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Monday, January 12, 2015

A nobre arte de fazer a coisa certa

Acho que toda a gente já passou por algo assim, e se não passou há-de chegar a sua vez: estar perante uma solução fácil e optar por outra coisa, sabendo que é um caminho espinhoso mas mais compensador, por causa daquela vozinha lá dentro.



Isto pode acontecer quando se recusa um emprego mais bem pago mas que 
a longo prazo, não ia contribuir para avançar na carreira desejada; quando era 
tão mais fácil namorar com o Gonçalo, que bebe os ares por si e é tão bom 
rapazinho, porque na realidade gosta é do Manel, mesmo que as coisas com o Manel não andem a resultar lá muito bem; e numa variedade de outras
situações que não me ocorrem agora.

Bem dizem na Igreja que o caminho fácil conduz ao Inferno, e que para chegar ao Céu é necessário sofrer (ou se preferirem, esforçar-se) um bocadinho.

Isso de ouvir o nosso coração é um lugar comum, mas tem muito de verdade. Se não bate certo, se parece desconfortável ou pouco ético então se calhar é 
mesmo. Há situações em que não podemos optar (ver-se na necessidade 
absoluta de aceitar um emprego menos entusiasmante para pagar as contas, 
por exemplo) mas em todas as outras, é um erro desperdiçar o nosso poder de escolha.

Quando a diferença está entre ser infeliz ou ficar apenas um bocadinho menos infeliz, mais vale escutar o instinto e suportar o sofrimento até chegar onde se deseja...por nós mesmos e pelos outros.

 O emprego maçador, bem remunerado e que só vai servir mesmo para ter mais dinheiro poderia permitir certos luxos, mas não se sabe quanto tempo duraria nem como seria a sua performance a trabalhar sem grande vontade; já aguentar mais alguns meses enquanto se monta o próprio negócio, se faz formação adequada ou se espera a oportunidade para começar a colaborar naquele projecto que vai mudar tudo é um investimento no futuro. 

 Namorar com o Gonçalo que é um querido, enquanto se suspira pelo Manel,  só para não andar sozinha...é só ficar um bocadinho menos infeliz; não é bom para si, nem para o Gonçalo (pois ninguém merece servir de pneu sobressalente) e muito menos para o Manel. Não há nada pior do que enganar outrem, ainda que emocionalmente; nem do que estar com uma pessoa desejando mais do que tudo estar ao lado de outra.
  De momento pode não saber como a situação com o Manel ficará, o futuro a Deus pertence; mas ainda que dê muitíssimo para o torto, caso escolha estar ao lado do Gonçalo perde a oportunidade de conhecer outra pessoa que faça o seu coração disparar exactamente como o Manel, numa versão mais bem comportada. Enquanto se estiver sozinha, por mais penoso que isso seja e por mais pressão social que haja, é dona das suas próprias decisões e não complica a equação.

 Falo no feminino mas isto também vale obviamente para os cavalheiros, bem entendido.

A solução fácil não passa de contentar-se com menos, e é sempre baseada no medo: medo de não ser capaz, medo da solidão, medo daquilo que os outros vão dizer, medo de um futuro que em boa verdade pode mudar completamente já amanhã. 

Quando na dúvida, aquela vozinha (quer prefiram chamar-lhe coração, intuição, Eu Superior ou instinto) sabe sempre o que é melhor. Não vale é fazer orelhas moucas e queixar-se depois...












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