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Monday, February 16, 2015

Dica de 1960: não espicaçar o amado com ciúmes

Imagem da mesma revista (Verão de 1960)

 "É frequente que uma mulher (...) longe do marido ou do noivo [seja] alvo das atenções dos outros homens. Ora, isso pode não passar de um sucesso inocente que é necessário saber apreciar mas que não deve subir à cabeça de ninguém. Se um homem, numa reunião de amigos, tiver feito a corte a uma rapariga, nunca ela se deverá gabar do facto junto daquele que ama porque o ciúme que poderá provocar está longe de ser um processo para se fazer amar com mais intensidade. A ternura e a confiança serão muito mais apreciadas".

In Crónica Feminina, 1960


O monstro de olhos verdes, quando exagerado, é sempre mau, e no masculino pior um pouco.

 Já em doses moderadas, o ciúme deles é bem vindo... um cavalheiro que não é zeloso, das duas três: ou não está apaixonado, ou lhe falta brio (leia-se - é um paspalho) ou sofre de alguma esquisitice que não seria decente explicar.

É o triste caso de muitos rapazes e homens que não se importam de passear as namoradas ou mulheres em semi- trajes que chamam a atenção pelos piores motivos; talvez por se sentirem muito modernos, parecem mesmo achar graça (ou acobardar-se, nem sei) perante as investidas e a troça alheia. Só quando os maus resultados batem à porta é que se lamentam. Exemplos desses levantariam muitas questões já analisadas por aqui, mas chamemos-lhe apenas falta de respeito próprio e pela cara metade, de parte a parte - e encerremos a questão concluindo que casais assim se merecem.



  Agora, em todos os outros casos: uma mulher sensata deve usar ou não a arma do ciúme para espicaçar a paixão da cara metade? Eu diria que o ciúme saudável, normal, nasce espontaneamente, como consequência dos factos. Se uma mulher é atraente e faz por se manter bonita, se veste com feminilidade e bom gosto, se sabe estar, se tem uma rotina ocupada e um mínimo de vida social... é natural que os olhares masculinos se voltem para ela onde quer que esteja e que receba atenções.

 É mais difícil, portanto, que o noivo ou marido se dê ao luxo de andar "distraído". Os elogios que a mulher atrai, se se reflectem bem nele, também lhe acicatam o sentido territorial. 

Eça de Queiroz dizia, n´Os Maias, que o amor se mantém vivo mais facilmente na vida buliçosa da cidade, onde um casal bonito pode entreter-se com mil distracções e despertar a admiração de terceiros, do que escondido na quietude do campo onde não se vê vivalma...



Porém, há que ter atenção ao sensível orgulho masculino e à confiança conjugal, que deve ser à prova de bala. Uma coisa é a admiração automática que uma mulher, mesmo discreta, atrai sendo bonita, e as homenagens sociais que vêm com isso. Outra é a resposta que se lhe dá; e nisso muitas, mesmo as que não se deixam levar pelo defeito da vaidade ou da leviandade, podem pecar por distracção, ingenuidade ou timidez. Ou por não detectar de imediato a malícia onde ela existe, ou por ficar sem jeito, ou por julgar que actualmente uma mulher sabe muito bem defender-se sozinha, logo é capaz de colocar no lugar quem toma excessivas liberdades sem ter sido encorajado a tal - e não faltam pessoas aparentemente respeitáveis que não precisam de encorajamento

 Ora, essas atenções não só lesam a dignidade de quem as recebe como podem ferir os sentimentos da cara metade- tanto na sua confiança, como no ego. E se o "pretendente" fizer parte do mesmo círculo social e ousar cortejar a mulher em causa nas barbas do parceiro, pior se torna. Para uma menina ou senhora pode não parecer grave, para um cavalheiro é fazer dele parvo. 

Logo, há que rechaçar tais "cortesias" e não as esconder do companheiro, mas tão pouco gabar-se disso...fazer-lhe queixa ainda é a saída mais honesta. Fica salva a sua sinceridade, e o ciúme...esse é inevitável, para o bem e para o mal.









1 comment:

Marta Moura said...

Eehehh, muito bom!

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