser betos e a fugir dos encerados, parafernália de rugby e sapatos de vela num liceu que dividia amigavelmente "betolas" das tribos mais "alternativas", mas igualmente betolas porque era quase tudo gente civilizada, embora houvesse problemas ao melhor estilo do que viria a ser Morangos com Açúcar) vestiam como Kurt Cobain e as meninas queriam namoriscar rapazes como Kurt Cobain. 



Eu cá era muito sossegada, mais tímida não podia... e continuava orgulhosamente a coleccionar Barbies e a jogar Streetfighter a par com os livros e a maquilhagem, mas houve o T., que me ofereceu o primeiro peluche com coraçõezinhos (primeiro e último, que nunca fui dada a lamechices) e o A., long story. Cabelos louros compridos, olhos azuis e camisas de flanela.

 Já o nosso amigo M., o que chorou como uma Madalena e tocava guitarra, usava as tais camisas sobre umas antepassadas das skinny jeans actuais  que eram uma seca para raparigas e rapazes, porque aquela ganga elástica extra espessa tinha artes de achatar o derrièrre mais imponente.  Tinham de ser City Jeans, senão não prestavam...mas em boa verdade, nem essas prestavam. Fiz birrinha para ter umas e usei-as um par de vezes antes de as despachar, um dos poucos caprichos de moda inúteis da minha existência. Mas no M. pior um pouco ficavam, pois ele, embora bonitinho com o seu cabelo escuro lustroso,  já era o Palito...eu e a minha melhor amiga até desenhámos um cartoon em que era levado pelo vento, possivelmente ao som dos Nirvana, com as Doc Martens no ar a fazer-lhe umas pernas ainda mais longas e magrinhas, se possível. 



Depois eram bâtons acastanhados ou bourdeaux e gargantilhas vitorianas, como se usam agora outra vez. E uma estética que andava entre o gótico, o punk, o grunge e o preppy (Burberry e tartan por todo o lado, uma festa). Não havia telemóveis (só apareceram um par de anos depois e nem era de bom tom ter um) nem selfies (mas divertíamo-nos com as polaroids e gastar rolos a preto e branco era moda) a internet estava nos primórdios e a inexistência de redes sociais complicava um pouco a interacção de adolescentes uns com os outros porque para falar com alguém era preciso passar pelos pais da pessoa primeiro, que podiam ou não estar de maré e ficavam inevitavelmente com um registo dos amigos ou admiradore (a)s que ligavam lá para casa. Foi uma época divertida.



 Voltando aos Nirvana, havia as matinés na Via Latina (quem é de Coimbra sabe), às Quartas-feiras à tarde. Saía-se das aulas para passar a tarde a dançar-  tocavam as cantiguinhas tipo Saturday Night e a seguir as músicas do Unplugged. I think I´m just happy...think I´m just happy...e éramos felizes, sem dúvida. Com todo um futuro à frente que se cumpriu para a maioria de nós, felizmente, mas a que quem dera tirar algumas complicações que apareceram pelo caminho.



 Este Natal a viúva de Kurt Cobain dedicou-lhe uma linda carta de amor. Na altura toda a gente se zangou muito com Courtney Love, que alegadamente tinha oferecido ao marido  a arma que o matou (a ser verdade, nunca percebi o que lhe terá passado pela cabeça tendo em conta os antecedentes dele) mas embora formassem uma equipa menos que sofrível e puxassem pelo piorzinho um do outro, lá que deviam amar-se, deviam.

A filha do casal até já casou com um mocinho de sobrenome luso que é a fotocópia do pai dela, nós todos crescemos para ser adultos responsáveis, o mundo deu reviravoltas e piparotes, mas a música dos Nirvana continua tão boa como ontem, muito do que veio dessa época permanece hoje e Courtney continua a amar Kurt. É uma sensação estranhamente melancólica e agridoce para fechar o ano, que não sei se me parte o coração, ou se I think I´m just happy.



Quando o amor vai à falência



"Eu tinha no coração mil dólares de amor. Em ouro, não em notas. E gastei-os em ti, até ao último cêntimo. Em termos de amor, estou falido. Levaste-me à falência".

                                             Alexandra Ripley, ´Scarlett`


Muitos fãs de E Tudo o Vento levou detestam esta sequela bem intencionada,escrita por uma especialista em assuntos do "Velho Sul", mas eu acho que tem as suas virtudes - nomeadamente, raciocínios interessantes no que concerne às relações complicadas estilo Rhett e Scarlett. E a frase acima sempre me ficou.

É que há uma coisa esquisita por aí que eu chamaria, à falta de melhor comparação, um amor de latifundiário (nada contra os latifundiários, mind you). Que é um sentido mais específico de tomar o amor por garantido.

