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Tuesday, January 20, 2015

Fashionistas, giras e....devotas.

Para a blogger Adi Heyman, Judia Ortodoxa e fashionista famosa,
 a sua Fé serve de linha de orientação na hora de escolher todos os looks. Quem diria?

Embora o apego exagerado à moda - como a todas as coisas mundanas -  possa ser frívolo, não há nada de superficial na moda como fenómeno social e mais importante, nas escolhas que fazemos todos os dias.

Primeiro, porque para realmente compreender a moda é preciso, como já disse várias vezes, cultura. Referências históricas, literárias, artísticas, sociais, estéticas. Sem isso, moda é trapos. Qualquer desmiolada gosta de comprar trapos e maquilhagem, mas o verdadeiro estilo requer exercitar o espírito; sem elegância interior, nada feito. A Moda nunca está só à flor da pele. É um reflexo do que vai lá dentro.


Após anos de afirmação da sexualidade feminina através de roupas provocantes,
o estilo de actrizes como Audrey tem regressado às ruas, editoriais de moda e passerelles.

Segundo, porque se a moda - tal como quaisquer usos e costumes - fosse frívola, não teria sido sujeita a leis sumptuárias em diferentes épocas, não teria na Bíblia o relevo que sabemos, não teria sido alvo da atenção de vários Papas, não continuariam a existir dress codes inquebráveis para situações formais ou profissionais.

  É importante na Política, na Diplomacia, no meio empresarial; episódios como as tendências "anti moda"  e o estilo "directoire" nos finais da Revolução Francesa, o declínio do espartilho na Primeira Grande Guerra, as "modas patrióticas" durante a II Guerra Mundial  e as terríveis restrições a vestimentas em vários regimes comunistas provam que a Moda nunca caminha sozinha. É sempre uma consequência de factores mais profundos, ou uma afirmação que traduz/conduz a mudanças na sociedade.


O estilo "directoire", ideal de moda simples no rescaldo da Revolução Francesa

O que vestimos projecta ao Mundo quem somos, quem gostaríamos de ser, o que pensamos ou admiramos - e como é dito frequentemente por aqui, o carácter faz a roupa; convém que pensemos em nós próprios como marcas, logo... que não atribuamos à nossa "marca" o posicionamento errado.

 Já falámos amplamente no regresso da indústria de moda a uma certa modéstia e feminilidade, que é atraente sem ser vulgar - porque vulgaridade e elegância nunca caminharão juntas. Dir-se-ia que a sociedade (e em particular, a ala feminina) se cansou dos excessos dos últimos vinte anos. E se há quem procure este regresso a uma beleza discreta por motivos meramente estéticos, há quem o aplauda também por estar em conformidade com os seus princípios morais, familiares e/ou religiosos - sem culpa. 


Adi Heyman

 Este mês, a Vogue americana publicou um artigo realmente diferente: o testemunho de uma mulher que faz suas escolhas de moda em função da sua Fé, neste caso o Judaísmo Ortodoxo - e como ter essa linha de orientação a ajudou a definir um sentido de estilo. 

A título de exemplo a autora aponta a blogger Adi Heyman, favorita dos fotógrafos de streetstyle, que segue os mesmos princípios. Olhando para Adi, é quase impossível notar qualquer motivação religiosa: parece apenas uma mulher vestida com classe.
 Também a Elle deu destaque a uma colecção de retratos sobre a contemplação da modéstia pelas mulheres desta comunidade, "Daughter of the King". O decoro é visto como um sinal de respeito, e de como a mulher é preciosa.

Com particularidades ainda maiores aos olhos ocidentais, também as fashionistas muçulmanas têm ganho voz na blogosfera.


Daughter of the King
E do lado que nos é mais familiar, particularmente das mulheres Católicas? A Revista Regina Magazine passou a ter uma editora de moda e estilo.

De acordo com a editora chefe da Regina (uma mulher, nota bene), isto é importante porque apesar de se ter convencionado que os Católicos têm uma aparência "comum" (uma vez que Igreja ditou mais ou menos informalmente os costumes na Europa durante séculos) foi necessário dar o exemplo face ao panorama mais recente.

"Durante 50 anos foi dito às mulheres que para serem «libertadas» deviam expor-se da maneira mais sórdida e vulgar (...) esta sexualidade agressiva mascarada de libertação funcionou lindamente para os magnatas dos média (...) e qualquer tentativa por parte da Igreja para contrariar isto era classificada de "opressora" ou "de ódio às mulheres" - perguntem a qualquer Sacerdote que tentasse instalar algum decoro no trajar para a Missa...".

 Também pela blogosfera e redes sociais abundam páginas de moda criadas por fashionistas Católicas que incitam a um regresso à Tradição (nomeadamente ao bonito hábito do uso do véu) e outras tantas que procuram esclarecer e equilibrar os preceitos Cristãos com a vontade de seguir as tendências. Estar no mundo sem fazer parte dele e vestir de forma atraente sem dar escândalo são os objectivos de quem procura ser algo conservadora, mas actual e elegante.

 A espiritualidade de cada uma - ou os seus valores morais, familiares e sociais - é uma prioridade tão boa como qualquer outra quando se trata de orientação estética. 

Em todo o caso, a moderação, discrição, simplicidade e a busca pelo que é de qualidade e intemporal são sempre sinónimos de elegância, e atraem sempre o respeito de quem vê.  Independentemente da motivação.











3 comments:

Ulisses L said...

Pois...
...este post não abona muito a meu favor!

LOOOOL

Enfim, c'est la vie...

:)

Imperatriz Sissi said...

Não te apoquentes, mulheres sem fé não faltam :D

Ulisses L said...

LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL

Não me apoquento nada...
...se me apoquentasse já tinha mudado!

Aliás, se assim como sou já fiz o que fiz e tenho a mulher que tenho (sendo que este "tenho" é entre aspas mesmo, que ninguém é propriedade de ninguém), imagina se eu começasse a dar importância ao que visto e à minha aparência no geral...

Tenho que ser realista (e nada convencido, diga-se - lá porque eu sou bom isso não quer dizer que tenha de anunciar o quanto por aí...) e deixar espaço para a concorrência...

LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL

(just kidding)

:)

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