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Friday, February 27, 2015

D. Sebastião César de Menezes dixit: cuidado com as novidades



"Um dos fundamentos para se estabelecer em felicidade é conservar-se nos antigos costumes. Está muito perto da ruína o Príncipe que for amigo de novidades, porque a prudência é seguir os costumes dos maiores que o tempo e experiência têm qualificado" . 


                         
                                            D. Sebastião César de Menezes, 
                                                           in Suma Política

Vivemos o século das constantes novidades. A sociedade da Belle Époque terá sido, em traços largos, a última a pasmar ante convulsões grandes e repentinas que acabaram com os "anos dourados" e pareciam abalar os alicerces da civilização, pôr em causa tudo aquilo que as pessoas tinham mais ou menos como certo- a substituição de cavalos por automóveis, o interesse generalizado pela ciência ( e por ideias controversas como o espiritismo, que se disseminava pelos salões) a consolidação da indústria, o regicídio em Portugal, o naufrágio do inafundável Titanic, e mesmo à porta, a I Grande Guerra e a Revolução Russa.

Mas no século XXI, pior estamos - não se acorda um dia sem que haja uma novidade. Ou que não nos obriguem, de forma mais ou menos subtil, a aceitar como normal (e até a louvar) coisas que muito recentemente eram tidas como moral ou socialmente desprezíveis.

 Chesterton, pensador desse fin de siècle que disse que a tolerância é a virtude do homem sem convicções, muito se espantaria hoje. 

 Porém, não sejamos ceguinhos, cobardes ou sensaborões: o mundo anda para a frente e não para trás e temos de nos adaptar, mas há que ter a rebeldia de recusar ser rebelde só porque nos dizem "sê rebelde!".  Lá porque uma nova ideia, uma corrente de pensamento muito revolucionária, muito zen, em suma, o l´air du temps, nos é impingido várias vezes por dia pelos media como muito bom, como a única forma aceitável de pensar porque todas as outras estão ultrapassadas, numa autêntica ditadura do politicamento correcto, não significa que todos tenhamos que ser coniventes por medo de ganhar fama de Velhos do Restelo ou antiquados

 As culturas que nos serviram de berço assentavam na tradição, nos valores firmes. Quem nos diz que o que é novo, que ainda não foi testado, é necessariamente melhor do que a ordem das coisas quem mal ou bem, lá foi trazendo o mundo até aqui? É que as ideias jovens são exactamente como os adolescentes: não viveram nada, mas têm a certeza de tudo.



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