 Deixem ver se me consigo explicar...um latifundiário ama a sua terra, a terra que herdou dos antepassados, tal como Scarlett amava a sua plantação, Tara. Ama sem notar que ama, sem muitas vezes exercer esse amor (o amor não basta existir, tem de ser posto em prática todos os dias, tem de ser posto a trabalhar como um motor, senão emperra). Ama intrinsecamente, insensivelmente, porque esse amor faz parte de si: afinal, a terra que o viu nascer está sempre lá, diante dos olhos, até que deixa de a ver com olhos de ver. É sua- propriedade sua. Ficaria doido se um vizinho quisesse comprar-lha, se os camponeses ou o governo tentassem apropriar-se dela, se um incêndio a devastasse ou se sucedesse outra tragédia qualquer...mas isso é hipótese que não lhe ocorre sequer, porque está tão certo do seu poder, da sua posse. Pessoas assim são cheias de falsas certezas.

E como a terra é tão sua, não lhe passa pela cabeça cuidar dela, apesar de todos os avisos. Ora, terra em pousio torna-se estéril, árida, difícil, por muito boa e fértil que seja. Mas o "dono" não vê nada disso nem ouve quem sabe. 



Passa o tempo a divertir-se na cidade sem se ralar de aparecer; não rega a terra, não a manda trabalhar, não colhe frutos dela, não perde tempo com ela e se for preciso anda de moto -4 por cima dos campos, escangalha as couves, arranca as vinhas, compra sementes que não prestam porque acha que basta muito bem, faz queimadas sem cautela, planta eucaliptos que secam o solo, deixa que as fábricas das redondezas poluam os poços e os ribeiros. A terra bem tenta, mas acaba por enfraquecer. O amor é exactamente como a terra: se não é alvo de cuidados, torna-se fraco e vazio.

Isto acontece quase sempre a quem cai no erro de amar um "latifundiário emocional": o amor é deixado em pousio, quando não é alvo de todos os ataques, da falta de comunicação e respeito ao ciúme, passando por outras pragas que agora não me lembram mas que são piores que gafanhotos, granizo e moléstias da batata. Tudo é exigido, nada é dado. E cai-se no erro de tentar injectar capital no latifúndio. Investe-se todo o amor que se tem no coração, no corpo e na alma, até se esgotar. Até ao último cêntimo. Ora, quando se chega a tal ponto, já não há ouro para pagar uma conta de cinco euros que seja, por muito boa vontade que se tenha. A quem está completamente falido é escusado suplicar ou exigir, berrar ou culpar: só resta aceitar a declaração de bancarrota. Mas quem esgotou tudo o que havia, nunca compreende porquê, nem se responsabiliza: culpa a "terra" que era má, o destino ou as circunstâncias...



Monday, December 28, 2015

Coco Chanel dixit: lidar com os homens


A genial Coco Chanel nunca se casou. Não por falta de propostas, decerto, pois teve os homens mais influentes, geniais e célebres do seu tempo aos pés - o sportsman Boy Chapel, que a ajudou a lançar a sua carreira (e ficou de cara à banda quando ela lhe devolveu o dinheiro que lhe tinha emprestado para se estabelecer, já que naquele tempo um empréstimo feito a uma mulher era considerado mais um presente do que outra coisa); o Grão-Duque Dmitri Pavlovich da Rússia e o Duque de Westminster, só para nomear três. Mas ela preferia tê-los na mão. Todos a influenciaram de algum modo, pois Coco fazia por aprender com a vida e com as pessoas. A alguns ela partiu o coração, muito pela aversão que tinha ao matrimónio; outros partiram o coração de Chanel, deixando-a por outras ou deixando este mundo. Mulher mundana, de sentido prático, de tudo ela tirava lições, nunca se deixando surpreender pelo destino sem espremer dele algum tipo de vantagem.

Coco deixou-nos muitas frases a decorar (a minha preferida fala especificamente em nunca ser apanhada mal vestida ou descabelada, porque esse pode ser o dia em que se tem um encontro com o destino). Pérolas de sabedoria que vão muito além das suas principais lições de estilo: estar sempre composta e polida, elegância é recusa, menos é mais, luxo é o contrário de vulgaridade, usar roupas que realmente assentem e abusar do preto e do branco, uma mulher com bons sapatos nunca está mal, etc.

Chanel com o Grão-Duque Dmitri Pavlovich

 Mas embora fosse uma mulher independente, além do seu tempo e revolucionária em tantos aspectos, no que tocava ao sexo oposto a sua abordagem (se deixarmos de fora a sua suposta alergia ao casamento)  era do mais tradicional que se pode

Para compreender os homens, para comunicar com a outra metade do planeta, é preciso não os detestar (leia-se, não rivalizar com eles) para começo de conversa; depois há que conhecer como pensam, saber ser feminina e dar-lhes o desconto, como diziam as nossas avós. Sem isso ninguém se entende e Chanel sabia-o bem. Ela sabia que "eles" «recordam sempre a mulher que lhes trouxe preocupação e desconforto»- ou seja, as raparigas demasiado ansiosas por agradar ficam a perder. E não compreendia as mulheres que querem ser exactamente como eles: «não sei porque é que as mulheres querem o que os homens têm, quando uma das coisas que as mulheres têm são os homens» mas mais importante, estava ciente de que não se pode levar o bicho-homem demasiado a sério:

"Desde que você saiba que os homens são como as crianças, sabe tudo o que interessa saber".

