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Saturday, January 31, 2015

Alegoria do amor e das Feiras da Ladra



A uma amiga que se queixava da sua vida amorosa estagnada porque todos os pretendentes que aparece têm defeitos, vulgo "só me saem duques e cenas tristes" lembra-se a minha pessoa de dizer:

"Não te dê isso cuidado: encontrar a pessoa certa é como procurar tesouros na Feira da Ladra; é preciso tropeçar em tralha inútil para encontrar alguma coisa de jeito!"

Disparates que ocorrem assim por dizer, mas vendo bem não deixa de ser verdade: quem gosta de antiguidades, bons descontos ou preciosidades vintage, quem frequenta leilões, vendas de garagem, feiras de antiguidades, de angariação de fundos, de velharias, de tarecos em segunda mão, lojas vintage e gasta algum tempo no eBay ou no OLX à procura de coisas bonitas para a sua colecção sabe como funciona.

É necessário caminhar, cansar os olhos, observar muita coisa que não interessa ao Menino Jesus e estar consciente de que o lixo de uns é o tesouro dos outros.

 Vendo as coisas de uma forma crua e objectiva, o homem perfeito para uma rapariga pode ser a velharia de outra, arrumada para ali num canto do sótão, tristinho, a ocupar memórias e espaço e a ganhar pó.

No fundo, como diz a canção de Sérgio Godinho, começar uma relação nova não é mais que uma ida à Feira da Ladra onde se tudo correr bem, se trocam as amarguras, ilusões, trapos e cacos e contradições do passado pelas alegrias do futuro. 

É terça-feira 
e a feira da ladra 
abre hoje às cinco 
de madrugada

E a rapariga 
desce a escada quatro a quatro 
vai vender mágoas 
ao desbarato 
vai vender 
juras falsas 
amargura ilusões 
trapos e cacos e contradições

(Sérgio Godinho)

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