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Friday, February 20, 2015

Casal do dia: Henrique I de França e Ana de Kiev


A vida conjugal do Rei dos Francos parecia ser tão cheia de obstáculos como o Trono (1031- 1060) do seu reino ainda frágil. Enquanto monarca, vira-se desde a juventude a braços com a conquista e perda de territórios, com disputas e batalhas contra os próprios pais, tensões com o irmão e diversas cedências que teve de fazer em relação a regiões como a Borgonha e a Lorena, que lhe valeriam passar à história com uma reputação menos brilhante.

 Em relação ao casamento, viu falhar as negociações para desposar a filha do Duque de Aquitânia; ficou noivo da jovem Matilda da Germânia, mas ela morreu antes de se pensar em realizar as núpcias; casou-se então, no mesmo ano, com Matilde da Frísia...que se finou, com a filhita que tivera de Henrique, no ano seguinte.

 Cansado de tanta pouca sorte - e de se debater com constantes questões de parentela- Henrique teve então uma ideia tão ambiciosa como romântica: ir buscar uma noiva o mais longe possível, aos confins da Europa. Uma noiva com quem não poderia, nem por sombras, partilhar laços de sangue. A sua escolha recaiu sobre Ana Yaroslavna, filha de Yaroslav I, o Sábio, Grão- Príncipe de Kiev. Os ecos da sua delicada beleza e da sua cultura, invulgar para uma mulher da época, tinham chegado até França, conquistando o coração do Rei. Tratava-se, além do mais, de uma aliança excelente - a despeito da fé Ortodoxa da mulher que, caso tudo corresse pelo melhor, seria sua noiva, .


O projecto tinha que se lhe dissesse: não só obrigaria os enviados reais a atravessar a Lorena, a Baviera, a Morávia e a Polónia para atingir o longínquo Principado, como havia o risco de voltar de mãos vazias: Yaroslav era um dos maiores príncipes da Europa. Os seus pais tinham sido o próprio S. Vladimir, o Grande, que convertera o território à Fé Cristã, e a irmã do Imperador Bizantino. A corte de Kiev era riquíssima e sofisticada - chamava-se à cidade  uma "segunda Constantinopla" pelo seu esplendor oriental.

Em comparação, a França era ao tempo um reino pouco impressionante. Temia-se que Yaroslav almejasse a melhor partido para a sua linda filha... de quem, de resto, lhe custava muito separar-se.

Mas ou porque o Bispo de Chalon, encarregado de expor a pretensão de Henrique, o fez de forma habilidosa, ou porque a princesa se enamorou à distância, ou por algum motivo estratégico, o futuro sogro aceitou a proposta imediatamente.

 Ao verem-se pessoalmente, nenhum dos noivos ficou desapontado:apaixonaram-se e viveram nove anos de felicidade, até que a morte os separou. Depois de chorar amargamente o homem que tanto fizera para a conquistar, Ana - apesar de nunca se ter tornado fluente em francês -  actuou como regente em nome do filho, Filipe (assim chamado porque Ana descendia do pai de Alexandre, O Grande). Foi a primeira Rainha consorte de França a ter tal papel.

E assim provou o Rei Henrique que frequentemente, à terceira é de vez...







  
Ele tinha 43 anos, ela 25.

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