O que aplicar esta máxima poupa de desgostos, arrelias, discussões e dores de cabeça, não está escrito em lado nenhum.



Ora vamos lá calçar os ténis do momento!



Facto: tenho uns Stan Smith em casa, que cá vieram parar por mera carolice. Facto nº2, não os acho a coisa mais confortável deste mundo, não. Ainda só os testei dentro de portas mas quer-me parecer que magoam o artelho - essa coisa de os ténis serem universalmente cómodos é uma patranha monumental, por isso costumo ficar-me por Nike, Puma e as botas Timberland que até ver nunca me pregaram nenhuma partida. A ver vamos se consigo dar a volta para os tornar mais simpáticos, que costumo ser um ás em domar calçado rebelde. Depois, quando se trata de ténis é preciso ter algum cuidado para funcionarem com as formas femininas- por norma, no quesito rasos acho as botas, sandálias ou bailarinas mais favorecedoras e democráticas do que o calçado desportivo. 



Mas eis que- facto nº3 e que me surpreendeu - devo ter usado o dedo que adivinha do costume porque achei graça aos ténis (são um clássico, afinal) sem reparar que eram, ou iam ser, tendência. Mas a verdade é que estão por todo o lado. Nos street styles da vida e na boca das celebridades: David Beckham, por exemplo afirma que os Stan Smith com uns jeans são o que mais gosta de ver na sua mulher - a habitualmente super avessa a ténis Victoria.



Não compraria os Adidas de propósito tendo em conta o uso ocasional que dou a esse tipo de calçado, mas já que cá estão, é estúpido não fazer alguma coisa com eles. De modo que tenho estado de olho nas toilettes que por aí vejo construídas em torno dos Stan Smith. Muitas eu não recomendaria (camisolão XXL super comprido+ skinnies; fato compostinho + Stan  Smith; ou com certas saias curtas mal escolhidas), pelo menos não a toda a gente.


No entanto, quem souber jogar com as proporções e as cores poderá ter aí um bom investimento para calçado todo o terreno, e mais versátil do que parece:

- O modelo presta-se bem a calças justas, e.g. skinny, breeches e jeggings -principalmente curtas no tornozelo, como é tendência agora. O contraste entre a largura dos ténis e as calças estreitas alonga as pernas.E quem quiser ir mais longe, pode experimentar com umas calças clássicas estilo cigarrete. Em cinza ficam muito interessantes; recomendo tentar o look abaixo com umas calças parecidas, de preferência um pouco mais afuniladas:


- Também funcionam relativamente bem com boyfriend jeans não muito largos (ou girlfriend jeans) dobrados no tornozelo. Esta última fórmula é um pouco mais arriscada, mas pode resultar com uma simples t-shirt de mangas 3/4 e um bonito sobretudo descontraído, canadiana curta ou pea jacket




- Esses modelos de casaco são os que melhor se adequam  aos Stan Smith (um sobretudo curto em tweed fica o máximo) mas um blazer ou sports jacket, um biker ou mesmo uma gabardina longa também funcionam às mil maravilhas.

- Optando por calças justas, pode brincar-se com os extremos: ou com uma camisola larga, comprida ( sem exagero e que termine exactamente sobre as coxas) ou, se a cintura for alta, com um top curto ou camisa por dentro.



- Como quaisquer ténis, emprestam um ar mais inocente a saias e calções curtos, com um toque (vá-se lá saber porquê) mais requintado e clean do que outros modelos. Nestes casos impõe-se o bom senso e sentido das proporções para tornarem a figura esguia, bem como o uso de peças mais soltas e modestas para cima.


- O aspecto mais curioso é que, sendo brancos, estes ténis estão em voga para o Inverno a par com preto e materiais pouco desportivos como o couro (a minha combinação preferida é mesmo skinnies em pele ou napa + Stan Smith) a fazenda, a lã...  com peças femininas ou sofisticadas, como blusas e acessorizados com carteiras "bem comportadas", das totes às chain bags.


 A única regra para os fazer funcionar sem cair num look desleixado parece mesmo ser coordená-los com tons neutros (preto, branco, cinza, camel, navy, nude...).


                                         




Fica a dica para quem já tem uns em casa que lhe apeteça luzir por aí, ou para quem está a ponderar a compra. Vou dar umas voltas nos meus e depois conto como foi.

