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Thursday, January 15, 2015

Victor Hugo dixit: guerra dos sexos? Not!


Já vos tenho dito que a poesia, para mim, é coisa criteriosa e espinhosa; entre a má poesia (ou a poesia sofrível) e nenhuma, prefiro a ausência total desse luxo. Má poesia é como uma carteira contrafeita: o ridículo percebe-se à distância. Ou como a bijutaria barata: totalmente dispensável. Materiais nobres, ou nada! 


A prosa é mais honesta; se não for sublime é pelo menos directa, desde que não se abuse de pretensões, floreados e palavrões caros na tentativa pateta de parecer "profundo" ou pior um pouco, muito culto.

Mas por vezes, os poetas - especialmente os mortos e enterrados - lá resumem ou explicam ideias de uma forma que à prosa é quase impossível. 


 Como por aqui se tem falado bastante dos papéis masculinos e femininos, lembrei-me deste poema de Victor Hugo e como nenhuma versão disponível em português me agradasse, atrevi-me a uma tradução livre.
 Acho-o um belíssimo sumário de muito do que tenho analisado (ou procurado lembrar) cá no blog: o homem força, acção, guia, protecção, Fogo (ou Yang, se preferirem) a mulher apoio, sabedoria, subtileza, astúcia, receptividade, delicadeza, Água (Ying). O que se tem procurado contrariar socialmente, de modo forçado, são apenas os  princípios elementares de fertilidade, de complementaridade.

 O feminino e masculino nunca serão opostos; complementam-se pela mais  primordial ordem das coisas. Se o homem domina formalmente pela força, a mulher subjuga pelo engenho e a meiguice; reinam ora à vez, num jogo mais velho que o tempo, em que só se vence sendo vencido, ora juntos, mas cada um à sua maneira. Tudo encaixa perfeitamente, quanto mais não seja porque o Criador os fez para os braços um do outro...


O homem é a mais elevada das criaturas
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono e para a mulher, um altar.
O trono exalta; o altar santifica.

O homem é o cérebro
A mulher, o coração.

O cérebro produz a luz; 
o coração, o amor.

A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é forte pela razão.
A mulher é invencível pelas lágrimas.

A razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos.
A mulher, de todos os martírios.

O heroísmo enobrece; o martírio sublima. 

O homem tem supremacia.
 A mulher, primazia.

A supremacia é força; a primazia legitima.

O homem é um génio.
A mulher, um anjo.


O génio é imensurável; o anjo indefinível. 


O homem aspira à extrema glória.
A mulher, à extrema virtude.

A glória engrandece tudo; a virtude diviniza tudo.

O homem é um código.
A mulher, um evangelho.

O código corrige, o evangelho aperfeiçoa.

O homem pensa.
 Ela sonha.

Pensar é ter uma larva no crânio; sonhar é ter um halo na fronte.


O homem é um oceano.
A mulher é um lago.


O oceano possui a pérola que adorna; o lago, poesia deslumbrante.


O homem é a águia em voo.
A mulher, o rouxinol que canta.


Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.

O homem é um Templo;
 a mulher é o Tabernáculo.


Ante o Templo descobrimo-nos, ante o Tabernáculo ajoelhamos.


Em suma, o homem é colocado onde a Terra termina; a mulher, onde começa o céu.

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