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Wednesday, February 11, 2015

As paixões avassaladoras...e as de papelão.


Esta época do ano é muito dedicada a um romantismo forçado, postiço. De xaropice e pegajosice obrigatória, de inglês ver, de presentes comprados à pressa, de restaurantes apinhados ("dê aqui um jeitinho para caber o casal do lado!") com velinhas baratas e coraçõezinhos de papel que o dono do lugar obrigou os pobres empregados a recortar noite dentro e menus inflaccionados que às vezes sabem a comida da cantina com títulos gourmet.

  Sempre achei que quem ama verdadeiramente poderá não deixar de festejar a data (afinal, convencionou-se) mas é melhor fazê-lo em privado, não profanando o seu amor ao roçar cotovelos com os "amores" banais. O amor profundo, elevado, e a paixão viva, visceral, não se escondem, mas também não se banalizam. Nascem, queimam e sentem-se, como dizia Eça de Queiroz, envoltos num pudor supersticioso:

"Isto, porém, não era «uma aventura». Ao seu amor misturava-se alguma coisa de religioso; e, como os verdadeiros devotos, repugnava-lhe conversar sobre a sua fé".

  Perdoem o cinismo, mas nenhum homem conheceu realmente o amor se a mulher que traz pelo braço, nessa noite ou noutras, não for aquela mulher, a que teve para ele o impacto de um raio e se ela não lhe corresponder na mesma medida; e nenhuma mulher pode dizer que foi amada - ou que é amada na verdadeira acepção do termo - se não for aquela mulher para o homem que ela adora assim.

 Tudo o resto são tristes remedeios, remendos da felicidade, discretas tragédias da vida, relações chinfrim, pequenas alegrias a condizer com os coraçõezitos de papel recortados para a ocasião. Será frieza dizê-lo, mas há as paixões avassaladoras, requintadas... e há o resto, pobres imitações. De papelão.


3 comments:

maria madeira said...

Nem mais "romantismo forçado, postiço". Eu também sou dessa opinião, e por ser dessa opinião, me ter atrevido a escrever algo semelhante (semelhante não na forma de escrita) mas na opinião, tive como brinde a saída imediata de um seguidor. Não gostou e fez questão de o deixar marcado desta forma. Que dizer? Que as pessoas gostam de dias comemorados e assentes em bases de papelão. É deixar e respeitar.

Imperatriz Sissi said...
This comment has been removed by the author.
Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Maria! O seu texto estava genial, deixe-me que lhe diga...
Algumas pessoas são assim - como só lhes resta fazer o papelão de festejar um "amor" questionável num cenário algo deprimente , agarram-se a isso e tomam tudo a peito. É pena que não tenha facebook do blog, gostaria de acompanhar mais! Beijinho

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