Sunday, December 27, 2015

Papa Bento XVI dixit: Beleza que liberta


O Papa Emérito encantado com um simples fogo de artifício em 2007
"A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, convida à liberdade e arranca do egoísmo"

Embora a Beleza se possa encontrar nas linhas simples e austeras e nos ambientes mais espartanos, será mais fácil cada um sair de si mesmo, esquecer a incessante conversa interior, quando está na presença de algo magnífico - seja música gloriosa, a majestade e detalhe de um edifício, de uma obra de arte ou de algo mais mundano como roupas bonitas, flores, ou a pura beleza física. Repousar os olhos, distrai-los com algo de belo e harmonioso liberta a imaginação, acorda a sensibilidade, faz esquecer o acessório. Embora conheça muitos Protestantes devotos e bem intencionados, a ideia de prestar culto num espaço que lembrava uma sala de aula maçadora - com direito a alcatifa, cadeiras forradas a tecido sintético e painéis de contraplacado com dizeres bíblicos parecia-me sempre um pouco triste. Os Cristãos primitivos reuniam-se nas catacumbas...mas mal ou bem, numa catacumba há ambiente e mistério. O Presépio era simplicíssimo - mas tinha o pitoresco da pedra, dos animaizinhos e a abóbada celeste em todo o seu esplendor, dourando a manjedoura. 

Religião à parte, a Beleza pode criar-se em todo o lado, basta reparar nela e puxar por ela: triste é quando as pessoas se ufanam em desprezá-la, ou a consideram, erradamente, um luxo. Como as mulheres que se desleixam por serem mães, ou as pessoas que não fazem por tornar a casa apresentável porque não podem, de momento, redecorar como gostariam.  Em tempos tive de comprar, porque tive, um livro que falava sobre os detalhes da decoração nas habitações indianas de bairros humildes. Fascinou-me como no meio de uma pobreza que por vezes é abjecta, como sabemos, aquelas pessoas procuravam colocar um bocadinho de beleza que fosse no local onde viviam e nas roupas ou adornos que usavam diariamente. Quem não tinha recursos para usar pedras preciosas, aplicava vidrinhos coloridos- nas pulseiras e a fazer de mosaico nas paredes. E assim por diante. E de resto, quem se ocupa a tornar-se mais belo a si próprio, ao ambiente à sua volta, ou simplesmente a embelezar um pouco o dia, seu e dos outros, tem menos tempo para pensar nos seus problemas. 

Um pouco de beleza por dia - seja criando-a, reparando nela, conservando-a, levando-a aos demais - é um santo remédio. O mundo tem demasiadas coisas feias, mas por cada aspecto inestético e deprimente há 10 coisas bonitas com que podemos entreter-nos. Basta ter olhos para ver...e brincar à alma de artista uma vez por outra.

Isto é viciante! (O novo hino do vintage)




Se ainda não ouviram esta canção pela manhã enquanto se preparam para enfrentar o dia, não sabem o que estão a perder: Thrift Shop, do duo Macklemore & Ryan Lewis, tem o poder de fazer uma pessoa abanar-se pela casa com uma chávena de café na mão, em modo Kate eu-danço-em-toda-a parte Upton:


Melhor ainda, em modo Christopher sou-uma-pessoa-muito-séria-mas-não-resisto-a-dançar Walken:


O que é sempre uma maneira positiva de acordar.

A cantiguinha apareceu-me numa playlist surpresa do Youtube enquanto fazia exercício e achei-a irresistível, mas ainda me pareceu mais engraçada depois de perceber a letra e ver o videoclip, que é divertidíssimo: os rappers cantam sobre um tema bastante inocente (o que é raro) e que fala a qualquer coleccionador empedernido de qualquer coisa, caça tesouros ou apreciador (a) de vintage: as alegrias de descobrir preciosidades, peças com história e raridades numa loja de velharias.


No fundo é uma crítica à cultura arrivista e ostensiva do bling bling, da logomania e por aí. Não se levar demasiado a sério é um verdadeiro cosmético interior que se reflecte no resto. E de mais a mais, nada é mais chic ou mais snob-no-bom-sentido do que o espírito nonchalant, vulgo "tenho demasiado estilo, logo não me poderia ralar menos com a opinião alheia".



Friday, December 25, 2015

Desconstruindo o mito da curiosidade feminina



As mulheres são, por tradição, consideradas curiosas. Ou como sofrendo do pior tipo de curiosidade!

 Não a curiosidade científica, que permite trepar pelos factos fora, dissecá-los e 
decompô-los afastando o acessório até chegar a uma conclusão importante, com potencial utilidade para o progresso da espécie humana; mas uma curiosidade mesquinha, pueril, cujo processo de raciocínio é vagamente semelhante mas desnecessariamente intrincado, e que nunca visa nada de relevante ou construtivo mas apenas a bisbilhotice, a desconfiança, o cortar na casaca alheia ou o procurar de pretextos para azucrinar o companheiro...isto quando não se trata de uma curiosidade inata, inútil, "porque sim".

Há imensas frases jocosas sobre o assunto, e outras que afirmam que uma mulher desconfiada faz melhores investigações do que o FBI. A associação entre mulher e curiosidade/mania de complicar/mexerico criou não poucas complicações ao longo da História.



E no entanto, se é verdade que a mulher possui um espírito inquisitivo e a capacidade de ver além, às vezes além do necessário, fazendo mil associações de ideias por coisas de nada, para o bem e para o mal (o que tende a agravar-se quanto mais inteligente uma mulher é) não creio que seja verdade isso de elas serem mais curiosas do que eles . Tão pouco mais mexeriqueiras.

Infelizmente, tenho visto casos sem conta de homens extremamente intrometidos e dados ao boato, ao rumor, à bisbilhotice. Se isto tem a ver com os meninos em causa serem menos varonis, de terem um comportamento mais beta do que alfa, é irrelevante para aqui. Eles adoram mexericar - seja gabando-se das suas conquistas fáceis (as avós avisavam mil vezes sobre isso) , faltando à velha máxima "a gentleman won´t tell" seja, se forem uns crápulas, a difamar a ex que lhes partiu o coração. Há imensos casos graves - potenciados pelas redes sociais - que não me deixam mentir.



Mas pondo de lado comportamentos acanalhados desses, há muito bons rapazes que são, passe a expressão, uns cuscos de primeira água. Discrição não é com eles. Quem tem irmãos saberá disso: se lhes pedem isto ou aquilo, são capazes de fazer orelhas moucas; se lhes contam ou lhes perguntam como correu o dia, o mais provável é erguerem os olhos do telemóvel passado um longo bocado com um "hein?" de quem caiu à Terra naquele momento. Mas experimentem falar, do outro extremo da casa, sobre algo que vagamente lhes interesse, é é vê-los surgir como por magia a perguntar "o quê, o quê?" como uma vizinha bisbilhoteira.

De igual modo, não há nada mais desesperadamente curioso do que um homem apaixonado. É pior que um gato perante um brinquedo que mexe ou um bichito no jardim, capaz de se pôr em guarda horas a fio. Se ele está mesmo interessado, tudo sobre a mulher amada é importante e aí sim, monta-se uma operação de investigação de fazer corar a CIA.

 Não só perguntam informações a quem for preciso como conheço uns quantos que admitem, sem problema e como se não tivesse mal nenhum, com aquela sinceridade infantil de que só os homens são capazes,  ter googlado a futura namorada. E as vezes que consultam o perfil da eleita nos facebooks da vida? E as perguntas indiscretas até sobre coisas que no fundo preferem nunca ficar a saber? Certo.


Depois... é quase impossível falar ao telefone à vontade com um homem por perto, principalmente se for para dizer bem deles. É que não aguentam. Desafio qualquer mulher a tentar ligar aos pais ou às amigas para elogiar o namorado/noivo/ marido, mesmo que o faça numa loja de carros ou de engenhocas na esperança de que ele se mantenha entretido ao longe. Pois sim. Põem-se a rondar com ar de quem não quer a coisa, mortinhos por dar fé de tudo. E nem falemos do que fazem por ciúmes - olhem que sei de mais homens do que mulheres capazes de surripiar o telefone da cara-metade  sem remorso algum para lhe ler as mensagens; fora os que, tendo meios para isso, não hesitam em mandá-la espiar. E há mais exemplos, but I rest my case.



Ora, no outro dia estava eu numa pequena sessão de leitura com alunos de Religião e Moral sobre Mitologia e temas relacionados, quando vieram a talhe de foice a maçã, a caixa de Pandora e Eva no Paraíso. Tanto no Génesis como no mito grego, a Humanidade perde-se por culpa da curiosidade da mulher. 

Pandora, porque não aguentou e abriu a malfadada caixa. Eva, porque não resistiu a saber a que sabia o fruto, e que poderes mágicos teria afinal (a vaidade também ajudou, já que a Serpente a lisonjeava, mas enfim). E no entanto...Adão também foi curioso, ou não? A atitude viril, isenta de bisbilhotice mórbida, seria berrar "ai desgraçada, que foste tu fazer?" e atirar com o fruto por ali fora, horrorizado. Mas não. Adão também queria saber se o fruto proibido era bom. Adão era um abelhudo. Como tantos homens hoje.


Ada Lovelace: curiosa sim - primeira programadora de computadores!
Estávamos isto, e conforme se ia falando, concluí que (ao contrário de outras características emocionais ou intelectuais a que a mulher pode ser mais propensa, como a capacidade de verbalizar) a curiosidade será igualmente intensa nos dois sexos. Simplesmente, ao longo dos tempos a maioria das mulheres estava mais concentrada nos bastidores ou na esfera doméstica. Era menos sujeita a estímulos exteriores, a grandes novidades, ao contrário dos homens que viajavam de um lado para o outro e tinham guerras para combater, logo andavam entretidos com coisas que não permitiam deter-se muito em minúcias. Não creio que grandes mentes femininas como Santa Hildegarda de Bingen, Santa Catarina de Siena , Santa Teresa de Ávila, Madame Curie ou a Condessa de Lovelace sofressem de curiosidade mesquinha ou tivessem vagar para mexericos, pois aplicavam o seu espírito curioso, inerente ao ser humano não importa o sexo, a colocar outro tipo de hipóteses.

A ociosidade é oficina do diabo, já se sabe. E embora o trabalho doméstico esteja longe de se comparar a não fazer nenhum, se a mente se ocupa essencialmente do que está à frente dos olhos, a tendência para esmiuçar aparece...seja algoritmos, questões teológicas ou a vida do próximo.

Thursday, December 24, 2015

Gatos: vamos lá ver se a gente se entende.



Uma coisa é a dona ser tolerante, toda fofinha e zen e quase new age em modo "deixa a vida correr, deixai um gato ser um gato" no que concerne ao conflito gatos-árvores de Natal, e acreditar nessa ideia de que a bicharada espatifar os enfeites faz parte e empresta outra graça à festa. 

(Até se tentou, por descargo de consciência embora já sabendo que não ia funcionar, dar-vos umas bolas que sobraram a ver se se entretinham. Não se pode ser mais amiguinha nem mais cool, hein?).



 Mas brincarem com os despojos, vulgo bolas, sininhos e anjinhos, toda a noite pela casa fora, com aquele barulho treca-treca -PAM-PUM-troc-troc-treca-treca, isso é que já é demais. Já sou crescidinha para acreditar que tal chinfrim é o Pai Natal e o Menino Jesus a estudarem os cantos à casa, para ver a melhor forma de deixarem os presentes sem serem detectados, e o único efeito da vossa algazarra é não deixarem ninguém pregar olho. Seus grinches fofos e peludos! Ou gremlins. Que seria uma palavra mais ilustrativa. Oh well.


Wednesday, December 23, 2015

Receita da semana: trio maravilha para um cabelo impecável




Já sabem que às vezes gosto de recomendar combinações de produtos com marcas, preços e propósitos diferentes que por qualquer razão, juntos funcionam. São coisas que acontecem quando é preciso dar uso aos cosméticos que se vão comprando.

E recentemente, descobri sem querer uma mistura que resultou às mil maravilhas para dar ao cabelo aquele efeito difícil de conseguir. Ou seja, a combinação perfeita entre volume e ultra macieza. You know, quando as madeixas ficam soltas, brilhantes que se fartam, aveludadas de alto a baixo, sem pontas rebeldes nem aqueles fiozinhos eléctricos,  mantêm a forma que vocês lhes deram ainda que o penteiem, prendam e voltem a soltar? E o melhor: sem muito trabalho (a seguir fiz apenas um brushing normal sem usar ferro nem fixadores, só com um pouco de qualquer sérum  nas pontas por descargo de consciência) e a manter-se impecável para o dia seguinte.

Em pessoas menos alma-aflita ou com um cabelo mais crespo do que eu até acredito que durasse mais do que isso, mas acho que dia-sim-dia-não é o limite para o cabelo estar sempre impecável.

Pois bem, anotem a receita: falei-vos há tempos do super amaciador baratinho-mas-de-efeito-dispendioso da marca espanhola Amalfi, que podem encontrar no Jumbo, em bazares e em lojas como a Espaço Casa ou a De Borla. A marca tem outros cosméticos igualmente bons, nomeadamente estes champôs variados:




O alisante, de abacate (verde, à esquerda) é quanto a mim dos melhores champôs efeito liso do mercado. É que o brushing fica feito sem canseiras, enquanto o diabo esfrega um olho. Mas desta feita usei a versão de keratina (já me falaram na embalagem grande, que tem também máscara e amaciador, mas desta vez usei o desta colecção):




Depois, como andava lá em casa um amaciador Herbal Essences Hidratação Profunda que tinha de gastar e eu tenho um fraquinho por cheiro a coco, vai de o usar como se fosse uma máscara. Regra geral confio na Herbal Essences, especialmente nas fórmulas mais hidratantes, e gosto sempre de ter alguma coisa da marca para quando apetece usar. É só deixar repousar um bom bocado no cabelo. Rematei com o condicionador em spray de volume da Gliss, que como tenho insistido por aqui, é a minha marca de eleição. Convém deixar o condicionador ser absorvido pelo cabelo antes de passar o pente.

Foi só secar/escovar, et voilà: brushing ultra rápido, cabelo super hidratado sem ficar pegajoso, efeito acabadinho-de-sair-do cabeleireiro. Já testei a combinação mais do que uma vez e resultou sempre bem, por isso achei que gostariam de saber para evitar aquelas correrias "tenho de passar no salão porque não se faz nada do meu cabelo" nestas Festas. 





Abby Sciuto dixit: o melhor discurso de Natal dos últimos anos


"You know what's infectious during the holidays? Optimism. Optimism is infectious. Optimism and... joy... joy and... Kindness. Courtesy. And charity. Generosity. And gratitude. Selflessness. Compassion. Forgiveness. Forgiveness is huge.  And faith...faith is infectious. Life isn't always perfect, you know? But sometimes things work out for the best if you just have faith".


Não vejo NCIS: Investigação Criminal com aquela frequência, mas já vou acompanhando a série com agrado há alguns anos (com muita pena minha, não consigo mesmo achar graça à versão Los Angeles, em que entra a nossa simpática compatriota...). Textos muito bem escritos e personagens interessantes, entre as quais a adorável cientista forense Abby Sciuto, a única capaz de derreter o carrancudo-mas-coração-de-manteiga chefe Gibbs.

 Aliás, as personagens femininas brilhantes e fortes, mas delicadas e sem estereótipos, como a ex-agente da Mossad Ziva David e Abby, são uma razão de peso para ver a série. E a menina Abigail, cheia de contradições (é gótica, mas esfusiantemente alegre; genial, mas não chica-esperta; excêntrica, mas social e emocionalmente funcional; de mente analítica, mas Católica devota; bicho-do-mato, mas sempre preocupada com os outros) é -  a par com a Penelope Garcia de Mentes Criminosas -  uma das minhas personagens de TV preferidas. Acho-a muito divertida e um óptimo modelo de comportamento para as raparigas.

Ora ontem, antes de jantar e às voltas com uns aperitivos de camembert que decidiram  pregar-me partidas, reparei neste discurso que a menina dos puxinhos, irritada com o pessimismo de um colega de trabalho, disse de rajada, comparando o espírito de Natal a uma forma boa de doença contagiosa. E como muitas coisas atiradas da boca para fora ( que é quando frequentemente saem as citações mais inspiradas), disse belas verdades sem pegajozices nem xaropices. 


 Tudo o que ela mencionou é verdade e não se aplica só nas Festas. O entusiasmo, a alegria e o optimismo são contagiosos, tal como o desânimo é um hábito que se entranha e acaba por infectar quem está à volta. A bondade, a gentileza, cortesia e generosidade também: ver  bondade e delicadeza nos outros eleva os sentimentos de quem está por perto. São coisas que pegam muito pelo exemplo e por imitação. Tal como o altruísmo, compaixão e a capacidade de perdoar, que é poderosíssima. 

Já a gratidão, essa é como os músculos: tem de ser exercitada...e nesta altura do ano, apesar de a maioria ter mais a agradecer do que a lamentar, é fácil cair na murmuração típica dos tempos que atravessamos. Basta olhar para as notícias do estilo "portugueses apertam cordões à bolsa e compram menos presentes". Mas lá diz o cliché, Natal não é dar presentes; é estar presente. Cada quadra junto das pessoas queridas, ainda que no maior caos natalício, é uma dádiva. Ver um novo Ano é uma dádiva. 

E depois há a Fé. A Fé que é um dom não garantido a todos, que é preciso procurar e treinar. Não é por acaso que os Católicos pedem nas suas orações "dai-me fé, esperança e caridade"- as três virtudes teologais, as mais importantes e tão raras que se crê que é precisa a Graça divina para as obter. Ou seja, explicando num sentido mais geral, são uma espécie de magia. Ora, a Fé, mesmo uma semente de fé pequenininha estilo grão de mostarda, tem mesmo poderes mágicos, daqueles de mover montanhas. 

Tanto a Fé religiosa como a fé de todos os dias, a fé que colocamos nas grandes e pequenas coisas e que permite ter abertura às soluções em vez de ver tudo negro, que deixa vislumbrar além dos monstros e obstáculos que assombram cada dia, que dá a certeza de que há algo maior e melhor à espera, que dá a força para realizar feitos aparentemente muito complicados. Também essa fé é contagiosa - basta olhar para as multidões em Fátima ou, falando de outro tipo de fé mais prática e terrena, para a a euforia dos adeptos num estádio. Fé no bom em vez de fé no pior, fé na solução em vez de fé no omnipresente problema, fé na luz em vez de fé nas trevas. Tudo isso se apanha como a gripe...resta escolher a que contágio se quer estar exposto.






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Tuesday, December 22, 2015

Sugestão de Natal para "eles": acabar com a ditadura dos ténis



Digo muitas vezes que um cavalheiro se conhece pelo calçado. E que a dada altura da vida, um homem, por muito que não faça o tipo dandy, por mais que o seu estilo de vida o permita e que prefira um look casual deve começar a aceitar que nem sempre é apropriado- nem elegante - continuar agarrado à combinação jeans + ténis+ t-shirts todos os dias que Deus deita ao mundo. Impõe-se um upgrade que estabeleça a diferença entre um homem e um rapaz!

Ora, a tarefa de aprimorar (ou simplesmente actualizar) o guarda roupa masculino (seja de irmãos, filhos, pai, cara metade e até de avós, (o avô adorava quando eu lhe oferecia roupas elegantes) cabe muitas vezes às mulheres da casa, já que muitos não fazem caso disso, são distraídos ou simplesmente demasiado preguiçosos para se aventurar nas lojas. Já aqui falámos que a influência feminina é poderosíssima em questões de gosto, e espero publicar um post detalhado sobre o assunto em breve, abarcando os essenciais do guarda roupa deles. Mas como diz este artigo, a melhor forma de acabar com os faux pas masculinos é ir subtilmente fazendo substituições. "Eles" são criaturas de hábitos e acostumam-se rapidamente a peças melhores (e francamente, mais confortáveis). Depois, a vaidade masculina acaba por falar mais alto e a maioria adopta as novidades sem problemas, ao ver que favorecem e facilitam a vida.


Ralph Lauren

 No entanto, uma das tarefas mais complicadas é exorcizar o reinado dos ténis (que têm o seu lugar e os há bem engraçados, mas estão longe de ser a única opção cómoda, até por causa da chuva). E uma  forma de se fazer essa transição sem muito atrito é começar pelas botas. Chelsea boots, botas do tipo montanha  e outras prestam-se a looks muito informais mas também a combinações um bocadinho mais sofisticadas, além de serem quentinhas, resistentes e não atrapalharem a maioria das tarefas ou hobbies tradicionalmente masculinos - mas também versáteis, de modo a que "eles" não façam cara feia, mas também não façam má figura. Deixo-vos algumas sugestões da Timberland, todas disponíveis nesta nova loja de calçado online com envio super rápido e óptimos preços:


Botas clássicas de atacadores


Chelsea boots


Botas  ´Bradstreet



Recomenda-se uma visita à Escape Shoes nestas Festas...Happy shopping!



Duas verdades sócio-biológicas do dia

Essa coisa de reparar em modas & elegâncias não é tão superficial como parece, nunca me canso de o frisar. As toilettes e sapatos dizem muito de quem as veste ou calça; e os usos da sociedade no que toca ao vestuário eram tão importantes ou tão pouco que ao longo das épocas, foi havendo leis sumptuárias para determinar quem podia vestir o quê (e quando)...

Isto no sentido de partilhar convosco duas brilhantes conclusões que se tiram de trapos e companhia, a saber:

1- Há uma razão para os homens não terem sido, ao longo dos séculos, as fadas do lar por excelência.

 E olhem que não tem nada a ver com machismo, nem com "jeitinho feminino" (que existe, mas até há homens que são uns ases nas tarefas domésticas e não perdem um ai da sua masculinidade à conta disso) ou com o facto de haver caça para apanhar e guerras para combater (a esse assunto quero voltar hoje ou amanhã), o que dava muito jeito para os livrar de sacudir tapetes, amassar pão e fazer barrelas, tarefas muito apropriadas a quem tem força de braços. Ná. Nada a ver. A explicação para isso é o velho "ele que não toque em nada senão o mal é para mim": ou seja, a impaciência masculina e a mania de serem temerários. Sabem aquele espírito viril mas tolo do "a mim não me acontece nada mesmo que conduza com os copos ou salte em queda livre"que é a causa de tanta multa e cabeça partida, na melhor das hipóteses? Ora, na esfera doméstica isso traduz-se em colocar peças delicadas-  e complicadas de substituir-  como camisas Gucci e gravatas Céline na máquina de lavar/ secadora. Depois de serem avisados. Assim com o ar mais natural do mundo. E ante o quase fanico feminino ao saber do sacrilégio, atalharem com um encolher do ombros "não foi grave, não se estragou nada, eu é que sabia, as mulheres complicam sempre tudo". Moral da história: trabalho doméstico para eles, sim senhor; mas nada que envolva sedas e minúcias.



2-  O traçar da linha entre as mulheres elegantes versus barbies de feira; entre as que têm bom senso e as serigaitas; entre boas e más raparigas; entre as de bom e mau porte; entre as que um homem deve apresentar aos pais e as que...enfim, podia fazer-se com um simples raciocínio. Basta observar como se comportam perante o clássico - mas difícil de usar - padrão tigresse. O mundo feminino podia dividir-se facilmente entre as que sabem usar leopardo como Jackie Kennedy, Grace Kelly ou Audrey Hepburn usavam (num acessório, em sapatos ou no limite, numa peça única como um casaco combinado sensatamente) e as que o usam como coristas em hora de expediente, vulgo em mini vestidos, leggings e outras peças chamativas de má qualidade, combinadas com bijutaria, bilhantes, napa, cabelos espampanantes e menos bem tratados, piercings e outros artifícios.


 Isto quando não tatuam malhas de tigre que até parece uma doença de pele, na tentativa de fazer justiça ao título de "tigresas" que dão a si próprias quando não preferem chamar-se "princesas" (que ironia deliciosa!). Fácil, não é? In tigresse veritas.





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